Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Polícia
Motorista de aplicativo é agredido em Itapema por causa de política

Terça, 16/10/2018 15:18.

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Um motorista de aplicativo de 32 anos foi agredido na madrugada de sábado (13) para domingo (14), em Itapema, por causa de política.
Ele preferiu não revelar a identidade porque tem recebido mensagens ofensivas desde que relatou o ocorrido via redes sociais.

Ao Página 3 o motorista contou que está bem assustado com a situação de violência que passou. “Tô bem triste e com medo, passei por uma situação que nunca imaginei passar”, escreveu.

Ele trabalha como motorista da Uber há um ano e já fez mais de três mil viagens. Na madrugada de sábado para domingo foi atender uma chamada, num restaurante de Itapema onde estava acontecendo uma festa de casamento.

O motorista contou que os passageiros eram dois casais e que os dois homens estavam bastante embriagados.

“Um deles quando entrou no carro já começou dizendo ‘olha veio uma mulher nos buscar, ah não, é um homem de cabelo comprido’, fiquei quieto, vi que estava bêbado”, relatou.

Logo em seguida o passageiro emendou: “e aí vota no Bolsonaro ou no PT?”.

O motorista respondeu que o voto era secreto e o passageiro rebateu “Logo vi que era um petista de merda”.

O motorista alertou a esposa do passageiro, que estava sentada ao seu lado, que se não houvesse respeito, deixaria eles ali mesmo. Ela berrou com o marido e o mandou ficar quieto, mas ele continuou proferindo ofensas. “Esses petistas são uns bostas, ladrões, bichas”, lembra o motorista.

“Eu me mantive em silêncio só torcendo para chegar logo, a viagem era perto. Quando chegamos no destino a mulher que estava ao meu lado pagou a viagem e quando ela saiu do carro o cara veio pra cima de mim sem eu ter dito nada, o outro rapaz que estava junto estava tentando lhe segurar enquanto o cara chutava meu carro e tentava se livrar, fiquei com medo ele estava transtornado e eu disse por impulso que era policial civil e iria levar ele preso, (tive que mentir) ele parou na hora virou pro outro lado e fez de conta que nada estava acontecendo”, relembra.

O motorista veio em direção a Balneário Camboriú, quando um telefone tocou dentro do carro. Era a esposa do agressor avisando que havia esquecido o celular. Ele aceitou voltar e entregar o celular.

Quando estava quase chegando, foi abordado no caminho por uma garota bem machucada, pedindo ajuda. Ela também teria sido agredida por causa de política. Ele aceitou levá-la à delegacia, mas antes parou para devolver o celular à passageira anterior.

“E disse ‘tá vendo essa menina aqui acabou de ser espancada por um eleitor do Bolsonaro, se cuida qualquer dia será você, enfim ela me pediu desculpas e fomos para a delegacia, a menina chorava muito do meu lado, estava desesperada, chegamos na delegacia ela foi fazer o boletim de ocorrência e eu mandei um relato pra Uber explicando o que aconteceu e que precisaria dos dados para fazer um boletim de ocorrência, até agora não recebi respostas, mas isso não vai ficar assim”.

O motorista fez um boletim de ocorrência e está em contato com um advogado para decidir o que fazer. Ele não recebeu os dados dos clientes, mas identificou as pessoas em fotos do evento.

Ele acredita que como não tem testemunhas, eles saiam impunes, mesmo assim achou importante fazer o alerta.


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Página 3

Motorista de aplicativo é agredido em Itapema por causa de política

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Terça, 16/10/2018 15:18.

Um motorista de aplicativo de 32 anos foi agredido na madrugada de sábado (13) para domingo (14), em Itapema, por causa de política.
Ele preferiu não revelar a identidade porque tem recebido mensagens ofensivas desde que relatou o ocorrido via redes sociais.

Ao Página 3 o motorista contou que está bem assustado com a situação de violência que passou. “Tô bem triste e com medo, passei por uma situação que nunca imaginei passar”, escreveu.

Ele trabalha como motorista da Uber há um ano e já fez mais de três mil viagens. Na madrugada de sábado para domingo foi atender uma chamada, num restaurante de Itapema onde estava acontecendo uma festa de casamento.

O motorista contou que os passageiros eram dois casais e que os dois homens estavam bastante embriagados.

“Um deles quando entrou no carro já começou dizendo ‘olha veio uma mulher nos buscar, ah não, é um homem de cabelo comprido’, fiquei quieto, vi que estava bêbado”, relatou.

Logo em seguida o passageiro emendou: “e aí vota no Bolsonaro ou no PT?”.

O motorista respondeu que o voto era secreto e o passageiro rebateu “Logo vi que era um petista de merda”.

O motorista alertou a esposa do passageiro, que estava sentada ao seu lado, que se não houvesse respeito, deixaria eles ali mesmo. Ela berrou com o marido e o mandou ficar quieto, mas ele continuou proferindo ofensas. “Esses petistas são uns bostas, ladrões, bichas”, lembra o motorista.

“Eu me mantive em silêncio só torcendo para chegar logo, a viagem era perto. Quando chegamos no destino a mulher que estava ao meu lado pagou a viagem e quando ela saiu do carro o cara veio pra cima de mim sem eu ter dito nada, o outro rapaz que estava junto estava tentando lhe segurar enquanto o cara chutava meu carro e tentava se livrar, fiquei com medo ele estava transtornado e eu disse por impulso que era policial civil e iria levar ele preso, (tive que mentir) ele parou na hora virou pro outro lado e fez de conta que nada estava acontecendo”, relembra.

O motorista veio em direção a Balneário Camboriú, quando um telefone tocou dentro do carro. Era a esposa do agressor avisando que havia esquecido o celular. Ele aceitou voltar e entregar o celular.

Quando estava quase chegando, foi abordado no caminho por uma garota bem machucada, pedindo ajuda. Ela também teria sido agredida por causa de política. Ele aceitou levá-la à delegacia, mas antes parou para devolver o celular à passageira anterior.

“E disse ‘tá vendo essa menina aqui acabou de ser espancada por um eleitor do Bolsonaro, se cuida qualquer dia será você, enfim ela me pediu desculpas e fomos para a delegacia, a menina chorava muito do meu lado, estava desesperada, chegamos na delegacia ela foi fazer o boletim de ocorrência e eu mandei um relato pra Uber explicando o que aconteceu e que precisaria dos dados para fazer um boletim de ocorrência, até agora não recebi respostas, mas isso não vai ficar assim”.

O motorista fez um boletim de ocorrência e está em contato com um advogado para decidir o que fazer. Ele não recebeu os dados dos clientes, mas identificou as pessoas em fotos do evento.

Ele acredita que como não tem testemunhas, eles saiam impunes, mesmo assim achou importante fazer o alerta.


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