Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Variedades
Reportagem Especial: casamentos adiados por conta do Coronavírus

Quinta, 2/4/2020 18:15.

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Renata Rutes

A pandemia do Coronavírus afetou a rotina de famílias e empresas no mundo todo, causou o adiamento dos eventos mais importantes do mundo, como os Jogos Olímpicos e o Torneio de Wimbledon (ambos só acontecerão ano que vem), além dos conhecidos festivais Lollapalooza e Coachella, entre tantos outros. O coronavírus também interferiu e adiou casamentos e a reportagem procurou alguns casais que tiveram que adiar o ‘Dia do Sim’ até a situação normalizar. Também ouviu empresários que atuam no ramo, que dividem suas histórias e ansiedades para enfim vivenciarem o dia do ‘sim’.



Foto: Gabriel Maça-Maçafilmes.

“11 dias antes do grande dia tivemos que adiar”

Rafaela Nogueira Zacarias, 24 anos, internacionalista, é noiva de Diego Carmo da Silva, 27 anos, empresário, juntos há oito anos e noivos há um ano

“Sempre namoramos à distância, ele veio para Santa Catarina fazer faculdade e eu fiquei em Curitiba, nossa cidade natal. Já havíamos morado juntos durante um intercâmbio na Austrália em 2016/2017, mas nunca havíamos sonhado com um casamento tradicional. Em abril/2019, ele me pediu em casamento. Em outubro fizemos a união estável, mas por eu ser filha única, meu pai moveu montanhas para realizar uma cerimônia e festa de casamento. Em novembro, começamos a preparar. Somos ansiosos e resolvemos casar o mais breve possível, tínhamos em mente um restaurante em especial (o Indaiá, entre Itapema e BC) e eles tinham uma data no final de março (28). Tínhamos a missão de fazer um casamento acontecer em menos de 150 dias. Sou bem agilizada e organizada, contei também com a ajuda de minha mãe, que trabalha com eventos há muitos anos. Em poucas semanas conseguimos fechar doces, bolo, maquiagem, flores, cerimonial, fotógrafo... nós mesmos fizemos os convites e começamos a distribuir. Sou formada em Relações Internacionais e sempre estou atenta ao que acontece no mundo. Já estava acompanhando os avanços do Covid-19, mas até então não era uma preocupação no Brasil. Após o Carnaval, quando os primeiros casos começaram a aparecer, ficamos preocupados. Conversamos em família e com a nossa cerimonial sobre o que fazer. Entendemos que só poderíamos tomar uma decisão sem prejuízo financeiro se o município ou o governo estadual promovessem um decreto proibindo eventos. Aguardamos e no dia 17 de março, 11 dias antes do nosso grande dia, isso aconteceu. Tínhamos como prioridade encontrar uma nova data em que a maior parte dos nossos fornecedores estivessem disponíveis e conseguimos remarcar para novembro. Todos receberam com muita empatia nossa decisão, mas infelizmente não poderemos contar com a banda que havíamos contratado, eles não possuíam a nova data, e tive que abrir mão do meu vestido, pois era primeiro aluguel e a loja não pode alugar apenas em novembro. Apesar disso, nos devolveram 80% do valor que havíamos pagado. Foi muito triste passar pelo dia 28, todas as circunstâncias que nos levaram ao adiamento. Fizemos um vídeo comunicando os convidados, a maior parte não é de Santa Catarina, então cancelaram hotel, transporte, trajes, mas foram super receptivos e estão animados para a nova data. Abrimos mão de diversas seguranças em função do casamento. Eu ainda vivia e trabalhava em Curitiba, me mudei para Navegantes, onde meu noivo possui empresa, e estava aguardando o casamento para me recolocar no mercado de trabalho. Tínhamos planos para o resto do ano e tivemos que rever tudo. Meu conselho para quem ainda vai passar por todo esse processo é: confie em seus fornecedores, seja totalmente sincero e transparente com eles. Além disso, tenha em seu parceiro seu maior aliado”.


“Queremos celebrar fora desse caos”

Maria Eduarda Simas Zucki, 25 anos, arquiteta, é noiva do também arquiteto Giovanni Annes Bellincanta, 30 anos, estão juntos há cinco anos e noivos há dois

“Nos conhecemos enquanto estávamos estudando Arquitetura. Um casal de amigos nossos em comum nos apresentou, não namoramos no início, mas como ambos estudávamos a mesma coisa nos aproximamos e surgiu o interesse, e então começamos a namorar. Namoramos três anos, e no aniversário de namoro fomos para Urubici, onde ele me surpreendeu e me pediu em casamento. Foi muito especial esse momento. Desde que noivamos, há dois anos, comecei a pesquisar, mas começamos a organizar mesmo há um ano. Escolhemos o local, na Praia do Rosa, em um hotel de frente para a praia. Estava tudo resolvido, todos os fornecedores encaminhados. Já estávamos acompanhando o cenário do Coronavírus na Europa e na Ásia, e quando chegou no Brasil discutimos com a nossa cerimonialista a hipótese de adiar já prevendo que a situação poderia se agravar. Ficamos numa ‘sinuca de bico’, entre querer realizar esse sonho na data prevista, que era 16 de maio, porque estava perto, a gente está ansioso, mas por outro lado queríamos proteger nossos convidados porque não queremos que seja um momento ruim. É para ser uma data feliz, e queremos celebrar fora desse caos. Vamos casar em julho e esperamos que até lá já esteja tudo mais encaminhado. Tivemos muita sorte em remanejar, todos os fornecedores tinham a nova data que escolhemos. O mais difícil foi o lugar, porque todos os casamentos que aconteceriam lá entre março e maio tiveram que ser adiados e muitas noivas já estavam remarcando. A princípio só tinha data para ano que vem, mas houve uma desistência e conseguimos essa data de julho. A ansiedade já estava gigantesca, eu não ia aguentar até ano que vem (risos), mas agora está mais tranquilo. Os convidados vão se hospedar no hotel onde será a cerimônia, todos já foram remanejados e agradeceram por termos adiado. Vale destacar que o mercado de casamentos está bem disponível para essa situação, receptivos e entendendo a necessidade de remarcar. Inicialmente me preocupei, mas todos aceitaram, se propuseram a ajudar, conseguimos nos alinhar e fluiu tudo da melhor forma”.


“Adiar era a melhor e única decisão”

Gleice Maria de Souza, 21 anos, editora de conteúdo é noiva de Italo Buono Gonçales, 25 anos, programador, estão juntos há dois anos e meio e noivos há quase um

“Nós nos conhecemos em Bananal, uma cidade do interior de São Paulo. A cidade é pequena, mas o Italo nunca tinha me visto por lá, e ficou curioso para me conhecer. Foi amor à primeira vista. Depois de alguns meses sem nos vermos, eu achei ele nas redes sociais e marcamos de nos conhecer. Quando ele foi para Bananal me encontrar, começou de verdade a nossa história. Com um ano e meio de namoro, nos mudamos para Santa Catarina, e então o Italo começou a planejar o pedido de casamento. Dia 11 de maio de 2019, ele disse que queria testar o drone que tinha comprado, e fomos até umas pedras na Praia de Ilhota, em Itapema, às 6h, pois o sol estava nascendo. Quando preparou tudo para fazer umas fotos, ele colocou o drone para filmar e pediu minha mão em casamento, naquela vista linda. Estávamos planejando tudo há quase um ano e o casamento seria dia 25 de abril. Tudo já estava resolvido, os convidados estavam começando a confirmar a presença. Quando começou os casos de Coronavírus no país, começamos a ficar apreensivos. A decisão veio quando nossa cerimonialista Vanessa conversou com a gente. Eu e Italo vimos que era a melhor e única decisão a ser tomada. Todos os convidados entenderam e nos apoiaram. Já temos uma nova data e juntos com a cerimonial estamos conversando com os fornecedores. Já conseguimos resolver uma boa parte e tem sido tranquilo, todos entendem a situação. Faltava um mês para o casamento quando tivemos que adiar... embora tenhamos ficado chateados, agora estamos tranquilos e esperando ansiosamente a nova data. Para uma festa de casamento acontecer, acho muito importante ter uma boa cerimonial que oriente os noivos. Ter a Vanessa nos tranquilizou bastante. É muita coisa para resolver. Muitos fornecedores e contratos”.


“Vai ser ainda mais especial”

Isadora Battirola Rigon, 23, empresária, é noiva do também empresário Lucas Vettorello, 32 anos e estão juntos há três anos, sendo dois como noivos

“Nos conhecemos literalmente na entrada de uma balada em Balneário Camboriú! Foi praticamente amor à primeira vista (risos). Desde esse momento nos falamos todos os dias e logo começamos a namorar. Noivamos depois de 2 anos em uma viagem para Itália, em Capri, em uma gruta linda. Foi uma surpresa incrível. Logo que voltamos da viagem já começamos a programar o casamento, um ano e meio antes, seria dia 11 de abril, no feriado de Páscoa. Escolhemos essa data pelos convidados serem de fora e para termos mais dias de festa com todos reunidos. Já estava tudo 100% pronto. Final de dezembro já estávamos acompanhando as notícias, mas nem pensávamos que o Coronavírus poderia chegar no Brasil dessa maneira e afetar nosso casamento! Quando começou a se falar de quarentena eu entrei em pânico, casamentos começaram a ser cancelados e até então eu estava irredutível, mas no dia em que o governador de SC decretou a quarentena, adiamos a data. Tive receio por já termos tudo pago e o medo de encontrar uma data e conseguirmos unir todos os 25 fornecedores, mas conseguimos reagendar ainda para este ano. Minha cerimonial, a Elis da Flor de Lis, conseguiu resolver tudo em um dia e deu tudo certo! Todos os fornecedores estavam passando por isso e estavam fazendo o melhor, foram super profissionais e atenciosos. Os convidados sentiram a mesma coisa que nós no primeiro momento, tristeza, mas no fim todo mundo entendeu que era o melhor a se fazer. Mesmo se pudesse realizar o casamento, não teria clima, e agora vai ser ainda mais especial. Além do amor teremos um novo motivo para comemorar: a vida! Minha dica para as noivas que ainda não sabem se vão poder realizar o casamento é: mantenham a calma e tenham muita paciência! No fim tudo vai se resolver. A gente sabe que é muito ruim planejar um sonho e ter que adiar, mas às vezes essa é a melhor escolha a se fazer”.


“Vai ser ainda mais emocionante”

A empresária e arquiteta Luiza Vegini, 27 anos, é casada no civil com o empresário albanês Egli Hysenllari, 30 anos; eles fariam a cerimônia religiosa e a festa no fim de abril, na Itália, onde residem

“Nos conhecemos em setembro de 2015, logo depois que eu cheguei na Itália para fazer um mestrado de Design de Interiores Imobiliário. Ele é albanês, mas já mora na Itália há 12 anos. Começamos a namorar em 2016 e o pedido de casamento foi em setembro de 2018, três anos depois de termos nos conhecido. Começamos a planejar o casamento para 30 de abril de 2020 e tivemos que adiar por conta do vírus. Não imaginávamos que ia chegar nessa situação, acreditávamos que seria resolvido rapidamente e que não teria problema para os nossos 100 convidados do Brasil virem para a Itália. Eles já estavam com passagens compradas, roteiro de viagem preparado, e por consideração a eles a gente resistiu até o último segundo, mas chegou a um ponto em que não tínhamos mais escolha. As pessoas não teriam como vir nem se quisessem. Os convidados compreenderam a nossa escolha. Eu trabalho com organização de casamentos e tive que remarcar oito eventos desse primeiro semestre e muitos foram para setembro, que é um mês muito bom na Itália para casamentos. Já era um mês que eu tinha muito trabalho, e isso acabou sendo duplicado por conta das alterações. Optamos por casar no dia 8 de outubro, que também é a data de casamento dos meus pais e dos meus bisavós, então tem algo especial por trás. Acreditamos que até lá a situação já estará normalizada. Com os fornecedores também tivemos facilidade, mantivemos o casamento numa quinta-feira (assim como a data original) e todos estavam disponíveis. Cerimônias que não sejam em fim de semana facilitam, é um conselho que dou para as noivas que estão remarcando. Os meus convidados estão remarcando as passagens, mas as companhias aéreas estão priorizando os voos mais próximos, mas acreditamos que todos vão conseguir resolver sem problemas. A gente já casou no civil em novembro do ano passado, a festa é muito importante, a cerimônia religiosa também, mas já nos consideramos casados. Estamos tranquilos, estamos fazendo as nossas roupas sob medida, vamos conseguir curtir isso com calma, sem aquela pressa e ansiedade. Sabemos que agora temos tempo de sobra. Vai ser ainda mais emocionante, esperar um pouquinho vai fazer desse momento ainda mais especial”.


“Teremos mais um ano para organizar uma festa ainda melhor”

A arquiteta Camila Teles, 30 anos, é noiva do advogado Leonardo Maresch, 30 anos; o casal se conhece desde 2006, mas começaram a se relacionar somente em 2009, estando noivos desde 2017

“A gente se conhece desde 2006, estudamos juntos no 3º ano do Ensino Médio, mas não tínhamos contato. Três anos depois, já cursando a faculdade, nos encontramos em uma festa em Balneário, no dia 1º de maio de 2009. Ali a gente começou a ficar e engatamos um namoro. Em 2012 ele se formou em Direito e em 2013 ele resolveu ir morar em Joaçaba, onde o pai dele morava, e eles iam trabalhar juntos. Ficamos namorando à distância, em 2015 acabamos dando um tempo por conta da distância. Ficamos uns cinco meses separados, e em 2016 eu decidi vir morar em Joaçaba também. Já estávamos juntos há sete anos e já havia passado a hora do pedido de casamento (risos), eu ficava esperando... em 2017 minha irmã estava morando em Portugal, fazendo Mestrado e eu ele resolvemos fazer um mochilão pela Europa, e no final da viagem, em uma festa em Coimbra, aconteceu o pedido. Coimbra é uma cidade bem pequena e quando voltei lá, um ano depois, as pessoas me reconheceram e lembravam do acontecido (risos). Quando voltamos fizemos um jantar para as nossas famílias e havíamos decidido que casaríamos em 1º de maio de 2020 (é a data que o casal comemora o início do relacionamento e fazem 11 anos juntos). Já morávamos juntos, não tínhamos pressa. Meu vestido de noiva eu fechei há um ano, e as meninas do ateliê ainda brincaram ‘só não vai engravidar, né?’ (risos), deu um mês eu engravidei. Como o bebê teria três meses, decidimos manter os planos. Fomos organizando, nosso bebê, o Theo, nasceu em janeiro/2020. Minha irmã foi novamente para Portugal, e ela disse que lá a situação estava complicada, mas o vírus ainda não havia chegado no Brasil. Há três semanas começamos a conversar com nossa cerimonial sobre adiar. Eu sou muito ligada em datas e queria casar no nosso dia 1º de maio, já havíamos gravado as alianças, havíamos escolhido a dedo os nossos fornecedores, esperamos tanto por isso e queríamos fazer o melhor para nós, nossas famílias e convidados, inclusive alguns viriam de outros países e os voos já haviam sido cancelados. Resolvemos adiar por um ano, a nossa nova data é 1º de maio de 2021. Fiquei tranquila, porque é a data que eu queria, e os nossos convidados entenderam e apoiaram a decisão. Só estamos vendo o lado positivo, nossos amigos, famílias e fornecedores estarão seguros. O Theo também conseguirá curtir um pouquinho mais a festa, será mais tranquilo. Teremos mais um ano para organizar uma festa ainda melhor”.


“Adiar o casamento nunca é uma decisão fácil”

A empresária Renata Kauling, 40 anos, é noiva do programador José Augusto Zimmermann de Negreiros, 40 anos, com quem está junto há três anos

“Nossa ideia era casar na data em que faríamos três anos de namoro. Ele me pediu em casamento em dezembro/2019, na volta de uma viagem para os EUA em que ficamos quase 20 dias sem nos vermos. Assim que iniciou 2020, começamos a ver as coisas para o grande dia: fornecedores, lista de convidados. Seria no início de junho, então tínhamos pouco tempo. Adiar o casamento nunca é uma decisão fácil. A notícia do Corona chegou no momento em que estávamos nos organizando para enviar os convites. Pensamos que seria péssimo em meio a esse caos e também porque não sabemos quanto tempo vai durar. Ainda não temos uma nova data, queríamos muito casar ainda esse ano, mas vamos depender de conciliar a agenda de todos os fornecedores que já contratamos para reagendar e eu acredito que o segundo semestre será uma época difícil devido a tantos cancelamentos. Nossos fornecedores foram super compreensivos, com exceção do local. Havíamos fechado há duas semanas, fizemos o pagamento da primeira parcela via transferência bancária antes mesmo de assinar o contrato, mas acabamos optando por este local por falta de opção pela proximidade da data do nosso casamento. Diante disso decidimos cancelar e não foi bem aceito. Precisou haver discussão sobre direitos para que entendessem. Vamos aguardar passar a quarentena para recebermos o dinheiro de volta. Todos os outros foram apenas adiados, a nova data ficou em aberto e os pagamentos permanecem conforme já havíamos contratado. Como não chegamos a enviar os convites, precisaremos avisar os mais próximos que já estavam sabendo. É frustrante, né? Toda a correria, ansiedade, a alegria a medida que cada coisa ia dando certo pra agora não saber nem quando conseguiremos realizar nosso sonho. É um verdadeiro balde de água fria. Chegamos a pensar se não estaríamos nos antecipando, muita gente falava que até o início de maio tudo se normalizaria, mas achamos que é muito complicado que tudo se normalize em tão pouco tempo. Também vemos que seria um momento muito inoportuno para enviar convites para uma festa desse porte. Estamos na torcida para que as pessoas se conscientizem, fiquem em casa, façam a sua parte para que isso realmente passe o mais depressa possível. E aí sim recomeçaremos a planejar nosso casamento, porque em meio a isso tudo não tem nem clima. Não consigo nem pensar num momento tão feliz em meio a tanta tristeza por tudo que esse vírus significa”.


O cenário dos que ajudam a realizar o sonho dos noivos


* Cerimônias religiosas

O Página 3 entrou em contato com as igrejas São Sebastião e Santa Inês. Em ambas havia cerca de três casamentos marcados para estes meses, que foram suspensos pelos próprios noivos. Ainda não foram definidas novas datas.


* Casamento civil

O casamento civil também está suspenso neste momento em Santa Catarina (até 30 de abril). Os cartórios estão reorganizando a agenda de celebrações. No momento, os os trabalhos acontecem somente em regime de plantão atendendo casos urgentes e registros de nascimentos e óbitos.


* Aluguel de trajes

As lojas Cinderela Noivas e Maison Mikus

Uma das principais preocupações dos noivos é o aluguel dos trajes. Todas as lojas da região especializadas nesse segmento estão fechadas, como a Cinderela Noivas, ateliê que fica em Itajaí. A loja informa que quem já locou seu traje e terá que trocar de data pode informar por WhatsApp ((47) 99117-2733), assim como a loja Maison Mikus (que fica na Avenida do Estado, onde funcionava a antiga Noivas e Festas), de Balneário, que também está fechada por tempo indeterminado, mas seguem com atendimento via WhatsApp ((47) 99681-0303), por onde os clientes que precisam adiar ou cancelar seus trajes também podem entrar em contato.


* Cerimonial

Vanessa (centro) da Santa Cerimonial

Vanessa Rocha Fernandes é assessora e cerimonialista, responsável pela Santa Cerimonial, que atua há mais de seis anos no segmento de organização de eventos, como casamentos e festas de 15 anos; a empresa possui sede em Itajaí, mas atende todo o Brasil

“Antes da quarentena, atendíamos com hora marcada todos os dias, de forma presencial 3 atendimentos por dia, por vídeo ou chamada WhatsApp mais de 10 clientes por dia. Costumávamos realizar casamentos e festas de 15 anos todos os finais de semana. Nossa empresa tem demanda para realizar até dois eventos por dia. O Coronavírus impactou muito no mercado de eventos, pois nosso trabalho envolve pessoas e sempre em aglomeração. Tivemos uma procura grande por parte de nossos clientes sobre como proceder. Todos os eventos de março e abril foram transferidos para meses a frente, e os de maio e junho também estão nos procurando. Tentamos auxiliar nossos clientes da melhor forma possível mediante troca de e-mails e telefonemas visto que estamos em isolamento social. Os casamentos na maioria estão sendo transferidos para outubro, novembro e dezembro deste ano. Como ainda não sabemos os próximos passos do Ministério da Saúde, e por quanto tempo ainda será necessário cuidados maiores, estamos orientando os clientes a ficarem bem informados e alertas a possibilidades de transição. Sentimos muito cada evento transferido porque acompanhamos cada etapa desde o início, projetamos e idealizamos junto com os clientes, mas temos a certeza que o evento de cada um terá o mesmo amor, dedicação e intensidade merecida no seu devido momento! Agora é importante respeitarmos o pedido de isolamento social, para que junto possamos vencer o Coronavírus”.


* Doces e bolos

Fernanda Rodrigues é confeiteira, e faz doces, bolos e salgados para casamentos e aniversários

“Antes desta pandemia, nossa rotina era muito dinâmica, além de muitos orçamentos solicitados diariamente, tínhamos uma produção de bolos e doces considerável para uma pequena empresa como a nossa, tinha dias que mal conseguia responder as mensagens do WhatsApp, pois estávamos constantemente envolvidos na produção, criação e entrega dos produtos, compra de insumos, cuidando do nosso estoque. Tínhamos a média de três casamentos grandes por mês, mais aniversários toda semana e alguns pedidos emergenciais. A notícia do isolamento social por conta do Coronavírus foi de grande impacto para nós, muitos clientes entenderam e até se colocaram em nosso lugar, porém uma pequena parcela não tem o mesmo entendimento, pois casamento é um momento muito esperado e organizado muitas vezes com dois ou três anos de antecedência. Uma das minhas preocupações são as feiras de casamento programadas para 2020, como será o impacto, pois é o momento em que nós mais trabalhamos para levar o melhor para os noivos. Em uma feira vendemos para o ano inteiro atual e o ano próximo. Nosso último casamento foi 14 de março, os eventos após esta data foram todos adiados, graças a Deus não foram cancelados, pois todos são casamentos com mais de 100 convidados. Isso envolve muitas pessoas, nós fornecedores, mais os noivos que são nossos clientes diretos, os convidados, etc. Porém, os aniversários todos cancelados, infelizmente. Nós pequenas empresas iremos sofrer muito com tudo o que está acontecendo, pois é difícil manter grande estoque de insumo, guardar tudo isso exige uma grande estrutura, manter funcionários sem ter uma entrada financeira semanal como tínhamos. É muito complicado manter uma reserva para emergências de três meses ou até mais. Mas estamos esperançosos que quando tudo isso acabar, cada sonho idealizado por nossos clientes possam ser comemorados com mais vigor, e que todos nós tenhamos mais motivos ainda para comemorar e agradecer a Deus”.


* Decoração

Gabriel Levy é sócio de Marcelo Felipe Afonso, juntos eles comandam a Flores de Levy – Concept Florist

“Antes de tudo isso iniciar, a rotina na decoração nos levava a lugares e a pessoas diferentes toda semana. São acompanhamentos detalhados seja na elaboração de orçamentos ou decorando mesmo, a vida tinha um ritmo mais acelerado onde sempre havia reuniões ou planejamentos a serem detalhados com os clientes. Nossa demanda com relação a eventos na região é alta, o número varia de acordo com o mês e a estação, mas sempre tem. A procura por decorações é algo que vai de suntuosos eventos, até mesmo aos mais intimistas, pois quando se trata de sonhos, a grande maioria busca deixar esse momento único, com beleza e flores. Nossos clientes são a maioria noivos, que sonham tanto com esse momento tão especial de suas vidas e estão tendo apenas como solução o adiamento da data e proceder com isso exige bastante conversa e análise em agenda para ver se as datas vão se encaixar, para que continue tudo sendo perfeito como o planejado. Como a procura de eventos no primeiro semestre é elevada por conta da estação e clima que a região oferece, os casamentos foram remarcados para o segundo semestre. Nós. por uma maior segurança, junto dos noivos, estamos optando por remarcar os casamentos para os meses de agosto a dezembro, na esperança de que tudo esteja melhor. Apesar de toda a tensão que o mundo vem vivendo, procuramos levar a positividade para tudo, pois transmitir confiança e fé se torna força para enfrentarmos essas situações que apareceram. Somos gratos aos nossos clientes, pois é a compreensão e carinho deles que deixa tudo mais leve para continuarmos projetando e realizando sonhos tão especiais”.


* Filmagem e fotografia

Paulo Vieira é filmmaker, especializado em filmagem de eventos sociais, incluindo casamentos e pré-weddings –

“Antes de tudo isso começar recebíamos em média três ou quatro pedidos de orçamento por semana. Fazíamos uma média de 4 ou 5 casamentos por mês. Havia muita demanda sim, todos os colegas sempre tinham eventos. Até agora já foram 17 eventos, entre casamentos e aniversários, adiados. A notícia dos adiamentos por conta do vírus pegou muita gente de surpresa, mas apesar de ser um momento muito planejado e aguardado pelo casal, a maioria foi muito compreensiva e com certeza priorizaram a segurança e saúde dos familiares e amigos, adiando os eventos. Estamos recebendo muitas mensagens de noivas ainda sobre os adiamentos e as novas datas, pois tem que conciliar muitos profissionais que estão envolvidos. A maioria está deixando para o ano que vem. O importante nesse momento é respeitar as restrições e confiar que tudo ficará bem logo”.


* Cerimônia e festa

Restaurante Indaiá

Estaleiro Guest House

Uma das horas mais esperadas quando se fala de casamento é literalmente a cerimônia, seguida da festa. Há diversos locais em Balneário Camboriú e região que realizam casamentos, como o Restaurante Indaiá, o Estaleiro Guest House e o Grupo Maria’s. Todos eles estão adiando as datas e à disposição dos clientes.

Belvedere Beach Club

Ramila Kolv, executiva de vendas de eventos sociais do Grupo Maria’s (que envolve casas como o Maria’s de Itajaí e Camboriú e também o Belvedere Beach Club, que fica na Praia Brava)

“Antes da quarentena, recebíamos em média de três a oito pedidos de orçamentos diários, às vezes faltava tempo de responder a todos no mesmo dia. Costumamos realizar mais de um casamento por mês, até porque o Grupo tem mais de um espaço para a realização de eventos. Trabalhamos com a alta e baixa temporada, mas realizamos cerca de 40 casamentos/ano. A demanda na região é excelente, somos procurados por noivos de outros municípios e estados por termos uma ótima infraestrutura e um maravilhoso litoral. A notícia do Coronavírus foi um impacto muito grande exatamente por trabalharmos com eventos, pois envolvem muitas pessoas, então imediatamente a diretoria se preocupou e decidiram entrar em quarentena para a segurança de todos. As noivas que iriam casar nos meses de março e abril entraram em contato em estado de pânico por não poderem realizar o sonho que estava prestes a acontecer, pois geralmente começam a planejar o casamento no mínimo um ano antes. Para acalmá-las eu falava: “Confie nos seus fornecedores que tudo vai dar certo”, pois todos estão passando pela mesma situação. Apesar de estarmos em tempos difíceis estamos procedendo com mais remarcações do que adiamentos, e estamos mantendo os mesmos valores fechados em contratos. A maioria dos casamentos estão sendo remarcados para o segundo semestre e alguns para o primeiro de 2021. Isso está acontecendo de forma organizada, porque estão sendo muito bem orientadas por suas cerimoniais que sempre fazem um papel muito importante e agora muito mais com esse momento delicado”.



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Quinta, 2/4/2020 18:15.

Renata Rutes

A pandemia do Coronavírus afetou a rotina de famílias e empresas no mundo todo, causou o adiamento dos eventos mais importantes do mundo, como os Jogos Olímpicos e o Torneio de Wimbledon (ambos só acontecerão ano que vem), além dos conhecidos festivais Lollapalooza e Coachella, entre tantos outros. O coronavírus também interferiu e adiou casamentos e a reportagem procurou alguns casais que tiveram que adiar o ‘Dia do Sim’ até a situação normalizar. Também ouviu empresários que atuam no ramo, que dividem suas histórias e ansiedades para enfim vivenciarem o dia do ‘sim’.



Foto: Gabriel Maça-Maçafilmes.

“11 dias antes do grande dia tivemos que adiar”

Rafaela Nogueira Zacarias, 24 anos, internacionalista, é noiva de Diego Carmo da Silva, 27 anos, empresário, juntos há oito anos e noivos há um ano

“Sempre namoramos à distância, ele veio para Santa Catarina fazer faculdade e eu fiquei em Curitiba, nossa cidade natal. Já havíamos morado juntos durante um intercâmbio na Austrália em 2016/2017, mas nunca havíamos sonhado com um casamento tradicional. Em abril/2019, ele me pediu em casamento. Em outubro fizemos a união estável, mas por eu ser filha única, meu pai moveu montanhas para realizar uma cerimônia e festa de casamento. Em novembro, começamos a preparar. Somos ansiosos e resolvemos casar o mais breve possível, tínhamos em mente um restaurante em especial (o Indaiá, entre Itapema e BC) e eles tinham uma data no final de março (28). Tínhamos a missão de fazer um casamento acontecer em menos de 150 dias. Sou bem agilizada e organizada, contei também com a ajuda de minha mãe, que trabalha com eventos há muitos anos. Em poucas semanas conseguimos fechar doces, bolo, maquiagem, flores, cerimonial, fotógrafo... nós mesmos fizemos os convites e começamos a distribuir. Sou formada em Relações Internacionais e sempre estou atenta ao que acontece no mundo. Já estava acompanhando os avanços do Covid-19, mas até então não era uma preocupação no Brasil. Após o Carnaval, quando os primeiros casos começaram a aparecer, ficamos preocupados. Conversamos em família e com a nossa cerimonial sobre o que fazer. Entendemos que só poderíamos tomar uma decisão sem prejuízo financeiro se o município ou o governo estadual promovessem um decreto proibindo eventos. Aguardamos e no dia 17 de março, 11 dias antes do nosso grande dia, isso aconteceu. Tínhamos como prioridade encontrar uma nova data em que a maior parte dos nossos fornecedores estivessem disponíveis e conseguimos remarcar para novembro. Todos receberam com muita empatia nossa decisão, mas infelizmente não poderemos contar com a banda que havíamos contratado, eles não possuíam a nova data, e tive que abrir mão do meu vestido, pois era primeiro aluguel e a loja não pode alugar apenas em novembro. Apesar disso, nos devolveram 80% do valor que havíamos pagado. Foi muito triste passar pelo dia 28, todas as circunstâncias que nos levaram ao adiamento. Fizemos um vídeo comunicando os convidados, a maior parte não é de Santa Catarina, então cancelaram hotel, transporte, trajes, mas foram super receptivos e estão animados para a nova data. Abrimos mão de diversas seguranças em função do casamento. Eu ainda vivia e trabalhava em Curitiba, me mudei para Navegantes, onde meu noivo possui empresa, e estava aguardando o casamento para me recolocar no mercado de trabalho. Tínhamos planos para o resto do ano e tivemos que rever tudo. Meu conselho para quem ainda vai passar por todo esse processo é: confie em seus fornecedores, seja totalmente sincero e transparente com eles. Além disso, tenha em seu parceiro seu maior aliado”.


“Queremos celebrar fora desse caos”

Maria Eduarda Simas Zucki, 25 anos, arquiteta, é noiva do também arquiteto Giovanni Annes Bellincanta, 30 anos, estão juntos há cinco anos e noivos há dois

“Nos conhecemos enquanto estávamos estudando Arquitetura. Um casal de amigos nossos em comum nos apresentou, não namoramos no início, mas como ambos estudávamos a mesma coisa nos aproximamos e surgiu o interesse, e então começamos a namorar. Namoramos três anos, e no aniversário de namoro fomos para Urubici, onde ele me surpreendeu e me pediu em casamento. Foi muito especial esse momento. Desde que noivamos, há dois anos, comecei a pesquisar, mas começamos a organizar mesmo há um ano. Escolhemos o local, na Praia do Rosa, em um hotel de frente para a praia. Estava tudo resolvido, todos os fornecedores encaminhados. Já estávamos acompanhando o cenário do Coronavírus na Europa e na Ásia, e quando chegou no Brasil discutimos com a nossa cerimonialista a hipótese de adiar já prevendo que a situação poderia se agravar. Ficamos numa ‘sinuca de bico’, entre querer realizar esse sonho na data prevista, que era 16 de maio, porque estava perto, a gente está ansioso, mas por outro lado queríamos proteger nossos convidados porque não queremos que seja um momento ruim. É para ser uma data feliz, e queremos celebrar fora desse caos. Vamos casar em julho e esperamos que até lá já esteja tudo mais encaminhado. Tivemos muita sorte em remanejar, todos os fornecedores tinham a nova data que escolhemos. O mais difícil foi o lugar, porque todos os casamentos que aconteceriam lá entre março e maio tiveram que ser adiados e muitas noivas já estavam remarcando. A princípio só tinha data para ano que vem, mas houve uma desistência e conseguimos essa data de julho. A ansiedade já estava gigantesca, eu não ia aguentar até ano que vem (risos), mas agora está mais tranquilo. Os convidados vão se hospedar no hotel onde será a cerimônia, todos já foram remanejados e agradeceram por termos adiado. Vale destacar que o mercado de casamentos está bem disponível para essa situação, receptivos e entendendo a necessidade de remarcar. Inicialmente me preocupei, mas todos aceitaram, se propuseram a ajudar, conseguimos nos alinhar e fluiu tudo da melhor forma”.


“Adiar era a melhor e única decisão”

Gleice Maria de Souza, 21 anos, editora de conteúdo é noiva de Italo Buono Gonçales, 25 anos, programador, estão juntos há dois anos e meio e noivos há quase um

“Nós nos conhecemos em Bananal, uma cidade do interior de São Paulo. A cidade é pequena, mas o Italo nunca tinha me visto por lá, e ficou curioso para me conhecer. Foi amor à primeira vista. Depois de alguns meses sem nos vermos, eu achei ele nas redes sociais e marcamos de nos conhecer. Quando ele foi para Bananal me encontrar, começou de verdade a nossa história. Com um ano e meio de namoro, nos mudamos para Santa Catarina, e então o Italo começou a planejar o pedido de casamento. Dia 11 de maio de 2019, ele disse que queria testar o drone que tinha comprado, e fomos até umas pedras na Praia de Ilhota, em Itapema, às 6h, pois o sol estava nascendo. Quando preparou tudo para fazer umas fotos, ele colocou o drone para filmar e pediu minha mão em casamento, naquela vista linda. Estávamos planejando tudo há quase um ano e o casamento seria dia 25 de abril. Tudo já estava resolvido, os convidados estavam começando a confirmar a presença. Quando começou os casos de Coronavírus no país, começamos a ficar apreensivos. A decisão veio quando nossa cerimonialista Vanessa conversou com a gente. Eu e Italo vimos que era a melhor e única decisão a ser tomada. Todos os convidados entenderam e nos apoiaram. Já temos uma nova data e juntos com a cerimonial estamos conversando com os fornecedores. Já conseguimos resolver uma boa parte e tem sido tranquilo, todos entendem a situação. Faltava um mês para o casamento quando tivemos que adiar... embora tenhamos ficado chateados, agora estamos tranquilos e esperando ansiosamente a nova data. Para uma festa de casamento acontecer, acho muito importante ter uma boa cerimonial que oriente os noivos. Ter a Vanessa nos tranquilizou bastante. É muita coisa para resolver. Muitos fornecedores e contratos”.


“Vai ser ainda mais especial”

Isadora Battirola Rigon, 23, empresária, é noiva do também empresário Lucas Vettorello, 32 anos e estão juntos há três anos, sendo dois como noivos

“Nos conhecemos literalmente na entrada de uma balada em Balneário Camboriú! Foi praticamente amor à primeira vista (risos). Desde esse momento nos falamos todos os dias e logo começamos a namorar. Noivamos depois de 2 anos em uma viagem para Itália, em Capri, em uma gruta linda. Foi uma surpresa incrível. Logo que voltamos da viagem já começamos a programar o casamento, um ano e meio antes, seria dia 11 de abril, no feriado de Páscoa. Escolhemos essa data pelos convidados serem de fora e para termos mais dias de festa com todos reunidos. Já estava tudo 100% pronto. Final de dezembro já estávamos acompanhando as notícias, mas nem pensávamos que o Coronavírus poderia chegar no Brasil dessa maneira e afetar nosso casamento! Quando começou a se falar de quarentena eu entrei em pânico, casamentos começaram a ser cancelados e até então eu estava irredutível, mas no dia em que o governador de SC decretou a quarentena, adiamos a data. Tive receio por já termos tudo pago e o medo de encontrar uma data e conseguirmos unir todos os 25 fornecedores, mas conseguimos reagendar ainda para este ano. Minha cerimonial, a Elis da Flor de Lis, conseguiu resolver tudo em um dia e deu tudo certo! Todos os fornecedores estavam passando por isso e estavam fazendo o melhor, foram super profissionais e atenciosos. Os convidados sentiram a mesma coisa que nós no primeiro momento, tristeza, mas no fim todo mundo entendeu que era o melhor a se fazer. Mesmo se pudesse realizar o casamento, não teria clima, e agora vai ser ainda mais especial. Além do amor teremos um novo motivo para comemorar: a vida! Minha dica para as noivas que ainda não sabem se vão poder realizar o casamento é: mantenham a calma e tenham muita paciência! No fim tudo vai se resolver. A gente sabe que é muito ruim planejar um sonho e ter que adiar, mas às vezes essa é a melhor escolha a se fazer”.


“Vai ser ainda mais emocionante”

A empresária e arquiteta Luiza Vegini, 27 anos, é casada no civil com o empresário albanês Egli Hysenllari, 30 anos; eles fariam a cerimônia religiosa e a festa no fim de abril, na Itália, onde residem

“Nos conhecemos em setembro de 2015, logo depois que eu cheguei na Itália para fazer um mestrado de Design de Interiores Imobiliário. Ele é albanês, mas já mora na Itália há 12 anos. Começamos a namorar em 2016 e o pedido de casamento foi em setembro de 2018, três anos depois de termos nos conhecido. Começamos a planejar o casamento para 30 de abril de 2020 e tivemos que adiar por conta do vírus. Não imaginávamos que ia chegar nessa situação, acreditávamos que seria resolvido rapidamente e que não teria problema para os nossos 100 convidados do Brasil virem para a Itália. Eles já estavam com passagens compradas, roteiro de viagem preparado, e por consideração a eles a gente resistiu até o último segundo, mas chegou a um ponto em que não tínhamos mais escolha. As pessoas não teriam como vir nem se quisessem. Os convidados compreenderam a nossa escolha. Eu trabalho com organização de casamentos e tive que remarcar oito eventos desse primeiro semestre e muitos foram para setembro, que é um mês muito bom na Itália para casamentos. Já era um mês que eu tinha muito trabalho, e isso acabou sendo duplicado por conta das alterações. Optamos por casar no dia 8 de outubro, que também é a data de casamento dos meus pais e dos meus bisavós, então tem algo especial por trás. Acreditamos que até lá a situação já estará normalizada. Com os fornecedores também tivemos facilidade, mantivemos o casamento numa quinta-feira (assim como a data original) e todos estavam disponíveis. Cerimônias que não sejam em fim de semana facilitam, é um conselho que dou para as noivas que estão remarcando. Os meus convidados estão remarcando as passagens, mas as companhias aéreas estão priorizando os voos mais próximos, mas acreditamos que todos vão conseguir resolver sem problemas. A gente já casou no civil em novembro do ano passado, a festa é muito importante, a cerimônia religiosa também, mas já nos consideramos casados. Estamos tranquilos, estamos fazendo as nossas roupas sob medida, vamos conseguir curtir isso com calma, sem aquela pressa e ansiedade. Sabemos que agora temos tempo de sobra. Vai ser ainda mais emocionante, esperar um pouquinho vai fazer desse momento ainda mais especial”.


“Teremos mais um ano para organizar uma festa ainda melhor”

A arquiteta Camila Teles, 30 anos, é noiva do advogado Leonardo Maresch, 30 anos; o casal se conhece desde 2006, mas começaram a se relacionar somente em 2009, estando noivos desde 2017

“A gente se conhece desde 2006, estudamos juntos no 3º ano do Ensino Médio, mas não tínhamos contato. Três anos depois, já cursando a faculdade, nos encontramos em uma festa em Balneário, no dia 1º de maio de 2009. Ali a gente começou a ficar e engatamos um namoro. Em 2012 ele se formou em Direito e em 2013 ele resolveu ir morar em Joaçaba, onde o pai dele morava, e eles iam trabalhar juntos. Ficamos namorando à distância, em 2015 acabamos dando um tempo por conta da distância. Ficamos uns cinco meses separados, e em 2016 eu decidi vir morar em Joaçaba também. Já estávamos juntos há sete anos e já havia passado a hora do pedido de casamento (risos), eu ficava esperando... em 2017 minha irmã estava morando em Portugal, fazendo Mestrado e eu ele resolvemos fazer um mochilão pela Europa, e no final da viagem, em uma festa em Coimbra, aconteceu o pedido. Coimbra é uma cidade bem pequena e quando voltei lá, um ano depois, as pessoas me reconheceram e lembravam do acontecido (risos). Quando voltamos fizemos um jantar para as nossas famílias e havíamos decidido que casaríamos em 1º de maio de 2020 (é a data que o casal comemora o início do relacionamento e fazem 11 anos juntos). Já morávamos juntos, não tínhamos pressa. Meu vestido de noiva eu fechei há um ano, e as meninas do ateliê ainda brincaram ‘só não vai engravidar, né?’ (risos), deu um mês eu engravidei. Como o bebê teria três meses, decidimos manter os planos. Fomos organizando, nosso bebê, o Theo, nasceu em janeiro/2020. Minha irmã foi novamente para Portugal, e ela disse que lá a situação estava complicada, mas o vírus ainda não havia chegado no Brasil. Há três semanas começamos a conversar com nossa cerimonial sobre adiar. Eu sou muito ligada em datas e queria casar no nosso dia 1º de maio, já havíamos gravado as alianças, havíamos escolhido a dedo os nossos fornecedores, esperamos tanto por isso e queríamos fazer o melhor para nós, nossas famílias e convidados, inclusive alguns viriam de outros países e os voos já haviam sido cancelados. Resolvemos adiar por um ano, a nossa nova data é 1º de maio de 2021. Fiquei tranquila, porque é a data que eu queria, e os nossos convidados entenderam e apoiaram a decisão. Só estamos vendo o lado positivo, nossos amigos, famílias e fornecedores estarão seguros. O Theo também conseguirá curtir um pouquinho mais a festa, será mais tranquilo. Teremos mais um ano para organizar uma festa ainda melhor”.


“Adiar o casamento nunca é uma decisão fácil”

A empresária Renata Kauling, 40 anos, é noiva do programador José Augusto Zimmermann de Negreiros, 40 anos, com quem está junto há três anos

“Nossa ideia era casar na data em que faríamos três anos de namoro. Ele me pediu em casamento em dezembro/2019, na volta de uma viagem para os EUA em que ficamos quase 20 dias sem nos vermos. Assim que iniciou 2020, começamos a ver as coisas para o grande dia: fornecedores, lista de convidados. Seria no início de junho, então tínhamos pouco tempo. Adiar o casamento nunca é uma decisão fácil. A notícia do Corona chegou no momento em que estávamos nos organizando para enviar os convites. Pensamos que seria péssimo em meio a esse caos e também porque não sabemos quanto tempo vai durar. Ainda não temos uma nova data, queríamos muito casar ainda esse ano, mas vamos depender de conciliar a agenda de todos os fornecedores que já contratamos para reagendar e eu acredito que o segundo semestre será uma época difícil devido a tantos cancelamentos. Nossos fornecedores foram super compreensivos, com exceção do local. Havíamos fechado há duas semanas, fizemos o pagamento da primeira parcela via transferência bancária antes mesmo de assinar o contrato, mas acabamos optando por este local por falta de opção pela proximidade da data do nosso casamento. Diante disso decidimos cancelar e não foi bem aceito. Precisou haver discussão sobre direitos para que entendessem. Vamos aguardar passar a quarentena para recebermos o dinheiro de volta. Todos os outros foram apenas adiados, a nova data ficou em aberto e os pagamentos permanecem conforme já havíamos contratado. Como não chegamos a enviar os convites, precisaremos avisar os mais próximos que já estavam sabendo. É frustrante, né? Toda a correria, ansiedade, a alegria a medida que cada coisa ia dando certo pra agora não saber nem quando conseguiremos realizar nosso sonho. É um verdadeiro balde de água fria. Chegamos a pensar se não estaríamos nos antecipando, muita gente falava que até o início de maio tudo se normalizaria, mas achamos que é muito complicado que tudo se normalize em tão pouco tempo. Também vemos que seria um momento muito inoportuno para enviar convites para uma festa desse porte. Estamos na torcida para que as pessoas se conscientizem, fiquem em casa, façam a sua parte para que isso realmente passe o mais depressa possível. E aí sim recomeçaremos a planejar nosso casamento, porque em meio a isso tudo não tem nem clima. Não consigo nem pensar num momento tão feliz em meio a tanta tristeza por tudo que esse vírus significa”.


O cenário dos que ajudam a realizar o sonho dos noivos


* Cerimônias religiosas

O Página 3 entrou em contato com as igrejas São Sebastião e Santa Inês. Em ambas havia cerca de três casamentos marcados para estes meses, que foram suspensos pelos próprios noivos. Ainda não foram definidas novas datas.


* Casamento civil

O casamento civil também está suspenso neste momento em Santa Catarina (até 30 de abril). Os cartórios estão reorganizando a agenda de celebrações. No momento, os os trabalhos acontecem somente em regime de plantão atendendo casos urgentes e registros de nascimentos e óbitos.


* Aluguel de trajes

As lojas Cinderela Noivas e Maison Mikus

Uma das principais preocupações dos noivos é o aluguel dos trajes. Todas as lojas da região especializadas nesse segmento estão fechadas, como a Cinderela Noivas, ateliê que fica em Itajaí. A loja informa que quem já locou seu traje e terá que trocar de data pode informar por WhatsApp ((47) 99117-2733), assim como a loja Maison Mikus (que fica na Avenida do Estado, onde funcionava a antiga Noivas e Festas), de Balneário, que também está fechada por tempo indeterminado, mas seguem com atendimento via WhatsApp ((47) 99681-0303), por onde os clientes que precisam adiar ou cancelar seus trajes também podem entrar em contato.


* Cerimonial

Vanessa (centro) da Santa Cerimonial

Vanessa Rocha Fernandes é assessora e cerimonialista, responsável pela Santa Cerimonial, que atua há mais de seis anos no segmento de organização de eventos, como casamentos e festas de 15 anos; a empresa possui sede em Itajaí, mas atende todo o Brasil

“Antes da quarentena, atendíamos com hora marcada todos os dias, de forma presencial 3 atendimentos por dia, por vídeo ou chamada WhatsApp mais de 10 clientes por dia. Costumávamos realizar casamentos e festas de 15 anos todos os finais de semana. Nossa empresa tem demanda para realizar até dois eventos por dia. O Coronavírus impactou muito no mercado de eventos, pois nosso trabalho envolve pessoas e sempre em aglomeração. Tivemos uma procura grande por parte de nossos clientes sobre como proceder. Todos os eventos de março e abril foram transferidos para meses a frente, e os de maio e junho também estão nos procurando. Tentamos auxiliar nossos clientes da melhor forma possível mediante troca de e-mails e telefonemas visto que estamos em isolamento social. Os casamentos na maioria estão sendo transferidos para outubro, novembro e dezembro deste ano. Como ainda não sabemos os próximos passos do Ministério da Saúde, e por quanto tempo ainda será necessário cuidados maiores, estamos orientando os clientes a ficarem bem informados e alertas a possibilidades de transição. Sentimos muito cada evento transferido porque acompanhamos cada etapa desde o início, projetamos e idealizamos junto com os clientes, mas temos a certeza que o evento de cada um terá o mesmo amor, dedicação e intensidade merecida no seu devido momento! Agora é importante respeitarmos o pedido de isolamento social, para que junto possamos vencer o Coronavírus”.


* Doces e bolos

Fernanda Rodrigues é confeiteira, e faz doces, bolos e salgados para casamentos e aniversários

“Antes desta pandemia, nossa rotina era muito dinâmica, além de muitos orçamentos solicitados diariamente, tínhamos uma produção de bolos e doces considerável para uma pequena empresa como a nossa, tinha dias que mal conseguia responder as mensagens do WhatsApp, pois estávamos constantemente envolvidos na produção, criação e entrega dos produtos, compra de insumos, cuidando do nosso estoque. Tínhamos a média de três casamentos grandes por mês, mais aniversários toda semana e alguns pedidos emergenciais. A notícia do isolamento social por conta do Coronavírus foi de grande impacto para nós, muitos clientes entenderam e até se colocaram em nosso lugar, porém uma pequena parcela não tem o mesmo entendimento, pois casamento é um momento muito esperado e organizado muitas vezes com dois ou três anos de antecedência. Uma das minhas preocupações são as feiras de casamento programadas para 2020, como será o impacto, pois é o momento em que nós mais trabalhamos para levar o melhor para os noivos. Em uma feira vendemos para o ano inteiro atual e o ano próximo. Nosso último casamento foi 14 de março, os eventos após esta data foram todos adiados, graças a Deus não foram cancelados, pois todos são casamentos com mais de 100 convidados. Isso envolve muitas pessoas, nós fornecedores, mais os noivos que são nossos clientes diretos, os convidados, etc. Porém, os aniversários todos cancelados, infelizmente. Nós pequenas empresas iremos sofrer muito com tudo o que está acontecendo, pois é difícil manter grande estoque de insumo, guardar tudo isso exige uma grande estrutura, manter funcionários sem ter uma entrada financeira semanal como tínhamos. É muito complicado manter uma reserva para emergências de três meses ou até mais. Mas estamos esperançosos que quando tudo isso acabar, cada sonho idealizado por nossos clientes possam ser comemorados com mais vigor, e que todos nós tenhamos mais motivos ainda para comemorar e agradecer a Deus”.


* Decoração

Gabriel Levy é sócio de Marcelo Felipe Afonso, juntos eles comandam a Flores de Levy – Concept Florist

“Antes de tudo isso iniciar, a rotina na decoração nos levava a lugares e a pessoas diferentes toda semana. São acompanhamentos detalhados seja na elaboração de orçamentos ou decorando mesmo, a vida tinha um ritmo mais acelerado onde sempre havia reuniões ou planejamentos a serem detalhados com os clientes. Nossa demanda com relação a eventos na região é alta, o número varia de acordo com o mês e a estação, mas sempre tem. A procura por decorações é algo que vai de suntuosos eventos, até mesmo aos mais intimistas, pois quando se trata de sonhos, a grande maioria busca deixar esse momento único, com beleza e flores. Nossos clientes são a maioria noivos, que sonham tanto com esse momento tão especial de suas vidas e estão tendo apenas como solução o adiamento da data e proceder com isso exige bastante conversa e análise em agenda para ver se as datas vão se encaixar, para que continue tudo sendo perfeito como o planejado. Como a procura de eventos no primeiro semestre é elevada por conta da estação e clima que a região oferece, os casamentos foram remarcados para o segundo semestre. Nós. por uma maior segurança, junto dos noivos, estamos optando por remarcar os casamentos para os meses de agosto a dezembro, na esperança de que tudo esteja melhor. Apesar de toda a tensão que o mundo vem vivendo, procuramos levar a positividade para tudo, pois transmitir confiança e fé se torna força para enfrentarmos essas situações que apareceram. Somos gratos aos nossos clientes, pois é a compreensão e carinho deles que deixa tudo mais leve para continuarmos projetando e realizando sonhos tão especiais”.


* Filmagem e fotografia

Paulo Vieira é filmmaker, especializado em filmagem de eventos sociais, incluindo casamentos e pré-weddings –

“Antes de tudo isso começar recebíamos em média três ou quatro pedidos de orçamento por semana. Fazíamos uma média de 4 ou 5 casamentos por mês. Havia muita demanda sim, todos os colegas sempre tinham eventos. Até agora já foram 17 eventos, entre casamentos e aniversários, adiados. A notícia dos adiamentos por conta do vírus pegou muita gente de surpresa, mas apesar de ser um momento muito planejado e aguardado pelo casal, a maioria foi muito compreensiva e com certeza priorizaram a segurança e saúde dos familiares e amigos, adiando os eventos. Estamos recebendo muitas mensagens de noivas ainda sobre os adiamentos e as novas datas, pois tem que conciliar muitos profissionais que estão envolvidos. A maioria está deixando para o ano que vem. O importante nesse momento é respeitar as restrições e confiar que tudo ficará bem logo”.


* Cerimônia e festa

Restaurante Indaiá

Estaleiro Guest House

Uma das horas mais esperadas quando se fala de casamento é literalmente a cerimônia, seguida da festa. Há diversos locais em Balneário Camboriú e região que realizam casamentos, como o Restaurante Indaiá, o Estaleiro Guest House e o Grupo Maria’s. Todos eles estão adiando as datas e à disposição dos clientes.

Belvedere Beach Club

Ramila Kolv, executiva de vendas de eventos sociais do Grupo Maria’s (que envolve casas como o Maria’s de Itajaí e Camboriú e também o Belvedere Beach Club, que fica na Praia Brava)

“Antes da quarentena, recebíamos em média de três a oito pedidos de orçamentos diários, às vezes faltava tempo de responder a todos no mesmo dia. Costumamos realizar mais de um casamento por mês, até porque o Grupo tem mais de um espaço para a realização de eventos. Trabalhamos com a alta e baixa temporada, mas realizamos cerca de 40 casamentos/ano. A demanda na região é excelente, somos procurados por noivos de outros municípios e estados por termos uma ótima infraestrutura e um maravilhoso litoral. A notícia do Coronavírus foi um impacto muito grande exatamente por trabalharmos com eventos, pois envolvem muitas pessoas, então imediatamente a diretoria se preocupou e decidiram entrar em quarentena para a segurança de todos. As noivas que iriam casar nos meses de março e abril entraram em contato em estado de pânico por não poderem realizar o sonho que estava prestes a acontecer, pois geralmente começam a planejar o casamento no mínimo um ano antes. Para acalmá-las eu falava: “Confie nos seus fornecedores que tudo vai dar certo”, pois todos estão passando pela mesma situação. Apesar de estarmos em tempos difíceis estamos procedendo com mais remarcações do que adiamentos, e estamos mantendo os mesmos valores fechados em contratos. A maioria dos casamentos estão sendo remarcados para o segundo semestre e alguns para o primeiro de 2021. Isso está acontecendo de forma organizada, porque estão sendo muito bem orientadas por suas cerimoniais que sempre fazem um papel muito importante e agora muito mais com esse momento delicado”.



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