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Esquema de Cachoeira e Delta lavou R$ 370 milhões

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EBC.
Este cidadão é procurado pela polícia

Sexta, 1/7/2016 7:11.

Por Roberta Pennafort, colaboraram Vinicius Neder e Constança Rezende

Rio, 30 (AE) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 30, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e mais três suspeitos de envolvimento em um esquema que lavou R$ 370,4 milhões em recursos públicos federais. Quinto alvo da operação e apontado como chefe da quadrilha é Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções, que é considerado foragido - está, possivelmente, na Europa, segundo a PF. A empreiteira e 18 empresas de fachada que serviam a ela são apontadas como parte da engenharia montada para lavar o dinheiro

A Operação Saqueador, planejada pela PF e pelo Ministério Público Federal, apurou que o esquema fraudulento montado em torno da Delta resultou no desvio de verbas destinadas a obras entre 2007 a 2012. São obras superfaturadas ou que sequer foram realizadas. Segundo os investigadores, servidores públicos e políticos receberam propinas da empreiteira, mas nenhum foi nominado na denúncia apresentada nesta quinta.

Foram identificadas três organizações criminosas que agiam em conjunto: uma dentro da Delta, outra liderada por Adir Assad e Marcelo Abbud, donos de empresas fantasmas, e uma terceira por Cachoeira, também proprietário de empresas do gênero. Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, foram presos em Goiânia. Assad e Abbud em São Paulo.

Cavendish embarcou no último 22 do Rio para a Europa, segundo a PF, que não divulgou o destino do voo. O empreiteiro será procurado com a ajuda de Interpol. Ontem cedo, a PF chegou a procurá-lo em seu apartamento, de frente para a praia do Leblon, área nobre da zona sul carioca. No imóvel, os agentes apreenderam um cofre. Da sede da empresa, no centro, levaram um malote de documentos.

Mais 18 pessoas 14 funcionários da Delta, duas sócias de empresas de fachada e dois contadores - foram denunciadas pelo MPF como operadores do esquema. Todos pelos mesmos crimes: lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A PF foi aos endereços indicados como sedes das empresas de fachada, com as quais eram firmados contratos fictícios, e encontrou um consultório de dentista em Santana de Parnaíba (SP) e uma loja de material de construção na capital paulista, além de residências e áreas descampadas. Segundo os investigadores, as empresas emitiam notas fiscais frias, "limpando" o dinheiro.

Depois, os valores eram sacados em espécie para o pagamento de propinas, disse o procurador Leandro Mitidieri, autor da denúncia. "As investigações foram centradas na Delta, mas (os corrompidos) podem ser desde servidores públicos a políticos." As notas frias eram expedidas para a Delta e outras empresas corruptas, segundo as investigações.

Entre as obras da Delta que constam da denúncia está a do Parque Aquático Maria Lenk, construído no Rio para o Pan Americano de 2007 com dispensa indevida de licitação, e que agora será usado ma Olimpíada. Outra obra é a transposição do Rio Turvo (RJ), para a qual foram destinados R$ 80 milhões. A transposição jamais aconteceu. Cavendish chegou a ser condenado a quatro anos e meio de prisão em regime semiaberto pelo desvio dessa verba, em 2013.

No Rio, o empresário matinha relação próxima com o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que não é alvo da operação deflagrada nesta quinta.

Construtora

Apesar de investigada por envolvimento em esquemas de corrupção há pelo menos quatro anos, a Delta continua autorizada a receber dinheiro público. O governo federal a declarou inidônea em junho de 2012 por desvio de verbas federais, mas a decisão foi suspensa ano passado.

No período investigado - 2007 a 2012 -, quase todo o faturamento da empresa Delta (96,3%, cerca de R$ 11 bilhões), foi oriundo de contratos com instituições públicas.

Para chegar aos alvos, os investigadores utilizaram informações de operações da PF de 2012 - Vegas e Monte Carlo - que tiveram como foco os negócios ilegais de Cachoeira, que coleciona acusações por crimes como exploração de jogo de azar, corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e contrabando. Trechos da delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez, na Lava Jato, também foram usadas. 

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