Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Polícia
Advogado dos Bolsonaros negava que tivesse contato com Queiroz

Sexta, 19/6/2020 7:34.
Frederick Wassef
Frederick Wassef (sem máscara), participou da posse de ministros na última quarta-feira.

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Por Julia Lindner, Jussara Soares, Breno Pires e Ricardo Galhardo

O advogado Frederick Wassef afirmou, em pelo menos duas ocasiões no ano passado, desconhecer o paradeiro do ex-assessor Fabrício Queiroz. "Não sei. Não sou advogado dele", disse ele em entrevista à GloboNews, em setembro. Em junho, negou à revista Veja conhecer o ex-policial militar. O próprio senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) dizia, em conversas reservadas, que não tinha mais contato com o ex-assessor e que poderia até ir preso por obstrução da Justiça se entrasse em contato com ele.

A interlocutores Wassef repetia a versão de que não tinha contato com Queiroz, embora o ex-assessor tenha sido preso ontem em um imóvel dele. O advogado representa Flávio no caso que investiga suspeita de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio, o que levanta a suspeita sobre uma possível troca de informações entre investigados e poderia representar tentativa de obstrução da Justiça. Flávio também já afirmou não saber o paradeiro do ex-assessor e chegou a alertar que não mantinha mais contato com Queiroz para que isso não fosse interpretado como crime.

Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro, mas não atua formalmente em nenhuma causa. É presença constante nos palácios do Planalto e do Alvorada, no entanto, não costuma aparecer nas agendas oficiais de Bolsonaro. Nos registros aparecem apenas três encontros no último ano, mas ele esteve ao menos sete vezes nos últimos seis meses com o presidente.

Anteontem, Wassef esteve na cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na semana anterior, ele passou a tarde com o presidente na sede do Executivo e deixou o local por volta das 20h. O motivo do encontro não foi informado. Desde a prisão de Queiroz, na manhã de ontem, Wassef permanece recluso na residência onde mora, no Lago Sul, em Brasília. Além de não deixar a casa, na área nobre da capital federal, Wassef não atendeu ligações da reportagem. Quando tocada a campainha da residência, não houve resposta. Por volta das 8h30, o advogado foi visto na janela da casa.

Outra ocasião em que Wassef esteve com o presidente foi no dia 25 de abril, logo após a demissão do então ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ele foi ao Alvorada no mesmo dia em que Bolsonaro discutia a substituição na pasta. O atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que na época tentava assumir o comando da Polícia Federal, também participou do encontro.

Além da família Bolsonaro, Wassef é próximo do secretário especial de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten. Ainda na pré-campanha presidencial, Wassef apresentou Wajngarten, dono da empresa Controle da Concorrência, nome fantasia da FW Comunicação e Marketing, como um homem capaz de abrir portas em emissoras de televisão.

Aproximação

Wassef conheceu Bolsonaro ainda como deputado, em 2016, quando a ideia da candidatura presidencial ainda parecia distante. Depois, na campanha presidencial, o advogado passou a frequentar a casa usada pela equipe de Bolsonaro.

Ele é visto com desconfiança pelos assessores mais próximos de Bolsonaro. O presidente chegou a ser aconselhado a dispensá-lo, mas o modo como agiu justamente no caso Queiroz o garantiu por perto, segundo pessoas próximas ao presidente. O principal momento foi quando Wassef conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal (STF), com a decisão do presidente da Corte, Dias Toffoli, todas as investigações feitas com base no compartilhamento de dados bancários sem autorização judicial, atendendo ao pedido da defesa de Flávio Bolsonaro.


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Página 3
Frederick Wassef
Frederick Wassef (sem máscara), participou da posse de ministros na última quarta-feira.
Frederick Wassef (sem máscara), participou da posse de ministros na última quarta-feira.

Advogado dos Bolsonaros negava que tivesse contato com Queiroz

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Sexta, 19/6/2020 7:34.

Por Julia Lindner, Jussara Soares, Breno Pires e Ricardo Galhardo

O advogado Frederick Wassef afirmou, em pelo menos duas ocasiões no ano passado, desconhecer o paradeiro do ex-assessor Fabrício Queiroz. "Não sei. Não sou advogado dele", disse ele em entrevista à GloboNews, em setembro. Em junho, negou à revista Veja conhecer o ex-policial militar. O próprio senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) dizia, em conversas reservadas, que não tinha mais contato com o ex-assessor e que poderia até ir preso por obstrução da Justiça se entrasse em contato com ele.

A interlocutores Wassef repetia a versão de que não tinha contato com Queiroz, embora o ex-assessor tenha sido preso ontem em um imóvel dele. O advogado representa Flávio no caso que investiga suspeita de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio, o que levanta a suspeita sobre uma possível troca de informações entre investigados e poderia representar tentativa de obstrução da Justiça. Flávio também já afirmou não saber o paradeiro do ex-assessor e chegou a alertar que não mantinha mais contato com Queiroz para que isso não fosse interpretado como crime.

Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro, mas não atua formalmente em nenhuma causa. É presença constante nos palácios do Planalto e do Alvorada, no entanto, não costuma aparecer nas agendas oficiais de Bolsonaro. Nos registros aparecem apenas três encontros no último ano, mas ele esteve ao menos sete vezes nos últimos seis meses com o presidente.

Anteontem, Wassef esteve na cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na semana anterior, ele passou a tarde com o presidente na sede do Executivo e deixou o local por volta das 20h. O motivo do encontro não foi informado. Desde a prisão de Queiroz, na manhã de ontem, Wassef permanece recluso na residência onde mora, no Lago Sul, em Brasília. Além de não deixar a casa, na área nobre da capital federal, Wassef não atendeu ligações da reportagem. Quando tocada a campainha da residência, não houve resposta. Por volta das 8h30, o advogado foi visto na janela da casa.

Outra ocasião em que Wassef esteve com o presidente foi no dia 25 de abril, logo após a demissão do então ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ele foi ao Alvorada no mesmo dia em que Bolsonaro discutia a substituição na pasta. O atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que na época tentava assumir o comando da Polícia Federal, também participou do encontro.

Além da família Bolsonaro, Wassef é próximo do secretário especial de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten. Ainda na pré-campanha presidencial, Wassef apresentou Wajngarten, dono da empresa Controle da Concorrência, nome fantasia da FW Comunicação e Marketing, como um homem capaz de abrir portas em emissoras de televisão.

Aproximação

Wassef conheceu Bolsonaro ainda como deputado, em 2016, quando a ideia da candidatura presidencial ainda parecia distante. Depois, na campanha presidencial, o advogado passou a frequentar a casa usada pela equipe de Bolsonaro.

Ele é visto com desconfiança pelos assessores mais próximos de Bolsonaro. O presidente chegou a ser aconselhado a dispensá-lo, mas o modo como agiu justamente no caso Queiroz o garantiu por perto, segundo pessoas próximas ao presidente. O principal momento foi quando Wassef conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal (STF), com a decisão do presidente da Corte, Dias Toffoli, todas as investigações feitas com base no compartilhamento de dados bancários sem autorização judicial, atendendo ao pedido da defesa de Flávio Bolsonaro.


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