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PÁGINA 3 / Mundo
Direita se une, usa o medo e ganha 1º turno na Colômbia

Disputa vai para o segundo turno

Segunda, 28/5/2018 6:55.

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CLÓVIS ROSSI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O resultado da eleição colombiana deste domingo (27) pode permitir à direita local parafrasear um velho cântico da esquerda e proclamar que "a direita, unida, jamais será vencida".

De fato, a união da direita é um dos fatores que ajuda a explicar o primeiro lugar de seu candidato, Iván Duque, e, em consequência, sua passagem para o segundo turno, contra o esquerdista Gustavo Petro.

Os dois candidatos que disputaram a primária da direita contra Duque, em março, fecharam com a candidatura dele, a ponto de Marta Lucía Ramírez, derrotada, ter aceitado ser candidata a vice-presidente.

A coesão da direita tornou ainda mais fácil tocar, na campanha, a música desejada por um eleitorado tradicionalmente conservador, de um lado, e, de outro, seduzir o empresariado com promessas de reduzir o tamanho do Estado.

"Uma direita fortalecida capitalizou os medos e, por isso, Duque passou ao segundo turno", comenta a socióloga Maria del Pilar Gaitán, ex-vice-ministra do Exterior e partidária do centrista Sérgio Fajardo, terceiro colocado a menos de 2 pontos percentuais de Petro.

A campanha da direita explorou dois medos. Um, o receio de parte importante da sociedade colombiana em relação ao acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, agora rebatizadas de Força Alternativa Revolucionária do Comum).

Duque prometeu, uma e outra vez, introduzir modificações substanciais ao acordo de paz, mas sem chegar a rasgá-lo.

A principal delas: impedir que assumam os 10 representantes das Farc que teriam suas cadeiras asseguradas pelo acordo de paz, mesmo que não obtivessem votos suficientes para ocupá-las. Não obtiveram mesmo: não chegaram nem a 1% dos votos no pleito parlamentar de março.

Duque quer que, antes de assumir, os 10 passem pela chamada JEP (Jurisdição Especial para a Paz), instância criada pelo acordo para julgar os que praticaram crimes de lesa humanidade.

O segundo medo é o ao "castro-chavismo", construção da direita contra o esquerdista Petro, no sentido de dizer que, se eleito, ele levaria a Colômbia ao mesmo estado falimentar do país vizinho. Pesquisa da empresa Invamer mostrou que 50% dos colombianos acreditam nessa possibilidade.

Petro compensou essa campanha negativa com uma pregação voltada para "um país desencantado e farto da corrupção e da velha política, indignado com o establishment e a exclusão social", avalia María del Pilar.

Para o segundo turno, a lógica elementar indica que Duque tem mais chances do que Petro. Primeiro porque já foi mais votado neste domingo, 2,6 milhões de votos à frente, em 19 milhões depositados. Depois, porque a direita parece ter mais possibilidades de captar votos dados aos candidatos centristas eliminados. Afinal, ao contrário da coesão da direita, ninguém quis aliar-se com Petro até agora.


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Direita se une, usa o medo e ganha 1º turno na Colômbia

Disputa vai para o segundo turno

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Segunda, 28/5/2018 6:55.

CLÓVIS ROSSI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O resultado da eleição colombiana deste domingo (27) pode permitir à direita local parafrasear um velho cântico da esquerda e proclamar que "a direita, unida, jamais será vencida".

De fato, a união da direita é um dos fatores que ajuda a explicar o primeiro lugar de seu candidato, Iván Duque, e, em consequência, sua passagem para o segundo turno, contra o esquerdista Gustavo Petro.

Os dois candidatos que disputaram a primária da direita contra Duque, em março, fecharam com a candidatura dele, a ponto de Marta Lucía Ramírez, derrotada, ter aceitado ser candidata a vice-presidente.

A coesão da direita tornou ainda mais fácil tocar, na campanha, a música desejada por um eleitorado tradicionalmente conservador, de um lado, e, de outro, seduzir o empresariado com promessas de reduzir o tamanho do Estado.

"Uma direita fortalecida capitalizou os medos e, por isso, Duque passou ao segundo turno", comenta a socióloga Maria del Pilar Gaitán, ex-vice-ministra do Exterior e partidária do centrista Sérgio Fajardo, terceiro colocado a menos de 2 pontos percentuais de Petro.

A campanha da direita explorou dois medos. Um, o receio de parte importante da sociedade colombiana em relação ao acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, agora rebatizadas de Força Alternativa Revolucionária do Comum).

Duque prometeu, uma e outra vez, introduzir modificações substanciais ao acordo de paz, mas sem chegar a rasgá-lo.

A principal delas: impedir que assumam os 10 representantes das Farc que teriam suas cadeiras asseguradas pelo acordo de paz, mesmo que não obtivessem votos suficientes para ocupá-las. Não obtiveram mesmo: não chegaram nem a 1% dos votos no pleito parlamentar de março.

Duque quer que, antes de assumir, os 10 passem pela chamada JEP (Jurisdição Especial para a Paz), instância criada pelo acordo para julgar os que praticaram crimes de lesa humanidade.

O segundo medo é o ao "castro-chavismo", construção da direita contra o esquerdista Petro, no sentido de dizer que, se eleito, ele levaria a Colômbia ao mesmo estado falimentar do país vizinho. Pesquisa da empresa Invamer mostrou que 50% dos colombianos acreditam nessa possibilidade.

Petro compensou essa campanha negativa com uma pregação voltada para "um país desencantado e farto da corrupção e da velha política, indignado com o establishment e a exclusão social", avalia María del Pilar.

Para o segundo turno, a lógica elementar indica que Duque tem mais chances do que Petro. Primeiro porque já foi mais votado neste domingo, 2,6 milhões de votos à frente, em 19 milhões depositados. Depois, porque a direita parece ter mais possibilidades de captar votos dados aos candidatos centristas eliminados. Afinal, ao contrário da coesão da direita, ninguém quis aliar-se com Petro até agora.


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