Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Variedades
Dia Internacional da Mulher: moradoras de Balneário mostram que trabalho voluntário transforma vidas

Sábado, 7/3/2020 20:36.

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Por Renata Rutes

O Dia Internacional da Mulher é celebrado neste domingo e em meio a questionamentos e discussões cada vez mais frequentes sobre a importante união entre as mulheres, empoderamento e necessidade de mais espaço e respeito, a reportagem do Página 3 conversou com moradoras de Balneário Camboriú que dividem suas funções profissionais e pessoais com o trabalho voluntário. Nessa reportagem Especial da semana, mulheres contam suas histórias, que são ligadas com a cultura, turismo, empresariado, advocacia e até com o resgate de animais de rua, mostrando que o público feminino tem força, pode e deve ocupar o cargo que bem entender.

Patrícia Ferreira

Membro da diretoria da ONG Viva Bicho e proprietária de um salão de beleza

Patrícia é dona de salão de beleza e integra a diretoria da ONG Viva Bicho.

“Eu trabalhava com grupos de pessoas em estudos de física quântica e espiritualidade, e um dia despertei, como se fosse um chamado, para fazer pelos mais necessitados. Me dirigi ao abrigo da ONG, olhei nos olhos de dois cães cadeirantes e senti que era com eles mesmo minha missão, criaturas vivas cheias de súplicas no olhar. Sempre convivi com animais domésticos, mas senti algo diferente, que eles precisavam de mim. Logo surgiram muitos resgates, um atrás do outro. É como se você fosse levada para aquele lugar, no momento certo, e você se torna responsável por aquela vida. A primeira vez que entrei no abrigo, falei que queria coordená-lo algum dia e, anos depois, quando eu nem estava tão presente no grupo, fui chamada. Minha rotina é intensa, acordo cedo, cuido de todos meus filhos de patas, mais os hóspedes de lar temporário, às vezes dou uma passadinha no abrigo para depois ir para meu trabalho. Tenho um salão de beleza, onde trabalho o dia todo. Nos intervalos resolvo os problemas da ONG. Tenho duas filhas, uma de 4 anos que também precisa de atenção, um marido muito parceiro que me ajuda viver esse projeto de vida. Volto para casa à noite, atendo de novo todos meus animais, um cadeirante inclusive, e depois faço todos os relatórios e planejamentos da ONG. Tenho muito trabalho, não é fácil, mas aprendi coisas que nem imaginava. São 650 animais no abrigo, compro ração, cuido das emergências nas clínicas, folha de pagamento dos 11 funcionários, controle de contas da ONG que é tudo online, acompanho a rotina dentro do abrigo, cada entrada e saída de animal. São seis anos de amor por essa ONG, isso preenche meu coração. Também amo minha profissão, que me coloca em contato com as pessoas mais incríveis e acho que toda forma de vida merece respeito e dignidade. Ser mulher hoje é ser um novo modelo cheio de desafios, travamos batalhas para superar nossas próprias cobranças de nunca falhar e dar exemplo de que tudo podemos porque somos seres divinos, todas temos nossa grandeza interior, nossa força e enquanto mulher somos o equilíbrio da natureza, podemos tudo, mas sempre com leveza, com amor. O Dia da Mulher, em minha opinião, é o momento de valorizar a mulher como ser perfeito, como fonte da criação, fonte de vida. A mulher simboliza o mais sagrado, o afeto, o aconchego. É Dia de nos abraçarmos umas com as outras e honrar e saudar a essência que carregamos”.


Margot Rosenbrock Libório

Presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau e proprietária dos hotéis Rosenbrock e Bella Camboriú

Margot preside o BC Convention pela terceira vez.

“Iniciei no associativismo participando do Núcleo da Mulher Empreendedora da ACIBALC, um grupo de muito valor, que tenho orgulho de ter feito parte. Enquanto estava no NUMEA também participava de várias ações do turismo e foi assim que coordenei o Grupo Gestor do Destino Indutor Balneário Camboriú, ação que fazia parte do Programa de Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo. Foi no GG que minha liderança no setor turístico despertou. Acredito que tive muita sorte, pois naquela época as ações estavam diretamente ligadas com oportunidades de capacitação, então era aprendizado total e constante. No BC Convention então veio a presidência (em 2012). Presidir entidade é algo muito forte, mexe com nuances inimagináveis quando você está de fora do processo. Eu aprendia sobre Convention, aprendia sobre associativismo e aprendia sobre pessoas. Os primeiros tempos tiveram uma intensidade assustadora. Por sorte eu sempre gostei muito de aprender. Essa é uma característica nata em mim, e quanto mais eu aprendia, mais me interessava sobre o assunto. Isso me ajudava a evoluir, mesmo sendo novata total em muitos assuntos. Durante estes anos, o que me surpreende, é que o aprendizado sempre se renova. Talvez seja pela característica principal do associativismo, que é o contato com as pessoas. O ser humano sempre nos desafia. Lidar com pessoas e suas vontades exige renovação constante de conceitos e fórmulas. Sem falar da inovação tecnológica e das mudanças de comportamento, tanto de compra, quanto do processo de decisão. Ou você se mantém atualizado, ou você é atropelado pela mudança. Por isso gosto de estar empresária, de nunca perder o contato com o mercado. Se você está presidente de uma entidade, mas está longe do mercado, como você vai entender o momento do empresário? Como você vai buscar ser referência para o empresário se você não vive a realidade dele? Eu sou empresária. Eu estou presidente. Voltar a ocupar este cargo é desafio total (Margot foi eleita presidente do BC Convention novamente, no início desta semana). O momento é desafiador, tanto no cenário econômico, como no momento da entidade. É hora do BC Convention renovar e eu venho justamente com a missão de integrar cada vez mais o novo. Novos associados, nova dinâmica do mercado de eventos, novidade acompanhada dos valores que cultivamos no BC Convention há vários anos. A ideia é que daqui a dois anos tenhamos um verdadeiro grupo de líderes, que absorveram o melhor que temos a oferecer, que são a ética, a transparência, o profissionalismo e o amor pelo associativismo. A minha rotina é bem corrida. Eu trabalho muito e, neste momento raro da economia e do mercado, voltei a trabalhar ainda mais. Eu sou dessas pessoas que fazem pilates às 7 da matina (risos). Eu não tenho outro horário disponível. Além de tudo, eu sinto o resultado de minhas tensões totalmente na coluna, então estou sempre tentando melhorar neste sentido, relaxar, mas não é fácil... Por outro lado, eu gosto muito do meu trabalho. Adoro as viagens, apesar das muitas horas de aeroporto. Adoro meus amigos do trade. Somos família. Quando viajamos só temos uns aos outros, e isso nos traz uma ligação muito forte. A gente perde voo juntos, carregamos caixas, temos malas perdidas, ficamos doentes longe de casa. Família é algo que a cada ano que passa se torna mais importante. Família é descanso, é a amizade mais sincera, o amar por amar. A família toma espaço na vida e no coração. Sobre ser mulher, há anos eu pensava que as dificuldades não existiam. Que boba que eu fui... mas como falei, a gente está sempre aprendendo. O fato de eu não permitir que a dificuldade me freie, não significa que a dificuldade não exista. Provavelmente é minha sensibilidade que está mais fina. Ser mulher é extraordinário e desafiador ao mesmo tempo. Vivemos um momento raro. É difícil expressar em palavras um momento tão contraditório. Ao mesmo tempo em que evoluímos em tantos aspectos, os casos de feminicídio também aumentam. Há muita coisa que não cabe mais. Conceitos antigos já não tem sentido e eu acredito que muito do que acontece de negativo, e até violento, é para tentar frear este momento. Esta liberdade, que está tão próxima, assusta muita gente. É triste e não podemos deixar de falar disso. Eu vivo pelo tempo em que não seja mais necessário que tenhamos um Dia. Eu admiro muito as mulheres que lutaram há anos. Elas merecem todo o nosso respeito e homenagens. Se é difícil hoje, não quero imaginar como deve ter sido difícil para elas”.


Maria Pissaia

Presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc) e sócia do Grupo Preze.

Maria é empresária e preside a Acibalc.

“No final de 2009 nos mudamos de SP para Balneário para empreender na cidade. Na época criamos a TechDoc, uma empresa de representação de organismos internacionacionais de normalização, que mantemos até hoje para atender a indústria brasileira para a demanda de normas técnicas internacionais e estrangeiras. Em virtude da criação de um negócio, no inicio de 2010 procuramos a Acibalc, nos associamos e começamos a participar dos seus treinamentos e eventos. Por volta de julho daquele ano fomos convidados pela Mozara Paris (primeira dama e atual sócia de Maria) para criar o Núcleo de Jovens Empreeendedores, do qual fiz parte até 2014. De lá pra cá fiz parte de duas diretorias e em 2019 assumi como presidente. Dentro da Acibalc, junto com a Mozara, criamos o Grupo Preze, empresa de prestação de serviços, a qual mantemos até hoje. Depois de 10 anos de associativismo tenho uma vida pessoal, profissional e associativista muito interligada. Durante esses 10 anos de Acibalc vivenciei a essência do trabalho colaborativo. Entendi que o retorno é sempre proporcional ao tempo que doamos para melhorar o ambiente empresarial e o dia a dia das pessoas que decidem empreender. Estar como presidente neste momento é resultado de uma trajetória de muito envolvimento e conhecimento de todo o sistema associativista. Isto me deixa tranquila e também preparada para buscar soluções que melhorem o nosso ambiente de negócios. É importante lembrar que eu só estou representando um grupo de empresários, mas que o trabalho e a tomada de decisões é sempre feita em conjunto. Temos uma equipe que entende o coletivo como condição para o desenvolvimento do local em que vivemos. Minha rotina é muito intensa e tenho que adequar a minha agenda entre a nossa empresa, a Acibalc e a vida pessoal. No final sempre damos conta, mas isso é possível porque conto com a compreensão e colaboração de todos os que fazem parte dessas esferas da minha vida. É preciso acreditar em tudo o que se propõe a fazer – isso torna a correria do dia a dia mais fácil. Atualmente viver e encontrar um lugar no mundo é um grande desafio para todos e não seria diferente para as mulheres que viveram por um longo período a margem da sociedade. Percebo que diariamente as mulheres estão conquistando novos lugares, mas que ainda há muito espaço a ser ocupado por nós, como cargos de liderança empresarial e política. No meu caso nunca vivenciei nenhuma situação difícil por ser mulher, mas é claro e evidente que temos um longo caminho a percorrer para termos uma sociedade mais igualitária na questão de gênero. Essa data, o Dia Internacional da Mulher, representa o reconhecimento de tudo o que conquistamos ao longo da história e principalmente para nos lembrarmos que ainda há muitos espaços para ocuparmos e que é nosso dever estarmos preparadas para assumi-los. Vivemos tempos de grandes rupturas e estarmos atentas às mudanças e oportunidades é fundamental para alçarmos um nível mais igualitário tanto de funções quanto de salários”.


Carla Mansur

Coordenadora da Comissão da Mulher Advogada da OAB de Balneário Camboriú e advogada

Carla (no canto direito) presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-BC

“Eu sempre ouvi do meu avô que eu deveria ser advogada. No começo eu pensei em ser médica, mas meu avô sempre dizia que eu tinha um espírito de sempre querer fazer justiça em todos os casos, de defender quem estava sendo prejudicado ou injustiçado, e eu acabei seguindo essa linha do Direito. Graças a Deus passei em uma colocação muito boa na época, há 20 anos, na Univali. Fiquei em 19º lugar da classificação. O Direito me abriu várias portas. Eu advoguei em Curitiba, Balneário Camboriú, Itajaí, Brasília, no Pará e no Maranhão. A minha entrada na OAB foi quando eu retornei para Balneário, com um convite de trabalho. Na época, a doutora Jaína Atanásio me levou até a OAB, para eu começar a fazer parte dos eventos. Ela era presidente da Comissão da Mulher Advogada e me inseriu como vice e agora estou como presidente, com muito orgulho, é uma grande alegria. Sempre foi uma bandeira que eu levantei, a igualdade de direitos, da autoestima da mulher, da aceitação do próprio corpo, de se amar, de ter mais mulher na política, na OAB. Desde a minha adolescência eu lutei por igualdade de direitos entre homens e mulheres. Nunca aceitei quando os clientes me falavam que ‘ah, mas se fosse um advogado homem’, ‘será que não tem um advogado homem para tocar a causa?’. Sempre lutei contra isso. Estar a frente da Comissão da Mulher Advogada hoje é um grande prazer, um grande privilégio e é uma luta constante e incessante pra que a gente cada vez mais, enquanto mulher, evolua e conquiste o nosso espaço. Eu acho que nós mulheres nascemos com um ‘dispositivo’ que nos habilita a fazer várias tarefas ao mesmo tempo. É óbvio que muitas vezes é desgastante, a gente acaba trabalhando 12, 13, 14, 18h por dia, nós mulheres sabemos que temos o terceiro turno, mas também é gratificante poder representar tantas advogadas fortes e engajadas de Balneário Camboriú. A gente luta, mas consegue dar conta de todas as tarefas. Ser mulher hoje é estar em constante mudança, é estar constantemente em busca de algo melhor, buscando se automelhorar e melhorar a sociedade. Eu acho que a mulher avançou muito nos seus direitos, sim, mas acho que a gente ainda tem um longo caminho a percorrer, mas é um passo e um dia de cada vez. O nosso lugar, que estamos conquistando, é necessário. Todos nós juntos, homens e mulheres, podemos construir uma sociedade melhor. O Dia Internacional da Mulher é um dia para ser comemorado, mas não só comemorado por ser o Dia da Mulher. Nós temos que lembrar da história que existe por trás do 8 de março; todas as lutas que estão linkadas com essa data, todas aquelas operárias que lutaram por melhores condições de trabalho, pelas sufragistas que lutaram por direito de voto, por tudo que o 8 de março representa... por toda a nossa luta enquanto mulheres e todas as lutas que ainda teremos para ocupar os nossos espaços. É isso que o 8 de março representa pra mim. A luta por igualdade de gênero não é uma luta contra os homens, mas ao contrário, é uma luta para que tenhamos os mesmos direitos que os homens na sociedade. Nós precisamos do engajamento e do entendimento da população masculina, para que eles tenham esse olhar mais sensível com as lutas femininas. Afinal, todos os homens possuem mães, nasceram de uma mulher. A nossa luta é por igualdade e não exclusão de nenhum gênero, lutamos para que todos juntos, homens e mulheres, façamos uma sociedade melhor”.


Tássia Bruna Carvalho

Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Inspetora da Guarda Municipal de Balneário Camboriú

Tássia (centro, de uniforme da GM) é inspetora da Guarda Municipal e presidente do Conselho da Mulher de Balneário.

“Quando vim do Paraná para morar em Santa Catarina, eu e minha mãe tivemos muitas pessoas que nos ajudaram, e como forma de retribuição gosto de estar envolvida em causas sociais ajudando, claro, dentro das minhas possibilidade. Comecei a realizar alguns trabalhos voluntários com uma amiga do Grupo Solidariedade e Amor. Dentro da instituição realizamos em outubro o evento Bom é ser criança. Quanto ao Conselho, a minha participação também teve origem devido ao meu trabalho na Guarda Municipal, uma vez que estamos nos qualificando e criando um Grupo de Proteção à Mulher. Estou como presidente do Conselho há um mês, quando foi realizada eleição da mesa diretora, e é um grande desafio; mas junto com as conselheiras que são engajadas e dedicadas à causa da mulher sei que apesar de desafiador será uma experiência incrível. Eu sou Guarda Municipal há nove anos e desde então devido à peculiaridade do serviço e a função que exerço estou sempre à disposição mesmo fora do meu expediente, por telefone, aplicativo e etc. Minha rotina em casa é cuidar e assistir a minha filha, encaminha-la para a escola e devido ao meu horário de serviço verificar todos os dias quem pode me ajudar buscando-a na escola. Por vezes tenho algum compromisso, reunião ou evento no período noturno e novamente preciso da ajuda das pessoas próximas a mim para cuidar dela. Não é fácil alinhar tantas tarefas e responsabilidades: trabalho, casa e agora presidir o Conselho, porém faço com entusiasmo e o melhor que puder dentro das minhas limitações e ver os resultados de um trabalho realizado com amor faz tudo valer a pena. Acredito que muitas conquistas foram alcançadas ao longo dos anos para que os direitos das mulheres fossem garantidos, mesmo que essas garantias tenham sido resultantes de uma luta sofrida, que trouxe sangue, suor e dor, como o motivo que originou o Dia da Mulher, o sufrágio feminino foi garantido pelo primeiro Código Eleitoral brasileiro em meados de 1933, a criação da Lei Maria da Penha e a criminalização do descumprimento da medida protetiva. Eu tenho muito orgulho de ser mulher. Tive dificuldades, como uma ou outra situação onde desacreditaram na minha capacidade de resolver e controlar algumas situações em ocorrência. Percebo que por ser mulher e trabalhar na segurança pública por vezes fazem elogios desnecessários, porém cessados após a imposição de respeito. Percebo que esta desconstrução resultante de uma cultura patriarcal que trata a mulher submissa ao homem tem mudado de forma significativa, mas ela ainda esta intrínseca em diversos meios, principalmente nas questões relacionadas a mães que cuidam sozinhas dos filhos e são cobradas excessivamente, o que não se aplica ao pai que possui a mesma responsabilidade. O Dia Internacional da Mulher representa para mim a força, o poder de todas nós, o quanto somos empoderadas, especiais e esse reconhecimento é mais que merecido”.


Dagma Castro

Presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú, Conselheira no Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina e fotógrafa

Dagma Castro, fotógrafa, preside o Conselho Municipal de Política Cultural.

“Quando minha filha se formou em Cinema e não encontrou alternativas na cidade, foi pra SP, onde mora até hoje, entendi que precisava contribuir para que Balneário mudasse, a cadeia produtiva da cultura fosse dinâmica e de oportunidades, para que nossos jovens se vissem no contexto profissional local e não terem que sair. Temos e precisamos que os jovens profissionais fiquem na cidade. O município precisa se abrir mais e mais para eles, e também é nas políticas públicas que começam os processos de mudança. Meu primeiro trabalho foi num jornal, aos 11 anos, depois fui pra agências de publicidade, televisão fotografia e cinema. Desde sempre estive na área da cultura e minha contribuição não caberia muito em outro espaço, acho. Não é fácil ser voluntária na cultura, trabalhamos bastante, são horas de reuniões e reuniões, mas quando vemos os artistas (trabalhadores da cultura) realizando seus projetos patrocinados por uma Lei - que também é fruto da luta de atores culturais - a gente percebe que a entrega que todos fizeram, fazem e farão é o processo que possibilita o fim: a arte acontecendo, a cultura reverberando e o cidadão tendo acesso. Só falta os artistas conseguirem viver de seu trabalho, mas construíremos este futuro, acredito nisso e por esse motivo estou parte do processo. Eu integro muitos Conselhos e Coletivos, porque vejo que as coisas acontecem em cadeia, uma ponta depende de outra. Em todas minhas contribuições procuro fazer com responsabilidade e empenho. Estar presidente do Conselho Municipal é uma delas, nas nossas ações há os artistas, a cadeia produtiva, o Plano de Cultura, nossas conquistas, as demandas e o desafio do que precisa ser construído, e para atender a este conjunto é necessário dialogar com todos, com o governo sobre a aplicação das leis e da política pública, com os atores a participação dos coletivos. Precisamos, mais que nunca, a classe artística unida e consciente de seu papel nestes movimentos; só assim poderemos passar estas nuvens nebulosas que apontam nos céus. E passaremos e nos manteremos firmes e criativos. No município sou parte do BC Criativo desde sua criação, da BC Filme, da RECAL – Rede Cooperada de Artistas Locais - uma cooperativa de artistas que estamos construindo, da Setorial do Audiovisual e da Fotografia e do GT SOS Jardim Denise e aí destes tem outros atravessamentos: Coletivo dos Presidentes de Conselhos e outras ações colaterais que vão surgindo. Enfim, não são poucos os envolvimentos, e como dito, um coletivo leva à promover diálogos com outros e se não houver a disposição de alguém não avançamos. Então, faço minha parte; torcendo para trazer resultados pra cidade e ‘contaminar’ muitos outros colegas. Eu durmo pouco, em torno de 6 a 7h/dia, acordo cedo, plugo nas agendas e compromissos e desligo tarde da noite. Sou produtora de audiovisual e gestora de projetos, estou fazendo minha primeira formação acadêmica, aos 56 anos, Produção Cultural; como fotógrafa além de ajudar meu parceiro Leonel Tedesco em fotografia publicitária e nas mídias do PÓP case (equipamento de desumidificação de lentes fotográficas), faço (quando consigo) ensaios sensuais de mulheres maduras, o que me dá um prazer enorme também. Como muitos, corro pra pagar boletos, atrasados, sempre. Ah, e ainda passeio com meu cão toda noite. Acho de certa forma melhor ser mulher hoje é melhor do que em outros tempos, mas também muito mais difícil. Melhor porque hoje nos entendemos como parte de tudo e com voz para tudo, legamos conquistas de mulheres gigantes que nos possibilitaram estar neste lugar desafiador e cheias de coragem para o que se apresenta. Difícil porque não deixamos de ser as donas de casa, companheiras e mães; então só agregamos mais responsabilidades no protagonismo da humanidade; também porque há muito asfalto ainda a ser construído para outras gerações. Penso que o RESPEITO, de todas as formas ou lugares de fala, é a principal luta e conquista, diária.Com ele rompemos os dogmas do fundamentalismo, vencemos a violência e o feminicídio, o preconceito e todas as formas (veladas ou explícitas) de censura. Quero um mundo melhor pra minha velhice e principalmente pra minha filha e netos. Não podemos recuar do ponto onde estamos, não recuaremos, aliás. Não me guio muito por datas simbólicas (esqueço até meu aniversário). Claro, elas representam marcos na história, mas também estes mesmos ‘signos’ precisam ser inspiração e lidas diárias. Todo dia é dia de índio, de se preocupar com o câncer de mama (aliás, tratei um câncer de mama aos 40 anos), todo dia é preciso estar atento à próstata, com as crianças e em ser solidário. Não podemos ficar no resgate de datas pontuais para nos lembrar de termos humanidade, precisamos?”.


Cátia Franzoi

Coordenadora administrativa das AMA Litoral – Balneário Camboriú e Itapema e presidente da Associação Catarinense de Autismo

Cátia é voluntária pela causa do autismo há 30 anos, e foi uma das fundadoras da AMA Litoral.

“O fato de quase 30 anos atrás descobrirmos o autismo em meu filho, Lino Júnior, e na época muito pouco se sabia a respeito dessa síndrome, foi o que me impulsionou a pesquisar e a.querer entender cada vez mais o autismo. Em consequência disso, após ter me aprofundando e estudado muito a respeito desse tema, decidi que poderia e deveria auxiliar outras famílias que sofriam com o autismo em suas vidas, e juntos tivemos a ideia da AMA Litoral SC, sendo mais fortes para buscarmos nosso espaço na sociedade. É uma entrega diária, persistente, sempre no intuito de avançarmos cada vez mais no tratamento e na qualidade de vida dos nossos autistas. Ao longo dos anos foram muitas as histórias de superação, de alegrias e até de frustrações. Mas sempre com saldo positivo, pois tudo sempre feito com muito amor, carinho, dedicação, mas sempre acima de tudo, olhando pelo lado profissional e tentando sempre dar a oportunidade aos nossos pacientes de um atendimento de qualidade. Minha rotina, uau, essa é uma loucura! (risos) São poucas horas de sono. Como frizei anteriormente, é uma entrega total. Me formei em Pedagogia, e Especializaçãoem Educação Especial. Fiz vários cursos, os quais tive oportunidade de conhecer e trocar ideias com nomes renomados nacionais e internaiconais, por isso encaro como essa minha missão, não tendo assim outra profissão. Quanto aos meus afazeres na rotina de casa, com filhos e etc, tenho um parceiro fantástico ao meu lado. Acredito que a mulher com o passar dos anos avançou muito, e não temos limites em almejar novas conquistas, pois encontramos mulheres no mundo afora diariamente superando todas as barreiras. Quanto às dificuldades, nunca me deixei abater pelo fato de ser mulher. Penso sempre que o que prevalece é o respeito, a determinação e o preparo para alcançarmos nossos objetivos. O Dia Internacional da Mulher, a meu ver, é um momento não só de comemoração, mas um dia para refletirmos e buscarmos em nossas mentes lembranças de tantas mulheres no mundo inteiro; sejam elas grandes personalidades, ou simples mulheres do lar, ou trabalhadoras braçais que de um modo ou de outro mudaram o curso da vida de muitos homens e mulheres”.


Luciana Andrea de Jesus

Coordenadora do Instituto Eco Cidadão e uma das organizadoras da Semana Lixo Zero em Balneário Camboriú

Luciana é uma das organizadoras da Semana Lixo Zero e coordenadora do Instituto Eco Cidadão

“Antes do Instituto Eco Cidadão eu já fazia voluntariado, não lembro exatamente como comecei com ações voluntárias, mas sempre que surgia uma oportunidade de ajudar eu participava. Lembro que em 1998 comecei a me envolver mais, participando de um projeto de casa de apoio para soropositivos, onde voluntariei com oficinas de artesanato e numa loja para vender os itens produzidos por eles. De lá pra cá, foram inúmeras ações e instituições que participei, final de 2009 assumi a Associação de Mulheres Solidárias Criativas, a partir de 2010 fiz parte do movimento de Economia Solidária de BC e de lá surgiu a idéia do Projeto Eco Cidadão que se concretizou em 2013, depois transformado em instituto, onde me dediquei cinco anos quase que integralmente, contei com voluntariado de muitas pessoas queridas nesse período e juntos realizamos mais de 300 ações. Por problemas de saúde, desde 2018 passei a reduzir meu ritmo de atividades voluntárias, focando nas ações da Semana Lixo Zero que nos exige três meses de ativismo intenso. Também continuo à frente do Instituto Eco Cidadão, realizando ações mais pontuais como oficinas de compostagem em escolas, palestras, rodas de conversa na comunidade. Eu tinha um sonho, que era antes de tudo, proporcionar uma melhor qualidade de vida para catadores de recicláveis, incluindo-os mais humanamente na educação ambiental, como agentes de transformação e educação ambiental. Com recursos próprios criei o Espaço Eco, na Rua São Paulo, onde funcionava o projeto Eco Cidadão e um ponto de recebimento e troca de recicláveis, tínhamos 44 famílias envolvidas, entre catadores e artesãos. Depois vieram outros projetos, acabou o dinheiro pra manter o espaço sem comprometer a renda dos envolvidos e encerramos o projeto de trocas. Mudamos para o Estaleirinho com o apoio do Ministério Público, num novo formato e uma proposta de transformar as praias agrestes em lixo zero. Ainda na implantação do projeto, houve a troca de promotores e não houve interesse do promotor substituto em dar continuidade ao projeto, acabamos entregando o espaço, que hoje está lá abandonado e optei por fazer ações pontuais, onde não dependo da administração e nenhum órgão público. Vou lá e faço, sem burocracia e entraves! Sigo meu ativismo no movimento Lixo Zero desde 2014, feliz por ter conhecido e aprendido com tanta gente maravilhosa que compartilha dos mesmos ideais e desejos de uma cidade mais sustentável, reaproveitando melhor estes recursos que ainda chamamos de lixo. Fazer voluntariado, em qualquer área, não é difícil, sempre podemos contribuir de alguma forma com alguma instituição ou causa, é uma questão mais de disponibilidade interior do que de tempo. Eu dediquei muito do meu tempo em voluntariado nos últimos anos, me atrevo a dizer que mergulhei de cabeça, corpo e coração numa causa que acredito, que é a ambiental e o lixo zero. Em momento nenhum desta jornada me arrependo de cada minuto dedicado ao voluntariado. É muito gratificante voluntariar, ganhamos em autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e até profissional porque preciso estudar e estar sempre atualizada pra poder promover as transformações que queremos ver acontecer. Com isso, também mudei minha profissão e passei da área administrativa pra ambiental, quando optei por fazer profissionalmente o que me dá mais prazer, hoje atuo com as consultorias para certificação de empresas e condomínios Lixo Zero. Consigo conciliar com outros projetos e o voluntariado. Trabalho muito em casa, moro na mata, onde tenho um espaço de compostagem, meus minhocários e neste verão abri a casa para compartilhar hospedagem com vivências de integração total à natureza e práticas de compostagem e gestão lixo zero doméstica. Ser mulher, nos dias atuais, não é nada fácil. E ser uma mulher independente e fora dos padrões que a sociedade ainda exige, é mais difícil ainda. É ser forte o bastante para enfrentar desafios e dificuldades, buscando sempre resposta para as surpresas da vida; é ter que se impor o tempo inteiro, ter que lutar por direitos básicos, por salários iguais, provar o tempo todo que é competente no que faz... É ter que exigir respeito a todas as horas do dia e da noite, é ter que viver se explicando: por que essa roupa? Por que esse comportamento? Essa sensibilidade? ... Que maravilha é darmos conta de tudo isso sob scarpins e termos um dia para lembrar, com todo fascínio o que é ser mulher!”


Ângela de Cássia Freire

Presidente do Rotary Club de Balneário Camboriú – Praia do Atlântico e proprietária da Yang Modeladores

Ângela é presidente do Rotary de Balneário-Praia do Atlântico

“O início do meu trabalho voluntário vem de muitos anos. Desde muito jovem sempre gostei de estar envolvida com as ações da comunidade, desde os meus 14, 15 anos, tive esse envolvimento, que foi crescendo conforme o meu comprometimento com a minha comunidade. Mesmo quando eu não estava no Rotary eu já tinha esse sonho de servir, que é algo latente dentro de mim. Eu tenho pra mim que a felicidade da gente está ligada ao maior número de pessoas que a gente consegue fazer feliz ou consegue imprimir nela essa alegria quando consegue amenizar a dor de alguém. Este ano a importância de estar na gestão do nosso clube, que está comemorando 115 anos, é uma alegria e responsabilidade muito grande. Somos um grupo forte e atuante, e é um momento importante para nós rotarianos do mundo todo. O Rotary tem área de abrangências, o cuidado com as mães, com a saúde, saneamento, meio ambiente, e tudo isso se encaixa dentro dos meus propósitos, então se torna muito mais fácil ser voluntária porque tenho apoio de muitas pessoas. Para mim ser empresária e voluntária não é difícil, faço com alegria e amor, então acho tempo para tudo. As 24h existem para todo mundo, e tem gente que desenvolve muito mais do que eu. Faço com amor e responsabilidade e o Rotary não me atrapalha, muito pelo contrário, é uma extensão da minha família, da minha empresa e de mim mesma. Faço com generosidade e alegria, não me é penoso. Meu esposo não é rotariano, mas ele faz o trabalho como se fosse. Temos uma indústria de confecção no Rio Grande do Sul já há quase 20 anos, temos a loja em Balneário (17 ao todo no Brasil, franqueadas) e um dos nossos principais pontos é o trabalho com representantes ou revendedoras. São mais de 4 mil famílias que sobrevivem desse sonho, que era meu e do meu marido e hoje se tornou de toda a família. Quem está na direção da empresa é o meu filho do meio, que dá continuidade a todo esse trabalho. Nós mulheres ainda temos muito, muito a ser conquistado. Ser mulher atuante é olhar um pouco fora de nós mesmas. Se a gente tiver a capacidade de sair da gente, conseguimos ver o quanto as pessoas precisam não só de coisas materiais, mas de uma palavra, de um olhar, de uma perspectiva de vida e de dizer ‘vai, você consegue, você pode’. Muitas vezes as pessoas não acreditam, e às vezes precisam desse apoio de fora. Nós mulheres temos essa coragem de entrar na alma das pessoas, apoiar, dizer que conseguimos juntas. E quando você insere a pessoa que pode estar perdida, por necessidade de um caminho, um horizonte, e você consegue inseri-la na sua missão de servir é incrível. Eu já encontrei dificuldades por ser mulher, às vezes não valorizam as nossas ideias por sermos mulheres, imaginam que a gente não tem capacidade, e às vezes até no meio feminino, mas eu confio muito na capacidade que o Pai do Céu nos deu, e se ele permite que a gente enxergue, ele permite que a gente realize. O Dia da Mulher é para marcar, para lembrarmos o quanto as mulheres ainda sofrem com violência, o quanto as mães são desprezadas, o quanto as profissionais são deixadas de lado simplesmente por ser mulher. Eu tenho para mim que esse dia tem que ser celebrado todos os dias, em cada conquista de cada mulher, e não precisa ser uma conquista extraordinária, às vezes algo pequeno pode transformar vidas e tudo ao seu redor”.


Débora Gascho

É bpresidente e fundadora do Lions Clube Balneário Camboriú CL Gov. Célio Gascho e jornalista da Câmara de Vereadores de Balneário

Débora (no canto esquerdo) tem no sangue o amor pelo Lions

“O voluntariado faz parte da minha vida desde a infância, na convivência com meu pai e minha mãe que sempre se dedicaram intensamente ao serviço humanitário, e me ensinaram que a solidariedade é o sentimento que significa respeito à dignidade humana. O meu engajamento ativo no trabalho voluntário iniciou há 25 anos, com o ingresso no movimento de Lions Internacional como associada fundadora do Lions Clube Balneário Camboriú CL Gov. Célio Gascho. Ao longo desses anos realizamos diversas ações de serviços comunitários e humanitários, colaborando com entidades, escolas, creches, asilos e tantas pessoas que foram beneficiadas com as campanhas e atividades efetivadas pelos associados do Lions Célio Gascho. A coletividade é o que move o trabalho voluntário, cada pessoa é diferente e é a união de todas que faz a diferença. Seguir nessa caminhada ao lado de minha mãe, Rejane Gascho, que se dedicou por mais de 50 anos aos serviços humanitários de Lions, foi um imenso aprendizado e contribuiu efetivamente para minha evolução como ser humano. A Rejane foi a primeira presidente do Lions BC Célio Gascho, atuou como dirigente de Lions no estado e no país e incentivou muitas pessoas às lideranças de serviços voluntários. Estar na presidência do Lions BC Célio Gascho é uma honra e motivo de muita alegria por ter a oportunidade de trabalhar em prol da nossa comunidade, junto com todos os associados do clube que se dedicam em transformar um pouco a vida das pessoas menos favorecidas. Também tenho o estímulo de seguir a crença do meu pai, Célio Gascho, que presidiu o Lions do Brasil, e teve como lema: Leonismo é humanização. O meu trabalho profissional é bem intenso, sou servidora pública e comprometida com dever de servir bem ao cidadão, focada em desempenhar minhas funções com dedicação e esmero. É natural e quase sempre tranquilo aliar o trabalho voluntário com as atividades do dia a dia, como a rotina doméstica, profissional e também o lazer. O voluntariado é gratificante e espontâneo, é uma ação de troca, pois doamos energia e recebemos amor. Ser mulher nos dias de hoje, significa ter mais participação na luta pelo empoderamento feminino e pelo respeito à mulher, pois ainda existem muitas desigualdades que precisam deixar de existir. O dia 8 de março é um dia de luta, que precisa ser lembrado para refletirmos e buscarmos a resolução de muitos problemas como a violência contra a mulher, o feminicídio e a diferença salarial. Ainda temos muitos caminhos a trilhar para evoluir nestas questões”.



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Página 3

Dia Internacional da Mulher: moradoras de Balneário mostram que trabalho voluntário transforma vidas

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Sábado, 7/3/2020 20:36.
Por Renata Rutes

O Dia Internacional da Mulher é celebrado neste domingo e em meio a questionamentos e discussões cada vez mais frequentes sobre a importante união entre as mulheres, empoderamento e necessidade de mais espaço e respeito, a reportagem do Página 3 conversou com moradoras de Balneário Camboriú que dividem suas funções profissionais e pessoais com o trabalho voluntário. Nessa reportagem Especial da semana, mulheres contam suas histórias, que são ligadas com a cultura, turismo, empresariado, advocacia e até com o resgate de animais de rua, mostrando que o público feminino tem força, pode e deve ocupar o cargo que bem entender.

Patrícia Ferreira

Membro da diretoria da ONG Viva Bicho e proprietária de um salão de beleza

Patrícia é dona de salão de beleza e integra a diretoria da ONG Viva Bicho.

“Eu trabalhava com grupos de pessoas em estudos de física quântica e espiritualidade, e um dia despertei, como se fosse um chamado, para fazer pelos mais necessitados. Me dirigi ao abrigo da ONG, olhei nos olhos de dois cães cadeirantes e senti que era com eles mesmo minha missão, criaturas vivas cheias de súplicas no olhar. Sempre convivi com animais domésticos, mas senti algo diferente, que eles precisavam de mim. Logo surgiram muitos resgates, um atrás do outro. É como se você fosse levada para aquele lugar, no momento certo, e você se torna responsável por aquela vida. A primeira vez que entrei no abrigo, falei que queria coordená-lo algum dia e, anos depois, quando eu nem estava tão presente no grupo, fui chamada. Minha rotina é intensa, acordo cedo, cuido de todos meus filhos de patas, mais os hóspedes de lar temporário, às vezes dou uma passadinha no abrigo para depois ir para meu trabalho. Tenho um salão de beleza, onde trabalho o dia todo. Nos intervalos resolvo os problemas da ONG. Tenho duas filhas, uma de 4 anos que também precisa de atenção, um marido muito parceiro que me ajuda viver esse projeto de vida. Volto para casa à noite, atendo de novo todos meus animais, um cadeirante inclusive, e depois faço todos os relatórios e planejamentos da ONG. Tenho muito trabalho, não é fácil, mas aprendi coisas que nem imaginava. São 650 animais no abrigo, compro ração, cuido das emergências nas clínicas, folha de pagamento dos 11 funcionários, controle de contas da ONG que é tudo online, acompanho a rotina dentro do abrigo, cada entrada e saída de animal. São seis anos de amor por essa ONG, isso preenche meu coração. Também amo minha profissão, que me coloca em contato com as pessoas mais incríveis e acho que toda forma de vida merece respeito e dignidade. Ser mulher hoje é ser um novo modelo cheio de desafios, travamos batalhas para superar nossas próprias cobranças de nunca falhar e dar exemplo de que tudo podemos porque somos seres divinos, todas temos nossa grandeza interior, nossa força e enquanto mulher somos o equilíbrio da natureza, podemos tudo, mas sempre com leveza, com amor. O Dia da Mulher, em minha opinião, é o momento de valorizar a mulher como ser perfeito, como fonte da criação, fonte de vida. A mulher simboliza o mais sagrado, o afeto, o aconchego. É Dia de nos abraçarmos umas com as outras e honrar e saudar a essência que carregamos”.


Margot Rosenbrock Libório

Presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau e proprietária dos hotéis Rosenbrock e Bella Camboriú

Margot preside o BC Convention pela terceira vez.

“Iniciei no associativismo participando do Núcleo da Mulher Empreendedora da ACIBALC, um grupo de muito valor, que tenho orgulho de ter feito parte. Enquanto estava no NUMEA também participava de várias ações do turismo e foi assim que coordenei o Grupo Gestor do Destino Indutor Balneário Camboriú, ação que fazia parte do Programa de Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo. Foi no GG que minha liderança no setor turístico despertou. Acredito que tive muita sorte, pois naquela época as ações estavam diretamente ligadas com oportunidades de capacitação, então era aprendizado total e constante. No BC Convention então veio a presidência (em 2012). Presidir entidade é algo muito forte, mexe com nuances inimagináveis quando você está de fora do processo. Eu aprendia sobre Convention, aprendia sobre associativismo e aprendia sobre pessoas. Os primeiros tempos tiveram uma intensidade assustadora. Por sorte eu sempre gostei muito de aprender. Essa é uma característica nata em mim, e quanto mais eu aprendia, mais me interessava sobre o assunto. Isso me ajudava a evoluir, mesmo sendo novata total em muitos assuntos. Durante estes anos, o que me surpreende, é que o aprendizado sempre se renova. Talvez seja pela característica principal do associativismo, que é o contato com as pessoas. O ser humano sempre nos desafia. Lidar com pessoas e suas vontades exige renovação constante de conceitos e fórmulas. Sem falar da inovação tecnológica e das mudanças de comportamento, tanto de compra, quanto do processo de decisão. Ou você se mantém atualizado, ou você é atropelado pela mudança. Por isso gosto de estar empresária, de nunca perder o contato com o mercado. Se você está presidente de uma entidade, mas está longe do mercado, como você vai entender o momento do empresário? Como você vai buscar ser referência para o empresário se você não vive a realidade dele? Eu sou empresária. Eu estou presidente. Voltar a ocupar este cargo é desafio total (Margot foi eleita presidente do BC Convention novamente, no início desta semana). O momento é desafiador, tanto no cenário econômico, como no momento da entidade. É hora do BC Convention renovar e eu venho justamente com a missão de integrar cada vez mais o novo. Novos associados, nova dinâmica do mercado de eventos, novidade acompanhada dos valores que cultivamos no BC Convention há vários anos. A ideia é que daqui a dois anos tenhamos um verdadeiro grupo de líderes, que absorveram o melhor que temos a oferecer, que são a ética, a transparência, o profissionalismo e o amor pelo associativismo. A minha rotina é bem corrida. Eu trabalho muito e, neste momento raro da economia e do mercado, voltei a trabalhar ainda mais. Eu sou dessas pessoas que fazem pilates às 7 da matina (risos). Eu não tenho outro horário disponível. Além de tudo, eu sinto o resultado de minhas tensões totalmente na coluna, então estou sempre tentando melhorar neste sentido, relaxar, mas não é fácil... Por outro lado, eu gosto muito do meu trabalho. Adoro as viagens, apesar das muitas horas de aeroporto. Adoro meus amigos do trade. Somos família. Quando viajamos só temos uns aos outros, e isso nos traz uma ligação muito forte. A gente perde voo juntos, carregamos caixas, temos malas perdidas, ficamos doentes longe de casa. Família é algo que a cada ano que passa se torna mais importante. Família é descanso, é a amizade mais sincera, o amar por amar. A família toma espaço na vida e no coração. Sobre ser mulher, há anos eu pensava que as dificuldades não existiam. Que boba que eu fui... mas como falei, a gente está sempre aprendendo. O fato de eu não permitir que a dificuldade me freie, não significa que a dificuldade não exista. Provavelmente é minha sensibilidade que está mais fina. Ser mulher é extraordinário e desafiador ao mesmo tempo. Vivemos um momento raro. É difícil expressar em palavras um momento tão contraditório. Ao mesmo tempo em que evoluímos em tantos aspectos, os casos de feminicídio também aumentam. Há muita coisa que não cabe mais. Conceitos antigos já não tem sentido e eu acredito que muito do que acontece de negativo, e até violento, é para tentar frear este momento. Esta liberdade, que está tão próxima, assusta muita gente. É triste e não podemos deixar de falar disso. Eu vivo pelo tempo em que não seja mais necessário que tenhamos um Dia. Eu admiro muito as mulheres que lutaram há anos. Elas merecem todo o nosso respeito e homenagens. Se é difícil hoje, não quero imaginar como deve ter sido difícil para elas”.


Maria Pissaia

Presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc) e sócia do Grupo Preze.

Maria é empresária e preside a Acibalc.

“No final de 2009 nos mudamos de SP para Balneário para empreender na cidade. Na época criamos a TechDoc, uma empresa de representação de organismos internacionacionais de normalização, que mantemos até hoje para atender a indústria brasileira para a demanda de normas técnicas internacionais e estrangeiras. Em virtude da criação de um negócio, no inicio de 2010 procuramos a Acibalc, nos associamos e começamos a participar dos seus treinamentos e eventos. Por volta de julho daquele ano fomos convidados pela Mozara Paris (primeira dama e atual sócia de Maria) para criar o Núcleo de Jovens Empreeendedores, do qual fiz parte até 2014. De lá pra cá fiz parte de duas diretorias e em 2019 assumi como presidente. Dentro da Acibalc, junto com a Mozara, criamos o Grupo Preze, empresa de prestação de serviços, a qual mantemos até hoje. Depois de 10 anos de associativismo tenho uma vida pessoal, profissional e associativista muito interligada. Durante esses 10 anos de Acibalc vivenciei a essência do trabalho colaborativo. Entendi que o retorno é sempre proporcional ao tempo que doamos para melhorar o ambiente empresarial e o dia a dia das pessoas que decidem empreender. Estar como presidente neste momento é resultado de uma trajetória de muito envolvimento e conhecimento de todo o sistema associativista. Isto me deixa tranquila e também preparada para buscar soluções que melhorem o nosso ambiente de negócios. É importante lembrar que eu só estou representando um grupo de empresários, mas que o trabalho e a tomada de decisões é sempre feita em conjunto. Temos uma equipe que entende o coletivo como condição para o desenvolvimento do local em que vivemos. Minha rotina é muito intensa e tenho que adequar a minha agenda entre a nossa empresa, a Acibalc e a vida pessoal. No final sempre damos conta, mas isso é possível porque conto com a compreensão e colaboração de todos os que fazem parte dessas esferas da minha vida. É preciso acreditar em tudo o que se propõe a fazer – isso torna a correria do dia a dia mais fácil. Atualmente viver e encontrar um lugar no mundo é um grande desafio para todos e não seria diferente para as mulheres que viveram por um longo período a margem da sociedade. Percebo que diariamente as mulheres estão conquistando novos lugares, mas que ainda há muito espaço a ser ocupado por nós, como cargos de liderança empresarial e política. No meu caso nunca vivenciei nenhuma situação difícil por ser mulher, mas é claro e evidente que temos um longo caminho a percorrer para termos uma sociedade mais igualitária na questão de gênero. Essa data, o Dia Internacional da Mulher, representa o reconhecimento de tudo o que conquistamos ao longo da história e principalmente para nos lembrarmos que ainda há muitos espaços para ocuparmos e que é nosso dever estarmos preparadas para assumi-los. Vivemos tempos de grandes rupturas e estarmos atentas às mudanças e oportunidades é fundamental para alçarmos um nível mais igualitário tanto de funções quanto de salários”.


Carla Mansur

Coordenadora da Comissão da Mulher Advogada da OAB de Balneário Camboriú e advogada

Carla (no canto direito) presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-BC

“Eu sempre ouvi do meu avô que eu deveria ser advogada. No começo eu pensei em ser médica, mas meu avô sempre dizia que eu tinha um espírito de sempre querer fazer justiça em todos os casos, de defender quem estava sendo prejudicado ou injustiçado, e eu acabei seguindo essa linha do Direito. Graças a Deus passei em uma colocação muito boa na época, há 20 anos, na Univali. Fiquei em 19º lugar da classificação. O Direito me abriu várias portas. Eu advoguei em Curitiba, Balneário Camboriú, Itajaí, Brasília, no Pará e no Maranhão. A minha entrada na OAB foi quando eu retornei para Balneário, com um convite de trabalho. Na época, a doutora Jaína Atanásio me levou até a OAB, para eu começar a fazer parte dos eventos. Ela era presidente da Comissão da Mulher Advogada e me inseriu como vice e agora estou como presidente, com muito orgulho, é uma grande alegria. Sempre foi uma bandeira que eu levantei, a igualdade de direitos, da autoestima da mulher, da aceitação do próprio corpo, de se amar, de ter mais mulher na política, na OAB. Desde a minha adolescência eu lutei por igualdade de direitos entre homens e mulheres. Nunca aceitei quando os clientes me falavam que ‘ah, mas se fosse um advogado homem’, ‘será que não tem um advogado homem para tocar a causa?’. Sempre lutei contra isso. Estar a frente da Comissão da Mulher Advogada hoje é um grande prazer, um grande privilégio e é uma luta constante e incessante pra que a gente cada vez mais, enquanto mulher, evolua e conquiste o nosso espaço. Eu acho que nós mulheres nascemos com um ‘dispositivo’ que nos habilita a fazer várias tarefas ao mesmo tempo. É óbvio que muitas vezes é desgastante, a gente acaba trabalhando 12, 13, 14, 18h por dia, nós mulheres sabemos que temos o terceiro turno, mas também é gratificante poder representar tantas advogadas fortes e engajadas de Balneário Camboriú. A gente luta, mas consegue dar conta de todas as tarefas. Ser mulher hoje é estar em constante mudança, é estar constantemente em busca de algo melhor, buscando se automelhorar e melhorar a sociedade. Eu acho que a mulher avançou muito nos seus direitos, sim, mas acho que a gente ainda tem um longo caminho a percorrer, mas é um passo e um dia de cada vez. O nosso lugar, que estamos conquistando, é necessário. Todos nós juntos, homens e mulheres, podemos construir uma sociedade melhor. O Dia Internacional da Mulher é um dia para ser comemorado, mas não só comemorado por ser o Dia da Mulher. Nós temos que lembrar da história que existe por trás do 8 de março; todas as lutas que estão linkadas com essa data, todas aquelas operárias que lutaram por melhores condições de trabalho, pelas sufragistas que lutaram por direito de voto, por tudo que o 8 de março representa... por toda a nossa luta enquanto mulheres e todas as lutas que ainda teremos para ocupar os nossos espaços. É isso que o 8 de março representa pra mim. A luta por igualdade de gênero não é uma luta contra os homens, mas ao contrário, é uma luta para que tenhamos os mesmos direitos que os homens na sociedade. Nós precisamos do engajamento e do entendimento da população masculina, para que eles tenham esse olhar mais sensível com as lutas femininas. Afinal, todos os homens possuem mães, nasceram de uma mulher. A nossa luta é por igualdade e não exclusão de nenhum gênero, lutamos para que todos juntos, homens e mulheres, façamos uma sociedade melhor”.


Tássia Bruna Carvalho

Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Inspetora da Guarda Municipal de Balneário Camboriú

Tássia (centro, de uniforme da GM) é inspetora da Guarda Municipal e presidente do Conselho da Mulher de Balneário.

“Quando vim do Paraná para morar em Santa Catarina, eu e minha mãe tivemos muitas pessoas que nos ajudaram, e como forma de retribuição gosto de estar envolvida em causas sociais ajudando, claro, dentro das minhas possibilidade. Comecei a realizar alguns trabalhos voluntários com uma amiga do Grupo Solidariedade e Amor. Dentro da instituição realizamos em outubro o evento Bom é ser criança. Quanto ao Conselho, a minha participação também teve origem devido ao meu trabalho na Guarda Municipal, uma vez que estamos nos qualificando e criando um Grupo de Proteção à Mulher. Estou como presidente do Conselho há um mês, quando foi realizada eleição da mesa diretora, e é um grande desafio; mas junto com as conselheiras que são engajadas e dedicadas à causa da mulher sei que apesar de desafiador será uma experiência incrível. Eu sou Guarda Municipal há nove anos e desde então devido à peculiaridade do serviço e a função que exerço estou sempre à disposição mesmo fora do meu expediente, por telefone, aplicativo e etc. Minha rotina em casa é cuidar e assistir a minha filha, encaminha-la para a escola e devido ao meu horário de serviço verificar todos os dias quem pode me ajudar buscando-a na escola. Por vezes tenho algum compromisso, reunião ou evento no período noturno e novamente preciso da ajuda das pessoas próximas a mim para cuidar dela. Não é fácil alinhar tantas tarefas e responsabilidades: trabalho, casa e agora presidir o Conselho, porém faço com entusiasmo e o melhor que puder dentro das minhas limitações e ver os resultados de um trabalho realizado com amor faz tudo valer a pena. Acredito que muitas conquistas foram alcançadas ao longo dos anos para que os direitos das mulheres fossem garantidos, mesmo que essas garantias tenham sido resultantes de uma luta sofrida, que trouxe sangue, suor e dor, como o motivo que originou o Dia da Mulher, o sufrágio feminino foi garantido pelo primeiro Código Eleitoral brasileiro em meados de 1933, a criação da Lei Maria da Penha e a criminalização do descumprimento da medida protetiva. Eu tenho muito orgulho de ser mulher. Tive dificuldades, como uma ou outra situação onde desacreditaram na minha capacidade de resolver e controlar algumas situações em ocorrência. Percebo que por ser mulher e trabalhar na segurança pública por vezes fazem elogios desnecessários, porém cessados após a imposição de respeito. Percebo que esta desconstrução resultante de uma cultura patriarcal que trata a mulher submissa ao homem tem mudado de forma significativa, mas ela ainda esta intrínseca em diversos meios, principalmente nas questões relacionadas a mães que cuidam sozinhas dos filhos e são cobradas excessivamente, o que não se aplica ao pai que possui a mesma responsabilidade. O Dia Internacional da Mulher representa para mim a força, o poder de todas nós, o quanto somos empoderadas, especiais e esse reconhecimento é mais que merecido”.


Dagma Castro

Presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú, Conselheira no Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina e fotógrafa

Dagma Castro, fotógrafa, preside o Conselho Municipal de Política Cultural.

“Quando minha filha se formou em Cinema e não encontrou alternativas na cidade, foi pra SP, onde mora até hoje, entendi que precisava contribuir para que Balneário mudasse, a cadeia produtiva da cultura fosse dinâmica e de oportunidades, para que nossos jovens se vissem no contexto profissional local e não terem que sair. Temos e precisamos que os jovens profissionais fiquem na cidade. O município precisa se abrir mais e mais para eles, e também é nas políticas públicas que começam os processos de mudança. Meu primeiro trabalho foi num jornal, aos 11 anos, depois fui pra agências de publicidade, televisão fotografia e cinema. Desde sempre estive na área da cultura e minha contribuição não caberia muito em outro espaço, acho. Não é fácil ser voluntária na cultura, trabalhamos bastante, são horas de reuniões e reuniões, mas quando vemos os artistas (trabalhadores da cultura) realizando seus projetos patrocinados por uma Lei - que também é fruto da luta de atores culturais - a gente percebe que a entrega que todos fizeram, fazem e farão é o processo que possibilita o fim: a arte acontecendo, a cultura reverberando e o cidadão tendo acesso. Só falta os artistas conseguirem viver de seu trabalho, mas construíremos este futuro, acredito nisso e por esse motivo estou parte do processo. Eu integro muitos Conselhos e Coletivos, porque vejo que as coisas acontecem em cadeia, uma ponta depende de outra. Em todas minhas contribuições procuro fazer com responsabilidade e empenho. Estar presidente do Conselho Municipal é uma delas, nas nossas ações há os artistas, a cadeia produtiva, o Plano de Cultura, nossas conquistas, as demandas e o desafio do que precisa ser construído, e para atender a este conjunto é necessário dialogar com todos, com o governo sobre a aplicação das leis e da política pública, com os atores a participação dos coletivos. Precisamos, mais que nunca, a classe artística unida e consciente de seu papel nestes movimentos; só assim poderemos passar estas nuvens nebulosas que apontam nos céus. E passaremos e nos manteremos firmes e criativos. No município sou parte do BC Criativo desde sua criação, da BC Filme, da RECAL – Rede Cooperada de Artistas Locais - uma cooperativa de artistas que estamos construindo, da Setorial do Audiovisual e da Fotografia e do GT SOS Jardim Denise e aí destes tem outros atravessamentos: Coletivo dos Presidentes de Conselhos e outras ações colaterais que vão surgindo. Enfim, não são poucos os envolvimentos, e como dito, um coletivo leva à promover diálogos com outros e se não houver a disposição de alguém não avançamos. Então, faço minha parte; torcendo para trazer resultados pra cidade e ‘contaminar’ muitos outros colegas. Eu durmo pouco, em torno de 6 a 7h/dia, acordo cedo, plugo nas agendas e compromissos e desligo tarde da noite. Sou produtora de audiovisual e gestora de projetos, estou fazendo minha primeira formação acadêmica, aos 56 anos, Produção Cultural; como fotógrafa além de ajudar meu parceiro Leonel Tedesco em fotografia publicitária e nas mídias do PÓP case (equipamento de desumidificação de lentes fotográficas), faço (quando consigo) ensaios sensuais de mulheres maduras, o que me dá um prazer enorme também. Como muitos, corro pra pagar boletos, atrasados, sempre. Ah, e ainda passeio com meu cão toda noite. Acho de certa forma melhor ser mulher hoje é melhor do que em outros tempos, mas também muito mais difícil. Melhor porque hoje nos entendemos como parte de tudo e com voz para tudo, legamos conquistas de mulheres gigantes que nos possibilitaram estar neste lugar desafiador e cheias de coragem para o que se apresenta. Difícil porque não deixamos de ser as donas de casa, companheiras e mães; então só agregamos mais responsabilidades no protagonismo da humanidade; também porque há muito asfalto ainda a ser construído para outras gerações. Penso que o RESPEITO, de todas as formas ou lugares de fala, é a principal luta e conquista, diária.Com ele rompemos os dogmas do fundamentalismo, vencemos a violência e o feminicídio, o preconceito e todas as formas (veladas ou explícitas) de censura. Quero um mundo melhor pra minha velhice e principalmente pra minha filha e netos. Não podemos recuar do ponto onde estamos, não recuaremos, aliás. Não me guio muito por datas simbólicas (esqueço até meu aniversário). Claro, elas representam marcos na história, mas também estes mesmos ‘signos’ precisam ser inspiração e lidas diárias. Todo dia é dia de índio, de se preocupar com o câncer de mama (aliás, tratei um câncer de mama aos 40 anos), todo dia é preciso estar atento à próstata, com as crianças e em ser solidário. Não podemos ficar no resgate de datas pontuais para nos lembrar de termos humanidade, precisamos?”.


Cátia Franzoi

Coordenadora administrativa das AMA Litoral – Balneário Camboriú e Itapema e presidente da Associação Catarinense de Autismo

Cátia é voluntária pela causa do autismo há 30 anos, e foi uma das fundadoras da AMA Litoral.

“O fato de quase 30 anos atrás descobrirmos o autismo em meu filho, Lino Júnior, e na época muito pouco se sabia a respeito dessa síndrome, foi o que me impulsionou a pesquisar e a.querer entender cada vez mais o autismo. Em consequência disso, após ter me aprofundando e estudado muito a respeito desse tema, decidi que poderia e deveria auxiliar outras famílias que sofriam com o autismo em suas vidas, e juntos tivemos a ideia da AMA Litoral SC, sendo mais fortes para buscarmos nosso espaço na sociedade. É uma entrega diária, persistente, sempre no intuito de avançarmos cada vez mais no tratamento e na qualidade de vida dos nossos autistas. Ao longo dos anos foram muitas as histórias de superação, de alegrias e até de frustrações. Mas sempre com saldo positivo, pois tudo sempre feito com muito amor, carinho, dedicação, mas sempre acima de tudo, olhando pelo lado profissional e tentando sempre dar a oportunidade aos nossos pacientes de um atendimento de qualidade. Minha rotina, uau, essa é uma loucura! (risos) São poucas horas de sono. Como frizei anteriormente, é uma entrega total. Me formei em Pedagogia, e Especializaçãoem Educação Especial. Fiz vários cursos, os quais tive oportunidade de conhecer e trocar ideias com nomes renomados nacionais e internaiconais, por isso encaro como essa minha missão, não tendo assim outra profissão. Quanto aos meus afazeres na rotina de casa, com filhos e etc, tenho um parceiro fantástico ao meu lado. Acredito que a mulher com o passar dos anos avançou muito, e não temos limites em almejar novas conquistas, pois encontramos mulheres no mundo afora diariamente superando todas as barreiras. Quanto às dificuldades, nunca me deixei abater pelo fato de ser mulher. Penso sempre que o que prevalece é o respeito, a determinação e o preparo para alcançarmos nossos objetivos. O Dia Internacional da Mulher, a meu ver, é um momento não só de comemoração, mas um dia para refletirmos e buscarmos em nossas mentes lembranças de tantas mulheres no mundo inteiro; sejam elas grandes personalidades, ou simples mulheres do lar, ou trabalhadoras braçais que de um modo ou de outro mudaram o curso da vida de muitos homens e mulheres”.


Luciana Andrea de Jesus

Coordenadora do Instituto Eco Cidadão e uma das organizadoras da Semana Lixo Zero em Balneário Camboriú

Luciana é uma das organizadoras da Semana Lixo Zero e coordenadora do Instituto Eco Cidadão

“Antes do Instituto Eco Cidadão eu já fazia voluntariado, não lembro exatamente como comecei com ações voluntárias, mas sempre que surgia uma oportunidade de ajudar eu participava. Lembro que em 1998 comecei a me envolver mais, participando de um projeto de casa de apoio para soropositivos, onde voluntariei com oficinas de artesanato e numa loja para vender os itens produzidos por eles. De lá pra cá, foram inúmeras ações e instituições que participei, final de 2009 assumi a Associação de Mulheres Solidárias Criativas, a partir de 2010 fiz parte do movimento de Economia Solidária de BC e de lá surgiu a idéia do Projeto Eco Cidadão que se concretizou em 2013, depois transformado em instituto, onde me dediquei cinco anos quase que integralmente, contei com voluntariado de muitas pessoas queridas nesse período e juntos realizamos mais de 300 ações. Por problemas de saúde, desde 2018 passei a reduzir meu ritmo de atividades voluntárias, focando nas ações da Semana Lixo Zero que nos exige três meses de ativismo intenso. Também continuo à frente do Instituto Eco Cidadão, realizando ações mais pontuais como oficinas de compostagem em escolas, palestras, rodas de conversa na comunidade. Eu tinha um sonho, que era antes de tudo, proporcionar uma melhor qualidade de vida para catadores de recicláveis, incluindo-os mais humanamente na educação ambiental, como agentes de transformação e educação ambiental. Com recursos próprios criei o Espaço Eco, na Rua São Paulo, onde funcionava o projeto Eco Cidadão e um ponto de recebimento e troca de recicláveis, tínhamos 44 famílias envolvidas, entre catadores e artesãos. Depois vieram outros projetos, acabou o dinheiro pra manter o espaço sem comprometer a renda dos envolvidos e encerramos o projeto de trocas. Mudamos para o Estaleirinho com o apoio do Ministério Público, num novo formato e uma proposta de transformar as praias agrestes em lixo zero. Ainda na implantação do projeto, houve a troca de promotores e não houve interesse do promotor substituto em dar continuidade ao projeto, acabamos entregando o espaço, que hoje está lá abandonado e optei por fazer ações pontuais, onde não dependo da administração e nenhum órgão público. Vou lá e faço, sem burocracia e entraves! Sigo meu ativismo no movimento Lixo Zero desde 2014, feliz por ter conhecido e aprendido com tanta gente maravilhosa que compartilha dos mesmos ideais e desejos de uma cidade mais sustentável, reaproveitando melhor estes recursos que ainda chamamos de lixo. Fazer voluntariado, em qualquer área, não é difícil, sempre podemos contribuir de alguma forma com alguma instituição ou causa, é uma questão mais de disponibilidade interior do que de tempo. Eu dediquei muito do meu tempo em voluntariado nos últimos anos, me atrevo a dizer que mergulhei de cabeça, corpo e coração numa causa que acredito, que é a ambiental e o lixo zero. Em momento nenhum desta jornada me arrependo de cada minuto dedicado ao voluntariado. É muito gratificante voluntariar, ganhamos em autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e até profissional porque preciso estudar e estar sempre atualizada pra poder promover as transformações que queremos ver acontecer. Com isso, também mudei minha profissão e passei da área administrativa pra ambiental, quando optei por fazer profissionalmente o que me dá mais prazer, hoje atuo com as consultorias para certificação de empresas e condomínios Lixo Zero. Consigo conciliar com outros projetos e o voluntariado. Trabalho muito em casa, moro na mata, onde tenho um espaço de compostagem, meus minhocários e neste verão abri a casa para compartilhar hospedagem com vivências de integração total à natureza e práticas de compostagem e gestão lixo zero doméstica. Ser mulher, nos dias atuais, não é nada fácil. E ser uma mulher independente e fora dos padrões que a sociedade ainda exige, é mais difícil ainda. É ser forte o bastante para enfrentar desafios e dificuldades, buscando sempre resposta para as surpresas da vida; é ter que se impor o tempo inteiro, ter que lutar por direitos básicos, por salários iguais, provar o tempo todo que é competente no que faz... É ter que exigir respeito a todas as horas do dia e da noite, é ter que viver se explicando: por que essa roupa? Por que esse comportamento? Essa sensibilidade? ... Que maravilha é darmos conta de tudo isso sob scarpins e termos um dia para lembrar, com todo fascínio o que é ser mulher!”


Ângela de Cássia Freire

Presidente do Rotary Club de Balneário Camboriú – Praia do Atlântico e proprietária da Yang Modeladores

Ângela é presidente do Rotary de Balneário-Praia do Atlântico

“O início do meu trabalho voluntário vem de muitos anos. Desde muito jovem sempre gostei de estar envolvida com as ações da comunidade, desde os meus 14, 15 anos, tive esse envolvimento, que foi crescendo conforme o meu comprometimento com a minha comunidade. Mesmo quando eu não estava no Rotary eu já tinha esse sonho de servir, que é algo latente dentro de mim. Eu tenho pra mim que a felicidade da gente está ligada ao maior número de pessoas que a gente consegue fazer feliz ou consegue imprimir nela essa alegria quando consegue amenizar a dor de alguém. Este ano a importância de estar na gestão do nosso clube, que está comemorando 115 anos, é uma alegria e responsabilidade muito grande. Somos um grupo forte e atuante, e é um momento importante para nós rotarianos do mundo todo. O Rotary tem área de abrangências, o cuidado com as mães, com a saúde, saneamento, meio ambiente, e tudo isso se encaixa dentro dos meus propósitos, então se torna muito mais fácil ser voluntária porque tenho apoio de muitas pessoas. Para mim ser empresária e voluntária não é difícil, faço com alegria e amor, então acho tempo para tudo. As 24h existem para todo mundo, e tem gente que desenvolve muito mais do que eu. Faço com amor e responsabilidade e o Rotary não me atrapalha, muito pelo contrário, é uma extensão da minha família, da minha empresa e de mim mesma. Faço com generosidade e alegria, não me é penoso. Meu esposo não é rotariano, mas ele faz o trabalho como se fosse. Temos uma indústria de confecção no Rio Grande do Sul já há quase 20 anos, temos a loja em Balneário (17 ao todo no Brasil, franqueadas) e um dos nossos principais pontos é o trabalho com representantes ou revendedoras. São mais de 4 mil famílias que sobrevivem desse sonho, que era meu e do meu marido e hoje se tornou de toda a família. Quem está na direção da empresa é o meu filho do meio, que dá continuidade a todo esse trabalho. Nós mulheres ainda temos muito, muito a ser conquistado. Ser mulher atuante é olhar um pouco fora de nós mesmas. Se a gente tiver a capacidade de sair da gente, conseguimos ver o quanto as pessoas precisam não só de coisas materiais, mas de uma palavra, de um olhar, de uma perspectiva de vida e de dizer ‘vai, você consegue, você pode’. Muitas vezes as pessoas não acreditam, e às vezes precisam desse apoio de fora. Nós mulheres temos essa coragem de entrar na alma das pessoas, apoiar, dizer que conseguimos juntas. E quando você insere a pessoa que pode estar perdida, por necessidade de um caminho, um horizonte, e você consegue inseri-la na sua missão de servir é incrível. Eu já encontrei dificuldades por ser mulher, às vezes não valorizam as nossas ideias por sermos mulheres, imaginam que a gente não tem capacidade, e às vezes até no meio feminino, mas eu confio muito na capacidade que o Pai do Céu nos deu, e se ele permite que a gente enxergue, ele permite que a gente realize. O Dia da Mulher é para marcar, para lembrarmos o quanto as mulheres ainda sofrem com violência, o quanto as mães são desprezadas, o quanto as profissionais são deixadas de lado simplesmente por ser mulher. Eu tenho para mim que esse dia tem que ser celebrado todos os dias, em cada conquista de cada mulher, e não precisa ser uma conquista extraordinária, às vezes algo pequeno pode transformar vidas e tudo ao seu redor”.


Débora Gascho

É bpresidente e fundadora do Lions Clube Balneário Camboriú CL Gov. Célio Gascho e jornalista da Câmara de Vereadores de Balneário

Débora (no canto esquerdo) tem no sangue o amor pelo Lions

“O voluntariado faz parte da minha vida desde a infância, na convivência com meu pai e minha mãe que sempre se dedicaram intensamente ao serviço humanitário, e me ensinaram que a solidariedade é o sentimento que significa respeito à dignidade humana. O meu engajamento ativo no trabalho voluntário iniciou há 25 anos, com o ingresso no movimento de Lions Internacional como associada fundadora do Lions Clube Balneário Camboriú CL Gov. Célio Gascho. Ao longo desses anos realizamos diversas ações de serviços comunitários e humanitários, colaborando com entidades, escolas, creches, asilos e tantas pessoas que foram beneficiadas com as campanhas e atividades efetivadas pelos associados do Lions Célio Gascho. A coletividade é o que move o trabalho voluntário, cada pessoa é diferente e é a união de todas que faz a diferença. Seguir nessa caminhada ao lado de minha mãe, Rejane Gascho, que se dedicou por mais de 50 anos aos serviços humanitários de Lions, foi um imenso aprendizado e contribuiu efetivamente para minha evolução como ser humano. A Rejane foi a primeira presidente do Lions BC Célio Gascho, atuou como dirigente de Lions no estado e no país e incentivou muitas pessoas às lideranças de serviços voluntários. Estar na presidência do Lions BC Célio Gascho é uma honra e motivo de muita alegria por ter a oportunidade de trabalhar em prol da nossa comunidade, junto com todos os associados do clube que se dedicam em transformar um pouco a vida das pessoas menos favorecidas. Também tenho o estímulo de seguir a crença do meu pai, Célio Gascho, que presidiu o Lions do Brasil, e teve como lema: Leonismo é humanização. O meu trabalho profissional é bem intenso, sou servidora pública e comprometida com dever de servir bem ao cidadão, focada em desempenhar minhas funções com dedicação e esmero. É natural e quase sempre tranquilo aliar o trabalho voluntário com as atividades do dia a dia, como a rotina doméstica, profissional e também o lazer. O voluntariado é gratificante e espontâneo, é uma ação de troca, pois doamos energia e recebemos amor. Ser mulher nos dias de hoje, significa ter mais participação na luta pelo empoderamento feminino e pelo respeito à mulher, pois ainda existem muitas desigualdades que precisam deixar de existir. O dia 8 de março é um dia de luta, que precisa ser lembrado para refletirmos e buscarmos a resolução de muitos problemas como a violência contra a mulher, o feminicídio e a diferença salarial. Ainda temos muitos caminhos a trilhar para evoluir nestas questões”.



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