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Entrevista com Bola Pereira, vereador eleito com 1088 votos

Sexta, 25/11/2016 16:47.

Por Waldemar Cezar Neto e Marlise Schneider Cezar

Nome – ALDEMAR PEREIRA (BOLA)
Idade – 55
Natural – Rio do Sul
Em BC desde – 1969
Estado civil – Casado com Lucilene
Filhos – Bruno, 28 e Nicole, 22
Formação – Técnico em transações imobiliárias; técnico em contabilidade e faculdade de Economia (por terminar).
Profissão – Corretor de imóveis
Lazer – Passear
Comida predileta – Churrasco
Um livro – ‘100 Anos de Solidão’
Música/Estilo – Gauchesca
Um filme – ‘À espera de um milagre’
Perfil – Descontraído, centrado, trabalhador.
Planos – Abrir uma imobiliária

Com 1088 votos, o ex-bancário e hoje corretor de imóveis, Bola Pereira alcançou seu terceiro mandato legislativo, usando a mesma tática que o tornou conhecido no meio político: gastando sola de sapato (desta vez foram dois furados e acabou com um terceiro par) e cumprimentando as pessoas com o jargão que criou com seu apelido (‘Bolanoite’/‘Bolatarde’). Em 45 dias percorreu rua por rua, excluindo as praias agrestes, Nova Esperança, Praia dos Amores e Ariribá. Esperava fechar uns dois mil votos, deu quase 50% a menos, ‘porque tinha duzentos e poucos candidatos”. Bola iniciou na política em 1989 no PDT e em 1996 elegeu-se vereador com 604 votos. Em 2000 foi reeleito (e o mais votado)com 1.406 votos. Em 2002 concorreu a deputado federal para ajudar o Pavan a senador e o Dado Cherem a deputado estadual. Em 2004 foi a vice prefeito (com Rubens Spernau prefeito), que definiu como ‘a campanha mais saborosa, a que eu tive mais prazer de fazer’. Em 2012 cumpriu a promessa feita ao seu tio e apoiou a campanha do primo Arlindo Cruz. Agora está de volta, mas avisa que não quer se eternizar na função que exercerá pela primeira vez na condição de oposição, o que está gerando uma grande expectativa para ele próprio, porque fazer oposição não é exatamente sua principal qualidade. Mesmo se recuperando de uma cirurgia no tornozelo ele conversou com o Página 3, confira.

Estamos entrevistando os novos vereadores e você não é exatamente um vereador novo, já passou por aquela casa legislativa, o que lhe estimulou a voltar?

O período que passa o país, a necessidade de mais seriedade, e o pessoal pedindo. Minha casa nesses oito anos (de ausência da política) continuou sendo uma casa de vereador, o pessoal vem pedir informações, ajuda, orientação, consulta de leis, reclamar de um buraco... e tem muito pedido de ajuda também porque com as carências acabam batendo na porta do agente público... em Balneário a saúde foi à falência, no ano que vem o Hospital Ruth Cardoso terá um orçamento de R$ 34 milhões... talvez esteja sendo gasto mal porque a fila de espera para exames e consultas nunca foi tão grande... cirurgias, nunca faltou tanto medicamento, não me lembro nem nos piores momentos de Balneário Camboriú faltar tanto medicamento quanto falta hoje...

... o eleitorado continuo lhe procurando, o pessoal aqui do bairro?

Não, da cidade inteira, só não levei votos nas praias agrestes, acho que os vereadores de lá são mais próximos.

É curioso você na oposição a um prefeito que saiu do seu partido e que tem na equipe diversos que eram do PSDB.

Estava até o início da campanha pensando em oposição ao governo atual, estava convicto que a dupla seria Fabrício e Júnior Pavan. Você tem razão quando diz que o grupo se desfez, se dividiu e no final o pessoal do atual prefeito, anti-Pavan, também se uniu ao Fabrício, deixando a candidata com uma votação surpreendente... o Piriquito com a força que se elegeu e ela não fez oito mil votos! Quanto à oposição ao Fabrício a vida é feita de decisões, somos um grupo de amigos dividido em dos times, enquanto não acabar o jogo estamos de um lado tentando vencer. Não quer dizer que sejamos inimigos, a democracia coloca o perdedor como oposição...

Vocês perderam para o Piriquito e nunca foram oposição a ele, esse é o grande dilema dos tucanos. O Piriquito fez, na opinião do jornal, o governo mais corrupto da história da cidade, fato corroborado pela polícia que prendeu 14 pessoas, e o PSDB não fez oposição em momento algum. Agora, eleito o Fabrício, ou os tucanos não farão oposição ou não terão discurso para fazer...

Primeiro corrigindo que foram 15 prisões durante o governo Piriquito, uma isolada e mais 14, além do afastamento de um secretário para apuração de fatos. A democracia não se interrompe, quando aceitei participar foi para a oposição ou situação, como não houve composição para a campanha, se não houver para o governo e o partido decidir que será oposição os vereadores também serão. Tem a oposição burra e a oposição coerente. Eu digo que o Piriquito venceu com duas inverdades: a primeira que nos 20 anos de governo o grupo que Fabrício fazia parte não fez nada pela cidade; a segunda que ele tinha acabado com as enchentes em Balneário Camboriú, nunca mais iria alagar.

Alagou e vai continuar alagando...

O Fabrício também, prometendo ônibus a cada 10 minutos... Balneário não tem dinheiro para bancar um hospital, como vai bancar uma empresa de ônibus? E a segunda é a questão da saúde... sempre digo que se toda a riqueza do mundo fosse investida em saúde não daria conta de resolver os problemas... mas, houve a promessa de se eleito zerar as filas de espera e acabar com a falta de medicamentos. É aí que cabe o meu papel de oposição, não porque ele prometeu, mas porque o povo merece.

A consulta no cardiologista com eletrocardiograma, no atacado, custa R$ 150,00 e se a fila tem mil pacientes esperando são R$ 150 mil de gasto. Uma cidade que vai gastar um milhão e meio em foguetes dentro de alguns dias não tem 150 mil para zerar a fila? O dinheiro existe, você falou que é má administração, mas já pensou que a má administração exista para encobrir corrupção?

O problema de gestão realmente existe, acabei de ser atendido no Ruth Cardoso, uma cirurgia no meu tornozelo, muito bem atendido, não faltou nada. Não me identifiquei como o Bola que tinha conseguido trazer o hospital para Balneário; o vereador, vice-prefeito, nada (...). Zerar não é assim com 150 mil, parece um discurso muito fácil e não é tão fácil assim. O prefeito eleito tem que tirar a urna regional da porta do Ruth Cardoso, chamar quem trouxe o Ruth Cardoso e colocar na proposta original, com parceria pública privada. Deixar os leitos atuais para o SUS e tudo que for feito extra seja pela iniciativa privada... e a prefeitura dá a contrapartida... em 2017 serão 18 milhões de repasses do SUS, do governo federal... hoje é fácil qualquer cidade da região coloca uma placa escrito Ruth Cardoso no micro-ônibus e nem querem saber se a pessoa precisa de hospital ou não, para na frente e a pessoa é atendida.

É falta de gestão, o hospital não foi construído para isto, você sabe porque participou. Desvirtuar o projeto do hospital pode ser sim uma maneira de encobrir corrupção. O Piriquito construiu um pronto socorro, gastou R$ 5 milhões e está fechado há dois anos, como pode isto?

O Ruth Cardoso não era para ter pronto socorro, ficaria no Santa Inês, no Ruth seriam cirurgias eletivas (aquelas que podem ser programadas) da região da Amfri e isso ainda dá para fazer. O município saiu da Amfri e não pode mais comprar serviços baratos... gosto quando o Página 3, cobra isto porque este pacote foi difícil de costurar, o pacote de atendimentos, medicamentos... e de repente foi tudo jogado no lixo, no meu ponto de vista. Por questões políticas, a visão política da atual administração é ruim...

... estou convicto que não é visão política, é oportunizar corrupção.

Volto a insistir, vão me chamar de oposição, mas no momento em que eu entrar ali... o grupo que está lá é refinado, o grupo que o Pavan tinha, o Spernau tinha acabou indo para o lado do Fabrício, são pessoas excelentes, trabalhadoras, corretas... não espero erros morais e sim estratégicos, o Fabrício já vai enfrentar dificuldades na composição para a presidência da Câmara...

Você está na disputa para presidir o Legislativo?

Se cair no meu colo não vou recusar ser presidente, mas para administrar com coerência não com radicalismo... se tenho meu primo lá dentro que diz ter votos para ser o presidente, se o meu voto for decisivo para o Arlindo Cruz ser o presidente votarei nele.

Você já viu muitos processos de escolha de mesa da Câmara e sabe que às vezes cai no colo daquele que está quietinho num canto e se torna solução de consenso.

Já falei ao Pavan, não vou me abster de conversar com ninguém, não aceito propostas que não sejam morais, éticas, produtivas... questionei algumas vezes, tive problemas seríssimos nos meus dois mandatos de vereador por tomar posição, como na CPI do Fundo de Garantia, no mototáxi quando defendi e até coloquei minha família em risco... mas, nunca me acovardei... então, se é para fazer trabalho sério... mas, acho que não me elegeriam presidente da Câmara. Não consigo ser um presidente “flex”.

A Câmara de Vereadores é mal falada, você percebe isso nas ruas. Agora tem oito vereadores novos e alguns antigos com a intenção de mudar a imagem da Câmara.

Nos meus dois mandatos quando cheguei tinha esta imagem ruim, realmente é mais intenso agora, mas a gente consegue mudar... e alguns dos novos me procuraram dizendo que têm intenção de mudar aquela casa e me consideram uma das referências para isto. Aí fica uma responsabilidade que não me cabe porque somos 19 e eu respondo pelos meus atos, mas tem sim vereadores querendo mudar.

Você considera essa ponte da Via Gastronômica positiva para a Vila Real?

Qualquer coisa que você fala aqui ou no Bairro São Francisco em relação à ponte é o mesmo que colocar cachorro em frente a gato. O Piriquito diz que acabou com alagamentos e é mentira, ele botou a sapata da ponte dentro do canal... tínhamos definido uma ponte estaiada ali, até fui eu quem assinei na época como prefeito interino (...) agora a prefeitura tem a obrigação de tirar as pedras e tentar dar uma remodelada naquela ponte (...).

O prefeito esculhambou um dos locais mais bonitos da cidade, o Poço das Pedras, e criou as condições para a maior enchente da história porque os pilares da ponte vão represar o rio. Poderia ter usado o dinheiro para uma ponte na marginal da BR-101 que daria acesso ao São Francisco da mesma forma e a vários outros bairros.

Não concordo, acho que precisava a ponte, mas a concepção feita ali sou contra. Na marginal da BR-101 é responsabilidade federal, está na licitação do pedágio... vou falar muito na ponte no meu mandato por causa da sapata dentro do rio, mais um obstáculo para a água dos bairros e de Camboriú (...) essa correção terá que ser feita, infelizmente, ou tira a ponte e faz uma nova ou tira as pedras que são obstáculo para a água (...) vou lutar também para sair o campo de futebol ali na ilha do Candeias, são 130.000 m2 para fazer o campinho, o campo e o centro comunitário que o Iate Clube não tem.

E o que mais?

A luta antes era o ensino médio no Bairro das Nações, o Pavan como governador licitou e agora será entregue, mas falta o ensino médio estadual gratuito para a Vila Real, Municípios, Iate Clube, Nova Esperança, Jardim Denise, São Francisco... devo iniciar em janeiro o maior abaixo-assinado da história de Balneário Camboriú para construir esta escola. E vou voltar a brigar pelo estádio- escola, no Bairro das Nações e que o ensino integral do governo eleito seja ali. Ali (sob as arquibancadas que seriam construídas no estádio) tem espaço para 1.500 alunos. Também vou querer iluminação pública de LED com a possibilidade das pessoas terem internet em casa, incluída na Cosip (a fatura da iluminação pública) gratuita usando o sistema elétrico. LED tem maior qualidade, 60% de economia e a internet pela rede não acrescentaria custos aos moradores. (Nota da redação: esta tecnologia é pouco utilizada)... este título novas ideias foi uma referência, uma chamada para gravar na eleição, mas para gastar 2,7 bilhões de reais (do orçamento) posso trazer gente do mundo inteiro... as novas ideias não são propriedade intectual da situação...

Claro, mas suas ideias dependem do Executivo, você sabe que o Legislativo não pode propor despesas, então se quiser que prosperem não pode fazer oposição radical ao prefeito...

Sim, minha oposição será pelo bem da cidade e minhas propostas deverão ser ouvidas porque se ele ouviu 16 mil pessoas na pré-campanha ele vai ter que me ouvir também. Agora com o direito pelo voto, pela população que colocava minha candidatura como das mais bem aceitas... tanto que numa campanha modesta fui lá e me elegi. Posso contribuir, tenho obrigação de cobrar, mas também serei bastante coerente.

Qual sua expectativa neste terceiro mandato?

Vou dizer o que o Pavan dizia, quero fazer o melhor mandato de minha vida porque talvez seja o último... vou buscar o próximo mandato.

Para prefeito?

Ué, se cair no colo vamos. Não fui em 2004 por falta de dinheiro e naquela época todas as pesquisas diziam que eu era o favorito à prefeitura... mas não tinha recurso. Agora o Pavan que tinha o melhor histórico não tinha recursos humanos, famílias envolvidas na campanha a vereador... entre os candidatos da Jade e do Fabricio o Pavan tinha 190 famílias contra ele e se cada uma tinha 10 pessoas eram 1.900 trabalhando contra ele... que com os quarenta e poucos candidatos que tinha do lado dele talvez não tivesse 20 famílias... recursos humanos, financeiros e para juntar os humanos precisa os financeiros...

Finalizando, qual mensagem gostaria de deixar.

Agradecer a toda minha família, amigos, todos que se envolveram, ajudaram e votaram não apenas nesta eleição. Já fiz 13.369 votos para deputado federal e todas essas pessoas me ajudaram a construir minha história... e em primeiro lugar, acima de tudo, a Deus que tem sido muito generoso comigo!

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Entrevista com Bola Pereira, vereador eleito com 1088 votos

Sexta, 25/11/2016 16:47.

Por Waldemar Cezar Neto e Marlise Schneider Cezar

Nome – ALDEMAR PEREIRA (BOLA)
Idade – 55
Natural – Rio do Sul
Em BC desde – 1969
Estado civil – Casado com Lucilene
Filhos – Bruno, 28 e Nicole, 22
Formação – Técnico em transações imobiliárias; técnico em contabilidade e faculdade de Economia (por terminar).
Profissão – Corretor de imóveis
Lazer – Passear
Comida predileta – Churrasco
Um livro – ‘100 Anos de Solidão’
Música/Estilo – Gauchesca
Um filme – ‘À espera de um milagre’
Perfil – Descontraído, centrado, trabalhador.
Planos – Abrir uma imobiliária

Com 1088 votos, o ex-bancário e hoje corretor de imóveis, Bola Pereira alcançou seu terceiro mandato legislativo, usando a mesma tática que o tornou conhecido no meio político: gastando sola de sapato (desta vez foram dois furados e acabou com um terceiro par) e cumprimentando as pessoas com o jargão que criou com seu apelido (‘Bolanoite’/‘Bolatarde’). Em 45 dias percorreu rua por rua, excluindo as praias agrestes, Nova Esperança, Praia dos Amores e Ariribá. Esperava fechar uns dois mil votos, deu quase 50% a menos, ‘porque tinha duzentos e poucos candidatos”. Bola iniciou na política em 1989 no PDT e em 1996 elegeu-se vereador com 604 votos. Em 2000 foi reeleito (e o mais votado)com 1.406 votos. Em 2002 concorreu a deputado federal para ajudar o Pavan a senador e o Dado Cherem a deputado estadual. Em 2004 foi a vice prefeito (com Rubens Spernau prefeito), que definiu como ‘a campanha mais saborosa, a que eu tive mais prazer de fazer’. Em 2012 cumpriu a promessa feita ao seu tio e apoiou a campanha do primo Arlindo Cruz. Agora está de volta, mas avisa que não quer se eternizar na função que exercerá pela primeira vez na condição de oposição, o que está gerando uma grande expectativa para ele próprio, porque fazer oposição não é exatamente sua principal qualidade. Mesmo se recuperando de uma cirurgia no tornozelo ele conversou com o Página 3, confira.

Estamos entrevistando os novos vereadores e você não é exatamente um vereador novo, já passou por aquela casa legislativa, o que lhe estimulou a voltar?

O período que passa o país, a necessidade de mais seriedade, e o pessoal pedindo. Minha casa nesses oito anos (de ausência da política) continuou sendo uma casa de vereador, o pessoal vem pedir informações, ajuda, orientação, consulta de leis, reclamar de um buraco... e tem muito pedido de ajuda também porque com as carências acabam batendo na porta do agente público... em Balneário a saúde foi à falência, no ano que vem o Hospital Ruth Cardoso terá um orçamento de R$ 34 milhões... talvez esteja sendo gasto mal porque a fila de espera para exames e consultas nunca foi tão grande... cirurgias, nunca faltou tanto medicamento, não me lembro nem nos piores momentos de Balneário Camboriú faltar tanto medicamento quanto falta hoje...

... o eleitorado continuo lhe procurando, o pessoal aqui do bairro?

Não, da cidade inteira, só não levei votos nas praias agrestes, acho que os vereadores de lá são mais próximos.

É curioso você na oposição a um prefeito que saiu do seu partido e que tem na equipe diversos que eram do PSDB.

Estava até o início da campanha pensando em oposição ao governo atual, estava convicto que a dupla seria Fabrício e Júnior Pavan. Você tem razão quando diz que o grupo se desfez, se dividiu e no final o pessoal do atual prefeito, anti-Pavan, também se uniu ao Fabrício, deixando a candidata com uma votação surpreendente... o Piriquito com a força que se elegeu e ela não fez oito mil votos! Quanto à oposição ao Fabrício a vida é feita de decisões, somos um grupo de amigos dividido em dos times, enquanto não acabar o jogo estamos de um lado tentando vencer. Não quer dizer que sejamos inimigos, a democracia coloca o perdedor como oposição...

Vocês perderam para o Piriquito e nunca foram oposição a ele, esse é o grande dilema dos tucanos. O Piriquito fez, na opinião do jornal, o governo mais corrupto da história da cidade, fato corroborado pela polícia que prendeu 14 pessoas, e o PSDB não fez oposição em momento algum. Agora, eleito o Fabrício, ou os tucanos não farão oposição ou não terão discurso para fazer...

Primeiro corrigindo que foram 15 prisões durante o governo Piriquito, uma isolada e mais 14, além do afastamento de um secretário para apuração de fatos. A democracia não se interrompe, quando aceitei participar foi para a oposição ou situação, como não houve composição para a campanha, se não houver para o governo e o partido decidir que será oposição os vereadores também serão. Tem a oposição burra e a oposição coerente. Eu digo que o Piriquito venceu com duas inverdades: a primeira que nos 20 anos de governo o grupo que Fabrício fazia parte não fez nada pela cidade; a segunda que ele tinha acabado com as enchentes em Balneário Camboriú, nunca mais iria alagar.

Alagou e vai continuar alagando...

O Fabrício também, prometendo ônibus a cada 10 minutos... Balneário não tem dinheiro para bancar um hospital, como vai bancar uma empresa de ônibus? E a segunda é a questão da saúde... sempre digo que se toda a riqueza do mundo fosse investida em saúde não daria conta de resolver os problemas... mas, houve a promessa de se eleito zerar as filas de espera e acabar com a falta de medicamentos. É aí que cabe o meu papel de oposição, não porque ele prometeu, mas porque o povo merece.

A consulta no cardiologista com eletrocardiograma, no atacado, custa R$ 150,00 e se a fila tem mil pacientes esperando são R$ 150 mil de gasto. Uma cidade que vai gastar um milhão e meio em foguetes dentro de alguns dias não tem 150 mil para zerar a fila? O dinheiro existe, você falou que é má administração, mas já pensou que a má administração exista para encobrir corrupção?

O problema de gestão realmente existe, acabei de ser atendido no Ruth Cardoso, uma cirurgia no meu tornozelo, muito bem atendido, não faltou nada. Não me identifiquei como o Bola que tinha conseguido trazer o hospital para Balneário; o vereador, vice-prefeito, nada (...). Zerar não é assim com 150 mil, parece um discurso muito fácil e não é tão fácil assim. O prefeito eleito tem que tirar a urna regional da porta do Ruth Cardoso, chamar quem trouxe o Ruth Cardoso e colocar na proposta original, com parceria pública privada. Deixar os leitos atuais para o SUS e tudo que for feito extra seja pela iniciativa privada... e a prefeitura dá a contrapartida... em 2017 serão 18 milhões de repasses do SUS, do governo federal... hoje é fácil qualquer cidade da região coloca uma placa escrito Ruth Cardoso no micro-ônibus e nem querem saber se a pessoa precisa de hospital ou não, para na frente e a pessoa é atendida.

É falta de gestão, o hospital não foi construído para isto, você sabe porque participou. Desvirtuar o projeto do hospital pode ser sim uma maneira de encobrir corrupção. O Piriquito construiu um pronto socorro, gastou R$ 5 milhões e está fechado há dois anos, como pode isto?

O Ruth Cardoso não era para ter pronto socorro, ficaria no Santa Inês, no Ruth seriam cirurgias eletivas (aquelas que podem ser programadas) da região da Amfri e isso ainda dá para fazer. O município saiu da Amfri e não pode mais comprar serviços baratos... gosto quando o Página 3, cobra isto porque este pacote foi difícil de costurar, o pacote de atendimentos, medicamentos... e de repente foi tudo jogado no lixo, no meu ponto de vista. Por questões políticas, a visão política da atual administração é ruim...

... estou convicto que não é visão política, é oportunizar corrupção.

Volto a insistir, vão me chamar de oposição, mas no momento em que eu entrar ali... o grupo que está lá é refinado, o grupo que o Pavan tinha, o Spernau tinha acabou indo para o lado do Fabrício, são pessoas excelentes, trabalhadoras, corretas... não espero erros morais e sim estratégicos, o Fabrício já vai enfrentar dificuldades na composição para a presidência da Câmara...

Você está na disputa para presidir o Legislativo?

Se cair no meu colo não vou recusar ser presidente, mas para administrar com coerência não com radicalismo... se tenho meu primo lá dentro que diz ter votos para ser o presidente, se o meu voto for decisivo para o Arlindo Cruz ser o presidente votarei nele.

Você já viu muitos processos de escolha de mesa da Câmara e sabe que às vezes cai no colo daquele que está quietinho num canto e se torna solução de consenso.

Já falei ao Pavan, não vou me abster de conversar com ninguém, não aceito propostas que não sejam morais, éticas, produtivas... questionei algumas vezes, tive problemas seríssimos nos meus dois mandatos de vereador por tomar posição, como na CPI do Fundo de Garantia, no mototáxi quando defendi e até coloquei minha família em risco... mas, nunca me acovardei... então, se é para fazer trabalho sério... mas, acho que não me elegeriam presidente da Câmara. Não consigo ser um presidente “flex”.

A Câmara de Vereadores é mal falada, você percebe isso nas ruas. Agora tem oito vereadores novos e alguns antigos com a intenção de mudar a imagem da Câmara.

Nos meus dois mandatos quando cheguei tinha esta imagem ruim, realmente é mais intenso agora, mas a gente consegue mudar... e alguns dos novos me procuraram dizendo que têm intenção de mudar aquela casa e me consideram uma das referências para isto. Aí fica uma responsabilidade que não me cabe porque somos 19 e eu respondo pelos meus atos, mas tem sim vereadores querendo mudar.

Você considera essa ponte da Via Gastronômica positiva para a Vila Real?

Qualquer coisa que você fala aqui ou no Bairro São Francisco em relação à ponte é o mesmo que colocar cachorro em frente a gato. O Piriquito diz que acabou com alagamentos e é mentira, ele botou a sapata da ponte dentro do canal... tínhamos definido uma ponte estaiada ali, até fui eu quem assinei na época como prefeito interino (...) agora a prefeitura tem a obrigação de tirar as pedras e tentar dar uma remodelada naquela ponte (...).

O prefeito esculhambou um dos locais mais bonitos da cidade, o Poço das Pedras, e criou as condições para a maior enchente da história porque os pilares da ponte vão represar o rio. Poderia ter usado o dinheiro para uma ponte na marginal da BR-101 que daria acesso ao São Francisco da mesma forma e a vários outros bairros.

Não concordo, acho que precisava a ponte, mas a concepção feita ali sou contra. Na marginal da BR-101 é responsabilidade federal, está na licitação do pedágio... vou falar muito na ponte no meu mandato por causa da sapata dentro do rio, mais um obstáculo para a água dos bairros e de Camboriú (...) essa correção terá que ser feita, infelizmente, ou tira a ponte e faz uma nova ou tira as pedras que são obstáculo para a água (...) vou lutar também para sair o campo de futebol ali na ilha do Candeias, são 130.000 m2 para fazer o campinho, o campo e o centro comunitário que o Iate Clube não tem.

E o que mais?

A luta antes era o ensino médio no Bairro das Nações, o Pavan como governador licitou e agora será entregue, mas falta o ensino médio estadual gratuito para a Vila Real, Municípios, Iate Clube, Nova Esperança, Jardim Denise, São Francisco... devo iniciar em janeiro o maior abaixo-assinado da história de Balneário Camboriú para construir esta escola. E vou voltar a brigar pelo estádio- escola, no Bairro das Nações e que o ensino integral do governo eleito seja ali. Ali (sob as arquibancadas que seriam construídas no estádio) tem espaço para 1.500 alunos. Também vou querer iluminação pública de LED com a possibilidade das pessoas terem internet em casa, incluída na Cosip (a fatura da iluminação pública) gratuita usando o sistema elétrico. LED tem maior qualidade, 60% de economia e a internet pela rede não acrescentaria custos aos moradores. (Nota da redação: esta tecnologia é pouco utilizada)... este título novas ideias foi uma referência, uma chamada para gravar na eleição, mas para gastar 2,7 bilhões de reais (do orçamento) posso trazer gente do mundo inteiro... as novas ideias não são propriedade intectual da situação...

Claro, mas suas ideias dependem do Executivo, você sabe que o Legislativo não pode propor despesas, então se quiser que prosperem não pode fazer oposição radical ao prefeito...

Sim, minha oposição será pelo bem da cidade e minhas propostas deverão ser ouvidas porque se ele ouviu 16 mil pessoas na pré-campanha ele vai ter que me ouvir também. Agora com o direito pelo voto, pela população que colocava minha candidatura como das mais bem aceitas... tanto que numa campanha modesta fui lá e me elegi. Posso contribuir, tenho obrigação de cobrar, mas também serei bastante coerente.

Qual sua expectativa neste terceiro mandato?

Vou dizer o que o Pavan dizia, quero fazer o melhor mandato de minha vida porque talvez seja o último... vou buscar o próximo mandato.

Para prefeito?

Ué, se cair no colo vamos. Não fui em 2004 por falta de dinheiro e naquela época todas as pesquisas diziam que eu era o favorito à prefeitura... mas não tinha recurso. Agora o Pavan que tinha o melhor histórico não tinha recursos humanos, famílias envolvidas na campanha a vereador... entre os candidatos da Jade e do Fabricio o Pavan tinha 190 famílias contra ele e se cada uma tinha 10 pessoas eram 1.900 trabalhando contra ele... que com os quarenta e poucos candidatos que tinha do lado dele talvez não tivesse 20 famílias... recursos humanos, financeiros e para juntar os humanos precisa os financeiros...

Finalizando, qual mensagem gostaria de deixar.

Agradecer a toda minha família, amigos, todos que se envolveram, ajudaram e votaram não apenas nesta eleição. Já fiz 13.369 votos para deputado federal e todas essas pessoas me ajudaram a construir minha história... e em primeiro lugar, acima de tudo, a Deus que tem sido muito generoso comigo!

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