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Especial cervejas artesanais: um mercado com sede de crescer

Terça, 15/3/2016 13:47.

Por Daniele dos Reis

O mercado das cervejas artesanais deixou de ser uma promessa e continua quebrando barreiras e conquistando apreciadores em todo o mundo. Santa Catarina não perdeu tempo e desponta com cervejarias, fomentando o turismo e com eventos nacionais como o Festival Brasileiro da Cerveja, que aconteceu na última semana, em Blumenau. Mas é no dia a dia do comércio especializado que os reflexos são mais visíveis na região, que já conta com opções para um público que tem sede por novidades.

Para o especialista na produção de cervejas, Victor Pacheco Zim (E), de Itajaí, um dos fatores para o sucesso das cervejas artesanais é o fim da "era do padronizado". "Queremos algo feito especialmente para nosso paladar e a cerveja artesanal faz parte desta mudança de comportamento", destaca.

Mas isso é relativamente uma novidade, já que segundo Victor, há poucos anos era impensável encontrar cervejas artesanais em bares e restaurantes com a frequência que encontramos hoje na região.

Novas marcas surgem a cada ano e as já estabelecidas estão em disparada com a qualificação das cervejarias mais antigas. "Toda essa expansão do mercado trouxe novas ideias e oportunidades comerciais, hoje temos diversos bares e empórios especializados na venda de cervejas artesanais, um deleite para o público que chega sedento por conhecimento, novos sabores e aromas", ressalta.

Cerveja e sustentabilidade

Com um setor em ebulição, Santa Catarina desponta no país com a abertura e consolidação das microcervejarias. Entre as que se preparam para abrir as portas ainda este ano está a Cervejaria Loop, que está sendo instalada em um sítio em Antônio Carlos, cerca de 35km do centro da capital. A Loop deve chegar ao mercado com três tipos de chopes da linha americana: American Blond Ale, American India Pale Ale (IPA) e American Brown Ale. Mas além da bebida, a fábrica se diferencia pelo apelo sustentável.

A parceria é de Guilherme Ferreira e Átila Reis (da empresa de consultoria ambiental - Encaminhe Certo) e vai trazer uma fábrica projetada na consciência ambiental, com aquecimento solar da água da produção e chuveiros, reciclagem de todo material, destinação para compostagem, tratamento de efluente líquido eficiente e reaproveitamento do gás carbônico gerado pela fermentação.

Conforme Guilherme, o diretor da Loop, a construção do prédio também foi realizada pensando no melhor uso de recursos, do solo, layout ergonômico, conforto térmico, iluminação natural, acessibilidade, telhado verde, uso de containers como forma alternativa de construção.

"Um grande destaque será o tratamento de efluente . O sistema será dividido em três etapas, sendo a primeira um sistema de fossa e filtro tradicional, o segundo utilizando um reator biológico a base de minhocas que digerem a matéria orgânica e o último utilizando plantas em um sistema chamado wetland", detalha.

Os parceiros estudam agora implementar painéis fotovoltaicos para geração de energia em toda a cobertura do telhado.

"A história começou em 2007 quando comecei a fazer cerveja caseira na panela. Nessa época já havia passado para o curso de Engenharia Química na UFSC e aguardava o segundo semestre para iniciar as aulas. Tinha acabado de fazer 18 anos e não tinha muitas opções de cervejas artesanais e importadas como temos hoje. Outro motivador foi a questão financeira, no início achei que fazendo minha própria cerveja iria economizar muito, não tendo que comprar mais cervejas importadas (depois descobri que pelo contrário, acabei gastando tudo que ganhava com equipamentos, insumos e mais cervejas artesanais para comprar com as minhas produções). Com pouco tempo de produção caseira já sonhava com minha própria fábrica, poder implementar minhas próprias ideias e levar minhas cervejas para o público. Quando a hora finalmente chegou e tive que começar a planejar como seria essa fábrica, a questão sustentável veio naturalmente", conta Guilherme, que foi criado com hábitos conscientes incentivados pelos pais, que são biólogos.

Ele revela que no início a fábrica não tinha esse perfil socioambiental, a proposta era apenas fabricar cerveja.

"Conforme as coisas foram amadurecendo, percebi que grande parte do projeto já tinha um cunho socioambiental e decidi focar um pouco mais nesse quesito. Ainda estamos trabalhando esse aspecto, acredito que esse assunto não possui uma forma fixa, mas que está sempre em evolução", comenta.

A Loop deve começar a operar a partir de setembro e fazer a inauguração no final do ano.

Os prazeres e desafios da cerveja caseira

Ingressar no mundo da produção de cervejas exige investimento financeiro e de conhecimento, porém uma forma de incentivo pode ser começar com a cerveja caseira. O especialista em produção de cervejas, Victor Zim explica que hoje existem kits bem didáticos no mercado a partir de R$ 250 para produzir até 15 litros por vez.

"A maioria das cervejarias profissionais que hoje alimentam nosso mercado com cervejas premiadas pelo mundo começou em reuniões de amigos e sócios que produziam cerveja caseira em áreas de serviço, sacadas e garagens. É um belo incentivo aos que sonham em um dia ter a própria cervejaria", afirma Zim. Mas fique atento à lei. Diferente da artesanal, a caseira não pode ser comercializada.

Lupinos

O gosto pelas cervejas artesanais levou um grupo de quatro amigos de Balneário a partir para a produção caseira e criar a Lupinos. João Davi Stuker, Felippe Busato, Samuel Clezar e Guilherme Battistella perceberam que os churrascos e happy hours estavam ficando caros demais por causa dos altos preços das garrafas das artesanais e resolveram produzir a própria bebida.

"Queríamos chegar a algo parecido com o estavamos bebendo nos empórios de cervejas especiais. Além do mais, se você faz a sua própria cerveja você sabe exatamente o que estará tomando", destaca João Davi.

Eles fizeram um curso básico para assimilar os processos de cada fase de produção, leram livros e publicações especializadas, além de participarem de fóruns sobre o tema. "Diria que para iniciar o melhor é ler um livro que se chama "How To Brew" do autor John Palmer, que é considerado por muitos a "bíblia" para produção de cerveja artesanal. Esse livro ensina todo o básico do processo. O livro foi publicado já há algum tempo, hoje em dia existem outros métodos mais aceitos, por isso é necessário se manter sempre atualizado", aconselha.

Segundo João, equipamentos e insumos são mais fáceis de conseguir atualmente. O tempo de produção leva em torno de três semanas, da brassagem até a cerveja pronta para o consumo, mas ele afirma que vale a pena. "Cada cerveja é um projeto divertido e uma jornada cervejeira intrigante", conclui.

A reportagem especial completa com matérias sobre os bares e empórios locais, cervejarias da região e eventos que levantam a bandeira da cerveja artesanal, você lê com exclusividade no Página 3 impresso, que está nas bancas. Ou clique aqui para assinar digital.

 

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Especial cervejas artesanais: um mercado com sede de crescer

Terça, 15/3/2016 13:47.

Por Daniele dos Reis

O mercado das cervejas artesanais deixou de ser uma promessa e continua quebrando barreiras e conquistando apreciadores em todo o mundo. Santa Catarina não perdeu tempo e desponta com cervejarias, fomentando o turismo e com eventos nacionais como o Festival Brasileiro da Cerveja, que aconteceu na última semana, em Blumenau. Mas é no dia a dia do comércio especializado que os reflexos são mais visíveis na região, que já conta com opções para um público que tem sede por novidades.

Para o especialista na produção de cervejas, Victor Pacheco Zim (E), de Itajaí, um dos fatores para o sucesso das cervejas artesanais é o fim da "era do padronizado". "Queremos algo feito especialmente para nosso paladar e a cerveja artesanal faz parte desta mudança de comportamento", destaca.

Mas isso é relativamente uma novidade, já que segundo Victor, há poucos anos era impensável encontrar cervejas artesanais em bares e restaurantes com a frequência que encontramos hoje na região.

Novas marcas surgem a cada ano e as já estabelecidas estão em disparada com a qualificação das cervejarias mais antigas. "Toda essa expansão do mercado trouxe novas ideias e oportunidades comerciais, hoje temos diversos bares e empórios especializados na venda de cervejas artesanais, um deleite para o público que chega sedento por conhecimento, novos sabores e aromas", ressalta.

Cerveja e sustentabilidade

Com um setor em ebulição, Santa Catarina desponta no país com a abertura e consolidação das microcervejarias. Entre as que se preparam para abrir as portas ainda este ano está a Cervejaria Loop, que está sendo instalada em um sítio em Antônio Carlos, cerca de 35km do centro da capital. A Loop deve chegar ao mercado com três tipos de chopes da linha americana: American Blond Ale, American India Pale Ale (IPA) e American Brown Ale. Mas além da bebida, a fábrica se diferencia pelo apelo sustentável.

A parceria é de Guilherme Ferreira e Átila Reis (da empresa de consultoria ambiental - Encaminhe Certo) e vai trazer uma fábrica projetada na consciência ambiental, com aquecimento solar da água da produção e chuveiros, reciclagem de todo material, destinação para compostagem, tratamento de efluente líquido eficiente e reaproveitamento do gás carbônico gerado pela fermentação.

Conforme Guilherme, o diretor da Loop, a construção do prédio também foi realizada pensando no melhor uso de recursos, do solo, layout ergonômico, conforto térmico, iluminação natural, acessibilidade, telhado verde, uso de containers como forma alternativa de construção.

"Um grande destaque será o tratamento de efluente . O sistema será dividido em três etapas, sendo a primeira um sistema de fossa e filtro tradicional, o segundo utilizando um reator biológico a base de minhocas que digerem a matéria orgânica e o último utilizando plantas em um sistema chamado wetland", detalha.

Os parceiros estudam agora implementar painéis fotovoltaicos para geração de energia em toda a cobertura do telhado.

"A história começou em 2007 quando comecei a fazer cerveja caseira na panela. Nessa época já havia passado para o curso de Engenharia Química na UFSC e aguardava o segundo semestre para iniciar as aulas. Tinha acabado de fazer 18 anos e não tinha muitas opções de cervejas artesanais e importadas como temos hoje. Outro motivador foi a questão financeira, no início achei que fazendo minha própria cerveja iria economizar muito, não tendo que comprar mais cervejas importadas (depois descobri que pelo contrário, acabei gastando tudo que ganhava com equipamentos, insumos e mais cervejas artesanais para comprar com as minhas produções). Com pouco tempo de produção caseira já sonhava com minha própria fábrica, poder implementar minhas próprias ideias e levar minhas cervejas para o público. Quando a hora finalmente chegou e tive que começar a planejar como seria essa fábrica, a questão sustentável veio naturalmente", conta Guilherme, que foi criado com hábitos conscientes incentivados pelos pais, que são biólogos.

Ele revela que no início a fábrica não tinha esse perfil socioambiental, a proposta era apenas fabricar cerveja.

"Conforme as coisas foram amadurecendo, percebi que grande parte do projeto já tinha um cunho socioambiental e decidi focar um pouco mais nesse quesito. Ainda estamos trabalhando esse aspecto, acredito que esse assunto não possui uma forma fixa, mas que está sempre em evolução", comenta.

A Loop deve começar a operar a partir de setembro e fazer a inauguração no final do ano.

Os prazeres e desafios da cerveja caseira

Ingressar no mundo da produção de cervejas exige investimento financeiro e de conhecimento, porém uma forma de incentivo pode ser começar com a cerveja caseira. O especialista em produção de cervejas, Victor Zim explica que hoje existem kits bem didáticos no mercado a partir de R$ 250 para produzir até 15 litros por vez.

"A maioria das cervejarias profissionais que hoje alimentam nosso mercado com cervejas premiadas pelo mundo começou em reuniões de amigos e sócios que produziam cerveja caseira em áreas de serviço, sacadas e garagens. É um belo incentivo aos que sonham em um dia ter a própria cervejaria", afirma Zim. Mas fique atento à lei. Diferente da artesanal, a caseira não pode ser comercializada.

Lupinos

O gosto pelas cervejas artesanais levou um grupo de quatro amigos de Balneário a partir para a produção caseira e criar a Lupinos. João Davi Stuker, Felippe Busato, Samuel Clezar e Guilherme Battistella perceberam que os churrascos e happy hours estavam ficando caros demais por causa dos altos preços das garrafas das artesanais e resolveram produzir a própria bebida.

"Queríamos chegar a algo parecido com o estavamos bebendo nos empórios de cervejas especiais. Além do mais, se você faz a sua própria cerveja você sabe exatamente o que estará tomando", destaca João Davi.

Eles fizeram um curso básico para assimilar os processos de cada fase de produção, leram livros e publicações especializadas, além de participarem de fóruns sobre o tema. "Diria que para iniciar o melhor é ler um livro que se chama "How To Brew" do autor John Palmer, que é considerado por muitos a "bíblia" para produção de cerveja artesanal. Esse livro ensina todo o básico do processo. O livro foi publicado já há algum tempo, hoje em dia existem outros métodos mais aceitos, por isso é necessário se manter sempre atualizado", aconselha.

Segundo João, equipamentos e insumos são mais fáceis de conseguir atualmente. O tempo de produção leva em torno de três semanas, da brassagem até a cerveja pronta para o consumo, mas ele afirma que vale a pena. "Cada cerveja é um projeto divertido e uma jornada cervejeira intrigante", conclui.

A reportagem especial completa com matérias sobre os bares e empórios locais, cervejarias da região e eventos que levantam a bandeira da cerveja artesanal, você lê com exclusividade no Página 3 impresso, que está nas bancas. Ou clique aqui para assinar digital.

 

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