Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Justiça
TRATO FEITO - Justiça abre sigilo de processo onde Piriquito é réu

Ex-prefeito de Balneário Camboriú foi acusado de corrupção pelo Ministério Público

Sexta, 19/1/2018 15:23.
Reprodução.
Em depoimento engenheiro disse que havia pedidos de propinas.

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O juiz da 2ª Vara Criminal, Gilmar Antonio Conte, determinou, a pedido do Ministério Público, que seja retirado o sigilo do processo criminal relativo à Operação Trato Feito, onde o ex-prefeito Edson Piriquito é réu.

Ficou mantido o sigilo, por força de lei, relativo às interceptações telefônicas e dados bancários.

São réus neste processo, além do ex-prefeito, os engenheiros da Sotepa Almir José Machado, Marcelo Monte Carlos Silva Fonseca e o ex-comprador da prefeitura Rui Jan Dobner.

Figura ainda como réu o ex-presidente da Compur, Niênio Gontijo, mas ele faleceu em maio de 2017.

A Operação Trato Feito foi executada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em setembro de 2014 desbaratando uma organização criminosa formada por funcionários públicos e fornecedores que fraudavam compras e obras na prefeitura de Balneário Camboriú.

Na ocasião foi preso e liberado no mesmo dia o engenheiro Marcelo Monte Carlo Silva Fonseca que concordou em contar o que sabia aos investigadores.

Segundo Marcelo, que representava a Sotepa, havia um acordo entre a empresa e a administração do município para elaborar projetos com “gorduras” que serviriam para direcionar licitações de obras.

Com essas gorduras era possível na execução da obra eliminar etapas previstas no projeto e com isso gerar o caixa para os pagamentos das propinas.

O engenheiro alegou que o prefeito Edson Piriquito participou pessoalmente desse acerto, acusação negada pelos advogados do prefeito à época.

Dentre outras obras a Sotepa elaborou o projeto do viaduto da Quarta Avenida onde seriam gastos R$ 17 milhões.

O monitoramento telefônico do Gaeco apontou arranjos para reproduzir o mesmo esquema criminoso da Passarela da Barra, inclusive envolvendo alguns dos principais personagens.

Os fatos eram do conhecimento geral entre os envolvidos. Num diálogo telefônico gravado pelo Gaeco, o namorado de uma engenheira que trabalhava na Passarela da Barra pergunta a ela se no viaduto também haveria “chuncho”.

A construção do viaduto seria feita pela Legnet Engenharia e seu diretor Gilberto Piva, assim como seus associados Rodrigues Valadares de Paiva e Evandro Gonçalves, confirmaram em depoimentos que a licitação foi dirigida.

Eles disseram que deveriam pagar inicialmente R$ 100 mil de propina a Niênio Gontijo, homem de confiança do prefeito Edson Piriquito e comissão de 7% sobre o total da obra.

Piriquito não corre risco eleitoral

Embora processado criminalmente, o ex-prefeito Edson Piriquito não corre o risco de deixar de participar da eleição de outubro porque o processo está em fase inicial.

Além disso, as provas contra ele estão baseadas no depoimento de um dos envolvidos nas fraudes, mas não existe algo material, um recibo, uma gravação ou algo semelhante.

Quem aparentemente teria condições de apresentar uma prova mais consistente, Niênio Gontijo, já morreu.

Maioria das obras não foi feita

A Sotepa executou projetos para a Emasa e prefeitura, mas com a Operação Trato Feito a maior parte dessas obras não foi adiante.

É o caso do viaduto da Quarta Avenida e da recuperação dos rios Peroba e Marambaia.

O outro lado

O advogado Marcelo Mello que representa Almir José Machado, diretor técnico da Sotepa, explicou que o processo está tramitando, a defesa será feita, mas antecipou que seu cliente é inocente e que as acusações serão combatidas no momento oportuno.

O ex-comprador da prefeitura, Rui Jan Dobner, não foi encontrado pela reportagem.

Niênio Gontijo faleceu.

O ex-prefeito Edson Piriquito reforçou que não fez nada errado, nem neste nem em outros assuntos relativos ao seu mandato.

Disse que vai se defender e que alguém falar, acusar, não significa provar.

Reafirmou que seu sigilo bancário, fiscal e telefônico está à disposição e disse compreender que por ser homem público está sujeito a situações como essa.

O depoimento

O link abaixo mostra o depoimento do engenheiro Marcelo Monte Carlos Silva Fonseca ao Gaeco e páginas da sua agenda apreendida durante a Operação Trato Feito.

https://pagina3.com.br/PAGINA3/0009609-56.2017.8.24.0005.pdf


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Página 3
Reprodução.
Em depoimento engenheiro disse que havia pedidos de propinas.
Em depoimento engenheiro disse que havia pedidos de propinas.

TRATO FEITO - Justiça abre sigilo de processo onde Piriquito é réu

Ex-prefeito de Balneário Camboriú foi acusado de corrupção pelo Ministério Público

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Sexta, 19/1/2018 15:23.

O juiz da 2ª Vara Criminal, Gilmar Antonio Conte, determinou, a pedido do Ministério Público, que seja retirado o sigilo do processo criminal relativo à Operação Trato Feito, onde o ex-prefeito Edson Piriquito é réu.

Ficou mantido o sigilo, por força de lei, relativo às interceptações telefônicas e dados bancários.

São réus neste processo, além do ex-prefeito, os engenheiros da Sotepa Almir José Machado, Marcelo Monte Carlos Silva Fonseca e o ex-comprador da prefeitura Rui Jan Dobner.

Figura ainda como réu o ex-presidente da Compur, Niênio Gontijo, mas ele faleceu em maio de 2017.

A Operação Trato Feito foi executada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em setembro de 2014 desbaratando uma organização criminosa formada por funcionários públicos e fornecedores que fraudavam compras e obras na prefeitura de Balneário Camboriú.

Na ocasião foi preso e liberado no mesmo dia o engenheiro Marcelo Monte Carlo Silva Fonseca que concordou em contar o que sabia aos investigadores.

Segundo Marcelo, que representava a Sotepa, havia um acordo entre a empresa e a administração do município para elaborar projetos com “gorduras” que serviriam para direcionar licitações de obras.

Com essas gorduras era possível na execução da obra eliminar etapas previstas no projeto e com isso gerar o caixa para os pagamentos das propinas.

O engenheiro alegou que o prefeito Edson Piriquito participou pessoalmente desse acerto, acusação negada pelos advogados do prefeito à época.

Dentre outras obras a Sotepa elaborou o projeto do viaduto da Quarta Avenida onde seriam gastos R$ 17 milhões.

O monitoramento telefônico do Gaeco apontou arranjos para reproduzir o mesmo esquema criminoso da Passarela da Barra, inclusive envolvendo alguns dos principais personagens.

Os fatos eram do conhecimento geral entre os envolvidos. Num diálogo telefônico gravado pelo Gaeco, o namorado de uma engenheira que trabalhava na Passarela da Barra pergunta a ela se no viaduto também haveria “chuncho”.

A construção do viaduto seria feita pela Legnet Engenharia e seu diretor Gilberto Piva, assim como seus associados Rodrigues Valadares de Paiva e Evandro Gonçalves, confirmaram em depoimentos que a licitação foi dirigida.

Eles disseram que deveriam pagar inicialmente R$ 100 mil de propina a Niênio Gontijo, homem de confiança do prefeito Edson Piriquito e comissão de 7% sobre o total da obra.

Piriquito não corre risco eleitoral

Embora processado criminalmente, o ex-prefeito Edson Piriquito não corre o risco de deixar de participar da eleição de outubro porque o processo está em fase inicial.

Além disso, as provas contra ele estão baseadas no depoimento de um dos envolvidos nas fraudes, mas não existe algo material, um recibo, uma gravação ou algo semelhante.

Quem aparentemente teria condições de apresentar uma prova mais consistente, Niênio Gontijo, já morreu.

Maioria das obras não foi feita

A Sotepa executou projetos para a Emasa e prefeitura, mas com a Operação Trato Feito a maior parte dessas obras não foi adiante.

É o caso do viaduto da Quarta Avenida e da recuperação dos rios Peroba e Marambaia.

O outro lado

O advogado Marcelo Mello que representa Almir José Machado, diretor técnico da Sotepa, explicou que o processo está tramitando, a defesa será feita, mas antecipou que seu cliente é inocente e que as acusações serão combatidas no momento oportuno.

O ex-comprador da prefeitura, Rui Jan Dobner, não foi encontrado pela reportagem.

Niênio Gontijo faleceu.

O ex-prefeito Edson Piriquito reforçou que não fez nada errado, nem neste nem em outros assuntos relativos ao seu mandato.

Disse que vai se defender e que alguém falar, acusar, não significa provar.

Reafirmou que seu sigilo bancário, fiscal e telefônico está à disposição e disse compreender que por ser homem público está sujeito a situações como essa.

O depoimento

O link abaixo mostra o depoimento do engenheiro Marcelo Monte Carlos Silva Fonseca ao Gaeco e páginas da sua agenda apreendida durante a Operação Trato Feito.

https://pagina3.com.br/PAGINA3/0009609-56.2017.8.24.0005.pdf


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