Jornal Página 3

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Saúde em Balneário Camboriú: Ruth Cardoso, UPA das Nações e necessidades da população

Quinta, 8/8/2019 17:57.

Textos e fotos: RENATA RUTES

A saúde de Balneário Camboriú passa por momentos difíceis. A situação mais complicada - e difícil de resolver, é o custo do Hospital Municipal Ruth Cardoso, onde o município investe mensalmente mais de R$ 5 milhões para atender toda a região, sem que haja uma contribuição dos cofres vizinhos. Com este alto custeio, falta dinheiro para investir na saúde básica. Porém, há também novidades boas como a UPA do Bairro das Nações, que deve inaugurar até o fim do ano depois de uma longa espera. Segunda-feira (5) foi o Dia Nacional da Saúde e para lembrar a data o Página 3 foi conferir como anda a saúde em Balneário Camboriú. A secretária de Saúde ANDRESSA HADAD falou sobre diversos assuntos referentes à saúde da população e preocupações acerca do tema.

ACOMPANHE: 

Saúde pública de Balneário Camboriú

Eu penso que evoluiu bastante, na valorização da vida principalmente. Quando a gente fez toda a reorganização do atendimento de saúde, que é tirando as fichas, não entregando mais fichas de madrugada, dando a oportunidade do paciente de ser acolhido, de ser encaminhado se tiver a necessidade já para o atendimento na hora ou ser atendido já no outro dia, isso traz a segurança ao paciente. Se o caso for grave, ser atendido ou encaminhado para o pronto-socorro. Isso traz acessibilidade, tão falada pelo Ministério da Saúde. Quando ninguém falava em horário estendido, ainda em 2018, nós já colocamos em prática. Em muitos momentos esse projeto, que o prefeito Fabrício Oliveira ‘encabeçou’, foi questionado por ser até às 22h, parecia algo complicado. Mas é importante, temos que pensar na saúde do trabalhador, naquela mãe que pegou o bebê na creche e ele está com febre. Ela vai pra onde? Vai pro PA da Barra ou pronto-socorro, e não vai, porque pode expor o seu filho a outras bactérias, então ele vai no horário estendido. Hoje estamos com 53% de cobertura no município, antigamente tínhamos 43%, então já avançamos 10%. Queremos chegar a 90% de cobertura, sabemos que é importante e o nosso prefeito compartilha dessa ideia. Ele sempre valorizou a atenção básica, desde a época da campanha. Um município que não olha a atenção básica não está pensando na prevenção e promoção, só está pensando no tratamento curativo, e era assim que Balneário se encontrava. Era algo muito imediatista, não era feita a investigação do paciente. Quem faz isso é a atenção básica. Demanda tempo, conceito, estrutura e equipe”.

Saúde da população de Balneário Camboriú

Eu vejo que a saúde da população de Balneário Camboriú não foge muito ao que é avaliado pelo Ministério da Saúde em todo um contexto. Somos um município com um número grande de idosos e com isso acabamos tendo muitas doenças de hipertensão, AVCs, que são consequência mesmo da idade. E lógico, consequência também da falta da promoção e prevenção, porque quando você tem hipertensão como é que você tem que cuidar? Não só daquele paciente, e sim da família toda. Pode ser hereditária. Temos muitos hipertensos, diabéticos, cardíacos. Esse é o perfil dos nosso pacientes. Temos agora parceria com a Secretaria do Idoso, para fazer mais compras e mutirões. Estávamos com uma média um pouco grande aguardando. Estamos ofertando de 22 a 25 mil procedimentos por mês, mas temos uma entrada de 28 mil ao mês. A demanda existe, mas também estamos atendendo muitas pessoas. Infelizmente muitos pacientes faltam nas consultas e exames também, muito pela questão de imediatismo, querem agora então vão resolver a dor momentânea, mas não voltam para a consulta, e precisariam voltar sim. Também estamos com o processo de continuação de tratamento, para aqueles que optam pelo particular e depois vão para o SUS. Atendemos a todos”.

Principais preocupações com a saúde do município hoje

 O que mais me preocupa hoje, e que vem de encontro ao processo que iniciamos semana passada, é a capacitação Planifica SUS, que é sobre o acolhimento do paciente. Isso é algo que eu falo muito, com todos os colaboradores, não somente os comissionados, mas todos que de alguma forma ou outra eu tenho contato. Estrutura nós temos, são oito unidades de atenção básica espalhadas pela cidade, temos também especializadas em todos os aspectos, credenciamento de profissionais que não temos devido a falta do concurso público. Investimos R$ 18 milhões ano passado e esse ano vamos investir R$ 20 milhões na aquisição desses procedimentos e também consultas. Então se não tem consultas, credenciamos e ofertamos o que falta. Mas o acolhimento falta, que é me colocar no lugar do paciente, seja o profissional como o administrativo. São vidas, quem nos procura tem problemas e precisamos procurar solucionar e ajudá-lo. Sempre tem uma forma legal e transparente de resolver as situações. Isso vai de vários fatores, desde a correria do dia a dia, a forma de pensar, os teus princípios, o amar e entender porquê está ali. Você escolheu e deve amar o que faz, colocando em prática todo o conhecimento para cuidar da vida das pessoas, essa é a missão. O paciente sempre deve estar em primeiro lugar”.

Filas e demandas e principais especialidades

 Fizemos vários credenciamentos em cima das nossas demandas, e isso dá celeridade às filas. Mas acabar com as filas do SUS é algo que nunca vai acontecer. Hoje eu atendo 20 e amanhã tenho mais 20, hoje mesmo entrou 40, ou 50. Enfim...estamos trabalhando na celeridade dessas filas. Por exemplo, temos dois credenciamentos de mamografia, e com isso estamos fazendo uma média de 700 mamografias/mês. É um número grande, mas tem muitas pacientes esperando pra fazer. Hoje as principais especialidades com filas é cardiologia, ortopedia e reumato. São essas três. Ortopedia estava com uma espera de um ano, com três mil pacientes. Além de credenciar mais médicos, tínhamos dois ortopedistas e hoje estamos com cinco, fizemos a telemedicina com o Estado. Capacitamos os nossos médicos e hoje um médico da atenção básica vai te atender, ver seus sintomas, faz os exames orientados pelo ortopedista para ver se precisa mesmo ser encaminhado para ele. Há casos que já vai direto, encaminhado direto para tratamento. Isso fizemos com a ortopedia, cardiologia, dermatologia – tínhamos uma fila de mais de mais de três mil pacientes e hoje o paciente consulta na mesma semana. Isso com a telemedicina. Além também da reumato, cardiologia e neurologia. Com isso damos mais celeridade e o paciente não vai mais aguardar tanto tempo. Também tem a situação das cirurgias, que hoje 70% das feitas no Ruth Cardoso são de urgência e emergência, já que nosso hospital é porta aberta e temos atender todos que chegam. Recebemos muitas pessoas, principalmente acidentes de trânsito. Engloba tudo, traumato, cirurgia geral, urologia. Entra de tudo, recebemos um fluxo absurdo. Temos uma grande dificuldade porque só temos três salas e elas estão sendo sempre utilizadas para urgência e emergência. Realizamos somente 2,8 mil procedimentos nesse ano, e é um número muito baixo. A cirurgia não é só ir fazer, precisamos de leitos também”.

Melhorias que a atenção básica exige

 Nós recebemos o custeio da União somente para a atenção básica. O que acontece é que não conseguimos investir. O Ruth custa 75% disso, e tudo o que a gente ‘investe’ nele é pra custeio. Com isso não conseguimos fazer melhorias, reformas, ampliações e nem construir novas unidades. Temos solicitação no São Judas, eles estão pedindo uma unidade. Mas temos que olhar todo o contexto do Ministério da Saúde, que nos envia a verba. Nações e Barra, dois bairros grandes, também poderiam ter suas segundas unidades. A nossa ideia é diminuir o custeio do Ruth, estamos esperando o retorno do Governo do Estado, mas ainda não nos deram nenhum prazo específico e nem com quanto nos ajudariam, não foi oficializado de forma alguma, só apresentaram em uma reunião. Se isso acontecer, poderemos investir nessas melhorias. Estamos começando nisso e estamos reformando a nossa unidade do PAI, que foi a primeira unidade escolhida para reforma”.

Dengue

 Me preocupa muito a situação da dengue, principalmente porque não tivemos um frio, um longo período de frio, para que os mosquitos acalmassem e a proliferação dos ovos diminuísse um pouco, mesmo sabendo que eles podem viver 365 dias sem a temperatura adequada para eles eclodirem. Nós temos uma equipe, investimos bastante na aquisição de drones, fazemos toda uma vistoria com esse equipamento, devido a nossa verticalização. Temos carros, panfletamos. Nossa maior preocupação hoje é o centro, com os apartamentos fechados. Há residências fechadas há anos com piscina, vasos de plantas, vasos sanitários, geladeira. São várias questões. Mesmo investindo, equipes fazendo mutirões, a população também precisa se conscientizar. É nosso dever. Se todo mundo fizer o seu papel, olhar a sua calha, lembrar que a caixa d’água precisar ser limpa, o potinho do cachorro lavado, essas coisas, a gente consegue contribuir. É 50% prefeitura e 50% população, cada morador. Se a gente não fizer isso, vamos ter uma epidemia, sim”.

Vacinação contra a Febre Amarela

Tínhamos que atingir quase 83 mil pacientes, chegamos a uma média de 45 mil com muito esforço. Ainda temos a vacina, ela está em todas as unidades, mas a população não adere. Não podemos obrigar as pessoas. Poucos vêm. Hoje se fala muito em natureza, vida orgânica, não quero agrotóxico, e acham que não precisam se vacinar, que é ruim. Isso é complicado, a imunização vem para completar algo que o nosso organismo não consegue produzir. Imunizar o seu filho e se imunizar é algo de responsabilidade pública. Fazendo isso eu estou protegendo a minha vida, a do meu filho, e a de todas as outras pessoas. Pesquisadores estudaram e comprovaram que precisamos nos vacinar”.

DSTs

 Observamos um movimento contrário ao que tínhamos em 2012, 2011, até 2013, que era o perfil de infectados sendo jovens, casais homoafetivos, sendo mais homens. Isso tinha se regularizado, mas voltou a acontecer. É um público jovem que vem sendo contaminado, mais homens, mas as mulheres também cresceu um pouquinho o índice. A gente observa que, com todos os tratamentos que temos, as pessoas perderam um pouco o medo. ‘Ah, vou lá, vou me tratar e ponto final’, não é igual a patologia do câncer. A oncologia é muito mais obscura, apesar de todos os avanços que tivemos. Mas no HIV/AIDS, sífilis, todas as doenças sexualmente transmíssiveis possuem tratamento, mas é muito difícil, traz muitas lesões e reações no organismo. É muito mais fácil a gente evitar, usando preservativo, e vivendo uma vida bem, saudável”.

UPA das Nações

Uma espera antiga e que enfim tende a se tornar realidade até o fim deste ano é a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro das Nações. O local, que fica na rua Israel, continua passando por reformas internas e adequações a pedido do Governo do Estado, e promete ser um reforço para o bairro, que é um dos maiores da cidade. É uma reforma demorada que precisou ser feita antes mesmo de ser inaugurada aquela unidade, porque foi construída com muitos erros.

O Página 3 visitou a obra com a secretária de Saúde, Andressa Hadad, e conferiu de perto como está o local. A secretária reconhece a importância e sabe do quanto o público quer a abertura dele, mas salienta que é preciso paciência para que a prefeitura cumpra todas as adequações e não aconteça o mesmo que o Ruth Cardoso, que hoje exige ampliação. 

“A principal alteração que precisamos fazer é na parte de acessibilidade e mobilidade, tanto do paciente quanto do funcionário. Temos normas a serem seguidas, segurança para seguir e para preservar a todos. Foram mais de 20 idas e vindas, o Estado nos ajudou, a AMFRI também. Fizemos inúmeras adequações, refizemos salas, fizemos corredores, derrubamos paredes, colocamos elevador. Foi uma verdadeira reforma na obra, mas agora estamos na reta final”, explica.

A presidente da Associação de Moradores do Bairro das Nações, Marisa Strebe, conta que os moradores do bairro cobram ‘quase diariamente’ a abertura da UPA. 

“Desde 2018 eles sempre nos dão prazos para abrir. Em maio falaram que abririam em outubro, e agora disseram que deve abrir até novembro. Eu falei para a secretária Andressa que só acredito vendo (risos). Mas vamos aguardar, porque quando abrirem com certeza vai ser muito bom”, afirma. 

Marisa lembra que além da UPA há outras pendências na área da saúde no bairro, como a reforma interna do postinho. “Reformaram só por fora e o piso da recepção está estourado, precisa dessa reforma interna também. Precisa ser ampliado, faltam salas e médicos, diz.

A presidente relata ainda que houve reclamações sobre uma médica que estaria atendendo aos moradores de forma grosseira e isso teria sido repassado para Andressa. Isso vem de encontro com o que a secretária citou, sobre a importância dos profissionais da área receberem capacitação sobre a necessidade de bem atender aos pacientes. 

“Gostaríamos também que não tivesse tanta fila para exames de alta complexidade e cirurgias, mas sabemos que é complicado e que tem muita gente esperando”, acrescenta.

O Página 3 esteve no Hospital Municipal Ruth Cardoso onde conversou com o público que lá estava, aguardando por consulta ou acompanhando familiares. Confira.

CLEBER CAMPILOTO, 59 anos, empresário aposentado.
Estava acompanhando a esposa, Márcia, que estava no local para fazer exames.

“Eu acompanhei a minha mãe, que fazia um tratamento no Ruth e acabou vindo a falecer, ela era sempre atendida, mas o hospital estava sempre lotado. Chegaram até a esquecer de ver o resultado da tomografia dela, foram ver só no outro plantão médico, horas depois. Eu também já fiz uma cirurgia aqui e fiquei no centro cirúrgico. Foram mais de três horas aguardando para fazer um exame e muitas emergências entravam na frente, muitos acidentes de moto principalmente. Mas para quem não tem plano de saúde essa é a opção. Porém, acredito que os outros municípios e o Estado deveriam colaborar porque não é um hospital municipal e sim regional”.


MÁRCIA CAMPILOTO, 55 anos, empresária aposentada.
Estava no Ruth Cardoso para fazer um exame.

“Eles me atenderam bem, eu havia ido antes no PA do Bairro da Barra e me pediram pra vir pra cá. Já vi dias que estava bem mais lotado, porque o normal é realmente estar sempre cheio. Acredito que muitos casos do Ruth deveriam ser atendidos no PA porque são menos graves, mas o pessoal sempre vem direto pra cá, aí fica complicado. Eu já vim e não tinha lugar para sentar para esperar. É difícil, muitas pessoas para serem atendidas. Uma boa opção seria reabrir o Santa Inês, para termos mais uma opção gratuita”.


ÂNGELA SILVA LUCHITZI, 37 anos, dona de casa.
 estava acompanhando o marido que se acidentou no trabalho.

“O hospital é bom, mas demoram muito para atender e sei que é porque tem muitas pessoas de fora. Vi no jornal que tem muita gente de outras cidades, né? Eu acho que deveria ser mais concentrado em Balneário Camboriú ou que os outros municípios ajudassem com os gastos. Já vi dias que estava bem mais lotado, mas sempre tem movimento. Minha irmã, que é de Camboriú, teve o bebê dela aqui. Eu moro nas Nações, e estamos aguardando a UPA. Deveria abrir logo”.


LUCIVANI RODRIGUES, comerciante, 29 anos.
Foi visitar uma tia que estava internada no hospital.

“Eu moro em Balneário, mas a minha tia é de Itapema e está internada no Ruth. Tenho muitos familiares lá e em Camboriú e todo mundo, quando precisam, vem pra cá. É o melhor gratuito da região, né? Somos sempre muito bem atendidos, o problema mesmo é a lotação. Já esperei quatro horas para ser atendida. Mas tirando isso é tudo muito bom”.


 

 

 

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Saúde em Balneário Camboriú: Ruth Cardoso, UPA das Nações e necessidades da população

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Quinta, 8/8/2019 17:57.

Textos e fotos: RENATA RUTES

A saúde de Balneário Camboriú passa por momentos difíceis. A situação mais complicada - e difícil de resolver, é o custo do Hospital Municipal Ruth Cardoso, onde o município investe mensalmente mais de R$ 5 milhões para atender toda a região, sem que haja uma contribuição dos cofres vizinhos. Com este alto custeio, falta dinheiro para investir na saúde básica. Porém, há também novidades boas como a UPA do Bairro das Nações, que deve inaugurar até o fim do ano depois de uma longa espera. Segunda-feira (5) foi o Dia Nacional da Saúde e para lembrar a data o Página 3 foi conferir como anda a saúde em Balneário Camboriú. A secretária de Saúde ANDRESSA HADAD falou sobre diversos assuntos referentes à saúde da população e preocupações acerca do tema.

ACOMPANHE: 

Saúde pública de Balneário Camboriú

Eu penso que evoluiu bastante, na valorização da vida principalmente. Quando a gente fez toda a reorganização do atendimento de saúde, que é tirando as fichas, não entregando mais fichas de madrugada, dando a oportunidade do paciente de ser acolhido, de ser encaminhado se tiver a necessidade já para o atendimento na hora ou ser atendido já no outro dia, isso traz a segurança ao paciente. Se o caso for grave, ser atendido ou encaminhado para o pronto-socorro. Isso traz acessibilidade, tão falada pelo Ministério da Saúde. Quando ninguém falava em horário estendido, ainda em 2018, nós já colocamos em prática. Em muitos momentos esse projeto, que o prefeito Fabrício Oliveira ‘encabeçou’, foi questionado por ser até às 22h, parecia algo complicado. Mas é importante, temos que pensar na saúde do trabalhador, naquela mãe que pegou o bebê na creche e ele está com febre. Ela vai pra onde? Vai pro PA da Barra ou pronto-socorro, e não vai, porque pode expor o seu filho a outras bactérias, então ele vai no horário estendido. Hoje estamos com 53% de cobertura no município, antigamente tínhamos 43%, então já avançamos 10%. Queremos chegar a 90% de cobertura, sabemos que é importante e o nosso prefeito compartilha dessa ideia. Ele sempre valorizou a atenção básica, desde a época da campanha. Um município que não olha a atenção básica não está pensando na prevenção e promoção, só está pensando no tratamento curativo, e era assim que Balneário se encontrava. Era algo muito imediatista, não era feita a investigação do paciente. Quem faz isso é a atenção básica. Demanda tempo, conceito, estrutura e equipe”.

Saúde da população de Balneário Camboriú

Eu vejo que a saúde da população de Balneário Camboriú não foge muito ao que é avaliado pelo Ministério da Saúde em todo um contexto. Somos um município com um número grande de idosos e com isso acabamos tendo muitas doenças de hipertensão, AVCs, que são consequência mesmo da idade. E lógico, consequência também da falta da promoção e prevenção, porque quando você tem hipertensão como é que você tem que cuidar? Não só daquele paciente, e sim da família toda. Pode ser hereditária. Temos muitos hipertensos, diabéticos, cardíacos. Esse é o perfil dos nosso pacientes. Temos agora parceria com a Secretaria do Idoso, para fazer mais compras e mutirões. Estávamos com uma média um pouco grande aguardando. Estamos ofertando de 22 a 25 mil procedimentos por mês, mas temos uma entrada de 28 mil ao mês. A demanda existe, mas também estamos atendendo muitas pessoas. Infelizmente muitos pacientes faltam nas consultas e exames também, muito pela questão de imediatismo, querem agora então vão resolver a dor momentânea, mas não voltam para a consulta, e precisariam voltar sim. Também estamos com o processo de continuação de tratamento, para aqueles que optam pelo particular e depois vão para o SUS. Atendemos a todos”.

Principais preocupações com a saúde do município hoje

 O que mais me preocupa hoje, e que vem de encontro ao processo que iniciamos semana passada, é a capacitação Planifica SUS, que é sobre o acolhimento do paciente. Isso é algo que eu falo muito, com todos os colaboradores, não somente os comissionados, mas todos que de alguma forma ou outra eu tenho contato. Estrutura nós temos, são oito unidades de atenção básica espalhadas pela cidade, temos também especializadas em todos os aspectos, credenciamento de profissionais que não temos devido a falta do concurso público. Investimos R$ 18 milhões ano passado e esse ano vamos investir R$ 20 milhões na aquisição desses procedimentos e também consultas. Então se não tem consultas, credenciamos e ofertamos o que falta. Mas o acolhimento falta, que é me colocar no lugar do paciente, seja o profissional como o administrativo. São vidas, quem nos procura tem problemas e precisamos procurar solucionar e ajudá-lo. Sempre tem uma forma legal e transparente de resolver as situações. Isso vai de vários fatores, desde a correria do dia a dia, a forma de pensar, os teus princípios, o amar e entender porquê está ali. Você escolheu e deve amar o que faz, colocando em prática todo o conhecimento para cuidar da vida das pessoas, essa é a missão. O paciente sempre deve estar em primeiro lugar”.

Filas e demandas e principais especialidades

 Fizemos vários credenciamentos em cima das nossas demandas, e isso dá celeridade às filas. Mas acabar com as filas do SUS é algo que nunca vai acontecer. Hoje eu atendo 20 e amanhã tenho mais 20, hoje mesmo entrou 40, ou 50. Enfim...estamos trabalhando na celeridade dessas filas. Por exemplo, temos dois credenciamentos de mamografia, e com isso estamos fazendo uma média de 700 mamografias/mês. É um número grande, mas tem muitas pacientes esperando pra fazer. Hoje as principais especialidades com filas é cardiologia, ortopedia e reumato. São essas três. Ortopedia estava com uma espera de um ano, com três mil pacientes. Além de credenciar mais médicos, tínhamos dois ortopedistas e hoje estamos com cinco, fizemos a telemedicina com o Estado. Capacitamos os nossos médicos e hoje um médico da atenção básica vai te atender, ver seus sintomas, faz os exames orientados pelo ortopedista para ver se precisa mesmo ser encaminhado para ele. Há casos que já vai direto, encaminhado direto para tratamento. Isso fizemos com a ortopedia, cardiologia, dermatologia – tínhamos uma fila de mais de mais de três mil pacientes e hoje o paciente consulta na mesma semana. Isso com a telemedicina. Além também da reumato, cardiologia e neurologia. Com isso damos mais celeridade e o paciente não vai mais aguardar tanto tempo. Também tem a situação das cirurgias, que hoje 70% das feitas no Ruth Cardoso são de urgência e emergência, já que nosso hospital é porta aberta e temos atender todos que chegam. Recebemos muitas pessoas, principalmente acidentes de trânsito. Engloba tudo, traumato, cirurgia geral, urologia. Entra de tudo, recebemos um fluxo absurdo. Temos uma grande dificuldade porque só temos três salas e elas estão sendo sempre utilizadas para urgência e emergência. Realizamos somente 2,8 mil procedimentos nesse ano, e é um número muito baixo. A cirurgia não é só ir fazer, precisamos de leitos também”.

Melhorias que a atenção básica exige

 Nós recebemos o custeio da União somente para a atenção básica. O que acontece é que não conseguimos investir. O Ruth custa 75% disso, e tudo o que a gente ‘investe’ nele é pra custeio. Com isso não conseguimos fazer melhorias, reformas, ampliações e nem construir novas unidades. Temos solicitação no São Judas, eles estão pedindo uma unidade. Mas temos que olhar todo o contexto do Ministério da Saúde, que nos envia a verba. Nações e Barra, dois bairros grandes, também poderiam ter suas segundas unidades. A nossa ideia é diminuir o custeio do Ruth, estamos esperando o retorno do Governo do Estado, mas ainda não nos deram nenhum prazo específico e nem com quanto nos ajudariam, não foi oficializado de forma alguma, só apresentaram em uma reunião. Se isso acontecer, poderemos investir nessas melhorias. Estamos começando nisso e estamos reformando a nossa unidade do PAI, que foi a primeira unidade escolhida para reforma”.

Dengue

 Me preocupa muito a situação da dengue, principalmente porque não tivemos um frio, um longo período de frio, para que os mosquitos acalmassem e a proliferação dos ovos diminuísse um pouco, mesmo sabendo que eles podem viver 365 dias sem a temperatura adequada para eles eclodirem. Nós temos uma equipe, investimos bastante na aquisição de drones, fazemos toda uma vistoria com esse equipamento, devido a nossa verticalização. Temos carros, panfletamos. Nossa maior preocupação hoje é o centro, com os apartamentos fechados. Há residências fechadas há anos com piscina, vasos de plantas, vasos sanitários, geladeira. São várias questões. Mesmo investindo, equipes fazendo mutirões, a população também precisa se conscientizar. É nosso dever. Se todo mundo fizer o seu papel, olhar a sua calha, lembrar que a caixa d’água precisar ser limpa, o potinho do cachorro lavado, essas coisas, a gente consegue contribuir. É 50% prefeitura e 50% população, cada morador. Se a gente não fizer isso, vamos ter uma epidemia, sim”.

Vacinação contra a Febre Amarela

Tínhamos que atingir quase 83 mil pacientes, chegamos a uma média de 45 mil com muito esforço. Ainda temos a vacina, ela está em todas as unidades, mas a população não adere. Não podemos obrigar as pessoas. Poucos vêm. Hoje se fala muito em natureza, vida orgânica, não quero agrotóxico, e acham que não precisam se vacinar, que é ruim. Isso é complicado, a imunização vem para completar algo que o nosso organismo não consegue produzir. Imunizar o seu filho e se imunizar é algo de responsabilidade pública. Fazendo isso eu estou protegendo a minha vida, a do meu filho, e a de todas as outras pessoas. Pesquisadores estudaram e comprovaram que precisamos nos vacinar”.

DSTs

 Observamos um movimento contrário ao que tínhamos em 2012, 2011, até 2013, que era o perfil de infectados sendo jovens, casais homoafetivos, sendo mais homens. Isso tinha se regularizado, mas voltou a acontecer. É um público jovem que vem sendo contaminado, mais homens, mas as mulheres também cresceu um pouquinho o índice. A gente observa que, com todos os tratamentos que temos, as pessoas perderam um pouco o medo. ‘Ah, vou lá, vou me tratar e ponto final’, não é igual a patologia do câncer. A oncologia é muito mais obscura, apesar de todos os avanços que tivemos. Mas no HIV/AIDS, sífilis, todas as doenças sexualmente transmíssiveis possuem tratamento, mas é muito difícil, traz muitas lesões e reações no organismo. É muito mais fácil a gente evitar, usando preservativo, e vivendo uma vida bem, saudável”.

UPA das Nações

Uma espera antiga e que enfim tende a se tornar realidade até o fim deste ano é a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro das Nações. O local, que fica na rua Israel, continua passando por reformas internas e adequações a pedido do Governo do Estado, e promete ser um reforço para o bairro, que é um dos maiores da cidade. É uma reforma demorada que precisou ser feita antes mesmo de ser inaugurada aquela unidade, porque foi construída com muitos erros.

O Página 3 visitou a obra com a secretária de Saúde, Andressa Hadad, e conferiu de perto como está o local. A secretária reconhece a importância e sabe do quanto o público quer a abertura dele, mas salienta que é preciso paciência para que a prefeitura cumpra todas as adequações e não aconteça o mesmo que o Ruth Cardoso, que hoje exige ampliação. 

“A principal alteração que precisamos fazer é na parte de acessibilidade e mobilidade, tanto do paciente quanto do funcionário. Temos normas a serem seguidas, segurança para seguir e para preservar a todos. Foram mais de 20 idas e vindas, o Estado nos ajudou, a AMFRI também. Fizemos inúmeras adequações, refizemos salas, fizemos corredores, derrubamos paredes, colocamos elevador. Foi uma verdadeira reforma na obra, mas agora estamos na reta final”, explica.

A presidente da Associação de Moradores do Bairro das Nações, Marisa Strebe, conta que os moradores do bairro cobram ‘quase diariamente’ a abertura da UPA. 

“Desde 2018 eles sempre nos dão prazos para abrir. Em maio falaram que abririam em outubro, e agora disseram que deve abrir até novembro. Eu falei para a secretária Andressa que só acredito vendo (risos). Mas vamos aguardar, porque quando abrirem com certeza vai ser muito bom”, afirma. 

Marisa lembra que além da UPA há outras pendências na área da saúde no bairro, como a reforma interna do postinho. “Reformaram só por fora e o piso da recepção está estourado, precisa dessa reforma interna também. Precisa ser ampliado, faltam salas e médicos, diz.

A presidente relata ainda que houve reclamações sobre uma médica que estaria atendendo aos moradores de forma grosseira e isso teria sido repassado para Andressa. Isso vem de encontro com o que a secretária citou, sobre a importância dos profissionais da área receberem capacitação sobre a necessidade de bem atender aos pacientes. 

“Gostaríamos também que não tivesse tanta fila para exames de alta complexidade e cirurgias, mas sabemos que é complicado e que tem muita gente esperando”, acrescenta.

O Página 3 esteve no Hospital Municipal Ruth Cardoso onde conversou com o público que lá estava, aguardando por consulta ou acompanhando familiares. Confira.

CLEBER CAMPILOTO, 59 anos, empresário aposentado.
Estava acompanhando a esposa, Márcia, que estava no local para fazer exames.

“Eu acompanhei a minha mãe, que fazia um tratamento no Ruth e acabou vindo a falecer, ela era sempre atendida, mas o hospital estava sempre lotado. Chegaram até a esquecer de ver o resultado da tomografia dela, foram ver só no outro plantão médico, horas depois. Eu também já fiz uma cirurgia aqui e fiquei no centro cirúrgico. Foram mais de três horas aguardando para fazer um exame e muitas emergências entravam na frente, muitos acidentes de moto principalmente. Mas para quem não tem plano de saúde essa é a opção. Porém, acredito que os outros municípios e o Estado deveriam colaborar porque não é um hospital municipal e sim regional”.


MÁRCIA CAMPILOTO, 55 anos, empresária aposentada.
Estava no Ruth Cardoso para fazer um exame.

“Eles me atenderam bem, eu havia ido antes no PA do Bairro da Barra e me pediram pra vir pra cá. Já vi dias que estava bem mais lotado, porque o normal é realmente estar sempre cheio. Acredito que muitos casos do Ruth deveriam ser atendidos no PA porque são menos graves, mas o pessoal sempre vem direto pra cá, aí fica complicado. Eu já vim e não tinha lugar para sentar para esperar. É difícil, muitas pessoas para serem atendidas. Uma boa opção seria reabrir o Santa Inês, para termos mais uma opção gratuita”.


ÂNGELA SILVA LUCHITZI, 37 anos, dona de casa.
 estava acompanhando o marido que se acidentou no trabalho.

“O hospital é bom, mas demoram muito para atender e sei que é porque tem muitas pessoas de fora. Vi no jornal que tem muita gente de outras cidades, né? Eu acho que deveria ser mais concentrado em Balneário Camboriú ou que os outros municípios ajudassem com os gastos. Já vi dias que estava bem mais lotado, mas sempre tem movimento. Minha irmã, que é de Camboriú, teve o bebê dela aqui. Eu moro nas Nações, e estamos aguardando a UPA. Deveria abrir logo”.


LUCIVANI RODRIGUES, comerciante, 29 anos.
Foi visitar uma tia que estava internada no hospital.

“Eu moro em Balneário, mas a minha tia é de Itapema e está internada no Ruth. Tenho muitos familiares lá e em Camboriú e todo mundo, quando precisam, vem pra cá. É o melhor gratuito da região, né? Somos sempre muito bem atendidos, o problema mesmo é a lotação. Já esperei quatro horas para ser atendida. Mas tirando isso é tudo muito bom”.


 

 

 

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