Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Mundo
Crise faz carros sumirem das ruas da capital venezuelana

Com 1 dólar é possível comprar 121 mil litros de gasolina, mas peças são caras e raras

Quinta, 17/5/2018 6:19.

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FABIANO MAISONNAVE
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Até pouco tempo atrás, Caracas era famosa pelo trânsito caótico, resultado da explosão na venda de carros durante o boom petroleiro –que, para completar, possibilitava que ali se vendesse a gasolina mais barata do mundo.

Hoje, o combustível está ainda mais barata: com apenas US$ 1, é possível comprar 121.833 litros (não, a conta não está errada). Porém, o alto custo das poucas peças de reposição à venda está tirando de circulação alguns milhares de veículos, deixando as vias livres.

Motorista há 13 anos, Jose Zerpa, 36, diz que nunca o trânsito fluiu tão bem quanto agora. Um exemplo: no passado, o trajeto entre o centro de Caracas e ao aeroporto levava pelo menos 1h30. Hoje, o mesmo percurso é feito em apenas 30 minutos.

O principal motivo, afirma Zerpa, é o alto custo de pneus e outras partes de veículos. Mas ele cita também a falta de peças de reposição e a emigração.

Na loja Mega Cauchos, na zona leste de Caracas, havia apenas quatro modelos de pneus à venda, todos de fabricação chinesa. O mais barato custava 37 milhões de bolívares a unidade, o equivalente a 14,8 salários mínimos. Ou seja, seriam necessários quase cinco anos de trabalho para trocar o conjunto.

Outros itens tradicionais nem sequer estão disponíveis. "Vendíamos óleo Shell, mas isso acabou há três anos. E há mais ou menos um ano estamos sem bateria", explica o mecânico Francisco García, 44.

Por causa da hiperinflação, os preços sobem quase diariamente. Um litro de óleo de motor saía por 300 mil bolívares no final de dezembro. Hoje, o preço está em 5 milhões –aumento de 1.567%.

Além do trânsito mais tranquilo, não falta espaço para estacionar pelas ruas da maior cidade venezuelana, principalmente à noite.

O principal motivo é a insegurança. É comum o dono voltar ao carro e encontrá-lo sem pneus ou bateria, mesmo durante o dia. Isso quando não levam o veículo inteiro.

A falta de peças afetou também os micro-ônibus, importante meio de transporte público. Muitos deixaram de circular, e algumas rotas operam com frota mínima.

Por outro lado, o metrô de Caracas está sobrecarregado, com longas filas e lotação máxima nos vagões mesmo fora dos horários de pico. O bilhete custa 4 bolívares –2 a menos do que um litro de gasolina.


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Crise faz carros sumirem das ruas da capital venezuelana

Com 1 dólar é possível comprar 121 mil litros de gasolina, mas peças são caras e raras

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Quinta, 17/5/2018 6:19.

FABIANO MAISONNAVE
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Até pouco tempo atrás, Caracas era famosa pelo trânsito caótico, resultado da explosão na venda de carros durante o boom petroleiro –que, para completar, possibilitava que ali se vendesse a gasolina mais barata do mundo.

Hoje, o combustível está ainda mais barata: com apenas US$ 1, é possível comprar 121.833 litros (não, a conta não está errada). Porém, o alto custo das poucas peças de reposição à venda está tirando de circulação alguns milhares de veículos, deixando as vias livres.

Motorista há 13 anos, Jose Zerpa, 36, diz que nunca o trânsito fluiu tão bem quanto agora. Um exemplo: no passado, o trajeto entre o centro de Caracas e ao aeroporto levava pelo menos 1h30. Hoje, o mesmo percurso é feito em apenas 30 minutos.

O principal motivo, afirma Zerpa, é o alto custo de pneus e outras partes de veículos. Mas ele cita também a falta de peças de reposição e a emigração.

Na loja Mega Cauchos, na zona leste de Caracas, havia apenas quatro modelos de pneus à venda, todos de fabricação chinesa. O mais barato custava 37 milhões de bolívares a unidade, o equivalente a 14,8 salários mínimos. Ou seja, seriam necessários quase cinco anos de trabalho para trocar o conjunto.

Outros itens tradicionais nem sequer estão disponíveis. "Vendíamos óleo Shell, mas isso acabou há três anos. E há mais ou menos um ano estamos sem bateria", explica o mecânico Francisco García, 44.

Por causa da hiperinflação, os preços sobem quase diariamente. Um litro de óleo de motor saía por 300 mil bolívares no final de dezembro. Hoje, o preço está em 5 milhões –aumento de 1.567%.

Além do trânsito mais tranquilo, não falta espaço para estacionar pelas ruas da maior cidade venezuelana, principalmente à noite.

O principal motivo é a insegurança. É comum o dono voltar ao carro e encontrá-lo sem pneus ou bateria, mesmo durante o dia. Isso quando não levam o veículo inteiro.

A falta de peças afetou também os micro-ônibus, importante meio de transporte público. Muitos deixaram de circular, e algumas rotas operam com frota mínima.

Por outro lado, o metrô de Caracas está sobrecarregado, com longas filas e lotação máxima nos vagões mesmo fora dos horários de pico. O bilhete custa 4 bolívares –2 a menos do que um litro de gasolina.


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