Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
OMS pede cautela após países flexibilizarem lockdown e registrarem novos casos

Brasil registra 396 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

Terça, 12/5/2020 7:09.
Paula Fróes
Enfermeira do Centro de Covid-19 do Hospital Espanhol, em Salvador, Bahia.

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Paulo Beraldo
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um novo alerta nesta segunda-feira, 11, para que os países que estejam flexibilizando os confinamentos e lockdowns impostos no início da pandemia o façam de maneira gradual e cautelosa, pois é um processo difícil, sem resultados conhecidos e que requer aprendizado diário.

Tedros citou que, no fim de semana, foram vistos os primeiros desafios de reduzir as medidas de restrição de movimentação de pessoas em países como Alemanha, China e Coreia do Sul, com novos casos ressurgindo.

"No fim de semana, vimos sinais dos desafios que podem surgir pela frente. Na Coreia do Sul, bares e clubes foram fechados porque um caso de covid-19 foi confirmado e houve muitos contatos rastreados. Em Wuhan, foi identificado o primeiro cluster de casos desde que o lockdown foi suspenso. E a Alemanha também relatou aumento de casos desde o alívio das restrições".

Tedros destacou que os países precisam responder três perguntas antes de pensar na flexibilização: a epidemia está sob controle? O sistema de vigilância de saúde pública é capaz de detectar e gerenciar novos casos e identificar um ressurgimento da pandemia? O sistema de saúde pode lidar com os novos casos que eventualmente surjam após o relaxamento de medidas?

Tedros disse que os três países têm sistemas para detectar e atuar contra o ressurgimento dos casos, mas esse pode não ser o caso de outras nações. "Uma redução das medidas lenta e constante é essencial para estimular as economias e vigiar o vírus, de modo que medidas de controle possam ser implementadas rapidamente (caso necessário)".

O diretor da entidade comentou ainda que está havendo sucesso em reduzir a velocidade do vírus e em salvar vidas. "Essas medidas fortes têm um custo e reconhecemos o sério impacto socioeconômico dos lockdowns, que tiveram um efeito prejudicial na vida de muitas pessoas", reconheceu. "Muitos usaram esse tempo para aumentar sua capacidade de testar, rastrear, isolar e cuidar dos pacientes contaminados, que é a melhor maneira de rastrear o vírus, retardar sua disseminação e aliviar a pressão nos sistemas de saúde".

"O risco de contágio continua alto", salientou Michael Ryan, diretor do programa de emergências da OMS. Segundo ele, os países ainda estão "com os olhos vendados" por não saberem exatamente como serão os resultados dessa flexibilização. Por isso, é preciso que haja dados, parâmetros e acompanhamento intenso na reabertura.

Nesta segunda, países como França, Espanha e Alemanha reduziram o nível de confinamento vigente. Na Espanha e na Alemanha, as medidas já vêm sendo aliviadas rapidamente, enquanto milhões de franceses puderam deixar suas casas sem uma declaração pela primeira vez em quase dois meses.

Brasil registra 396 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

André Borges
O Brasil registrou 396 mortes decorrentes do novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo atualização feita pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira, 11. Com isso, o total oficial de vítimas da covid-19 no País subiu de 11.123 para 11 519. O número de casos confirmados da doença saltou de 162.699 para 168.331, com 5.632 novos registros entre ontem e hoje.

São Paulo é o Estado que apresenta os maiores números, com 3.743 óbitos decorrentes do novo coronavírus e 46.131 casos confirmados. Em segundo lugar, o Rio de Janeiro já contabiliza 1 770 óbitos em função da doença e 17.939 casos confirmados. Em seguida, vêm Ceará (1.189 óbitos, 17.599 casos confirmados), Pernambuco (1.087 óbitos, 13.768 casos confirmados) e Amazonas (1.035 óbitos, 12.919 casos confirmados).

O governo ressalta que o número de mortes registradas nas últimas 24 horas não indica efetivamente quantas pessoas faleceram de um dia para o outro, mas sim o número de óbitos que tiveram o diagnóstico de coronavírus confirmado nesse intervalo. Mesmo assim, este número vem crescendo. Apenas nos últimos sete dias, incluindo novos registros de segunda, 4 de maio, até domingo, 10, foram 4.098 novos registros de óbito por covid-19 no País. Especialistas apontam ainda que o número real de infectados e mortos pela doença deve ser maior que o indicado pelas estatísticas oficiais, uma vez que nem todos os casos chegam a ser testados.

Além disso, no Brasil, a epidemia tem assumido um perfil diferente do que outros lugares apresentaram. Conforme mostrou reportagem do Estado, pelo menos 45% das pessoas internadas no País por causa do novo coronavírus têm entre 20 e 59 anos.

Segundo autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social é a "ferramenta" capaz de conter a disseminação rápida do vírus e assim evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde. Especialistas brasileiros também já apontam a necessidade do chamado 'lockdown' nos locais mais afetados, o que caracteriza o grau mais extremo do distanciamento social, no qual ele se torna obrigatório.

Nesta segunda, 11, os conselhos de saúde que representam Estados e municípios rejeitaram a nova diretriz do Ministério da Saúde sobre o distanciamento social, principal promessa de Nelson Teich ao assumir a pasta para rever a estratégia de combate a covid-19.

A proposta de Teich levanta uma série de dados, como capacidade de atendimento, ocupação de leitos, e número de casos e óbitos. Cada item teria uma pontuação. Somados, mostrariam em que situação está cada local e qual intervenção específica é sugerida. A medida, no entanto, gerou temor de que as diretrizes virassem arma para discurso contrário ao isolamento. Além de considerarem inoportuna a discussão, secretários também afirmam que seria inviável levantar os dados especificados, que mudam diariamente.

Teich se disse surpreso com a rejeição e disse que, no fim de semana, tratou do assunto com representantes dos conselhos e que houve consenso de que as medidas seriam anunciadas para balizar e orientar cada gestor local a tomar suas medidas.

Em coletiva de imprensa na tarde de hoje, o ministrou voltou a afirmar que não se trata de dizer se é melhor flexibilizar ou isolar certa população por causa da disseminação do novo coronavírus, mas sim de trabalhar sem "interesse pessoal", pela coletividade.

(*O Página 3 reproduz sob licença o conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo.)


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Página 3
Paula Fróes
Enfermeira do Centro de Covid-19 do Hospital Espanhol, em Salvador, Bahia.
Enfermeira do Centro de Covid-19 do Hospital Espanhol, em Salvador, Bahia.

OMS pede cautela após países flexibilizarem lockdown e registrarem novos casos

Brasil registra 396 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

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Terça, 12/5/2020 7:09.

Paulo Beraldo
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um novo alerta nesta segunda-feira, 11, para que os países que estejam flexibilizando os confinamentos e lockdowns impostos no início da pandemia o façam de maneira gradual e cautelosa, pois é um processo difícil, sem resultados conhecidos e que requer aprendizado diário.

Tedros citou que, no fim de semana, foram vistos os primeiros desafios de reduzir as medidas de restrição de movimentação de pessoas em países como Alemanha, China e Coreia do Sul, com novos casos ressurgindo.

"No fim de semana, vimos sinais dos desafios que podem surgir pela frente. Na Coreia do Sul, bares e clubes foram fechados porque um caso de covid-19 foi confirmado e houve muitos contatos rastreados. Em Wuhan, foi identificado o primeiro cluster de casos desde que o lockdown foi suspenso. E a Alemanha também relatou aumento de casos desde o alívio das restrições".

Tedros destacou que os países precisam responder três perguntas antes de pensar na flexibilização: a epidemia está sob controle? O sistema de vigilância de saúde pública é capaz de detectar e gerenciar novos casos e identificar um ressurgimento da pandemia? O sistema de saúde pode lidar com os novos casos que eventualmente surjam após o relaxamento de medidas?

Tedros disse que os três países têm sistemas para detectar e atuar contra o ressurgimento dos casos, mas esse pode não ser o caso de outras nações. "Uma redução das medidas lenta e constante é essencial para estimular as economias e vigiar o vírus, de modo que medidas de controle possam ser implementadas rapidamente (caso necessário)".

O diretor da entidade comentou ainda que está havendo sucesso em reduzir a velocidade do vírus e em salvar vidas. "Essas medidas fortes têm um custo e reconhecemos o sério impacto socioeconômico dos lockdowns, que tiveram um efeito prejudicial na vida de muitas pessoas", reconheceu. "Muitos usaram esse tempo para aumentar sua capacidade de testar, rastrear, isolar e cuidar dos pacientes contaminados, que é a melhor maneira de rastrear o vírus, retardar sua disseminação e aliviar a pressão nos sistemas de saúde".

"O risco de contágio continua alto", salientou Michael Ryan, diretor do programa de emergências da OMS. Segundo ele, os países ainda estão "com os olhos vendados" por não saberem exatamente como serão os resultados dessa flexibilização. Por isso, é preciso que haja dados, parâmetros e acompanhamento intenso na reabertura.

Nesta segunda, países como França, Espanha e Alemanha reduziram o nível de confinamento vigente. Na Espanha e na Alemanha, as medidas já vêm sendo aliviadas rapidamente, enquanto milhões de franceses puderam deixar suas casas sem uma declaração pela primeira vez em quase dois meses.

Brasil registra 396 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

André Borges
O Brasil registrou 396 mortes decorrentes do novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo atualização feita pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira, 11. Com isso, o total oficial de vítimas da covid-19 no País subiu de 11.123 para 11 519. O número de casos confirmados da doença saltou de 162.699 para 168.331, com 5.632 novos registros entre ontem e hoje.

São Paulo é o Estado que apresenta os maiores números, com 3.743 óbitos decorrentes do novo coronavírus e 46.131 casos confirmados. Em segundo lugar, o Rio de Janeiro já contabiliza 1 770 óbitos em função da doença e 17.939 casos confirmados. Em seguida, vêm Ceará (1.189 óbitos, 17.599 casos confirmados), Pernambuco (1.087 óbitos, 13.768 casos confirmados) e Amazonas (1.035 óbitos, 12.919 casos confirmados).

O governo ressalta que o número de mortes registradas nas últimas 24 horas não indica efetivamente quantas pessoas faleceram de um dia para o outro, mas sim o número de óbitos que tiveram o diagnóstico de coronavírus confirmado nesse intervalo. Mesmo assim, este número vem crescendo. Apenas nos últimos sete dias, incluindo novos registros de segunda, 4 de maio, até domingo, 10, foram 4.098 novos registros de óbito por covid-19 no País. Especialistas apontam ainda que o número real de infectados e mortos pela doença deve ser maior que o indicado pelas estatísticas oficiais, uma vez que nem todos os casos chegam a ser testados.

Além disso, no Brasil, a epidemia tem assumido um perfil diferente do que outros lugares apresentaram. Conforme mostrou reportagem do Estado, pelo menos 45% das pessoas internadas no País por causa do novo coronavírus têm entre 20 e 59 anos.

Segundo autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social é a "ferramenta" capaz de conter a disseminação rápida do vírus e assim evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde. Especialistas brasileiros também já apontam a necessidade do chamado 'lockdown' nos locais mais afetados, o que caracteriza o grau mais extremo do distanciamento social, no qual ele se torna obrigatório.

Nesta segunda, 11, os conselhos de saúde que representam Estados e municípios rejeitaram a nova diretriz do Ministério da Saúde sobre o distanciamento social, principal promessa de Nelson Teich ao assumir a pasta para rever a estratégia de combate a covid-19.

A proposta de Teich levanta uma série de dados, como capacidade de atendimento, ocupação de leitos, e número de casos e óbitos. Cada item teria uma pontuação. Somados, mostrariam em que situação está cada local e qual intervenção específica é sugerida. A medida, no entanto, gerou temor de que as diretrizes virassem arma para discurso contrário ao isolamento. Além de considerarem inoportuna a discussão, secretários também afirmam que seria inviável levantar os dados especificados, que mudam diariamente.

Teich se disse surpreso com a rejeição e disse que, no fim de semana, tratou do assunto com representantes dos conselhos e que houve consenso de que as medidas seriam anunciadas para balizar e orientar cada gestor local a tomar suas medidas.

Em coletiva de imprensa na tarde de hoje, o ministrou voltou a afirmar que não se trata de dizer se é melhor flexibilizar ou isolar certa população por causa da disseminação do novo coronavírus, mas sim de trabalhar sem "interesse pessoal", pela coletividade.


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