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Publicitário de Dilma Rousseff confirma que recebeu através de caixa 2

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EBC.
A moça honesta e prendada teve parte da campanha paga com dinheiro de roubalheira.

Sexta, 22/7/2016 8:24.

O publicitário João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, confirmaram ontem (21), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que receberam pagamento no exterior referente a uma dívida de campanha do PT nas eleições de 2010. As oitivas foram realizadas na ação penal em que os investigados respondem na Operação Lava Jato. Ambos estão presos desde fevereiro em Curitiba.

Durante o depoimento, Mônica Moura, que era responsável pela parte financeira da empresa de marketing do casal, informou que recebeu US$ 4,5 milhões em uma conta off shore na Suíça, controlada pelo empresário Zwi Skornick, acusado de operar os pagamentos ilegais, segundo investigadores da Lava Jato.

Conforme Mônica, o repasse era referente a uma dívida por serviços prestados ao PT durante a campanha da presidenta Dilma Rousseff em 2010. A empresa do casal fez o trabalho de marketing político da campanha.

Ela relatou que, em 2013, passou a pressionar o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, para que o pagamento da dívida, estimada em US$ 10 milhões, fosse feito. A partir daí, segundo ela, foi orientada por Vaccari a procurar Skornick, que seria responsável pelo pagamento de uma parcela.

Questionada pelo juiz Sérgio Moro se os pagamentos foram registrados na Justiça Eleitoral, Mônica Moura respondeu: “Não, não foi. Foi caixa dois mesmo”.

Ao ser indagada por que não confirmou o recebimento anteriormente, nos depoimentos prestados à Polícia Federal, a mulher de João Santana afirmou que não falou a verdade porque não queria atrapalhar o processo de impeachment. Nos depoimentos, o casal alegou que os recursos depositados na conta eram de campanhas feitas no exterior.

Impeachment

“Eu não quis atrapalhar o processo, não quis incriminá-la [Dilma]. Não quis colocar isso porque achava que iria piorar a situação. Achava que ia contribuir para piorar a situação do país falando o que realmente aconteceu. E acabei falando que foi recebimento de uma campanha no exterior. Eu queria apenas poupar, não piorar a situação que estava acontecendo naquele momento.”

João Santana também indicou o mesmo motivo para não ter confirmado anteriormente o recebimento. “Achava que isso poderia prejudicar profundamente a presidenta Dilma. Nesse momento, eu raciocinava comigo. Eu que ajudei na eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidenta. Nessa época, se iniciava o processo de impeachment, mas ainda não havia nada aberto. Sabia que isso poderia gerar um grave problema, ” disse Santana,

Mônica Moura também admitiu que a maioria das campanhas políticas é feita por meio de recursos não declarados.

“Os trabalhos de politicos sempre são pagos em caixa dois. “No meu trabalho, na minha atividade, isso acontece sempre. Os partidos não querem declarar o valor real que recebem das empresas. Em contrapartida, as empresas não querem declarar o valor real dado a cada partido e, nós, profissionais, ficamos no meio disso. Portanto, nunca era declarado todo o valor”, acrescentou.

Durante depoimento prestado hoje ao juiz Sérgio Moro, João Vaccari, citado no depoimento, preferiu ficar em silêncio. Em nota, o PT declarou que todas as “operações do partido foram feitas dentro de legalidade”. O partido também ressaltou que a s contas de campanha eleitoral de 2010 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. 

Empresário diz em delação que doações legais ao PT foram pagamento de propina

O engenheiro Zwi Skornicki, preso na 23ª fase da Operação Lava Jato, disse ontem (21) que as empresas Keppel Fels e Technip fizeram doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores (PT) como parte da propina acertada por contrato firmado com a Petrobras para construção da plataforma P-56. Skornicki prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, em acordo de delação premiada celebrado com o Ministério Público Federal (MPF).

A afirmação foi feita quando Moro perguntou a Skornicki como eram feitos os repasses de dinheiro ao PT. “Na P-56, como houve doações legais da propina, teve a participação do Frédéric Delormel [presidente da Technip], que organizou como fazer essas doações legais ao partido”, relatou o engenheiro, que é representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels.

Em 2002, a Technip e a Keppel Fels se uniram em um consórcio, a FSTP, que venceu, no ano seguinte, a licitação da Petrobras para a construção das plataformas P-51 e P-52. Skornicki conta que havia acertado com o consultor Raul Schmidt Felippe Júnior o pagamento de propina à Petrobras para garantir que o consórcio venceria a licitação.

Segundo o engenheiro, na véspera do envio das propostas pelas empresas, Schmidt entregou a ele uma cópia do orçamento que a Petrobras pretendia pagar à empresa vencedora. Schmidt foi preso em março, em Portugal, e aguarda extradição para o Brasil.

“O valor que tinha sido proposto era de 0,6% para a P-51 e de 0,7% para a P-52”, contou. Segundo ele, a propina era destinada a pessoas da Petrobras: “[Schmidt] não me disse os nomes, porque ele queria manter isso em segredo. Era o trabalho dele”. O engenheiro calcula que o valor dos pagamentos referentes a essas plataformas foi de, pelo menos, US$ 9 milhões.

Plataformas P-56 e P-58

Segundo o engenheiro, no caso dos contratos para a realização das plataformas P-56 e P-58, o intermediário das propinas passou a ser o ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco.

“Ele disse que eu teria que atender também às necessidades do PT. Ficou combinado que seria de 1% a comissão, 0,5% ficaria para o grupo dele e os outros 0,5% para o partido”, relatou o delator, que disse também ter sido apresentado ao ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto por Barusco.

Os pagamentos ao PT, segundo Skornicki, eram feitos através de uma conta-corrente aberta no exterior para pessoas indicadas por Vaccari. “Uma das pessoas foi a Mônica [Moura, esposa do publicitário João Santana]. Foram pagos US$ 5 milhões a ela, em dez parcelas de US$ 500 mil”.

Hoje, também em depoimento a Moro, Mônica Moura disse que os pagamentos efetuados por Skornicki foram utilizados como caixa 2 da campanha eleitoral de 2010 do PT.

Navios-sonda

No depoimento desta quinta-feira, Zwi Skornicki também confirmou que houve pagamento de propina para que a Keppel Fels fechasse contrato com a Sete Brasil para a construção de seis navios-sonda. De acordo com o relato, propina exigida era de 1,2%, mas a empresa de Singapura só aceitava pagar 0,9%. Segundo ele, Barusco aceitou a proposta com uma condição: “Ele me disse que tinha feito todo esse trabalho sozinho, e pediu pra que eu pagasse mais 0,1% por fora, sem conhecimento das partes. Assim foi feito”.

Moro também perguntou ao engenheiro por que motivo a Keppel Fels aceitou continuar pagando propina em novos contratos com a Petrobras e com a Sete Brasil, em vez de simplesmente participar das licitações. Skornicki respondeu: “Pra não termos nenhum embaraço durante as obras, nenhuma interferência. Para não atrapalhar, essa é a verdade. E aí, realmente ficou como se fosse uma coisa corriqueira. Acabou ficando um troço tão intrínseco, tão automático”, acrescentou.

Outro lado

O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores João Vaccari Neto, preso em abril do ano passado, também foi levado a depor hoje na 13ª Vara Federal de Curitiba, mas optou por permanecer em silêncio.

O PT divulgou uma nota contestando os depoimentos de Zwi Skornicki e Mônica Moura. Segundo o comunicado, “todas as operações do PT foram feitas dentro da legalidade. As contas da campanha eleitoral de 2010 foram, inclusive, aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

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