Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Vereador Marcelo Achutti sugere terceirização de consultas especializadas para acabar com a fila de espera

Sábado, 7/3/2020 11:21.

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O vereador Marcelo Achutti nesta semana fez um requerimento ao Executivo solicitando que a Secretaria de Saúde firme parcerias com médicos, para que seja promovido mutirão de consultas para algumas especialidades. A secretária de Saúde, Andressa Hadad, também comentou o assunto com o Página 3. Confira.

Achutti conversou com a reportagem do jornal e disse que é procurado constantemente pela comunidade, tanto pessoalmente quanto pelas redes sociais, sobre a longa fila de espera para consultas de especialidades. O vereador disse que teve acesso à dados da Secretaria de Saúde e ficou sabendo que há mais de 9.130 pacientes aguardando consulta – tirando aqueles que aguardam cirurgias, esse número é só de especialidades.

“Há 1.500 pessoas aguardando consulta de oftalmologista. Há casos de moradores da cidade que aguardam dois anos por uma consulta, não um procedimento ou cirurgia e sim uma consulta. Tem gente que aguarda cirurgia por mais de 10 anos. Esse número de 9.130 é um dado da Secretaria de Saúde, se estiver errado é erro deles, analisei segundo o sistema deles”, diz.

Marcelo salientou que fala sobre o assunto não em ‘tom de crítica’ e sim de preocupação em ‘diminuir o sofrimento de muitas pessoas’. Pensando nisso, ele entrou em contato com uma clínica particular, a Felizmed, e questionou quanto é uma consulta para quem não tem plano de saúde.

“Me informaram que fica em R$ 120. Multipliquei o valor, busquei outras prefeituras que licitaram consultas, e a mais cara ficaria em R$ 100. Com R$ 900 mil nós conseguiríamos zerar a nossa demanda. Pode ser muito, mas Balneário Camboriú investe muito mais na saúde regional com o Ruth Cardoso e os PAs. É a saúde básica, não é alta complexidade. Deixamos prevenção para atender alta e média complexidade. Balneário está agindo de forma inversa. Não quero polemizar e sim falar que nove mil pessoas precisam disso. Sei de caso até de paciente que aguarda para entrar no Programa de Tabagismo desde 2017, algo simples e que deveria ser de pronto. Eu fui atendido pelo programa e foi uma vitória para mim deixar de fumar”, contou.

O vereador relatou ao Página 3 que irá para Brasília no próximo dia 10 e tentará uma emenda focada nessa situação. “Se a secretaria não tem dinheiro, vou tentar por emenda. Não estou criticando e sim apontando que precisamos fazer algo para resolver isso. É muito melhor terceirizar. Não podemos focar na demanda da região, temos que priorizar os moradores de Balneário Camboriú”, completa.

O que diz a secretária

A secretária de Saúde, Andressa Hadad, disse que já sabia do requerimento de Achutti, e respondeu que desde que assumiu o cargo já realizaram ‘inúmeros mutirões’. Ela citou, ainda na quarta-feira (4) que um relatório estaria sendo montado com os números atuais. Os dados seriam enviados para o Página 3 assim que fossem finalizados (era para ser ainda na quarta-feira), mas isso não aconteceu até a publicação dessa matéria.

Andressa disse que se lembrava de um número específico: em fevereiro de 2019 foram realizados 20 mil exames e consultas, mas nesse mesmo mês entraram mais de 22 mil solicitações.

“Não tem como zerar a fila nunca. Muitos exames e solicitações de consultas entram todos os dias. É uma demanda muito grande e oferta grande. Temos parcerias com clínicas, realizamos compras de consulta, de exames também, fazemos mutirões com nossos médicos efetivos, abrimos as unidades no sábado e até mais tarde. A proposta do vereador não é algo novo. Até a carga horária de nossos médicos conseguimos aumentar de 20 para 40h/semanais, fora um decreto para médicos especialistas que não passaram em suas especialidades poderem fazer cirurgia na especialidade em que são formados”, explica.

A secretária informou que já houve tentativa de terceirizar cirurgias, mas que a tabela do SUS (valor que podem pagar) é muito baixa e que acaba não sendo atrativo para os hospitais terceirizados, e por isso não conseguiram fechar nenhum contrato.

“Esse é um problema do Brasil, e não só de Balneário Camboriú. Por isso também que tomamos a decisão de fechar o Ruth para a região, assim conseguiríamos fazer as cirurgias de nossos moradores. O Legislativo deveria se unir e pedir para que o Estado entenda a nossa decisão, assim conseguiremos atender só Balneário e conseguiremos fazer as cirurgias mais rapidamente. A secretaria não está omissa, inclusive estamos trabalhando muito. Foram mais de R$ 18 milhões investidos em compra de consultas, mas a demanda é gigantesca. Não é falha de gestão e sim um número muito grande”, finaliza.

Situação do Ruth Cardoso

No último dia 11 houve uma audiência no Tribunal Judiciário de Santa Catarina, onde foi determinado que Balneário Camboriú e os municípios que contemplam a microrregião apresentem propostas alternativas para os atendimentos do Ruth Cardoso.

“Ninguém foi a favor da nossa proposta, mas mostramos que não temos condições financeiras e físicas para continuarmos como estamos. Temos a obrigação de atender os nossos moradores, e não estamos conseguindo avançar nem na atenção básica. O prefeito manteve a visão do fechamento para a região, e iremos aguardar os 30 dias para a resposta final”, explica a secretária.


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Página 3

Vereador Marcelo Achutti sugere terceirização de consultas especializadas para acabar com a fila de espera

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Sábado, 7/3/2020 11:21.

O vereador Marcelo Achutti nesta semana fez um requerimento ao Executivo solicitando que a Secretaria de Saúde firme parcerias com médicos, para que seja promovido mutirão de consultas para algumas especialidades. A secretária de Saúde, Andressa Hadad, também comentou o assunto com o Página 3. Confira.

Achutti conversou com a reportagem do jornal e disse que é procurado constantemente pela comunidade, tanto pessoalmente quanto pelas redes sociais, sobre a longa fila de espera para consultas de especialidades. O vereador disse que teve acesso à dados da Secretaria de Saúde e ficou sabendo que há mais de 9.130 pacientes aguardando consulta – tirando aqueles que aguardam cirurgias, esse número é só de especialidades.

“Há 1.500 pessoas aguardando consulta de oftalmologista. Há casos de moradores da cidade que aguardam dois anos por uma consulta, não um procedimento ou cirurgia e sim uma consulta. Tem gente que aguarda cirurgia por mais de 10 anos. Esse número de 9.130 é um dado da Secretaria de Saúde, se estiver errado é erro deles, analisei segundo o sistema deles”, diz.

Marcelo salientou que fala sobre o assunto não em ‘tom de crítica’ e sim de preocupação em ‘diminuir o sofrimento de muitas pessoas’. Pensando nisso, ele entrou em contato com uma clínica particular, a Felizmed, e questionou quanto é uma consulta para quem não tem plano de saúde.

“Me informaram que fica em R$ 120. Multipliquei o valor, busquei outras prefeituras que licitaram consultas, e a mais cara ficaria em R$ 100. Com R$ 900 mil nós conseguiríamos zerar a nossa demanda. Pode ser muito, mas Balneário Camboriú investe muito mais na saúde regional com o Ruth Cardoso e os PAs. É a saúde básica, não é alta complexidade. Deixamos prevenção para atender alta e média complexidade. Balneário está agindo de forma inversa. Não quero polemizar e sim falar que nove mil pessoas precisam disso. Sei de caso até de paciente que aguarda para entrar no Programa de Tabagismo desde 2017, algo simples e que deveria ser de pronto. Eu fui atendido pelo programa e foi uma vitória para mim deixar de fumar”, contou.

O vereador relatou ao Página 3 que irá para Brasília no próximo dia 10 e tentará uma emenda focada nessa situação. “Se a secretaria não tem dinheiro, vou tentar por emenda. Não estou criticando e sim apontando que precisamos fazer algo para resolver isso. É muito melhor terceirizar. Não podemos focar na demanda da região, temos que priorizar os moradores de Balneário Camboriú”, completa.

O que diz a secretária

A secretária de Saúde, Andressa Hadad, disse que já sabia do requerimento de Achutti, e respondeu que desde que assumiu o cargo já realizaram ‘inúmeros mutirões’. Ela citou, ainda na quarta-feira (4) que um relatório estaria sendo montado com os números atuais. Os dados seriam enviados para o Página 3 assim que fossem finalizados (era para ser ainda na quarta-feira), mas isso não aconteceu até a publicação dessa matéria.

Andressa disse que se lembrava de um número específico: em fevereiro de 2019 foram realizados 20 mil exames e consultas, mas nesse mesmo mês entraram mais de 22 mil solicitações.

“Não tem como zerar a fila nunca. Muitos exames e solicitações de consultas entram todos os dias. É uma demanda muito grande e oferta grande. Temos parcerias com clínicas, realizamos compras de consulta, de exames também, fazemos mutirões com nossos médicos efetivos, abrimos as unidades no sábado e até mais tarde. A proposta do vereador não é algo novo. Até a carga horária de nossos médicos conseguimos aumentar de 20 para 40h/semanais, fora um decreto para médicos especialistas que não passaram em suas especialidades poderem fazer cirurgia na especialidade em que são formados”, explica.

A secretária informou que já houve tentativa de terceirizar cirurgias, mas que a tabela do SUS (valor que podem pagar) é muito baixa e que acaba não sendo atrativo para os hospitais terceirizados, e por isso não conseguiram fechar nenhum contrato.

“Esse é um problema do Brasil, e não só de Balneário Camboriú. Por isso também que tomamos a decisão de fechar o Ruth para a região, assim conseguiríamos fazer as cirurgias de nossos moradores. O Legislativo deveria se unir e pedir para que o Estado entenda a nossa decisão, assim conseguiremos atender só Balneário e conseguiremos fazer as cirurgias mais rapidamente. A secretaria não está omissa, inclusive estamos trabalhando muito. Foram mais de R$ 18 milhões investidos em compra de consultas, mas a demanda é gigantesca. Não é falha de gestão e sim um número muito grande”, finaliza.

Situação do Ruth Cardoso

No último dia 11 houve uma audiência no Tribunal Judiciário de Santa Catarina, onde foi determinado que Balneário Camboriú e os municípios que contemplam a microrregião apresentem propostas alternativas para os atendimentos do Ruth Cardoso.

“Ninguém foi a favor da nossa proposta, mas mostramos que não temos condições financeiras e físicas para continuarmos como estamos. Temos a obrigação de atender os nossos moradores, e não estamos conseguindo avançar nem na atenção básica. O prefeito manteve a visão do fechamento para a região, e iremos aguardar os 30 dias para a resposta final”, explica a secretária.


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