Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Mundo
Em crise cambial, Argentina pedirá ajuda de US$ 30 bilhões ao FMI

Guardia não vê impacto no Brasil e defende apoio do FMI

Quarta, 9/5/2018 8:55.

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SYLVIA COLOMBO E ESTELITA HASS CARAZZAI
BUENOS AIRES, ARGENTINA, E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou no início da tarde desta terça-feira (8) que, devido à disparada do dólar na semana passada e às dificuldades do governo em proteger a moeda argentina de uma desvalorização ainda maior, decidiu iniciar conversas com o FMI (Fundo Monetário Internacional) "para alcançar um acordo que permita superar as turbulências cambiárias dos últimos dias."

O objetivo é conseguir um empréstimo de US$ 30 bilhões.

Macri disse que tomou a decisão para proteger o salário dos argentinos.

O dólar, que se valorizou mais de 5% antes o peso na última semana e havia começado o dia em 23,5 pesos, começou a cair logo após a transmissão. No começo da tarde já estava em 22, e o governo espera que caia ainda mais nos próximos dias.

Ao explicar a razão dos últimos acontecimentos, responsabilizou o estado da economia que recebeu do kirchnerismo em 2015 e "a fragilidade de nossa moeda diante do cenário internacional em transformação".

As conversas com o FMI, explicou, teriam como objetivo "que nos outorguem uma linha de apoio financeiro".

Em tom moderado, Macri disse que a conversa com Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, foi para pleitear uma medida preventiva e que a equipe econômica não abandonaria a linha iniciada em dezembro de 2015.

Ele fez o possível para demonstrar tranquilidade. "Ela [Lagarde] nos confirmou que vamos começar hoje mesmo a trabalhar num acordo." E terminou lançando farpas a Cristina Kirchner. "Jamais vocês voltarão a ser enganados, a ser levados a acreditar em soluções mágicas, a acreditar que aquilo que te dão pode ser permanente", referindo-se aos generosos subsídios que se mantiveram durante o governo anterior.

​Lagarde confirmou, em nota, que iniciou "discussões" com o presidente Macri sobre como fortalecer a economia da Argentina, que devem ser levadas a cabo em breve. Mas a diretora não deu mais detalhes sobre o potencial empréstimo.

GRADUALISTA

Na sexta (4), o banco central argentino anunciou o terceiro aumento de juros em uma semana, para tentar conter a forte desvalorização do peso em relação ao dólar e a inflação, que continua acima da meta estabelecida pelo governo para 2018 de 15% -está ao redor dos 20%.

Macri defendeu que o governo seguirá com sua política econômica gradualista, de não fazer ajustes bruscos.

Mesmo porque, segundo analistas, isso também seria impossível, uma vez que cerca de 37% do orçamento anual é destinado a gasto público que o governo resiste em cortar, ou porque recebe demasiada pressão por parte de sindicatos ou por medo de perder apoio político.

"O método gradualista depende de financiamento externo, e nos últimos dias, por diversas razões, as condições de financiamento externo para a Argentina se endureceram."

Macri disse que confia nas decisões de sua equipe econômica, que vem recebendo críticas -o presidente não tem um ministro da economia, mas vários que se dedicam a áreas específicas.

"Esta é a melhor maneira de trabalhar e vamos cumprir nossos compromissos externos e internos. Não vou fazer, como aconteceu em governos anteriores, declarações baseadas na demagogia e na mentira, estou convencido de que o caminho que tomamos vai nos levar a um melhor caminho para todos os argentinos".

Enquanto a fala do presidente ia ao ar, ouvia-se o som de panelas batendo em alguns bairros. Há a perspectiva de que o novo "tarifaço" de taxas de serviços, programado para ser aprovado ainda nesta semana, de fato se concretize, o que elevaria os preços do gás, da eletricidade e do transporte.

OUTROS CASOS

O ministro argentino da Fazenda, Nicolás Dujovne, deve se reunir com Lagarde nesta quarta em Washington para debater os detalhes.
Atualmente, apenas dois países latino americanos têm operações com o FMI: Colômbia e México.

Os dois têm acesso a uma linha de crédito, do mesmo tipo que a Argentina pleiteia junto ao fundo. Nesse caso, o montante não precisa ser necessariamente sacado pelo país, mas serve como garantia para outras operações e ajuda a melhorar a estabilidade financeira e reduzir os indicadores de risco do país.

A linha de crédito da Colômbia, de US$ 11,5 bilhões, foi concedida em 2016, e a do México, de US$ 88 bilhões, em 2017.

Para conseguir acesso ao dinheiro, o país precisa cumprir alguns requisitos, como bom fluxo de capitais e inflação estável. A linha de crédito vale por dois anos, mas é renovável, a depender dos indicadores econômicos do país.

A Argentina recorreu a um empréstimo do FMI pela última vez em 2003, durante o governo de Eduardo Duhalde. Já o Brasil é credor do fundo desde 2009.

Guardia não vê impacto da crise argentina no Brasil e defende apoio do FMI

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta terça-feira (8) que não há canal de contágio da economia brasileira com a situação da Argentina, cujo governo anunciou intenção de negociar ajuda com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O baixo déficit das contas externas e as altas reservas internacionais deixam o Brasil em situação confortável, segundo o ministro, que disse não ver motivo para não apoiar um pacote do FMI para o país vizinho.

"Então não vejo nenhum impacto. Uma situação completamente diferente da argentina", disse à imprensa, após participar de audiência pública no Congresso Nacional.

A Argentina está buscando um acordo com o FMI para lidar com a recente volatilidade do mercado que levou à queda do peso e ao aumento da taxa de juros para 40%, disse o presidente argentino, Mauricio Macri, nesta terça.

Por sua vez, o dólar fechou pelo segundo dia consecutivo em alta ante a moeda brasileira, em dia marcado por tensão nos mercados externos com a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã.

Questionado sobre o comportamento do câmbio no Brasil diante dos riscos geopolíticos, Guardia se limitou a fazer considerações sobre o preço do petróleo.

"O que eu vi até o momento é um possível impacto em preço de petróleo. Isso afeta economia mundial. Então isso pode ocorrer, pode ter algum impacto sobre preços. Mas aí prefiro acompanhar isso com mais cuidado", disse.

"A situação internacional ela pode mudar ao longo do tempo, já vimos isso no passado. O que a gente tem é que continuar firme na direção das reformas que é o que a gente sempre vem falando", acrescentou.


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Em crise cambial, Argentina pedirá ajuda de US$ 30 bilhões ao FMI

Guardia não vê impacto no Brasil e defende apoio do FMI

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Quarta, 9/5/2018 8:55.

SYLVIA COLOMBO E ESTELITA HASS CARAZZAI
BUENOS AIRES, ARGENTINA, E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou no início da tarde desta terça-feira (8) que, devido à disparada do dólar na semana passada e às dificuldades do governo em proteger a moeda argentina de uma desvalorização ainda maior, decidiu iniciar conversas com o FMI (Fundo Monetário Internacional) "para alcançar um acordo que permita superar as turbulências cambiárias dos últimos dias."

O objetivo é conseguir um empréstimo de US$ 30 bilhões.

Macri disse que tomou a decisão para proteger o salário dos argentinos.

O dólar, que se valorizou mais de 5% antes o peso na última semana e havia começado o dia em 23,5 pesos, começou a cair logo após a transmissão. No começo da tarde já estava em 22, e o governo espera que caia ainda mais nos próximos dias.

Ao explicar a razão dos últimos acontecimentos, responsabilizou o estado da economia que recebeu do kirchnerismo em 2015 e "a fragilidade de nossa moeda diante do cenário internacional em transformação".

As conversas com o FMI, explicou, teriam como objetivo "que nos outorguem uma linha de apoio financeiro".

Em tom moderado, Macri disse que a conversa com Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, foi para pleitear uma medida preventiva e que a equipe econômica não abandonaria a linha iniciada em dezembro de 2015.

Ele fez o possível para demonstrar tranquilidade. "Ela [Lagarde] nos confirmou que vamos começar hoje mesmo a trabalhar num acordo." E terminou lançando farpas a Cristina Kirchner. "Jamais vocês voltarão a ser enganados, a ser levados a acreditar em soluções mágicas, a acreditar que aquilo que te dão pode ser permanente", referindo-se aos generosos subsídios que se mantiveram durante o governo anterior.

​Lagarde confirmou, em nota, que iniciou "discussões" com o presidente Macri sobre como fortalecer a economia da Argentina, que devem ser levadas a cabo em breve. Mas a diretora não deu mais detalhes sobre o potencial empréstimo.

GRADUALISTA

Na sexta (4), o banco central argentino anunciou o terceiro aumento de juros em uma semana, para tentar conter a forte desvalorização do peso em relação ao dólar e a inflação, que continua acima da meta estabelecida pelo governo para 2018 de 15% -está ao redor dos 20%.

Macri defendeu que o governo seguirá com sua política econômica gradualista, de não fazer ajustes bruscos.

Mesmo porque, segundo analistas, isso também seria impossível, uma vez que cerca de 37% do orçamento anual é destinado a gasto público que o governo resiste em cortar, ou porque recebe demasiada pressão por parte de sindicatos ou por medo de perder apoio político.

"O método gradualista depende de financiamento externo, e nos últimos dias, por diversas razões, as condições de financiamento externo para a Argentina se endureceram."

Macri disse que confia nas decisões de sua equipe econômica, que vem recebendo críticas -o presidente não tem um ministro da economia, mas vários que se dedicam a áreas específicas.

"Esta é a melhor maneira de trabalhar e vamos cumprir nossos compromissos externos e internos. Não vou fazer, como aconteceu em governos anteriores, declarações baseadas na demagogia e na mentira, estou convencido de que o caminho que tomamos vai nos levar a um melhor caminho para todos os argentinos".

Enquanto a fala do presidente ia ao ar, ouvia-se o som de panelas batendo em alguns bairros. Há a perspectiva de que o novo "tarifaço" de taxas de serviços, programado para ser aprovado ainda nesta semana, de fato se concretize, o que elevaria os preços do gás, da eletricidade e do transporte.

OUTROS CASOS

O ministro argentino da Fazenda, Nicolás Dujovne, deve se reunir com Lagarde nesta quarta em Washington para debater os detalhes.
Atualmente, apenas dois países latino americanos têm operações com o FMI: Colômbia e México.

Os dois têm acesso a uma linha de crédito, do mesmo tipo que a Argentina pleiteia junto ao fundo. Nesse caso, o montante não precisa ser necessariamente sacado pelo país, mas serve como garantia para outras operações e ajuda a melhorar a estabilidade financeira e reduzir os indicadores de risco do país.

A linha de crédito da Colômbia, de US$ 11,5 bilhões, foi concedida em 2016, e a do México, de US$ 88 bilhões, em 2017.

Para conseguir acesso ao dinheiro, o país precisa cumprir alguns requisitos, como bom fluxo de capitais e inflação estável. A linha de crédito vale por dois anos, mas é renovável, a depender dos indicadores econômicos do país.

A Argentina recorreu a um empréstimo do FMI pela última vez em 2003, durante o governo de Eduardo Duhalde. Já o Brasil é credor do fundo desde 2009.

Guardia não vê impacto da crise argentina no Brasil e defende apoio do FMI

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta terça-feira (8) que não há canal de contágio da economia brasileira com a situação da Argentina, cujo governo anunciou intenção de negociar ajuda com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O baixo déficit das contas externas e as altas reservas internacionais deixam o Brasil em situação confortável, segundo o ministro, que disse não ver motivo para não apoiar um pacote do FMI para o país vizinho.

"Então não vejo nenhum impacto. Uma situação completamente diferente da argentina", disse à imprensa, após participar de audiência pública no Congresso Nacional.

A Argentina está buscando um acordo com o FMI para lidar com a recente volatilidade do mercado que levou à queda do peso e ao aumento da taxa de juros para 40%, disse o presidente argentino, Mauricio Macri, nesta terça.

Por sua vez, o dólar fechou pelo segundo dia consecutivo em alta ante a moeda brasileira, em dia marcado por tensão nos mercados externos com a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã.

Questionado sobre o comportamento do câmbio no Brasil diante dos riscos geopolíticos, Guardia se limitou a fazer considerações sobre o preço do petróleo.

"O que eu vi até o momento é um possível impacto em preço de petróleo. Isso afeta economia mundial. Então isso pode ocorrer, pode ter algum impacto sobre preços. Mas aí prefiro acompanhar isso com mais cuidado", disse.

"A situação internacional ela pode mudar ao longo do tempo, já vimos isso no passado. O que a gente tem é que continuar firme na direção das reformas que é o que a gente sempre vem falando", acrescentou.


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