Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Negócios
Acordo com Boeing faz Embraer perder quase R$ 3 bilhões na Bolsa

Boeing pagará US$ 3,8 bilhões (R$ 14,9 bilhões) por 80% da operação de jatos comerciais da Embraer

Sexta, 6/7/2018 10:49.

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TÁSSIA KASTNER E DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP, E NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A Embraer perdeu quase R$ 3 bilhões em valor de mercado nesta quinta-feira (5), reflexo das incertezas dos investidores com os termos do acordo fechado entre a companhia brasileira e a Boeing. A avaliação de analistas do mercado financeiro, no entanto, é que o acordo é bom para ambas.

Uma explicação para a desvalorização foi a frustração com o valor da operação.

A Boeing pagará US$ 3,8 bilhões (R$ 14,9 bilhões) por 80% da operação de jatos comerciais da Embraer em uma nova empresa. O negócio avalia o segmento de jatos da brasileira em US$ 4,75 bilhões (R$ 18,7 bilhões), patamar equivalente ao valor de mercado atual. Estimativas de mercado previam de US$ 6 bilhões a US$ 10 bilhões.

Desde que veio a público que as duas companhias negociavam um acordo, em 21 de dezembro, as ações da empresa brasileira dispararam e acumularam alta de 63% até esta quarta (4), fazendo subir o valor de mercado da Embraer.

Nesta quinta, as ações da empresa caíram 14,29% e pesaram sobre o Ibovespa, que recuou 0,25%, a 74.553 pontos.

Desde dezembro, os papéis da Embraer acumulam alta de 40%. Para Mario de Avelar, sócio da Avantgarde Capital, é nessa valorização que reside a frustração de investidores.

"Quando saíram as primeiras notícias de que havia essa negociação, o mercado começou a projetar o valor da operação, que veio aquém do que eles achavam que seria", diz.

Para a equipe do Credit Suisse, o anúncio pode ter sido prematuro. Há detalhes que foram omitidos, como o que as empresas esperam receber após o pagamento de impostos, além do volume de dívida da Embraer que será transferido a nova empresa. Também não ficou claro qual o capital necessário para financia-la.

Por fim, não foi dito qual parcela dos US$ 3,8 bilhões será reinvestida na Embraer ou irá para o pagamento de dividendos extraordinários.

Pete Skibitski, analista do banco de investimento Drexel Hamilton, diz ainda que há uma incerteza sobre qual será o desempenho da Embraer, que terá 20% da operação de jatos na nova empresa. "A empresa vai perder parte do lucro, então isso pode afetar as ações e dividendos."

Há ainda a espera da autorização do governo brasileiro, que detém uma 'golden share' (ação com direito a veto). O projeto deve ser submetido às autoridades nos próximos meses. Se houver atraso, a permissão ficará para o próximo presidente em um cenário eleitoral incerto -Michel Temer é visto como mais seguro para o negócio.

A repercussão negativa do mercado financeiro é minimizada por analistas, que apontam fatores positivos do acordo. Em relatório, o Credit Suisse diz que Embraer se beneficiaria da influência da americana para negociar com fornecedores.

O banco diz ainda que a parceria faz sentido porque investimentos elevados em desenvolvimento de aeronaves não são condizentes com a chegada de novos concorrentes.

"Portanto, vemos a consolidação como uma solução razoável, na qual as companhias compartilham investimentos e preservam um retorno sobre capital investido decente."

DÓLAR

Em segundo dia seguido de alta, o dólar fechou no maior patamar desde março de 2016. A moeda avançou 0,53%, a R$ 3,9350. Neste começo de mês, o real é a divisa emergente que mais perdeu valor ante o dólar, 1,41%.

Desde que o Banco Central deixou de atuar no câmbio, a moeda sobe com o avanço da guerra comercial entre Estados Unidos e China e a alta de juros americanos, que estimula a saída de dólares do Brasil.


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Acordo com Boeing faz Embraer perder quase R$ 3 bilhões na Bolsa

Boeing pagará US$ 3,8 bilhões (R$ 14,9 bilhões) por 80% da operação de jatos comerciais da Embraer

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Sexta, 6/7/2018 10:49.

TÁSSIA KASTNER E DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP, E NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A Embraer perdeu quase R$ 3 bilhões em valor de mercado nesta quinta-feira (5), reflexo das incertezas dos investidores com os termos do acordo fechado entre a companhia brasileira e a Boeing. A avaliação de analistas do mercado financeiro, no entanto, é que o acordo é bom para ambas.

Uma explicação para a desvalorização foi a frustração com o valor da operação.

A Boeing pagará US$ 3,8 bilhões (R$ 14,9 bilhões) por 80% da operação de jatos comerciais da Embraer em uma nova empresa. O negócio avalia o segmento de jatos da brasileira em US$ 4,75 bilhões (R$ 18,7 bilhões), patamar equivalente ao valor de mercado atual. Estimativas de mercado previam de US$ 6 bilhões a US$ 10 bilhões.

Desde que veio a público que as duas companhias negociavam um acordo, em 21 de dezembro, as ações da empresa brasileira dispararam e acumularam alta de 63% até esta quarta (4), fazendo subir o valor de mercado da Embraer.

Nesta quinta, as ações da empresa caíram 14,29% e pesaram sobre o Ibovespa, que recuou 0,25%, a 74.553 pontos.

Desde dezembro, os papéis da Embraer acumulam alta de 40%. Para Mario de Avelar, sócio da Avantgarde Capital, é nessa valorização que reside a frustração de investidores.

"Quando saíram as primeiras notícias de que havia essa negociação, o mercado começou a projetar o valor da operação, que veio aquém do que eles achavam que seria", diz.

Para a equipe do Credit Suisse, o anúncio pode ter sido prematuro. Há detalhes que foram omitidos, como o que as empresas esperam receber após o pagamento de impostos, além do volume de dívida da Embraer que será transferido a nova empresa. Também não ficou claro qual o capital necessário para financia-la.

Por fim, não foi dito qual parcela dos US$ 3,8 bilhões será reinvestida na Embraer ou irá para o pagamento de dividendos extraordinários.

Pete Skibitski, analista do banco de investimento Drexel Hamilton, diz ainda que há uma incerteza sobre qual será o desempenho da Embraer, que terá 20% da operação de jatos na nova empresa. "A empresa vai perder parte do lucro, então isso pode afetar as ações e dividendos."

Há ainda a espera da autorização do governo brasileiro, que detém uma 'golden share' (ação com direito a veto). O projeto deve ser submetido às autoridades nos próximos meses. Se houver atraso, a permissão ficará para o próximo presidente em um cenário eleitoral incerto -Michel Temer é visto como mais seguro para o negócio.

A repercussão negativa do mercado financeiro é minimizada por analistas, que apontam fatores positivos do acordo. Em relatório, o Credit Suisse diz que Embraer se beneficiaria da influência da americana para negociar com fornecedores.

O banco diz ainda que a parceria faz sentido porque investimentos elevados em desenvolvimento de aeronaves não são condizentes com a chegada de novos concorrentes.

"Portanto, vemos a consolidação como uma solução razoável, na qual as companhias compartilham investimentos e preservam um retorno sobre capital investido decente."

DÓLAR

Em segundo dia seguido de alta, o dólar fechou no maior patamar desde março de 2016. A moeda avançou 0,53%, a R$ 3,9350. Neste começo de mês, o real é a divisa emergente que mais perdeu valor ante o dólar, 1,41%.

Desde que o Banco Central deixou de atuar no câmbio, a moeda sobe com o avanço da guerra comercial entre Estados Unidos e China e a alta de juros americanos, que estimula a saída de dólares do Brasil.


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