Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

PF suspeita que esquema irrigou campanha do PSB

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Wilson Dias/AB.
Eduardo e Marina, a chapa "Unidos pelo Brasil" tinha contas mal explicadas.

Quarta, 22/6/2016 7:54.

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho (AE)

A Operação Turbulência, da Polícia Federal, prendeu nesta terça-feira, 21, quatro empresários suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro - em nome de dois deles estava o jato Cessna que caiu em agosto de 2014, durante a eleição presidencial, e matou Eduardo Campos (PSB). Segundo as investigações, a fraude teria movimentado R$ 600 milhões desde 2010, com empresas de fachada em Pernambuco e Goiás, e pode ter irrigado a campanha de Campos e sua vice, a ex-ministra Marina Silva (atualmente na Rede).

As apurações foram iniciadas após o acidente em Santos. Entre os presos, João Carlos Lyra de Melo Filho e Apolo Santana Vieira eram os donos do avião, e Eduardo Bezerra Leite e Arthur Lapa Rosal teriam financiado a compra do jato.

A PF analisou movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de empresas envolvidas na compra do avião. Segundo as apurações, as empresas eram de fachada e realizavam diversas transações entre si e com outras empresas fantasmas, até mesmo com investigadas na Operação Lava Jato, que repassou informações para a Turbulência.

"O esquema foi usado para pagar propina na campanha do governador (em 2010, para a reeleição)", afirmou a delegada federal Andrea Pinho. Ela explicou que "a movimentação financeira não foi só para a compra do avião". "As empresas realizavam movimentações milionárias. Elas integravam uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, que decaiu após a queda do avião."

Segundo o superintendente da PF em Pernambuco, Marcello Cordeiro, os suspeitos eram operadores "profissionais". "Trabalham onde podem levar vantagens, para quem quiser. São freelancers de recursos obscuros."

O esquema funcionava, conforme a PF, a partir de obras federais. Há suspeita de que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas servia para pagamento de propina e formação de "caixa dois". Foi citado o caso no qual a OAS teria repassado R$ 18,8 milhões à empresa Câmara de Vasconcelos, de Lyra, que foi usada na compra do avião. O pagamento foi justificado para a realização de terraplenagem nas obras de transposição do Rio São Francisco. A OAS não comentou.

Mobilização

A PF mobilizou 200 agentes para cumprir 22 mandados de condução coercitiva, cinco de prisão e 33 de busca e apreensão. Dezesseis mandados foram cumpridos. Paulo César de Barros Morato é considerado foragido. Os mandados foram cumpridos em seis cidades de Pernambuco e duas de Goiás.

Lyra e Bezerra foram presos no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e levado para o Recife. Eles embarcariam para Miami e tinham US$ 10 mil em dinheiro. Coval e Vieira foram presos no Recife. A PF apreendeu quatro carros de luxo, três aeronaves - dois helicópteros e um avião. Os bens tem valor estimado em R$ 9 milhões.

A defesa de Lyra disse que só se manifesta após ter acesso à investigação. A direção nacional do PSB disse que "apoia" as investigações e afirmou que "não restarão quaisquer dúvidas de que a Campos não cometeu nenhum ato ilícito". Em nota, Marina afirmou que a "logística de deslocamento" de Campos e de sua comitiva era de responsabilidade exclusiva do PSB. Ela também afirmou que viajou oito vezes na aeronave, "sempre na companhia do ex-governador para cumprir agendas conjuntas", e disse que sempre preferiu voos comerciais. Ela disse apoiar as investigações.

TSE ainda analisa contas de Campanha do PSB 

Por Isadora Peron (AE)

Os novos fatos trazidos à tona pela Operação Turbulência, da Polícia Federal, devem ser considerados durante o julgamento da prestação de contas da campanha à Presidência de Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) em 2014. Os processos ainda estão sob análise do ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo informações de pessoas com trânsito no tribunal superior, mesmo que as contas dos dois estejam sendo analisadas separadamente, as futuras revelações sobre o caso podem ser também incluídas na prestação de Marina.

Para que isso aconteça, basta que o Ministério Público Eleitoral ou algum partido entre com essa demanda no tribunal. Segundo um procurador que já atuou na esfera eleitoral, o fato de Marina também ter feito viagens no jatinho durante a campanha já seria o suficiente para implicar a ex-ministra em desdobramentos das investigações da PF.

Até hoje, um ano e oito meses depois da eleição, o PSB não enviou ao TSE os comprovantes da doação de horas de voo do Cessna Citation. Um advogado do partido afirma que isso não foi feito até agora porque a sigla nunca recebeu do órgão competente uma estimativa das horas voadas pela aeronave. A princípio, toda prestação de contas deveria ter sido entregue em novembro de 2014.

Por se tratar de um caso singular, não há consenso sobre que pena poderia ser aplicada caso as contas de Marina sejam rejeitadas pelo TSE. Para um assessor do tribunal, hoje as punições na esfera eleitoral são majoritariamente voltadas para quem foi eleito, como a eventual perda de mandato, e não para quem não venceu a disputa, como Marina. 


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Publicidade


Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade