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Antidepressivos funcionam, e não é por efeito placebo, diz estudo
Reprodução.

Quinta, 22/2/2018 7:01.

GABRIEL ALVES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Volta e meia a eficácia dos antidepressivos é questionada. Seria a explicação para o funcionamento dessas drogas o famigerado efeito placebo, ou seja, elas não passariam de um mero embuste farmacológico?

A melhor evidência disponível até o momento diz que, na verdade, a resposta é não -antidepressivos funcionam, e são superiores ao placebo.

Há motivos fortes por trás do debate. Além do impacto que a depressão traz para a qualidade de vida das pessoas atingidas, há também um grande impacto econômico da doença, responsável por mais de um quinto do que se gasta anualmente com doenças em todo o mundo. São mais de 350 milhões de pessoas afetadas (número superior à população dos EUA), que custam direta ou indiretamente US$ 210 bilhões (R$ 685 bilhões) ao ano.

Se o placebo equivalesse aos antidepressivos em termos de eficácia, dezenas de bilhões de dólares poderiam ser economizados. Para o bem ou para o mal, não parece ser o caso.

Um estudo publicado nesta quarta (22) na prestigiosa revista médica "The Lancet" considerou dados de mais de 100 mil pacientes, de 522 outros estudos, para chegar à conclusão de que antidepressivos, sim, são eficazes.

Em todos esses estudos, os pacientes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos tratados com a droga em questão ou com placebo.

Os pesquisadores não sabiam quem fazia parte de qual grupo até o final da pesquisa, o que reduz a chance de erros decorrentes do viés de observação (ou da torcida do cientista).

Resultado: a chance de uma pessoa melhorar com um antidepressivo é de 37% a 113% maior do que com um placebo.

Ter dados de tantos pacientes é fundamental, já que, no curto espaço de tempo estabelecido -apenas oito semanas-, os efeitos dos remédios tendem a ser discretos. O tratamento foi tido como bem-sucedido nos pacientes cujo escore relacionado à gravidade da depressão, calculado por um profissional de saúde, fosse reduzido em mais da metade.

Sabe-se que há mais de 40 antidepressivos no mercado, mas, para essa meta-análise, foram considerados os estudos de 21 drogas para as quais havia boa qualidade de evidência na literatura médica. Valiam tanto as comparações entre antidepressivo e placebo quanto aquelas entre dois medicamentos.

Curiosamente, sabe-se ainda muito pouco sobre o funcionamento de antidepressivos -o que acaba sendo um gargalo para o desenvolvimento de possíveis novas drogas.

TRATAMENTOS

Segundo a principal autora do estudo do "Lancet", Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, os achados são relevantes para adultos que estão passando pelo primeiro ou segundo episódio de depressão.

Ela afirma que antidepressivos podem ser uma ferramenta efetiva para tratar a depressão grave, mas isso não necessariamente significa que as drogas devam ser sempre a primeira linha de tratamento -a medicação deve ser avaliada junto a outras práticas, como terapias psicológicas, se disponíveis.

A pesquisadora afirma ainda que o paciente deve estar a par dos potenciais benefícios e riscos dos antidepressivos e sempre conversar com seu médico sobre qual seria o melhor tratamento para seu caso.

Algumas das drogas analisadas na meta-análise se destacaram, seja positiva ou negativamente.

Considerando eficácia e a taxa de desistência do tratamento (por causa de efeitos colaterais severos, por exemplo), agomelatina, escitalopram e vortioxetina concorrem ao posto de queridinhas dos psiquiatras.

Já as drogas fluvoxamina, reboxetina e trazodona podem ter maior chance de se acumularem nas prateleiras das farmácias.

O novo estudo, apesar de sua abrangência, é incompleto. Já existem mais de 40 antidepressivos no mercado e foram levados em conta somente estudos publicados até janeiro de 2016.

Mesmo assim, segundo Sagar Parikh, da Universidade de Michigan, que comentou o estudo para o "Lancet", essa pesquisa funciona como um guia em meio a um intenso emaranhado de mais de 2.000 meta-análises que medem e comparam a eficácia desses medicamentos.

Cipriani e colaboradores elaboraram, inclusive, um tabelão em que há comparação duas a duas das 21 drogas avaliadas -prato cheio para hipocondríacos e para profissionais de saúde terem mais sucesso na escolha do melhor caminho terapêutico a ser percorrido. 

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Antidepressivos funcionam, e não é por efeito placebo, diz estudo

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GABRIEL ALVES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Volta e meia a eficácia dos antidepressivos é questionada. Seria a explicação para o funcionamento dessas drogas o famigerado efeito placebo, ou seja, elas não passariam de um mero embuste farmacológico?

A melhor evidência disponível até o momento diz que, na verdade, a resposta é não -antidepressivos funcionam, e são superiores ao placebo.

Há motivos fortes por trás do debate. Além do impacto que a depressão traz para a qualidade de vida das pessoas atingidas, há também um grande impacto econômico da doença, responsável por mais de um quinto do que se gasta anualmente com doenças em todo o mundo. São mais de 350 milhões de pessoas afetadas (número superior à população dos EUA), que custam direta ou indiretamente US$ 210 bilhões (R$ 685 bilhões) ao ano.

Se o placebo equivalesse aos antidepressivos em termos de eficácia, dezenas de bilhões de dólares poderiam ser economizados. Para o bem ou para o mal, não parece ser o caso.

Um estudo publicado nesta quarta (22) na prestigiosa revista médica "The Lancet" considerou dados de mais de 100 mil pacientes, de 522 outros estudos, para chegar à conclusão de que antidepressivos, sim, são eficazes.

Em todos esses estudos, os pacientes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos tratados com a droga em questão ou com placebo.

Os pesquisadores não sabiam quem fazia parte de qual grupo até o final da pesquisa, o que reduz a chance de erros decorrentes do viés de observação (ou da torcida do cientista).

Resultado: a chance de uma pessoa melhorar com um antidepressivo é de 37% a 113% maior do que com um placebo.

Ter dados de tantos pacientes é fundamental, já que, no curto espaço de tempo estabelecido -apenas oito semanas-, os efeitos dos remédios tendem a ser discretos. O tratamento foi tido como bem-sucedido nos pacientes cujo escore relacionado à gravidade da depressão, calculado por um profissional de saúde, fosse reduzido em mais da metade.

Sabe-se que há mais de 40 antidepressivos no mercado, mas, para essa meta-análise, foram considerados os estudos de 21 drogas para as quais havia boa qualidade de evidência na literatura médica. Valiam tanto as comparações entre antidepressivo e placebo quanto aquelas entre dois medicamentos.

Curiosamente, sabe-se ainda muito pouco sobre o funcionamento de antidepressivos -o que acaba sendo um gargalo para o desenvolvimento de possíveis novas drogas.

TRATAMENTOS

Segundo a principal autora do estudo do "Lancet", Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, os achados são relevantes para adultos que estão passando pelo primeiro ou segundo episódio de depressão.

Ela afirma que antidepressivos podem ser uma ferramenta efetiva para tratar a depressão grave, mas isso não necessariamente significa que as drogas devam ser sempre a primeira linha de tratamento -a medicação deve ser avaliada junto a outras práticas, como terapias psicológicas, se disponíveis.

A pesquisadora afirma ainda que o paciente deve estar a par dos potenciais benefícios e riscos dos antidepressivos e sempre conversar com seu médico sobre qual seria o melhor tratamento para seu caso.

Algumas das drogas analisadas na meta-análise se destacaram, seja positiva ou negativamente.

Considerando eficácia e a taxa de desistência do tratamento (por causa de efeitos colaterais severos, por exemplo), agomelatina, escitalopram e vortioxetina concorrem ao posto de queridinhas dos psiquiatras.

Já as drogas fluvoxamina, reboxetina e trazodona podem ter maior chance de se acumularem nas prateleiras das farmácias.

O novo estudo, apesar de sua abrangência, é incompleto. Já existem mais de 40 antidepressivos no mercado e foram levados em conta somente estudos publicados até janeiro de 2016.

Mesmo assim, segundo Sagar Parikh, da Universidade de Michigan, que comentou o estudo para o "Lancet", essa pesquisa funciona como um guia em meio a um intenso emaranhado de mais de 2.000 meta-análises que medem e comparam a eficácia desses medicamentos.

Cipriani e colaboradores elaboraram, inclusive, um tabelão em que há comparação duas a duas das 21 drogas avaliadas -prato cheio para hipocondríacos e para profissionais de saúde terem mais sucesso na escolha do melhor caminho terapêutico a ser percorrido. 

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