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PÁGINA 3 / Variedades
Como será a Páscoa em tempos de isolamento social?

Quinta, 9/4/2020 22:15.

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Em tempos forçados de isolamento social, a Páscoa que no mundo cristão, celebra a Ressurreição de Cristo, portanto a vitória da vida sobre a morte, tornou-se uma festa isolada da esperança. Esta será uma Páscoa diferente. Não haverá concentrações nem reuniões familiares, com raras exceções. Não haverá decoração nas cidades, especialmente nas turísticas, como Balneário Camboriú.

Divulgação/Prefeitura Municipal PomerodeCom 15,02 metros de altura e 8,72 metros de diâmetro, Pomerode entrou para o Guiness, mas a atração só será vista depois que acabar o isolamento social.

Em Pomerode, a maior festa de Páscoa em Santa Catarina, começou no dia 12 de março e foi suspensa no dia 18. Esta semana a organização da 12a Osterfest anunciou que vai manter duas das principais atrações do evento para além da semana da Páscoa: o maior ovo decorado do mundo, neste ano desenhado pelo artista plástico Romero Britto, e a maior árvore de Páscoa do mundo.

Não há clima no planeta para festas. Cada um ou cada uns farão uma celebração de invocação, pedindo proteção, reforçando a verdadeira razão da Páscoa, confiando que Ele atenderá nosso clamor, trazendo a confiança de dias melhores e de valorização à vida.

Nesta Semana Santa, a reportagem desenvolveu o tema ‘Como as famílias estão se preparando para esta data, que renova a vida, em tempos de isolamento social”?

Conferiu também a expectativa das crianças e algumas acreditam que o ‘coelhinho vai botar máscara e virá trazer ovinhos’.

Traz uma mensagem de líderes religiosos sobre o cenário de vida e morte que está desafiando o mundo.

E um texto perguntando se haverá quaresmeiras (a flor da Quaresma) suficientes para colorir tempos tão escuros.

Acompanhe. Boa leitura.

Como o Coronavírus está influenciando na Páscoa das famílias

A principal medida para conter o Coronavírus é o isolamento social, que já dura quase um mês. A Páscoa, um dos principais feriados cristãos, que costuma reunir as famílias normalmente na Sexta-Feira Santa e principalmente no domingo pascal, não será a mesma. A tradição dará lugar a lembranças das tradições do passado. Mas como as famílias estão se preparando?

“Nada é por acaso”

Foto: Arquivo PessoalOs irmãos Sérgio Luiz Schmitt, Marisa Schmitt Kuehne, Marli Teresinha Schmitt Garcia e Lisete Maria Schmitt Garcia com a mãe Eulina da Silva Schmitt (centro).

Marisa Schmitt Kuehne, educadora aposentada, voluntária na Rede Feminina de Combate ao Câncer

“Neste tempo de isolamento social, que se misturou com a Quaresma e preparação para a Páscoa, nos leva a verdadeira reflexão cristã. Nada é por acaso, o porquê disso tudo, com certeza tem um significado mais profundo...tempo de mudar algo em nossas vidas, melhorar, nos arrependermos, viver mais próximo de Cristo! Não tínhamos mais ‘tempo’ para nada, principalmente para Ele. Nosso Pai está clamando, chamando para junto Dele. As igrejas fecharam, porém cada lar se transformou num templo de orações e arrumamos ‘tempo’. Tempo para refletir, para valorizar a família, refletir como anda a nossa espiritualidade e o que Ele está anunciando. Na vida existem diversos tempos especiais para os quais nos preparamos e agora nos encontramos ‘em tempo de isolamento social’ e justamente nos preparando para o tempo pascal, arrumando nossos corações (faxina interior), nossas atitudes e orando muito Para entendermos melhor o que significa ‘celebrar a Páscoa’ hoje basta olharmos ao nosso redor, ao mundo, aos dias que estamos vivendo, um mundo de clamor, de orações e sofrimento...e Ele sofreu e morreu por nós...olhemos portanto para dentro de nós, onde estão os valores? Onde está a nossa fé? E assim minha família está separada fisicamente, porém unida mais do que nunca em orações, cada qual no seu recolhimento e nos preparando para a Páscoa com muita fé e esperança de dias de paz e saúde! Amém! Feliz e Abençoada Páscoa”.

Lisete Schmitt Garcia, professora aposentada, diretora da APAE Camboriú

“Deus preparou tudo de uma maneira que o mundo quase parou e estamos tendo tempo de rever valores e rezarmos no tempo da família”

Marli Schmitt Garcia, professora aposentada

“Que nesta Páscoa atípica possamos estar banhados pelo Espírito Santo de Deus, momento de reflexão, mesmo afastados de nossos queridos familiares, possamos pedir misericórdia para todos”


“Renascer todos os dias”

Foto: Arquivo PessoalEduardo e Geninho com a filha Maria

Geninho Góes, escritor, palestrante e sócio proprietário da BNT Mercosul

“Nossa família não costuma dar muita importância para datas comerciais, como se tornaram o Natal, a Páscoa e outras. A Maria quer ovo de Páscoa esse é o interesse dela no coelhinho...a gente não tem religião, mas temos algumas coisas que fazemos todos os dias, como agradecer antes de toda e qualquer refeição, estimular a gentileza, falar de coisas boas, evitar notícias ruins ou nesse momento, o excesso de notícias ruins. Aprendi numa viagem que religião a gente coloca em prática em casa, essa relação com o Divino. Então essa coisa de renascer, que é o significado da Páscoa, a gente busca todos os dias, tentando acertar, sendo bons pais e se perdoando quando não conseguimos. Estamos aprendendo sempre. Então, aqui será um dia lindo, um domingo sem nada de extraordinário, simples mas esperamos que feliz, como a vida deve ser”.


“Aceitar o momento que estamos vivendo”

Foto: Arquivo PessoalZélia (centro) com as filhas Ruth, Miriane e Silmara, no Natal de 2018

Ana Zélia Rutes, 77 anos, aposentada, mãe de Miriane, Silmara e Ruth e avó de 13 netos, que moram em Balneário Camboriú e Curitiba

“Esta é a primeira vez que não vamos passar a Páscoa todos os juntos, assim como no Natal é um dos poucos feriados que realmente nos reunimos todos, normalmente na minha casa. Costumamos estar juntos desde a Sexta Santa, que é o dia de jejum e que só é permitido comer peixe. Bastante tradicional para nós é o jantar de sábado, assim como também o domingo de Páscoa, mas neste ano será diferente. Para mim a Páscoa tem o simbolismo da reunião de família, quando minhas filhas e meus netos eram crianças tinha também a caça pelos ovos de Páscoa, e desta vez a mudança está sendo muito grande. Não poderemos nos reunir, cada um na sua casa. Nos voltamos mais para a celebração, todas as emissoras cristãs, católicas, como Rede Vida, Canção Nova, Aparecida, estão transmitindo as missas pela TV, somente com os padres. Estou acompanhando tudo. Eu e minha família focamos agora em aceitar o momento que estamos vivendo, para que depois, quando tudo passar, possamos comemorar e voltar a vida normal”.


“Hoje mudou tudo”

Foto: Arquivo PessoalAlicia (centro, de verde) com a família em viagem para Gramado, em novembro de 2018

Alícia Ribas, 68 anos, aposentada, mãe de Gerusa, Marcelo e Juliana e avó de seis netos

“A Páscoa na minha infância era maravilhosa, começando pela Quaresma. Os 40 dias eram de muito respeito, muita oração em casa com a família, a Semana Santa também. As comemorações na igreja, muito silêncio, o meu avô não deixava na Sexta-feira Santa nem funcionar um carro, era muito respeito, muita fé naquele Jesus que morreu na cruz para nos salvar. Os chocolates eram muito esperados, as cestinhas escondidas pelo avô e pela avó, era só alegria. Aí vinha o Domingo de Páscoa, junção da família pro almoço... só lembranças lindas. Hoje mudou tudo, até agora devido a situação que está acontecendo nem na igreja não se pode ir. Nos resta nos unirmos com a família, louvar e agradecer a Deus por tudo e festejar a ressurreição do nosso Salvador. E falando em chocolates, no meu ver perdeu um pouco a graça. Meus netos, por exemplo, comem o ano todo, ou melhor, todos os dias. É dado mais para simbolizar o coelhinho que trouxe. Neste ano será diferente, gostaria que todos estivessem perto para almoçarmos juntos no dia da Páscoa, coisas de mãe, mas sabemos a necessidade de nos cuidarmos para que tudo isso passe logo”.


“As famílias estão mais unidas”

Foto: Arquivo PessoalVera (no canto direito, de branco) com a família, no Reveillon 2019

Vera Lúcia Davet, 69 anos, aposentada, mãe de Thiago e Dyego, e avó de três netos

“A Páscoa na minha infância era a coisa mais linda do mundo, a gente acreditava piamente no coelhinho, os pais escondiam nossas cestas, era aquela expectativa para procurar o que o coelhinho escondia durante a noite. A Sexta-feira Santa era muito respeitada, assim como no Domingo de Páscoa todos íamos na igreja. A religião era sempre em primeiro lugar. Neste ano, com o acontecimento da pandemia, eu acho que a humanidade está dando muito mais valor para Deus do que para os próprios chocolates, para essa simbolização, vejo que a religião voltou a estar em primeiro lugar. Um dos meus filhos, o Thiago, mora comigo, então passaremos a Páscoa juntos, eu, meu marido, ele e os filhos (Natália e Gabriel), dois dos meus netos. Já o Dyego passará com a família, a esposa Ana e a Cecília, minha netinha mais nova. Para os meus netos o chocolate não significa nada, dão muito mais valor para estarmos todos juntos. Na Sexta-Santa fazemos o almoço tradicional com peixe, e no Domingo de Páscoa procuramos assar um carneiro. Vejo que as famílias estão muito mais unidas por conta dessa pandemia, e mesmo aqueles que estão longe já estão esperando para poderem se encontrar”.


“O isolamento nos fez ficar mais juntos”

Foto: Arquivo PessoalIzete e a decoração que sua mãe fazia e que ela também faz.

Izete Bertholde Soares, 57 anos, é dona de casa, mãe de Lucas e Sarah e avó de Miguel

“Minha Páscoa começava na quinta-feira em oração, Sexta-Santa era assim também, no sábado à noite fazíamos uma janta boa, nos preparando para a Páscoa no domingo, mas primeiro tínhamos que ir para a igreja, para louvar a Deus e agradecer a ressurreição de Jesus, sempre muito na oração. Ficávamos muito em família, nos reuníamos pai, mãe e meus cinco irmãos. Minha mãe sempre foi muito criativa, usava casquinha de ovo com amendoim, e às vezes ganhávamos bolacha, pipoca doce, chocolate era raríssimo, no máximo um ovinho bem pequenininho, tudo isso na cestinha. Tinha criança que não ganhava nada. Tudo mudou bastante, e neste ano mais ainda. Não podemos ir na igreja, então vamos assistir na TV, na quinta-feira fazemos ceia com carne de ovelha, pão ázimo (tipo de pão assado sem fermento, feito somente de farinha de trigo e água) que eu mesma faço, suco de uva ou vinho e à luz de velas. Nisso participa eu, meu marido, filhos e neto. Sexta-Santa fazemos jejum, comemos peixe, e seguimos até o sábado, e sempre em oração, de quinta à domingo. Uma mudança grande é que as pessoas dão muito mais valor ao chocolate do que para Jesus, na nossa família procuramos fugir disso. Antes da quarentena nos reuníamos todos os irmãos, cunhados, netos, sobrinhos. Somos uma família italiana e já é tradicional fazermos comida italiana, que só fazemos no Natal e na Páscoa, e sou eu que faço. É um tortei diferente, esticamos a massa no domingo cedo, e desta vez vai ser menos tortei porque só vai ser nós, minha família em casa, mas vou mandar massa para a minha mãe, e quem estiver com ela vai comer também. Perdemos meu pai recentemente e segunda-feira (13) é aniversário da minha mãe, é um jeito de lembrarmos mesmo à distância. Vejo que neste ano as famílias estão mais unidas, então dá para rezar, interagir, estando todos juntos. O isolamento nos fez ficar mais juntos, não tem como fugir disso”.


"Momento importante da espiritualidade"

Foto: Arquivo PessoalFamília reunida, Páscoa de 2018.

Adriana Alcântara, professora e coreógrafa proprietária do Studio Adriana Alcântara

“Na minha família somos católicos na maioria e a Páscoa tem um significado importante para nós. Sentiremos muita falta da nossa mãezinha que partiu, mas nos deixou um legado importante, de estarmos verdadeiramente juntos. Nós vamos nos reunir, de coração, virtualmente, com meu sobrinho e a esposa dele que estão em Portugal, para que esse momento seja de re significar, o que realmente importa. A Quaresma é um tempo de silenciar, de buscar a comunhão com Deus. Sábias as famílias que estão aproveitando a Quaresma e a Quarentena para nutrir a espiritualidade, acho que estamos num momento muito importante da espiritualidade. Estaremos juntos buscando por em prática os ensinamentos de que Páscoa é renovação, é valorização do ser humano, valorização dos abraços, apertos de mão, encontros, valorização das pessoas idosas, porque sem elas nós não estaríamos aqui. É ser grato”.


"Pedir uma benção mundial"

Foto: Arquivo PessoalO cruzeiro interrompido, mas a foto de Eulina com sua família, entrou para a história.

Eulina Ladewig Silveira, aposentada, cantora da Terceira Idade, mãe de Afonso Cesar, Antonio Carlos e José Alexandre, avó de 4 netos e bisavó de 4 bisnetos

“Por força do destino resolvi reunir minha família no último dia 15 de março, para uma comemoração alusiva aos meus 90 anos, que farei no final deste mês de abril. Fiquei feliz em poder bater uma foto profissional da minha família e dia 17 de março encerramos a festividade, já no meio desse turbilhão de coronavírus. Em seguida cada família se recolheu em sua casa. Fui casada mais de 60 anos e todas as Páscoas eram comemoradas em família,, como acontece com a maioria das pessoas. Este ano será cada filho em sua residência e eu com meu filho mais velho, que hoje é minha companhia, iremos iremos assistir a Santa Missa na tevê e pedir a Deus que Ele em sua misericórdia consiga por todo o mundo em ordem, abençoando a todos nós. Uma benção mundial como se faz necessário. E a foto da minha família vai estar presente em nosso lar”.


"Celebrar fazendo oração em família"

Foto: Malu Altmann Waltrick

Lu Altmann é jornalista, mãe de Alexandre e Malu

“Este ano todos estarão separados. Minha irmã mora em Curitiba, meu irmão em Blumenau, meu filho está em Curitiba, e meus pais aqui, mas isolados em seu apartamento. Vamos fazer os pratos tradicionais que estamos acostumados, a mãe faz um bacalhau com batata e cebola que adoramos, esse ano vou fazer em casa para mim e para minha filha Malu e na hora da ceia, ligaremos, ficaremos todos online e assim, juntos, vamos celebrar fazendo uma oração em família. Depois cada um almoça em sua casa”.


"Muita reflexão e gratidão"

Foto: Viviane Olsson

Sigrides Olsson, professora aposentada, mãe de Viviane, Cleide e Fabrício e avó de 3 netos

“Na minha infância era muito divertida esta época. Se esperava com ansiedade o coelhinho da Páscoa. Tinha que fazer um ninho com folhas verdes e pétalas de flores para o coelho. Além disso, procurava os ovos pelo jardim. Eram recheados com amendoim branco e balinhas. No café da manhã tinha ovos cozidos coloridos. Também tinha um ovinho de chocolate e um coelhinho. Estes a gente comia só um pedacinho por dia para que durasse bastante. Ovos cozidos ainda faço até hoje. Este ano é atípico sem visita de filhos, mas lembrando que é para o nosso bem. Muita reflexão e gratidão. Feliz Páscoa a todos!


Crianças opinam e falam sobre o que esperam da Páscoa

As crianças também participaram da reportagem para falar sobre suas expectativas. Estão confiantes que o ‘coelhinho’ colocará máscara e virá para trazer os chocolates que esperam. Confira a opinião dos pequenos.

Foto: Arquivo Pessoal

Cecília Blonkovski Prezzi, 3 anos, foi coordenada pela mamãe Débora Blonkovski

“Eu gosto da Páscoa e quero chocolate da Peppa (Pig). (Débora perguntou quem trouxe os ovos no ano passado e deixou ‘pegadas’ pela escada e ela respondeu ‘o coelhinho’). Cadê ele? Ele ainda não deu nem um ovo pra mim”.

Foto: Arquivo Pessoal

Juliana Nardes, 8 anos

Sobre a Páscoa, para mim é uma coisa muito importante, porque é a ressurreição de Jesus, e também eu acredito muito no coelhinho. Eu sempre acreditei. Eu amo coelhinho, porque além de ele dar chocolate nessa data especial parece real, faz bastante sentido, então eu acredito muito nele. Acho que esse ano vai ser um pouquinho diferente, mas talvez eu ganhe algumas coisinhas dos meus avós, padrinhos”.

Foto: Arquivo Pessoal

Miguel Arcanjo de Lima, 11 anos

“Sim, com certeza essa Páscoa vai ser diferente. Vamos ficar mais reunidos, em família. Não podemos ir na casa da minha bisavó por conta da pandemia, como fazemos todos os anos. A Páscoa para mim é a ressurreição de Cristo, com almoço em família e claro, né, chocolate. Festejar com a minha família e trocando presentes, chocolates. Eu não acredito no coelhinho, não, não (risos)."

Foto: Arquivo Pessoal

Bernardo Henrique Watzko Barcia, 4 anos (foi coordenado pela mamãe, a jornalista Roberta Watzko)

“Eu acho a Páscoa legal, ganho ovo de chocolate. Quem traz o ovo é o coelhinho, e eu acredito nele. Ele mora em uma fábrica de doces, ele produz ovos e chocolate de tudo, tem de baunilha, morango e de salsicha! Não, de salsicha é outro. Chocolate de kiwi. Acho que o coelhinho não vai conseguir vir (por conta do Coronavírus). (Roberta questiona se todas as crianças ficarão sem chocolate e sem Páscoa, e em um tom triste ele concorda, mas logo muda de opinião). Vai ter sim, Páscoa! O coelhinho vai conseguir vir e não vai pegar o vírus se ele tiver um protetor de ouvido e se ele já tiver passado álcool em gel pra ele não pegar o ‘Colona’”.

Foto: Arquivo Pessoal

Pedro de Souza Lupato, 6 anos, e Júlia de Souza Lupato, 9 anos, são irmãos (Pedro acredita no coelhinho, Júlia não, mas ela finge que sim para não magoar o irmão mais novo)

“Acho que a Páscoa vai ser diferente, porque tem o Corona. Mas acho que o coelhinho vai vir mesmo assim. Espero ganhar chocolate branco. Mesmo assim, estou feliz com a Páscoa” (Pedro).

“Eu acho que a Páscoa vai ser bem legal, eu gosto de ficar com a minha família e também gosto bastante de ganhar chocolate. Mas eu acho que esse ano vai ser um pouco diferente, porque as pessoas vão ficar mais em casa, não vão poder sair. Eu acho que é um momento bom para ficar com a família” (Júlia).

Fotos: Arquivo Pessoal

Valentina Gervásio Oliveira e Luiza Oliveira, de 6 anos, são primas -

“Acredito muito no coelhinho. A gente vai ficar com o Corona em casa, só que o coelho vai ter que vir pra trazer o chocolate” (Valentina).

“Eu não gosto, eu amo a Páscoa. Eu espero sim ganhar chocolate do coelhinho da Páscoa, lógico, né? Mas também posso ganhar do titio, vovô, mamãe, papai, tem muita pessoa que pode dar. Eu acredito no coelhinho. Eu acho que a Páscoa vai ser diferente por causa do Coronavírus. Eu não sei o que fazer. Tem que assistir série, filme, coisas assim, ou desenhar, brincar assistindo no telefone, ver jornal com coisas do Coronavírus, sei lá, mas a Páscoa vai ser muito triste, ninguém vai poder brincar na Páscoa, juntar todo mundo”. (Luiza)

Foto: Arquivo Pessoal

Maria Clara Brandão, 3 anos (coordenada pela mamãe Duda Mallmann)

“Sim, vou ganhar um brinquedo da Páscoa! Estou com saudade do coelhinho e ele é de verdade, sim. O Coronavírus é do mal. O coelhinho vai conseguir chegar, ele vai colocar máscara e vai vir!”


Essa Páscoa será diferente de todas
Foto: Arquivo Pessoal

Frei Clauzemir Makximovitz

“O que exatamente será diferente? Será uma Páscoa sem multidões acorrendo às igrejas ou sem a possibilidade de milhões celebrarem a sua fé e renovarem os rituais que visibilizam o que acreditam? Talvez o diferencial dessa Páscoa fique mais claro ao focarmos no que ela realmente significa. Biblicamente Páscoa tem a ver com passagem, tanto a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito – belamente representada na travessia do Mar Vermelho, as águas abertas e sustentadas por Deus que liberta o seu povo, e os exércitos da opressão ao encalço – quanto, e muito mais significativa, a passagem do estado de morte para a verdadeira vida, com a Ressurreição de Jesus. Desse conteúdo central das celebrações pascais, o que muda esse ano? Se respondermos que o que muda é apenas a forma de celebrar, com o impedimento de aglomeração para as celebrações, talvez não estejamos levando a sério. Não foi só isso. Algo mais mudou. Algo parece ter mudado em como conseguimos nos relacionar com esse mistério, sempre maior do que nós. Ouvimos muitas orações nesse período. Podemos aprender muito com as orações de um povo. Ouvimos cada vez mais o clamor pela cura, para que Deus proteja seu povo e todo o mundo, para que Ele não nos abandone em meio à pandemia. Porque se meu Deus é capaz de afligir seu povo com uma pandemia, castigar, punir, causar dor e sofrimento indiscriminado sob qualquer pretexto de “purificação”, sem sombra de dúvidas, é d’Ele que eu preciso me libertar. Por isso, o que muda de verdade na Páscoa desse ano? Não poderemos estar todos no mesmo lugar, e sentimos falta da proximidade, nossa fé também é um fenômeno externo comunitário, que precisa se vivenciado, mas não é só isso. Será uma Páscoa sem Eucaristia? Depende. Eucaristia é, antes de tudo, Comunhão com Deus. Onde devemos estar para estarmos em Comunhão com o plano de Deus nesse momento? Se meu Deus é quem pune e castiga…, agora, se meu Deus é o Deus de Amor que em Jesus Cristo nos salva, onde estivermos Ele está conosco. Sim, essa Páscoa será diferente de todas, mas não pelo que achamos, mas sim por aquilo que não vemos. Será um momento de comunhão mística, de reencontrarmos em nosso próprio coração o altar em que Cristo diariamente se oferece. Será, precisa ser, uma Páscoa de libertação, de reencontro e de compromisso. Fé é compromisso, não dependência, mas sim confiança. Confiemos em Deus, Ele nunca nos abandonará”.

  • Frei Clauzemir Makximovitz, franciscano, vigário na Igreja Matriz Santa Inês, de Balneário Camboriú. Mestre em Teologia Sistemática pela PUC-Rio

Quem celebra a Páscoa não tem motivo para desespero!”

Foto: Arquivo Pessoal

Daniel Kreidlow

Páscoa é festa da esperança. Isso o teólogo Dietrich Bonhoeffer já tinha afirmado em tempos difíceis. E eu concordo com sua afirmação. A Páscoa quer nos encher de confiança. Nesta maravilhosa festa cristã nós comemoramos a vitória da vida sobre a morte, sobretudo a ressurreição de Cristo Jesus.

Com isso a Páscoa está em plena contraposição ao tempo de Quaresma e Sexta-feira Santa. Mais, a Páscoa e sua mensagem estão em total oposição as ameaças de morte e as angústias causadas pela pandemia do COVID 19. O Coronavirus transformou o mundo e nossa realidade local em uma sociedade de sofrimento e medo. A fé que advém da cruz e do túmulo vazio nos possibilita em meio as cenas de isolamento, doença e mortes que assistimos nos meios de comunicação nova confiança e esperança. Mesmo sem podermos nos reunir em grandes grupos nas igrejas ou em nossas casas com a família para festejarmos a Páscoa, podemos e devemos alimentar a nossa fé, celebrando e festejando que Cristo vence a morte. Podemos silenciar a televisão e o rádio, deixar o smartphone de lado, e cantar um hino conhecido, ler um texto bíblico que fale da Páscoa (Marcos 14-16), silenciar ou orar a Deus com palavras ou pensamentos. Os discípulos de Jesus após a morte dele também estavam em suas casas, e ali amedrontados e de portas trancadas por causa do acontecimento da cruz meditaram e oraram.

E após três dias tudo se transformou. O medo, a angústia e o sentimento de solidão e morte se transformaram em alegria e vida. E desta mudança surgiu nova confiança, solidariedade e ação amorosa. Os discípulos não guardaram para eles essa boa-notícia, mas a espalharam e viveram.

Motivados pela Páscoa também nós poderíamos exercitar a solidariedade. Um exemplo disso seria um telefonema a alguém que vive sozinho, deprimido ou está doente. Com isso poderíamos retirar um pouco do medo e da solidão, além de transmitirmos confiança, amor e fé. Esse pequeno gesto de amor ao próximo custaria a nós somente um pouco do tempo do nosso dia.

Quem crê no acontecimento e na mensagem da Páscoa pode ter esperança, seja em meio a doença, ao isolamento, e as crises pessoais e sociais que a epidemia nos causa. Essa é uma Páscoa diferente, tem menos ovos e chocolate, tem menos apelo comercial, mas não é menos Páscoa. Talvez tenhamos aqui verdadeiramente a chance de refletirmos sobre o profundo sentido do acontecimento da morte e ressurreição de Jesus Cristo. É como um milagre, assim como o sol sempre volta depois da noite, a vida supera a morte a partir da salvação conquistada por Jesus. A vida ressurge. É tempo de Páscoa, é festa da esperança num mundo que necessita de salvação.

A noite se tornará clara como o dia, como uma luz brilhante os sinais de vida voltaram a nos envolver.

  • Daniel Kreidlow é pastor em exercício na igreja luterana Martin Luther, de Balneário Camboriú

Foto: Reprodução

Páscoa, Renascimento e Libertação

Foto: Divulgação

Luiz Carlos Amorim

A quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na Quaresma, está em plena florescência, uma temporada especialmente colorida, talvez para compensar os tempos cinzentos que vivemos. Como será a Páscoa, com tantas pessoas doentes e outras morrendo? Haverão quaresmeiras suficientes para colorir tempos tão escuros?

Mas elas, as flores da Páscoa estão aí para nos lembrarmos que a vida continua, para nos lembrarmos de um Menino que nasceu para nos trazer esperança e fé e que essa esperança e essa fé é que podem nos dar alento para enfrentar o que nos fere.

Em Rancho Queimado, na grande Florianópolis, há um trecho da 282 que está uma beleza, tingido de vermelho e vinho dos dois lados da estrada. Na serra gaúcha também há muitos deles, principalmente nos jardins, e a quantidade de flores é um espetáculo à parte.

Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce na primavera/verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, é mais parecido com o nativo.

Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e lilazes, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.

É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração. Assustado com este tempo de pandemia que vivemos, nutro-me do encantamento das cores do jacatirão de Páscoa.

E parte deste encantamento, ainda, é o porquê de eu chamar o jacatirão de “flor da Páscoa”. Acho que ele é a flor de Cristo, também, porque o jacatirão nativo está florescido em dezembro, quando nasce o Menino Jesus para todos nós. E uma variedade desse mesmo jacatirão, a quaresmeira, está florescida na Páscoa, quando aquele Menino, feito homem, é cruscificado e sobe aos céus. O jacatirão está presente tanto na chegada quanto na partida do Menino, filho do Pai. Não é uma flor divina?

Pois a Páscoa não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate.



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Como será a Páscoa em tempos de isolamento social?

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Quinta, 9/4/2020 22:15.

Em tempos forçados de isolamento social, a Páscoa que no mundo cristão, celebra a Ressurreição de Cristo, portanto a vitória da vida sobre a morte, tornou-se uma festa isolada da esperança. Esta será uma Páscoa diferente. Não haverá concentrações nem reuniões familiares, com raras exceções. Não haverá decoração nas cidades, especialmente nas turísticas, como Balneário Camboriú.

Divulgação/Prefeitura Municipal PomerodeCom 15,02 metros de altura e 8,72 metros de diâmetro, Pomerode entrou para o Guiness, mas a atração só será vista depois que acabar o isolamento social.

Em Pomerode, a maior festa de Páscoa em Santa Catarina, começou no dia 12 de março e foi suspensa no dia 18. Esta semana a organização da 12a Osterfest anunciou que vai manter duas das principais atrações do evento para além da semana da Páscoa: o maior ovo decorado do mundo, neste ano desenhado pelo artista plástico Romero Britto, e a maior árvore de Páscoa do mundo.

Não há clima no planeta para festas. Cada um ou cada uns farão uma celebração de invocação, pedindo proteção, reforçando a verdadeira razão da Páscoa, confiando que Ele atenderá nosso clamor, trazendo a confiança de dias melhores e de valorização à vida.

Nesta Semana Santa, a reportagem desenvolveu o tema ‘Como as famílias estão se preparando para esta data, que renova a vida, em tempos de isolamento social”?

Conferiu também a expectativa das crianças e algumas acreditam que o ‘coelhinho vai botar máscara e virá trazer ovinhos’.

Traz uma mensagem de líderes religiosos sobre o cenário de vida e morte que está desafiando o mundo.

E um texto perguntando se haverá quaresmeiras (a flor da Quaresma) suficientes para colorir tempos tão escuros.

Acompanhe. Boa leitura.

Como o Coronavírus está influenciando na Páscoa das famílias

A principal medida para conter o Coronavírus é o isolamento social, que já dura quase um mês. A Páscoa, um dos principais feriados cristãos, que costuma reunir as famílias normalmente na Sexta-Feira Santa e principalmente no domingo pascal, não será a mesma. A tradição dará lugar a lembranças das tradições do passado. Mas como as famílias estão se preparando?

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Foto: Arquivo PessoalOs irmãos Sérgio Luiz Schmitt, Marisa Schmitt Kuehne, Marli Teresinha Schmitt Garcia e Lisete Maria Schmitt Garcia com a mãe Eulina da Silva Schmitt (centro).

Marisa Schmitt Kuehne, educadora aposentada, voluntária na Rede Feminina de Combate ao Câncer

“Neste tempo de isolamento social, que se misturou com a Quaresma e preparação para a Páscoa, nos leva a verdadeira reflexão cristã. Nada é por acaso, o porquê disso tudo, com certeza tem um significado mais profundo...tempo de mudar algo em nossas vidas, melhorar, nos arrependermos, viver mais próximo de Cristo! Não tínhamos mais ‘tempo’ para nada, principalmente para Ele. Nosso Pai está clamando, chamando para junto Dele. As igrejas fecharam, porém cada lar se transformou num templo de orações e arrumamos ‘tempo’. Tempo para refletir, para valorizar a família, refletir como anda a nossa espiritualidade e o que Ele está anunciando. Na vida existem diversos tempos especiais para os quais nos preparamos e agora nos encontramos ‘em tempo de isolamento social’ e justamente nos preparando para o tempo pascal, arrumando nossos corações (faxina interior), nossas atitudes e orando muito Para entendermos melhor o que significa ‘celebrar a Páscoa’ hoje basta olharmos ao nosso redor, ao mundo, aos dias que estamos vivendo, um mundo de clamor, de orações e sofrimento...e Ele sofreu e morreu por nós...olhemos portanto para dentro de nós, onde estão os valores? Onde está a nossa fé? E assim minha família está separada fisicamente, porém unida mais do que nunca em orações, cada qual no seu recolhimento e nos preparando para a Páscoa com muita fé e esperança de dias de paz e saúde! Amém! Feliz e Abençoada Páscoa”.

Lisete Schmitt Garcia, professora aposentada, diretora da APAE Camboriú

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“Que nesta Páscoa atípica possamos estar banhados pelo Espírito Santo de Deus, momento de reflexão, mesmo afastados de nossos queridos familiares, possamos pedir misericórdia para todos”


“Renascer todos os dias”

Foto: Arquivo PessoalEduardo e Geninho com a filha Maria

Geninho Góes, escritor, palestrante e sócio proprietário da BNT Mercosul

“Nossa família não costuma dar muita importância para datas comerciais, como se tornaram o Natal, a Páscoa e outras. A Maria quer ovo de Páscoa esse é o interesse dela no coelhinho...a gente não tem religião, mas temos algumas coisas que fazemos todos os dias, como agradecer antes de toda e qualquer refeição, estimular a gentileza, falar de coisas boas, evitar notícias ruins ou nesse momento, o excesso de notícias ruins. Aprendi numa viagem que religião a gente coloca em prática em casa, essa relação com o Divino. Então essa coisa de renascer, que é o significado da Páscoa, a gente busca todos os dias, tentando acertar, sendo bons pais e se perdoando quando não conseguimos. Estamos aprendendo sempre. Então, aqui será um dia lindo, um domingo sem nada de extraordinário, simples mas esperamos que feliz, como a vida deve ser”.


“Aceitar o momento que estamos vivendo”

Foto: Arquivo PessoalZélia (centro) com as filhas Ruth, Miriane e Silmara, no Natal de 2018

Ana Zélia Rutes, 77 anos, aposentada, mãe de Miriane, Silmara e Ruth e avó de 13 netos, que moram em Balneário Camboriú e Curitiba

“Esta é a primeira vez que não vamos passar a Páscoa todos os juntos, assim como no Natal é um dos poucos feriados que realmente nos reunimos todos, normalmente na minha casa. Costumamos estar juntos desde a Sexta Santa, que é o dia de jejum e que só é permitido comer peixe. Bastante tradicional para nós é o jantar de sábado, assim como também o domingo de Páscoa, mas neste ano será diferente. Para mim a Páscoa tem o simbolismo da reunião de família, quando minhas filhas e meus netos eram crianças tinha também a caça pelos ovos de Páscoa, e desta vez a mudança está sendo muito grande. Não poderemos nos reunir, cada um na sua casa. Nos voltamos mais para a celebração, todas as emissoras cristãs, católicas, como Rede Vida, Canção Nova, Aparecida, estão transmitindo as missas pela TV, somente com os padres. Estou acompanhando tudo. Eu e minha família focamos agora em aceitar o momento que estamos vivendo, para que depois, quando tudo passar, possamos comemorar e voltar a vida normal”.


“Hoje mudou tudo”

Foto: Arquivo PessoalAlicia (centro, de verde) com a família em viagem para Gramado, em novembro de 2018

Alícia Ribas, 68 anos, aposentada, mãe de Gerusa, Marcelo e Juliana e avó de seis netos

“A Páscoa na minha infância era maravilhosa, começando pela Quaresma. Os 40 dias eram de muito respeito, muita oração em casa com a família, a Semana Santa também. As comemorações na igreja, muito silêncio, o meu avô não deixava na Sexta-feira Santa nem funcionar um carro, era muito respeito, muita fé naquele Jesus que morreu na cruz para nos salvar. Os chocolates eram muito esperados, as cestinhas escondidas pelo avô e pela avó, era só alegria. Aí vinha o Domingo de Páscoa, junção da família pro almoço... só lembranças lindas. Hoje mudou tudo, até agora devido a situação que está acontecendo nem na igreja não se pode ir. Nos resta nos unirmos com a família, louvar e agradecer a Deus por tudo e festejar a ressurreição do nosso Salvador. E falando em chocolates, no meu ver perdeu um pouco a graça. Meus netos, por exemplo, comem o ano todo, ou melhor, todos os dias. É dado mais para simbolizar o coelhinho que trouxe. Neste ano será diferente, gostaria que todos estivessem perto para almoçarmos juntos no dia da Páscoa, coisas de mãe, mas sabemos a necessidade de nos cuidarmos para que tudo isso passe logo”.


“As famílias estão mais unidas”

Foto: Arquivo PessoalVera (no canto direito, de branco) com a família, no Reveillon 2019

Vera Lúcia Davet, 69 anos, aposentada, mãe de Thiago e Dyego, e avó de três netos

“A Páscoa na minha infância era a coisa mais linda do mundo, a gente acreditava piamente no coelhinho, os pais escondiam nossas cestas, era aquela expectativa para procurar o que o coelhinho escondia durante a noite. A Sexta-feira Santa era muito respeitada, assim como no Domingo de Páscoa todos íamos na igreja. A religião era sempre em primeiro lugar. Neste ano, com o acontecimento da pandemia, eu acho que a humanidade está dando muito mais valor para Deus do que para os próprios chocolates, para essa simbolização, vejo que a religião voltou a estar em primeiro lugar. Um dos meus filhos, o Thiago, mora comigo, então passaremos a Páscoa juntos, eu, meu marido, ele e os filhos (Natália e Gabriel), dois dos meus netos. Já o Dyego passará com a família, a esposa Ana e a Cecília, minha netinha mais nova. Para os meus netos o chocolate não significa nada, dão muito mais valor para estarmos todos juntos. Na Sexta-Santa fazemos o almoço tradicional com peixe, e no Domingo de Páscoa procuramos assar um carneiro. Vejo que as famílias estão muito mais unidas por conta dessa pandemia, e mesmo aqueles que estão longe já estão esperando para poderem se encontrar”.


“O isolamento nos fez ficar mais juntos”

Foto: Arquivo PessoalIzete e a decoração que sua mãe fazia e que ela também faz.

Izete Bertholde Soares, 57 anos, é dona de casa, mãe de Lucas e Sarah e avó de Miguel

“Minha Páscoa começava na quinta-feira em oração, Sexta-Santa era assim também, no sábado à noite fazíamos uma janta boa, nos preparando para a Páscoa no domingo, mas primeiro tínhamos que ir para a igreja, para louvar a Deus e agradecer a ressurreição de Jesus, sempre muito na oração. Ficávamos muito em família, nos reuníamos pai, mãe e meus cinco irmãos. Minha mãe sempre foi muito criativa, usava casquinha de ovo com amendoim, e às vezes ganhávamos bolacha, pipoca doce, chocolate era raríssimo, no máximo um ovinho bem pequenininho, tudo isso na cestinha. Tinha criança que não ganhava nada. Tudo mudou bastante, e neste ano mais ainda. Não podemos ir na igreja, então vamos assistir na TV, na quinta-feira fazemos ceia com carne de ovelha, pão ázimo (tipo de pão assado sem fermento, feito somente de farinha de trigo e água) que eu mesma faço, suco de uva ou vinho e à luz de velas. Nisso participa eu, meu marido, filhos e neto. Sexta-Santa fazemos jejum, comemos peixe, e seguimos até o sábado, e sempre em oração, de quinta à domingo. Uma mudança grande é que as pessoas dão muito mais valor ao chocolate do que para Jesus, na nossa família procuramos fugir disso. Antes da quarentena nos reuníamos todos os irmãos, cunhados, netos, sobrinhos. Somos uma família italiana e já é tradicional fazermos comida italiana, que só fazemos no Natal e na Páscoa, e sou eu que faço. É um tortei diferente, esticamos a massa no domingo cedo, e desta vez vai ser menos tortei porque só vai ser nós, minha família em casa, mas vou mandar massa para a minha mãe, e quem estiver com ela vai comer também. Perdemos meu pai recentemente e segunda-feira (13) é aniversário da minha mãe, é um jeito de lembrarmos mesmo à distância. Vejo que neste ano as famílias estão mais unidas, então dá para rezar, interagir, estando todos juntos. O isolamento nos fez ficar mais juntos, não tem como fugir disso”.


"Momento importante da espiritualidade"

Foto: Arquivo PessoalFamília reunida, Páscoa de 2018.

Adriana Alcântara, professora e coreógrafa proprietária do Studio Adriana Alcântara

“Na minha família somos católicos na maioria e a Páscoa tem um significado importante para nós. Sentiremos muita falta da nossa mãezinha que partiu, mas nos deixou um legado importante, de estarmos verdadeiramente juntos. Nós vamos nos reunir, de coração, virtualmente, com meu sobrinho e a esposa dele que estão em Portugal, para que esse momento seja de re significar, o que realmente importa. A Quaresma é um tempo de silenciar, de buscar a comunhão com Deus. Sábias as famílias que estão aproveitando a Quaresma e a Quarentena para nutrir a espiritualidade, acho que estamos num momento muito importante da espiritualidade. Estaremos juntos buscando por em prática os ensinamentos de que Páscoa é renovação, é valorização do ser humano, valorização dos abraços, apertos de mão, encontros, valorização das pessoas idosas, porque sem elas nós não estaríamos aqui. É ser grato”.


"Pedir uma benção mundial"

Foto: Arquivo PessoalO cruzeiro interrompido, mas a foto de Eulina com sua família, entrou para a história.

Eulina Ladewig Silveira, aposentada, cantora da Terceira Idade, mãe de Afonso Cesar, Antonio Carlos e José Alexandre, avó de 4 netos e bisavó de 4 bisnetos

“Por força do destino resolvi reunir minha família no último dia 15 de março, para uma comemoração alusiva aos meus 90 anos, que farei no final deste mês de abril. Fiquei feliz em poder bater uma foto profissional da minha família e dia 17 de março encerramos a festividade, já no meio desse turbilhão de coronavírus. Em seguida cada família se recolheu em sua casa. Fui casada mais de 60 anos e todas as Páscoas eram comemoradas em família,, como acontece com a maioria das pessoas. Este ano será cada filho em sua residência e eu com meu filho mais velho, que hoje é minha companhia, iremos iremos assistir a Santa Missa na tevê e pedir a Deus que Ele em sua misericórdia consiga por todo o mundo em ordem, abençoando a todos nós. Uma benção mundial como se faz necessário. E a foto da minha família vai estar presente em nosso lar”.


"Celebrar fazendo oração em família"

Foto: Malu Altmann Waltrick

Lu Altmann é jornalista, mãe de Alexandre e Malu

“Este ano todos estarão separados. Minha irmã mora em Curitiba, meu irmão em Blumenau, meu filho está em Curitiba, e meus pais aqui, mas isolados em seu apartamento. Vamos fazer os pratos tradicionais que estamos acostumados, a mãe faz um bacalhau com batata e cebola que adoramos, esse ano vou fazer em casa para mim e para minha filha Malu e na hora da ceia, ligaremos, ficaremos todos online e assim, juntos, vamos celebrar fazendo uma oração em família. Depois cada um almoça em sua casa”.


"Muita reflexão e gratidão"

Foto: Viviane Olsson

Sigrides Olsson, professora aposentada, mãe de Viviane, Cleide e Fabrício e avó de 3 netos

“Na minha infância era muito divertida esta época. Se esperava com ansiedade o coelhinho da Páscoa. Tinha que fazer um ninho com folhas verdes e pétalas de flores para o coelho. Além disso, procurava os ovos pelo jardim. Eram recheados com amendoim branco e balinhas. No café da manhã tinha ovos cozidos coloridos. Também tinha um ovinho de chocolate e um coelhinho. Estes a gente comia só um pedacinho por dia para que durasse bastante. Ovos cozidos ainda faço até hoje. Este ano é atípico sem visita de filhos, mas lembrando que é para o nosso bem. Muita reflexão e gratidão. Feliz Páscoa a todos!


Crianças opinam e falam sobre o que esperam da Páscoa

As crianças também participaram da reportagem para falar sobre suas expectativas. Estão confiantes que o ‘coelhinho’ colocará máscara e virá para trazer os chocolates que esperam. Confira a opinião dos pequenos.

Foto: Arquivo Pessoal

Cecília Blonkovski Prezzi, 3 anos, foi coordenada pela mamãe Débora Blonkovski

“Eu gosto da Páscoa e quero chocolate da Peppa (Pig). (Débora perguntou quem trouxe os ovos no ano passado e deixou ‘pegadas’ pela escada e ela respondeu ‘o coelhinho’). Cadê ele? Ele ainda não deu nem um ovo pra mim”.

Foto: Arquivo Pessoal

Juliana Nardes, 8 anos

Sobre a Páscoa, para mim é uma coisa muito importante, porque é a ressurreição de Jesus, e também eu acredito muito no coelhinho. Eu sempre acreditei. Eu amo coelhinho, porque além de ele dar chocolate nessa data especial parece real, faz bastante sentido, então eu acredito muito nele. Acho que esse ano vai ser um pouquinho diferente, mas talvez eu ganhe algumas coisinhas dos meus avós, padrinhos”.

Foto: Arquivo Pessoal

Miguel Arcanjo de Lima, 11 anos

“Sim, com certeza essa Páscoa vai ser diferente. Vamos ficar mais reunidos, em família. Não podemos ir na casa da minha bisavó por conta da pandemia, como fazemos todos os anos. A Páscoa para mim é a ressurreição de Cristo, com almoço em família e claro, né, chocolate. Festejar com a minha família e trocando presentes, chocolates. Eu não acredito no coelhinho, não, não (risos)."

Foto: Arquivo Pessoal

Bernardo Henrique Watzko Barcia, 4 anos (foi coordenado pela mamãe, a jornalista Roberta Watzko)

“Eu acho a Páscoa legal, ganho ovo de chocolate. Quem traz o ovo é o coelhinho, e eu acredito nele. Ele mora em uma fábrica de doces, ele produz ovos e chocolate de tudo, tem de baunilha, morango e de salsicha! Não, de salsicha é outro. Chocolate de kiwi. Acho que o coelhinho não vai conseguir vir (por conta do Coronavírus). (Roberta questiona se todas as crianças ficarão sem chocolate e sem Páscoa, e em um tom triste ele concorda, mas logo muda de opinião). Vai ter sim, Páscoa! O coelhinho vai conseguir vir e não vai pegar o vírus se ele tiver um protetor de ouvido e se ele já tiver passado álcool em gel pra ele não pegar o ‘Colona’”.

Foto: Arquivo Pessoal

Pedro de Souza Lupato, 6 anos, e Júlia de Souza Lupato, 9 anos, são irmãos (Pedro acredita no coelhinho, Júlia não, mas ela finge que sim para não magoar o irmão mais novo)

“Acho que a Páscoa vai ser diferente, porque tem o Corona. Mas acho que o coelhinho vai vir mesmo assim. Espero ganhar chocolate branco. Mesmo assim, estou feliz com a Páscoa” (Pedro).

“Eu acho que a Páscoa vai ser bem legal, eu gosto de ficar com a minha família e também gosto bastante de ganhar chocolate. Mas eu acho que esse ano vai ser um pouco diferente, porque as pessoas vão ficar mais em casa, não vão poder sair. Eu acho que é um momento bom para ficar com a família” (Júlia).

Fotos: Arquivo Pessoal

Valentina Gervásio Oliveira e Luiza Oliveira, de 6 anos, são primas -

“Acredito muito no coelhinho. A gente vai ficar com o Corona em casa, só que o coelho vai ter que vir pra trazer o chocolate” (Valentina).

“Eu não gosto, eu amo a Páscoa. Eu espero sim ganhar chocolate do coelhinho da Páscoa, lógico, né? Mas também posso ganhar do titio, vovô, mamãe, papai, tem muita pessoa que pode dar. Eu acredito no coelhinho. Eu acho que a Páscoa vai ser diferente por causa do Coronavírus. Eu não sei o que fazer. Tem que assistir série, filme, coisas assim, ou desenhar, brincar assistindo no telefone, ver jornal com coisas do Coronavírus, sei lá, mas a Páscoa vai ser muito triste, ninguém vai poder brincar na Páscoa, juntar todo mundo”. (Luiza)

Foto: Arquivo Pessoal

Maria Clara Brandão, 3 anos (coordenada pela mamãe Duda Mallmann)

“Sim, vou ganhar um brinquedo da Páscoa! Estou com saudade do coelhinho e ele é de verdade, sim. O Coronavírus é do mal. O coelhinho vai conseguir chegar, ele vai colocar máscara e vai vir!”


Essa Páscoa será diferente de todas
Foto: Arquivo Pessoal

Frei Clauzemir Makximovitz

“O que exatamente será diferente? Será uma Páscoa sem multidões acorrendo às igrejas ou sem a possibilidade de milhões celebrarem a sua fé e renovarem os rituais que visibilizam o que acreditam? Talvez o diferencial dessa Páscoa fique mais claro ao focarmos no que ela realmente significa. Biblicamente Páscoa tem a ver com passagem, tanto a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito – belamente representada na travessia do Mar Vermelho, as águas abertas e sustentadas por Deus que liberta o seu povo, e os exércitos da opressão ao encalço – quanto, e muito mais significativa, a passagem do estado de morte para a verdadeira vida, com a Ressurreição de Jesus. Desse conteúdo central das celebrações pascais, o que muda esse ano? Se respondermos que o que muda é apenas a forma de celebrar, com o impedimento de aglomeração para as celebrações, talvez não estejamos levando a sério. Não foi só isso. Algo mais mudou. Algo parece ter mudado em como conseguimos nos relacionar com esse mistério, sempre maior do que nós. Ouvimos muitas orações nesse período. Podemos aprender muito com as orações de um povo. Ouvimos cada vez mais o clamor pela cura, para que Deus proteja seu povo e todo o mundo, para que Ele não nos abandone em meio à pandemia. Porque se meu Deus é capaz de afligir seu povo com uma pandemia, castigar, punir, causar dor e sofrimento indiscriminado sob qualquer pretexto de “purificação”, sem sombra de dúvidas, é d’Ele que eu preciso me libertar. Por isso, o que muda de verdade na Páscoa desse ano? Não poderemos estar todos no mesmo lugar, e sentimos falta da proximidade, nossa fé também é um fenômeno externo comunitário, que precisa se vivenciado, mas não é só isso. Será uma Páscoa sem Eucaristia? Depende. Eucaristia é, antes de tudo, Comunhão com Deus. Onde devemos estar para estarmos em Comunhão com o plano de Deus nesse momento? Se meu Deus é quem pune e castiga…, agora, se meu Deus é o Deus de Amor que em Jesus Cristo nos salva, onde estivermos Ele está conosco. Sim, essa Páscoa será diferente de todas, mas não pelo que achamos, mas sim por aquilo que não vemos. Será um momento de comunhão mística, de reencontrarmos em nosso próprio coração o altar em que Cristo diariamente se oferece. Será, precisa ser, uma Páscoa de libertação, de reencontro e de compromisso. Fé é compromisso, não dependência, mas sim confiança. Confiemos em Deus, Ele nunca nos abandonará”.

  • Frei Clauzemir Makximovitz, franciscano, vigário na Igreja Matriz Santa Inês, de Balneário Camboriú. Mestre em Teologia Sistemática pela PUC-Rio

Quem celebra a Páscoa não tem motivo para desespero!”

Foto: Arquivo Pessoal

Daniel Kreidlow

Páscoa é festa da esperança. Isso o teólogo Dietrich Bonhoeffer já tinha afirmado em tempos difíceis. E eu concordo com sua afirmação. A Páscoa quer nos encher de confiança. Nesta maravilhosa festa cristã nós comemoramos a vitória da vida sobre a morte, sobretudo a ressurreição de Cristo Jesus.

Com isso a Páscoa está em plena contraposição ao tempo de Quaresma e Sexta-feira Santa. Mais, a Páscoa e sua mensagem estão em total oposição as ameaças de morte e as angústias causadas pela pandemia do COVID 19. O Coronavirus transformou o mundo e nossa realidade local em uma sociedade de sofrimento e medo. A fé que advém da cruz e do túmulo vazio nos possibilita em meio as cenas de isolamento, doença e mortes que assistimos nos meios de comunicação nova confiança e esperança. Mesmo sem podermos nos reunir em grandes grupos nas igrejas ou em nossas casas com a família para festejarmos a Páscoa, podemos e devemos alimentar a nossa fé, celebrando e festejando que Cristo vence a morte. Podemos silenciar a televisão e o rádio, deixar o smartphone de lado, e cantar um hino conhecido, ler um texto bíblico que fale da Páscoa (Marcos 14-16), silenciar ou orar a Deus com palavras ou pensamentos. Os discípulos de Jesus após a morte dele também estavam em suas casas, e ali amedrontados e de portas trancadas por causa do acontecimento da cruz meditaram e oraram.

E após três dias tudo se transformou. O medo, a angústia e o sentimento de solidão e morte se transformaram em alegria e vida. E desta mudança surgiu nova confiança, solidariedade e ação amorosa. Os discípulos não guardaram para eles essa boa-notícia, mas a espalharam e viveram.

Motivados pela Páscoa também nós poderíamos exercitar a solidariedade. Um exemplo disso seria um telefonema a alguém que vive sozinho, deprimido ou está doente. Com isso poderíamos retirar um pouco do medo e da solidão, além de transmitirmos confiança, amor e fé. Esse pequeno gesto de amor ao próximo custaria a nós somente um pouco do tempo do nosso dia.

Quem crê no acontecimento e na mensagem da Páscoa pode ter esperança, seja em meio a doença, ao isolamento, e as crises pessoais e sociais que a epidemia nos causa. Essa é uma Páscoa diferente, tem menos ovos e chocolate, tem menos apelo comercial, mas não é menos Páscoa. Talvez tenhamos aqui verdadeiramente a chance de refletirmos sobre o profundo sentido do acontecimento da morte e ressurreição de Jesus Cristo. É como um milagre, assim como o sol sempre volta depois da noite, a vida supera a morte a partir da salvação conquistada por Jesus. A vida ressurge. É tempo de Páscoa, é festa da esperança num mundo que necessita de salvação.

A noite se tornará clara como o dia, como uma luz brilhante os sinais de vida voltaram a nos envolver.

  • Daniel Kreidlow é pastor em exercício na igreja luterana Martin Luther, de Balneário Camboriú

Foto: Reprodução

Páscoa, Renascimento e Libertação

Foto: Divulgação

Luiz Carlos Amorim

A quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na Quaresma, está em plena florescência, uma temporada especialmente colorida, talvez para compensar os tempos cinzentos que vivemos. Como será a Páscoa, com tantas pessoas doentes e outras morrendo? Haverão quaresmeiras suficientes para colorir tempos tão escuros?

Mas elas, as flores da Páscoa estão aí para nos lembrarmos que a vida continua, para nos lembrarmos de um Menino que nasceu para nos trazer esperança e fé e que essa esperança e essa fé é que podem nos dar alento para enfrentar o que nos fere.

Em Rancho Queimado, na grande Florianópolis, há um trecho da 282 que está uma beleza, tingido de vermelho e vinho dos dois lados da estrada. Na serra gaúcha também há muitos deles, principalmente nos jardins, e a quantidade de flores é um espetáculo à parte.

Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce na primavera/verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, é mais parecido com o nativo.

Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e lilazes, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.

É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração. Assustado com este tempo de pandemia que vivemos, nutro-me do encantamento das cores do jacatirão de Páscoa.

E parte deste encantamento, ainda, é o porquê de eu chamar o jacatirão de “flor da Páscoa”. Acho que ele é a flor de Cristo, também, porque o jacatirão nativo está florescido em dezembro, quando nasce o Menino Jesus para todos nós. E uma variedade desse mesmo jacatirão, a quaresmeira, está florescida na Páscoa, quando aquele Menino, feito homem, é cruscificado e sobe aos céus. O jacatirão está presente tanto na chegada quanto na partida do Menino, filho do Pai. Não é uma flor divina?

Pois a Páscoa não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate.



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