Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Curados da Covid-19: todos pedem a mesma coisa: fique em casa, a doença é séria

Quinta, 28/5/2020 9:41.

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Renata Rutes

O Brasil atingiu nesta quarta-feira (27) mais de 390 mil casos de Coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde, sendo que 16.324 infectados foram registrados entre terça e quarta (26 para 27). O número de mortes já ultrapassa 24,5 mil. Porém, estima-se que 159 mil pessoas se curaram da doença no país. No mundo, o número de infectados ultrapassa 5,6 milhões, com 2,3 milhões de recuperados e mais de 352,7 mil mortes. Santa Catarina está em 11º lugar no número de casos acumulados registrados entre os 27 estados brasileiros (7.016 casos, 121 mortes e 4.101 curados – número de quarta-feira, 27), sendo também o Estado com maior número de acometimento da Covid-19 no sul do Brasil, com 40,88% dos casos. Em Balneário Camboriú há 334 casos confirmados, 196 recuperados e 205 monitorados. Até o momento, a cidade registrou duas mortes. Há 136 pessoas em tratamento, 133 em isolamento domiciliar e três internadas na UTI do Centro Covid-19. Todos os dados colhidos nesta quarta-feira(27).

Nesta semana, a reportagem do Página 3 conversou com moradores de Balneário Camboriú que tiveram Coronavírus e também com outras que ainda estão isoladas, tratando a doença. Elas detalham os sintomas e reforçam o quanto o isolamento social e demais cuidados, como o uso de máscara e álcool gel são essenciais neste momento.


“Duas vezes ao dia os médicos dão retorno para as famílias”

Andressa Hadad, secretária da Saúde de Balneário Camboriú

“O caso que mais mexeu com a equipe do Centro Covid-19 foi o do pai e da filha, Amaro e Alessandra Simas que ficaram doentes e em estado grave. Eles são de Camboriú. Por diversas vezes achamos que iríamos perder seu Amaro. Ele é idoso, ficou 50 dias internado. A Alessandra ficou 30. Ela era mais estável, foi se recuperando aos poucos, todos os dias cantávamos música pra ela (‘Oh bebê, gosto mais de você do que de mim, do que de mim’). A Alessandra manda mensagem todos os dias, ela criou uma ligação com os nossos profissionais. Amaro teve sequelas e está tendo que ter cuidados renais, mas está bem, assim como a Alessandra. O contato diário com os familiares dos pacientes é um procedimento que seguimos. Duas vezes ao dia os médicos dão retorno para as famílias, que veem o paciente (havia 12 no Centro-Covid na manhã de quarta-feira (27), há 20 leitos). Para aquelas famílias que não conseguem fazer chamadas de vídeo, nós telefonamos. O quadro de evolução tem sido muito bom, os pacientes têm apoio de fonoaudióloga, nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta, assistente social, dentista também. Há inúmeros profissionais atendendo-os. Estamos com 60% de ocupação, o Hospital Ruth Cardoso está com 10 pacientes na UTI, e a sala de emergência gira de cinco a sete, o Hospital Marieta, de Itajaí, está lotado, em uma situação muito difícil assim como no Ruth. No nosso Centro Covid há pacientes de Balneário Camboriú (quatro), Camboriú (quatro), Itapema (um), Itajaí (um) e Navegantes (um). Itajaí e Navegantes incluem a macrorregião (Balneário normalmente atende a micro), mas estamos atendendo eles devido a dificuldade de absorção da UTI do Marieta. Mas fica o questionamento: quando lotar em Balneário, para onde os pacientes vão? O Ruth Cardoso conta com 27 leitos para semi-intensivo, mas não conseguimos comprar os equipamentos. O Estado distribuiu respiradores, mas Balneário não foi incluída na lista (o Hospital Marieta irá receber 20). Se recebêssemos seriam mais 27 leitos de Covid, falta esse retorno do Estado. Já atendemos 2.257 pessoas no Centro, sendo 1.635 de Balneário e 622 de outras cidades. No total 74 pacientes foram internados, 40 confirmados, 32 casos descartados e 27 em alta domiciliar. As pessoas estão achando que não é verdade, que a doença não é tão séria, que é um exagero, mas é grave. Quem é infectado, dentro dos sintomas moderados, sente dor, tem dificuldade para respirar, tem náusea, dor de cabeça. Estamos com uma paciente de 37 anos em estado grave na UTI. Não é brincadeira. Se sair de casa, use máscara. É chato, mas é a melhor forma de se proteger. Cuide com o manuseio da máscara, lave-a, mantenha distância das outras pessoas, evite aglomeração. Não é momento de festa. Soube da festa que foi flagrada no fim de semana e aquilo me assustou muito. Estamos em plena pandemia. Faz falta o contato físico, mas este é um momento que vai passar, temos que cuidar para termos menos perdas possíveis. Não deixe que um caso chegue na sua família. Valorize a sua vida e a dos outros. Mais do que nunca temos responsabilidade como cidadãos, uma atitude errada que você tomar pode prejudicar a vida do outro”.

Alessandra (a filha que foi internada com o pai).

“Se for positivo, fique em casa isolado”

Rosalie Knoll, médica infectologista da prefeitura de Balneário Camboriú e coordenadora do Comitê da Covid-19

“Nos dias de hoje qualquer sintoma a pessoa pensa que é Corona. Não faz mal pensar assim, porque aí a pessoa será testada e confirmado ou não se ela está com o vírus. Integram os sintomas tosse seca, dor de cabeça, dor de garganta, falta de olfato e paladar e febre. Dois ou três desses sintomas já indicam que a pessoa deve procurar os serviços de saúde. Se for febre com mais um desses sintomas, deve ir direto ao Centro do Covid. Lá, o enfermeiro fará a triagem e depois o médico irá definir se testará ou não. Ele pode orientar também que se a pessoa não melhorar deve retornar em dois dias para testagem. Se a pessoa morar em algum dos bairros, como Nações, Vila Real, pode procurar a unidade de saúde do bairro, lá as equipes também sabem como proceder. Se o caso for positivo, as pessoas que estavam ao redor do contaminado, como familiares e colegas de trabalho, também devem ser observadas. Quando positiva, deve ficar afastada por 14 dias. Quando você faz o exame, até esperar o resultado (que sai no máximo em três dias), não fique circulando pela cidade, fique em casa. Você já pode estar positivo e só está aguardando o resultado. Se for positivo, fique em casa isolado. Se você mora com outras pessoas, se isole em um quarto tendo todos os cuidados de limpeza (desde mãos como também superfícies próximas). Se for sair do quarto, utilize máscara. É recomendável muita hidratação, alimentação saudável e repouso. Só procure internação se tiver dificuldade respiratória. Se os sintomas forem leves, o mais adequado é ficar em casa. Há o percentual de assintomáticos também, é possível não ter sintoma, mas não temos previsão de conseguir testar todos ainda. Testamos em alguns casos, como as pessoas que estiveram próximas do prefeito Fabrício Oliveira. Estamos utilizando o teste swab nasal, a maioria estão sendo adquiridos (custam cerca de R$ 180 cada um). A faixa etária principal de quem está pegando o vírus é de 29 a 60 anos, mas houve um caso em Balneário Camboriú de crianças também, como uma de quatro anos. Os idosos, que integram o grupo de risco, estão se cuidando, enquanto os jovens não tanto, por isso estão sendo mais acometidos. Pedimos que a comunidade fique em casa, não se aglomere. Há muitas pessoas na rua, na praia. Quem se contaminar pode não ter leito, o Hospital Marieta está lotado, o Ruth Cardoso está com 60% de ocupação. O pico está crescendo de 12 dias pra cá. Respeito o isolamento, não é hora de festa. Não há expectativa de melhora ainda, talvez isso aconteça em julho. Em duas semanas deveremos ter uma resposta melhor sobre isso”.


Prefeito Fabrício Oliveira contraiu a doença e já está curado

Credito: Divulgacao/PMBC

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú.

“No começo do isolamento, pensei que poderia ficar em casa, mas logo que entrei no quarto a minha filha veio atrás de mim, ‘papai, papai’, querendo me abraçar, e percebi que não conseguiria suportar, além da preocupação com a saúde dela e minha esposa, que está grávida. Permaneci isolado mesmo, em outro apartamento. Tive um pouco de dor de cabeça, dor nas costas e nos olhos, calafrios. Os sintomas iam e voltavam. Eu fiz exercícios respiratórios, mas mesmo assim tive um pouco de falta de ar. Fui medicado com Azitromicina e com um remédio para vermes, além de tomar muita água, e assim os sintomas foram passando. Fiz o exame e deu negativo, mas percebo que a retomada é lenta. Sinto necessidade de voltar para a minha rotina, a fazer exercícios físicos, mas isso deve acontecer aos poucos. Já voltei pra casa, com a minha filha e esposa. O Coronavírus é uma doença altamente contagiosa e reage diferente nas pessoas, em alguns os sintomas podem ser leves e outros precisam até ser internados. Não há necessidade de arriscar, sei que vamos conviver com a doença, mas isso precisa ser de maneira responsável, até porque temos muitos idosos morando em nossa cidade. Fazer festa neste momento, por exemplo, é uma irresponsabilidade e falta de respeito com os outros também. A máscara é uma das medidas mais eficazes que temos, ela cumpre o papel de proteger a pessoa e os outros, além de ser uma sinalização visual de cuidado, ela chama a atenção. O apoio do Estado com Balneário Camboriú tem sido praticamente inexistente, mas é importante o Hospital Marieta, de Itajaí, ter recebido os respiradores, porque eles estão com a UTI lotada e Balneário começou a receber gente de lá, com certeza isso vai diminuir o impacto no Centro Covid de BC. Decidimos inclusive que vamos colaborar com o Marieta, apoiá-los nessa reestruturação, pois quando isso acontecer, melhor vai ser também para Balneário”.


História sem fim – COVID-19

Por Guilherme Hoefelmann, 31 anos, empresário catarinense, residente de Balneário Camboriú

“Sentado em meio a sala de espera vazia, de chinelos e máscara, aguardo o momento em que a porta vermelha se abrirá e chamarão pelo meu nome. Sintomático, com uma dor de cabeça digna de uma bela tacada de beisebol, espero por uma triagem e talvez passar pela testagem. É normal, suponho - mesmo me mantendo o máximo possível trancado em casa. Por mais cuidadoso que pudesse ser, em algum momento, eu sabia que também iria sobrar pra mim.

Distraído com o celular, não noto quando uma senhora adentra e, de longe, conversa com o recepcionista mascarado. Quando finalmente aterrizo e me atenho ao tom da conversa, as palavras em tom seco do funcionário são taxativas:

- A ambulância vai levar. Prestamos uma homenagem antes e depois vocês podem ir.

De repente sinto aquela sensação estranha de vácuo que faz a pressão desabar, tal qual acontece no cruzamento de dois trens disparados em direções opostas. Como assim homenagem? Pra quem e por quê? Nesse instante a calmaria se esvai e dá lugar aos nervos abalados. Mesmo inconsciente dos fatos, aceito o destino inevitável e em milésimos de segundos já tenho a sentença em minha cabeça: a homenagem será feita aqui e agora pois não estão permitindo velórios. Alguém não sobreviveu.

Dali em diante a bateria antiaérea se desarma e a vulnerabilidade senta ao meu lado para conversar. Então é isso, não é mesmo?! Era tão distante, mas por fim está acontecendo. O inimigo invisível chegou. Há meses eu dava de ombros para o que era notícia no outro lado do mundo e hoje, além de possivelmente ser mais um vetor da maleza, testemunho a batalha perdida de alguém. Porque uma coisa são os dados na tela da televisão, tratados friamente já que números não personificam. Mas agora, bem a minha frente, eu presenciava um diálogo sobre a inevitável má notícia.

Esqueço o que estava fazendo antes e, persuadido pela situação, envio uma mensagem desabafando sobre a gravidade daquilo. Inconformado, busco qualquer palavra de conforto enquanto escrevo sobre a tragédia e indago desolados porquês. Vejo o reflexo da situação e sinto o calafrio da tomada de consciência. Pontos finais sentenciando histórias.

Em meio a uma tormenta psicológica que já me faz esquecer meus sintomas, percebo quando a mesma senhora volta junto de outra mulher, se acomodando em poltronas. Enquanto elas mantém o olhar repousado sobre os dizeres “área restrita” cravamos na porta plotada com gravuras simulando um vírus, a voz atrapalhada de uma delas se direciona ao atendente:

- Posso filmar aqui dentro?

Tenho um estalo mental. Peraí! Filmar? Como assim filmar? E lá vem a montanha-russa mais uma vez.

- Claro! Ela vai sair por essa porta mesmo. - responde o atendente.

E pela segunda vez, em poucos minutos, sinto aquele vácuo. Me volto para a porta e os reflexos no piso já mostram uma grande movimentação. Como um grito de gol aos 48 do segundo tempo que muda completamente a classificação, as cordas de um violão, que até então não estava lá, me desarmam novamente.

De repente a sensação de estar cara a cara com a morte já não se faz presente. E o que acontece no momento seguinte eu posso narrar, mas não explicar.

Cercada por mascarados irreconhecíveis adornados por roupas de quase astronautas, Dona Maria desfila caminhando pelo corredor. Enquanto segura um balão em mãos e consagra sua vitória em um coro puxado por todos, parece não ter noção do feito. Julgo que ali já se vão 60 ou 70 anos, mas o sorriso desconcertado parece o mesmo de quando, ainda crianças, enxergamos a praia pela primeira vez. Sob aplausos e um abraço roubado daquela que filmava tudo, ela está deixando a UTI... Venceu.

Eu havia entendido tudo errado.

Talvez ela nunca saiba disso, mas por alguns minutos, apenas pela minha perspectiva, essa mulher havia partido dessa para uma melhor. Durante um pequeno lapso de tempo, sozinho e em silêncio, velei sua alma e despi meus pensamentos em relação a gravidade das coisas. Rapidamente pude refletir o quanto temos avançado sobre a faixa divisória da pista, em direção contrária ao bom senso. E como, acostumados às marés da vida, vamos nos tornando vagarosos, ranzinzas e falhos, esquecendo o quão sortudos somos por ainda estarmos respirando.

Há alguns anos escutei de uma amiga que, mesmo conscientes sobre o caráter finito da vida, deixamos de lado nossas prioridades e apenas assistimos, anestesiados, o tempo passar. Justo por isso, quando o reino da morte nos invade, elucidando uma tragédia ou perda, deveríamos tomar consciência e deixar de encarar tudo como um poço inesgotável.

Saber da morte é um convite à nossa vida.

Eu não conheço a Dona Maria, não sei no que ela acredita ou como chegou ali. Mas sei que a vi ressuscitar diante de uma morte que ninguém mais viu e que só aconteceu, num curto espaço de tempo, em minha imaginação. Já não era uma homenagem, mas uma celebração. Ela vai pra casa.

E nas profundezas dos meus pensamentos, trato de recapitular que talvez pensar na morte seja mesmo terapêutico. A ameaça nos faça valorizar mais a vida. E uma vez aterrorizado, já não resta outra alternativa.

Hoje, para as duas mulheres anônimas, são lágrimas de felicidade.

Hoje, para mim, a foice passou assobiando à espreita.

Hoje, para Dona Maria, mais tempo”.


“Tem gente que não tem essa sorte, eu fui socorrida a tempo”

Dona Maria e a família.

A Dona Maria citada no texto de Guilherme é Maria das Graças Leão Palha, de 67 anos, que após receber alta ainda no início de maio está em casa, no Conde Vila Verde, em Camboriú, onde vive com duas filhas e quatro netos

“Meu estado foi gravíssimo, fiquei sete dias na UTI do Centro Covid, eu achava que não ia escapar. Mas o tratamento foi 10, os enfermeiros (ela cita Fran e Fábio) são muito bons, eu disse que eles são uma família que eu ganhei. Fui muito bem tratada, nunca vi um hospital com um enfermeiro para cada paciente, e lá era assim. Eles tinham muito cuidado comigo, perguntavam como eu estava. Quando eu saí me deparei com aquela homenagem maravilhosa, cantaram Balão Mágico pra mim, foi muito emocionante e gratificante. Às vezes revejo o vídeo e não acredito. Foi muito bonito, não tenho palavras para agradecer os fisioterapeutas, médicos, enfermeiros. Espero conseguir reencontrar eles. Não vou esquecer nunca o que fizeram por mim. Deus também, em primeiro lugar, se não fosse Ele nada teria acontecido. A Covid-19 é uma doença seríssima, eu tive muita falta de ar e é horrível não poder respirar, você pensa que vai morrer. Eu tive dores no pulmão muito fortes, parecia que ia estourar. No leito eu não tinha mais forças, perdi o apetite, o olfato, paladar. É algo que eu não desejo para ninguém, por isso aconselho que as pessoas procurem não pegar. Siga as regras, use máscara, se proteja, é melhor obedecer do que sacrificar a sua vida, você mostra que não se ama e não ama ninguém. Não pode facilitar, tem que usar em todos os lugares, no trabalho, elevador, comércios. Não é fora de festinha, no meio da festa alguém vai ter Covid e vai contaminar os outros. Quem não sai de lá (do Centro Covid) vai para a sepultura. A vida é só uma e se você não faz o certo está colocando em risco a sua própria vida e a dos outros. Eu tenho 67 anos, mas sou ativa, e fui no mercado sem máscara, a fila estava grande e eu voltei de lá já me sentindo diferente. Inicialmente tive muita dor no corpo, febre, diarréia. Mas desde o começo fui muito bem cuidada, desde com o pessoal na ambulância, que já me colocaram no oxigênio. Tem gente que não tem essa sorte, eu fui socorrida a tempo. Por sorte, minha filha que mora comigo, Rita de Cássia, não pegou Covid, nem meus netos e minha outra filha. Eles cuidaram de mim o tempo todo, moramos todos juntos. O cuidado deles fez muita diferença, senti o amor. Hoje minha vida voltou, estou cozinhando, acordando cedo pra fazer café. Não nasci pra ficar só na cama, não, sou paraense e gosto de trabalhar (risos). Estou ótima”.


Como são os sintomas da Covid-19?

“Passei esse período com muita ansiedade para melhorar”

Andréa Artigas, jornalista e diretora do departamento de Comunicação da prefeitura de Balneário Camboriú

“Está sendo um período de altos e baixos. Essa doença não avança como as outras enfermidades, que aos poucos vai evoluindo. Nesses 14 dias, que completo hoje (quarta-feira, 27), tiveram dias ruins, com muita fraqueza e uma dor de cabeça terrível. E, dias bons, que tinha impressão que poderia ter alta imediatamente. O que mais me incomodou foram as dores de cabeça frequentes e a fadiga, além do enjoo. Passei esse período com muita ansiedade para melhorar e sair do quarto, mas de ontem para cá comecei a ter sintomas gripais fortes, com falta de ar e calafrios, não sei quando isso termina. Essa noite foi a mais difícil até aqui, ainda hoje devo procurar auxílio médico para entender porque no final do quadro, fiquei assim, com esse quadro gripal forte. Sei que a doença não escolhe pessoas, mas eu estava na minha melhor forma física, pedalando muito diariamente, tomando vitaminas e com a alimentação balanceada, por isso a importância de se cuidar. No início da pandemia, em março, eu chegava em casa e na porta trocava os sapatos, já tirava a roupa que vinha da rua, mas aos poucos fui relaxando, sendo menos cuidadosa com esses detalhes, apesar de sempre usar máscara, diminui os outros cuidados. A parte boa é a solidariedade. Durante duas semanas recebi muitas e muitas mensagens e demonstrações de carinho, senti na pele ajuda de vizinhos e o quanto a nossa população é solidária. Deu para entender exatamente para quem sou importante, quem são os amigos. Uma boa lição. Dividi o quarto com minha filha de 16 anos, que positivou também e comemoramos o aniversário dela juntas, mas separadas da família. Foi um momento especial atípico, onde a falta da família ‘grita’ muito. Nesse tempo, de isolamento total, a reflexão sobre o que verdadeiramente importa nos faz rever algumas coisas e sentimentos. E esse impacto todo, tenho certeza, me fará ter um novo olhar do mundo, pelo menos nos primeiros tempos”.


“Meu aniversário foi maravilhoso, mesmo dentro do quarto”

Larissa Laila, 16 anos, é filha da jornalista Andrea Artigas, e também testou positivo

“Na sexta-feira, 22, quando soube que o resultado da minha mãe era positivo, fui logo fazer o meu teste. Eu estava com alguns sintomas como falta de ar, tosse e coriza. Infelizmente no domingo o meu resultado deu positivo. Fiquei um pouco triste, pois além de estar com o vírus teria que passar meu aniversário no quarto, sem a minha família, e isso me deixou desanimada. Mas, ao ver todo o carinho que recebi das pessoas, dos meus amigos e da minha família com certeza mudou totalmente esses 14 dias que foram cheios de amor. Meu aniversário foi maravilhoso, mesmo dentro do quarto, pois recebi muitas mensagens que me deixaram realmente muito feliz e emocionada. Nesses dias, tive sintomas leves, como enjoos matinais e tosse. Graças a Deus tenho todos os recursos que necessito, mas fico pensando em todos os outros adolescentes que não têm recursos o suficiente e estão em condições precárias para lidar com essa situação. É uma mistura de tristeza com impotência por não poder ajudar outros jovens”.


“Estive assintomática em praticamente todo o período”

Maria Heloísa Furtado Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“No dias 12 e 13 de maio percebi alguns sintomas como irritação na garganta, dor nas costas e enjoo, mas tão leves que passariam despercebidos. Estava na rotina de trabalho quando soube da testagem positiva do prefeito. Por ter feito reuniões com ele, fui aconselhada a procurar atendimento médico e neste mesmo dia já iniciei o isolamento. Meu exame foi realizado no dia 14 e no sábado, dia 16, recebi a ligação da vigilância epidemiológica informando do resultado positivo. Fiquei surpresa pois tomei as medidas preventivas e com sintomas tão leves, nunca poderia imaginar que havia contraído. Devo ter descuidado em algum momento. Imediatamente comuniquei a todos que tiveram contato comigo, alertando para que ficassem atentos e buscassem atendimento médico, se necessário. Estive assintomática em praticamente todo o período, por isso estou em contato direto com a equipe da SEMAM mantendo o trabalho de forma remota para evitar solução de continuidade. Destaco o atendimento primoroso da equipe de saúde do Centro de Combate ao Covid e da vigilância epidemiológica que monitora meu estado de saúde, quase diariamente. Mesmo assintomática, sugiro a todos que mantenham os cuidados para evitar a propagação do vírus, uma vez que, estamos lidando com uma doença que apresenta diferentes estágios de infecção e no pior dos casos, pode chegar a consequências gravíssimas. Estou feliz por não ter sintomas graves e penso não ter transmitido a doença, uma vez que todos que estiveram comigo, não tiveram sintomas ou testaram negativo. Também me deixou feliz o carinho e preocupação de todos. Recebi inúmeras mensagens e ligações durante o isolamento, algo que ajudou muito a passar o tempo e confortar o coração”.


“Eu não acreditava que podia ser de Coronavírus”

Gabriella Belle, coordenadora de Imprensa da Comunicação da prefeitura de Balneário Camboriú

“Fiz o teste logo depois do prefeito anunciar que havia testado positivo, porque tenho contato direto com ele e com muitas outras pessoas na Comunicação e eu já estava com alguns sintomas, mas muito leves. Eu não acreditava que podia ser de Coronavírus, até porque nesse período do ano, quando tem muita mudança de temperatura, para mim é muito comum ter dor de cabeça, dor de garganta e tosse, porque eu tenho sinusite. Eu tive só um arranhamento na garganta, uma dorzinha muito leve, e um pouquinho de dor de cabeça, principalmente atrás dos olhos, isso quando eu fui fazer o exame. Fiz o PCR, que identifica a presença do vírus a partir de um pedacinho do código genético, é o teste ouro, como falam. A partir desse momento eu já entrei em isolamento para esperar o resultado do teste, que saiu no sábado, dia 16. Meus sintomas se intensificaram nesse período, tive um pouco mais de dor de cabeça e nas costas. Foram uns cinco dias sentindo isso, mas era tudo muito suave. Eu passei esse período todo muito bem. Eu recebi alta nesta quarta-feira (27), consegui trabalhar de casa, não precisei ir ao médico, mas fui acompanhada pela vigilância epidemiológica. Só tomei paracetamol duas vezes porque eu estava com dor de cabeça. Depois que eu testei positivo, tendo esses sintomas tão leves, eu fiquei bastante assustada, porque muitas pessoas podem estar nessa situação e nem procurar o médico, continuando a andar pela rua sem tomar nenhum cuidado. Ficou muito evidente para mim o quanto é importante usar máscara, álcool gel, lavar as mãos, e evitar aglomerações. Recebemos denúncias de lugares lotados, onde as pessoas não tomam o mínimo de cuidado. Espero que as pessoas tenham essa percepção para que a gente não contamine mais, e que possamos voltar a nossa rotina em breve e com segurança, que é o principal. É importante procurar o médico com qualquer sintoma que você note, só ele pode determinar se vai ser feito exame ou não e o melhor tratamento a ser seguido, porque há bastante dúvida com relação a isso”.


“A vida segue, mas não podemos parar de nos cuidar”

O secretário de Obras de Balneário Camboriú e hoteleiro Osmar Nunes Filho, o Mazoca, foi um dos primeiros casos positivos de Coronavírus em Balneário

“Tive Covid-19 e em cada pessoa os sintomas são diferentes. Os meus não foram muito fortes. Eu estive em São Paulo, mas não sei se peguei lá. Sempre tive cuidado e passava álcool gel. Entre 23 e 24 de março senti febre e a diminuição no meu olfato, e também dor no corpo e cabeça. Fui fazer exame para saber como eu estava e o resultado deu positivo para Coronavírus. Fiz o isolamento social em casa. Minha esposa, Anísia, também testou positivo e para ela os sintomas foram diferentes, ela teve mais cansaço, dificuldade para respirar, dor de cabeça, moleza no corpo. As pessoas não podem deixar de usar máscara e álcool gel. A vida segue, mas não podemos parar de nos cuidar até que haja uma vacina. É uma nova forma de viver, jamais imaginávamos que isso tudo iria acontecer. Temos que alterar a nossa estrutura de convivência porque não podemos parar tudo. Me preocupo muito com os hospitais, também deve haver um novo protocolo de limpeza, tanto em casas como também em terrenos baldios. Estamos vivendo uma nova realidade. Hoje estou bem, mas sigo tomando bastante cuidado, tomo complementos vitamínicos também, porque a imunidade precisa ser reforçada neste momento”.


“Esses 14 dias pareceram uma eternidade”

Leandro Alves, coordenador do Cadastro Único, da secretaria de Inclusão Social

“Sou morador do bairro dos Municípios, no dia 11 de maio comecei com dores de cabeça e também dor de garganta, no dia 13 ainda estava com sintomas, então fui até o Centro Covid e realizei o exame. Fui muito bem atendido pelos profissionais, que prontamente me orientaram caso o resultado fosse positivo. No sábado, 16, logo pela manhã me ligaram passando o resultado do exame. Meu mundo desmoronou naquele momento, foi um choque pra mim, porque já tinha um planejamento do que faria na outra semana, tanto no trabalho como na vida pessoal. Logo em seguida minha esposa subiu as escadas, já com máscara e luvas, dizendo que eu não poderia sair do quarto e que ali passaria os próximos 14 dias. Parece que quando o resultado saiu os sintomas começaram a aumentar, comecei com uma grande falta de ar e muita tosse. A secretária Christina Barichello me ligou pedindo para eu acalmar meu coração, que tudo ficaria bem, e também me orientou a tirar o melhor proveito desta situação. Foi aí que comecei a estudar e ler bastante, apesar de não ser um hábito, a leitura, acabei gostando e ajudou para que eu me acalmasse. O prefeito Fabrício Oliveira também me ligou e me passou mais segurança e tranquilidade, porque ele já estava em isolamento e já tinha passado por esse medo inicial. Comecei a me conformar com a situação apesar de não estar bem, pois minha esposa deixava os alimentos na porta do quarto e saía de perto para que eu pudesse pegar. Nunca imaginei passar por isso. Apenas ouvia meu filho me chamar e dizer o quanto me amava e dizendo que logo poderíamos nos abraçar novamente. Então vinha na minha cabeça a seguinte questão: ‘como será que contraí esse vírus?’ Será que foi o dia que esqueci a máscara em casa e não quis voltar pra buscar pois me atrasaria cinco minutos? Ou até mesmo aqueles dias em que saí de casa quando não eram necessário? Nunca vou saber, mas agora posso alertar as outras pessoas, pois eu também não acreditava que poderia contrair o vírus. Minha esposa também testou positivo, porém pela graça de Deus meu filho, que tem seis anos, deu negativo. Seguindo recomendações da vigilância epidemiológica ficamos em isolamento tomando todos os cuidados para não expor ele. Pela graça de Deus a cada dia os sintomas iam diminuindo até que deixaram de existir. Como já era rotina, na segunda (25) a vigilância epidemiológica ligou logo cedo perguntando como estávamos e respondi que estávamos super bem, sem sentir nenhum sintoma, então foi quando recebi a melhor notícia dos últimos tempos: recebi alta e pude voltar para as minhas atividades normais, tomando os devidos cuidados, usando máscara e higienizando as mãos com frequência. Esses 14 dias pareceram uma eternidade”.


“O mais difícil foi a ignorância das pessoas mal informadas”

Uma leitora, que é autônoma, e preferiu se manter em anônimo porque sofreu preconceito; ela segue em isolamento social tratando o Coronavírus

“Meu celular tinha várias mensagens de pessoas que eu nem conhecia me perguntando o que eu estava sentindo, se as pessoas que tiveram contato comigo teriam que fazer o teste, se eu ficaria trancada em casa. Muita gente nem queria saber da minha saúde, mas sim como eu poderia prejudicar os outros. Me senti muito mal nesse momento. Além de estar com um vírus que todas as pessoas sabem a gravidade, ainda tive lidar com a situação de ter que ficar me justificando. Quando recebi o resultado positivo, não sabia nem por onde começar, meu trabalho, minha casa, minha família e meus pais que são de risco e moram comigo. E agora como fazer, por onde começar? Ligações, mensagens, ficar trancada, não poder sair. Meu filho querendo atenção e eu não pude dar, ele queria sair eu tinha que explicar que não podia, vizinhos me olhando de cara feia quando eu levava o lixo lá fora, até pedi comida delivery e recebi mensagem de críticas ‘porque eu não poderia fazer isso’. Mas como? Se eu não posso ir no mercado também não posso pedir? Como assim? O mais difícil foi a ignorância das pessoas mal informadas. Se eu estou de luva e máscara qual é o problema? As pessoas precisam ter mais informações e entender que as principais vias de transmissão do Coronavírus é a saliva, espirros e tosse. As pessoas não se colocam no lugar do outro, essa é a pior parte. Agora que o isolamento está acabando, as mensagens mudam. Começa o questionamento se eu vou fazer teste para comprovar que eu estou curada. Por que eu preciso provar para a sociedade que eu estou pronta para me socializar de novo?”


“Isso é pior do que os sintomas, a falta de abraçar a família”

Margarida de Fátima Arruda, coordenadora do Sistema Municipal de Empregos (SIME) de Balneário Camboriú

“Dia 15 de maio me senti mal e me dirigi ao Hospital Ruth Cardoso, lá o médico decidiu que eu teria que testar para Covid-19, porque eu apresentava sintomas. Vim para casa, fiquei isolada até sair o resultado. Achei que daria negativo, mas infelizmente foi positivo. Desde então, estou isolada em casa. Tive dor de cabeça muito forte, uma dor muito estranha, congestionamento nasal, dor abdominal e inchaço, sensação que eu estava inchando, inchando, estufando; muita tontura, muita falta de ar. Não precisei ir para o hospital, mas tive sintomas bem fortes. Náuseas e diarréia também, febre eu tive só por algumas horas em uma noite, depois não tive mais. É uma sensação muito ruim, há pessoas que não apresentam sintomas, mas eu apresentei bastante. Agora está amenizando, mas ainda tenho alguns, e sigo isolada. Além das dores e da sensação ruim, eu sinto uma saudade muito grande da minha família, amigos, ainda mais eu que não suporto ficar em casa. Tenho muitas amizades, e todo mundo se preocupou, mandando as coisas para mim, pela janela, de luvas. Vejo minha família dessa forma também. Isso é pior do que os sintomas, a falta de abraçar a família, ter contato com os amigos. Fiquem em casa se possível, usem máscara, se cuidem, porque isso não é brincadeira. Muita gente acha que não vai acontecer, mas acontece se você não se cuidar. Estou sendo monitorada pelos médicos do Ruth Cardoso, deixo aqui os meus parabéns, equipe maravilhosa, dão atenção. A gente tem que zelar pela nossa saúde e pela do próximo”.


Vereador David com a secretária Andressa.

“Tive dias difíceis, sofri”

Vereador David La Barrica

“Comecei a ter dor de cabeça e tosse na quarta-feira (12) e na madrugada de quarta-feira (13) tive febre, acordei com a sensação de que estava bem gripado. Fiz ainda na quarta-feira o teste para Covid-19 e o resultado, positivo, saiu no sábado (16). Tive febre (38,5ºC), e na segunda-feira (18) muita falta de ar e tosse forte, fui para o Centro do Covid, onde fui muito bem atendido. Acredito que a estrutura lá é igual ou até melhor aos hospitais privados. Foi muito bom mesmo. Na quarta-feira (20) comecei a ter diarréia. Já estava tomando a medicação (Azitromicina, Tamiflu e Ivermectina – a Cloroquina o vereador não tomou). Com o passar dos dias fui tendo uma melhora relevante. Na segunda-feira (25) eu tive dor de cabeça fraca, e na terça (26) também, com um pouco de falta de ar, mas na quarta-feira (27) se completaram os meus 14 dias. Pode ser que eu ainda esteja sentindo algum efeito, mas fiz exame de raio-x e deu tudo bom, não tenho nada no pulmão. Acredito que até quinta-feira (28) devo estar bem. No meu caso, vejo que o Coronavírus é complicado. Tive dias difíceis, sofri. As pessoas têm que se cuidar. É uma doença séria. Porém, vejo que a vida continua, a questão da economia também preocupa. Se alguém tiver sintoma, procure saber se tem, se isole, preocupe-se com o outro. Mas a vida continua, o desemprego, os comércios fechando, também preocupam. Eu fiquei em casa sozinho, sem a minha família, mas quem pode deve continuar vivendo, o mundo não pode parar”.


“É uma sensação diferente”

Cristiano José dos Santos, diretor geral da Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú

“Eu comecei a ter sintomas no dia 24 de abril, eram leves no início, mas comecei a ter dores fortes no peito, cabeça e na região pulmonar. Procurei o Centro do Covid, já saí de lá com a medicação para fazer o tratamento e dois dias após já não tive mais nenhum sintoma. Acredito que talvez eu não tenha sofrido tanto, mas por ter procurado no momento certo que tive as dores fortes. Fiz o teste no dia 25, e dia 27 saiu o resultado positivo. Fiquei isolado desde o início. É uma sensação diferente, você depende que outras pessoas levem alimentos pra você. Tive alta no dia 8 de maio pela vigilância epidemiológica. Peço que as pessoas continuem usando máscara, é fundamental. Fui infectado provavelmente pelos olhos, porque sempre me mantenho com máscara, álcool gel. Procure ficar o mínimo possível na rua, tomando os devidos cuidados, para que esse mal deixe de nos assombrar. Para algumas pessoas os sintomas podem ser leves, e para outras pode ser algo bem grave. Minha esposa, por exemplo, teve dores mais fortes, tosse. Continuem fazendo todas as prevenções, porque com certeza vai ajudar a não proliferar o vírus”.



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Página 3

Curados da Covid-19: todos pedem a mesma coisa: fique em casa, a doença é séria

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Quinta, 28/5/2020 9:41.

Renata Rutes

O Brasil atingiu nesta quarta-feira (27) mais de 390 mil casos de Coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde, sendo que 16.324 infectados foram registrados entre terça e quarta (26 para 27). O número de mortes já ultrapassa 24,5 mil. Porém, estima-se que 159 mil pessoas se curaram da doença no país. No mundo, o número de infectados ultrapassa 5,6 milhões, com 2,3 milhões de recuperados e mais de 352,7 mil mortes. Santa Catarina está em 11º lugar no número de casos acumulados registrados entre os 27 estados brasileiros (7.016 casos, 121 mortes e 4.101 curados – número de quarta-feira, 27), sendo também o Estado com maior número de acometimento da Covid-19 no sul do Brasil, com 40,88% dos casos. Em Balneário Camboriú há 334 casos confirmados, 196 recuperados e 205 monitorados. Até o momento, a cidade registrou duas mortes. Há 136 pessoas em tratamento, 133 em isolamento domiciliar e três internadas na UTI do Centro Covid-19. Todos os dados colhidos nesta quarta-feira(27).

Nesta semana, a reportagem do Página 3 conversou com moradores de Balneário Camboriú que tiveram Coronavírus e também com outras que ainda estão isoladas, tratando a doença. Elas detalham os sintomas e reforçam o quanto o isolamento social e demais cuidados, como o uso de máscara e álcool gel são essenciais neste momento.


“Duas vezes ao dia os médicos dão retorno para as famílias”

Andressa Hadad, secretária da Saúde de Balneário Camboriú

“O caso que mais mexeu com a equipe do Centro Covid-19 foi o do pai e da filha, Amaro e Alessandra Simas que ficaram doentes e em estado grave. Eles são de Camboriú. Por diversas vezes achamos que iríamos perder seu Amaro. Ele é idoso, ficou 50 dias internado. A Alessandra ficou 30. Ela era mais estável, foi se recuperando aos poucos, todos os dias cantávamos música pra ela (‘Oh bebê, gosto mais de você do que de mim, do que de mim’). A Alessandra manda mensagem todos os dias, ela criou uma ligação com os nossos profissionais. Amaro teve sequelas e está tendo que ter cuidados renais, mas está bem, assim como a Alessandra. O contato diário com os familiares dos pacientes é um procedimento que seguimos. Duas vezes ao dia os médicos dão retorno para as famílias, que veem o paciente (havia 12 no Centro-Covid na manhã de quarta-feira (27), há 20 leitos). Para aquelas famílias que não conseguem fazer chamadas de vídeo, nós telefonamos. O quadro de evolução tem sido muito bom, os pacientes têm apoio de fonoaudióloga, nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta, assistente social, dentista também. Há inúmeros profissionais atendendo-os. Estamos com 60% de ocupação, o Hospital Ruth Cardoso está com 10 pacientes na UTI, e a sala de emergência gira de cinco a sete, o Hospital Marieta, de Itajaí, está lotado, em uma situação muito difícil assim como no Ruth. No nosso Centro Covid há pacientes de Balneário Camboriú (quatro), Camboriú (quatro), Itapema (um), Itajaí (um) e Navegantes (um). Itajaí e Navegantes incluem a macrorregião (Balneário normalmente atende a micro), mas estamos atendendo eles devido a dificuldade de absorção da UTI do Marieta. Mas fica o questionamento: quando lotar em Balneário, para onde os pacientes vão? O Ruth Cardoso conta com 27 leitos para semi-intensivo, mas não conseguimos comprar os equipamentos. O Estado distribuiu respiradores, mas Balneário não foi incluída na lista (o Hospital Marieta irá receber 20). Se recebêssemos seriam mais 27 leitos de Covid, falta esse retorno do Estado. Já atendemos 2.257 pessoas no Centro, sendo 1.635 de Balneário e 622 de outras cidades. No total 74 pacientes foram internados, 40 confirmados, 32 casos descartados e 27 em alta domiciliar. As pessoas estão achando que não é verdade, que a doença não é tão séria, que é um exagero, mas é grave. Quem é infectado, dentro dos sintomas moderados, sente dor, tem dificuldade para respirar, tem náusea, dor de cabeça. Estamos com uma paciente de 37 anos em estado grave na UTI. Não é brincadeira. Se sair de casa, use máscara. É chato, mas é a melhor forma de se proteger. Cuide com o manuseio da máscara, lave-a, mantenha distância das outras pessoas, evite aglomeração. Não é momento de festa. Soube da festa que foi flagrada no fim de semana e aquilo me assustou muito. Estamos em plena pandemia. Faz falta o contato físico, mas este é um momento que vai passar, temos que cuidar para termos menos perdas possíveis. Não deixe que um caso chegue na sua família. Valorize a sua vida e a dos outros. Mais do que nunca temos responsabilidade como cidadãos, uma atitude errada que você tomar pode prejudicar a vida do outro”.

Alessandra (a filha que foi internada com o pai).

“Se for positivo, fique em casa isolado”

Rosalie Knoll, médica infectologista da prefeitura de Balneário Camboriú e coordenadora do Comitê da Covid-19

“Nos dias de hoje qualquer sintoma a pessoa pensa que é Corona. Não faz mal pensar assim, porque aí a pessoa será testada e confirmado ou não se ela está com o vírus. Integram os sintomas tosse seca, dor de cabeça, dor de garganta, falta de olfato e paladar e febre. Dois ou três desses sintomas já indicam que a pessoa deve procurar os serviços de saúde. Se for febre com mais um desses sintomas, deve ir direto ao Centro do Covid. Lá, o enfermeiro fará a triagem e depois o médico irá definir se testará ou não. Ele pode orientar também que se a pessoa não melhorar deve retornar em dois dias para testagem. Se a pessoa morar em algum dos bairros, como Nações, Vila Real, pode procurar a unidade de saúde do bairro, lá as equipes também sabem como proceder. Se o caso for positivo, as pessoas que estavam ao redor do contaminado, como familiares e colegas de trabalho, também devem ser observadas. Quando positiva, deve ficar afastada por 14 dias. Quando você faz o exame, até esperar o resultado (que sai no máximo em três dias), não fique circulando pela cidade, fique em casa. Você já pode estar positivo e só está aguardando o resultado. Se for positivo, fique em casa isolado. Se você mora com outras pessoas, se isole em um quarto tendo todos os cuidados de limpeza (desde mãos como também superfícies próximas). Se for sair do quarto, utilize máscara. É recomendável muita hidratação, alimentação saudável e repouso. Só procure internação se tiver dificuldade respiratória. Se os sintomas forem leves, o mais adequado é ficar em casa. Há o percentual de assintomáticos também, é possível não ter sintoma, mas não temos previsão de conseguir testar todos ainda. Testamos em alguns casos, como as pessoas que estiveram próximas do prefeito Fabrício Oliveira. Estamos utilizando o teste swab nasal, a maioria estão sendo adquiridos (custam cerca de R$ 180 cada um). A faixa etária principal de quem está pegando o vírus é de 29 a 60 anos, mas houve um caso em Balneário Camboriú de crianças também, como uma de quatro anos. Os idosos, que integram o grupo de risco, estão se cuidando, enquanto os jovens não tanto, por isso estão sendo mais acometidos. Pedimos que a comunidade fique em casa, não se aglomere. Há muitas pessoas na rua, na praia. Quem se contaminar pode não ter leito, o Hospital Marieta está lotado, o Ruth Cardoso está com 60% de ocupação. O pico está crescendo de 12 dias pra cá. Respeito o isolamento, não é hora de festa. Não há expectativa de melhora ainda, talvez isso aconteça em julho. Em duas semanas deveremos ter uma resposta melhor sobre isso”.


Prefeito Fabrício Oliveira contraiu a doença e já está curado

Credito: Divulgacao/PMBC

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú.

“No começo do isolamento, pensei que poderia ficar em casa, mas logo que entrei no quarto a minha filha veio atrás de mim, ‘papai, papai’, querendo me abraçar, e percebi que não conseguiria suportar, além da preocupação com a saúde dela e minha esposa, que está grávida. Permaneci isolado mesmo, em outro apartamento. Tive um pouco de dor de cabeça, dor nas costas e nos olhos, calafrios. Os sintomas iam e voltavam. Eu fiz exercícios respiratórios, mas mesmo assim tive um pouco de falta de ar. Fui medicado com Azitromicina e com um remédio para vermes, além de tomar muita água, e assim os sintomas foram passando. Fiz o exame e deu negativo, mas percebo que a retomada é lenta. Sinto necessidade de voltar para a minha rotina, a fazer exercícios físicos, mas isso deve acontecer aos poucos. Já voltei pra casa, com a minha filha e esposa. O Coronavírus é uma doença altamente contagiosa e reage diferente nas pessoas, em alguns os sintomas podem ser leves e outros precisam até ser internados. Não há necessidade de arriscar, sei que vamos conviver com a doença, mas isso precisa ser de maneira responsável, até porque temos muitos idosos morando em nossa cidade. Fazer festa neste momento, por exemplo, é uma irresponsabilidade e falta de respeito com os outros também. A máscara é uma das medidas mais eficazes que temos, ela cumpre o papel de proteger a pessoa e os outros, além de ser uma sinalização visual de cuidado, ela chama a atenção. O apoio do Estado com Balneário Camboriú tem sido praticamente inexistente, mas é importante o Hospital Marieta, de Itajaí, ter recebido os respiradores, porque eles estão com a UTI lotada e Balneário começou a receber gente de lá, com certeza isso vai diminuir o impacto no Centro Covid de BC. Decidimos inclusive que vamos colaborar com o Marieta, apoiá-los nessa reestruturação, pois quando isso acontecer, melhor vai ser também para Balneário”.


História sem fim – COVID-19

Por Guilherme Hoefelmann, 31 anos, empresário catarinense, residente de Balneário Camboriú

“Sentado em meio a sala de espera vazia, de chinelos e máscara, aguardo o momento em que a porta vermelha se abrirá e chamarão pelo meu nome. Sintomático, com uma dor de cabeça digna de uma bela tacada de beisebol, espero por uma triagem e talvez passar pela testagem. É normal, suponho - mesmo me mantendo o máximo possível trancado em casa. Por mais cuidadoso que pudesse ser, em algum momento, eu sabia que também iria sobrar pra mim.

Distraído com o celular, não noto quando uma senhora adentra e, de longe, conversa com o recepcionista mascarado. Quando finalmente aterrizo e me atenho ao tom da conversa, as palavras em tom seco do funcionário são taxativas:

- A ambulância vai levar. Prestamos uma homenagem antes e depois vocês podem ir.

De repente sinto aquela sensação estranha de vácuo que faz a pressão desabar, tal qual acontece no cruzamento de dois trens disparados em direções opostas. Como assim homenagem? Pra quem e por quê? Nesse instante a calmaria se esvai e dá lugar aos nervos abalados. Mesmo inconsciente dos fatos, aceito o destino inevitável e em milésimos de segundos já tenho a sentença em minha cabeça: a homenagem será feita aqui e agora pois não estão permitindo velórios. Alguém não sobreviveu.

Dali em diante a bateria antiaérea se desarma e a vulnerabilidade senta ao meu lado para conversar. Então é isso, não é mesmo?! Era tão distante, mas por fim está acontecendo. O inimigo invisível chegou. Há meses eu dava de ombros para o que era notícia no outro lado do mundo e hoje, além de possivelmente ser mais um vetor da maleza, testemunho a batalha perdida de alguém. Porque uma coisa são os dados na tela da televisão, tratados friamente já que números não personificam. Mas agora, bem a minha frente, eu presenciava um diálogo sobre a inevitável má notícia.

Esqueço o que estava fazendo antes e, persuadido pela situação, envio uma mensagem desabafando sobre a gravidade daquilo. Inconformado, busco qualquer palavra de conforto enquanto escrevo sobre a tragédia e indago desolados porquês. Vejo o reflexo da situação e sinto o calafrio da tomada de consciência. Pontos finais sentenciando histórias.

Em meio a uma tormenta psicológica que já me faz esquecer meus sintomas, percebo quando a mesma senhora volta junto de outra mulher, se acomodando em poltronas. Enquanto elas mantém o olhar repousado sobre os dizeres “área restrita” cravamos na porta plotada com gravuras simulando um vírus, a voz atrapalhada de uma delas se direciona ao atendente:

- Posso filmar aqui dentro?

Tenho um estalo mental. Peraí! Filmar? Como assim filmar? E lá vem a montanha-russa mais uma vez.

- Claro! Ela vai sair por essa porta mesmo. - responde o atendente.

E pela segunda vez, em poucos minutos, sinto aquele vácuo. Me volto para a porta e os reflexos no piso já mostram uma grande movimentação. Como um grito de gol aos 48 do segundo tempo que muda completamente a classificação, as cordas de um violão, que até então não estava lá, me desarmam novamente.

De repente a sensação de estar cara a cara com a morte já não se faz presente. E o que acontece no momento seguinte eu posso narrar, mas não explicar.

Cercada por mascarados irreconhecíveis adornados por roupas de quase astronautas, Dona Maria desfila caminhando pelo corredor. Enquanto segura um balão em mãos e consagra sua vitória em um coro puxado por todos, parece não ter noção do feito. Julgo que ali já se vão 60 ou 70 anos, mas o sorriso desconcertado parece o mesmo de quando, ainda crianças, enxergamos a praia pela primeira vez. Sob aplausos e um abraço roubado daquela que filmava tudo, ela está deixando a UTI... Venceu.

Eu havia entendido tudo errado.

Talvez ela nunca saiba disso, mas por alguns minutos, apenas pela minha perspectiva, essa mulher havia partido dessa para uma melhor. Durante um pequeno lapso de tempo, sozinho e em silêncio, velei sua alma e despi meus pensamentos em relação a gravidade das coisas. Rapidamente pude refletir o quanto temos avançado sobre a faixa divisória da pista, em direção contrária ao bom senso. E como, acostumados às marés da vida, vamos nos tornando vagarosos, ranzinzas e falhos, esquecendo o quão sortudos somos por ainda estarmos respirando.

Há alguns anos escutei de uma amiga que, mesmo conscientes sobre o caráter finito da vida, deixamos de lado nossas prioridades e apenas assistimos, anestesiados, o tempo passar. Justo por isso, quando o reino da morte nos invade, elucidando uma tragédia ou perda, deveríamos tomar consciência e deixar de encarar tudo como um poço inesgotável.

Saber da morte é um convite à nossa vida.

Eu não conheço a Dona Maria, não sei no que ela acredita ou como chegou ali. Mas sei que a vi ressuscitar diante de uma morte que ninguém mais viu e que só aconteceu, num curto espaço de tempo, em minha imaginação. Já não era uma homenagem, mas uma celebração. Ela vai pra casa.

E nas profundezas dos meus pensamentos, trato de recapitular que talvez pensar na morte seja mesmo terapêutico. A ameaça nos faça valorizar mais a vida. E uma vez aterrorizado, já não resta outra alternativa.

Hoje, para as duas mulheres anônimas, são lágrimas de felicidade.

Hoje, para mim, a foice passou assobiando à espreita.

Hoje, para Dona Maria, mais tempo”.


“Tem gente que não tem essa sorte, eu fui socorrida a tempo”

Dona Maria e a família.

A Dona Maria citada no texto de Guilherme é Maria das Graças Leão Palha, de 67 anos, que após receber alta ainda no início de maio está em casa, no Conde Vila Verde, em Camboriú, onde vive com duas filhas e quatro netos

“Meu estado foi gravíssimo, fiquei sete dias na UTI do Centro Covid, eu achava que não ia escapar. Mas o tratamento foi 10, os enfermeiros (ela cita Fran e Fábio) são muito bons, eu disse que eles são uma família que eu ganhei. Fui muito bem tratada, nunca vi um hospital com um enfermeiro para cada paciente, e lá era assim. Eles tinham muito cuidado comigo, perguntavam como eu estava. Quando eu saí me deparei com aquela homenagem maravilhosa, cantaram Balão Mágico pra mim, foi muito emocionante e gratificante. Às vezes revejo o vídeo e não acredito. Foi muito bonito, não tenho palavras para agradecer os fisioterapeutas, médicos, enfermeiros. Espero conseguir reencontrar eles. Não vou esquecer nunca o que fizeram por mim. Deus também, em primeiro lugar, se não fosse Ele nada teria acontecido. A Covid-19 é uma doença seríssima, eu tive muita falta de ar e é horrível não poder respirar, você pensa que vai morrer. Eu tive dores no pulmão muito fortes, parecia que ia estourar. No leito eu não tinha mais forças, perdi o apetite, o olfato, paladar. É algo que eu não desejo para ninguém, por isso aconselho que as pessoas procurem não pegar. Siga as regras, use máscara, se proteja, é melhor obedecer do que sacrificar a sua vida, você mostra que não se ama e não ama ninguém. Não pode facilitar, tem que usar em todos os lugares, no trabalho, elevador, comércios. Não é fora de festinha, no meio da festa alguém vai ter Covid e vai contaminar os outros. Quem não sai de lá (do Centro Covid) vai para a sepultura. A vida é só uma e se você não faz o certo está colocando em risco a sua própria vida e a dos outros. Eu tenho 67 anos, mas sou ativa, e fui no mercado sem máscara, a fila estava grande e eu voltei de lá já me sentindo diferente. Inicialmente tive muita dor no corpo, febre, diarréia. Mas desde o começo fui muito bem cuidada, desde com o pessoal na ambulância, que já me colocaram no oxigênio. Tem gente que não tem essa sorte, eu fui socorrida a tempo. Por sorte, minha filha que mora comigo, Rita de Cássia, não pegou Covid, nem meus netos e minha outra filha. Eles cuidaram de mim o tempo todo, moramos todos juntos. O cuidado deles fez muita diferença, senti o amor. Hoje minha vida voltou, estou cozinhando, acordando cedo pra fazer café. Não nasci pra ficar só na cama, não, sou paraense e gosto de trabalhar (risos). Estou ótima”.


Como são os sintomas da Covid-19?

“Passei esse período com muita ansiedade para melhorar”

Andréa Artigas, jornalista e diretora do departamento de Comunicação da prefeitura de Balneário Camboriú

“Está sendo um período de altos e baixos. Essa doença não avança como as outras enfermidades, que aos poucos vai evoluindo. Nesses 14 dias, que completo hoje (quarta-feira, 27), tiveram dias ruins, com muita fraqueza e uma dor de cabeça terrível. E, dias bons, que tinha impressão que poderia ter alta imediatamente. O que mais me incomodou foram as dores de cabeça frequentes e a fadiga, além do enjoo. Passei esse período com muita ansiedade para melhorar e sair do quarto, mas de ontem para cá comecei a ter sintomas gripais fortes, com falta de ar e calafrios, não sei quando isso termina. Essa noite foi a mais difícil até aqui, ainda hoje devo procurar auxílio médico para entender porque no final do quadro, fiquei assim, com esse quadro gripal forte. Sei que a doença não escolhe pessoas, mas eu estava na minha melhor forma física, pedalando muito diariamente, tomando vitaminas e com a alimentação balanceada, por isso a importância de se cuidar. No início da pandemia, em março, eu chegava em casa e na porta trocava os sapatos, já tirava a roupa que vinha da rua, mas aos poucos fui relaxando, sendo menos cuidadosa com esses detalhes, apesar de sempre usar máscara, diminui os outros cuidados. A parte boa é a solidariedade. Durante duas semanas recebi muitas e muitas mensagens e demonstrações de carinho, senti na pele ajuda de vizinhos e o quanto a nossa população é solidária. Deu para entender exatamente para quem sou importante, quem são os amigos. Uma boa lição. Dividi o quarto com minha filha de 16 anos, que positivou também e comemoramos o aniversário dela juntas, mas separadas da família. Foi um momento especial atípico, onde a falta da família ‘grita’ muito. Nesse tempo, de isolamento total, a reflexão sobre o que verdadeiramente importa nos faz rever algumas coisas e sentimentos. E esse impacto todo, tenho certeza, me fará ter um novo olhar do mundo, pelo menos nos primeiros tempos”.


“Meu aniversário foi maravilhoso, mesmo dentro do quarto”

Larissa Laila, 16 anos, é filha da jornalista Andrea Artigas, e também testou positivo

“Na sexta-feira, 22, quando soube que o resultado da minha mãe era positivo, fui logo fazer o meu teste. Eu estava com alguns sintomas como falta de ar, tosse e coriza. Infelizmente no domingo o meu resultado deu positivo. Fiquei um pouco triste, pois além de estar com o vírus teria que passar meu aniversário no quarto, sem a minha família, e isso me deixou desanimada. Mas, ao ver todo o carinho que recebi das pessoas, dos meus amigos e da minha família com certeza mudou totalmente esses 14 dias que foram cheios de amor. Meu aniversário foi maravilhoso, mesmo dentro do quarto, pois recebi muitas mensagens que me deixaram realmente muito feliz e emocionada. Nesses dias, tive sintomas leves, como enjoos matinais e tosse. Graças a Deus tenho todos os recursos que necessito, mas fico pensando em todos os outros adolescentes que não têm recursos o suficiente e estão em condições precárias para lidar com essa situação. É uma mistura de tristeza com impotência por não poder ajudar outros jovens”.


“Estive assintomática em praticamente todo o período”

Maria Heloísa Furtado Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“No dias 12 e 13 de maio percebi alguns sintomas como irritação na garganta, dor nas costas e enjoo, mas tão leves que passariam despercebidos. Estava na rotina de trabalho quando soube da testagem positiva do prefeito. Por ter feito reuniões com ele, fui aconselhada a procurar atendimento médico e neste mesmo dia já iniciei o isolamento. Meu exame foi realizado no dia 14 e no sábado, dia 16, recebi a ligação da vigilância epidemiológica informando do resultado positivo. Fiquei surpresa pois tomei as medidas preventivas e com sintomas tão leves, nunca poderia imaginar que havia contraído. Devo ter descuidado em algum momento. Imediatamente comuniquei a todos que tiveram contato comigo, alertando para que ficassem atentos e buscassem atendimento médico, se necessário. Estive assintomática em praticamente todo o período, por isso estou em contato direto com a equipe da SEMAM mantendo o trabalho de forma remota para evitar solução de continuidade. Destaco o atendimento primoroso da equipe de saúde do Centro de Combate ao Covid e da vigilância epidemiológica que monitora meu estado de saúde, quase diariamente. Mesmo assintomática, sugiro a todos que mantenham os cuidados para evitar a propagação do vírus, uma vez que, estamos lidando com uma doença que apresenta diferentes estágios de infecção e no pior dos casos, pode chegar a consequências gravíssimas. Estou feliz por não ter sintomas graves e penso não ter transmitido a doença, uma vez que todos que estiveram comigo, não tiveram sintomas ou testaram negativo. Também me deixou feliz o carinho e preocupação de todos. Recebi inúmeras mensagens e ligações durante o isolamento, algo que ajudou muito a passar o tempo e confortar o coração”.


“Eu não acreditava que podia ser de Coronavírus”

Gabriella Belle, coordenadora de Imprensa da Comunicação da prefeitura de Balneário Camboriú

“Fiz o teste logo depois do prefeito anunciar que havia testado positivo, porque tenho contato direto com ele e com muitas outras pessoas na Comunicação e eu já estava com alguns sintomas, mas muito leves. Eu não acreditava que podia ser de Coronavírus, até porque nesse período do ano, quando tem muita mudança de temperatura, para mim é muito comum ter dor de cabeça, dor de garganta e tosse, porque eu tenho sinusite. Eu tive só um arranhamento na garganta, uma dorzinha muito leve, e um pouquinho de dor de cabeça, principalmente atrás dos olhos, isso quando eu fui fazer o exame. Fiz o PCR, que identifica a presença do vírus a partir de um pedacinho do código genético, é o teste ouro, como falam. A partir desse momento eu já entrei em isolamento para esperar o resultado do teste, que saiu no sábado, dia 16. Meus sintomas se intensificaram nesse período, tive um pouco mais de dor de cabeça e nas costas. Foram uns cinco dias sentindo isso, mas era tudo muito suave. Eu passei esse período todo muito bem. Eu recebi alta nesta quarta-feira (27), consegui trabalhar de casa, não precisei ir ao médico, mas fui acompanhada pela vigilância epidemiológica. Só tomei paracetamol duas vezes porque eu estava com dor de cabeça. Depois que eu testei positivo, tendo esses sintomas tão leves, eu fiquei bastante assustada, porque muitas pessoas podem estar nessa situação e nem procurar o médico, continuando a andar pela rua sem tomar nenhum cuidado. Ficou muito evidente para mim o quanto é importante usar máscara, álcool gel, lavar as mãos, e evitar aglomerações. Recebemos denúncias de lugares lotados, onde as pessoas não tomam o mínimo de cuidado. Espero que as pessoas tenham essa percepção para que a gente não contamine mais, e que possamos voltar a nossa rotina em breve e com segurança, que é o principal. É importante procurar o médico com qualquer sintoma que você note, só ele pode determinar se vai ser feito exame ou não e o melhor tratamento a ser seguido, porque há bastante dúvida com relação a isso”.


“A vida segue, mas não podemos parar de nos cuidar”

O secretário de Obras de Balneário Camboriú e hoteleiro Osmar Nunes Filho, o Mazoca, foi um dos primeiros casos positivos de Coronavírus em Balneário

“Tive Covid-19 e em cada pessoa os sintomas são diferentes. Os meus não foram muito fortes. Eu estive em São Paulo, mas não sei se peguei lá. Sempre tive cuidado e passava álcool gel. Entre 23 e 24 de março senti febre e a diminuição no meu olfato, e também dor no corpo e cabeça. Fui fazer exame para saber como eu estava e o resultado deu positivo para Coronavírus. Fiz o isolamento social em casa. Minha esposa, Anísia, também testou positivo e para ela os sintomas foram diferentes, ela teve mais cansaço, dificuldade para respirar, dor de cabeça, moleza no corpo. As pessoas não podem deixar de usar máscara e álcool gel. A vida segue, mas não podemos parar de nos cuidar até que haja uma vacina. É uma nova forma de viver, jamais imaginávamos que isso tudo iria acontecer. Temos que alterar a nossa estrutura de convivência porque não podemos parar tudo. Me preocupo muito com os hospitais, também deve haver um novo protocolo de limpeza, tanto em casas como também em terrenos baldios. Estamos vivendo uma nova realidade. Hoje estou bem, mas sigo tomando bastante cuidado, tomo complementos vitamínicos também, porque a imunidade precisa ser reforçada neste momento”.


“Esses 14 dias pareceram uma eternidade”

Leandro Alves, coordenador do Cadastro Único, da secretaria de Inclusão Social

“Sou morador do bairro dos Municípios, no dia 11 de maio comecei com dores de cabeça e também dor de garganta, no dia 13 ainda estava com sintomas, então fui até o Centro Covid e realizei o exame. Fui muito bem atendido pelos profissionais, que prontamente me orientaram caso o resultado fosse positivo. No sábado, 16, logo pela manhã me ligaram passando o resultado do exame. Meu mundo desmoronou naquele momento, foi um choque pra mim, porque já tinha um planejamento do que faria na outra semana, tanto no trabalho como na vida pessoal. Logo em seguida minha esposa subiu as escadas, já com máscara e luvas, dizendo que eu não poderia sair do quarto e que ali passaria os próximos 14 dias. Parece que quando o resultado saiu os sintomas começaram a aumentar, comecei com uma grande falta de ar e muita tosse. A secretária Christina Barichello me ligou pedindo para eu acalmar meu coração, que tudo ficaria bem, e também me orientou a tirar o melhor proveito desta situação. Foi aí que comecei a estudar e ler bastante, apesar de não ser um hábito, a leitura, acabei gostando e ajudou para que eu me acalmasse. O prefeito Fabrício Oliveira também me ligou e me passou mais segurança e tranquilidade, porque ele já estava em isolamento e já tinha passado por esse medo inicial. Comecei a me conformar com a situação apesar de não estar bem, pois minha esposa deixava os alimentos na porta do quarto e saía de perto para que eu pudesse pegar. Nunca imaginei passar por isso. Apenas ouvia meu filho me chamar e dizer o quanto me amava e dizendo que logo poderíamos nos abraçar novamente. Então vinha na minha cabeça a seguinte questão: ‘como será que contraí esse vírus?’ Será que foi o dia que esqueci a máscara em casa e não quis voltar pra buscar pois me atrasaria cinco minutos? Ou até mesmo aqueles dias em que saí de casa quando não eram necessário? Nunca vou saber, mas agora posso alertar as outras pessoas, pois eu também não acreditava que poderia contrair o vírus. Minha esposa também testou positivo, porém pela graça de Deus meu filho, que tem seis anos, deu negativo. Seguindo recomendações da vigilância epidemiológica ficamos em isolamento tomando todos os cuidados para não expor ele. Pela graça de Deus a cada dia os sintomas iam diminuindo até que deixaram de existir. Como já era rotina, na segunda (25) a vigilância epidemiológica ligou logo cedo perguntando como estávamos e respondi que estávamos super bem, sem sentir nenhum sintoma, então foi quando recebi a melhor notícia dos últimos tempos: recebi alta e pude voltar para as minhas atividades normais, tomando os devidos cuidados, usando máscara e higienizando as mãos com frequência. Esses 14 dias pareceram uma eternidade”.


“O mais difícil foi a ignorância das pessoas mal informadas”

Uma leitora, que é autônoma, e preferiu se manter em anônimo porque sofreu preconceito; ela segue em isolamento social tratando o Coronavírus

“Meu celular tinha várias mensagens de pessoas que eu nem conhecia me perguntando o que eu estava sentindo, se as pessoas que tiveram contato comigo teriam que fazer o teste, se eu ficaria trancada em casa. Muita gente nem queria saber da minha saúde, mas sim como eu poderia prejudicar os outros. Me senti muito mal nesse momento. Além de estar com um vírus que todas as pessoas sabem a gravidade, ainda tive lidar com a situação de ter que ficar me justificando. Quando recebi o resultado positivo, não sabia nem por onde começar, meu trabalho, minha casa, minha família e meus pais que são de risco e moram comigo. E agora como fazer, por onde começar? Ligações, mensagens, ficar trancada, não poder sair. Meu filho querendo atenção e eu não pude dar, ele queria sair eu tinha que explicar que não podia, vizinhos me olhando de cara feia quando eu levava o lixo lá fora, até pedi comida delivery e recebi mensagem de críticas ‘porque eu não poderia fazer isso’. Mas como? Se eu não posso ir no mercado também não posso pedir? Como assim? O mais difícil foi a ignorância das pessoas mal informadas. Se eu estou de luva e máscara qual é o problema? As pessoas precisam ter mais informações e entender que as principais vias de transmissão do Coronavírus é a saliva, espirros e tosse. As pessoas não se colocam no lugar do outro, essa é a pior parte. Agora que o isolamento está acabando, as mensagens mudam. Começa o questionamento se eu vou fazer teste para comprovar que eu estou curada. Por que eu preciso provar para a sociedade que eu estou pronta para me socializar de novo?”


“Isso é pior do que os sintomas, a falta de abraçar a família”

Margarida de Fátima Arruda, coordenadora do Sistema Municipal de Empregos (SIME) de Balneário Camboriú

“Dia 15 de maio me senti mal e me dirigi ao Hospital Ruth Cardoso, lá o médico decidiu que eu teria que testar para Covid-19, porque eu apresentava sintomas. Vim para casa, fiquei isolada até sair o resultado. Achei que daria negativo, mas infelizmente foi positivo. Desde então, estou isolada em casa. Tive dor de cabeça muito forte, uma dor muito estranha, congestionamento nasal, dor abdominal e inchaço, sensação que eu estava inchando, inchando, estufando; muita tontura, muita falta de ar. Não precisei ir para o hospital, mas tive sintomas bem fortes. Náuseas e diarréia também, febre eu tive só por algumas horas em uma noite, depois não tive mais. É uma sensação muito ruim, há pessoas que não apresentam sintomas, mas eu apresentei bastante. Agora está amenizando, mas ainda tenho alguns, e sigo isolada. Além das dores e da sensação ruim, eu sinto uma saudade muito grande da minha família, amigos, ainda mais eu que não suporto ficar em casa. Tenho muitas amizades, e todo mundo se preocupou, mandando as coisas para mim, pela janela, de luvas. Vejo minha família dessa forma também. Isso é pior do que os sintomas, a falta de abraçar a família, ter contato com os amigos. Fiquem em casa se possível, usem máscara, se cuidem, porque isso não é brincadeira. Muita gente acha que não vai acontecer, mas acontece se você não se cuidar. Estou sendo monitorada pelos médicos do Ruth Cardoso, deixo aqui os meus parabéns, equipe maravilhosa, dão atenção. A gente tem que zelar pela nossa saúde e pela do próximo”.


Vereador David com a secretária Andressa.

“Tive dias difíceis, sofri”

Vereador David La Barrica

“Comecei a ter dor de cabeça e tosse na quarta-feira (12) e na madrugada de quarta-feira (13) tive febre, acordei com a sensação de que estava bem gripado. Fiz ainda na quarta-feira o teste para Covid-19 e o resultado, positivo, saiu no sábado (16). Tive febre (38,5ºC), e na segunda-feira (18) muita falta de ar e tosse forte, fui para o Centro do Covid, onde fui muito bem atendido. Acredito que a estrutura lá é igual ou até melhor aos hospitais privados. Foi muito bom mesmo. Na quarta-feira (20) comecei a ter diarréia. Já estava tomando a medicação (Azitromicina, Tamiflu e Ivermectina – a Cloroquina o vereador não tomou). Com o passar dos dias fui tendo uma melhora relevante. Na segunda-feira (25) eu tive dor de cabeça fraca, e na terça (26) também, com um pouco de falta de ar, mas na quarta-feira (27) se completaram os meus 14 dias. Pode ser que eu ainda esteja sentindo algum efeito, mas fiz exame de raio-x e deu tudo bom, não tenho nada no pulmão. Acredito que até quinta-feira (28) devo estar bem. No meu caso, vejo que o Coronavírus é complicado. Tive dias difíceis, sofri. As pessoas têm que se cuidar. É uma doença séria. Porém, vejo que a vida continua, a questão da economia também preocupa. Se alguém tiver sintoma, procure saber se tem, se isole, preocupe-se com o outro. Mas a vida continua, o desemprego, os comércios fechando, também preocupam. Eu fiquei em casa sozinho, sem a minha família, mas quem pode deve continuar vivendo, o mundo não pode parar”.


“É uma sensação diferente”

Cristiano José dos Santos, diretor geral da Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú

“Eu comecei a ter sintomas no dia 24 de abril, eram leves no início, mas comecei a ter dores fortes no peito, cabeça e na região pulmonar. Procurei o Centro do Covid, já saí de lá com a medicação para fazer o tratamento e dois dias após já não tive mais nenhum sintoma. Acredito que talvez eu não tenha sofrido tanto, mas por ter procurado no momento certo que tive as dores fortes. Fiz o teste no dia 25, e dia 27 saiu o resultado positivo. Fiquei isolado desde o início. É uma sensação diferente, você depende que outras pessoas levem alimentos pra você. Tive alta no dia 8 de maio pela vigilância epidemiológica. Peço que as pessoas continuem usando máscara, é fundamental. Fui infectado provavelmente pelos olhos, porque sempre me mantenho com máscara, álcool gel. Procure ficar o mínimo possível na rua, tomando os devidos cuidados, para que esse mal deixe de nos assombrar. Para algumas pessoas os sintomas podem ser leves, e para outras pode ser algo bem grave. Minha esposa, por exemplo, teve dores mais fortes, tosse. Continuem fazendo todas as prevenções, porque com certeza vai ajudar a não proliferar o vírus”.



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