Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Hospital Marieta libera acompanhamento durante o parto

Movimento "Libera Marieta" continua buscando o direito à presença no pré-parto

Quarta, 3/6/2020 10:50.
Ellen Mendes/ Ver Nascer
Presença do pai e/ou doulas é cientificamente comprovada como benéfica nos nascimentos

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O Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, decidiu liberar o acompanhamento de gestantes durante o parto, após uma reunião online ocorrida na noite de terça-feira (2) entre a diretoria do hospital, OAB de Itajaí, Defensoria Pública e entidades ligadas aos direitos humanos, assim como o movimento #LiberaMarieta (@liberamarieta), que seguirá cobrando que o hospital cumpra a lei de forma integral, permitindo o acompanhamento também durante o pré-parto.

Lideranças do Libera Marieta explicaram ao Página 3 que a liberação por parte do Hospital Marieta será, neste momento, apenas focada no parto, na hora em que a criança estiver nascendo. “Uma nova reunião deverá acontecer nos próximos dias para falar sobre o acompanhante no trabalho de parto, que também faz parte da lei e eles ainda não vão cumprir, mas já foi um começo. Nós do movimento #LiberaMarieta não iremos encerrar a campanha até que a lei seja respeitada de forma integral”, informam.

O presidente da OAB de Itajaí, Renato Felipe de Souza, também acompanhou a reunião, assim como a Defensoria Pública. Ele salienta que o acompanhamento pós-parto já estava autorizado, e que agora foi autorizada que a gestante possua um acompanhamento durante o parto. “Foi anunciado que em até dois ou três dias já deve iniciar, foi isso que representantes do hospital nos falaram. A diretoria do Marieta também informou que entrará em contato com o Comitê Epidemiológico considerando os direitos das gestantes e também questões sanitárias, pois eles alegam que não pode haver acompanhamento no pré-parto atualmente, que é um dos mais importantes porque há mulheres que ficam 15, 16 horas, por questões sanitárias”, explica.


O hospital justifica que realiza mais de 300 partos por mês e por isso não conseguiriam manter o isolamento/distanciamento recomendado em prevenção ao Coronavírus. “Mas já foi um avanço para quem não tinha nada, essa é a impressão da OAB. Seguimos apoiando o movimento Libera Marieta, assim como a Defensoria Pública. Solicitamos uma reunião com o Corpo Técnico do hospital para discutir as medidas sanitárias, porque eles ainda estão descumprindo a legislação”, completa.

A Defensoria Pública também se pronunciou sobre o caso, informando que foi enviada uma recomendação ao Estado e municípios de Santa Catarina para que assegurem o direito das gestantes ao acompanhamento no parto, mesmo durante a pandemia do Covid-19. A recomendação ressalta que o direito ao acompanhamento no parto é uma conquista histórica e que encontra previsão em diversas normas do direito nacional e internacional, de modo que não pode ser unilateralmente revogada por conta da pandemia do Covid-19. “Salienta-se, inclusive, que a Lei Estadual nº 17.097/2017 considera que o ato de impedir a gestante de ter acompanhante no momento do parto pode configurar situação de violência obstétrica. A Defensoria Pública salientou que o descumprimento da recomendação pode ensejar a adoção de uma série de medidas judiciais, objetivando a apuração de responsabilidade administrativa, civil e criminal, inclusive junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, informa ainda a nota.

Relembre
O Hospital Marieta Konder Bornhausen decidiu ainda no final de março proibir acompanhantes (qualquer pessoa fora a equipe médica) durante o parto. Em nota divulgada na ocasião, a diretoria destacou que no ambiente ficavam até quatro parturientes e qualquer acompanhante com o vírus (assintomáticos, por exemplo) poderia contaminar as mães, recém-nascidos, equipe médica e de enfermagem. Na época, outras maternidades da região adotaram a mesma postura, mas isso mudou com o passar do tempo. Em junho, somente o Marieta segue com a proibição. Na tarde de terça-feira o hospital divulgou outra nota:

"A direção do Hospital Marieta, através de sua equipe de Controle de Infecção Hospitalar, está criando mecanismos técnicos para flexibilizar a presença de acompanhantes no Centro Obstétrico. A instituição considera que ante o elevado risco de contaminação às pacientes e recém-nascidos não é possível, ainda, a permanência durante o pré-parto. A maternidade permanece com elevado número de partos, em média 350 mensais, e é estruturalmente inviável manter a distância recomendada pela Organização Mundial da Saúde de 1,5m entre as pessoas.
O Hospital Marieta tem sido referência em Covid-19, está atuando em sua capacidade máxima e, como entidade amiga da criança e gestação de alto risco, precisa persistir com medidas emergenciais de proteção.

Leia mais sobre o "Libera Marieta" aqui


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Página 3
Ellen Mendes/ Ver Nascer
Presença do pai e/ou doulas é cientificamente comprovada como benéfica nos nascimentos
Presença do pai e/ou doulas é cientificamente comprovada como benéfica nos nascimentos

Hospital Marieta libera acompanhamento durante o parto

Movimento "Libera Marieta" continua buscando o direito à presença no pré-parto

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Quarta, 3/6/2020 10:50.

O Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, decidiu liberar o acompanhamento de gestantes durante o parto, após uma reunião online ocorrida na noite de terça-feira (2) entre a diretoria do hospital, OAB de Itajaí, Defensoria Pública e entidades ligadas aos direitos humanos, assim como o movimento #LiberaMarieta (@liberamarieta), que seguirá cobrando que o hospital cumpra a lei de forma integral, permitindo o acompanhamento também durante o pré-parto.

Lideranças do Libera Marieta explicaram ao Página 3 que a liberação por parte do Hospital Marieta será, neste momento, apenas focada no parto, na hora em que a criança estiver nascendo. “Uma nova reunião deverá acontecer nos próximos dias para falar sobre o acompanhante no trabalho de parto, que também faz parte da lei e eles ainda não vão cumprir, mas já foi um começo. Nós do movimento #LiberaMarieta não iremos encerrar a campanha até que a lei seja respeitada de forma integral”, informam.

O presidente da OAB de Itajaí, Renato Felipe de Souza, também acompanhou a reunião, assim como a Defensoria Pública. Ele salienta que o acompanhamento pós-parto já estava autorizado, e que agora foi autorizada que a gestante possua um acompanhamento durante o parto. “Foi anunciado que em até dois ou três dias já deve iniciar, foi isso que representantes do hospital nos falaram. A diretoria do Marieta também informou que entrará em contato com o Comitê Epidemiológico considerando os direitos das gestantes e também questões sanitárias, pois eles alegam que não pode haver acompanhamento no pré-parto atualmente, que é um dos mais importantes porque há mulheres que ficam 15, 16 horas, por questões sanitárias”, explica.


O hospital justifica que realiza mais de 300 partos por mês e por isso não conseguiriam manter o isolamento/distanciamento recomendado em prevenção ao Coronavírus. “Mas já foi um avanço para quem não tinha nada, essa é a impressão da OAB. Seguimos apoiando o movimento Libera Marieta, assim como a Defensoria Pública. Solicitamos uma reunião com o Corpo Técnico do hospital para discutir as medidas sanitárias, porque eles ainda estão descumprindo a legislação”, completa.

A Defensoria Pública também se pronunciou sobre o caso, informando que foi enviada uma recomendação ao Estado e municípios de Santa Catarina para que assegurem o direito das gestantes ao acompanhamento no parto, mesmo durante a pandemia do Covid-19. A recomendação ressalta que o direito ao acompanhamento no parto é uma conquista histórica e que encontra previsão em diversas normas do direito nacional e internacional, de modo que não pode ser unilateralmente revogada por conta da pandemia do Covid-19. “Salienta-se, inclusive, que a Lei Estadual nº 17.097/2017 considera que o ato de impedir a gestante de ter acompanhante no momento do parto pode configurar situação de violência obstétrica. A Defensoria Pública salientou que o descumprimento da recomendação pode ensejar a adoção de uma série de medidas judiciais, objetivando a apuração de responsabilidade administrativa, civil e criminal, inclusive junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, informa ainda a nota.

Relembre
O Hospital Marieta Konder Bornhausen decidiu ainda no final de março proibir acompanhantes (qualquer pessoa fora a equipe médica) durante o parto. Em nota divulgada na ocasião, a diretoria destacou que no ambiente ficavam até quatro parturientes e qualquer acompanhante com o vírus (assintomáticos, por exemplo) poderia contaminar as mães, recém-nascidos, equipe médica e de enfermagem. Na época, outras maternidades da região adotaram a mesma postura, mas isso mudou com o passar do tempo. Em junho, somente o Marieta segue com a proibição. Na tarde de terça-feira o hospital divulgou outra nota:

"A direção do Hospital Marieta, através de sua equipe de Controle de Infecção Hospitalar, está criando mecanismos técnicos para flexibilizar a presença de acompanhantes no Centro Obstétrico. A instituição considera que ante o elevado risco de contaminação às pacientes e recém-nascidos não é possível, ainda, a permanência durante o pré-parto. A maternidade permanece com elevado número de partos, em média 350 mensais, e é estruturalmente inviável manter a distância recomendada pela Organização Mundial da Saúde de 1,5m entre as pessoas.
O Hospital Marieta tem sido referência em Covid-19, está atuando em sua capacidade máxima e, como entidade amiga da criança e gestação de alto risco, precisa persistir com medidas emergenciais de proteção.

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