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Rio de Janeiro teve um feminicídio a cada 5 dias em 2018, aponta dossiê

Quarta, 1/5/2019 5:21.

LUÍS COSTA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma mulher foi morta a cada cinco dias no estado do Rio, em 2018, pelo fato de ser mulher. Por dia, pelo menos 12 foram estupradas e 2 sofreram tentativas de homicídio. A cada hora, 4 mulheres sofreram agressões físicas e 4 foram ameaçadas.

Os dados estão na mais recente edição do Dossiê Mulher, divulgada nesta terça (30) pelo ISP (Instituto de Segurança Pública). O relatório contempla uma série de crimes contra a mulher, como feminicídios, homicídios dolosos, ameaças, lesão corporal, violência sexual, moral, patrimonial e psicológica.

Exceção feita a homicídios e tentativas de homicídios, as mulheres são a maioria das vítimas nos outros 12 tipos de crimes registrados.

Dos 71 casos de feminicídio no estado, 40 foram cometidos por companheiros e ex-companheiros, e os crimes ocorreram dentro de casa em 62% das vezes. Das vítimas, 68,6% eram negras ou pardas.

Tentativas de feminicídio foram 288 no ano passado –um aumento de 54% em relação a 2017, quando foram registrados 187 casos.

O vice-governador do estado, Cláudio Castro, afirmou que o combate à violência depende do esforço articulado com Legislativo, Judiciário e Ministério Público. "A certeza de que não haverá impunidade pode fazer com que esses números melhorem."

Questionado sobre um corte orçamentário de 70% nas políticas de proteção à mulher no estado em relação a 2019, o vice-governador afirmou que a diminuição foi responsabilidade do governo anterior.

Castro, afirmou esperar que a recuperação da economia torne possíveis mais investimentos na área. "O governador [Wilson Witzel] está ciente, não tem medo nenhum e vai enfrentar isso duramente", disse.

Desde a Lei 13.104/2015, o Código Penal adota a tipificação de feminicídio, no rol dos homicídios qualificados, como o assassinato de uma mulher "por razões da condição de sexo feminino". A pena é de 12 a 30 anos de prisão.

Segundo a promotora Lúcia Iloizio, do Ministério Público do estado, em 2018 o órgão ofereceu 110 denúncias de feminicídio no estado.

Para a diretora do ISP, Adriana Pereira Mendes, a atribuição de uma tipificação particular permite uma análise mais acurada da violência contra a mulher.

"A partir daí tivemos a oportunidade de um dado específico em relação a hipóteses de feminicídio", disse. "Essa geração de dados propicia a construção de diversas formas de análise, orientando os órgãos de estado na construção de políticas públicas."

No total de homicídios dolosos contra mulheres –contando feminicídios–, o ISP registrou 350 casos em 2018 no estado do Rio, 43 deles (12,3%) cometidos por companheiros e ex-companheiros.

Mulheres negras representam 59% do total de vítimas.

O levantamento do ISP também aponta que dos 4.543 casos de estupro registrados no ano passado no estado, 70% foram cometidos contra crianças e adolescentes.

Em 44,8% das vezes, as vítimas eram conhecidas dos agressores –do total, 1.290 (28,3%) deles eram seus pais, padrastos ou parentes.

O número de lesões corporais dolosas notificadas alcança 41.344 casos, dos quais 60,2% ocorreram dentro da própria casa.

Subsecretária de Combate à Violência contra a Mulher, a delegada Sandra Ornellas ressaltou a importância do diagnóstico, não prevê um melhor cenário no curto prazo.

"O que temos é só um pequeno retrato, porque a questão é muito mais profunda", disse. "Se levamos tantos anos para chegarmos para chegarmos hoje a esse movimento que quer visibilizar essa violência, muitos outros levaremos para poder combatê-la".

Em São Paulo, cinco mulheres foram mortas em cinco dias

São Paulo"Cinco mulheres foram mortas e uma ferida em São Paulo entre quinta-feira da semana passada e esta segunda-feira (29), na capital e no interior do estado.

Quatro acusados, sendo três ex-companheiros das vítimas, foram presos.

A defesa deles não foi encontrada pela reportagem.

Três mulheres foram vítimas de feminicídio na capital, e outra, em Tabatinga (a 332 km de São Paulo).

No caso da cidade do interior, o assassino, um comerciante de 37 anos que havia sido casado com a vítima, matou também o filho dela e se suicidou em seguida.

Uma quinta mulher foi encontrada assassinada em Campinas (93 km de SP), às margens de um lago –o caso foi registrado pela polícia como homicídio simples.

Além desses assassinatos, um agente da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de 38 anos é acusado de atirar contra a mulher de 36 anos, também GCM, e em seguida disparar contra a própria cabeça, nesta segunda (29) na Brasilândia (zona norte). O fato ocorreu durante uma briga, de motivo não informado. O estado de saúde do casal é grave.

12 estupros acontecem no Rio de Janeiro por dia

4 mulheres são agredidas e 4 ameaçadas a cada hora

40 dos 71 casos de feminicídio registrados no estado no ano passado foram cometidos por companheiros e ex-companheiros

62% dos crimes foram cometidos dentro de casa

68,6% das vítimas eram negras ou pardas

288 tentativas de feminicídio foram registradas no estado no ano passado

70% foi o corte no orçamento para políticas de segurança da mulher no Rio 

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Rio de Janeiro teve um feminicídio a cada 5 dias em 2018, aponta dossiê

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Quarta, 1/5/2019 5:21.

LUÍS COSTA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma mulher foi morta a cada cinco dias no estado do Rio, em 2018, pelo fato de ser mulher. Por dia, pelo menos 12 foram estupradas e 2 sofreram tentativas de homicídio. A cada hora, 4 mulheres sofreram agressões físicas e 4 foram ameaçadas.

Os dados estão na mais recente edição do Dossiê Mulher, divulgada nesta terça (30) pelo ISP (Instituto de Segurança Pública). O relatório contempla uma série de crimes contra a mulher, como feminicídios, homicídios dolosos, ameaças, lesão corporal, violência sexual, moral, patrimonial e psicológica.

Exceção feita a homicídios e tentativas de homicídios, as mulheres são a maioria das vítimas nos outros 12 tipos de crimes registrados.

Dos 71 casos de feminicídio no estado, 40 foram cometidos por companheiros e ex-companheiros, e os crimes ocorreram dentro de casa em 62% das vezes. Das vítimas, 68,6% eram negras ou pardas.

Tentativas de feminicídio foram 288 no ano passado –um aumento de 54% em relação a 2017, quando foram registrados 187 casos.

O vice-governador do estado, Cláudio Castro, afirmou que o combate à violência depende do esforço articulado com Legislativo, Judiciário e Ministério Público. "A certeza de que não haverá impunidade pode fazer com que esses números melhorem."

Questionado sobre um corte orçamentário de 70% nas políticas de proteção à mulher no estado em relação a 2019, o vice-governador afirmou que a diminuição foi responsabilidade do governo anterior.

Castro, afirmou esperar que a recuperação da economia torne possíveis mais investimentos na área. "O governador [Wilson Witzel] está ciente, não tem medo nenhum e vai enfrentar isso duramente", disse.

Desde a Lei 13.104/2015, o Código Penal adota a tipificação de feminicídio, no rol dos homicídios qualificados, como o assassinato de uma mulher "por razões da condição de sexo feminino". A pena é de 12 a 30 anos de prisão.

Segundo a promotora Lúcia Iloizio, do Ministério Público do estado, em 2018 o órgão ofereceu 110 denúncias de feminicídio no estado.

Para a diretora do ISP, Adriana Pereira Mendes, a atribuição de uma tipificação particular permite uma análise mais acurada da violência contra a mulher.

"A partir daí tivemos a oportunidade de um dado específico em relação a hipóteses de feminicídio", disse. "Essa geração de dados propicia a construção de diversas formas de análise, orientando os órgãos de estado na construção de políticas públicas."

No total de homicídios dolosos contra mulheres –contando feminicídios–, o ISP registrou 350 casos em 2018 no estado do Rio, 43 deles (12,3%) cometidos por companheiros e ex-companheiros.

Mulheres negras representam 59% do total de vítimas.

O levantamento do ISP também aponta que dos 4.543 casos de estupro registrados no ano passado no estado, 70% foram cometidos contra crianças e adolescentes.

Em 44,8% das vezes, as vítimas eram conhecidas dos agressores –do total, 1.290 (28,3%) deles eram seus pais, padrastos ou parentes.

O número de lesões corporais dolosas notificadas alcança 41.344 casos, dos quais 60,2% ocorreram dentro da própria casa.

Subsecretária de Combate à Violência contra a Mulher, a delegada Sandra Ornellas ressaltou a importância do diagnóstico, não prevê um melhor cenário no curto prazo.

"O que temos é só um pequeno retrato, porque a questão é muito mais profunda", disse. "Se levamos tantos anos para chegarmos para chegarmos hoje a esse movimento que quer visibilizar essa violência, muitos outros levaremos para poder combatê-la".

Em São Paulo, cinco mulheres foram mortas em cinco dias

São Paulo"Cinco mulheres foram mortas e uma ferida em São Paulo entre quinta-feira da semana passada e esta segunda-feira (29), na capital e no interior do estado.

Quatro acusados, sendo três ex-companheiros das vítimas, foram presos.

A defesa deles não foi encontrada pela reportagem.

Três mulheres foram vítimas de feminicídio na capital, e outra, em Tabatinga (a 332 km de São Paulo).

No caso da cidade do interior, o assassino, um comerciante de 37 anos que havia sido casado com a vítima, matou também o filho dela e se suicidou em seguida.

Uma quinta mulher foi encontrada assassinada em Campinas (93 km de SP), às margens de um lago –o caso foi registrado pela polícia como homicídio simples.

Além desses assassinatos, um agente da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de 38 anos é acusado de atirar contra a mulher de 36 anos, também GCM, e em seguida disparar contra a própria cabeça, nesta segunda (29) na Brasilândia (zona norte). O fato ocorreu durante uma briga, de motivo não informado. O estado de saúde do casal é grave.

12 estupros acontecem no Rio de Janeiro por dia

4 mulheres são agredidas e 4 ameaçadas a cada hora

40 dos 71 casos de feminicídio registrados no estado no ano passado foram cometidos por companheiros e ex-companheiros

62% dos crimes foram cometidos dentro de casa

68,6% das vítimas eram negras ou pardas

288 tentativas de feminicídio foram registradas no estado no ano passado

70% foi o corte no orçamento para políticas de segurança da mulher no Rio 

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