Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Novos Hábitos: Coronavírus potencializou o home-office e mudou hábitos em Balneário Camboriú

Sexta, 22/5/2020 19:45.
Reprodição

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Apesar de já difundido mundialmente, o home-office é uma nova realidade para muitos trabalhadores, que viram no trabalho remoto a chance de continuarem a produzir. Porém, o isolamento social e a continuidade da rotina pode gerar ansiedade, estresse e até mesmo medo, considerando que ainda não há uma previsão do fim da quarentena.

“Foi um misto de novidade com pânico”

Caroline Mezadri Cardon Dell’Aira é publicitária e está trabalhando pela primeira vez de forma home-office

“Foi dia 17 de março que fomos trabalhar na agência física e a minha chefe nos comunicou que irÍamos passar a trabalhar home-office devido a pandemia que estava se instaurando. Foi um misto de novidade com pânico e em pensar em várias estratégias para se manter em casa. Na época, meu marido e eu morávamos com meus pais. Então a ergonomia prejudicou um pouco o trabalho na questão de concentração, pois estava complicado adequar o notebook, a mesa e a cadeira. Muitas vezes passei o dia sentada na cama para trabalhar. Foi também um momento em que todos estavam se adequando, clientes, agência, processos, a própria casa, pois tínhamos que nos planejar para as idas ao mercado, convencer os pais de ficar em casa.

No início, foi uma situação delicada até para criar conteúdos para as redes sociais, pois a mudança na situação era constante, então, o planejamento que a gente fazia para uma semana, de repente mudava e tínhamos que criar de novo. Apesar de tudo, foi uma adequação rápida, pois fomos movidos pela vontade de fazer dar certo. Aos poucos fomos nos acostumando com o novo normal. No meio disso tudo, eu fiz mudança. Tive que me adequar duas vezes. Consegui arrumar um mini escritório. Hoje está muito mais confortável. Não perdemos o contato, estamos trabalhando com videochamadas, WhatsApp e também com o Trello para nos organizarmos.

Pelo lado positivo, estamos menos expostos a riscos, eu moro em Itajaí e ia todos os dias até Balneário de moto. Podemos fazer a comida na hora do almoço, evitamos a correria e ainda é possível ter uma cobertinha pra espantar o frio durante o trabalho (risos). São coisas que influenciam na nossa qualidade de vida. Por outro lado, o dia a dia da agência era muito bom, tínhamos momentos de descontração. Creio que criamos novos processos, novos conteúdos, pensamos mais nos outros, criamos novos formatos, como as lives semanais que a agência vem fazendo e proporcionando experiência novas.

Estamos numa realidade diferente, creio que estamos descobrindo muitas coisas, dando valor a outras que pareciam tão comuns. A equipe da agência está amadurecendo muito, puxando a responsabilidade pra si. Estamos aprendendo novas habilidades. Às vezes é mais cansativo estar em home-office do que ir para a agência e voltar para casa, pois parece que estamos trabalhando o dobro.

Uma coisa que eu percebi muito nessa pandemia, foi o valor das profissões como a dos comunicadores, dos biólogos, médicos, enfermeiros, enfim, algumas profissões que não recebiam o valor devido, hoje recebem. Então o nosso trabalho enfim está sendo visto com outro olhar”.


“Não devemos nos exigir demais”

Silvana Borba Gallina é psicóloga

“Sigo atendendo meus pacientes e também entraram novos, toda semana isso tem acontecido, na verdade. Percebo que quem não tinha ansiedade passou a ter. É um momento único, ninguém imaginou que podia acontecer, não tem ninguém para relatar algo parecido. Se acontecesse uma Terceira Guerra Mundial teria uma análise de algo parecido. Citam a Gripe Espanhola, mas nenhuma peste se compara.

É um momento que muda a cada semana, e tem sido um desafio diário para todas as famílias, que vivem novas descobertas dentro de casa. Casais que não conviviam muito estão juntos o tempo todo, pais me relatam que estão descobrindo os seus filhos. Está havendo um resgate de hábitos, como o de telefonar para familiares e amigos, gerando essa comoção positiva de preocupação, empatia. E temos que buscar essa intenção positiva, analisar o que a pandemia está contribuindo. Por mais que nos sentimos isolados, enclausurados, cada pessoa vê a pandemia de uma forma, temos que buscar para o que está acontecendo.

Sei que nem todas as famílias estão em plena harmonia, há dificuldade com as crianças e adolescentes por conta da escola, e eu digo que não é hora de exigir alto rendimentos. No começo havia uma necessidade de seguir rotina, mas agora não é momento para gerar mais ansiedade. Antes havia a preocupação de reduzir o tempo dos filhos com eletrônicos, e agora isso pode ajudar. Não devemos nos exigir demais, não temos que assistir todas as lives, acompanhar todas as notícias. Precisamos nos distrair com o que gostamos, fazer atividades com os as crianças como assistir TV e jogar jogos de tabuleiro, por exemplo.

O ideal é acompanhar as notícias no máximo uma hora por dia, incluindo TV e jornais online. Precisamos ter uma rotina saudável, fazer as refeições nos horários certos, se possível praticar exercícios dentro de casa. As pessoas não devem se privar de buscar ajuda se não estão se sentindo bem, é importante que busquem e acionem sua rede para auxiliar nesse momento, nem que seja virtualmente”.


“Ansiedade foi o que predominou até agora”


Miriam Pereira é psicóloga

“Se alguém tinha dúvida quanto a importância da saúde mental, não restou nenhuma. Vejo que ela será encarada de outra forma. O estresse atingiu todo mundo, uns mais, outros menos. Logo no início todos fomos privados de ir a rua, fazer atividades ao ar livre, deixou todo mundo mais ou menos estressado e afetou psicologicamente.

Algumas pessoas desenvolveram ansiedade, depressão, que antes não tinham. Quem já tinha algum sintoma ou algum transtorno acabou acentuando. Ainda teremos pessoas desenvolvendo doenças mentais daqui pra frente, é esperado e provavelmente teremos bastante trabalho em relação a saúde mental. Ansiedade foi o que predominou até agora, pessoas com crise ansiosa, extremamente preocupadas com a pandemia, mudanças que ela gerou não só na vida delas, mas no mundo inteiro.

Todo o contexto econômico, político, social, além de todas as notícias que recebemos provocaram em algumas pessoas desespero, em outras desânimo, afetou bastante os relacionamentos. Exigiu a convivência familiar ou às vezes a solidão para quem mora sozinho, e tem sido um período de reflexão, as pessoas passaram a olhar para si mesmas, refletindo sobre o que é importante e como algumas coisas que antes não eram valorizadas são importantes, como o ir e vir, encontros com amigos, e o trabalho, que agora será visto por outra perspectiva.

Teve mães que descobriram o que é cuidar e conviver com os filhos, tendo que encontrar uma maneira de adequar a rotina. Há desafios para as crianças também, com aulas-online, e sentindo falta do convívio que tinham na escola, que agora não está acontecendo.

Os profissionais de saúde também merecem atenção, estão exaustos, sentem a pressão física e psicológica e estão na linha de frente, com o receio de se contaminarem e também se colocam como risco para seus familiares, já que estão em contato com pessoas que podem estar contaminadas, podendo ser hostilizados pela população e até por seus familiares. Eles podem desenvolver doenças mentais daqui pra frente também.

A principal dica é criar uma rotina que seja prazerosa, como manter alguns itens da rotina antiga, evitando assim sentir o impacto da nova realidade. Há quem goste de ver séries, ler, cozinhar, ouvir música, dançar, escrever, colocar no papel os sentimentos, os medos.

Meditação também é incrível nesse momento porque é um exercício que faz a pessoa se manter no presente, o que gera a ansiedade é a preocupação com o futuro, e há coisas que não dependem da gente, temos que dar tempo ao tempo”.


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Reprodição

Novos Hábitos: Coronavírus potencializou o home-office e mudou hábitos em Balneário Camboriú

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Sexta, 22/5/2020 19:45.

Apesar de já difundido mundialmente, o home-office é uma nova realidade para muitos trabalhadores, que viram no trabalho remoto a chance de continuarem a produzir. Porém, o isolamento social e a continuidade da rotina pode gerar ansiedade, estresse e até mesmo medo, considerando que ainda não há uma previsão do fim da quarentena.

“Foi um misto de novidade com pânico”

Caroline Mezadri Cardon Dell’Aira é publicitária e está trabalhando pela primeira vez de forma home-office

“Foi dia 17 de março que fomos trabalhar na agência física e a minha chefe nos comunicou que irÍamos passar a trabalhar home-office devido a pandemia que estava se instaurando. Foi um misto de novidade com pânico e em pensar em várias estratégias para se manter em casa. Na época, meu marido e eu morávamos com meus pais. Então a ergonomia prejudicou um pouco o trabalho na questão de concentração, pois estava complicado adequar o notebook, a mesa e a cadeira. Muitas vezes passei o dia sentada na cama para trabalhar. Foi também um momento em que todos estavam se adequando, clientes, agência, processos, a própria casa, pois tínhamos que nos planejar para as idas ao mercado, convencer os pais de ficar em casa.

No início, foi uma situação delicada até para criar conteúdos para as redes sociais, pois a mudança na situação era constante, então, o planejamento que a gente fazia para uma semana, de repente mudava e tínhamos que criar de novo. Apesar de tudo, foi uma adequação rápida, pois fomos movidos pela vontade de fazer dar certo. Aos poucos fomos nos acostumando com o novo normal. No meio disso tudo, eu fiz mudança. Tive que me adequar duas vezes. Consegui arrumar um mini escritório. Hoje está muito mais confortável. Não perdemos o contato, estamos trabalhando com videochamadas, WhatsApp e também com o Trello para nos organizarmos.

Pelo lado positivo, estamos menos expostos a riscos, eu moro em Itajaí e ia todos os dias até Balneário de moto. Podemos fazer a comida na hora do almoço, evitamos a correria e ainda é possível ter uma cobertinha pra espantar o frio durante o trabalho (risos). São coisas que influenciam na nossa qualidade de vida. Por outro lado, o dia a dia da agência era muito bom, tínhamos momentos de descontração. Creio que criamos novos processos, novos conteúdos, pensamos mais nos outros, criamos novos formatos, como as lives semanais que a agência vem fazendo e proporcionando experiência novas.

Estamos numa realidade diferente, creio que estamos descobrindo muitas coisas, dando valor a outras que pareciam tão comuns. A equipe da agência está amadurecendo muito, puxando a responsabilidade pra si. Estamos aprendendo novas habilidades. Às vezes é mais cansativo estar em home-office do que ir para a agência e voltar para casa, pois parece que estamos trabalhando o dobro.

Uma coisa que eu percebi muito nessa pandemia, foi o valor das profissões como a dos comunicadores, dos biólogos, médicos, enfermeiros, enfim, algumas profissões que não recebiam o valor devido, hoje recebem. Então o nosso trabalho enfim está sendo visto com outro olhar”.


“Não devemos nos exigir demais”

Silvana Borba Gallina é psicóloga

“Sigo atendendo meus pacientes e também entraram novos, toda semana isso tem acontecido, na verdade. Percebo que quem não tinha ansiedade passou a ter. É um momento único, ninguém imaginou que podia acontecer, não tem ninguém para relatar algo parecido. Se acontecesse uma Terceira Guerra Mundial teria uma análise de algo parecido. Citam a Gripe Espanhola, mas nenhuma peste se compara.

É um momento que muda a cada semana, e tem sido um desafio diário para todas as famílias, que vivem novas descobertas dentro de casa. Casais que não conviviam muito estão juntos o tempo todo, pais me relatam que estão descobrindo os seus filhos. Está havendo um resgate de hábitos, como o de telefonar para familiares e amigos, gerando essa comoção positiva de preocupação, empatia. E temos que buscar essa intenção positiva, analisar o que a pandemia está contribuindo. Por mais que nos sentimos isolados, enclausurados, cada pessoa vê a pandemia de uma forma, temos que buscar para o que está acontecendo.

Sei que nem todas as famílias estão em plena harmonia, há dificuldade com as crianças e adolescentes por conta da escola, e eu digo que não é hora de exigir alto rendimentos. No começo havia uma necessidade de seguir rotina, mas agora não é momento para gerar mais ansiedade. Antes havia a preocupação de reduzir o tempo dos filhos com eletrônicos, e agora isso pode ajudar. Não devemos nos exigir demais, não temos que assistir todas as lives, acompanhar todas as notícias. Precisamos nos distrair com o que gostamos, fazer atividades com os as crianças como assistir TV e jogar jogos de tabuleiro, por exemplo.

O ideal é acompanhar as notícias no máximo uma hora por dia, incluindo TV e jornais online. Precisamos ter uma rotina saudável, fazer as refeições nos horários certos, se possível praticar exercícios dentro de casa. As pessoas não devem se privar de buscar ajuda se não estão se sentindo bem, é importante que busquem e acionem sua rede para auxiliar nesse momento, nem que seja virtualmente”.


“Ansiedade foi o que predominou até agora”


Miriam Pereira é psicóloga

“Se alguém tinha dúvida quanto a importância da saúde mental, não restou nenhuma. Vejo que ela será encarada de outra forma. O estresse atingiu todo mundo, uns mais, outros menos. Logo no início todos fomos privados de ir a rua, fazer atividades ao ar livre, deixou todo mundo mais ou menos estressado e afetou psicologicamente.

Algumas pessoas desenvolveram ansiedade, depressão, que antes não tinham. Quem já tinha algum sintoma ou algum transtorno acabou acentuando. Ainda teremos pessoas desenvolvendo doenças mentais daqui pra frente, é esperado e provavelmente teremos bastante trabalho em relação a saúde mental. Ansiedade foi o que predominou até agora, pessoas com crise ansiosa, extremamente preocupadas com a pandemia, mudanças que ela gerou não só na vida delas, mas no mundo inteiro.

Todo o contexto econômico, político, social, além de todas as notícias que recebemos provocaram em algumas pessoas desespero, em outras desânimo, afetou bastante os relacionamentos. Exigiu a convivência familiar ou às vezes a solidão para quem mora sozinho, e tem sido um período de reflexão, as pessoas passaram a olhar para si mesmas, refletindo sobre o que é importante e como algumas coisas que antes não eram valorizadas são importantes, como o ir e vir, encontros com amigos, e o trabalho, que agora será visto por outra perspectiva.

Teve mães que descobriram o que é cuidar e conviver com os filhos, tendo que encontrar uma maneira de adequar a rotina. Há desafios para as crianças também, com aulas-online, e sentindo falta do convívio que tinham na escola, que agora não está acontecendo.

Os profissionais de saúde também merecem atenção, estão exaustos, sentem a pressão física e psicológica e estão na linha de frente, com o receio de se contaminarem e também se colocam como risco para seus familiares, já que estão em contato com pessoas que podem estar contaminadas, podendo ser hostilizados pela população e até por seus familiares. Eles podem desenvolver doenças mentais daqui pra frente também.

A principal dica é criar uma rotina que seja prazerosa, como manter alguns itens da rotina antiga, evitando assim sentir o impacto da nova realidade. Há quem goste de ver séries, ler, cozinhar, ouvir música, dançar, escrever, colocar no papel os sentimentos, os medos.

Meditação também é incrível nesse momento porque é um exercício que faz a pessoa se manter no presente, o que gera a ansiedade é a preocupação com o futuro, e há coisas que não dependem da gente, temos que dar tempo ao tempo”.


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