Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Mundo
Trump retira apoio de declaração do G7 após o fim do encontro

Domingo, 10/6/2018 11:20.
Divulgação
Donald Trump, presidente dos EUA

Publicidade

ESTELITA HASS CARAZZAI (FOLHAPRESS)

Horas depois de os líderes de sete das maiores economias do mundo chegarem a comunicado final e consensual em reunião do G7 neste sábado (9), o presidente americano, Donald Trump anunciou, pelas redes sociais, que retirou o apoio ao documento.

"Eu instruí nossos representantes a não endossarem o comunicado", declarou o republicano, que deixou o evento antes do encerramento para ir para Singapura, onde se encontrará na terça-feira (12) com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un .

Não só. Trump afirmou que o premiê do Canadá, Justin Trudeau, o anfitrião do evento, tinha sido "desonesto e fraco"

Trump disse em rede social que Trudeau agira de forma "afável e submissa" durante a reunião, mas aproveitou uma entrevista coletiva concedida após o americano deixar o encontro para dizer que as tarifas dos EUA sobre aço e alumínio eram um insulto. "Muito desonesto e fraco", disse.

Ele afirmou que as declarações são falsas e que a sobretaxa americana é uma retaliação a tarifas adotadas pelo Canadá para laticínios dos EUA.

O canadense, por sua vez, rebateu e afirmou que ele já havia conversado com Trump tudo o que ele declarou posteriormente, na entrevista final da reunião das sete potências

A decisão de não endossar o comunicado desmonta o delicado acordo que havia sido costurado pelos líderes do G7 (EUA, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Japão), ao longo de um final de semana recheado de tensões.

O documento enfatizava a importância do livre comércio, baseado em regras internacionais, para o crescimento econômico, e pontuava a necessidade de reforma da OMC (Organização Mundial do Comércio) -no que havia sido considerada uma vitória pelo grupo, em especial pela Europa, diante da belicosa postura de Trump em relação ao tema.

A promoção da igualdade de gênero e a proteção dos oceanos também haviam sido consensuais, assim como a proteção das democracias contra interferências externas.

Até mesmo as sanções contra a Rússia, excluída do grupo quatro anos atrás, haviam sido mantidas no documento, a despeito da sugestão de Trump para que o país voltasse ao clube.

Apesar do acordo, era visível que o equilíbrio entre os países era tênue: minutos depois de encerrado o evento, os líderes voltaram a trocar farpas sobre as sobretaxas ao aço e alumínio impostas pelos EUA, e reforçavam a mensagem de que não iriam voltar atrás -tanto nas tarifas, quanto na retaliação a elas.

Trump, o primeiro a deixar o evento, iniciou o tiroteio: "Nós somos como o cofrinho que todo mundo está roubando", declarou.

Em resposta, tanto a Europa quanto o Canadá confirmaram que irão proceder com a retaliação aos EUA, impondo tarifas de até 25% a produtos americanos.

"É uma decisão unilateral e injustificada", disse a primeira-ministra britânica, Theresa May, que afirmou ter tido uma conversa "franca" com o americano e expressado "profundo desapontamento" com as tarifas.

"É quase um insulto", disse Trudeau em sua polêmica manifestação, ao mencionar a justificativa oficial do governo dos EUA para as sobretaxas: proteger a segurança nacional.

"Nós lutamos ombro a ombro com os americanos, desde a Primeira Guerra Mundial. Somos educados e cordiais, mas não seremos pressionados por outros. Não iremos pegar leve."

O G7 ainda não havia se manifestado sobre a dissidência de Trump, na noite deste sábado (9).


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade


Publicidade














Página 3
Divulgação
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA

Trump retira apoio de declaração do G7 após o fim do encontro

Publicidade

Domingo, 10/6/2018 11:20.

ESTELITA HASS CARAZZAI (FOLHAPRESS)

Horas depois de os líderes de sete das maiores economias do mundo chegarem a comunicado final e consensual em reunião do G7 neste sábado (9), o presidente americano, Donald Trump anunciou, pelas redes sociais, que retirou o apoio ao documento.

"Eu instruí nossos representantes a não endossarem o comunicado", declarou o republicano, que deixou o evento antes do encerramento para ir para Singapura, onde se encontrará na terça-feira (12) com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un .

Não só. Trump afirmou que o premiê do Canadá, Justin Trudeau, o anfitrião do evento, tinha sido "desonesto e fraco"

Trump disse em rede social que Trudeau agira de forma "afável e submissa" durante a reunião, mas aproveitou uma entrevista coletiva concedida após o americano deixar o encontro para dizer que as tarifas dos EUA sobre aço e alumínio eram um insulto. "Muito desonesto e fraco", disse.

Ele afirmou que as declarações são falsas e que a sobretaxa americana é uma retaliação a tarifas adotadas pelo Canadá para laticínios dos EUA.

O canadense, por sua vez, rebateu e afirmou que ele já havia conversado com Trump tudo o que ele declarou posteriormente, na entrevista final da reunião das sete potências

A decisão de não endossar o comunicado desmonta o delicado acordo que havia sido costurado pelos líderes do G7 (EUA, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Japão), ao longo de um final de semana recheado de tensões.

O documento enfatizava a importância do livre comércio, baseado em regras internacionais, para o crescimento econômico, e pontuava a necessidade de reforma da OMC (Organização Mundial do Comércio) -no que havia sido considerada uma vitória pelo grupo, em especial pela Europa, diante da belicosa postura de Trump em relação ao tema.

A promoção da igualdade de gênero e a proteção dos oceanos também haviam sido consensuais, assim como a proteção das democracias contra interferências externas.

Até mesmo as sanções contra a Rússia, excluída do grupo quatro anos atrás, haviam sido mantidas no documento, a despeito da sugestão de Trump para que o país voltasse ao clube.

Apesar do acordo, era visível que o equilíbrio entre os países era tênue: minutos depois de encerrado o evento, os líderes voltaram a trocar farpas sobre as sobretaxas ao aço e alumínio impostas pelos EUA, e reforçavam a mensagem de que não iriam voltar atrás -tanto nas tarifas, quanto na retaliação a elas.

Trump, o primeiro a deixar o evento, iniciou o tiroteio: "Nós somos como o cofrinho que todo mundo está roubando", declarou.

Em resposta, tanto a Europa quanto o Canadá confirmaram que irão proceder com a retaliação aos EUA, impondo tarifas de até 25% a produtos americanos.

"É uma decisão unilateral e injustificada", disse a primeira-ministra britânica, Theresa May, que afirmou ter tido uma conversa "franca" com o americano e expressado "profundo desapontamento" com as tarifas.

"É quase um insulto", disse Trudeau em sua polêmica manifestação, ao mencionar a justificativa oficial do governo dos EUA para as sobretaxas: proteger a segurança nacional.

"Nós lutamos ombro a ombro com os americanos, desde a Primeira Guerra Mundial. Somos educados e cordiais, mas não seremos pressionados por outros. Não iremos pegar leve."

O G7 ainda não havia se manifestado sobre a dissidência de Trump, na noite deste sábado (9).


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade