Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Aliado de Temer na Caixa integrou esquema, afirma Polícia Federal

Domingo, 15/1/2017 6:35.

WÁLTER NUNES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O relatório da operação Cui Bonus? ("a quem beneficia?", em latim), da Polícia Federal cita o atual vice-presidente de governo da Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê de Sant´Anna, como participante do esquema de concessão de financiamentos do banco que funcionava mediante pagamento de propinas.

A operação foi deflagrada na última sexta (13), com o ex-ministro Geddel Vieira Lima como alvo. Derziê é aliado do presidente Michel Temer, segundo a PF.

O executivo aparece na parte do relatório que detalha a operação para a liberação de um crédito de R$ 50 milhões para a empresa Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, vinculada ao grupo Comporte Participações. O Comporte pertence à família Constantino, controladora da Gol Linhas Aéreas.

No dia 3 de agosto de 2012, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou uma mensagem de texto via celular (SMS) para Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa: "Oeste sul o desirre não atende o Henrique e não resolve".

Segundo a PF, Cunha diz que "desirre" (Roberto Derziê) não havia atendido o telefonema do empresário Henrique Constantino, dono da Oeste Sul. Derziê na ocasião era diretor-executivo de pessoa jurídica da Caixa.

A mensagem de Cunha foi enviada às 16h15. Geddel retornou 1h32 depois dizendo que Derziê estava em São Paulo, mas ligaria para o empresário. Pergunta se o problema "é aquela questão das garantias".

Cunha responde que sim, e recomenda "resolver como você [Geddel] falou".

Geddel então diz que "ele [Derziê] vai ligar para o Henrique agora. Já estou vendo Marfrig [empresa envolvida em outro processo semelhante de financiamento em que o grupo atuava]".

No final da tarde, às 18h17, Geddel envia nova mensagem para o telefone de Cunha. "Derziê já falou com HC (Henrique Constantino). Estamos falando 50 mm (R$ 50 milhões) da Comporte, né? Já avançou."

No dia 6 de setembro, Geddel informa Cunha por mensagem que o financiamento de R$ 50 milhões foi assinado e R$ 25 milhões já tinham sido liberados para a empresa. A informação sobre a liberação era a dica para que o grupo cobrasse as vantagens indevidas, segundo a PF.

Os policiais lembram que Derziê foi demitido da Caixa no ano passado como represália da então presidente Dilma Rousseff a Temer, no processo que levou ao rompimento de ambos, em meio ao impeachment.

Em dezembro, já com Temer na Presidência da República, Derziê voltou para a Caixa no cargo de vice-presidente de governo.
Derziê, em 2015, se afastou de suas funções no banco para trabalhar como secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, no período em que Temer assumiu a pasta para cuidar da articulação política de Dilma. Ele trabalhava diretamente com o peemedebista.

OUTRO LADO

A assessoria da Presidência da República diz que Temer não tem proximidade com Derziê e não foi o responsável pela sua indicação a cargos na Caixa.

A assessoria da Caixa Econômica Federal declarou, em nota, que está em contato com as autoridades prestando irrestrita colaboração com as investigações. 

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Página 3

Aliado de Temer na Caixa integrou esquema, afirma Polícia Federal

Domingo, 15/1/2017 6:35.

WÁLTER NUNES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O relatório da operação Cui Bonus? ("a quem beneficia?", em latim), da Polícia Federal cita o atual vice-presidente de governo da Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê de Sant´Anna, como participante do esquema de concessão de financiamentos do banco que funcionava mediante pagamento de propinas.

A operação foi deflagrada na última sexta (13), com o ex-ministro Geddel Vieira Lima como alvo. Derziê é aliado do presidente Michel Temer, segundo a PF.

O executivo aparece na parte do relatório que detalha a operação para a liberação de um crédito de R$ 50 milhões para a empresa Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, vinculada ao grupo Comporte Participações. O Comporte pertence à família Constantino, controladora da Gol Linhas Aéreas.

No dia 3 de agosto de 2012, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou uma mensagem de texto via celular (SMS) para Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa: "Oeste sul o desirre não atende o Henrique e não resolve".

Segundo a PF, Cunha diz que "desirre" (Roberto Derziê) não havia atendido o telefonema do empresário Henrique Constantino, dono da Oeste Sul. Derziê na ocasião era diretor-executivo de pessoa jurídica da Caixa.

A mensagem de Cunha foi enviada às 16h15. Geddel retornou 1h32 depois dizendo que Derziê estava em São Paulo, mas ligaria para o empresário. Pergunta se o problema "é aquela questão das garantias".

Cunha responde que sim, e recomenda "resolver como você [Geddel] falou".

Geddel então diz que "ele [Derziê] vai ligar para o Henrique agora. Já estou vendo Marfrig [empresa envolvida em outro processo semelhante de financiamento em que o grupo atuava]".

No final da tarde, às 18h17, Geddel envia nova mensagem para o telefone de Cunha. "Derziê já falou com HC (Henrique Constantino). Estamos falando 50 mm (R$ 50 milhões) da Comporte, né? Já avançou."

No dia 6 de setembro, Geddel informa Cunha por mensagem que o financiamento de R$ 50 milhões foi assinado e R$ 25 milhões já tinham sido liberados para a empresa. A informação sobre a liberação era a dica para que o grupo cobrasse as vantagens indevidas, segundo a PF.

Os policiais lembram que Derziê foi demitido da Caixa no ano passado como represália da então presidente Dilma Rousseff a Temer, no processo que levou ao rompimento de ambos, em meio ao impeachment.

Em dezembro, já com Temer na Presidência da República, Derziê voltou para a Caixa no cargo de vice-presidente de governo.
Derziê, em 2015, se afastou de suas funções no banco para trabalhar como secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, no período em que Temer assumiu a pasta para cuidar da articulação política de Dilma. Ele trabalhava diretamente com o peemedebista.

OUTRO LADO

A assessoria da Presidência da República diz que Temer não tem proximidade com Derziê e não foi o responsável pela sua indicação a cargos na Caixa.

A assessoria da Caixa Econômica Federal declarou, em nota, que está em contato com as autoridades prestando irrestrita colaboração com as investigações. 

Publicidade

Publicidade