Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Infectologista de Balneário Camboriú divulga manifesto por tratamento seguro da covid-19

Discussão gera desinformação e enfraquece as ações de combate à pandemia.

Quarta, 8/7/2020 7:52.

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A professora e médica infectologista Rosalie Kupka Knoll divulgou manifesto em defesa de tratamentos responsáveis e científicos para covid-19.

Funcionária de carreira do município de Balneário Camboriú, ela participou desde o começo do comitê de combate ao covid-19, mas se retirou quando o prefeito interferiu e para a adoção de um protocolo de tratamento sem comprovação científica.

O texto do manifesto segue abaixo. Profissionais de saúde que queiram assiná-lo podem acessar este link


MANIFESTO PELA SEGURANÇA DO PACIENTE NO TRATAMENTO PARA A COVID-19 E EM DEFESA DE UMA MEDICINA RESPONSÁVEL E BASEADA EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

A COVID-19 representa o maior problema de saúde pública dos últimos 100 anos e tem desafiado todos os setores da sociedade a encontrar soluções rápidas e inovadoras. Estudos nacionais e internacionais vêm sendo realizados para avaliar as melhores medidas de enfrentamento, num grande esforço mundial para o combate da COVID-19, incluindo diversas pesquisas sobre a resposta imune, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para a prevenção e tratamento.

Nesse cenário, uma grande quantidade de informação científica vem sendo produzida e muitas vezes divulgada, dentro e fora do meio científico, com interpretações equivocadas ou precipitadas, antes mesmo de estarem expressamente reconhecidas cientificamente.

A análise das mais atuais e confiáveis evidências científicas, assim como a manifestação de entidades científicas independentes, em relação a eficácia e segurança da profilaxia e tratamento para a COVID-19 em casos leves a moderados afirmam que:

1. Num cenário de poucas certezas e recursos limitados, deve-se investir nas medidas que têm demonstrado resultados na redução da transmissão e sucesso no controle da pandemia:
i. Acesso facilitado aos cuidados em saúde;
ii. Identificação e isolamento precoce de todos os casos suspeitos e confirmados;
iii. Testagem ampla (incluindo casos leves e não somente casos graves);
iv. Distanciamento físico e redução de aglomerações, uso de máscaras e higienização frequente das mãos;
v. Monitoramento contínuo de pacientes até recuperação;
vi. Planejamento e organização de infraestrutura de suporte para os casos graves.

2. Não é recomendada a prescrição de tratamentos ou profilaxias com cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem azitromicina para manejo ambulatorial da COVID-19 leve à moderada. A evidência atual tem mostrado associação do seu uso com potencial risco aumentado de arritmias e de parada cardíaca em algumas situações.

3. Não é recomendada a prescrição de ivermectina, nitazoxanida, cloroquina ou hidroxicloroquina, corticoides, lopinavir/ritonavir, tocilizumabe, anticoagulantes, vitaminas e/ou suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes, para tratamento ou profilaxia ambulatorial da COVID-19 leve à moderada. Não há evidências concretas que pessoas que usem esses medicamentos isolados ou em associação, de forma profilática ou como tratamento para COVID-19, venham a ter seu risco de complicações pela COVID-19 reduzido.

Alinhadas a essas evidências, diversas entidades científicas nacionais e internacionais têm se posicionado alertando os profissionais sobre o balanço negativo de risco-benefício na prescrição de medicamentos para o tratamento da COVID-19. Recentemente a Food and Drugs Administration (FDA) dos EUA proibiu a prescrição de hidroxi/cloroquina para COVID-19 fora de estudos clínicos.

Aproximadamente 80% das pessoas com COVID-19 vão ter somente sintomas leves a moderados, independentemente de qualquer tratamento prescrito no início da doença. Submetê-las a tratamentos medicamentosos precoces sem termos até o momento qualquer comprovação de benefício não é prudente nem seguro. Primum non nocere.

Nós, médicos abaixo-assinados, compreendemos a angústia e insegurança de todos com a falta de um arsenal terapêutico medicamentoso eficaz e seguro contra a pandemia, porém temos visto com apreensão os sinais de estigmatização, desinformação e politização da pandemia da COVID-19. São graves e preocupantes os movimentos que vêm pressionando o poder público e promovendo desinformação e coerção de pacientes, profissionais de saúde e tomadores de decisão para impor supostos tratamentos precoces da COVID-19, independente de evidências de sua eficácia ou da sua segurança. Preocupante também é a pressão associada para a flexibilização das medidas de distanciamento físico, advogando uma falsa sensação de segurança à população com o uso de medicamentos, contribuindo para a desinformação, a desorganização das ações em saúde pública, o avanço da transmissão da Covid-19 e suas calamitosas consequências.

Reconhecemos, contudo, que a prescrição de tratamentos fora de sua indicação aprovada (off-label) pode ser uma decisão individual do médico compartilhando os possíveis benefícios e riscos com o paciente. Essa decisão deve contar com uma avaliação ‘caso a caso’ e necessariamente com o acompanhamento e monitoramento próximos do paciente pelo próprio prescritor. Não se recomenda a prescrição de ‘combos’ ou ‘kits’ de medicamentos que possam somar riscos, interações medicamentosas e possibilidades de efeitos adversos.
Ressalta-se que o Código de Ética Médica legisla que: “É vedado ao médico: Art. 113. Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”.

A discussão sobre o tratamento medicamentoso precoce da COVID-19 está gerando desinformação e enfraquecendo as ações de combate à pandemia. Tais medidas necessitam urgentemente serem pautadas pela sociedade, encontrando soluções que envolvam todos os setores da sociedade.


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Infectologista de Balneário Camboriú divulga manifesto por tratamento seguro da covid-19

Discussão gera desinformação e enfraquece as ações de combate à pandemia.

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Quarta, 8/7/2020 7:52.

A professora e médica infectologista Rosalie Kupka Knoll divulgou manifesto em defesa de tratamentos responsáveis e científicos para covid-19.

Funcionária de carreira do município de Balneário Camboriú, ela participou desde o começo do comitê de combate ao covid-19, mas se retirou quando o prefeito interferiu e para a adoção de um protocolo de tratamento sem comprovação científica.

O texto do manifesto segue abaixo. Profissionais de saúde que queiram assiná-lo podem acessar este link


MANIFESTO PELA SEGURANÇA DO PACIENTE NO TRATAMENTO PARA A COVID-19 E EM DEFESA DE UMA MEDICINA RESPONSÁVEL E BASEADA EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

A COVID-19 representa o maior problema de saúde pública dos últimos 100 anos e tem desafiado todos os setores da sociedade a encontrar soluções rápidas e inovadoras. Estudos nacionais e internacionais vêm sendo realizados para avaliar as melhores medidas de enfrentamento, num grande esforço mundial para o combate da COVID-19, incluindo diversas pesquisas sobre a resposta imune, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para a prevenção e tratamento.

Nesse cenário, uma grande quantidade de informação científica vem sendo produzida e muitas vezes divulgada, dentro e fora do meio científico, com interpretações equivocadas ou precipitadas, antes mesmo de estarem expressamente reconhecidas cientificamente.

A análise das mais atuais e confiáveis evidências científicas, assim como a manifestação de entidades científicas independentes, em relação a eficácia e segurança da profilaxia e tratamento para a COVID-19 em casos leves a moderados afirmam que:

1. Num cenário de poucas certezas e recursos limitados, deve-se investir nas medidas que têm demonstrado resultados na redução da transmissão e sucesso no controle da pandemia:
i. Acesso facilitado aos cuidados em saúde;
ii. Identificação e isolamento precoce de todos os casos suspeitos e confirmados;
iii. Testagem ampla (incluindo casos leves e não somente casos graves);
iv. Distanciamento físico e redução de aglomerações, uso de máscaras e higienização frequente das mãos;
v. Monitoramento contínuo de pacientes até recuperação;
vi. Planejamento e organização de infraestrutura de suporte para os casos graves.

2. Não é recomendada a prescrição de tratamentos ou profilaxias com cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem azitromicina para manejo ambulatorial da COVID-19 leve à moderada. A evidência atual tem mostrado associação do seu uso com potencial risco aumentado de arritmias e de parada cardíaca em algumas situações.

3. Não é recomendada a prescrição de ivermectina, nitazoxanida, cloroquina ou hidroxicloroquina, corticoides, lopinavir/ritonavir, tocilizumabe, anticoagulantes, vitaminas e/ou suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes, para tratamento ou profilaxia ambulatorial da COVID-19 leve à moderada. Não há evidências concretas que pessoas que usem esses medicamentos isolados ou em associação, de forma profilática ou como tratamento para COVID-19, venham a ter seu risco de complicações pela COVID-19 reduzido.

Alinhadas a essas evidências, diversas entidades científicas nacionais e internacionais têm se posicionado alertando os profissionais sobre o balanço negativo de risco-benefício na prescrição de medicamentos para o tratamento da COVID-19. Recentemente a Food and Drugs Administration (FDA) dos EUA proibiu a prescrição de hidroxi/cloroquina para COVID-19 fora de estudos clínicos.

Aproximadamente 80% das pessoas com COVID-19 vão ter somente sintomas leves a moderados, independentemente de qualquer tratamento prescrito no início da doença. Submetê-las a tratamentos medicamentosos precoces sem termos até o momento qualquer comprovação de benefício não é prudente nem seguro. Primum non nocere.

Nós, médicos abaixo-assinados, compreendemos a angústia e insegurança de todos com a falta de um arsenal terapêutico medicamentoso eficaz e seguro contra a pandemia, porém temos visto com apreensão os sinais de estigmatização, desinformação e politização da pandemia da COVID-19. São graves e preocupantes os movimentos que vêm pressionando o poder público e promovendo desinformação e coerção de pacientes, profissionais de saúde e tomadores de decisão para impor supostos tratamentos precoces da COVID-19, independente de evidências de sua eficácia ou da sua segurança. Preocupante também é a pressão associada para a flexibilização das medidas de distanciamento físico, advogando uma falsa sensação de segurança à população com o uso de medicamentos, contribuindo para a desinformação, a desorganização das ações em saúde pública, o avanço da transmissão da Covid-19 e suas calamitosas consequências.

Reconhecemos, contudo, que a prescrição de tratamentos fora de sua indicação aprovada (off-label) pode ser uma decisão individual do médico compartilhando os possíveis benefícios e riscos com o paciente. Essa decisão deve contar com uma avaliação ‘caso a caso’ e necessariamente com o acompanhamento e monitoramento próximos do paciente pelo próprio prescritor. Não se recomenda a prescrição de ‘combos’ ou ‘kits’ de medicamentos que possam somar riscos, interações medicamentosas e possibilidades de efeitos adversos.
Ressalta-se que o Código de Ética Médica legisla que: “É vedado ao médico: Art. 113. Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”.

A discussão sobre o tratamento medicamentoso precoce da COVID-19 está gerando desinformação e enfraquecendo as ações de combate à pandemia. Tais medidas necessitam urgentemente serem pautadas pela sociedade, encontrando soluções que envolvam todos os setores da sociedade.


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