Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Polícia
Investigação sobre Ronaldinho no Paraguai apura conexão com lavagem de dinheiro

Advogado de Ronaldinho diz que prisão é ilegal

Domingo, 8/3/2020 19:27.

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Juan Carlos Lezcano, especial para a AE
A promotoria paraguaia ampliou a investigação criminal que envolve Ronaldinho Gaúcho e Assis, seu irmão. O Ministério Público solicitou várias informações de outras instituições e também apura uma possível conexão do caso com lavagem de dinheiro.

A investigação criminal iniciada no Paraguai contra Ronaldinho e Assis, além de outros empresários paraguaios e brasileiros, vem seguindo rumos inesperados nos últimos dias. Inicialmente, o caso era sobre uma "simples" falsificação de documentos de identidade para os irmãos. No entanto, a história começou a tomar outras direções desde sexta-feira à noite.

Quando tudo indicava que Ronaldinho poderia deixar o Paraguai de acordo com solicitação dos promotores que inicialmente estavam envolvidos no caso, a oposição de um juiz a libertá-los da investigação e a mudança de postura da Procuradoria Geral do Estado terminaram com a prisão de ambos.

Sandra Quiñónez, titular do Ministério Público, ordenou ao promotor Osmar Legal que se encarregasse do caso contra Ronaldinho. Ele é um jovem procurador da Unidade Especializada de Combate à Lavagem de Dinheiro. Apesar de sua "inexperiência", ele já conseguiu realizar processos contra poderosos políticos paraguaios.

No âmbito da investigação sobre a produção e utilização de documentos de conteúdo falso, pelos quais os irmãos Ronaldinho e Assis são processados e mantidos sob custódia, bem como o empresário Wilmondes Sousa Lira e duas mulheres paraguaias, Legal também solicitou a prisão da empresária Dalia López.

O promotor do caso havia solicitado relatórios ao Subsecretário de Estado de Tributação e à Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro. O requerimento está centrado em Dalia, a mulher que levou o craque para o país, cuja imagem deveria ser usada por sua fundação Fraternidade Angelical.

Fontes do Ministério Público do Paraguai disseram à reportagem do Estado no Paraguai que essa série de pedidos poderia complicar ainda mais a situação processual de Ronaldinho e Assis A promotoria, por outro lado, disse que não pode dar mais detalhes sobre a investigação, porque ainda deve verificar todas as informações que têm recebido.

Algumas versões até indicam que Ronaldinho e seu irmão estavam procurando iniciar negócios no território paraguaio e que Dalia planejava ser a principal parceira deles no país. A mulher sempre se mostrou como alguém próximo ao poder político, principalmente do atual presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, filho do secretário particular do ditador Alfredo Stroessner. De fato, a versão que os irmãos começariam negócios no Paraguai foi confirmada pelo advogado dos irmãos, Sergio Queiroz.

Advogado diz que prisão é ilegal

Advogado de Ronaldinho Gaúcho, Sergio Queiroz disse neste domingo que seu cliente e seu irmão, Assis, estão detidos de modo totalmente ilegal no Paraguai. Ele alegou que os ex-jogadores agiram "de boa fé" ao usar os documentos, sem saber que eram ilegais, pois procuravam iniciar negócios no país. O advogado também declarou que as autoridades diplomáticas do Brasil estão "tomando nota" das "irregularidades".

Em entrevista coletiva em um hotel, Queiroz disse que a prisão de Ronaldinho e Assis é "ilícita, ilegal e abusiva". Ele argumentou que a promotoria determinou inicialmente que ambos poderiam retornar ao Brasil ou viajar a qualquer outro país porque "não houve dolo", mas questionou a razão para a juíza do caso determinar, ainda assim, a detenção.

"Eles não sabiam que os documentos eram ilegais", disse, quando questionado por que eles usavam carteira de identidade e passaporte paraguaios. Ele reiterou em várias ocasiões que o Ministério Público concluiu que os ex-jogadores cometeram o ato de apresentar os documentos ilícitos "de boa fé e na total ausência de dolo".

"Ronaldo e Roberto (de Assis) não sabiam que era irregular, para eles era regular, tanto que apresentaram livremente (os documentos para entrar no país), podendo apresentar apenas o documento de identidade. A Promotoria entendeu isso", insistiu, diante dos questionamento sobre o motivo que os levou a usar documentos que claramente tinham dados irregulares, uma vez que nenhum deles possui nacionalidade paraguaia, conforme consta na carteira de identidade e no passaporte.

"Houve uma resolução de não continuar o processo contra Ronaldo e Roberto e, a partir daí, ocorreram várias irregularidades em 24 horas", afirmou o advogado, ignorando o poder do Procurador Geral do Estado de revogar a decisão dos promotores iniciais do caso.

"Os recursos existem para serem realizados e os que se encaixam nos esforços diplomáticos, já foram atendidos rapidamente, verificando tais ilegalidades. Ou seja, o cônsul foi até lá, identificou e agora está tomando as medidas e como autoridade diplomática que é, todas essas irregularidades serão relatadas ao governo brasileiro", disse Queiroz, embora tenha indicado que não tenha falado com representantes diplomáticos do Brasil sobre o caso.

Ele afirmou, no entanto, que não se buscou nenhuma intervenção do presidente Jair Bolsonaro. "Não pretendo pressionar o presidente, como advogado, tenho que cuidar do processo", disse. E insistiu: "Cabe a mim como advogado, usar todos os mecanismos possíveis dentro do processo, questões diplomáticas agora serão tratadas pelo cônsul e as autoridades brasileiras responsáveis"

Ele também sugeriu que a suposta "crueldade" contra seu cliente poderia ter sido adotada como um esforço do Estado paraguaio para demonstrar uma suposta firmeza do seu sistema judiciário.

"Se acontece o que me perguntaram, seria uma maneira de colocar no mundo que o Paraguai teria um sistema judicial forte e independente, isso estaria sendo feito à custa de ilegalidade, de abuso e da violação da lei do próprio país", acusou, insistindo em sua respostas nas supostas ilegalidades do processo contra Ronaldinho e Assis.


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Página 3

Investigação sobre Ronaldinho no Paraguai apura conexão com lavagem de dinheiro

Advogado de Ronaldinho diz que prisão é ilegal

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Domingo, 8/3/2020 19:27.

Juan Carlos Lezcano, especial para a AE
A promotoria paraguaia ampliou a investigação criminal que envolve Ronaldinho Gaúcho e Assis, seu irmão. O Ministério Público solicitou várias informações de outras instituições e também apura uma possível conexão do caso com lavagem de dinheiro.

A investigação criminal iniciada no Paraguai contra Ronaldinho e Assis, além de outros empresários paraguaios e brasileiros, vem seguindo rumos inesperados nos últimos dias. Inicialmente, o caso era sobre uma "simples" falsificação de documentos de identidade para os irmãos. No entanto, a história começou a tomar outras direções desde sexta-feira à noite.

Quando tudo indicava que Ronaldinho poderia deixar o Paraguai de acordo com solicitação dos promotores que inicialmente estavam envolvidos no caso, a oposição de um juiz a libertá-los da investigação e a mudança de postura da Procuradoria Geral do Estado terminaram com a prisão de ambos.

Sandra Quiñónez, titular do Ministério Público, ordenou ao promotor Osmar Legal que se encarregasse do caso contra Ronaldinho. Ele é um jovem procurador da Unidade Especializada de Combate à Lavagem de Dinheiro. Apesar de sua "inexperiência", ele já conseguiu realizar processos contra poderosos políticos paraguaios.

No âmbito da investigação sobre a produção e utilização de documentos de conteúdo falso, pelos quais os irmãos Ronaldinho e Assis são processados e mantidos sob custódia, bem como o empresário Wilmondes Sousa Lira e duas mulheres paraguaias, Legal também solicitou a prisão da empresária Dalia López.

O promotor do caso havia solicitado relatórios ao Subsecretário de Estado de Tributação e à Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro. O requerimento está centrado em Dalia, a mulher que levou o craque para o país, cuja imagem deveria ser usada por sua fundação Fraternidade Angelical.

Fontes do Ministério Público do Paraguai disseram à reportagem do Estado no Paraguai que essa série de pedidos poderia complicar ainda mais a situação processual de Ronaldinho e Assis A promotoria, por outro lado, disse que não pode dar mais detalhes sobre a investigação, porque ainda deve verificar todas as informações que têm recebido.

Algumas versões até indicam que Ronaldinho e seu irmão estavam procurando iniciar negócios no território paraguaio e que Dalia planejava ser a principal parceira deles no país. A mulher sempre se mostrou como alguém próximo ao poder político, principalmente do atual presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, filho do secretário particular do ditador Alfredo Stroessner. De fato, a versão que os irmãos começariam negócios no Paraguai foi confirmada pelo advogado dos irmãos, Sergio Queiroz.

Advogado diz que prisão é ilegal

Advogado de Ronaldinho Gaúcho, Sergio Queiroz disse neste domingo que seu cliente e seu irmão, Assis, estão detidos de modo totalmente ilegal no Paraguai. Ele alegou que os ex-jogadores agiram "de boa fé" ao usar os documentos, sem saber que eram ilegais, pois procuravam iniciar negócios no país. O advogado também declarou que as autoridades diplomáticas do Brasil estão "tomando nota" das "irregularidades".

Em entrevista coletiva em um hotel, Queiroz disse que a prisão de Ronaldinho e Assis é "ilícita, ilegal e abusiva". Ele argumentou que a promotoria determinou inicialmente que ambos poderiam retornar ao Brasil ou viajar a qualquer outro país porque "não houve dolo", mas questionou a razão para a juíza do caso determinar, ainda assim, a detenção.

"Eles não sabiam que os documentos eram ilegais", disse, quando questionado por que eles usavam carteira de identidade e passaporte paraguaios. Ele reiterou em várias ocasiões que o Ministério Público concluiu que os ex-jogadores cometeram o ato de apresentar os documentos ilícitos "de boa fé e na total ausência de dolo".

"Ronaldo e Roberto (de Assis) não sabiam que era irregular, para eles era regular, tanto que apresentaram livremente (os documentos para entrar no país), podendo apresentar apenas o documento de identidade. A Promotoria entendeu isso", insistiu, diante dos questionamento sobre o motivo que os levou a usar documentos que claramente tinham dados irregulares, uma vez que nenhum deles possui nacionalidade paraguaia, conforme consta na carteira de identidade e no passaporte.

"Houve uma resolução de não continuar o processo contra Ronaldo e Roberto e, a partir daí, ocorreram várias irregularidades em 24 horas", afirmou o advogado, ignorando o poder do Procurador Geral do Estado de revogar a decisão dos promotores iniciais do caso.

"Os recursos existem para serem realizados e os que se encaixam nos esforços diplomáticos, já foram atendidos rapidamente, verificando tais ilegalidades. Ou seja, o cônsul foi até lá, identificou e agora está tomando as medidas e como autoridade diplomática que é, todas essas irregularidades serão relatadas ao governo brasileiro", disse Queiroz, embora tenha indicado que não tenha falado com representantes diplomáticos do Brasil sobre o caso.

Ele afirmou, no entanto, que não se buscou nenhuma intervenção do presidente Jair Bolsonaro. "Não pretendo pressionar o presidente, como advogado, tenho que cuidar do processo", disse. E insistiu: "Cabe a mim como advogado, usar todos os mecanismos possíveis dentro do processo, questões diplomáticas agora serão tratadas pelo cônsul e as autoridades brasileiras responsáveis"

Ele também sugeriu que a suposta "crueldade" contra seu cliente poderia ter sido adotada como um esforço do Estado paraguaio para demonstrar uma suposta firmeza do seu sistema judiciário.

"Se acontece o que me perguntaram, seria uma maneira de colocar no mundo que o Paraguai teria um sistema judicial forte e independente, isso estaria sendo feito à custa de ilegalidade, de abuso e da violação da lei do próprio país", acusou, insistindo em sua respostas nas supostas ilegalidades do processo contra Ronaldinho e Assis.


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