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Milhares se reúnem em protesto 'científico' contra Trump nos EUA

Segunda, 20/2/2017 15:05.

GABRIEL ALVES, ENVIADO ESPECIAL
BOSTON, EUA (FOLHAPRESS) - Cientistas e ativistas aproveitaram o encontro anual da AAAS (Associação Americana para o Progresso da Ciência), que vai até esta segunda (20), em Boston, para reunir alguns milhares de pessoas na Copley Square em protesto contra o governo Donald Trump. A hashtag utilizada pelos organizadores e foi #StandUpForScience -em tradução livre, "levante-se para defender a ciência".

Nos discursos, realizados por organizadores e convidados, eram recorrentes críticas às nomeações de Rex Tillerson, ex-CEO da gigante petroleira ExxonMobil, para a Secretaria de Estado dos EUA, e de Scott Pruitt, crítico e frequente adversário judicial da Agência de Proteção Ambiental do país para chefiá-la.

Naomi Oreskes, historiadora da Universidade Harvard e autora do livro "Merchants of Doubt" (vendedores de dúvidas, em tradução livre, que trata de como as petroleiras conseguiram abafar as evidências sobre o aquecimento global), falou que preferia estar no laboratório, pesquisando, mas que "quando a ciência está sob ataque, alguém tem de protegê-la".

"Não é uma atitude política defender a integridade dos fatos", disse, em referência sutil à expressão "fatos alternativos", usada pela Casa Branca para se referir a uma versão -incorreta- sobre a quantidade de pessoas presentes na posse de Trump.

Segundo a historiadora, muitos colegas cientistas não compareceram ao ato porque não queriam "parecer políticos", mas que eles estariam errando ao se manterem calados. "Os que estão sob ataque, estão sendo atacados porque fizeram algo certo, não porque erraram".

Em um dos discursos mais inflamados do dia, Geoffrey Supran, ativista climático, especialista em energia e doutor pelo MIT, disse que "aqueles que têm o privilégio de saber têm a obrigação de agir", referindo-se à mudança climática -a poucos passos de se tornar irreversível, segundo a grande maioria dos cientistas.

Outros temas que surgiram foram a perfuração do solo para a extração de petróleo em terras indígenas e a construção de usinas termelétricas em áreas pobres.

Os organizadores usaram o evento como uma oportunidade para angariar contatos e amplificar o engajamento da população. Foram coletados possivelmente centenas de números de telefones celulares -via um serviço mediado por SMS, além da divulgação de formulários para cadastros na internet.

Em abril deve acontecer a Marcha pela Ciência, na capital Washington e em outras cidades do país, cujo objetivo é dar um claro sinal da insatisfação da classe científica e da população com a Casa Branca. 

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Milhares se reúnem em protesto 'científico' contra Trump nos EUA

Segunda, 20/2/2017 15:05.

GABRIEL ALVES, ENVIADO ESPECIAL
BOSTON, EUA (FOLHAPRESS) - Cientistas e ativistas aproveitaram o encontro anual da AAAS (Associação Americana para o Progresso da Ciência), que vai até esta segunda (20), em Boston, para reunir alguns milhares de pessoas na Copley Square em protesto contra o governo Donald Trump. A hashtag utilizada pelos organizadores e foi #StandUpForScience -em tradução livre, "levante-se para defender a ciência".

Nos discursos, realizados por organizadores e convidados, eram recorrentes críticas às nomeações de Rex Tillerson, ex-CEO da gigante petroleira ExxonMobil, para a Secretaria de Estado dos EUA, e de Scott Pruitt, crítico e frequente adversário judicial da Agência de Proteção Ambiental do país para chefiá-la.

Naomi Oreskes, historiadora da Universidade Harvard e autora do livro "Merchants of Doubt" (vendedores de dúvidas, em tradução livre, que trata de como as petroleiras conseguiram abafar as evidências sobre o aquecimento global), falou que preferia estar no laboratório, pesquisando, mas que "quando a ciência está sob ataque, alguém tem de protegê-la".

"Não é uma atitude política defender a integridade dos fatos", disse, em referência sutil à expressão "fatos alternativos", usada pela Casa Branca para se referir a uma versão -incorreta- sobre a quantidade de pessoas presentes na posse de Trump.

Segundo a historiadora, muitos colegas cientistas não compareceram ao ato porque não queriam "parecer políticos", mas que eles estariam errando ao se manterem calados. "Os que estão sob ataque, estão sendo atacados porque fizeram algo certo, não porque erraram".

Em um dos discursos mais inflamados do dia, Geoffrey Supran, ativista climático, especialista em energia e doutor pelo MIT, disse que "aqueles que têm o privilégio de saber têm a obrigação de agir", referindo-se à mudança climática -a poucos passos de se tornar irreversível, segundo a grande maioria dos cientistas.

Outros temas que surgiram foram a perfuração do solo para a extração de petróleo em terras indígenas e a construção de usinas termelétricas em áreas pobres.

Os organizadores usaram o evento como uma oportunidade para angariar contatos e amplificar o engajamento da população. Foram coletados possivelmente centenas de números de telefones celulares -via um serviço mediado por SMS, além da divulgação de formulários para cadastros na internet.

Em abril deve acontecer a Marcha pela Ciência, na capital Washington e em outras cidades do país, cujo objetivo é dar um claro sinal da insatisfação da classe científica e da população com a Casa Branca. 

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