Jornal Página 3

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Precisamos falar sobre suicídio
Agora o CVV atende gratuitamente em SC pelo 188

Quarta, 18/10/2017 9:16.

O suicídio é um tabu. Envolto por uma fumaça espessa de medo e desinformação, ele cresce a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde. E apesar do que muitos defendem, precisamos falar sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde recomenda cautela na divulgação do suicídio. Escolas defendem que o assunto nem chegue a ser tratado pela mídia para não estimular novos casos, mas é justamente no silêncio que se esconde o problema. Para o coordenador do Centro de Valorização da Vida de Balneário Camboriú, José de Arimatéia “falar é a melhor solução”.

E é para ser ouvido que as pessoas que buscam o CVV. O posto de Balneário funciona em uma sala anexa à Secretaria da Pessoa Idosa e atende por mês uma média de 400 ligações de pessoas de todo o país. Elas são de classes sociais diversas e de idades variadas.

“Temos recebido muitas ligações de crianças”, revelou Arimatéia. A internet e séries têm levantado a questão e a procura de ajuda pelos mais jovens se tornou maior, mas as taxas de mortalidade são maiores entre os mais velhos.

As causas do desespero são diferentes: solidão, problemas financeiros, orientação sexual, falta de diálogo com os pais, bullying e vontade de se suicidar são algumas delas. Existem até as pessoas que ligam diariamente para ouvir um bom dia ou boa noite, apenas para escutar a voz de outra pessoa.

“Já recebi ligação de chefe do tráfico do RJ, dizendo que iria matar a ex, por ter sido traído e que ao final do atendimento agradeceu ao CVV por existir e a mim como voluntário”, conta o coordenador.

Ele mesmo é um dos 11 voluntários que se revezam no atendimento - número insignificante para a procura (há muitas ligações na espera). José está todo domingo no posto, das 18h às 22h e afirma que o trabalho exige comprometimento, mas é recompensador quando a pessoa do outro lado da linha permite ser ajudada.

O CVV não recebe verbas públicas e mantém o posto (que tem custo de cerca de R$ 700/mês) com doações de entidades como Lions e colaborações dos próprios voluntários.

Eles são orientados em curso a atuarem como se fossem folhas em branco, não podem citar nada que o outro não tenha falado, como religião, política, opinião pessoal. “Somos treinados para acolher a pessoa do jeito que vem”, comenta José.

Para quem tiver interesse em fazer parte do grupo, o plantão semanal é de 4h30 e participar de uma reunião mensal para trocar experiência. Necessário ter 18 anos e disponibilidade interna e externa.

O CVV unificou o número de atendimento em Santa Catarina e agora atende pelo 188 - de graça de ligações feitas de orelhão, celular e telefone fixo.

Números alertam

O Ministério da Saúde lançou uma agenda de prevenção ao suicídio, motivado pelo Setembro Amarelo. Os dados revelam que no Brasil cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano. No mundo, essa média anual é de 800 mil.

No país, só entre 2011 e 2016, foram registrados mais de 176 mil casos de lesões autoprovocadas, entre elas as tentativas de suicídio, mais comuns nos estados do Sudeste e Sul.

As tentativas são maiores entre as mulheres, já os homens são os que mais tiram a própria vida (a taxa de mortalidade entre eles é três vezes maior).

Conforme dados no MS, o suicídio é a terceira causa de morte entre homens. Outro dado que chama a atenção é que o suicídio é mais comum entre os idosos de mais de 70 anos.

Segundo os dados, entre 2011 e 2015, os óbitos ocorreram em 60% dos casos entre pessoas solteiras, viúvas ou separadas.


Reportagem publicada na edição de setembro do Página 3 impresso. Para ter acesso a tudo bem antes, assine aqui.

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Precisamos falar sobre suicídio

Agora o CVV atende gratuitamente em SC pelo 188
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Quarta, 18/10/2017 9:16.

O suicídio é um tabu. Envolto por uma fumaça espessa de medo e desinformação, ele cresce a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde. E apesar do que muitos defendem, precisamos falar sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde recomenda cautela na divulgação do suicídio. Escolas defendem que o assunto nem chegue a ser tratado pela mídia para não estimular novos casos, mas é justamente no silêncio que se esconde o problema. Para o coordenador do Centro de Valorização da Vida de Balneário Camboriú, José de Arimatéia “falar é a melhor solução”.

E é para ser ouvido que as pessoas que buscam o CVV. O posto de Balneário funciona em uma sala anexa à Secretaria da Pessoa Idosa e atende por mês uma média de 400 ligações de pessoas de todo o país. Elas são de classes sociais diversas e de idades variadas.

“Temos recebido muitas ligações de crianças”, revelou Arimatéia. A internet e séries têm levantado a questão e a procura de ajuda pelos mais jovens se tornou maior, mas as taxas de mortalidade são maiores entre os mais velhos.

As causas do desespero são diferentes: solidão, problemas financeiros, orientação sexual, falta de diálogo com os pais, bullying e vontade de se suicidar são algumas delas. Existem até as pessoas que ligam diariamente para ouvir um bom dia ou boa noite, apenas para escutar a voz de outra pessoa.

“Já recebi ligação de chefe do tráfico do RJ, dizendo que iria matar a ex, por ter sido traído e que ao final do atendimento agradeceu ao CVV por existir e a mim como voluntário”, conta o coordenador.

Ele mesmo é um dos 11 voluntários que se revezam no atendimento - número insignificante para a procura (há muitas ligações na espera). José está todo domingo no posto, das 18h às 22h e afirma que o trabalho exige comprometimento, mas é recompensador quando a pessoa do outro lado da linha permite ser ajudada.

O CVV não recebe verbas públicas e mantém o posto (que tem custo de cerca de R$ 700/mês) com doações de entidades como Lions e colaborações dos próprios voluntários.

Eles são orientados em curso a atuarem como se fossem folhas em branco, não podem citar nada que o outro não tenha falado, como religião, política, opinião pessoal. “Somos treinados para acolher a pessoa do jeito que vem”, comenta José.

Para quem tiver interesse em fazer parte do grupo, o plantão semanal é de 4h30 e participar de uma reunião mensal para trocar experiência. Necessário ter 18 anos e disponibilidade interna e externa.

O CVV unificou o número de atendimento em Santa Catarina e agora atende pelo 188 - de graça de ligações feitas de orelhão, celular e telefone fixo.

Números alertam

O Ministério da Saúde lançou uma agenda de prevenção ao suicídio, motivado pelo Setembro Amarelo. Os dados revelam que no Brasil cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano. No mundo, essa média anual é de 800 mil.

No país, só entre 2011 e 2016, foram registrados mais de 176 mil casos de lesões autoprovocadas, entre elas as tentativas de suicídio, mais comuns nos estados do Sudeste e Sul.

As tentativas são maiores entre as mulheres, já os homens são os que mais tiram a própria vida (a taxa de mortalidade entre eles é três vezes maior).

Conforme dados no MS, o suicídio é a terceira causa de morte entre homens. Outro dado que chama a atenção é que o suicídio é mais comum entre os idosos de mais de 70 anos.

Segundo os dados, entre 2011 e 2015, os óbitos ocorreram em 60% dos casos entre pessoas solteiras, viúvas ou separadas.


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