Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Em abrangência, ainda não dá para comparar a covid-19 com a gripe ou a dengue

Proliferação do novo vírus preocupa, mas outros problemas, ainda persistentes, não podem ser relegados

Terça, 10/3/2020 11:21.
EBC.

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(Fábio de Oliveira/Agência Einstein)

No início desta semana, a Organização Mundial de Saúde já contabiliza 109.577 casos confirmados de covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus. Os óbitos chegavam a 3809. O Brasil já ratificou 30 ocorrências da doença. Os números impressionam e assustam. Daí a preocupação global com o surto epidêmico. Ainda não é uma pandemia, quando há transmissão sustentada em vários continentes. Mas, em termos de abrangência, ainda não dá para comparar a covid-19 com a gripe ou mesmo enfermidades que assolam o país há anos, como a dengue.

De acordo com Lisa Maragakis, diretora sênior de prevenção a infecções na Jonhs Hopkins Medicine, nos Estados Unidos, a gripe está apresentando um maior impacto nos americanos no inverno deste ano do que a covid-19. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), também nos Estados Unidos, as estimativas apontam que houve 34 milhões de casos de gripe, 350 mil hospitalizações e 20 mil mortes na estação do frio ¬– estação na qual o vírus por trás dessa infecção respiratória costuma proliferar.

“O coronavírus está tendo essa atenção porque começou agora”, diz Alfredo Gilio, médico coordenador da Clínica de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einstein. “Mas há uma diferença de escala brutal entre o covid-19 e a gripe até o momento.” O pediatra Juarez Cunha, que é presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, diz: “Todo mundo está preocupado com uma doença que não está tão presente quanto outras que causam mais mortes, como gripe, sarampo e febre amarela”. Para ter uma ideia, em 2019 foram cerca de 1 bilhão de casos de gripe no planeta, com 291 mil a 646 mil mortes. No Brasil, de acordo com informações preliminares do Ministério da Saúde, até 29 de fevereiro deste ano foram registrados 90 casos, com 6 mortes – em 2019, houve 5.714 casos e 1.109 óbitos. A título de comparação, sua letalidade é de 0,1% e a do coronavírus, 3,4%. Sem contar que existe vacina contra gripe. Para o novo vírus que veio da China, as pesquisas ainda estão em andamento. “Há três imunizantes em estudo”, fala Cunha.

Outro problema para o qual existe vacina e que provocou surtos em vários países no ano passado, inclusive o Brasil, foi o sarampo. Um dos motivos foi a queda nas taxas de imunização, em parte estimuladas pelos grupos antivacina. Foram 18.203 casos confirmados entre nós, com 15 mortes, sendo 14 em São Paulo, onde houve uma irrupção com 16.090 ocorrências. Chegamos a perder o certificado de país livre da doença outorgado pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) em 2016.

No quesito de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, a dengue, segundo o Ministério da Saúde, contabilizou 1.544.987 de casos prováveis no ano passado, aumento de 488% em relação a 2018, com 728 óbitos. As ocorrências de Chikungunya ficaram no patamar de 132.205 e as de zika, 10.768.

São números que impressionam. E mesmo que o surto de coronavírus ainda não tenha chegado ao status de pandemia, todos os cuidados que têm sido tomados ao redor do mundo são válidos.

Campanha de vacinação contra a gripe antecipada

O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que vai antecipar a vacinação contra a Influenza, o nome científico da gripe, para reduzir o número de pessoas com a enfermidade no inverno. A campanha deve começar no dia 23 de março e não mais na segunda quinzena de abril. Gestantes, crianças até 6 anos, mulheres até 45 dias após o parto e idosos, historicamente mais vulneráveis ao problema, terão prioridade. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para o novo vírus. Até porque os sintomas da gripe e da covid-19 são semelhantes: febre, tosse, fadiga, dores pelo corpo e, às vezes, há vômito e diarreia.


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EBC.

Em abrangência, ainda não dá para comparar a covid-19 com a gripe ou a dengue

Proliferação do novo vírus preocupa, mas outros problemas, ainda persistentes, não podem ser relegados

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Terça, 10/3/2020 11:21.

(Fábio de Oliveira/Agência Einstein)

No início desta semana, a Organização Mundial de Saúde já contabiliza 109.577 casos confirmados de covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus. Os óbitos chegavam a 3809. O Brasil já ratificou 30 ocorrências da doença. Os números impressionam e assustam. Daí a preocupação global com o surto epidêmico. Ainda não é uma pandemia, quando há transmissão sustentada em vários continentes. Mas, em termos de abrangência, ainda não dá para comparar a covid-19 com a gripe ou mesmo enfermidades que assolam o país há anos, como a dengue.

De acordo com Lisa Maragakis, diretora sênior de prevenção a infecções na Jonhs Hopkins Medicine, nos Estados Unidos, a gripe está apresentando um maior impacto nos americanos no inverno deste ano do que a covid-19. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), também nos Estados Unidos, as estimativas apontam que houve 34 milhões de casos de gripe, 350 mil hospitalizações e 20 mil mortes na estação do frio ¬– estação na qual o vírus por trás dessa infecção respiratória costuma proliferar.

“O coronavírus está tendo essa atenção porque começou agora”, diz Alfredo Gilio, médico coordenador da Clínica de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einstein. “Mas há uma diferença de escala brutal entre o covid-19 e a gripe até o momento.” O pediatra Juarez Cunha, que é presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, diz: “Todo mundo está preocupado com uma doença que não está tão presente quanto outras que causam mais mortes, como gripe, sarampo e febre amarela”. Para ter uma ideia, em 2019 foram cerca de 1 bilhão de casos de gripe no planeta, com 291 mil a 646 mil mortes. No Brasil, de acordo com informações preliminares do Ministério da Saúde, até 29 de fevereiro deste ano foram registrados 90 casos, com 6 mortes – em 2019, houve 5.714 casos e 1.109 óbitos. A título de comparação, sua letalidade é de 0,1% e a do coronavírus, 3,4%. Sem contar que existe vacina contra gripe. Para o novo vírus que veio da China, as pesquisas ainda estão em andamento. “Há três imunizantes em estudo”, fala Cunha.

Outro problema para o qual existe vacina e que provocou surtos em vários países no ano passado, inclusive o Brasil, foi o sarampo. Um dos motivos foi a queda nas taxas de imunização, em parte estimuladas pelos grupos antivacina. Foram 18.203 casos confirmados entre nós, com 15 mortes, sendo 14 em São Paulo, onde houve uma irrupção com 16.090 ocorrências. Chegamos a perder o certificado de país livre da doença outorgado pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) em 2016.

No quesito de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, a dengue, segundo o Ministério da Saúde, contabilizou 1.544.987 de casos prováveis no ano passado, aumento de 488% em relação a 2018, com 728 óbitos. As ocorrências de Chikungunya ficaram no patamar de 132.205 e as de zika, 10.768.

São números que impressionam. E mesmo que o surto de coronavírus ainda não tenha chegado ao status de pandemia, todos os cuidados que têm sido tomados ao redor do mundo são válidos.

Campanha de vacinação contra a gripe antecipada

O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que vai antecipar a vacinação contra a Influenza, o nome científico da gripe, para reduzir o número de pessoas com a enfermidade no inverno. A campanha deve começar no dia 23 de março e não mais na segunda quinzena de abril. Gestantes, crianças até 6 anos, mulheres até 45 dias após o parto e idosos, historicamente mais vulneráveis ao problema, terão prioridade. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para o novo vírus. Até porque os sintomas da gripe e da covid-19 são semelhantes: febre, tosse, fadiga, dores pelo corpo e, às vezes, há vômito e diarreia.


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