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Páscoa: Um renascer para uma nova vida
Arquivo Pessoal
Felipe Gustavo Koch Buttelli

Quarta, 17/4/2019 12:35.

Por Felipe Gustavo Koch Buttelli

A Páscoa é o centro da vida cristã.

É o evento mais importante no ano litúrgico, junto com o Natal.

Como o apóstolo Paulo afirma: “E, se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar, e vocês não têm nada para crer.” 1 Cor. 15.14.

A fé cristã inicia desde a perspectiva da vivência da cruz por Jesus Cristo, que encontra seu ápice na vitória sobre a morte. É a certeza da ressurreição que nos abre a porta para a confiança de que as promessas de Deus para nossa vida superam quaisquer desafios, quaisquer adversidades, quaisquer limites. Inclusive a morte, que já não é a última palavra sobre a vida.

A Páscoa é a certeza de que há uma nova vida para quem confia naquilo que Cristo promove por nós.

Deste modo, as comunidades primitivas pelos séculos III e IV compreenderam que o batismo é o rito cristão que sacramenta a participação de cada pessoa na morte e na ressurreição de Cristo. No batismo, morremos para as coisas antigas e renascemos em Cristo como novas criaturas. Como afirma Paulo: “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo” (2 Cor. 5.17).

Por isso, os cultos de páscoa eram as ocasiões mais significativas para a celebração do batismo. Ali, as pessoas que se deixavam batizar abdicavam de sua vida antiga, mergulhavam nas águas do batismo e renasciam na comunidade daqueles que creem na ressurreição, que seguem Cristo, o ressurreto.

Os batismos ocorriam cedo pela manhã de modo que, após a imersão nas águas, as pessoas batizadas se reerguiam olhando para o oriente (Mt. 24. 27-31), de onde vem a luz da manhã, a luz de Cristo. Até hoje o círio pascal, a vela que se acende na Páscoa, representa a ressurreição de Cristo e, no batismo, muitas comunidades – como a nossa – entregam uma vela batismal para cada criança ou pessoa adulta, como modo de recordar que no seu batismo ela recebeu a luz da ressurreição. Uma nova vida. Um detalhe interessante é que os batismos, que ocorriam nos cultos de Páscoa, aconteciam após o período da quaresma, quando os catecúmenos (aqueles que recebiam educação antes de serem batizados) jejuavam, oravam e aprendiam a doutrina dos apóstolos. Deste modo, o batismo e a Páscoa são compreendidos como vitória, ao fim de um processo de silêncio, de contrição, de penitência.

Isto certamente pode ser um aprendizado para as nossas vidas hoje. Somos a comunidade das pessoas que confiam em Deus e que esperam pela ressurreição. Cremos que a vitória de Cristo sobre a morte demonstra o poder de Deus sobre todas as coisas, de modo que não temos nada a temer nesta vida. Ao celebrarmos a Páscoa, recordamos que somos pessoas batizadas, que recebemos a luz desta nova vida que já se iniciou aqui. Que este período de caminhada na quaresma que se encerra na Páscoa possa ser um período em que exercitamos a resiliência, nossa capacidade de aprender a lidar com as adversidades. Período de experimentarmos a contrição e a penitência, em que cada pessoa experimenta a sua cruz que também Cristo carregou. Mas que no final não se encerra nisso. Há uma nova vida, chance de mudança e transformação para todos e todas nós.

Que neste caminho possamos encontrar consolo no nosso batismo. Como Lutero também encontrou, ao talhar em sua mesa de madeira a cada vez que passava por dificuldades: “batizado sou”.

Felipe Gustavo Koch Buttelli é doutor em teologia e candidato ao pastorado na igreja luterana Martin Luther

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Páscoa: Um renascer para uma nova vida

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Felipe Gustavo Koch Buttelli
Felipe Gustavo Koch Buttelli

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Quarta, 17/4/2019 12:35.

Por Felipe Gustavo Koch Buttelli

A Páscoa é o centro da vida cristã.

É o evento mais importante no ano litúrgico, junto com o Natal.

Como o apóstolo Paulo afirma: “E, se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar, e vocês não têm nada para crer.” 1 Cor. 15.14.

A fé cristã inicia desde a perspectiva da vivência da cruz por Jesus Cristo, que encontra seu ápice na vitória sobre a morte. É a certeza da ressurreição que nos abre a porta para a confiança de que as promessas de Deus para nossa vida superam quaisquer desafios, quaisquer adversidades, quaisquer limites. Inclusive a morte, que já não é a última palavra sobre a vida.

A Páscoa é a certeza de que há uma nova vida para quem confia naquilo que Cristo promove por nós.

Deste modo, as comunidades primitivas pelos séculos III e IV compreenderam que o batismo é o rito cristão que sacramenta a participação de cada pessoa na morte e na ressurreição de Cristo. No batismo, morremos para as coisas antigas e renascemos em Cristo como novas criaturas. Como afirma Paulo: “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo” (2 Cor. 5.17).

Por isso, os cultos de páscoa eram as ocasiões mais significativas para a celebração do batismo. Ali, as pessoas que se deixavam batizar abdicavam de sua vida antiga, mergulhavam nas águas do batismo e renasciam na comunidade daqueles que creem na ressurreição, que seguem Cristo, o ressurreto.

Os batismos ocorriam cedo pela manhã de modo que, após a imersão nas águas, as pessoas batizadas se reerguiam olhando para o oriente (Mt. 24. 27-31), de onde vem a luz da manhã, a luz de Cristo. Até hoje o círio pascal, a vela que se acende na Páscoa, representa a ressurreição de Cristo e, no batismo, muitas comunidades – como a nossa – entregam uma vela batismal para cada criança ou pessoa adulta, como modo de recordar que no seu batismo ela recebeu a luz da ressurreição. Uma nova vida. Um detalhe interessante é que os batismos, que ocorriam nos cultos de Páscoa, aconteciam após o período da quaresma, quando os catecúmenos (aqueles que recebiam educação antes de serem batizados) jejuavam, oravam e aprendiam a doutrina dos apóstolos. Deste modo, o batismo e a Páscoa são compreendidos como vitória, ao fim de um processo de silêncio, de contrição, de penitência.

Isto certamente pode ser um aprendizado para as nossas vidas hoje. Somos a comunidade das pessoas que confiam em Deus e que esperam pela ressurreição. Cremos que a vitória de Cristo sobre a morte demonstra o poder de Deus sobre todas as coisas, de modo que não temos nada a temer nesta vida. Ao celebrarmos a Páscoa, recordamos que somos pessoas batizadas, que recebemos a luz desta nova vida que já se iniciou aqui. Que este período de caminhada na quaresma que se encerra na Páscoa possa ser um período em que exercitamos a resiliência, nossa capacidade de aprender a lidar com as adversidades. Período de experimentarmos a contrição e a penitência, em que cada pessoa experimenta a sua cruz que também Cristo carregou. Mas que no final não se encerra nisso. Há uma nova vida, chance de mudança e transformação para todos e todas nós.

Que neste caminho possamos encontrar consolo no nosso batismo. Como Lutero também encontrou, ao talhar em sua mesa de madeira a cada vez que passava por dificuldades: “batizado sou”.

Felipe Gustavo Koch Buttelli é doutor em teologia e candidato ao pastorado na igreja luterana Martin Luther

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