Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Mundo
Trump volta a ameaçar secretário de Justiça por inação para frear inquérito

Sexta, 24/8/2018 6:55.
EBC.

Publicidade

JÚLIA ZAREMBA
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Donald Trump deu início nesta quinta (23) a mais um round de ataques a seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, em meio às investigações sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016 e à condenação do ex-chefe de campanha do presidente por crimes financeiros.

Em entrevista ao programa Fox and Friends, da emissora Fox News, Trump afirmou que escolheu "um secretário de Justiça que nunca teve controle sobre o Departamento de Justiça" e que isso "é meio que uma coisa incrível".

Também criticou o fato de Sessions ter se negado a conduzir as investigações da relação entre Moscou e o pleito de dois anos atrás.

O secretário diz ter tomado a decisão para evitar conflito de interesse -ele participou ativamente da campanha do republicano e, apontou o inquérito, encontrou-se duas vezes com o embaixador russo Sergey Kislyak naquele período.

O ex-senador pelo estado do Alabama foi um dos primeiros parlamentares a endossar a candidatura de Trump e chegou a ser chefe do comitê consultivo de segurança nacional do então candidato à Casa Branca.

"Ele não deveria ter se declarado impedido, ou deveria ter me dito!", disse o presidente. "Que tipo de homem é esse?"

O republicano disse ainda que só deu o cargo a Sessions por lealdade. "Ele foi um apoiador de primeira hora [da sua candidatura]", disse. "Participou da campanha e sabe que não houve conluio com os russos."

O secretário de Justiça rebateu as afirmações do republicano por meio de um comunicado.

"Enquanto eu for secretário, as ações do Departamento de Justiça não serão influenciados de forma inapropriada por considerações políticas", afirmou. "Exijo padrões altos, e quando eles não são atingidos, eu tomo uma atitude."

Sessions afirmou também, em defesa da classe que vem sendo atacada verbalmente pro Trump, que "nenhum país tem um grupo mais talentoso e dedicado de investigadores e procuradores do que os Estados Unidos."

Após esgrimirem verbalmente, os dois se reuniram na Casa Branca para debater reformas no sistema prisional. Segundo fontes relataram para jornais americanos, sem atritos.

Em julho do ano passado, Trump já havia manifestado arrependimento pela escolha de Sessions para o cargo, logo após o secretário ter solicitado o afastamento das investigações sobre a Rússia.

"Como você pega um emprego e depois se recusa (a trabalhar)? Se ele tivesse se declarado impedido antes o trabalho, eu teria dito:" Obrigado, Jeff, mas não vou ficar com você", disse o republicano na época.

Em depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado em junho, o ex-senador negou haver conluio entre o Kremlin e Trump nas eleições de 2016 e chamou as alegação de "mentirosa e detestável".

Na mesma entrevista à Fox News, Trump disse que a economia americana poderia colapsar se ele sofresse impeachment. "Não sei como você pode submeter alguém que fez um grande trabalho a impeachment", disse, insinuando que, sem ele no cargo, "todo mundo ficaria muito pobre".

Trump recebeu dois duros golpes na última terça-feira (21) quando Michael Cohen, seu advogado durante uma década, afirmou que pagou pelo silêncio de duas mulheres a mando do republicano e seu ex-chefe de campanha, Paul Manafort, foi condenado por crimes financeiros.
Mas Trump parece decidido a ignorar a tormenta e repete que não fez nada de errado.

O presidente foi evasivo quando indagado na entrevista da Fox News se havia ordenado a Cohen que fizesse os pagamentos, afirmando apenas que seu ex-advogado "fez os tratos" e que suas ações "não eram um delito".

"As violações da [regra de] campanha não são consideradas um grande problema, francamente", queixou-se.

Na entrevista, Trump criticou seu outrora aliado e disse que ele "deveria ser proscrito".

Por outro lado, elogiou Manafort por deixar seu destino nas mãos de um júri, enquanto Cohen preferiu negociar com a Promotoria uma espécie de delação premiada.

Especialistas avaliam ser improvável que Trump seja submetido a processo de impeachment na atual legislatura, de maioria republicana, que vigora até dezembro. Por isso, as eleições de novembro para o Congresso serão cruciais.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3
EBC.

Trump volta a ameaçar secretário de Justiça por inação para frear inquérito

Publicidade

Sexta, 24/8/2018 6:55.

JÚLIA ZAREMBA
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Donald Trump deu início nesta quinta (23) a mais um round de ataques a seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, em meio às investigações sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016 e à condenação do ex-chefe de campanha do presidente por crimes financeiros.

Em entrevista ao programa Fox and Friends, da emissora Fox News, Trump afirmou que escolheu "um secretário de Justiça que nunca teve controle sobre o Departamento de Justiça" e que isso "é meio que uma coisa incrível".

Também criticou o fato de Sessions ter se negado a conduzir as investigações da relação entre Moscou e o pleito de dois anos atrás.

O secretário diz ter tomado a decisão para evitar conflito de interesse -ele participou ativamente da campanha do republicano e, apontou o inquérito, encontrou-se duas vezes com o embaixador russo Sergey Kislyak naquele período.

O ex-senador pelo estado do Alabama foi um dos primeiros parlamentares a endossar a candidatura de Trump e chegou a ser chefe do comitê consultivo de segurança nacional do então candidato à Casa Branca.

"Ele não deveria ter se declarado impedido, ou deveria ter me dito!", disse o presidente. "Que tipo de homem é esse?"

O republicano disse ainda que só deu o cargo a Sessions por lealdade. "Ele foi um apoiador de primeira hora [da sua candidatura]", disse. "Participou da campanha e sabe que não houve conluio com os russos."

O secretário de Justiça rebateu as afirmações do republicano por meio de um comunicado.

"Enquanto eu for secretário, as ações do Departamento de Justiça não serão influenciados de forma inapropriada por considerações políticas", afirmou. "Exijo padrões altos, e quando eles não são atingidos, eu tomo uma atitude."

Sessions afirmou também, em defesa da classe que vem sendo atacada verbalmente pro Trump, que "nenhum país tem um grupo mais talentoso e dedicado de investigadores e procuradores do que os Estados Unidos."

Após esgrimirem verbalmente, os dois se reuniram na Casa Branca para debater reformas no sistema prisional. Segundo fontes relataram para jornais americanos, sem atritos.

Em julho do ano passado, Trump já havia manifestado arrependimento pela escolha de Sessions para o cargo, logo após o secretário ter solicitado o afastamento das investigações sobre a Rússia.

"Como você pega um emprego e depois se recusa (a trabalhar)? Se ele tivesse se declarado impedido antes o trabalho, eu teria dito:" Obrigado, Jeff, mas não vou ficar com você", disse o republicano na época.

Em depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado em junho, o ex-senador negou haver conluio entre o Kremlin e Trump nas eleições de 2016 e chamou as alegação de "mentirosa e detestável".

Na mesma entrevista à Fox News, Trump disse que a economia americana poderia colapsar se ele sofresse impeachment. "Não sei como você pode submeter alguém que fez um grande trabalho a impeachment", disse, insinuando que, sem ele no cargo, "todo mundo ficaria muito pobre".

Trump recebeu dois duros golpes na última terça-feira (21) quando Michael Cohen, seu advogado durante uma década, afirmou que pagou pelo silêncio de duas mulheres a mando do republicano e seu ex-chefe de campanha, Paul Manafort, foi condenado por crimes financeiros.
Mas Trump parece decidido a ignorar a tormenta e repete que não fez nada de errado.

O presidente foi evasivo quando indagado na entrevista da Fox News se havia ordenado a Cohen que fizesse os pagamentos, afirmando apenas que seu ex-advogado "fez os tratos" e que suas ações "não eram um delito".

"As violações da [regra de] campanha não são consideradas um grande problema, francamente", queixou-se.

Na entrevista, Trump criticou seu outrora aliado e disse que ele "deveria ser proscrito".

Por outro lado, elogiou Manafort por deixar seu destino nas mãos de um júri, enquanto Cohen preferiu negociar com a Promotoria uma espécie de delação premiada.

Especialistas avaliam ser improvável que Trump seja submetido a processo de impeachment na atual legislatura, de maioria republicana, que vigora até dezembro. Por isso, as eleições de novembro para o Congresso serão cruciais.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade