Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Teich defende ampliar isolamento em SP, RJ e AM e fala em até mil mortos/dia

"É um numero possível de acontecer."

Sexta, 1/5/2020 18:22.
Agência Brasil

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Por André Borges e Julia Lindner

O ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu as medidas de ampliação de isolamento social anunciadas pelos governos de São Paulo, Rio e Amazonas, como resposta ao aumento de casos de óbitos e contaminações do novo coronavírus.

O ministro ainda admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortes por dia. Ontem foram registradas mais 435. E considerou que medidas de flexibilização já anunciadas correm o risco de ser canceladas.

As gestões paulista e fluminense são alvo de críticas diárias do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que o aumento de mortes seria culpa do isolamento social adotado pelos Estados. Indagado sobre o aumento das restrições de circulação, o ministro disse que se trata de uma "medida coerente" e, dada a situação desses Estados, é o que precisa ser realmente feito.

"Se você tem lugares com aumento de incidência e mortalidade, a primeira coisa é aumentar o distanciamento para diminuir o contágio", disse Teich. "É uma medida absolutamente natural diante do número de casos."

A posição do ministro foi reiterada pelo assessor especial do Ministério da Saúde, Denizar Vianna.

"Qual a avaliação do ministério? Se nós estamos diante de uma doença onde não há, ainda, um tratamento específico, onde não há prevenção, não há vacina, resta o quê? O isolamento social", comentou. "Então, a medida adotada é coerente por parte do gestor."

De acordo com o chefe do Centro de Contigência da Covid-19 em São Paulo, David Uip, aconteceu ontem uma reunião entre a Secretaria Estadual da Saúde e o Ministério da Saúde, com a presença de Teich. Segundo Uip, o ministro defendeu a manutenção do isolamento social e também falou sobre a dificuldade da compra de insumos, principalmente respiradores.

A mudança de postura de Teich, que hoje já não dá nenhuma data para qualquer flexibilização das medidas de isolamento social, deve-se, basicamente, ao aumento acelerado de mortes e contaminações. O País encerrou abril com um total de 5.901 óbitos e 85.380 pessoas contaminadas. Por isso, decisões de flexibilização correm o risco de terem de ser canceladas, dado o avanço da doença.

"Em algum momento, isso vai ter que ser flexibilizado. Na hora que isso acontecer, vai ter de ter calma, porque pode ser que você tenha de recuar. Senão, isso vai virar uma guerra. Todo mundo tem de estar junto, porque aquilo que você faz hoje pode ter de ser revisto amanhã."

O ministro também disse que as "diretrizes" montadas pelo ministério para que Estados e municípios tracem planos de flexibilização serão divulgadas individualmente, conforme demandadas, e não como um plano geral, para não criar distorções, dada as peculiaridades de cada local. Segundo ele, se a liberação da diretriz soar como uma orientação ou recomendação de relaxamento, "seria muito ruim, porque não é o caso".

Momento impróprio

Teich, ao contrário do que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, também considerou o momento "impróprio" para discutir o assunto, dado o avanço crescente de mortes e contaminações.

"Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida (da flexibilização), mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência."

Para ele, o País pode chegar ao registro de até mil óbitos por dia.

"É um numero possível de acontecer. Não quer dizer que vá acontecer", comentou.

Nelson Teich disse que, apesar de haver muitos municípios com poucos casos confirmados, cerca de 15% dos municípios mais sensíveis concentram a maioria da população.

"Se a gente não parar para entender e ficar polarizando se é bom ou ruim, não vai levar a nada. Temos de analisar isso de forma tranquila e equilibrada", disse.

Quando chegou ao ministério, Teich disse que estava 100% alinhado ao discurso de Bolsonaro e que o País precisava a tratar de medidas de flexibilização onde fosse possível. A realidade, porém, é que o crescimento rápido do vírus em todo o País tem feito com que o Ministério da Saúde tenha de dar prioridade à agenda de socorro a locais que passam por todo tipo de dificuldade, como as cidades de São Paulo, Rio, Recife, Manaus e Fortaleza.

Em outro momento, Teich chegou a dizer que o País apresentava uma das melhores "performances" contra a covid-19. Anteontem, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão solicitou na quarta, 29, ao Ministério da Saúde que esclareça em cinco dias uma série de informações sobre a subnotificação de casos da covid-19 no País.

(Colaboraram Paloma Cotes e João Ker)


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Página 3
Agência Brasil

Teich defende ampliar isolamento em SP, RJ e AM e fala em até mil mortos/dia

"É um numero possível de acontecer."

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Sexta, 1/5/2020 18:22.
Por André Borges e Julia Lindner

O ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu as medidas de ampliação de isolamento social anunciadas pelos governos de São Paulo, Rio e Amazonas, como resposta ao aumento de casos de óbitos e contaminações do novo coronavírus.

O ministro ainda admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortes por dia. Ontem foram registradas mais 435. E considerou que medidas de flexibilização já anunciadas correm o risco de ser canceladas.

As gestões paulista e fluminense são alvo de críticas diárias do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que o aumento de mortes seria culpa do isolamento social adotado pelos Estados. Indagado sobre o aumento das restrições de circulação, o ministro disse que se trata de uma "medida coerente" e, dada a situação desses Estados, é o que precisa ser realmente feito.

"Se você tem lugares com aumento de incidência e mortalidade, a primeira coisa é aumentar o distanciamento para diminuir o contágio", disse Teich. "É uma medida absolutamente natural diante do número de casos."

A posição do ministro foi reiterada pelo assessor especial do Ministério da Saúde, Denizar Vianna.

"Qual a avaliação do ministério? Se nós estamos diante de uma doença onde não há, ainda, um tratamento específico, onde não há prevenção, não há vacina, resta o quê? O isolamento social", comentou. "Então, a medida adotada é coerente por parte do gestor."

De acordo com o chefe do Centro de Contigência da Covid-19 em São Paulo, David Uip, aconteceu ontem uma reunião entre a Secretaria Estadual da Saúde e o Ministério da Saúde, com a presença de Teich. Segundo Uip, o ministro defendeu a manutenção do isolamento social e também falou sobre a dificuldade da compra de insumos, principalmente respiradores.

A mudança de postura de Teich, que hoje já não dá nenhuma data para qualquer flexibilização das medidas de isolamento social, deve-se, basicamente, ao aumento acelerado de mortes e contaminações. O País encerrou abril com um total de 5.901 óbitos e 85.380 pessoas contaminadas. Por isso, decisões de flexibilização correm o risco de terem de ser canceladas, dado o avanço da doença.

"Em algum momento, isso vai ter que ser flexibilizado. Na hora que isso acontecer, vai ter de ter calma, porque pode ser que você tenha de recuar. Senão, isso vai virar uma guerra. Todo mundo tem de estar junto, porque aquilo que você faz hoje pode ter de ser revisto amanhã."

O ministro também disse que as "diretrizes" montadas pelo ministério para que Estados e municípios tracem planos de flexibilização serão divulgadas individualmente, conforme demandadas, e não como um plano geral, para não criar distorções, dada as peculiaridades de cada local. Segundo ele, se a liberação da diretriz soar como uma orientação ou recomendação de relaxamento, "seria muito ruim, porque não é o caso".

Momento impróprio

Teich, ao contrário do que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, também considerou o momento "impróprio" para discutir o assunto, dado o avanço crescente de mortes e contaminações.

"Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida (da flexibilização), mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência."

Para ele, o País pode chegar ao registro de até mil óbitos por dia.

"É um numero possível de acontecer. Não quer dizer que vá acontecer", comentou.

Nelson Teich disse que, apesar de haver muitos municípios com poucos casos confirmados, cerca de 15% dos municípios mais sensíveis concentram a maioria da população.

"Se a gente não parar para entender e ficar polarizando se é bom ou ruim, não vai levar a nada. Temos de analisar isso de forma tranquila e equilibrada", disse.

Quando chegou ao ministério, Teich disse que estava 100% alinhado ao discurso de Bolsonaro e que o País precisava a tratar de medidas de flexibilização onde fosse possível. A realidade, porém, é que o crescimento rápido do vírus em todo o País tem feito com que o Ministério da Saúde tenha de dar prioridade à agenda de socorro a locais que passam por todo tipo de dificuldade, como as cidades de São Paulo, Rio, Recife, Manaus e Fortaleza.

Em outro momento, Teich chegou a dizer que o País apresentava uma das melhores "performances" contra a covid-19. Anteontem, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão solicitou na quarta, 29, ao Ministério da Saúde que esclareça em cinco dias uma série de informações sobre a subnotificação de casos da covid-19 no País.

(Colaboraram Paloma Cotes e João Ker)

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