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Andrade Gutierrez confessa cartel em arenas da Copa
EBC.
Maracanã também foi alvo das empreiteiras e seus contratantes.

Terça, 6/12/2016 5:23.

CAMILA MATTOSO E JULIO WIZIACK - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A construtora Andrade Gutierrez confessou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ter feito parte de um cartel que dividiu a construção de pelo menos oito arenas da Copa do Mundo de 2014.
A empreiteira mineira revelou ainda que o conluio envolveu até o Estádio do Morumbi (SP), que depois acabou ficando fora da Copa.

As informações constam de um novo acordo de leniência da Andrade com o Cade divulgado nesta segunda-feira (5). Além da construtora mineira, também participaram Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão.

O Cade tem detalhes de cinco arenas construídas pelo cartel: Castelão (Fortaleza), Dunas (Natal), Maracanã (Rio), Pernambuco e Fonte Nova (Salvador). Nelas, a Andrade tomou parte.

Nas demais, a construtora entregou documentos e evidências mostrando a participação de concorrentes. Dois deles foram mantidos em sigilo porque estão sob investigação no âmbito da Operação Lava Jato.

Como essa investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal já está avançada, a Andrade delatou como funcionou o conluio das obras da Copa para escapar de multas caso o cartel seja condenado no Cade.

Segundo a Superintendência Geral do órgão, o cartel funcionou de outubro de 2007, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa, até meados de 2011.

O acerto entre as empreiteiras foi feito em uma reunião em agosto de 2008. Nesse encontro, elas combinaram quem ficaria com cada estádio e os preços. Combinaram ainda quem faria lances nos leilões e as diferenças de ofertas para simular concorrência nos certames.

PRÓXIMOS PASSOS

Segundo o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade Rodrigues, as investigações serão aprofundadas com provas fornecidas, inclusive, pelo próprio Ministério Público Federal.

De acordo com os documentos fornecidos, a Andrade disse ter conhecimento de que a Camargo Corrêa participou das reuniões da divisão dos estádios, mas só tinha interesse na reforma do Morumbi. Na época, o estádio era cotado para receber o Mundial.

A Camargo, porém, desistiu logo que a Arena Corinthians foi escolhida, em junho de 2010, para receber a abertura do evento. No entanto, não se sabe até o momento se o cartel também atuou no estádio do Corinthians.

Entre os estádios da Copa, o cartel também não reformou o Mineirão, em Belo Horizonte. No meio do processo, a obra passou a ser concedida por meio de Parceria Público-Privada (PPP) e não por licitação comum.

Para a Andrade, por esse modelo, o negócio deixava de ser interessante.

Mesmo assim, ainda de acordo com Frade, as duas arenas estão sob investigação e a Camargo Corrêa pode ser responsabilizada mesmo sem ter feito as obras. "A lei [anti-truste] não requer efeito." Para ele, a simples combinação entre concorrentes já configura o crime.

OUTRO LADO

A Camargo Corrêa não comentou sobre sua atuação no cartel. Por meio de sua assessoria, a construtora disse que "firmou acordos de leniência com o Cade e com o Ministério Público Federal em que corrige irregularidades e reitera que não participou de nenhum projeto de construção de estádio para Copa."

A OAS não quis se manifestar. A Queiroz Galvão e a Odebrecht informaram que não comentam investigações e processos em andamento. 

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Andrade Gutierrez confessa cartel em arenas da Copa

EBC.
Maracanã também foi alvo das empreiteiras e seus contratantes.
Maracanã também foi alvo das empreiteiras e seus contratantes.
Terça, 6/12/2016 5:23.

CAMILA MATTOSO E JULIO WIZIACK - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A construtora Andrade Gutierrez confessou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ter feito parte de um cartel que dividiu a construção de pelo menos oito arenas da Copa do Mundo de 2014.
A empreiteira mineira revelou ainda que o conluio envolveu até o Estádio do Morumbi (SP), que depois acabou ficando fora da Copa.

As informações constam de um novo acordo de leniência da Andrade com o Cade divulgado nesta segunda-feira (5). Além da construtora mineira, também participaram Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão.

O Cade tem detalhes de cinco arenas construídas pelo cartel: Castelão (Fortaleza), Dunas (Natal), Maracanã (Rio), Pernambuco e Fonte Nova (Salvador). Nelas, a Andrade tomou parte.

Nas demais, a construtora entregou documentos e evidências mostrando a participação de concorrentes. Dois deles foram mantidos em sigilo porque estão sob investigação no âmbito da Operação Lava Jato.

Como essa investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal já está avançada, a Andrade delatou como funcionou o conluio das obras da Copa para escapar de multas caso o cartel seja condenado no Cade.

Segundo a Superintendência Geral do órgão, o cartel funcionou de outubro de 2007, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa, até meados de 2011.

O acerto entre as empreiteiras foi feito em uma reunião em agosto de 2008. Nesse encontro, elas combinaram quem ficaria com cada estádio e os preços. Combinaram ainda quem faria lances nos leilões e as diferenças de ofertas para simular concorrência nos certames.

PRÓXIMOS PASSOS

Segundo o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade Rodrigues, as investigações serão aprofundadas com provas fornecidas, inclusive, pelo próprio Ministério Público Federal.

De acordo com os documentos fornecidos, a Andrade disse ter conhecimento de que a Camargo Corrêa participou das reuniões da divisão dos estádios, mas só tinha interesse na reforma do Morumbi. Na época, o estádio era cotado para receber o Mundial.

A Camargo, porém, desistiu logo que a Arena Corinthians foi escolhida, em junho de 2010, para receber a abertura do evento. No entanto, não se sabe até o momento se o cartel também atuou no estádio do Corinthians.

Entre os estádios da Copa, o cartel também não reformou o Mineirão, em Belo Horizonte. No meio do processo, a obra passou a ser concedida por meio de Parceria Público-Privada (PPP) e não por licitação comum.

Para a Andrade, por esse modelo, o negócio deixava de ser interessante.

Mesmo assim, ainda de acordo com Frade, as duas arenas estão sob investigação e a Camargo Corrêa pode ser responsabilizada mesmo sem ter feito as obras. "A lei [anti-truste] não requer efeito." Para ele, a simples combinação entre concorrentes já configura o crime.

OUTRO LADO

A Camargo Corrêa não comentou sobre sua atuação no cartel. Por meio de sua assessoria, a construtora disse que "firmou acordos de leniência com o Cade e com o Ministério Público Federal em que corrige irregularidades e reitera que não participou de nenhum projeto de construção de estádio para Copa."

A OAS não quis se manifestar. A Queiroz Galvão e a Odebrecht informaram que não comentam investigações e processos em andamento. 

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