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CÚPULA DAS AMÉRICAS - Região avalia rejeitar eleição na Venezuela

Quarta, 11/4/2018 6:25.
Arquivo Página 3.
Maduro, ditador da Venezuela.

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SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL, E PATRÍCIA CAMPOS MELLO
LIMA, PERU, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ausente da oitava edição da Cúpula das Américas, que começa nesta sexta (13) em Lima, a Venezuela será alvo de um documento nos quais países da região dirão que não reconhecem as eleições presidenciais marcadas para 20 de maio e farão críticas ao regime de Nicolás Maduro.

"Vamos insistir que esta eleição não tem validade, que esperamos que se libertem os presos políticos, se estabeleça uma programação eleitoral séria para permitir que os venezuelanos escolham como seguir", disse nesta terça (10) o presidente argentino, Mauricio Macri, após se reunir com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.

Entre outras coisas, o texto deve afirmar que o pleito é ilegítimo e que os países da região não reconhecerão decisões financeiras tomadas pelo regime, sejam renegociações de dívidas, declarações de calote ou lançamento de criptomoedas como o petros.

O argumento para tanto é o de que a Assembleia Constituinte empossada por Maduro não tem legitimidade para isso, apurou a reportagem com fontes diplomáticas.

Macri não deu detalhes, mas insistiu no não reconhecimento das eleições, para as quais a maior parte das candidaturas de oposição foi barrada. "Faz tempo que o país vem deixando de respeitar os direitos humanos, vamos reclamar uma saída democrática para a população."

Não está claro, contudo, quantos dos 34 países assinarão o documento -Argentina e Brasil o fariam, e os EUA também. O país anunciou nesta terça que o presidente Donald Trump não comparecerá à cúpula, e enviará o vice, Mike Pence, crítico veemente de Caracas.

Mas a Bolívia, aliada de primeira hora de Caracas, não deve firmar o texto.

Nesta terça, o presidente Evo Morales indicou que pode desistir de comparecer.

"Queria encontrar-me com Donald Trump e debater cara a cara políticas econômicas e sociais. Agora não irá, então veremos que fazer", disse, acrescentando se frustrar com o fato de o anfitrião ter desconvidado Maduro.

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, reiterou a jornalistas que mantém o desconvite à Venezuela feito por seu antecessor, Pedro Pablo Kuczynksi, que renunciou dia 21. Indagado sobre a insistência de Maduro em comparecer, o peruano disse que ele pode vir "como turista".

Maduro, que após a renúncia de Kuczynski chegou a cogitar sua participação, agora diz que as cúpulas "são uma perda de tempo terrível".

OPOSIÇÃO VENEZUELANA

A oposição venezuelana, porém, já declarou que estará presente por meio de um grupo de deputados da Assembleia Nacional opositora e outros representantes. Segundo a deputada Delsa Solorzano, que lidera o grupo, eles virão "em representação da Venezuela democrática".

Já a líder opositora María Corina Machado, impedida pelo regime de sair do país, enviou uma mensagem aos governos participantes.

"Peço de vocês quatro ações: o reconhecimento do Tribunal Supremo de Justiça legítimo que opera do exílio; o desconhecimento da 'narcofraude' que serão as eleições de 20 de maio; o aumento de sanções aos culpados por essa situação do país e, que façam chegar alimentos e comidas aos que precisam."

O envio de remédios e comida é um dos temas em debate para ser incluído no documento sobre a Venezuela.

Os signatários devem pedir a criação de um corredor humanitário para enviar ajuda à população, algo que a que o regime de Maduro se opõe por não admitir a crise e que tem consequências para os países vizinhos. Desde o início da crise, 52 mil venezuelanos entraram no Brasil (na Colômbia, foram 550 mil).

O sarampo, erradicado do Brasil em 2001, apareceu em 59 casos confirmados e 166 suspeitas em Roraima que coincidem com o êxodo venezuelano. Segundo Brasília, Caracas não aceita a oferta do Brasil de vacinar seus cidadãos na região da fronteira.

O corredor deve ser defendido em uma marcha nesta quinta organizada por venezuelanos residentes no Peru, afirmou o ex-deputado venezuelano Oscar Pérez a jornalistas em Lima, dizendo que a crise exige o "envio imediato de remédios e alimentos".


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Maduro, ditador da Venezuela.
Maduro, ditador da Venezuela.

CÚPULA DAS AMÉRICAS - Região avalia rejeitar eleição na Venezuela

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Quarta, 11/4/2018 6:25.

SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL, E PATRÍCIA CAMPOS MELLO
LIMA, PERU, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ausente da oitava edição da Cúpula das Américas, que começa nesta sexta (13) em Lima, a Venezuela será alvo de um documento nos quais países da região dirão que não reconhecem as eleições presidenciais marcadas para 20 de maio e farão críticas ao regime de Nicolás Maduro.

"Vamos insistir que esta eleição não tem validade, que esperamos que se libertem os presos políticos, se estabeleça uma programação eleitoral séria para permitir que os venezuelanos escolham como seguir", disse nesta terça (10) o presidente argentino, Mauricio Macri, após se reunir com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.

Entre outras coisas, o texto deve afirmar que o pleito é ilegítimo e que os países da região não reconhecerão decisões financeiras tomadas pelo regime, sejam renegociações de dívidas, declarações de calote ou lançamento de criptomoedas como o petros.

O argumento para tanto é o de que a Assembleia Constituinte empossada por Maduro não tem legitimidade para isso, apurou a reportagem com fontes diplomáticas.

Macri não deu detalhes, mas insistiu no não reconhecimento das eleições, para as quais a maior parte das candidaturas de oposição foi barrada. "Faz tempo que o país vem deixando de respeitar os direitos humanos, vamos reclamar uma saída democrática para a população."

Não está claro, contudo, quantos dos 34 países assinarão o documento -Argentina e Brasil o fariam, e os EUA também. O país anunciou nesta terça que o presidente Donald Trump não comparecerá à cúpula, e enviará o vice, Mike Pence, crítico veemente de Caracas.

Mas a Bolívia, aliada de primeira hora de Caracas, não deve firmar o texto.

Nesta terça, o presidente Evo Morales indicou que pode desistir de comparecer.

"Queria encontrar-me com Donald Trump e debater cara a cara políticas econômicas e sociais. Agora não irá, então veremos que fazer", disse, acrescentando se frustrar com o fato de o anfitrião ter desconvidado Maduro.

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, reiterou a jornalistas que mantém o desconvite à Venezuela feito por seu antecessor, Pedro Pablo Kuczynksi, que renunciou dia 21. Indagado sobre a insistência de Maduro em comparecer, o peruano disse que ele pode vir "como turista".

Maduro, que após a renúncia de Kuczynski chegou a cogitar sua participação, agora diz que as cúpulas "são uma perda de tempo terrível".

OPOSIÇÃO VENEZUELANA

A oposição venezuelana, porém, já declarou que estará presente por meio de um grupo de deputados da Assembleia Nacional opositora e outros representantes. Segundo a deputada Delsa Solorzano, que lidera o grupo, eles virão "em representação da Venezuela democrática".

Já a líder opositora María Corina Machado, impedida pelo regime de sair do país, enviou uma mensagem aos governos participantes.

"Peço de vocês quatro ações: o reconhecimento do Tribunal Supremo de Justiça legítimo que opera do exílio; o desconhecimento da 'narcofraude' que serão as eleições de 20 de maio; o aumento de sanções aos culpados por essa situação do país e, que façam chegar alimentos e comidas aos que precisam."

O envio de remédios e comida é um dos temas em debate para ser incluído no documento sobre a Venezuela.

Os signatários devem pedir a criação de um corredor humanitário para enviar ajuda à população, algo que a que o regime de Maduro se opõe por não admitir a crise e que tem consequências para os países vizinhos. Desde o início da crise, 52 mil venezuelanos entraram no Brasil (na Colômbia, foram 550 mil).

O sarampo, erradicado do Brasil em 2001, apareceu em 59 casos confirmados e 166 suspeitas em Roraima que coincidem com o êxodo venezuelano. Segundo Brasília, Caracas não aceita a oferta do Brasil de vacinar seus cidadãos na região da fronteira.

O corredor deve ser defendido em uma marcha nesta quinta organizada por venezuelanos residentes no Peru, afirmou o ex-deputado venezuelano Oscar Pérez a jornalistas em Lima, dizendo que a crise exige o "envio imediato de remédios e alimentos".


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