Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Opinião
Chega de pedras às críticas construtivas!

Oceanógrafo defende o debate democrático e respeitoso das ideias

Terça, 27/2/2018 9:11.
Ivan Rupp/PMBC

Publicidade

Fernando Luiz Diehl*

Balneário Camboriú é um município invejado por muitos brasileiros e também pela maioria dos municípios brasileiros. Situa-se no litoral, tem um clima excepcional de raras intempéries, é protegido pelas morrarias e pelos promontórios, e possui contrastes impressionantes, entre o verde das matas, as areias de diferentes tons e granulações, e a cor verde esmeralda do mar. Uma cidade abençoada por Deus, diriam as pessoas de muita fé. Para outros, um cartão postal de Santa Catarina.

Prestes a celebrar 54 anos de emancipação política, Balneário Camboriú mudou muito com o passar dos anos. Dos diversos rios e córregos e longas lagunas costeiras que nos primórdios do turismo marcaram a cidade como a Princesa das Águas de Santa Catarina, da badalada vida noturna e da grande variedade de restaurantes e outros serviços oferecidos pela cidade, hoje o município se destaca por ostentar os maiores e mais modernos edifícios do país, ao ponto de ganhar o apelido “Dubai brasileira”.

Tal termo foi empregado por uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, cuja pauta apontava a falta de sol no período da tarde e o efeito dos ventos canalizados, causados justamente pelos edifícios que hoje lhe dão “novo reconhecimento”. O resultado de tal reportagem foram inúmeros ataques à emissora, que com seus argumentos estaria prejudicando a cidade.

Muitos se ofenderam. Outros, nem tanto. Isso porque, apesar do reconhecimento internacional da cidade por seus diversos atrativos, é fato de que algumas decisões tomadas pelas gestões públicas no decorrer das últimas décadas foram inegavelmente equivocadas, ainda que mereçam todo respeito pelas positivas consequências econômicas e sociais para a cidade e seu povo. Mas se o desenvolvimento chegou aonde chegou, é certo que se deu levando-se em conta suas consequências, apesar de que muitos atores que conduziram tal processo nunca se preocuparam com os efeitos desta forma de crescimento.

Entendemos que quando um projeto de grande impacto é apresentado pelo Poder Público visando o desenvolvimento da cidade, este deve ser amplamente discutido, até mesmo criticado, para que possa ser aprimorado ou mesmo repensado. E os exemplos no mundo desta prática são muitos. É uma prática salutar. Afinal, Balneário Camboriú é o lar, a residência de pessoas de inegável capacidade técnica e científica, que escolheram a cidade para viver, e que por isso, pelo valor e conhecimento que detém, devem ser ouvidas, devem até mesmo ser convidadas a opinar.

Falo a respeito desse tema com alguma propriedade. Há mais de 30 anos vivo o dia a dia de Balneário Camboriú. Mais da metade da minha vida aqui residi. Meus dois filhos nasceram aqui. Minhas empresas têm sede aqui, onde contribuo para a geração de conhecimento e pago impostos. Conheço profundamente seus atrativos e seus problemas, e quando me manifesto sobre a cidade, sempre é com a clara e humilde intenção de apresentar, ou sugerir, propostas e projetos por uma Balneário Camboriú ainda melhor, mais humana, e ambientalmente sustentável.

Este estímulo intuitivo de cuidar da cidade é uma premissa pessoal. Mas percebo que boas intenções nem sempre são recebidas com a consideração que mereceriam. Nem sempre acertamos, claro, mas como vivenciamos a cidade em sua plenitude, nos permitimos apontar caminhos que consideramos viáveis para o desenvolvimento de nossa cidade.

Por isso, devemos ter em mente que toda crítica construtiva deve ser bem-vinda. Isso porque os valores da cidade devem ser explorados. Os ares cosmopolitas de Balneário Camboriú devem ser sempre considerados. Devemos respeitar o caminho que a cidade escolheu para se desenvolver, mas temos que buscar muito mais para que a cidade seja a melhor do Brasil, quiçá das Américas; por que não, do mundo?

Bons projetos e boas ideias devem ser resgatados, rejuvenescidos, adaptados à modernidade deste século XXI. O Poder Público tem o dever de ouvir e de incentivar a manifestação da população, a fim de construir um planejamento eficiente para tornar Balneário Camboriú sempre melhor, mais moderna, mais sustentável, mais cidadã, e destino turístico mundial, valorizando as belezas naturais que ainda lhe restam, e não são poucas. Tudo isso é possível!

Existem vários exemplos de cidades que se encontravam à beira do fracasso e que, no declínio, se redescobriram, se reinventaram. Não estamos beirando o fracasso, mas a intolerância às boas ideias e críticas, assim como a arrogância presente nos embates entre “situação e oposição”, podem levar a cidade a um caminho tortuoso.

Precisamos de união, de aceitação e de convivência pacífica. É fato que a cidade permanecerá, enquanto seus gestores e legisladores passarão. Compreensão e entendimento são palavras chaves para quem realmente pensa no desenvolvimento de nossa cidade.

*Fernando Luiz Diehl éoceanógrafo, presidente da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Ciências do Mar - ALICMAR, e conselheiro diretor da Associação Brasileira de Oceanografia - AOCEANO.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade


Publicidade














Página 3
Ivan Rupp/PMBC

Chega de pedras às críticas construtivas!

Oceanógrafo defende o debate democrático e respeitoso das ideias

Publicidade

Terça, 27/2/2018 9:11.

Fernando Luiz Diehl*

Balneário Camboriú é um município invejado por muitos brasileiros e também pela maioria dos municípios brasileiros. Situa-se no litoral, tem um clima excepcional de raras intempéries, é protegido pelas morrarias e pelos promontórios, e possui contrastes impressionantes, entre o verde das matas, as areias de diferentes tons e granulações, e a cor verde esmeralda do mar. Uma cidade abençoada por Deus, diriam as pessoas de muita fé. Para outros, um cartão postal de Santa Catarina.

Prestes a celebrar 54 anos de emancipação política, Balneário Camboriú mudou muito com o passar dos anos. Dos diversos rios e córregos e longas lagunas costeiras que nos primórdios do turismo marcaram a cidade como a Princesa das Águas de Santa Catarina, da badalada vida noturna e da grande variedade de restaurantes e outros serviços oferecidos pela cidade, hoje o município se destaca por ostentar os maiores e mais modernos edifícios do país, ao ponto de ganhar o apelido “Dubai brasileira”.

Tal termo foi empregado por uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, cuja pauta apontava a falta de sol no período da tarde e o efeito dos ventos canalizados, causados justamente pelos edifícios que hoje lhe dão “novo reconhecimento”. O resultado de tal reportagem foram inúmeros ataques à emissora, que com seus argumentos estaria prejudicando a cidade.

Muitos se ofenderam. Outros, nem tanto. Isso porque, apesar do reconhecimento internacional da cidade por seus diversos atrativos, é fato de que algumas decisões tomadas pelas gestões públicas no decorrer das últimas décadas foram inegavelmente equivocadas, ainda que mereçam todo respeito pelas positivas consequências econômicas e sociais para a cidade e seu povo. Mas se o desenvolvimento chegou aonde chegou, é certo que se deu levando-se em conta suas consequências, apesar de que muitos atores que conduziram tal processo nunca se preocuparam com os efeitos desta forma de crescimento.

Entendemos que quando um projeto de grande impacto é apresentado pelo Poder Público visando o desenvolvimento da cidade, este deve ser amplamente discutido, até mesmo criticado, para que possa ser aprimorado ou mesmo repensado. E os exemplos no mundo desta prática são muitos. É uma prática salutar. Afinal, Balneário Camboriú é o lar, a residência de pessoas de inegável capacidade técnica e científica, que escolheram a cidade para viver, e que por isso, pelo valor e conhecimento que detém, devem ser ouvidas, devem até mesmo ser convidadas a opinar.

Falo a respeito desse tema com alguma propriedade. Há mais de 30 anos vivo o dia a dia de Balneário Camboriú. Mais da metade da minha vida aqui residi. Meus dois filhos nasceram aqui. Minhas empresas têm sede aqui, onde contribuo para a geração de conhecimento e pago impostos. Conheço profundamente seus atrativos e seus problemas, e quando me manifesto sobre a cidade, sempre é com a clara e humilde intenção de apresentar, ou sugerir, propostas e projetos por uma Balneário Camboriú ainda melhor, mais humana, e ambientalmente sustentável.

Este estímulo intuitivo de cuidar da cidade é uma premissa pessoal. Mas percebo que boas intenções nem sempre são recebidas com a consideração que mereceriam. Nem sempre acertamos, claro, mas como vivenciamos a cidade em sua plenitude, nos permitimos apontar caminhos que consideramos viáveis para o desenvolvimento de nossa cidade.

Por isso, devemos ter em mente que toda crítica construtiva deve ser bem-vinda. Isso porque os valores da cidade devem ser explorados. Os ares cosmopolitas de Balneário Camboriú devem ser sempre considerados. Devemos respeitar o caminho que a cidade escolheu para se desenvolver, mas temos que buscar muito mais para que a cidade seja a melhor do Brasil, quiçá das Américas; por que não, do mundo?

Bons projetos e boas ideias devem ser resgatados, rejuvenescidos, adaptados à modernidade deste século XXI. O Poder Público tem o dever de ouvir e de incentivar a manifestação da população, a fim de construir um planejamento eficiente para tornar Balneário Camboriú sempre melhor, mais moderna, mais sustentável, mais cidadã, e destino turístico mundial, valorizando as belezas naturais que ainda lhe restam, e não são poucas. Tudo isso é possível!

Existem vários exemplos de cidades que se encontravam à beira do fracasso e que, no declínio, se redescobriram, se reinventaram. Não estamos beirando o fracasso, mas a intolerância às boas ideias e críticas, assim como a arrogância presente nos embates entre “situação e oposição”, podem levar a cidade a um caminho tortuoso.

Precisamos de união, de aceitação e de convivência pacífica. É fato que a cidade permanecerá, enquanto seus gestores e legisladores passarão. Compreensão e entendimento são palavras chaves para quem realmente pensa no desenvolvimento de nossa cidade.

*Fernando Luiz Diehl éoceanógrafo, presidente da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Ciências do Mar - ALICMAR, e conselheiro diretor da Associação Brasileira de Oceanografia - AOCEANO.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade