Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Polícia
Lula fura bloqueio de militantes, se rende à PF e está preso em Curitiba

Domingo, 8/4/2018 6:26.
Reprodução.

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SÃO PAULO, SP, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se entregou à Polícia Federal às 18h40 deste sábado (7), quase 26 horas após o prazo dado pelo juiz Sergio Moro.

Manifestantes impediram por mais de duas horas que Lula deixasse a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, onde estava desde quinta (5), quando teve a prisão decretada.

O cronograma previsto era que, após a missa em que discursou num carro de som, o petista almoçasse com familiares enquanto a militância se dispersasse para que sua saída não fosse tumultuada.

Apoiadores, no entanto, não deixaram o local. Às 17h, Lula chegou a entrar em um automóvel, mas foi impedido de sair do sindicato. Havia militantes do MTST, MST, CUT e Levante Popular.

Depois de alguns minutos, o ex-presidente saiu do carro e, abraçado e ouvindo gritos de seu nome, sorriu ao entrar de volta para o sindicato.

Em uma sala da diretoria, Lula aguardou até que dirigentes encontrassem uma saída. A cúpula do PT e os advogados de Lula temiam que o atraso complicasse a situação do ex-presidente inclusive em outros processos.

Do lado de fora do edifício, o carro de som foi levado para perto de um dos portões. Lá, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, apelou aos militantes que facilitassem a rendição. "A Polícia Federal deu meia hora para a gente resolver essa situação", afirmou.

"Não vim aqui pra induzir nenhuma decisão. Mas a consequência pode ser para nós que a polícia venha aqui dar paulada na gente", disse.

O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, iniciou uma votação entre os apoiadores sobre a liberação da saída de Lula. O quarteirão já estava cercado por policiais e dentro do sindicato havia agentes da PF à paisana.

Enquanto militantes ainda estavam em assembleia, às 18h40, Lula deixou o sindicato a pé pelo portão do lado oposto ao que estava o carro de som. Dois cordões de seguranças possibilitaram que ele caminhasse por uma viela até chegar a viaturas da PF que o aguardavam.

Em bairros nobres de cidades como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, entre outras, moradores soltaram foguetórios e fizeram buzinaços.

Já sob custódia, Lula foi levado em um comboio de viaturas e chegou à sede da PF, em São Paulo, às 19h44. Às 20h11, voou de helicóptero até o aeroporto de Congonhas, de onde partiu para Curitiba.

Sua chegada de helicóptero à superintendência da PF em Curitiba, onde cumprirá pena em uma cela especial, às 22h29, causou tumulto entre apoiadores e opositores do ex-presidente, que o aguardavam. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

CATARSE

De manhã, na missa em homenagem à sua mulher, Marisa Letícia, Lula falou por quase uma hora. "Eu não sou mais um ser humano. Sou uma ideia", discursou.

Ao longo do dia, no sindicato, aliados, simpatizantes e familiares choraram copiosamente. Lula tentou consolá-los. "Não morri ainda", disse ao governador do Piauí, Welington Dias. "Isso é um até logo." O gesto se repetiu inúmeras vezes.

Muito emocionado, o ex-presidente ficou com os olhos cheios de água em diferentes momentos. Amigos disseram que sua maior preocupação era com os filhos, netos e a bisneta, a quem é muito ligado. Segundo relatos, a criança ficou em seu colo longamente.

O presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) insistiu de manhã para que Lula não se apresentasse. "Getulio se matou, Jango foi exilado. Você quer entrar como para a história?", questionou.


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Lula fura bloqueio de militantes, se rende à PF e está preso em Curitiba

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Domingo, 8/4/2018 6:26.

SÃO PAULO, SP, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se entregou à Polícia Federal às 18h40 deste sábado (7), quase 26 horas após o prazo dado pelo juiz Sergio Moro.

Manifestantes impediram por mais de duas horas que Lula deixasse a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, onde estava desde quinta (5), quando teve a prisão decretada.

O cronograma previsto era que, após a missa em que discursou num carro de som, o petista almoçasse com familiares enquanto a militância se dispersasse para que sua saída não fosse tumultuada.

Apoiadores, no entanto, não deixaram o local. Às 17h, Lula chegou a entrar em um automóvel, mas foi impedido de sair do sindicato. Havia militantes do MTST, MST, CUT e Levante Popular.

Depois de alguns minutos, o ex-presidente saiu do carro e, abraçado e ouvindo gritos de seu nome, sorriu ao entrar de volta para o sindicato.

Em uma sala da diretoria, Lula aguardou até que dirigentes encontrassem uma saída. A cúpula do PT e os advogados de Lula temiam que o atraso complicasse a situação do ex-presidente inclusive em outros processos.

Do lado de fora do edifício, o carro de som foi levado para perto de um dos portões. Lá, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, apelou aos militantes que facilitassem a rendição. "A Polícia Federal deu meia hora para a gente resolver essa situação", afirmou.

"Não vim aqui pra induzir nenhuma decisão. Mas a consequência pode ser para nós que a polícia venha aqui dar paulada na gente", disse.

O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, iniciou uma votação entre os apoiadores sobre a liberação da saída de Lula. O quarteirão já estava cercado por policiais e dentro do sindicato havia agentes da PF à paisana.

Enquanto militantes ainda estavam em assembleia, às 18h40, Lula deixou o sindicato a pé pelo portão do lado oposto ao que estava o carro de som. Dois cordões de seguranças possibilitaram que ele caminhasse por uma viela até chegar a viaturas da PF que o aguardavam.

Em bairros nobres de cidades como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, entre outras, moradores soltaram foguetórios e fizeram buzinaços.

Já sob custódia, Lula foi levado em um comboio de viaturas e chegou à sede da PF, em São Paulo, às 19h44. Às 20h11, voou de helicóptero até o aeroporto de Congonhas, de onde partiu para Curitiba.

Sua chegada de helicóptero à superintendência da PF em Curitiba, onde cumprirá pena em uma cela especial, às 22h29, causou tumulto entre apoiadores e opositores do ex-presidente, que o aguardavam. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

CATARSE

De manhã, na missa em homenagem à sua mulher, Marisa Letícia, Lula falou por quase uma hora. "Eu não sou mais um ser humano. Sou uma ideia", discursou.

Ao longo do dia, no sindicato, aliados, simpatizantes e familiares choraram copiosamente. Lula tentou consolá-los. "Não morri ainda", disse ao governador do Piauí, Welington Dias. "Isso é um até logo." O gesto se repetiu inúmeras vezes.

Muito emocionado, o ex-presidente ficou com os olhos cheios de água em diferentes momentos. Amigos disseram que sua maior preocupação era com os filhos, netos e a bisneta, a quem é muito ligado. Segundo relatos, a criança ficou em seu colo longamente.

O presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) insistiu de manhã para que Lula não se apresentasse. "Getulio se matou, Jango foi exilado. Você quer entrar como para a história?", questionou.


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