Jornal Página 3

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"Como vou tirar a liberdade de uma pessoa sem provas", indaga delegado
Divulgação PM
Dinheiro e outros itens apreendidos pela PM

Terça, 24/5/2016 11:11.

O comando do 12º Batalhão da Polícia Militar publicou em sua página no Facebook um questionamento à Polícia Civil de Balneário Camboriú que liberou uma suposta traficante de drogas, presa no último sábado (21). O Página 3 ouviu representantes da Civil, que esclareceram o fato.

Delegada regional

A delegada regional Magali Nunes Ignácio ficou sabendo do ocorrido pela reportagem, e afirmou que não tem tempo para acompanhar o Facebook da PM.

“Cada delegado tem autonomia para avaliar a situação e definir se ela é digna de prisão ou não. Não quero fazer juízo de valor, mas se ele (o delegado) não a manteve presa foi porque tinha motivo”, disse.

Ela acrescentou ainda que a Polícia Militar deveria ter a comunicado sobre o fato, para que um processo administrativo contra a mulher fosse realizado. “Já que ela possui um comércio, ela jamais poderia estar usando esse espaço para vender drogas, o que também é ilegal”, comentou.

Delegado da Comarca

O delegado responsável pela Delegacia da Comarca de Balneário Camboriú, David Queiroz de Souza, opinou que normalmente as pessoas confundem a não-prisão com a ideia de impunidade.

“Não é porque a mulher foi flagrada que ela ficará presa. Além de que há a diferença entre usuário de drogas e traficante. É preciso saber se o delegado plantonista (na ocasião era o doutor José Eliomar Beber) a identificou como usuária, já que ela estava com poucas porções de cocaína. Se ele entendeu que a droga era para uso não cabe prisão. O dinheiro poderia ser proveniente do ponto comercial dela”, informou.

Queiroz lembrou ainda que o dever do delegado é garantir prisões justas. “Não podemos colocar pessoas na cadeia sem ter certeza que elas são culpadas. Esse caso com certeza não foi engavetado e certamente já foi repassado ao juiz. Porém, não podemos ser injustos. É a vida de uma pessoa que está em jogo. A PM às vezes confunde as coisas, e nós trabalhamos focados em não cometer injustiças”, salientou.

O delegado afirmou ainda que ficou sabendo que a forma como a Polícia Militar apresentou o caso, demonstrou que não foi uma prisão em flagrante.

O que diz o delegado responsável

O delegado José Eliomar Beber, que atendeu o caso, afirma que a PM alega que a mulher seja traficante, mas que ela não tinha passagens pela polícia por esse crime e que nunca foram encontrados usuários de drogas no estabelecimento dela.

“Não tinha prova concreta. No comércio dela foram encontradas quatro buchinhas de cocaína, e o marido dela assumiu a posse, confirmou que é usuário. Os R$ 15 mil encontrados no carro da mulher e do marido dela eram provenientes da venda de um veículo e de uma lanchonete, e eles dizem que podem comprovar isso. Por enquanto, o dinheiro está apreendido, e estamos esperando a prova”, explica.

Beber salienta que a história é complexa e que há cerca de dois anos a mulher denunciou dois policiais militares. “Ela diz que eles a perseguem, e inclusive os PMs que atenderam o caso disseram que estavam monitorando o local há 30 dias e que ele era visitado por vários usuários. Pedi que eles comprovassem, que me mostrassem um usuário que comprou droga lá, e eles não tinham nenhuma prova. Ou eles são incompetentes ou possuem alguma segunda intenção”, diz.

O delegado salienta que durante as buscas no comércio, o marido da investigada afirmava que a droga era dele, e os PMs o ignoravam. “Chegaram a dizer para ele cair fora de lá. Ele inclusive insistiu para fazer o exame toxicológico, dizendo que a mulher não tinha nada a ver com a droga, mas eles (os militares) o ignoravam. Queriam prender a mulher a todo custo. Como é que eu vou tirar a liberdade de uma pessoa sem provas? Essa ocorrência era uma farsa, eu percebi isso diante dos fatos apresentados”, informa.

Beber disse ainda que se alguém perceber que ele errou, então ele será julgado pelo Fórum competente. “Não cabe à PM alegar isso para a imprensa. Eu não cometo esse tipo de abuso. Tenho 12 anos de atuação em Balneário Camboriú. Tenho autoridade para saber se devo prender alguém ou não. Isso compete a mim. Eles (os PMs) que façam o trabalho deles e deixem que eu faço o meu”, finaliza.

Confira abaixo o texto publicado pela PM:

12° BPM PRENDE MULHER PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS

Diariamente, diversas denúncias referente ao tráfico de drogas chegaram aos policiais da Agência de Inteligência do 12° BPM. Desta vez o crime de tráfico de drogas estaria sendo praticado por uma mulher, dona de uma mercearia localizada na Rua José Damásio Duarte, bairro Barra, próximo ao cemitério.

Em posse das informações, a guarnição iniciou o monitoramento da suspeita e do veículo Renault/Megane que ela utilizava. Em seu comércio foi constatado uma movimentação intensa de usuários de drogas. Além do local não possuir nome, funcionando de forma ilegal, era utilizado para mascarar o tráfico. Durante este sábado (21), os policiais realizaram o acompanhamento da mulher, realizando a abordagem da mesma.

Após busca veicular, foi localizada uma embalagem contendo cocaína e R$ 15.000,00 em espécie, os quais a envolvida não soube explicar a procedência. Em diligências na sua mercearia foram localizadas no balcão do caixa, outras três porções da mesma substância, embaladas em plástico branco, prontas para a venda. Além da droga, também foi encontrado o material utilizado para a embalagem e pesagem, bem como o papel filme, faca, tesoura e uma balança de precisão. No quarto da autora, que fica anexo ao seu comércio, foram localizados anabolizantes e um celular contendo mensagens referentes ao tráfico de drogas. Diante do flagrante foi dada voz de prisão e encaminhada a Delegacia de Polícia Civil.

Mesmo diante de todo o conjunto probatório e depoimento dos policiais, em pouco tempo ela foi libertada.

Os motivos da soltura permanecem alheios à normalidade, todavia, será respeitada a autonomia de cada instituição, cabendo ao Ministério Público a fiscalização externa da atividade policial.

A Polícia Militar permanece incansável no combate ao tráfico de drogas, considerando que este crime é a raiz de todos os demais que influenciam diretamente na segurança pública.

Somos a Polícia Militar. Por pessoas do bem, para o bem das pessoas.

PM rebate

O comandante da PM, Evaldo Hoffmann rebateu as afirmações de Beber. Leia aqui.

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"Como vou tirar a liberdade de uma pessoa sem provas", indaga delegado

Divulgação PM
Dinheiro e outros itens apreendidos pela PM
Dinheiro e outros itens apreendidos pela PM
Terça, 24/5/2016 11:11.

O comando do 12º Batalhão da Polícia Militar publicou em sua página no Facebook um questionamento à Polícia Civil de Balneário Camboriú que liberou uma suposta traficante de drogas, presa no último sábado (21). O Página 3 ouviu representantes da Civil, que esclareceram o fato.

Delegada regional

A delegada regional Magali Nunes Ignácio ficou sabendo do ocorrido pela reportagem, e afirmou que não tem tempo para acompanhar o Facebook da PM.

“Cada delegado tem autonomia para avaliar a situação e definir se ela é digna de prisão ou não. Não quero fazer juízo de valor, mas se ele (o delegado) não a manteve presa foi porque tinha motivo”, disse.

Ela acrescentou ainda que a Polícia Militar deveria ter a comunicado sobre o fato, para que um processo administrativo contra a mulher fosse realizado. “Já que ela possui um comércio, ela jamais poderia estar usando esse espaço para vender drogas, o que também é ilegal”, comentou.

Delegado da Comarca

O delegado responsável pela Delegacia da Comarca de Balneário Camboriú, David Queiroz de Souza, opinou que normalmente as pessoas confundem a não-prisão com a ideia de impunidade.

“Não é porque a mulher foi flagrada que ela ficará presa. Além de que há a diferença entre usuário de drogas e traficante. É preciso saber se o delegado plantonista (na ocasião era o doutor José Eliomar Beber) a identificou como usuária, já que ela estava com poucas porções de cocaína. Se ele entendeu que a droga era para uso não cabe prisão. O dinheiro poderia ser proveniente do ponto comercial dela”, informou.

Queiroz lembrou ainda que o dever do delegado é garantir prisões justas. “Não podemos colocar pessoas na cadeia sem ter certeza que elas são culpadas. Esse caso com certeza não foi engavetado e certamente já foi repassado ao juiz. Porém, não podemos ser injustos. É a vida de uma pessoa que está em jogo. A PM às vezes confunde as coisas, e nós trabalhamos focados em não cometer injustiças”, salientou.

O delegado afirmou ainda que ficou sabendo que a forma como a Polícia Militar apresentou o caso, demonstrou que não foi uma prisão em flagrante.

O que diz o delegado responsável

O delegado José Eliomar Beber, que atendeu o caso, afirma que a PM alega que a mulher seja traficante, mas que ela não tinha passagens pela polícia por esse crime e que nunca foram encontrados usuários de drogas no estabelecimento dela.

“Não tinha prova concreta. No comércio dela foram encontradas quatro buchinhas de cocaína, e o marido dela assumiu a posse, confirmou que é usuário. Os R$ 15 mil encontrados no carro da mulher e do marido dela eram provenientes da venda de um veículo e de uma lanchonete, e eles dizem que podem comprovar isso. Por enquanto, o dinheiro está apreendido, e estamos esperando a prova”, explica.

Beber salienta que a história é complexa e que há cerca de dois anos a mulher denunciou dois policiais militares. “Ela diz que eles a perseguem, e inclusive os PMs que atenderam o caso disseram que estavam monitorando o local há 30 dias e que ele era visitado por vários usuários. Pedi que eles comprovassem, que me mostrassem um usuário que comprou droga lá, e eles não tinham nenhuma prova. Ou eles são incompetentes ou possuem alguma segunda intenção”, diz.

O delegado salienta que durante as buscas no comércio, o marido da investigada afirmava que a droga era dele, e os PMs o ignoravam. “Chegaram a dizer para ele cair fora de lá. Ele inclusive insistiu para fazer o exame toxicológico, dizendo que a mulher não tinha nada a ver com a droga, mas eles (os militares) o ignoravam. Queriam prender a mulher a todo custo. Como é que eu vou tirar a liberdade de uma pessoa sem provas? Essa ocorrência era uma farsa, eu percebi isso diante dos fatos apresentados”, informa.

Beber disse ainda que se alguém perceber que ele errou, então ele será julgado pelo Fórum competente. “Não cabe à PM alegar isso para a imprensa. Eu não cometo esse tipo de abuso. Tenho 12 anos de atuação em Balneário Camboriú. Tenho autoridade para saber se devo prender alguém ou não. Isso compete a mim. Eles (os PMs) que façam o trabalho deles e deixem que eu faço o meu”, finaliza.

Confira abaixo o texto publicado pela PM:

12° BPM PRENDE MULHER PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS

Diariamente, diversas denúncias referente ao tráfico de drogas chegaram aos policiais da Agência de Inteligência do 12° BPM. Desta vez o crime de tráfico de drogas estaria sendo praticado por uma mulher, dona de uma mercearia localizada na Rua José Damásio Duarte, bairro Barra, próximo ao cemitério.

Em posse das informações, a guarnição iniciou o monitoramento da suspeita e do veículo Renault/Megane que ela utilizava. Em seu comércio foi constatado uma movimentação intensa de usuários de drogas. Além do local não possuir nome, funcionando de forma ilegal, era utilizado para mascarar o tráfico. Durante este sábado (21), os policiais realizaram o acompanhamento da mulher, realizando a abordagem da mesma.

Após busca veicular, foi localizada uma embalagem contendo cocaína e R$ 15.000,00 em espécie, os quais a envolvida não soube explicar a procedência. Em diligências na sua mercearia foram localizadas no balcão do caixa, outras três porções da mesma substância, embaladas em plástico branco, prontas para a venda. Além da droga, também foi encontrado o material utilizado para a embalagem e pesagem, bem como o papel filme, faca, tesoura e uma balança de precisão. No quarto da autora, que fica anexo ao seu comércio, foram localizados anabolizantes e um celular contendo mensagens referentes ao tráfico de drogas. Diante do flagrante foi dada voz de prisão e encaminhada a Delegacia de Polícia Civil.

Mesmo diante de todo o conjunto probatório e depoimento dos policiais, em pouco tempo ela foi libertada.

Os motivos da soltura permanecem alheios à normalidade, todavia, será respeitada a autonomia de cada instituição, cabendo ao Ministério Público a fiscalização externa da atividade policial.

A Polícia Militar permanece incansável no combate ao tráfico de drogas, considerando que este crime é a raiz de todos os demais que influenciam diretamente na segurança pública.

Somos a Polícia Militar. Por pessoas do bem, para o bem das pessoas.

PM rebate

O comandante da PM, Evaldo Hoffmann rebateu as afirmações de Beber. Leia aqui.

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