Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Justiça
Palocci diz em depoimento que Lula atuava diretamente em pedido de propina

Ele sempre soube que tinha ilícito e sempre apoiou as iniciativas de financiamento de campanha etc. "

Terça, 11/9/2018 13:58.
EBC.

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(FOLHAPRESS) - O ex-ministro Antonio Palocci prestou depoimento no âmbito da Operação Greenfield e fez uma série de acusações contra o ex-presidente Lula, incluindo o envolvimento com propina.

Trechos do depoimento, que ocorreu em junho, foram divulgados nesta segunda-feira (10) pelo Jornal Nacional.

A Operação Greenfield foi deflagrada no DF em 2016 e apura fraudes em fundos de pensão, no FGTS e na Caixa Econômica. Essa investigação já mirou, por exemplo, negócios da JBS antes da delação do grupo.

Nos trechos revelados do depoimento, Palocci fala que a descoberta do pré-sal, no segundo mandato de Lula, marcou uma guinada no comportamento do ex-presidente. "O presidente Lula começa a se descuidar da parte legal de sua atuação como presidente, passa a atuar diretamente no pedido de propina."

E continuou: "Ele sempre soube que tinha ilícito e sempre apoiou as iniciativas de financiamento de campanha etc. Mas, no caso do pré-sal, ele começou a ter uma atuação pessoal."

Quanto a fundos de pensão, o ex-ministro recordou a entrada de um representante do PT na Previ (fundo de funcionários do Banco do Brasil), antes de o PT vencer a eleição presidencial de 2002. Segundo ele, Lula chegou a intervir indevidamente nesse fundo.

"Quem procura o presidente para procurar uma interferência nesse fundo é Emílio Odebrecht, em nome da Braskem [braço petroquímico da empreiteira], que tinha sociedade com fundo de pensão e que estaria tendo com parte desse representante do PT, muitas dificuldades. Ali nos pede para inteferir nisso. Foi o evento mais antigo de atuação que eu conheço, dos políticos do PT em relação a fundos de pensão."

O ex-ministro também falou que o ex-presidente se envolveu diretamente na operação de fundos de pensão no projeto da usina de Belo Monte, no Pará. "Ele sabia que a partir desse investimento e desse projeto haveria pedido de propina."

Segundo Palocci, Dilma Rousseff, à época na Casa Civil, "forçava a barra para os fundos investirem" no empreendimento. "Ela insistia que aquilo era uma ordem do presidente Lula e fazia reunião."

A reportagem do Jornal Nacional também mostrou um trecho em que o ex-ministro fala da compra de caças pelo governo brasileiro. Para Palocci, Lula e o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, interferiram de maneira inadequada em uma negociação que era "conduzida tecnicamente pela área da Defesa".

O Brasil acabou comprando caças da sueca Grippen, e o assunto hoje está no centro de uma ação penal contra o ex-presidente Lula, que corre na Justiça Federal do DF.

Não há mais detalhes nos trechos revelados sobre a atuação de Lula nas irregularidades apontadas por Palocci.

Ex-ministro da Fazenda no primeiro governo Lula, ele está preso há dois anos e firmou um acordo de colaboração com a Polícia Federal, que foi homologado em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Em depoimento em setembro do ano passado ao juiz Sergio Moro, Palocci já havia feito uma série de acusações contra Lula, inclusive afirmando que havia um "pacto de sangue" com a Odebrecht. Essa audiência ocorreu dentro de um processo no qual o ex-presidente é réu no Paraná.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula disse apenas: "Palocci fala mentiras sem provas contra Lula para tentar obter benefícios judiciais e sair da prisão."


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Página 3
EBC.

Palocci diz em depoimento que Lula atuava diretamente em pedido de propina

Ele sempre soube que tinha ilícito e sempre apoiou as iniciativas de financiamento de campanha etc. "

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Terça, 11/9/2018 13:58.

(FOLHAPRESS) - O ex-ministro Antonio Palocci prestou depoimento no âmbito da Operação Greenfield e fez uma série de acusações contra o ex-presidente Lula, incluindo o envolvimento com propina.

Trechos do depoimento, que ocorreu em junho, foram divulgados nesta segunda-feira (10) pelo Jornal Nacional.

A Operação Greenfield foi deflagrada no DF em 2016 e apura fraudes em fundos de pensão, no FGTS e na Caixa Econômica. Essa investigação já mirou, por exemplo, negócios da JBS antes da delação do grupo.

Nos trechos revelados do depoimento, Palocci fala que a descoberta do pré-sal, no segundo mandato de Lula, marcou uma guinada no comportamento do ex-presidente. "O presidente Lula começa a se descuidar da parte legal de sua atuação como presidente, passa a atuar diretamente no pedido de propina."

E continuou: "Ele sempre soube que tinha ilícito e sempre apoiou as iniciativas de financiamento de campanha etc. Mas, no caso do pré-sal, ele começou a ter uma atuação pessoal."

Quanto a fundos de pensão, o ex-ministro recordou a entrada de um representante do PT na Previ (fundo de funcionários do Banco do Brasil), antes de o PT vencer a eleição presidencial de 2002. Segundo ele, Lula chegou a intervir indevidamente nesse fundo.

"Quem procura o presidente para procurar uma interferência nesse fundo é Emílio Odebrecht, em nome da Braskem [braço petroquímico da empreiteira], que tinha sociedade com fundo de pensão e que estaria tendo com parte desse representante do PT, muitas dificuldades. Ali nos pede para inteferir nisso. Foi o evento mais antigo de atuação que eu conheço, dos políticos do PT em relação a fundos de pensão."

O ex-ministro também falou que o ex-presidente se envolveu diretamente na operação de fundos de pensão no projeto da usina de Belo Monte, no Pará. "Ele sabia que a partir desse investimento e desse projeto haveria pedido de propina."

Segundo Palocci, Dilma Rousseff, à época na Casa Civil, "forçava a barra para os fundos investirem" no empreendimento. "Ela insistia que aquilo era uma ordem do presidente Lula e fazia reunião."

A reportagem do Jornal Nacional também mostrou um trecho em que o ex-ministro fala da compra de caças pelo governo brasileiro. Para Palocci, Lula e o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, interferiram de maneira inadequada em uma negociação que era "conduzida tecnicamente pela área da Defesa".

O Brasil acabou comprando caças da sueca Grippen, e o assunto hoje está no centro de uma ação penal contra o ex-presidente Lula, que corre na Justiça Federal do DF.

Não há mais detalhes nos trechos revelados sobre a atuação de Lula nas irregularidades apontadas por Palocci.

Ex-ministro da Fazenda no primeiro governo Lula, ele está preso há dois anos e firmou um acordo de colaboração com a Polícia Federal, que foi homologado em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Em depoimento em setembro do ano passado ao juiz Sergio Moro, Palocci já havia feito uma série de acusações contra Lula, inclusive afirmando que havia um "pacto de sangue" com a Odebrecht. Essa audiência ocorreu dentro de um processo no qual o ex-presidente é réu no Paraná.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula disse apenas: "Palocci fala mentiras sem provas contra Lula para tentar obter benefícios judiciais e sair da prisão."


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