Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Mundo
Cuba prende líder das Damas de Branco, 1ª detenção sob novo dirigente

Indício que trocou o governo mas continua a ditadura

Segunda, 23/4/2018 5:59.

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HAVANA, CUBA (FOLHAPRESS) - O regime liderado por Míguel Díaz-Canel deu o primeiro indício de que a repressão de opositores não deve arrefecer em Cuba e deteve ao menos nove integrantes do grupo Damas de Branco, três dias depois da posse do sucessor de Raúl Castro.

Entre as detidas neste domingo (22), está a líder do movimento, Berta Soler. A informação foi dada à reportagem por Angel Moya, marido de Soler, que ficou preso por oito anos sob o regime castrista.

"Berta foi detida, junto com outras damas de branco, na sede do movimento, quando elas protestavam pela libertação dos presos políticos. Até o momento, foram nove damas de branco", disse Moya.

Como de costume, as Damas de Branco, movimento formado por mulheres e parentes de presos políticos, saíram neste domingo às ruas, mas em grupos separados e menores do que em anos anteriores. Segundo Moya, as integrantes foram detidas em diferentes lugares.

"Até o momento, estão desaparecidas, pois não sabemos onde se encontram e os repressores não dizem", afirmou. Até a conclusão desta reportagem, não havia informação sobre seu paradeiro.

Segundo opositores, nos últimos dois anos, a tática de repressão do regime mudou, com detenções mais rápidas, de porucas horas, para evitar protestos e mobilizações.

Na véspera da posse de Díaz-Canel, na quinta (19), Soler disse à reportagem que o regime, em sua opinião, continuaria a reprimir opositores após a saída de Castro da presidência do Conselho de Estado (topo do Executivo em Cuba). O general segue à frente das Forças Armadas e do Partido Comunista Cubano, que tomam as decisões políticas no regime.

"Raúl e Fidel são o mesmo, mas Raúl reforçou a repressão e não há nada que nos sinalize que o próximo governo será menos opressor", disse Soler na última quarta-feira (18).

Naquele dia, ela afirmou que as damas de branco manteriam os atos aos domingos.

Na última semana, Soler estimava haver mais de 80 presos políticos no país. Segundo Manuel Cuesta Morúa, porta-voz do pequeno partido não reconhecido Arco Progressista, o regime vinha, nos últimos anos, mirando dissidentes fora de posições de liderança, para chamar menos atenção -o que não é o caso de Soler.

"Neste momento, vamos continuar a luta", disse Moya. "O governo vai seguir reprimindo, porque a política cubana é repressora contra os direitos humanos. Então não esperamos nenhuma conduta positiva em relação aos direitos humanos", completou.


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Cuba prende líder das Damas de Branco, 1ª detenção sob novo dirigente

Indício que trocou o governo mas continua a ditadura

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Segunda, 23/4/2018 5:59.

HAVANA, CUBA (FOLHAPRESS) - O regime liderado por Míguel Díaz-Canel deu o primeiro indício de que a repressão de opositores não deve arrefecer em Cuba e deteve ao menos nove integrantes do grupo Damas de Branco, três dias depois da posse do sucessor de Raúl Castro.

Entre as detidas neste domingo (22), está a líder do movimento, Berta Soler. A informação foi dada à reportagem por Angel Moya, marido de Soler, que ficou preso por oito anos sob o regime castrista.

"Berta foi detida, junto com outras damas de branco, na sede do movimento, quando elas protestavam pela libertação dos presos políticos. Até o momento, foram nove damas de branco", disse Moya.

Como de costume, as Damas de Branco, movimento formado por mulheres e parentes de presos políticos, saíram neste domingo às ruas, mas em grupos separados e menores do que em anos anteriores. Segundo Moya, as integrantes foram detidas em diferentes lugares.

"Até o momento, estão desaparecidas, pois não sabemos onde se encontram e os repressores não dizem", afirmou. Até a conclusão desta reportagem, não havia informação sobre seu paradeiro.

Segundo opositores, nos últimos dois anos, a tática de repressão do regime mudou, com detenções mais rápidas, de porucas horas, para evitar protestos e mobilizações.

Na véspera da posse de Díaz-Canel, na quinta (19), Soler disse à reportagem que o regime, em sua opinião, continuaria a reprimir opositores após a saída de Castro da presidência do Conselho de Estado (topo do Executivo em Cuba). O general segue à frente das Forças Armadas e do Partido Comunista Cubano, que tomam as decisões políticas no regime.

"Raúl e Fidel são o mesmo, mas Raúl reforçou a repressão e não há nada que nos sinalize que o próximo governo será menos opressor", disse Soler na última quarta-feira (18).

Naquele dia, ela afirmou que as damas de branco manteriam os atos aos domingos.

Na última semana, Soler estimava haver mais de 80 presos políticos no país. Segundo Manuel Cuesta Morúa, porta-voz do pequeno partido não reconhecido Arco Progressista, o regime vinha, nos últimos anos, mirando dissidentes fora de posições de liderança, para chamar menos atenção -o que não é o caso de Soler.

"Neste momento, vamos continuar a luta", disse Moya. "O governo vai seguir reprimindo, porque a política cubana é repressora contra os direitos humanos. Então não esperamos nenhuma conduta positiva em relação aos direitos humanos", completou.


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