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Artigos 25 Anos: Hora de Melhorar, por Marlise Schneider Cezar

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Arquivo JP3

Terça, 26/7/2016 9:15.

Em sua primeira edição, na contracapa, o artigo ‘ Hora de Melhorar’ , assinado pela jornalista Marlise Schneider Cezar, sócia-fundadora do jornal, descreveu o cenário. Confira o texto publicado:

Hora de melhorar Marlise Schneider Cezar – Julho de 1991

“Há uma semana, Balneário Camboriú completou 27 anos e, em meio a festas e inaugurações, é preciso pensar em fabricar uma solução para este quadro que aí está. A cidade, que vive do turismo, alimento principal da construção civil, das imobiliárias e dos comerciantes – parou no tempo e no espaço. Continua bonita nos postais, mas se o turista não volta é porque não encontrou o que procurava. “Só o visual que Deus nos deu não é o bastante. Nós precisamos ajudar”, diz o secretário de Turismo Mazoca.

A reurbanização da avenida Atlântica significa segundo ele, um giro de 360graus na imagem da cidade. A praia que há 27 anos era coberta de mato e era famosa pela pureza de sua água, está poluída. O turista procura outras opções. Sete anos depois da implantação da rede da Casan, a prefeitura anda às voltas com lacres de esgotos clandestinos (já são mais de 100), que despejam diretamente no Canal do Marambaia, vão para o mar e poluem a praia.

A cidade também vive problemas sociais graves, envolvendo a exploração indevida de pedreiras, interditadas judicialmente. Mais de 300 broqueiros estão parados. Alguns voltaram esta semana ao trabalho, mesmo correndo o risco de serem presos em flagrante. “São pessoas pobres que trabalham para enriquecer intermediários e que estão sem o seu ganha-pão”, disse Raimundo Malta, secretário do Meio Ambiente, que procura áreas apropriadas para o corte de pedras.

Os pescadores artesanais, que transformaram o arrastão em atração turística, enfrentam dias difíceis. Estão perdendo seu espaço para os barcos atuneiros, que chegam a 200m da praia, para levar os peixes pequenos como isca para os atuns em alto mar. Sem alimento, os peixes maiores não freqüentam mais a baía e deixam as redes de arrastão cada vez mais vazias. Quando completa 27 anos, a cidade que cresceu demais, não estruturou-se adequadamente ao volume de construções e pessoas, se debate até com questões territoriais.

“A cidade não tem mais para onde crescer”, costuma definir o prefeito Leonel Pavan. Balneário Camboriú enfrenta problemas sérios de transporte coletivo. As pessoas tem dificuldade de locomoção, porque não tem uma linha circular, interna, para quem precisa se deslocar entre os bairros. O prefeito garante que será resolvido. “Abrimos concorrência pública e se as nossas exigências não forem atendidas, vamos implantar o transporte coletivo municipal”, anunciou. Ele próprio admite que segurança, transporte e habitação popular são hoje os maiores problemas da cidade. A questão social tem reflexos diretos na periferia, onde a proliferação de barracos acontece da noite para o dia. Isto não é bom para uma cidade que vive do turismo.

O jornal Página3 reservou um espaço para o turismo, quer investir e ajudar a recuperar a imagem dos cartões postais, oferecendo informações que interessem ao mercado interno e externo. Damesma forma, como o movimento de resgate da memória cultural de Balneário Camboriú, um presente que a cidade ganhou há seis meses, sob a liderança de Jurandir Knabben. Ele acredita que a história de uma cidade pode aproximar seu povo. Isso é bom para o turismo. É bom para Balneário Camboriú que fez 27 anos, mas ainda não atingiu a maioridade”

(Texto publicado na edição número 1 do Página 3, em 26 de julho de 1991)

Hora de melhorar 2 Por Marlise Schneider Cezar – Julho de 2016

O texto escrito há 25 anos sobre Balneário Camboriú está ‘ quase’ atual. Continuamos dependendo do turismo, a construção civil
ainda é a matriz maior da nossa economia, a cidade continua linda, mas o principal cartão postal, a praia, continua seriamente doente.

O Canal do Marambaia continua poluído e exalando mau cheiro. Habitação popular segue sem solução. Segurança pública continua sendo um dos mais graves problemas. Outros como a exploração das pedreiras acabaram, foram substituídos por invasões e construções onde a lei proíbe e não é respeitada. Transporte entre bairros temos, mas agora precisamos avançar, interligar com Camboriú e Itajaí.

Planejar nossa mobilidade urbana. Em tempos sustentáveis, abrir espaço para bicicletas e planejar um roteiro cicloviário que nos destaque no país. Como cidade pequena que somos (territorialmente falando) poderíamos nos tornar exemplono país de acessibilidade, com calçadas, hotéis, lojas, tudo adequado para receber cadeirantes, deficientes visuais e outros. Tudo isso reflete no turismo.

Precisamos explorar e qualificar o nosso turismo, porque só crescer ‘ pra cima’ não vai nos tornar uma cidade melhor, vai faltar infra-estrutura para atender todo mundo que queremos receber. Crescemos muito rapidamente nestes 25 anos. Agora precisamos desenvolver o que temos. Por isso, o título Hora de Melhorar continua atual quando Balneário Camboriú acaba de completar 52 anos.


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