Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Negócios
EUA anunciam tarifas de alumínio e aço contra Europa, Canadá e México

"É inaceitável", afirmou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau,

Sexta, 1/6/2018 11:06.
Arquivo Página 3/Folhapress.

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ESTELITA HASS CARAZZAI
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois que a poeira parecia ter baixado, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (31) a imposição de tarifas ao aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México -e voltaram a provocar temores de uma guerra comercial mundial.

O Brasil, segundo maior exportador de aço aos americanos, permanece excluído das tarifas, após aceitar a imposição de cotas para o produto.
Mas a administração de Donald Trump, que diz ainda não haver acordo satisfatório com Europa, Canadá e México, resolveu fazer valer tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio desses países a partir desta sexta-feira (1º)

São três dos principais aliados dos EUA -e todos anunciaram que devem retaliar.

"Isso é protecionismo, pura e simplesmente", declarou Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. "A União Europeia não pode ficar sem reagir."

"É inaceitável", afirmou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que prometeu retrucar "dólar por dólar". O país anunciou tarifas a produtos americanos a partir do dia 1º de julho, e irá acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a prática.

Já a Alemanha vai responder ao slogan "América primeiro" com "Europa Unida".

O francês Emmanuel Macron declarou que a decisão é "deplorável", por fomentar o nacionalismo econômico.

"E nacionalismo leva à guerra. É um erro", disse Macron.

Especialistas afirmaram que a decisão é inédita, por atingir tradicionais aliados dos EUA e forçá-los a responder com tarifas retaliatórias. Juntos, Europa, Canadá e México são responsáveis por quase 50% do aço e alumínio importados pelos americanos.

"É só o começo de uma saga", afirmou o economista Chad Bown, especialista em comércio internacional do Peterson Institute. Para ele a retaliação pode atingir US$ 48 bilhões em produtos americanos (cerca de 3% das exportações do país em 2017), e trazer consequências ao fluxo internacional de mercadorias.

"Quando o comércio internacional é interrompido e o nível de confiança entre os atores econômicos é seriamente prejudicado, quem mais sofre são os mais pobres", afirmou Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI.

Os EUA fundamentam a decisão na proteção da segurança nacional, argumento visto como frágil por especialistas.

Segundo o governo americano, o excesso de aço e alumínio no mercado mundial compromete a indústria siderúrgica nacional, responsável pelo suprimento da indústria de defesa dos EUA.

As tarifas já estão valendo para determinados países, como Japão, Rússia e China. O último é o principal produtor de aço do mundo ""e, na prática, o grande alvo de Trump.

Segundo a Casa Branca, a ação já provocou "grandes efeitos positivos" na indústria de aço e alumínio dos EUA, em especial na proteção e promoção de empregos no setor.

Mas economistas dizem que a decisão deve encarecer o custo desses insumos no país, além de causar efeito dominó em outras cadeias por causa de tarifas de retaliação.

"Isso vai elevar custos de entrada para uma série de fabricantes e possivelmente alimentar os preços de uma forma geral [nos EUA]", dizdiretor da Moody's, Atsi Sheth.


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Página 3
Arquivo Página 3/Folhapress.

EUA anunciam tarifas de alumínio e aço contra Europa, Canadá e México

"É inaceitável", afirmou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau,

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Sexta, 1/6/2018 11:06.

ESTELITA HASS CARAZZAI
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois que a poeira parecia ter baixado, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (31) a imposição de tarifas ao aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México -e voltaram a provocar temores de uma guerra comercial mundial.

O Brasil, segundo maior exportador de aço aos americanos, permanece excluído das tarifas, após aceitar a imposição de cotas para o produto.
Mas a administração de Donald Trump, que diz ainda não haver acordo satisfatório com Europa, Canadá e México, resolveu fazer valer tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio desses países a partir desta sexta-feira (1º)

São três dos principais aliados dos EUA -e todos anunciaram que devem retaliar.

"Isso é protecionismo, pura e simplesmente", declarou Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. "A União Europeia não pode ficar sem reagir."

"É inaceitável", afirmou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que prometeu retrucar "dólar por dólar". O país anunciou tarifas a produtos americanos a partir do dia 1º de julho, e irá acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a prática.

Já a Alemanha vai responder ao slogan "América primeiro" com "Europa Unida".

O francês Emmanuel Macron declarou que a decisão é "deplorável", por fomentar o nacionalismo econômico.

"E nacionalismo leva à guerra. É um erro", disse Macron.

Especialistas afirmaram que a decisão é inédita, por atingir tradicionais aliados dos EUA e forçá-los a responder com tarifas retaliatórias. Juntos, Europa, Canadá e México são responsáveis por quase 50% do aço e alumínio importados pelos americanos.

"É só o começo de uma saga", afirmou o economista Chad Bown, especialista em comércio internacional do Peterson Institute. Para ele a retaliação pode atingir US$ 48 bilhões em produtos americanos (cerca de 3% das exportações do país em 2017), e trazer consequências ao fluxo internacional de mercadorias.

"Quando o comércio internacional é interrompido e o nível de confiança entre os atores econômicos é seriamente prejudicado, quem mais sofre são os mais pobres", afirmou Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI.

Os EUA fundamentam a decisão na proteção da segurança nacional, argumento visto como frágil por especialistas.

Segundo o governo americano, o excesso de aço e alumínio no mercado mundial compromete a indústria siderúrgica nacional, responsável pelo suprimento da indústria de defesa dos EUA.

As tarifas já estão valendo para determinados países, como Japão, Rússia e China. O último é o principal produtor de aço do mundo ""e, na prática, o grande alvo de Trump.

Segundo a Casa Branca, a ação já provocou "grandes efeitos positivos" na indústria de aço e alumínio dos EUA, em especial na proteção e promoção de empregos no setor.

Mas economistas dizem que a decisão deve encarecer o custo desses insumos no país, além de causar efeito dominó em outras cadeias por causa de tarifas de retaliação.

"Isso vai elevar custos de entrada para uma série de fabricantes e possivelmente alimentar os preços de uma forma geral [nos EUA]", dizdiretor da Moody's, Atsi Sheth.


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