Jornal Página 3

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Conheça Patrick Machado, vereador eleito com 525 votos
Marlise Schneider Cezar

Sexta, 16/12/2016 18:11.

Por Marlise Schneider Cezar

Nome – PATRICK HERNANDES MACHADO
Idade – 35
Natural – Balneário Camboriú
Estado civil – Casado com Mariza Siqueira da Silva
Filhos – Moisés, 11 e Isadora, 5
Formação – Processos Gerenciais, pela Unicesumar (à distância)
Profissão – Coordenador de segurança
Lazer – Assistir seriados
Comida preferida – Lasanha
Livro – ‘Game of Thrones’
Música – ‘Prá não dizer que não falei de flores’, de Geraldo Vandré
Filme – ‘A procura da felicidade’
Perfil – Determinado, desafiador, corajoso.
Planos – Exercer um bom mandato é o foco principal.

Ele sempre atuou na política em grupo, desde os tempos de estudante. Com a altura que tem, 1,96m, poderia ter seguido carreira no esporte. Até tentou no vôlei de quadra, chegou a jogar por Itajaí e Gaspar, mas faltou suporte. Ele precisava ajudar a família, com 9 anos já vendia batatinha na praia central e desde os 13 virou ajudante do pai construtor. Quer voltar a jogar vôlei de praia como hobby, mas o foco no momento é marcar seu primeiro mandato legislativo com muito trabalho e empenho. Deixou seu emprego na Minister, de Itajaí, onde era coordenador de segurança de eventos, mas quer voltar a atuar em segurança, prestando concurso para polícia civil. Também tem vontade de abrir um comércio, mas o primeiro passo será investir todo seu conhecimento neste início de carreira política e dar sua melhor contribuição para a cidade em que nasceu .

Esta foi sua primeira eleição. O que o motivou?

Já venho 19 anos militando, comecei com grêmios estudantis, sempre acompanhei campanhas, coordenei algumas, mas sempre tive pra mim que o político tem que ser pensamento em grupo, coletivo...

Acompanha a vida política da cidade. Como?

Sim, já participei de nove campanhas, fazendo campanhas para amigos, muitas vitórias, muitas derrotas, mas sempre reverenciando e colaborando com a política da cidade.

A política partidária como começou?

Comecei no PDT em 97. Teve uma transição porque meu pai foi candidato em 2004 pelo PMDB e na época eu havia me afastado do PDT e fui para o PMDB para dar um apoio a ele. Depois o grupo do qual faço parte decidiu montar um projeto coletivo, uma campanha diferenciada.

Então essa campanha foi a primeira pra valer? Como foi a organização, planejamento?

Foi a primeira vez. Não foi eu que planejei, foi uma conversa com o grupo que eu já tinha lá atrás em 97 no movimento estudantil, fazendo militância e agora vendo toda essa desgraça política que está ocorrendo, roubalheira, os mesmos candidatos sempre, a mesma forma de fazer política, então decidimos montar um projeto diferenciado. O grupo na época era formado por sete pessoas e começamos a construir esse projeto. A principio o candidato era para ser o Rodrigo, na época até estávamos no Paraná, meus sogros estavam mal lá e minha esposa pediu para irmos para lá, eu treinava a Guarda Municipal aqui em Balneário, largamos tudo aqui, para ir morar lá e dar uma atenção a eles. Havia terminado a eleição 2012. Eu havia coordenado uma campanha a prefeito lá para o PDT contra o PSDB. E quando botei o PDT de volta… o 12 no meu carro… aquilo mexeu...fiquei me perguntando, o que estou fazendo no PMDB… não posso reclamar de nada, o PMDB de Balneário sempre me tratou muito bem, com respeito, mas o PDT sempre teve uma historia. E aí na época o Rodrigo me ligou e disse que o grupo estava pensando em voltar ativamente à política e fomos conversando (...). Eu falei para ele se for para ir vamos de volta para o PDT, porque construímos uma história lá, é um partido que tem ideologia, que seja lá o nosso caminho. Desde então viemos construindo. No decorrer do projeto acabamos assumindo o partido. Nunca aceitamos os partidos de gaveta. Nunca queríamos ser mais um partido. Sempre optamos pela construção. Então meio que o nosso projeto de vereança ficou de lado. Tanto que no final já estávamos aceitando que essa seria uma campanha modelo para virmos forte na próxima...meio que aceitando uma derrota (...).

Você não era conhecido no meio político e centrou sua campanha de que forma, visitas, corpo a corpo?

Não era conhecido no meio. Mapeamos primeiro os bairros onde eu tinha parentes e amigos, que era o Pioneiros, Ariribá onde moro há 23 anos, Nações, Nova Esperança e Barra.

O foco estava correto.

Sim, estou aqui! (risos). Porque Balneário apesar de pequena territorialmente falando é muito grande em população. A política como está hoje...tu abordar uma pessoa para falar de política, tu acaba sendo criticado, xingado (...)

Como foi a campanha nesse sentido, o que as pessoas falavam, reclamavam?

Como focamos em visitar primeiro os parentes, os amigos e os amigos dos amigos então a nossa receptividade foi muito boa, fomos bem aceitos. Quando fomos para rua, que foi mais no Nações, Ariribá e Nova Esperança, onde percorremos todas as casas, as pessoas perguntavam se era minha primeira eleição e depois em que lado eu estava. Eu falava que era minha primeira eleição e que estava junto com o Fabrício, então eles aceitavam conversar (...).

Quais foram as reclamações que você recolhia das ruas?

Saúde...filas...a demora para um atendimento...o absurdo da pessoa ter que sair 4h da manhã para conseguir uma ficha para ser consultado...a falta de especialistas...estamos meio precários...escutei casos de pessoas dizendo que o pai estava na fila do cardiologista, ele faleceu e um ano depois ligaram para ele chamando para consulta...só pra ilustrar como está a situação.

É complicado até mudar isso, porque o salário é baixo, o especialista não vem...

O papel do vereador é se aproximar desses problemas para levar ao prefeito. Eu não posso dizer que vou trazer...mas posso sugerir...cobrar...e isso falei para o Fabrício e todo o nosso grupo vai estar comigo nessa missão que é poder estar em todos os postos de saúde, conversando com os funcionários, esse é o primeiro passo até do secretario de saúde ter essa possibilidade de escutar os funcionários para que informem qual é o maior problema que enfrentam e aí sim ver a forma como vai agir. Hoje nosso maior problema é a falta de médicos, até porque os salários são baixos e tem que ver isso(...). A folha do município está no limite, então é preciso ver isso também, contratar empresas especializadas, ver a melhor forma de solucionar isso.

Como é sua ligação com segurança, você se formou na área e trabalhou na prefeitura com segurança.

Trabalho há 10 anos na área de segurança. Trabalhei na prefeitura em 2009 e 2010. Coordenei a Guarda Patrimonial, ajudei na elaboração do projeto do estatuto da Guarda Municipal e logo que a Guarda foi formada, eles estavam na escola, fui convidado a coordenar eles.

Qual sua opinião hoje sobre a Guarda Municipal?

Desvirtuou um pouco. Ela foi criada para estar nos bairros. Esse foi o princípio dela, onde tem um posto de saúde, uma escola, uma creche, uma praça, ela foi feita para isso. E hoje nós vemos a Guarda mais no centro do que nos bairros. Hoje temos quatro postos fixos da Guarda: na Passarela temos três efetivos por turno, cada guarnição são dois. Só na passarela temos seis guardas. Temos uma guarnição, dois guardas, na Barra Sul, temos dois na praça Tamandaré e dois no Pontal Norte, sendo que temos mais dois fazendo ostensivo no Calçadão da Central , esses mesmos da praça poderiam fazer isso. O molhe da Barra Sul hoje de dia é tranquilo, então acho que esse ostensivo poderia estar numa escola, num bairro mais problemático...

Você fala de uma redistribuição

Sim. E a questão da Passarela, não sei o que o prefeito Fabrício está pensando, mas a ideia inicial era colocar restaurantes lá em cima, então que eles assumissem a segurança de lá, porque o município não pode arcar, com seis pessoas preparadas, qualificadas, que deveriam estar na rua e estão lá como síndicos de segurança.

Não seria mais competência da Guarda Patrimonial?

Quando eu estava lá tinha 80 e poucos. Alguns faleceram e outros se aposentaram. Hoje não sei quanto está o efetivo. Mas seria sim, não digo totalmente, mas isso até reduziria o custo para o município.

De 0 a 10 qual a nota que daria para segurança?

7. Não somos o pior município. Hoje a questão de violência no município está muito abaixo e o comandante Evaldo vem fazendo um grande trabalho, mesmo com efetivo muito abaixo, ele está conseguindo distribuir bem a PM, a Guarda Municipal tem problemas, mas podem ser melhorados, temos também 72 agentes de trânsito se soubermos distribui-los em locais considerados inseguros, a presença deles já inibe.

O novo prefeito se manifestou dizendo que vai contratar mais Guardas Municipais.

Sim, ele colocou isso em campanha. Nós podemos chegar, segundo a lei, a 200 guardas. Temos hoje 142.

Este jornal tem 25 anos e em 1992 recebeu aqui o Leonel Brizola para inaugurar o CIEP da Vila Real. Até hoje escola em turno integral remete ao PDT do Brizola. Você usou essa bandeira na campanha?

Sim, minha campanha foi focada em três eixos: segurança preventiva, educação integral e fiscalização. A educação integral que defendo não é esta que está sendo feita no CIEP hoje. (...). Temos denúncias de professores que lá trabalham de que as crianças não tem vontade, nem ânimo de ficar lá o dia todo, desculpa o termo que vou usar, mas é tipo um gado de confinamento largado lá...esperando o dia passar (...).

O pior é que tem muito pai que não está nem aí para isso...quer mais que o filho fique lá o dia todo...é preciso muito cuidado com a proposta do turno integral.

Eu acho que é uma questão de necessidade hoje. Ou o pai ou a mãe ficam em casa meio período, tem que arranjar um emprego de meio período, ou pagam alguém. Por isso eles acreditam que é o melhor, não estão preocupados em buscar saber o que está acontecendo com os filhos lá dentro. Esse é o grande problema, porque se os pais cobrassem, o ensino seria diferente (...). É um turno com estudo e no contraturno é lazer, recreação, esporte, ela vai fazer algo que goste. Tudo bem trabalhado para que a criança saia de lá com vontade de voltar no outro dia. E quando sair da escola sair uma pessoa melhor, realizada, que não vai cair nas drogas, esse é o nosso sonho de Ciep.

Qual a expectativa com o novo Legislativo, agora são 19, oito novos e a imagem hoje muito ruím. Como mudar isso?

Estamos conversando com os vereadores até para tentar entender o perfil de cada um. Acredito que os novos vêm com uma vontade muito grande. Na verdade novos são seis, os outros já tiveram sua experiência, tem o Bola que já foi do nosso partido e a gente acompanhou muito tempo, sempre fez um trabalho sério, é uma pessoa íntegra (...). Agora com 19 cadeiras para se destacar vai ter que trabalhar e muito.

Como pretende manter esse contato com a comunidade, porque é comum o sujeito se eleger e depois troca o telefone...e só retorna para visitar seus eleitores quatro anos depois...

Meu telefone não vai mudar. Estamos retornando a todas as casas agradecendo e colocando o nome à disposição. Esta foi a minha promessa e estou fazendo. Nossa campanha foi diferenciada, de sola de sapato, sem dinheiro, e o que mais fui cobrado é isso: não sumir, não aparecer a cada quatro anos.

Como você vê essa mudança de governo no dia mais movimentado da cidade?

Por um lado tranqüilo, por saber da experiência do Fabrício, não é alguém de fora que chegou aqui...e lá dentro, o medo...Estivemos conversando com ele sexta-feira última para entender a forma como ele está construindo o primeiro escalão e passou uma tranquilidade muito grande buscando pessoas com bagagem, experiência, pessoas técnicas para o secretariado e nos demais setores pessoas técnicas que já conhecem e não vão deixar empacar na época em que começa nosso período de veraneio. Preocupação maior com saúde, como ficará nosso hospital para receber os turistas e o O PA da Barra que já está lotado...

...dois pronto atendimentos fechados, no Nações e no Ruth?

Na verdade escutamos, não sei até onde é real ou não, mas ouvi que existem vários equipamentos caríssimos que estão lá trancados e fechados no Ruth. E o cidadão, principalmente classe baixa, que temos em Balneário, porque as pessoas se iludem, acham que em Balneário todo mundo tem dinheiro e muitas pessoas não tem como pagar um exame. Outra questão é a segurança...

...ainda não sabemos como será a Operação Veraneio.

Conversei com o comandante Evaldo justamente por estar preocupado com essa questão e ele me tranquilizou. Ele está trazendo um efetivo maior que o do ano passado. Vamos estar aí com mais ou menos 250 policiais militares e ele garantiu que com esse número vai poder fazer todas as barreiras (...). E também a questão da saúde e a água, que não pode faltar.

Toda cidade depende do turismo que tem um dos orçamentos mais baixos da administração. Além disso, nossa praia está seriamente doente e a concorrência só aumenta à nossa volta.

Quando se fala em turismo em Balneário Camboriú todo mundo pensa em praia. Há muito tempo atrás era a praia e a noite. Mas as danceterias, casas noturnas, isso enfraqueceu. O nosso forte é a praia e essa situação já está afetando as nossas praias agrestes (...). Vejo que hoje as pessoas vem para cá porque tem um apartamento aqui, mas muitas já estão buscando as praias vizinhas, por questões de saúde, limpeza etc.(...). Comecei a trabalhar com 9, 10 anos vendia batatinha na praia. Nessa época o turismo era três, quatro meses. As férias eram na mesma época e todo mundo buscava Balneário Camboriú. A praia central era cheia, tanto a água como a areia. E hoje tu vês a pessoa ir ali para tomar banho de sol (...). A cidade tem forte apelo turístico, mas temos que mudar. Temos um potencial muito grande para turismo o ano inteiro e agora com o Centro de Eventos temos que aproveitar para mudar (...). Investir no esporte, na cultura, temos que explorar mais essas áreas.

Está em andamento uma outra campanha, para presidência do Legislativo, você também é candidato?

Não coloquei meu nome à disposição. Até conversei com nosso grupo, toda decisão passa pelo grupo e não coloquei porque acredito que tenho muito a aprender ainda (...). Daqui a dois anos, com um pouco mais de bagagem, quem sabe!

Sua família é de Balneário?

Meu pai veio de Rio do Sul e minha mãe de Ituporanga. Eles vieram para praia há mais de 40 anos. Desde que me conheço por gente já tinha prédios altos na praia. A referência é o Imperatriz, era o mais alto na época. Mas já tinha outros de 15 andares que também tampavam o sol. De uns 20 anos prá cá se perdeu um pouco essa preocupação com o turismo, nosso bem maior, que é a praia.

No lugar da praia surgiu outra referência para Balneário, é onde estão em construção os prédios mais altos do país, até da América do Sul não é?

Se não me engano dos 10 mais altos oito estão aqui em Balneário.

A cidade cresce vertiginosamente para cima. E a infraestrutura não acompanha nessa velocidade...

Por um lado é bom, mas a preocupação é o serviço essencial, esgoto, trânsito, água...

Muitas vezes o Legislativo é um trampolim para o Executivo. Você tem planos de subir o morro?

Não, não. Gosto de dar um passo de casa vez. O Legislativo é um trabalho muito importante nas três esferas, municipal, estadual e federal. Quem sabe no futuro, longo prazo!

Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade?

Quero agradecer, principalmente o Página3 por dar esse espaço para nós e aos meus 525 eleitores que acreditaram em mim com a certeza de poder cobrar. Podem ter certeza que esses quatro anos serão de muito trabalho, porque eu sou nascido aqui e quero continuar andando na rua com a cabeça erguida e para isso eu preciso fazer um trabalho muito bom.

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Conheça Patrick Machado, vereador eleito com 525 votos

Marlise Schneider Cezar
Sexta, 16/12/2016 18:11.

Por Marlise Schneider Cezar

Nome – PATRICK HERNANDES MACHADO
Idade – 35
Natural – Balneário Camboriú
Estado civil – Casado com Mariza Siqueira da Silva
Filhos – Moisés, 11 e Isadora, 5
Formação – Processos Gerenciais, pela Unicesumar (à distância)
Profissão – Coordenador de segurança
Lazer – Assistir seriados
Comida preferida – Lasanha
Livro – ‘Game of Thrones’
Música – ‘Prá não dizer que não falei de flores’, de Geraldo Vandré
Filme – ‘A procura da felicidade’
Perfil – Determinado, desafiador, corajoso.
Planos – Exercer um bom mandato é o foco principal.

Ele sempre atuou na política em grupo, desde os tempos de estudante. Com a altura que tem, 1,96m, poderia ter seguido carreira no esporte. Até tentou no vôlei de quadra, chegou a jogar por Itajaí e Gaspar, mas faltou suporte. Ele precisava ajudar a família, com 9 anos já vendia batatinha na praia central e desde os 13 virou ajudante do pai construtor. Quer voltar a jogar vôlei de praia como hobby, mas o foco no momento é marcar seu primeiro mandato legislativo com muito trabalho e empenho. Deixou seu emprego na Minister, de Itajaí, onde era coordenador de segurança de eventos, mas quer voltar a atuar em segurança, prestando concurso para polícia civil. Também tem vontade de abrir um comércio, mas o primeiro passo será investir todo seu conhecimento neste início de carreira política e dar sua melhor contribuição para a cidade em que nasceu .

Esta foi sua primeira eleição. O que o motivou?

Já venho 19 anos militando, comecei com grêmios estudantis, sempre acompanhei campanhas, coordenei algumas, mas sempre tive pra mim que o político tem que ser pensamento em grupo, coletivo...

Acompanha a vida política da cidade. Como?

Sim, já participei de nove campanhas, fazendo campanhas para amigos, muitas vitórias, muitas derrotas, mas sempre reverenciando e colaborando com a política da cidade.

A política partidária como começou?

Comecei no PDT em 97. Teve uma transição porque meu pai foi candidato em 2004 pelo PMDB e na época eu havia me afastado do PDT e fui para o PMDB para dar um apoio a ele. Depois o grupo do qual faço parte decidiu montar um projeto coletivo, uma campanha diferenciada.

Então essa campanha foi a primeira pra valer? Como foi a organização, planejamento?

Foi a primeira vez. Não foi eu que planejei, foi uma conversa com o grupo que eu já tinha lá atrás em 97 no movimento estudantil, fazendo militância e agora vendo toda essa desgraça política que está ocorrendo, roubalheira, os mesmos candidatos sempre, a mesma forma de fazer política, então decidimos montar um projeto diferenciado. O grupo na época era formado por sete pessoas e começamos a construir esse projeto. A principio o candidato era para ser o Rodrigo, na época até estávamos no Paraná, meus sogros estavam mal lá e minha esposa pediu para irmos para lá, eu treinava a Guarda Municipal aqui em Balneário, largamos tudo aqui, para ir morar lá e dar uma atenção a eles. Havia terminado a eleição 2012. Eu havia coordenado uma campanha a prefeito lá para o PDT contra o PSDB. E quando botei o PDT de volta… o 12 no meu carro… aquilo mexeu...fiquei me perguntando, o que estou fazendo no PMDB… não posso reclamar de nada, o PMDB de Balneário sempre me tratou muito bem, com respeito, mas o PDT sempre teve uma historia. E aí na época o Rodrigo me ligou e disse que o grupo estava pensando em voltar ativamente à política e fomos conversando (...). Eu falei para ele se for para ir vamos de volta para o PDT, porque construímos uma história lá, é um partido que tem ideologia, que seja lá o nosso caminho. Desde então viemos construindo. No decorrer do projeto acabamos assumindo o partido. Nunca aceitamos os partidos de gaveta. Nunca queríamos ser mais um partido. Sempre optamos pela construção. Então meio que o nosso projeto de vereança ficou de lado. Tanto que no final já estávamos aceitando que essa seria uma campanha modelo para virmos forte na próxima...meio que aceitando uma derrota (...).

Você não era conhecido no meio político e centrou sua campanha de que forma, visitas, corpo a corpo?

Não era conhecido no meio. Mapeamos primeiro os bairros onde eu tinha parentes e amigos, que era o Pioneiros, Ariribá onde moro há 23 anos, Nações, Nova Esperança e Barra.

O foco estava correto.

Sim, estou aqui! (risos). Porque Balneário apesar de pequena territorialmente falando é muito grande em população. A política como está hoje...tu abordar uma pessoa para falar de política, tu acaba sendo criticado, xingado (...)

Como foi a campanha nesse sentido, o que as pessoas falavam, reclamavam?

Como focamos em visitar primeiro os parentes, os amigos e os amigos dos amigos então a nossa receptividade foi muito boa, fomos bem aceitos. Quando fomos para rua, que foi mais no Nações, Ariribá e Nova Esperança, onde percorremos todas as casas, as pessoas perguntavam se era minha primeira eleição e depois em que lado eu estava. Eu falava que era minha primeira eleição e que estava junto com o Fabrício, então eles aceitavam conversar (...).

Quais foram as reclamações que você recolhia das ruas?

Saúde...filas...a demora para um atendimento...o absurdo da pessoa ter que sair 4h da manhã para conseguir uma ficha para ser consultado...a falta de especialistas...estamos meio precários...escutei casos de pessoas dizendo que o pai estava na fila do cardiologista, ele faleceu e um ano depois ligaram para ele chamando para consulta...só pra ilustrar como está a situação.

É complicado até mudar isso, porque o salário é baixo, o especialista não vem...

O papel do vereador é se aproximar desses problemas para levar ao prefeito. Eu não posso dizer que vou trazer...mas posso sugerir...cobrar...e isso falei para o Fabrício e todo o nosso grupo vai estar comigo nessa missão que é poder estar em todos os postos de saúde, conversando com os funcionários, esse é o primeiro passo até do secretario de saúde ter essa possibilidade de escutar os funcionários para que informem qual é o maior problema que enfrentam e aí sim ver a forma como vai agir. Hoje nosso maior problema é a falta de médicos, até porque os salários são baixos e tem que ver isso(...). A folha do município está no limite, então é preciso ver isso também, contratar empresas especializadas, ver a melhor forma de solucionar isso.

Como é sua ligação com segurança, você se formou na área e trabalhou na prefeitura com segurança.

Trabalho há 10 anos na área de segurança. Trabalhei na prefeitura em 2009 e 2010. Coordenei a Guarda Patrimonial, ajudei na elaboração do projeto do estatuto da Guarda Municipal e logo que a Guarda foi formada, eles estavam na escola, fui convidado a coordenar eles.

Qual sua opinião hoje sobre a Guarda Municipal?

Desvirtuou um pouco. Ela foi criada para estar nos bairros. Esse foi o princípio dela, onde tem um posto de saúde, uma escola, uma creche, uma praça, ela foi feita para isso. E hoje nós vemos a Guarda mais no centro do que nos bairros. Hoje temos quatro postos fixos da Guarda: na Passarela temos três efetivos por turno, cada guarnição são dois. Só na passarela temos seis guardas. Temos uma guarnição, dois guardas, na Barra Sul, temos dois na praça Tamandaré e dois no Pontal Norte, sendo que temos mais dois fazendo ostensivo no Calçadão da Central , esses mesmos da praça poderiam fazer isso. O molhe da Barra Sul hoje de dia é tranquilo, então acho que esse ostensivo poderia estar numa escola, num bairro mais problemático...

Você fala de uma redistribuição

Sim. E a questão da Passarela, não sei o que o prefeito Fabrício está pensando, mas a ideia inicial era colocar restaurantes lá em cima, então que eles assumissem a segurança de lá, porque o município não pode arcar, com seis pessoas preparadas, qualificadas, que deveriam estar na rua e estão lá como síndicos de segurança.

Não seria mais competência da Guarda Patrimonial?

Quando eu estava lá tinha 80 e poucos. Alguns faleceram e outros se aposentaram. Hoje não sei quanto está o efetivo. Mas seria sim, não digo totalmente, mas isso até reduziria o custo para o município.

De 0 a 10 qual a nota que daria para segurança?

7. Não somos o pior município. Hoje a questão de violência no município está muito abaixo e o comandante Evaldo vem fazendo um grande trabalho, mesmo com efetivo muito abaixo, ele está conseguindo distribuir bem a PM, a Guarda Municipal tem problemas, mas podem ser melhorados, temos também 72 agentes de trânsito se soubermos distribui-los em locais considerados inseguros, a presença deles já inibe.

O novo prefeito se manifestou dizendo que vai contratar mais Guardas Municipais.

Sim, ele colocou isso em campanha. Nós podemos chegar, segundo a lei, a 200 guardas. Temos hoje 142.

Este jornal tem 25 anos e em 1992 recebeu aqui o Leonel Brizola para inaugurar o CIEP da Vila Real. Até hoje escola em turno integral remete ao PDT do Brizola. Você usou essa bandeira na campanha?

Sim, minha campanha foi focada em três eixos: segurança preventiva, educação integral e fiscalização. A educação integral que defendo não é esta que está sendo feita no CIEP hoje. (...). Temos denúncias de professores que lá trabalham de que as crianças não tem vontade, nem ânimo de ficar lá o dia todo, desculpa o termo que vou usar, mas é tipo um gado de confinamento largado lá...esperando o dia passar (...).

O pior é que tem muito pai que não está nem aí para isso...quer mais que o filho fique lá o dia todo...é preciso muito cuidado com a proposta do turno integral.

Eu acho que é uma questão de necessidade hoje. Ou o pai ou a mãe ficam em casa meio período, tem que arranjar um emprego de meio período, ou pagam alguém. Por isso eles acreditam que é o melhor, não estão preocupados em buscar saber o que está acontecendo com os filhos lá dentro. Esse é o grande problema, porque se os pais cobrassem, o ensino seria diferente (...). É um turno com estudo e no contraturno é lazer, recreação, esporte, ela vai fazer algo que goste. Tudo bem trabalhado para que a criança saia de lá com vontade de voltar no outro dia. E quando sair da escola sair uma pessoa melhor, realizada, que não vai cair nas drogas, esse é o nosso sonho de Ciep.

Qual a expectativa com o novo Legislativo, agora são 19, oito novos e a imagem hoje muito ruím. Como mudar isso?

Estamos conversando com os vereadores até para tentar entender o perfil de cada um. Acredito que os novos vêm com uma vontade muito grande. Na verdade novos são seis, os outros já tiveram sua experiência, tem o Bola que já foi do nosso partido e a gente acompanhou muito tempo, sempre fez um trabalho sério, é uma pessoa íntegra (...). Agora com 19 cadeiras para se destacar vai ter que trabalhar e muito.

Como pretende manter esse contato com a comunidade, porque é comum o sujeito se eleger e depois troca o telefone...e só retorna para visitar seus eleitores quatro anos depois...

Meu telefone não vai mudar. Estamos retornando a todas as casas agradecendo e colocando o nome à disposição. Esta foi a minha promessa e estou fazendo. Nossa campanha foi diferenciada, de sola de sapato, sem dinheiro, e o que mais fui cobrado é isso: não sumir, não aparecer a cada quatro anos.

Como você vê essa mudança de governo no dia mais movimentado da cidade?

Por um lado tranqüilo, por saber da experiência do Fabrício, não é alguém de fora que chegou aqui...e lá dentro, o medo...Estivemos conversando com ele sexta-feira última para entender a forma como ele está construindo o primeiro escalão e passou uma tranquilidade muito grande buscando pessoas com bagagem, experiência, pessoas técnicas para o secretariado e nos demais setores pessoas técnicas que já conhecem e não vão deixar empacar na época em que começa nosso período de veraneio. Preocupação maior com saúde, como ficará nosso hospital para receber os turistas e o O PA da Barra que já está lotado...

...dois pronto atendimentos fechados, no Nações e no Ruth?

Na verdade escutamos, não sei até onde é real ou não, mas ouvi que existem vários equipamentos caríssimos que estão lá trancados e fechados no Ruth. E o cidadão, principalmente classe baixa, que temos em Balneário, porque as pessoas se iludem, acham que em Balneário todo mundo tem dinheiro e muitas pessoas não tem como pagar um exame. Outra questão é a segurança...

...ainda não sabemos como será a Operação Veraneio.

Conversei com o comandante Evaldo justamente por estar preocupado com essa questão e ele me tranquilizou. Ele está trazendo um efetivo maior que o do ano passado. Vamos estar aí com mais ou menos 250 policiais militares e ele garantiu que com esse número vai poder fazer todas as barreiras (...). E também a questão da saúde e a água, que não pode faltar.

Toda cidade depende do turismo que tem um dos orçamentos mais baixos da administração. Além disso, nossa praia está seriamente doente e a concorrência só aumenta à nossa volta.

Quando se fala em turismo em Balneário Camboriú todo mundo pensa em praia. Há muito tempo atrás era a praia e a noite. Mas as danceterias, casas noturnas, isso enfraqueceu. O nosso forte é a praia e essa situação já está afetando as nossas praias agrestes (...). Vejo que hoje as pessoas vem para cá porque tem um apartamento aqui, mas muitas já estão buscando as praias vizinhas, por questões de saúde, limpeza etc.(...). Comecei a trabalhar com 9, 10 anos vendia batatinha na praia. Nessa época o turismo era três, quatro meses. As férias eram na mesma época e todo mundo buscava Balneário Camboriú. A praia central era cheia, tanto a água como a areia. E hoje tu vês a pessoa ir ali para tomar banho de sol (...). A cidade tem forte apelo turístico, mas temos que mudar. Temos um potencial muito grande para turismo o ano inteiro e agora com o Centro de Eventos temos que aproveitar para mudar (...). Investir no esporte, na cultura, temos que explorar mais essas áreas.

Está em andamento uma outra campanha, para presidência do Legislativo, você também é candidato?

Não coloquei meu nome à disposição. Até conversei com nosso grupo, toda decisão passa pelo grupo e não coloquei porque acredito que tenho muito a aprender ainda (...). Daqui a dois anos, com um pouco mais de bagagem, quem sabe!

Sua família é de Balneário?

Meu pai veio de Rio do Sul e minha mãe de Ituporanga. Eles vieram para praia há mais de 40 anos. Desde que me conheço por gente já tinha prédios altos na praia. A referência é o Imperatriz, era o mais alto na época. Mas já tinha outros de 15 andares que também tampavam o sol. De uns 20 anos prá cá se perdeu um pouco essa preocupação com o turismo, nosso bem maior, que é a praia.

No lugar da praia surgiu outra referência para Balneário, é onde estão em construção os prédios mais altos do país, até da América do Sul não é?

Se não me engano dos 10 mais altos oito estão aqui em Balneário.

A cidade cresce vertiginosamente para cima. E a infraestrutura não acompanha nessa velocidade...

Por um lado é bom, mas a preocupação é o serviço essencial, esgoto, trânsito, água...

Muitas vezes o Legislativo é um trampolim para o Executivo. Você tem planos de subir o morro?

Não, não. Gosto de dar um passo de casa vez. O Legislativo é um trabalho muito importante nas três esferas, municipal, estadual e federal. Quem sabe no futuro, longo prazo!

Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade?

Quero agradecer, principalmente o Página3 por dar esse espaço para nós e aos meus 525 eleitores que acreditaram em mim com a certeza de poder cobrar. Podem ter certeza que esses quatro anos serão de muito trabalho, porque eu sou nascido aqui e quero continuar andando na rua com a cabeça erguida e para isso eu preciso fazer um trabalho muito bom.

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