Jornal Página 3

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Novos vereadores: conheça Gelson Rodrigues
Reprodução
Gelson foi o segundo mais votado entre os novos, com 1196 votos.

Sexta, 18/11/2016 15:56.

Por Marlise Schneider Cezar

O advogado Gelson Rodrigues conhece a praia desde os ‘primeiros passos’ quando a família vinha veranear. Decidiu morar aqui há duas décadas, mas nunca pensou em ser político. Foi em fevereiro desse ano que o prefeito eleito Fabrício Oliveira conseguiu ‘fazer a cabeça’ e ele aceitou concorrer. Foi o segundo mais votado entre os oito novos vereadores, mas disse que não chegou a ser surpresa, porque sentiu nas ruas que o povo queria mudança, gente nova, exatamente a sua proposta maior. Disse que no momento em que tomou a decisão de concorrer, botou no papel várias idéias de projetos e registrou em cartório, porque se não realizar, pode ser ‘cobrado’. Saiu vitorioso das urnas e já entrou em outra ‘campanha’, quer ser o presidente do Legislativo. Confira na segunda da série de entrevistas com os novos vereadores eleitos.

Nome – GELSON RODRIGUES
Idade – 40
Natural – Porto União
Em BC desde – Há 20 anos
Estado civil – Casado com Soraya
Filhos – Bruno, 18, Brenda, 16, Lucas, 14 e Alice, 2 anos.
Formação – Superior. Direito pela Univali
Profissão – Advogado
Lazer – Jogar futebol
Comida – Churrasco
Livro – ‘O Príncipe’
Música – Sertaneja
Filme – ‘O Mentiroso’
Perfil – Trabalhador, honesto, sempre em busca dos meus ideais
Planos – Investir cada vez mais na carreira de advocacia, fazer curso de Mestrado em Direito Público e entender cada vez mais a política na sua maneira correta.

Como o Sr. encontrou a política ou como ela o encontrou?

Nunca tive pretensões políticas. Minha ideia sobre o assunto era sempre estar acompanhando a política, mas sem envolvimento direto.

Nunca participou de nenhum partido?

Nunca. Me filiei ao PSB de Balneário a convite do prefeito eleito Fabrício Oliveira em fevereiro deste ano.

Então não foi uma escolha partidária, foi uma opção ou porque alguém sugeriu?

Foi por dois motivos. Um pelo momento que o Brasil vem passando, que entendia que pessoas do bem, pessoas honestas, deveriam se envolver na política, porque senão estaríamos apenas assinando embaixo, concordando com o que vinha acontecendo, de uma maneira nacional e também local. Aconteceu em 2014, 2015 em Balneário Camboriú com várias prisões, várias situações envolvendo políticos e secretários e num segundo momento, foi o convite do Fabrício pelo fato de termos um conhecimento de longa data, ele me convidou para me envolver diretamente no projeto das Novas Ideias, que seria trazer políticos novos, políticos que não tivessem vícios e que se envolveriam com a política boa, a política do bem. Foi por esses motivos que aceitei.

O resultado da votação surpreendeu?

Se eu falar que sim, estarei mentindo, não estou sendo verdadeiro. Quando me envolvi já tinha um grupo de amigos, de clientes, pessoas que queriam o nome da gente participando da política diretamente. Mas por ser a primeira vez, não deixou de ser uma surpresa, porque a gente sabe de vários políticos que não conseguiram se eleger. Acho que pelo momento que o Brasil e Balneário também vem passando, o povo respondeu, a comunidade respondeu nas urnas, querendo a mudança. Meu nome era uma mudança, uma novidade, questão de não ter vício político, a gente via que tinha condições de chegar. Deu certo, o povo falou a verdade nas urnas, não só aqui, mas em todo o país, a mudança foi realmente imposta.

O político em geral está em baixa, o povo está de saco cheio com político ladrão. O Sr. sentiu isso na campanha?

Sim, por diversas vezes, nas visitas que fazia em casas, entrei em muitas residências, principalmente na região sul e no Bairro dos Municipios, e o clamor era sempre...”ah mas você já é político? ‘Não estou me envolvendo agora, tentando a mudança...’ “ah então podemos conversar, você pode entrar na minha casa”. Houveram outras situações, nos comícios, a hora que falava o político, a população nem aplaudia, não dava retorno...quando falavam os que não tinham vícios, que não era políticos de carreira, havia uma sensação bem mais favorável, agradável, me sentia bastante motivado, porque ali dava mais uma vez para sentir que a população queria mudança.

Quais foram suas prioridades na campanha?

Quando resolvi ser candidato, fiz algumas propostas e as registrei em cartório até para poder responder via criminal, caso não consiga colocá-las em prática. Elas são relacionadas à saúde, com postos de saúde senão em todos os bairros no máximo possível; segurança, é necessário ter um posto fixo da Guarda Municipal 24 Horas e termos barreiras nas saídas e entradas da cidade; educação, vejo com bons olhos a educação em tempo integral e o esporte, que vai tirar nossas crianças e jovens das ruas, entre outras (...)..

A saúde é um dos setores com mais reclamações, faltam especialistas, filas enormes, onde o Ministério Público tem que interferir, são coisas sérias. Como resolver?

Entendo que temos que trabalhar com três eixos na questão da saúde. Primeiro, aumentar, aprimorar contratar novos médicos no hospital Ruth Cardoso. O hospital precisa ser tratado como prioridade pelo novo governo. Segundo, novos postos de saúde, o PA da Barra que atende também Nova Esperança, que está superlotado, porque a maioria do povo está indo para lá...mas ele era para atender a região sul e agora já atende praticamente toda cidade...

...tem um Pronto Socorro dentro do Ruth Cardoso, pronto há três anos que nunca funcionou...

Temos que identificar o que precisamos arrumar ...se ele tivesse aberto, desafogaria bastante o PA da Barra. Precisamos colocar em funcionamento o posto do Bairro das Nações, que está praticamente pronto, mas até agora não foi entregue à população. Nós precisamos novos postos de saúde, senão em todos os bairros, tentar na maioria, na região, no centro, porque o posto de saúde da 1500 está bastante danificado, velho, antigo, precisa ser dada uma nova vida naquele posto. Logo que eu assumir vou fazer um projeto chamado ‘Meu remédio em casa’ para os idosos, acho desumano os idosos terem que vir até a farmácia municipal. É preciso um cronograma da entrega dos remédios e todo o mês uma moto, um carro, faria a entrega nas casas. Isso é totalmente viável. Curitiba tem, Gramado tem e quero trazer para cá. Também precisamos fiscalizar o trabalho dos médicos, enfermeiros, se estão fazendo o horário correto. É o trabalho do vereador, ir até os postos de saúde, hospital para ver se eles estão cumprindo os horários para os quais foram contratados (...).

Um grande problema são as especialidades, o paciente chegar até o especialista. O que pode demorar meses, até um ano ou mais. Os médicos alegam salários muito baixos.

É necessário contratar especialistas, mas para que ele venha para cá, ele precisa ser remunerado dignamente(...). Tem que zerar essa questão dos exames, dar um jeito de contratar, remunerar melhor, porque a saúde tem que ser prioridade.

O prefeito eleito anunciou que quer a polícia nos bairros. O Sr. acredita que levar a guarda municipal para os bairros resolve a falta de segurança?

Essa questão de segurança está nas minhas propostas registradas em cartório, seria desenvolver projeto de lei para implantação de postos policiais em todos os bairros, como por ex. o Parque Bandeirantes, o Bairro Nova Esperança e todos os bairros, com isso a polícia estará mais presente, fazendo contato com os moradores, conhecendo o cotidiano...se passa alguém diferente, um carro diferente já chamará atenção (...).

O problema do policiamento é sempre falta de pessoal, a PM trabalha com essa dificuldade e não é de agora, é sempre.

Temos que ter uma conversa muito mais séria com o governo do Estado para que mande mais efetivo, não somente na temporada. Acho que prefeito e vereadores, uma força tarefa devem conversar com o governador, secretário de segurança para que isso aconteça. Outra coisa que vejo com bons olhos seria tentar unificar a polícia militar com a guarda municipal. Sei que isso não é fácil, já foi tentado, mas entendo que não deveria haver diferenças entre as partes, porque ambas estão atuando pela segurança da população. A gente sabe que hoje não é isso que acontece, mas no que for possível vou tentar travar uma conversa para que essas duas categorias se aproximem. Outra questão é tentar colocar barreiras fixas nas entradas e saídas, ver se conseguimos fazer de Balneário Camboriú, entre aspas, um condomínio fechado, porque nossa cidade ela é bem dividida e nós temos poucas saídas e entradas. Ainda podemos controlar com bastante eficácia. Também fazer funcionar realmente as câmeras de segurança. Elas existem, tem o programa, mas não vi a efetividade das respostas dessas câmeras.

Hoje o Sr. daria que nota para nossa segurança, de 1 a 10?

No máximo 6. Estamos pecando bastante com nossa segurança. Estamos deixando a população desassistida. Até com relação aos pequenos assaltos, crianças e adolescentes saindo dos colégios são assaltados para levarem o celular, boné...está acontecendo muito, já aconteceu três vezes com um filho meu, ele estuda no Unificado e em três ocasiões furtaram o celular, duas recuperamos e outra não. Nossa cidade recebe muitos turistas, na sexta-feira estamos com 100 mil habitantes e o sábado amanhece com 400 mil...então a segurança tem que ser prioridade para a população fixa e para o turista também.

É um ítem fundamental na escolha do roteiro do turista. Ele quer se sentir seguro onde vai tirar férias.

Lembro quando vinha veranear com meu pai em Balneário, desde os primeiros passos aqui na areia, lembro dele falando sobre a importância da segurança. É prioridade na escolha do roteiro sim e também na hora que a pessoa vem comprar um apartamento em Balneário para residir ou botar um comércio, ela vai antes verificar o índice da criminalidade, isso influi bastante na sua decisão. Com o turista é a mesma coisa (...). Voltando um pouco à questão da saúde, se tivéssemos uma saúde de qualidade, tenho certeza que a população fixa de Balneário seria outra, com relação a pessoas da melhor idade. Os apartamentos que hoje ficam fechados o ano todo, muitos filhos iriam falar para seus pais morar aqui (...).

O Sr. defende a educação em tempo integral na escola. É um desafio, porque as pessoas confundem o conceito. Largam o filho na escola e acham que ela é responsável pela educação, quando não é nada disso.

Vejo educação integral com bons olhos, mas não podemos transferir a responsabilidade dos pais para o colégio , o que muitas vezes está acontecendo. A educação vem de casa e a escola serve para aprimorá-la. O contraturno no caso, seria para desenvolver quem sabe até uma profissão na criança, no jovem...avaliando suas preferências e também para não deixar as crianças ociosas, nas ruas. Ainda nesta área vejo necessidade de criarmos uma creche na região central que hoje não temos. E ainda temos que propor as novas tecnologias no ambiente escolar. A questão da informática está muito dinâmica (...), falo em criar um polo tecnológico, será muito benvindo, não temos espaço para indústrias, mas ele pode ser criado em um pequeno espaço territorial...hoje Florianópolis arrecada mais com questão tecnológica do que com o turismo. Nós temos essa possibilidade, temos aeroporto próximo, a BR-101 que passa dentro da cidade, universidades que podem ser mais utilizadas, vejo o polo tecnológico como um filão no mercado de trabalho da nossa região. Se prefeito e vereadores se antenarem para isso, poderemos ter em curto espaço de tempo uma arrecadação melhor para nosso município.

Nosso turismo precisa desenvolver, não basta mais ‘vender’ Balneário em workshops etc, o turismo precisa ser profissionalizado. Como o Sr. vê essa questão?

Vejo que para tratar do nosso turismo precisamos antes tratar a nossa praia. Cuidar da água da praia. Se não tratarmos o rio, não teremos uma praia limpa. Isso vem denegrindo a imagem de Balneário há alguns anos, tanto que é comum as pessoas se banharem em praias próximas, porque tem águas limpas. Outra situação é tratar da avenida Atlântica. É preciso trabalhar imediatamente a questão do alargamento da faixa de areia e a reurbanização da Atlântica. Já chegamos no limite do que podemos oferecer para o turista, precisamos novidades. Balneário ainda é considerada a menina dos olhos de Santa Catarina, mas não é bem isso que está acontecendo...Também precisamos de novos hotéis, mais modernos, se quisermos um turista de mais qualidade(...). Precisamos de mais restaurantes de qualidade. Precisamos de novidades para o turista (...).

Mobilidade urbana é um problema de ano todo, que piora muito na temporada...

Precisamos dar continuidade a esses projetos em andamento, continuação da Quarta Avenida, Binário, etc tem que ser feito um trabalho diferenciado na mobilidade urbana, isso sem esquecer das pessoas com necessidades especiais, porque a gente vê que temos que trabalhar muito com a questão do pedestre, do ciclistas, das calçadas (...).

Você quer ser presidente da Câmara? O PMDB perdeu a eleição, mas quer que o Marcos Kurtz seja o presidente do Legislativo?

Sim, eu soube, mas não conversei ainda com o Marquinhos. Estou conversando com todos os vereadores colocando meu nome à disposição, até porque o prefeito não pode correr o risco de não ter governabilidade. Os projetos dele devem ser colocados em pauta na hora certa da forma que é preciso. Conseguimos eleger oito vereadores, tem que sair daí a presidência da Câmara e coloquei meu nome à disposição. Se o prefeito quiser estou à disposição dele.

E os outros sete também ... (risos)

É ... (risos).

Estão em negociação os cargos na administração, se o seu nome fosse indicado para uma secretaria, aceitaria ou não?

Não, fui eleito para ser vereador e vou ficar vereador nos próximos quatro anos. Lá eu vejo que consigo ajudar mais nossa cidade e o nosso prefeito. Tem pessoal técnico que deve ser chamado e não apenas por indicação política... nas conversas com o Fabrício ele sempre colocou isto e sou totalmente favorável não deve ser apenas por indicação política.

A campanha eleitoral foi quando o Sr. teve o primeiro contato com os eleitores, como foi a experiência, boa ou ruim?

Não vejo parte ruim, claro que a gente acaba se decepcionando com pessoas próximas, em algumas situações esperava uma dedicação maior dessas pessoas... mas tudo isso é superado pela quantidade de pessoas que conheci e das quais tive receptividade muito grande. Devo ter entrado em mais de 800 casas nesse período eleitoral, sentar, conversar, um tratamento diferenciado... ouvir o que a comunidade, especialmente na região sul precisava. Acredito que 70% das casas que visitei foram na região sul, no Bairro dos Municípios também e no restante da cidade. Fiquei muito gratificado com o que as pessoas falavam. Antes de eu entrar me perguntavam se eu já era político de carreira, qual era minha profissão, se eu ia abandonar a advocacia... Eu sou advogado, defendo a advocacia para me manter, sustentar a minha família e sou vereador político quero exercer a política na sua forma de ser, não é uma profissão.

Como Sr. pretende manter esta relação com a população, o povo não vai às sessões da Câmara.

Pretendo me reunir a cada 60 dias nos centros comunitários, fazer reuniões com aquela comunidade para ver o que estão necessitando. No gabinete pretendo ficar pouco, porque não se faz nada lá, tem que andar nas ruas, nos comércios, ouvindo as pessoas.

Qual sua expectativa em relação aos próximos quatro anos?

Estou bastante ansioso para assumir, para ajudar o Fabrício e o Carlos Humberto, trabalhar sempre em prol da cidade, independente de onde vem o projeto, se é da situação ou da oposição sendo bom para a cidade deve ser colocado em pauta, em votação e se possível em prática. Balneário está necessitando de pessoas que tenham foco em tirar a política de dentro do gabinete e colocar na rua. Temos um orçamento que pouquíssimas cidades têm, dá para fazer obras com responsabilidade, tirar do papel. Em vez de obras gigantescas, tratar do básico, das pessoas, cuidar das pessoas em primeiro lugar. Tudo OK em saúde e educação, então vamos fazer obras para embelezar a cidade. As pessoas que moram em Balneário tem que ser assistidas, o morador não pode ser esquecido, os bairros não podem ser esquecidos.

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Temporada de cruzeiros para nós começará no dia 28 de novembro


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Medida que “engessa” o governo é cautelar até apresentação de explicações


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Intenção é expandir o sistema no futuro


Policia

Ele disse que foi humilhado e teve os direitos cerceados


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Novos vereadores: conheça Gelson Rodrigues

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Gelson foi o segundo mais votado entre os novos, com 1196 votos.
Gelson foi o segundo mais votado entre os novos, com 1196 votos.
Sexta, 18/11/2016 15:56.

Por Marlise Schneider Cezar

O advogado Gelson Rodrigues conhece a praia desde os ‘primeiros passos’ quando a família vinha veranear. Decidiu morar aqui há duas décadas, mas nunca pensou em ser político. Foi em fevereiro desse ano que o prefeito eleito Fabrício Oliveira conseguiu ‘fazer a cabeça’ e ele aceitou concorrer. Foi o segundo mais votado entre os oito novos vereadores, mas disse que não chegou a ser surpresa, porque sentiu nas ruas que o povo queria mudança, gente nova, exatamente a sua proposta maior. Disse que no momento em que tomou a decisão de concorrer, botou no papel várias idéias de projetos e registrou em cartório, porque se não realizar, pode ser ‘cobrado’. Saiu vitorioso das urnas e já entrou em outra ‘campanha’, quer ser o presidente do Legislativo. Confira na segunda da série de entrevistas com os novos vereadores eleitos.

Nome – GELSON RODRIGUES
Idade – 40
Natural – Porto União
Em BC desde – Há 20 anos
Estado civil – Casado com Soraya
Filhos – Bruno, 18, Brenda, 16, Lucas, 14 e Alice, 2 anos.
Formação – Superior. Direito pela Univali
Profissão – Advogado
Lazer – Jogar futebol
Comida – Churrasco
Livro – ‘O Príncipe’
Música – Sertaneja
Filme – ‘O Mentiroso’
Perfil – Trabalhador, honesto, sempre em busca dos meus ideais
Planos – Investir cada vez mais na carreira de advocacia, fazer curso de Mestrado em Direito Público e entender cada vez mais a política na sua maneira correta.

Como o Sr. encontrou a política ou como ela o encontrou?

Nunca tive pretensões políticas. Minha ideia sobre o assunto era sempre estar acompanhando a política, mas sem envolvimento direto.

Nunca participou de nenhum partido?

Nunca. Me filiei ao PSB de Balneário a convite do prefeito eleito Fabrício Oliveira em fevereiro deste ano.

Então não foi uma escolha partidária, foi uma opção ou porque alguém sugeriu?

Foi por dois motivos. Um pelo momento que o Brasil vem passando, que entendia que pessoas do bem, pessoas honestas, deveriam se envolver na política, porque senão estaríamos apenas assinando embaixo, concordando com o que vinha acontecendo, de uma maneira nacional e também local. Aconteceu em 2014, 2015 em Balneário Camboriú com várias prisões, várias situações envolvendo políticos e secretários e num segundo momento, foi o convite do Fabrício pelo fato de termos um conhecimento de longa data, ele me convidou para me envolver diretamente no projeto das Novas Ideias, que seria trazer políticos novos, políticos que não tivessem vícios e que se envolveriam com a política boa, a política do bem. Foi por esses motivos que aceitei.

O resultado da votação surpreendeu?

Se eu falar que sim, estarei mentindo, não estou sendo verdadeiro. Quando me envolvi já tinha um grupo de amigos, de clientes, pessoas que queriam o nome da gente participando da política diretamente. Mas por ser a primeira vez, não deixou de ser uma surpresa, porque a gente sabe de vários políticos que não conseguiram se eleger. Acho que pelo momento que o Brasil e Balneário também vem passando, o povo respondeu, a comunidade respondeu nas urnas, querendo a mudança. Meu nome era uma mudança, uma novidade, questão de não ter vício político, a gente via que tinha condições de chegar. Deu certo, o povo falou a verdade nas urnas, não só aqui, mas em todo o país, a mudança foi realmente imposta.

O político em geral está em baixa, o povo está de saco cheio com político ladrão. O Sr. sentiu isso na campanha?

Sim, por diversas vezes, nas visitas que fazia em casas, entrei em muitas residências, principalmente na região sul e no Bairro dos Municipios, e o clamor era sempre...”ah mas você já é político? ‘Não estou me envolvendo agora, tentando a mudança...’ “ah então podemos conversar, você pode entrar na minha casa”. Houveram outras situações, nos comícios, a hora que falava o político, a população nem aplaudia, não dava retorno...quando falavam os que não tinham vícios, que não era políticos de carreira, havia uma sensação bem mais favorável, agradável, me sentia bastante motivado, porque ali dava mais uma vez para sentir que a população queria mudança.

Quais foram suas prioridades na campanha?

Quando resolvi ser candidato, fiz algumas propostas e as registrei em cartório até para poder responder via criminal, caso não consiga colocá-las em prática. Elas são relacionadas à saúde, com postos de saúde senão em todos os bairros no máximo possível; segurança, é necessário ter um posto fixo da Guarda Municipal 24 Horas e termos barreiras nas saídas e entradas da cidade; educação, vejo com bons olhos a educação em tempo integral e o esporte, que vai tirar nossas crianças e jovens das ruas, entre outras (...)..

A saúde é um dos setores com mais reclamações, faltam especialistas, filas enormes, onde o Ministério Público tem que interferir, são coisas sérias. Como resolver?

Entendo que temos que trabalhar com três eixos na questão da saúde. Primeiro, aumentar, aprimorar contratar novos médicos no hospital Ruth Cardoso. O hospital precisa ser tratado como prioridade pelo novo governo. Segundo, novos postos de saúde, o PA da Barra que atende também Nova Esperança, que está superlotado, porque a maioria do povo está indo para lá...mas ele era para atender a região sul e agora já atende praticamente toda cidade...

...tem um Pronto Socorro dentro do Ruth Cardoso, pronto há três anos que nunca funcionou...

Temos que identificar o que precisamos arrumar ...se ele tivesse aberto, desafogaria bastante o PA da Barra. Precisamos colocar em funcionamento o posto do Bairro das Nações, que está praticamente pronto, mas até agora não foi entregue à população. Nós precisamos novos postos de saúde, senão em todos os bairros, tentar na maioria, na região, no centro, porque o posto de saúde da 1500 está bastante danificado, velho, antigo, precisa ser dada uma nova vida naquele posto. Logo que eu assumir vou fazer um projeto chamado ‘Meu remédio em casa’ para os idosos, acho desumano os idosos terem que vir até a farmácia municipal. É preciso um cronograma da entrega dos remédios e todo o mês uma moto, um carro, faria a entrega nas casas. Isso é totalmente viável. Curitiba tem, Gramado tem e quero trazer para cá. Também precisamos fiscalizar o trabalho dos médicos, enfermeiros, se estão fazendo o horário correto. É o trabalho do vereador, ir até os postos de saúde, hospital para ver se eles estão cumprindo os horários para os quais foram contratados (...).

Um grande problema são as especialidades, o paciente chegar até o especialista. O que pode demorar meses, até um ano ou mais. Os médicos alegam salários muito baixos.

É necessário contratar especialistas, mas para que ele venha para cá, ele precisa ser remunerado dignamente(...). Tem que zerar essa questão dos exames, dar um jeito de contratar, remunerar melhor, porque a saúde tem que ser prioridade.

O prefeito eleito anunciou que quer a polícia nos bairros. O Sr. acredita que levar a guarda municipal para os bairros resolve a falta de segurança?

Essa questão de segurança está nas minhas propostas registradas em cartório, seria desenvolver projeto de lei para implantação de postos policiais em todos os bairros, como por ex. o Parque Bandeirantes, o Bairro Nova Esperança e todos os bairros, com isso a polícia estará mais presente, fazendo contato com os moradores, conhecendo o cotidiano...se passa alguém diferente, um carro diferente já chamará atenção (...).

O problema do policiamento é sempre falta de pessoal, a PM trabalha com essa dificuldade e não é de agora, é sempre.

Temos que ter uma conversa muito mais séria com o governo do Estado para que mande mais efetivo, não somente na temporada. Acho que prefeito e vereadores, uma força tarefa devem conversar com o governador, secretário de segurança para que isso aconteça. Outra coisa que vejo com bons olhos seria tentar unificar a polícia militar com a guarda municipal. Sei que isso não é fácil, já foi tentado, mas entendo que não deveria haver diferenças entre as partes, porque ambas estão atuando pela segurança da população. A gente sabe que hoje não é isso que acontece, mas no que for possível vou tentar travar uma conversa para que essas duas categorias se aproximem. Outra questão é tentar colocar barreiras fixas nas entradas e saídas, ver se conseguimos fazer de Balneário Camboriú, entre aspas, um condomínio fechado, porque nossa cidade ela é bem dividida e nós temos poucas saídas e entradas. Ainda podemos controlar com bastante eficácia. Também fazer funcionar realmente as câmeras de segurança. Elas existem, tem o programa, mas não vi a efetividade das respostas dessas câmeras.

Hoje o Sr. daria que nota para nossa segurança, de 1 a 10?

No máximo 6. Estamos pecando bastante com nossa segurança. Estamos deixando a população desassistida. Até com relação aos pequenos assaltos, crianças e adolescentes saindo dos colégios são assaltados para levarem o celular, boné...está acontecendo muito, já aconteceu três vezes com um filho meu, ele estuda no Unificado e em três ocasiões furtaram o celular, duas recuperamos e outra não. Nossa cidade recebe muitos turistas, na sexta-feira estamos com 100 mil habitantes e o sábado amanhece com 400 mil...então a segurança tem que ser prioridade para a população fixa e para o turista também.

É um ítem fundamental na escolha do roteiro do turista. Ele quer se sentir seguro onde vai tirar férias.

Lembro quando vinha veranear com meu pai em Balneário, desde os primeiros passos aqui na areia, lembro dele falando sobre a importância da segurança. É prioridade na escolha do roteiro sim e também na hora que a pessoa vem comprar um apartamento em Balneário para residir ou botar um comércio, ela vai antes verificar o índice da criminalidade, isso influi bastante na sua decisão. Com o turista é a mesma coisa (...). Voltando um pouco à questão da saúde, se tivéssemos uma saúde de qualidade, tenho certeza que a população fixa de Balneário seria outra, com relação a pessoas da melhor idade. Os apartamentos que hoje ficam fechados o ano todo, muitos filhos iriam falar para seus pais morar aqui (...).

O Sr. defende a educação em tempo integral na escola. É um desafio, porque as pessoas confundem o conceito. Largam o filho na escola e acham que ela é responsável pela educação, quando não é nada disso.

Vejo educação integral com bons olhos, mas não podemos transferir a responsabilidade dos pais para o colégio , o que muitas vezes está acontecendo. A educação vem de casa e a escola serve para aprimorá-la. O contraturno no caso, seria para desenvolver quem sabe até uma profissão na criança, no jovem...avaliando suas preferências e também para não deixar as crianças ociosas, nas ruas. Ainda nesta área vejo necessidade de criarmos uma creche na região central que hoje não temos. E ainda temos que propor as novas tecnologias no ambiente escolar. A questão da informática está muito dinâmica (...), falo em criar um polo tecnológico, será muito benvindo, não temos espaço para indústrias, mas ele pode ser criado em um pequeno espaço territorial...hoje Florianópolis arrecada mais com questão tecnológica do que com o turismo. Nós temos essa possibilidade, temos aeroporto próximo, a BR-101 que passa dentro da cidade, universidades que podem ser mais utilizadas, vejo o polo tecnológico como um filão no mercado de trabalho da nossa região. Se prefeito e vereadores se antenarem para isso, poderemos ter em curto espaço de tempo uma arrecadação melhor para nosso município.

Nosso turismo precisa desenvolver, não basta mais ‘vender’ Balneário em workshops etc, o turismo precisa ser profissionalizado. Como o Sr. vê essa questão?

Vejo que para tratar do nosso turismo precisamos antes tratar a nossa praia. Cuidar da água da praia. Se não tratarmos o rio, não teremos uma praia limpa. Isso vem denegrindo a imagem de Balneário há alguns anos, tanto que é comum as pessoas se banharem em praias próximas, porque tem águas limpas. Outra situação é tratar da avenida Atlântica. É preciso trabalhar imediatamente a questão do alargamento da faixa de areia e a reurbanização da Atlântica. Já chegamos no limite do que podemos oferecer para o turista, precisamos novidades. Balneário ainda é considerada a menina dos olhos de Santa Catarina, mas não é bem isso que está acontecendo...Também precisamos de novos hotéis, mais modernos, se quisermos um turista de mais qualidade(...). Precisamos de mais restaurantes de qualidade. Precisamos de novidades para o turista (...).

Mobilidade urbana é um problema de ano todo, que piora muito na temporada...

Precisamos dar continuidade a esses projetos em andamento, continuação da Quarta Avenida, Binário, etc tem que ser feito um trabalho diferenciado na mobilidade urbana, isso sem esquecer das pessoas com necessidades especiais, porque a gente vê que temos que trabalhar muito com a questão do pedestre, do ciclistas, das calçadas (...).

Você quer ser presidente da Câmara? O PMDB perdeu a eleição, mas quer que o Marcos Kurtz seja o presidente do Legislativo?

Sim, eu soube, mas não conversei ainda com o Marquinhos. Estou conversando com todos os vereadores colocando meu nome à disposição, até porque o prefeito não pode correr o risco de não ter governabilidade. Os projetos dele devem ser colocados em pauta na hora certa da forma que é preciso. Conseguimos eleger oito vereadores, tem que sair daí a presidência da Câmara e coloquei meu nome à disposição. Se o prefeito quiser estou à disposição dele.

E os outros sete também ... (risos)

É ... (risos).

Estão em negociação os cargos na administração, se o seu nome fosse indicado para uma secretaria, aceitaria ou não?

Não, fui eleito para ser vereador e vou ficar vereador nos próximos quatro anos. Lá eu vejo que consigo ajudar mais nossa cidade e o nosso prefeito. Tem pessoal técnico que deve ser chamado e não apenas por indicação política... nas conversas com o Fabrício ele sempre colocou isto e sou totalmente favorável não deve ser apenas por indicação política.

A campanha eleitoral foi quando o Sr. teve o primeiro contato com os eleitores, como foi a experiência, boa ou ruim?

Não vejo parte ruim, claro que a gente acaba se decepcionando com pessoas próximas, em algumas situações esperava uma dedicação maior dessas pessoas... mas tudo isso é superado pela quantidade de pessoas que conheci e das quais tive receptividade muito grande. Devo ter entrado em mais de 800 casas nesse período eleitoral, sentar, conversar, um tratamento diferenciado... ouvir o que a comunidade, especialmente na região sul precisava. Acredito que 70% das casas que visitei foram na região sul, no Bairro dos Municípios também e no restante da cidade. Fiquei muito gratificado com o que as pessoas falavam. Antes de eu entrar me perguntavam se eu já era político de carreira, qual era minha profissão, se eu ia abandonar a advocacia... Eu sou advogado, defendo a advocacia para me manter, sustentar a minha família e sou vereador político quero exercer a política na sua forma de ser, não é uma profissão.

Como Sr. pretende manter esta relação com a população, o povo não vai às sessões da Câmara.

Pretendo me reunir a cada 60 dias nos centros comunitários, fazer reuniões com aquela comunidade para ver o que estão necessitando. No gabinete pretendo ficar pouco, porque não se faz nada lá, tem que andar nas ruas, nos comércios, ouvindo as pessoas.

Qual sua expectativa em relação aos próximos quatro anos?

Estou bastante ansioso para assumir, para ajudar o Fabrício e o Carlos Humberto, trabalhar sempre em prol da cidade, independente de onde vem o projeto, se é da situação ou da oposição sendo bom para a cidade deve ser colocado em pauta, em votação e se possível em prática. Balneário está necessitando de pessoas que tenham foco em tirar a política de dentro do gabinete e colocar na rua. Temos um orçamento que pouquíssimas cidades têm, dá para fazer obras com responsabilidade, tirar do papel. Em vez de obras gigantescas, tratar do básico, das pessoas, cuidar das pessoas em primeiro lugar. Tudo OK em saúde e educação, então vamos fazer obras para embelezar a cidade. As pessoas que moram em Balneário tem que ser assistidas, o morador não pode ser esquecido, os bairros não podem ser esquecidos.

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