Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
Inverno - As mudanças na estação mais fria do ano por causa da pandemia

Quinta, 18/6/2020 18:51.

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Renata Rutes

O inverno começa oficialmente neste sábado (20) e promete ser diferente por conta da pandemia do Covid-19. A estação mais fria do ano já potencializa naturalmente problemas respiratórios, além de que estimula as pessoas a se reunir em ambientes fechados para se manterem aquecidas, por isso acaba sendo preocupante por conta do novo vírus. Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou recentemente, através da diretora-geral da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da OMS nas Américas, Carissa Etienne, que não há dados que mostrem que o frio ou a umidade influenciam na disseminação do Coronavírus. O Página 3 conversou nesta semana com médicos, trade turístico, meteorologistas, estilistas, dentre outros profissionais sobre o que esperam deste inverno, que promete ser diferente.

Médicos orientam sobre cuidados que este inverno exige em tempos de Coronavírus

“Um corpo saudável tem também mais imunidade”

LETICIA ZIGGIOTTI, infectologista da Vigilância Epidemiológica de Balneário Camboriú e do corpo clínico do Hospital do Coração

“O inverno já tem doenças sazonais, principalmente virais, como pneumonia, Influenza, resfriados e agora também o Coronavírus, que estamos aprendendo como se comporta. Já sabemos que a pandemia não é afetada necessariamente pelo clima, já que no calor os casos também acontecem, a exemplo de Manaus, mas pode ser que no inverno piore, assim como na Europa. No inverno, por conta do clima ser mais frio, os ambientes acabam sendo menos ventilados porque fechamos as janelas, em casa, no trabalho, no ônibus, lavamos menos as mãos porque a água está gelada, é uma combinação para acabarmos mais expostos a todos esses vírus e precisamos rever esses comportamentos. Não há nenhuma evidência científica que suplementações de vitamina previnem o Corona, mas manter uma dieta saudável e rotina de exercícios, mesmo em casa, não comer muito sal e açúcar para evitar sobrepeso é essencial, pois a hipertensão arterial e a diabete, por exemplo, são fatores de risco para o Coronavírus. Ter uma alimentação saudável é positivo para evitar todos os tipos de infecção. Um corpo saudável tem também mais imunidade, conseguindo assim lutar contra as doenças. Vejo que temos que redobrar os nossos cuidados agora no inverno, permanecendo alerta, lavando as mãos, usando álcool gel, seguindo com o uso da máscara e as trocando com frequência. O vírus está circulando mais, porque há mais pessoas na rua, já o que isolamento social diminuiu muito, por isso seguir todas as regras de prevenção se mostra ainda mais fundamental. Evitem sair de casa quando não houver necessidade. Sempre que possível fique em casa”.

“As crianças são especialmente suscetíveis”

JANAÍNA SORTICA FACHINI, pediatra e professora do curso de Medicina da Univali

“Para conversar sobre o Coronavírus com as crianças é necessário adaptar a conversa a cada faixa etária, para melhor entendimento. Crianças maiores entenderão que é uma doença que pode se tornar séria em algumas pessoas, enquanto os muito pequenos podem só entender que terão que ficar em casa, longe dos amigos e dos avós, o que pode gerar confusão, tristeza e ansiedade. A UNICEF elaborou oito dicas para os pais falarem sobre (disponíveis no site unicef.org), dentre elas destaco algumas: quando for falar sobre a pandemia com a criança não se limite a fornecer informações, pergunte o que ela entendeu, o que gostaria de saber, seus medos e procure responder de forma simples. Se você não souber a resposta pode junto com a criança pesquisar na internet. Outra forma interessante é através de desenhos, estimule essa atividade. É importante que as crianças não fiquem expostas excessivamente aos noticiários, pois estes podem gerar maior insegurança e elas podem pensar que estão em perigo iminente. É necessário que os adultos mostrem que é necessário se proteger, lavando as mãos frequentemente por 20 segundos (pode ser cantando a música favorita da criança), o uso correto da máscara, que é recomendado para todas as crianças acima de dois anos (pode-se utilizar máscaras lúdicas, com personagens) em ambientes públicos e na rua. Explique antes para a criança que ela precisará utilizar a máscara durante todo o tempo que estiver fora. Se precisar sair de casa, que seja por um período curto de tempo e evitando locais fechados, como shopping ou mercado. É muito importante para as crianças a exposição solar, então pode brincar ao ar livre, mas tendo o cuidado com o distanciamento de 1,5m. Quanto mais ‘amplo’ e menos pessoas no ambiente menor a chance de contágio, lembrando de higienizar mãos e objetos ao voltar para casa. Com a chegada do inverno sabemos que outras doenças respiratórias também aparecem e as crianças são especialmente suscetíveis, então algumas dicas que podemos seguir são: manter vacinas em dia (inclusive gripe, que não previne a Covid-19 mas previne o H1N1, que pode provocar infecção respiratória mais grave em crianças), manter rotinas de sono e uma alimentação e hidratação adequadas, é importante mesmo na quarentena que se mantenham os horários de sono/descanso e os horários das refeições, bem como horários de estudos. Para crianças que já tem alguma doença respiratória como bronquite ou asma é recomendado manter essas doenças controladas, então as consultas de rotina bem como medicamentos de uso contínuo devem ser mantidos. Atividade física também é importante para a criança, mesmo em casa, seja pular corda, correr em um ambiente mais restrito, fazer alguns polichinelos, algo simples que possa ser adaptado ao seu ambiente. A manutenção de uma alimentação saudável é o mais indicado, porém se a criança faz uso de algum medicamento e/ou vitamina prescrito pelo seu pediatra este deve ser continuado. Lembre de tranquilizar a criança de que esta é uma fase e que vai passar, deixe claro que ela pode conversar sobre o assunto sempre que precisar e que você irá ouvi-la. Vale ressaltar a importância de que a criança entenda que ela não está de férias e que suas atividades serão realizadas em casa, mas temos que ter o cuidado para não sobrecarregá-las de ‘compromissos’, deixando um tempo para o ócio e as ‘brincadeiras de criança’. Observe a linguagem corporal, o tom de voz, respiração, apetite e o sono, que falam muito sobre o estado emocional da criança”.

“A possibilidade da contaminação será a maior diferença neste inverno”

MARCIO ACCIOLY SIPPEL FOSSARI, pediatra e professor do curso de Medicina da Univali

“Abaixo de dois anos o uso de máscara não é indicado, acima disso sim. O ideal é transformar o uso da máscara em algo que a criança goste, incentivando que ajude a confeccionar, ou adquirindo máscara com personagens. Não diga que o Coronavírus é um monstro, explique que ele é um ‘bichinho’. Precisamos minimizar o efeito, e não assustar. Há várias doenças respiratórias no mundo, apesar do Coronavírus ser a mais popular neste momento. É importante reforçar para os pequenos os cuidados que eles precisam ter, como não tossir/espirrar no amiguinho, manter os cuidados com a mão e higiene. Usar máscara é importante, mas se a mão não estiver higienizada a criança pode se contaminar. As mãos podem ser um problema maior do que a não utilização da máscara. O distanciamento também é muito necessário. Percebo que nessa pandemia, com as crianças estando há tanto tempo em casa, o número de acidentes domésticos aumentou, como choques elétricos, quedas, queimaduras e ingestão de medicamentos e outros produtos. O álcool 70% pode ser mais inflamável, mas o álcool gel permanece na pele, por isso os pais precisam ficar atentos. Intensifique a não permissão da criança na cozinha, eles não podem ficar sozinhos. As doenças respiratórias continuam e se tornam ainda mais preocupantes no inverno, por isso é essencial manter uma boa hidratação, alimentação e higiene. Evite sair se não houver necessidade, e busque por lugares sem aglomeração. Ambientes de natureza são a melhor opção, mas quando pensamos em sair só pensamos em shoppings, que são os de maior movimento. Se a criança estiver com febre baixa e normal, cuide dela em casa, observando a saúde e com uso de antitérmico. Não faça uso de medicação excessiva e não deve ser suspenso o aleitamento materno. As vacinações também precisam estar em dia. A possibilidade da contaminação será a maior diferença neste inverno, mas a maioria das crianças não contrai doenças graves respiratórias quando contraem Covid. Se os pais cuidarem, manterem o distanciamento e usarem máscara é possível que tenhamos até menos casos de doenças respiratórias no geral comparando aos outros anos. O cuidado com o Covid pode refletir na Influeza e outras doenças, podendo ter um impacto positivo. O contato com os avós precisa seguir sem acontecer, já que os idosos são o grupo de maior risco. É triste, mas é uma medida necessária. As crianças sentem falta, mas o meio online ajuda nisso. Temos que seguir nos cuidados para que esse ciclo feche o quanto antes. Tenho esperança que a situação vai melhorar, mas precisamos nos cuidar, e pensar a nível de sociedade”.

“Praticar exercícios ao ar livre é terapêutico”

ANDRÉ ALEXEY POLIDORO, médico do Lar São Vicente de Paula, o asilo de Balneário Camboriú

“Neste inverno, os cuidados em saúde devem ser redobrados. Há sempre o risco de cairmos na repetição das mesmas falas de todo ano, como manter hidratação adequada, manter casas e ambientes arejados, manter a rotina de exercícios e habituar-se a uma alimentação saudável. Porém, algo que se torna cada vez mais importante em saúde é a qualidade da informação. Recebemos várias informações por revistas e internet, e nem sempre são verdadeiras. Essas informações podem gerar pânico e medo desnecessários, tanto quanto atitudes de negligência com a própria saúde e devemos sempre checar a origem dessas informações. Os idosos são grupo de risco para as principais doenças, inclusive para infecções respiratórias, como o COVID-19. O cuidado contra essa doença não pode ser neglicenciado, que frequentemente tem sintomas leves, porém pode ser grave e causar insuficiência respiratória. A prefeitura de Balneário disponibiliza informações pelo site e pelo WhatsApp, no número 47 99243-4894. Portanto, temos como alvo o equilíbrio (se é que podemos falar assim), e acredito que o mesmo está entre nos cercarmos de boas companhias, gestos de amor e alegria de viver ao mesmo tempo em que abusamos da higienização das mãos com álcool, das máscaras, de evitar aglomerações e situações de risco. Em situações de lockdown, as pessoas são proibidas de sair à rua. Muitas vezes, reconduzidas às suas casas por agentes de segurança. A orientação no estado, atualmente, é o distanciamento social. Ou seja, não proíbe a prática de atividades, mas recomenda a não realização de atividades coletivas, como dança, jogos coletivos, etc. Praticar exercícios ao ar livre é terapêutico, atua como tratamento de doenças e prevenção de muitas outras. Portanto, retorno que a questão central é o equilíbrio. Fazer atividade com máscara, em local seguro deve fazer bem a saúde. Dançar, e expor-se a risco de contaminação por outras pessoas, fará o contrário. Ao mesmo tempo, é importante destacar que locais fechados são mais perigosos, como ficar longos períodos em lotéricas, bancos, mercados, shoppings, e não melhoram tanto nossa saúde ou não dão tanto prazer. Essas funções podem ser atribuídas a outras pessoas da família, se possível. Se não for possível, lembrar dos cuidados de prevenção, como uso de máscaras, álcool, evitar tocar superfícies possivelmente contaminadas e ficar o menor tempo possível nestes locais”.


Inverno tende a ter noites e madrugadas frias e pouca chuva

O inverno inicia oficialmente neste sábado (20), às 18h44, e em Santa Catarina a estação deverá ser de temperatura média, com noites mais geladas e dias com temperatura agradável e até mesmo podendo ultrapassar os 30ºC, e com pouca chuva, segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais de Hidrometeorologia de Santa Catarina (EPAGRI/CIRAM); há chance de nevar no Planalto Sul, em cidades como São Joaquim e Urubici, que já são famosas por essa condição climática e atraem turistas nesta época do ano por este motivo.

Balneário Camboriú e região

O Laboratório de Climatologia da Univali destaca que o inverno astronômico inicia neste sábado, pois o inverno climatológico começou no início de junho. Essa primeira noite do inverno (chamada de solstício de inverno) é a mais longa do ano. A tendência é que entre julho e setembro chova de 89 a 143 milímetros na região, lembrando que nesses seis meses do ano foram quatro meses (janeiro, março, abril e maio) com chuvas abaixo da média histórica levando a região a uma crise hídrica, e dois meses acima da média histórica (fevereiro e junho). Em junho as chuvas, até quarta-feira (17), atingiram 42% acima da média histórica, com boa distribuição temporal, minimizando a estiagem.

Quanto a temperatura, de acordo com informações do Labclima/Univali, as médias para os meses de julho são de 12/21°C, agosto de 13/22°C e setembro de 14/23°C. Há previsão de passagens de frentes frias pela região, influenciadas por entradas de massa de ar polar e ondas de frio, além da tendência de acontecerem ciclones extratropicais, que trazem ressaca nas praias e nevoeiros – a exemplo do que aconteceu em Balneário na última sexta-feira (12).

Santa Catarina

Segundo as meteorologistas Marilene de Lima e Gilsânia Cruz, do EPAGRI/CIRAM, a previsão de chuva deve variar neste inverno entre a média e abaixo da média, seguindo mal distribuída e irregular no Estado, principalmente entre julho e agosto. Porém, há chance de chover intensamente em um curto espaço de tempo, por isso é recomendável acompanhar a previsão do tempo diariamente. A chuva no inverno é causada principalmente pelas frentes frias. Nos meses de junho e julho deve chover na região de Balneário Camboriú entre 70 e 130 milímetros; já em agosto esse número é um pouco maior, tendendo a variar entre 90 e 130 milímetros.

Assim como citado na previsão do Labclima/Univali, ciclones extratropicais estão previstos para essa época do ano, deslocando-se pelo litoral do Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e isso gera vento intenso e mar agitado (com chance de ressaca), sendo perigoso para a navegação. O inverno será marcado por uma maior amplitude térmica: as noites e madrugadas tendem a ser mais geladas, com temperaturas baixas, formação de geada. Há chance de neve no Planalto Sul. Os dias – principalmente as tardes – prometem ser de temperatura agradável a até mais elevada, podendo ultrapassar os 30ºC (o chamado ‘veranico’).


Gastronomia: evento novo na área, safra da tainha, fondue e mais

O mês de julho já é tradicionalmente voltado para a gastronomia em Balneário Camboriú, com destaque para o festival gastronômico Balneário Saboroso, que chega em sua 11ª edição neste ano, consolidado como o maior evento do segmento do sul do país. Porém, por conta da pandemia do novo Coronavírus, o festival acontecerá em novembro – entre os dias 5 e 29. Para não deixar que o mês de julho ‘passe em branco’ o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau (BC Convention), entidade que organiza o Saboroso, criou um novo evento: a 1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa, que acontecerá de 8 a 31 de julho. Além disto, Balneário vive a safra da tainha (que segue até 31 de julho) e vem se mostrando positiva neste ano, com mais de 20 mil peixes pescados na cidade até o momento; outro destaque da gastronomia desta época do ano é o fondue, além das sopas.

1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa

A presidente do BC Convention e hoteleira, Margot Rosenbrock Libório, explica que em decorrência da quarentena, que iniciou ainda em março, a diretoria da entidade passou a ver que o Balneário Saboroso como acontecia (restaurantes da cidade comercializavam entrada, prato principal e sobremesa por um valor x) não poderia ser realizado em julho, e não havia vontade em alterar os moldes do já consolidado evento, que acabou sendo adiado para novembro. A partir disso, com a participação de boa parte dos restaurantes que integrariam a 11ª edição do Saboroso, foi criada a 1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa. A Mostra foi organizada em tempo recorde, começando a ser elaborada em abril.

“Queríamos ter algum evento, mas não sabíamos como estaríamos em julho, e na realidade até hoje não sabemos. Consideramos as dificuldades que os restaurantes estão tendo e resolvemos apoiá-los com a criação do BC Convida, que será uma forma de eles atraírem clientes e seguirem ativos economicamente”, diz.

Margot aproveita para destacar que a Mostra é dinâmica e que, diferente do Saboroso, o público não precisará ir, se não quiser, consumir no restaurante, já que haverá também opção de delivery.

“Será algo muito colaborativo e esperamos que a cidade apoie, assim como fazem com o Saboroso. Apoiar o empresariado local, quem é de Balneário, é essencial nesse momento que vivemos. Acreditamos que apesar das dificuldades que estamos vivenciando ficarão coisas boas”, analisa.

A hoteleira, que é proprietária dos hotéis Bella Camboriú e Rosenbrock, localizados respectivamente no centro e no Bairro das Nações, salienta que ‘a vida precisa continuar’, mesmo que de forma adaptada, lembrando que ‘a quarentena é o remédio’, mas que há consequências disto na economia e também no psicológico das pessoas.

“Há aqueles que têm necessidade de sair, mas o BC Convida não ‘forçará’ ninguém a nada. Eu, por exemplo, até o momento não fui em nenhum restaurante pessoalmente, apoiei meus amigos da gastronomia pedindo delivery e retirando meu pedido em balcão, então para aqueles que não se sentirem confortável haverá essa opção”, acrescenta.

A presidente aproveita para destacar que julho era também um bom mês para o turismo em Balneário, já que havia o recesso escolar; ela cita que há expectativa de que haja movimento, mas que ‘o fluxo não será como antes’.

“Recebíamos muitas pessoas do sudeste para cima, e agora nosso turismo tenderá a ser mais regionalizado, com pessoas de perto vindo nos visitar em seus carros. Talvez em julho mais aéreos sejam ativados, mas não sabemos se o público se sentirá seguro para viajar, de locais como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. Estamos com as vendas de julho abertas, mas as reservas estão acontecendo muito em cima da hora e quem está vindo também não está fazendo reserva; percebemos que aumentou a pesquisa por Balneário nos últimos dias. Ou seja, as pessoas estão planejando viajar, mas vão deixar para confirmar no último momento”, completa.

Safra da tainha está sendo positiva

Outro ponto tradicional do inverno catarinense é a safra da tainha, que iniciou em 1º de maio e segue até 31 de julho. Até o momento (quinta-feira, 18), os pescadores de Balneário Camboriú pegaram cerca de 20,4 mil tainhas; as praias que mais pescaram até o momento foram Estaleiro e Laranjeiras, chegando cada uma em cerca de seis mil peixes, seguindo pelo Estaleirinho com cerca de 5,5 mil tainhas; o Pinho já pescou aproximadamente 1,7 mil, Taquaras 367 e Taquarinhas 900. Na Praia Central os pescadores só capturaram tainhotas, que são os filhotes de tainha, mas a expectativa é que os peixes também cheguem até lá.

O pescador Ronan Vignolli Pinheiro explica que a expectativa de que o ano seria ‘bom de peixe’ está se confirmando – os pescadores acreditam que o fato de 2020 ser um ano bissexto influencia na pesca, e que o número atual já é bastante positivo, considerando que há mais de 40 dias de safra pela frente.

“Nos entristece essa pandemia, já que por conta dela todas as festas foram canceladas. Estamos com fartura de tainha, mas não conseguiremos fazer os eventos... como a Festa do Pescador, a Festa de Taquaras. Todos aconteciam em julho, junto do aniversário da cidade. Mas não temos como ir contra, não tem clima nenhum para festa”, diz.

Ronan salienta que mesmo assim, ‘a turma está animada’, já que estão conseguindo pescar bastante peixe. Ele aproveita para acrescentar que um bom momento para o público comprar a tainha é exatamente no arrasto dos pescadores, que comercializam o peixe direto na praia.

“Vendemos na hora, as tainhas inteiras, fresquinhas, variam de R$ 10 a R$ 25 (de acordo com o tamanho do peixe), mas se a pessoa quiser comprar mais de uma também vendemos mais barato, acertamos tudo na hora. Tem muita gente procurando, com as redes sociais o pessoal fica ligado na hora da pesca e correm para a praia”, pontua.

Boa parte das tainhas são vendidas dessa forma, mas os pescadores também acertam com as peixarias da cidade, principalmente quando a quantidade de peixes é muito grande.

“Dividimos com a equipe que trabalhou no arrasto, levamos parte dos peixes ou o valor das vendas. A safra está sendo uma benção, em Balneário já está sendo bom, mas aqui elas (as tainhas) chegam depois, passam primeiro por Floripa, Bombinhas, e lá estão pegando até bem mais do que aqui. O peixe viaja, está em todo o litoral, e a nossa grande expectativa é agora para o fim do mês”, completa.

Fondue e sopas: pratos que fazem sucesso no inverno

Dois pratos famosos e bastante procurados nesta estação são o fondue e a sopa. Muitas pessoas optam por fazê-los em casa, mas há inclusive delivery de ambos em Balneário Camboriú. No caso do fondue, uma opção é o do Outback, que conta com restaurante no Balneário Shopping.

  • O cliente pode ir até o local ou pedir o prato pelo aplicativo iFood.
  • Há disponível a versão salgada por R$ 89,90, o de chocolate por R$ 69,90 ou o combo (com o fondue de queijo + o de chocolate) por R$ 149.

Já para quem quer comer sopa, há a Casa das Sopas, que fica na Avenida Brasil.

  • Também através do iFood o restaurante comercializa especialidades como vaca atolada, canja de galinha, creme de palmito e sopa de legumes; todos esses a partir de R$ 21.
  • Há também capelete, recheado de frango, a partir de R$ 29.

Férias de julho: Educação estuda recesso, mas movimento de turistas não deve ser forte

Julho é marcado pelo recesso escolar, e muitas famílias utilizam o mês para viajar. Porém, neste ano isso tende a ser diferente. As crianças estão tendo aulas à distância, mas ainda não há confirmação sobre férias. A Secretaria de Educação de Balneário Camboriú está estudando a situação. O turismo também acaba sendo afetado não só por isto, mas principalmente pela pandemia do Covid-19, que causou inclusive o cancelamento da programação do aniversário de 56 anos de Balneário Camboriú, que é comemorado em 20 de julho.

Férias escolares x volta às aulas

A secretária de Educação de Balneário Camboriú, Rosângela Percegona Borba, conta que as aulas seguem acontecendo de forma online e os alunos que não tem acesso à internet estão retirando o conteúdo na escola toda segunda-feira. Entre os conteúdos repassados, há novas matérias, que são explicadas através de vídeo-aulas e no caso dos alunos que retiram o conteúdo através das apostilas o professor explica na escola. Rosângela salienta que está em discussão se haverá ou não um período de recesso, já que sabem que não só os alunos como também os pais e professores estão cansados e precisam parar um pouco.

“Em breve o prefeito determinará. Há dois cenários que estamos analisando, com base em dois calendários, em um vamos ter aulas aos sábados e em outro não. Também estamos em contato com o Governo Federal, e eles estão estudando um terceiro cenário: a possibilidade de trabalharmos com 600h letivas ao invés das 800h. Se houver essa possibilidade, vai mudar tudo. Esse ano não está sendo nem um pouco perto do que queríamos ter, sabemos que está deixando a desejar”, explica.

Até o momento, a volta às aulas presenciais está programada para acontecer em agosto, mas a Secretaria de Educação já trabalha com três datas: os dias 3, 17 ou 30, e isso acaba gerando dificuldade no planejamento. Rosângela cita que quando os alunos retornarem, irão fazer um diagnóstico para saber como eles estão, e quem tiver necessidade receberá reforço do conteúdo no contra-turno.

“Vemos que para uma retomada presencial é positivo dar uma parada, inclusive para voltarmos mais tranquilos. E não será como antes, será uma rotina totalmente diferente. Teremos recreios separados para não ter aglomeração, horários de chegada e saída por turma; o refeitório também precisará passar por adaptações, já que é um local que pode ser altamente transmissível. Estamos estudando até a possibilidade de servirmos, em algumas escolas, o lanche diretamente na sala de aula”, acrescenta.

Já se discute também que as aulas sejam mistas: online e presenciais. Por exemplo, uma turma de 40 alunos será dividida, metade tendo aula presencial em uma semana, e metade online, para na próxima semana inverter.

“Estamos estudando tudo, é muito precoce para sabermos exatamente como vai ser. Há limitações e estamos buscando resolver da melhor maneira”, completa.


Turismo vive momento incerto: programação do aniversário de Balneário foi cancelada

O turismo foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia do novo Coronavírus; julho, que era um mês movimentado em Balneário Camboriú e também marcado pelo aniversário da cidade, será totalmente diferente. O secretário de Turismo, Valdir Walendowsky, salienta que a programação de comemorações, que inclui tradicionalmente eventos como a Festa dos Amigos, Casamento Coletivo e corte do bolo de aniversário (que nesse ano teria 56 metros, sempre um metro pela idade que a cidade comemora) foi suspensa.

“Não podemos fazer eventos com aglomeração, por isso tivemos que suspender a programação de aniversário. Não podemos ir contra o decreto estadual, não há a mínima chance de fazermos festa agora, cuidar da questão da saúde é o nosso marco principal, não temos como fugir disso”, afirma.

Walendowsky pontua que o momento é incerto, porém lembra que no último final de semana houve certo movimento na cidade – influenciado principalmente pelo feriado de Corpus Christi, ocorrido na quinta-feira (11).

“Houve ocupação dos hotéis que estavam aberto, mas não aconteceu reserva antecipada. O pessoal que nos visitou decidiu vir de última hora e chegaram sem reserva, já que sabiam que os hotéis teriam disponibilidade para recebê-los”, diz.

O secretário analisa que os turistas estão ‘muito cautelosos’, e que por isso a retomada do movimento será gradual, já que ‘as pessoas precisam sentir segurança para viajar’.

“Por isso é essencial fazermos investimentos frequentes para garantir que Balneário Camboriú possui a chamada segurança da saúde, que é algo que as pessoas estão levando em consideração ao escolherem um destino para visitar”, opina.

O trade turístico junto com a Secretaria de Saúde e Vigilância Sanitária estão elaborando um selo de fiscalização, que será focado nos meios de hospedagem, restaurantes, bares e atrativos turísticos, servindo de ‘segurança visual’ para os turistas, mostrando que o local está apto para recebê-los.

“Em breve já deveremos ter uma resposta quanto a isso. Vamos divulgar que temos esse selo e será um diferencial para Balneário, demonstrará que temos cuidado com todos que nos visitam e que aqui moram”, completa.


Moda inverno: consumo mudou e público tende a prezar pelo conforto

A cada troca de estação, mudam-se as coleções de roupas nas lojas, desde grandes marcas como produtores menores e locais. A moda inverno é uma das preferidas de muitas pessoas, que a consideram a mais ‘elegante’ do ano. Porém, 2020 vem sendo um ano atípico e esse segmento também foi afetado pela pandemia do Coronavírus. O comércio manteve-se fechado por um tempo e mesmo com a reabertura o movimento não tem sido expressivo. O forte vem sendo as vendas online: segundos dados da ABComm, o Brasil registrou um aumento de cerca de 400% no número de lojas que abriram e-commerce durante a quarentena. Até março a média era de 10 mil aberturas/mês, e hoje esse número saltou para 50 mil. As vendas também aumentaram: o setor de calçados registrou uma melhora de 99,44% e o de roupas 18,38%.

A superintendente do Balneário Shopping, Elizângela Cardoso, salienta que estão constantemente consultando o Governo do Estado e seguindo o decreto para manterem-se nas regras e continuarem abertos. Ela aproveita para destacar que a maioria das lojas do empreendimento estão com as promoções já habituais desta época do ano, com descontos chegando a 60%.

“É uma grande oportunidade para o cliente aproveitar para entrar na estação com produtos novos com preços atrativos. É um período realmente oportuno”, diz.

A estilista Mirvana Andreis, que atua no segmento há 25 anos e é também diretora da Líbere Fashion School e da CDL Mulher, analisa que as marcas estão tendo que criar novas oportunidades para chegarem até o público e que aquelas que se adaptarem terão resultado positivo. Mirvana analisa que as pessoas não deixarão de consumir, mas que vão comprar peças mais versáteis. Ela salienta que o que tende a nortear o comportamento de consumo pelos próximos dois anos é o conforto.

“As pessoas estão vivenciando o que é uma vida sem salto alto, de moletom em casa, e não vamos mais abrir mão disso. Já estava vindo essa tendência e isso vai se acentuar, são as peças que você usa em casa e pode sair com elas. É a moda homewear, também chamada de comfy, e esse segmento não sentiu queda de demanda. Por exemplo, há marcas de pijamas que não estão dando conta de produzir peças”, explica.

Outro nicho que, segundo a estilista, não perdeu espaço foi o infantil, já que as crianças crescem e precisam de roupas novas. Porém, a profissional vê que as peças mais caras e elaboradas não estão tendo procura, já que o público não está tendo ‘necessidade’ de adquiri-las nesse momento.

“As marcas locais estão sendo mais valorizadas, vejo que o público tem ânsia de comprar de quem é da cidade, de seus contatos próximos. Pequenas marcas e produtores estão tendo seus negócios alavancados, e marcas que consideramos consolidadas podem sentir um impacto”, diz.

Sobre as vendas online, Mirvana vê que é ‘inevitável’ que as marcas e lojistas se adaptem a esse mercado, mas que é preciso criar uma tabela de medidas no Brasil, além do cliente ver que precisa se medir em casa, antes de comprar as roupas pela internet.

“Eu vejo que é muito mais confortável receber a roupa em casa, e isso pode auxiliar a pessoa a ter discernimento na hora de comprar. Não há desculpa para não vender, mas precisamos nos direcionar mais ao digital. Quem está seguindo esse caminho está vendendo”, analisa.

Quanto as tendências, como cores, tecidos e estampas que seriam referência neste inverno, Mirvana lembra que foram pensadas ainda em 2019, ou seja, um momento bem diferente do atual, e por isso ela não considera pertinente citar, já que o público acabou tendo outras necessidades.

“As pessoas mudaram por dentro, e querem roupas que reflitam isso. Vejo que o atual momento está sendo a maior ruptura da moda nos últimos 100 anos, tudo o que entendíamos como certo mudou. Queremos novidades. A tecnologia também é uma grande aliada, há marcas investindo em peças que protegem do vírus, tecidos que repelem bactérias. Muita coisa será criada perante a necessidade”, afirma.



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Inverno - As mudanças na estação mais fria do ano por causa da pandemia

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Quinta, 18/6/2020 18:51.
Renata Rutes

O inverno começa oficialmente neste sábado (20) e promete ser diferente por conta da pandemia do Covid-19. A estação mais fria do ano já potencializa naturalmente problemas respiratórios, além de que estimula as pessoas a se reunir em ambientes fechados para se manterem aquecidas, por isso acaba sendo preocupante por conta do novo vírus. Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou recentemente, através da diretora-geral da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da OMS nas Américas, Carissa Etienne, que não há dados que mostrem que o frio ou a umidade influenciam na disseminação do Coronavírus. O Página 3 conversou nesta semana com médicos, trade turístico, meteorologistas, estilistas, dentre outros profissionais sobre o que esperam deste inverno, que promete ser diferente.

Médicos orientam sobre cuidados que este inverno exige em tempos de Coronavírus

“Um corpo saudável tem também mais imunidade”

LETICIA ZIGGIOTTI, infectologista da Vigilância Epidemiológica de Balneário Camboriú e do corpo clínico do Hospital do Coração

“O inverno já tem doenças sazonais, principalmente virais, como pneumonia, Influenza, resfriados e agora também o Coronavírus, que estamos aprendendo como se comporta. Já sabemos que a pandemia não é afetada necessariamente pelo clima, já que no calor os casos também acontecem, a exemplo de Manaus, mas pode ser que no inverno piore, assim como na Europa. No inverno, por conta do clima ser mais frio, os ambientes acabam sendo menos ventilados porque fechamos as janelas, em casa, no trabalho, no ônibus, lavamos menos as mãos porque a água está gelada, é uma combinação para acabarmos mais expostos a todos esses vírus e precisamos rever esses comportamentos. Não há nenhuma evidência científica que suplementações de vitamina previnem o Corona, mas manter uma dieta saudável e rotina de exercícios, mesmo em casa, não comer muito sal e açúcar para evitar sobrepeso é essencial, pois a hipertensão arterial e a diabete, por exemplo, são fatores de risco para o Coronavírus. Ter uma alimentação saudável é positivo para evitar todos os tipos de infecção. Um corpo saudável tem também mais imunidade, conseguindo assim lutar contra as doenças. Vejo que temos que redobrar os nossos cuidados agora no inverno, permanecendo alerta, lavando as mãos, usando álcool gel, seguindo com o uso da máscara e as trocando com frequência. O vírus está circulando mais, porque há mais pessoas na rua, já o que isolamento social diminuiu muito, por isso seguir todas as regras de prevenção se mostra ainda mais fundamental. Evitem sair de casa quando não houver necessidade. Sempre que possível fique em casa”.

“As crianças são especialmente suscetíveis”

JANAÍNA SORTICA FACHINI, pediatra e professora do curso de Medicina da Univali

“Para conversar sobre o Coronavírus com as crianças é necessário adaptar a conversa a cada faixa etária, para melhor entendimento. Crianças maiores entenderão que é uma doença que pode se tornar séria em algumas pessoas, enquanto os muito pequenos podem só entender que terão que ficar em casa, longe dos amigos e dos avós, o que pode gerar confusão, tristeza e ansiedade. A UNICEF elaborou oito dicas para os pais falarem sobre (disponíveis no site unicef.org), dentre elas destaco algumas: quando for falar sobre a pandemia com a criança não se limite a fornecer informações, pergunte o que ela entendeu, o que gostaria de saber, seus medos e procure responder de forma simples. Se você não souber a resposta pode junto com a criança pesquisar na internet. Outra forma interessante é através de desenhos, estimule essa atividade. É importante que as crianças não fiquem expostas excessivamente aos noticiários, pois estes podem gerar maior insegurança e elas podem pensar que estão em perigo iminente. É necessário que os adultos mostrem que é necessário se proteger, lavando as mãos frequentemente por 20 segundos (pode ser cantando a música favorita da criança), o uso correto da máscara, que é recomendado para todas as crianças acima de dois anos (pode-se utilizar máscaras lúdicas, com personagens) em ambientes públicos e na rua. Explique antes para a criança que ela precisará utilizar a máscara durante todo o tempo que estiver fora. Se precisar sair de casa, que seja por um período curto de tempo e evitando locais fechados, como shopping ou mercado. É muito importante para as crianças a exposição solar, então pode brincar ao ar livre, mas tendo o cuidado com o distanciamento de 1,5m. Quanto mais ‘amplo’ e menos pessoas no ambiente menor a chance de contágio, lembrando de higienizar mãos e objetos ao voltar para casa. Com a chegada do inverno sabemos que outras doenças respiratórias também aparecem e as crianças são especialmente suscetíveis, então algumas dicas que podemos seguir são: manter vacinas em dia (inclusive gripe, que não previne a Covid-19 mas previne o H1N1, que pode provocar infecção respiratória mais grave em crianças), manter rotinas de sono e uma alimentação e hidratação adequadas, é importante mesmo na quarentena que se mantenham os horários de sono/descanso e os horários das refeições, bem como horários de estudos. Para crianças que já tem alguma doença respiratória como bronquite ou asma é recomendado manter essas doenças controladas, então as consultas de rotina bem como medicamentos de uso contínuo devem ser mantidos. Atividade física também é importante para a criança, mesmo em casa, seja pular corda, correr em um ambiente mais restrito, fazer alguns polichinelos, algo simples que possa ser adaptado ao seu ambiente. A manutenção de uma alimentação saudável é o mais indicado, porém se a criança faz uso de algum medicamento e/ou vitamina prescrito pelo seu pediatra este deve ser continuado. Lembre de tranquilizar a criança de que esta é uma fase e que vai passar, deixe claro que ela pode conversar sobre o assunto sempre que precisar e que você irá ouvi-la. Vale ressaltar a importância de que a criança entenda que ela não está de férias e que suas atividades serão realizadas em casa, mas temos que ter o cuidado para não sobrecarregá-las de ‘compromissos’, deixando um tempo para o ócio e as ‘brincadeiras de criança’. Observe a linguagem corporal, o tom de voz, respiração, apetite e o sono, que falam muito sobre o estado emocional da criança”.

“A possibilidade da contaminação será a maior diferença neste inverno”

MARCIO ACCIOLY SIPPEL FOSSARI, pediatra e professor do curso de Medicina da Univali

“Abaixo de dois anos o uso de máscara não é indicado, acima disso sim. O ideal é transformar o uso da máscara em algo que a criança goste, incentivando que ajude a confeccionar, ou adquirindo máscara com personagens. Não diga que o Coronavírus é um monstro, explique que ele é um ‘bichinho’. Precisamos minimizar o efeito, e não assustar. Há várias doenças respiratórias no mundo, apesar do Coronavírus ser a mais popular neste momento. É importante reforçar para os pequenos os cuidados que eles precisam ter, como não tossir/espirrar no amiguinho, manter os cuidados com a mão e higiene. Usar máscara é importante, mas se a mão não estiver higienizada a criança pode se contaminar. As mãos podem ser um problema maior do que a não utilização da máscara. O distanciamento também é muito necessário. Percebo que nessa pandemia, com as crianças estando há tanto tempo em casa, o número de acidentes domésticos aumentou, como choques elétricos, quedas, queimaduras e ingestão de medicamentos e outros produtos. O álcool 70% pode ser mais inflamável, mas o álcool gel permanece na pele, por isso os pais precisam ficar atentos. Intensifique a não permissão da criança na cozinha, eles não podem ficar sozinhos. As doenças respiratórias continuam e se tornam ainda mais preocupantes no inverno, por isso é essencial manter uma boa hidratação, alimentação e higiene. Evite sair se não houver necessidade, e busque por lugares sem aglomeração. Ambientes de natureza são a melhor opção, mas quando pensamos em sair só pensamos em shoppings, que são os de maior movimento. Se a criança estiver com febre baixa e normal, cuide dela em casa, observando a saúde e com uso de antitérmico. Não faça uso de medicação excessiva e não deve ser suspenso o aleitamento materno. As vacinações também precisam estar em dia. A possibilidade da contaminação será a maior diferença neste inverno, mas a maioria das crianças não contrai doenças graves respiratórias quando contraem Covid. Se os pais cuidarem, manterem o distanciamento e usarem máscara é possível que tenhamos até menos casos de doenças respiratórias no geral comparando aos outros anos. O cuidado com o Covid pode refletir na Influeza e outras doenças, podendo ter um impacto positivo. O contato com os avós precisa seguir sem acontecer, já que os idosos são o grupo de maior risco. É triste, mas é uma medida necessária. As crianças sentem falta, mas o meio online ajuda nisso. Temos que seguir nos cuidados para que esse ciclo feche o quanto antes. Tenho esperança que a situação vai melhorar, mas precisamos nos cuidar, e pensar a nível de sociedade”.

“Praticar exercícios ao ar livre é terapêutico”

ANDRÉ ALEXEY POLIDORO, médico do Lar São Vicente de Paula, o asilo de Balneário Camboriú

“Neste inverno, os cuidados em saúde devem ser redobrados. Há sempre o risco de cairmos na repetição das mesmas falas de todo ano, como manter hidratação adequada, manter casas e ambientes arejados, manter a rotina de exercícios e habituar-se a uma alimentação saudável. Porém, algo que se torna cada vez mais importante em saúde é a qualidade da informação. Recebemos várias informações por revistas e internet, e nem sempre são verdadeiras. Essas informações podem gerar pânico e medo desnecessários, tanto quanto atitudes de negligência com a própria saúde e devemos sempre checar a origem dessas informações. Os idosos são grupo de risco para as principais doenças, inclusive para infecções respiratórias, como o COVID-19. O cuidado contra essa doença não pode ser neglicenciado, que frequentemente tem sintomas leves, porém pode ser grave e causar insuficiência respiratória. A prefeitura de Balneário disponibiliza informações pelo site e pelo WhatsApp, no número 47 99243-4894. Portanto, temos como alvo o equilíbrio (se é que podemos falar assim), e acredito que o mesmo está entre nos cercarmos de boas companhias, gestos de amor e alegria de viver ao mesmo tempo em que abusamos da higienização das mãos com álcool, das máscaras, de evitar aglomerações e situações de risco. Em situações de lockdown, as pessoas são proibidas de sair à rua. Muitas vezes, reconduzidas às suas casas por agentes de segurança. A orientação no estado, atualmente, é o distanciamento social. Ou seja, não proíbe a prática de atividades, mas recomenda a não realização de atividades coletivas, como dança, jogos coletivos, etc. Praticar exercícios ao ar livre é terapêutico, atua como tratamento de doenças e prevenção de muitas outras. Portanto, retorno que a questão central é o equilíbrio. Fazer atividade com máscara, em local seguro deve fazer bem a saúde. Dançar, e expor-se a risco de contaminação por outras pessoas, fará o contrário. Ao mesmo tempo, é importante destacar que locais fechados são mais perigosos, como ficar longos períodos em lotéricas, bancos, mercados, shoppings, e não melhoram tanto nossa saúde ou não dão tanto prazer. Essas funções podem ser atribuídas a outras pessoas da família, se possível. Se não for possível, lembrar dos cuidados de prevenção, como uso de máscaras, álcool, evitar tocar superfícies possivelmente contaminadas e ficar o menor tempo possível nestes locais”.


Inverno tende a ter noites e madrugadas frias e pouca chuva

O inverno inicia oficialmente neste sábado (20), às 18h44, e em Santa Catarina a estação deverá ser de temperatura média, com noites mais geladas e dias com temperatura agradável e até mesmo podendo ultrapassar os 30ºC, e com pouca chuva, segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais de Hidrometeorologia de Santa Catarina (EPAGRI/CIRAM); há chance de nevar no Planalto Sul, em cidades como São Joaquim e Urubici, que já são famosas por essa condição climática e atraem turistas nesta época do ano por este motivo.

Balneário Camboriú e região

O Laboratório de Climatologia da Univali destaca que o inverno astronômico inicia neste sábado, pois o inverno climatológico começou no início de junho. Essa primeira noite do inverno (chamada de solstício de inverno) é a mais longa do ano. A tendência é que entre julho e setembro chova de 89 a 143 milímetros na região, lembrando que nesses seis meses do ano foram quatro meses (janeiro, março, abril e maio) com chuvas abaixo da média histórica levando a região a uma crise hídrica, e dois meses acima da média histórica (fevereiro e junho). Em junho as chuvas, até quarta-feira (17), atingiram 42% acima da média histórica, com boa distribuição temporal, minimizando a estiagem.

Quanto a temperatura, de acordo com informações do Labclima/Univali, as médias para os meses de julho são de 12/21°C, agosto de 13/22°C e setembro de 14/23°C. Há previsão de passagens de frentes frias pela região, influenciadas por entradas de massa de ar polar e ondas de frio, além da tendência de acontecerem ciclones extratropicais, que trazem ressaca nas praias e nevoeiros – a exemplo do que aconteceu em Balneário na última sexta-feira (12).

Santa Catarina

Segundo as meteorologistas Marilene de Lima e Gilsânia Cruz, do EPAGRI/CIRAM, a previsão de chuva deve variar neste inverno entre a média e abaixo da média, seguindo mal distribuída e irregular no Estado, principalmente entre julho e agosto. Porém, há chance de chover intensamente em um curto espaço de tempo, por isso é recomendável acompanhar a previsão do tempo diariamente. A chuva no inverno é causada principalmente pelas frentes frias. Nos meses de junho e julho deve chover na região de Balneário Camboriú entre 70 e 130 milímetros; já em agosto esse número é um pouco maior, tendendo a variar entre 90 e 130 milímetros.

Assim como citado na previsão do Labclima/Univali, ciclones extratropicais estão previstos para essa época do ano, deslocando-se pelo litoral do Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e isso gera vento intenso e mar agitado (com chance de ressaca), sendo perigoso para a navegação. O inverno será marcado por uma maior amplitude térmica: as noites e madrugadas tendem a ser mais geladas, com temperaturas baixas, formação de geada. Há chance de neve no Planalto Sul. Os dias – principalmente as tardes – prometem ser de temperatura agradável a até mais elevada, podendo ultrapassar os 30ºC (o chamado ‘veranico’).


Gastronomia: evento novo na área, safra da tainha, fondue e mais

O mês de julho já é tradicionalmente voltado para a gastronomia em Balneário Camboriú, com destaque para o festival gastronômico Balneário Saboroso, que chega em sua 11ª edição neste ano, consolidado como o maior evento do segmento do sul do país. Porém, por conta da pandemia do novo Coronavírus, o festival acontecerá em novembro – entre os dias 5 e 29. Para não deixar que o mês de julho ‘passe em branco’ o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau (BC Convention), entidade que organiza o Saboroso, criou um novo evento: a 1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa, que acontecerá de 8 a 31 de julho. Além disto, Balneário vive a safra da tainha (que segue até 31 de julho) e vem se mostrando positiva neste ano, com mais de 20 mil peixes pescados na cidade até o momento; outro destaque da gastronomia desta época do ano é o fondue, além das sopas.

1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa

A presidente do BC Convention e hoteleira, Margot Rosenbrock Libório, explica que em decorrência da quarentena, que iniciou ainda em março, a diretoria da entidade passou a ver que o Balneário Saboroso como acontecia (restaurantes da cidade comercializavam entrada, prato principal e sobremesa por um valor x) não poderia ser realizado em julho, e não havia vontade em alterar os moldes do já consolidado evento, que acabou sendo adiado para novembro. A partir disso, com a participação de boa parte dos restaurantes que integrariam a 11ª edição do Saboroso, foi criada a 1ª Mostra Gastronômica Balneário Camboriú Convida à Mesa. A Mostra foi organizada em tempo recorde, começando a ser elaborada em abril.

“Queríamos ter algum evento, mas não sabíamos como estaríamos em julho, e na realidade até hoje não sabemos. Consideramos as dificuldades que os restaurantes estão tendo e resolvemos apoiá-los com a criação do BC Convida, que será uma forma de eles atraírem clientes e seguirem ativos economicamente”, diz.

Margot aproveita para destacar que a Mostra é dinâmica e que, diferente do Saboroso, o público não precisará ir, se não quiser, consumir no restaurante, já que haverá também opção de delivery.

“Será algo muito colaborativo e esperamos que a cidade apoie, assim como fazem com o Saboroso. Apoiar o empresariado local, quem é de Balneário, é essencial nesse momento que vivemos. Acreditamos que apesar das dificuldades que estamos vivenciando ficarão coisas boas”, analisa.

A hoteleira, que é proprietária dos hotéis Bella Camboriú e Rosenbrock, localizados respectivamente no centro e no Bairro das Nações, salienta que ‘a vida precisa continuar’, mesmo que de forma adaptada, lembrando que ‘a quarentena é o remédio’, mas que há consequências disto na economia e também no psicológico das pessoas.

“Há aqueles que têm necessidade de sair, mas o BC Convida não ‘forçará’ ninguém a nada. Eu, por exemplo, até o momento não fui em nenhum restaurante pessoalmente, apoiei meus amigos da gastronomia pedindo delivery e retirando meu pedido em balcão, então para aqueles que não se sentirem confortável haverá essa opção”, acrescenta.

A presidente aproveita para destacar que julho era também um bom mês para o turismo em Balneário, já que havia o recesso escolar; ela cita que há expectativa de que haja movimento, mas que ‘o fluxo não será como antes’.

“Recebíamos muitas pessoas do sudeste para cima, e agora nosso turismo tenderá a ser mais regionalizado, com pessoas de perto vindo nos visitar em seus carros. Talvez em julho mais aéreos sejam ativados, mas não sabemos se o público se sentirá seguro para viajar, de locais como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. Estamos com as vendas de julho abertas, mas as reservas estão acontecendo muito em cima da hora e quem está vindo também não está fazendo reserva; percebemos que aumentou a pesquisa por Balneário nos últimos dias. Ou seja, as pessoas estão planejando viajar, mas vão deixar para confirmar no último momento”, completa.

Safra da tainha está sendo positiva

Outro ponto tradicional do inverno catarinense é a safra da tainha, que iniciou em 1º de maio e segue até 31 de julho. Até o momento (quinta-feira, 18), os pescadores de Balneário Camboriú pegaram cerca de 20,4 mil tainhas; as praias que mais pescaram até o momento foram Estaleiro e Laranjeiras, chegando cada uma em cerca de seis mil peixes, seguindo pelo Estaleirinho com cerca de 5,5 mil tainhas; o Pinho já pescou aproximadamente 1,7 mil, Taquaras 367 e Taquarinhas 900. Na Praia Central os pescadores só capturaram tainhotas, que são os filhotes de tainha, mas a expectativa é que os peixes também cheguem até lá.

O pescador Ronan Vignolli Pinheiro explica que a expectativa de que o ano seria ‘bom de peixe’ está se confirmando – os pescadores acreditam que o fato de 2020 ser um ano bissexto influencia na pesca, e que o número atual já é bastante positivo, considerando que há mais de 40 dias de safra pela frente.

“Nos entristece essa pandemia, já que por conta dela todas as festas foram canceladas. Estamos com fartura de tainha, mas não conseguiremos fazer os eventos... como a Festa do Pescador, a Festa de Taquaras. Todos aconteciam em julho, junto do aniversário da cidade. Mas não temos como ir contra, não tem clima nenhum para festa”, diz.

Ronan salienta que mesmo assim, ‘a turma está animada’, já que estão conseguindo pescar bastante peixe. Ele aproveita para acrescentar que um bom momento para o público comprar a tainha é exatamente no arrasto dos pescadores, que comercializam o peixe direto na praia.

“Vendemos na hora, as tainhas inteiras, fresquinhas, variam de R$ 10 a R$ 25 (de acordo com o tamanho do peixe), mas se a pessoa quiser comprar mais de uma também vendemos mais barato, acertamos tudo na hora. Tem muita gente procurando, com as redes sociais o pessoal fica ligado na hora da pesca e correm para a praia”, pontua.

Boa parte das tainhas são vendidas dessa forma, mas os pescadores também acertam com as peixarias da cidade, principalmente quando a quantidade de peixes é muito grande.

“Dividimos com a equipe que trabalhou no arrasto, levamos parte dos peixes ou o valor das vendas. A safra está sendo uma benção, em Balneário já está sendo bom, mas aqui elas (as tainhas) chegam depois, passam primeiro por Floripa, Bombinhas, e lá estão pegando até bem mais do que aqui. O peixe viaja, está em todo o litoral, e a nossa grande expectativa é agora para o fim do mês”, completa.

Fondue e sopas: pratos que fazem sucesso no inverno

Dois pratos famosos e bastante procurados nesta estação são o fondue e a sopa. Muitas pessoas optam por fazê-los em casa, mas há inclusive delivery de ambos em Balneário Camboriú. No caso do fondue, uma opção é o do Outback, que conta com restaurante no Balneário Shopping.

  • O cliente pode ir até o local ou pedir o prato pelo aplicativo iFood.
  • Há disponível a versão salgada por R$ 89,90, o de chocolate por R$ 69,90 ou o combo (com o fondue de queijo + o de chocolate) por R$ 149.

Já para quem quer comer sopa, há a Casa das Sopas, que fica na Avenida Brasil.

  • Também através do iFood o restaurante comercializa especialidades como vaca atolada, canja de galinha, creme de palmito e sopa de legumes; todos esses a partir de R$ 21.
  • Há também capelete, recheado de frango, a partir de R$ 29.

Férias de julho: Educação estuda recesso, mas movimento de turistas não deve ser forte

Julho é marcado pelo recesso escolar, e muitas famílias utilizam o mês para viajar. Porém, neste ano isso tende a ser diferente. As crianças estão tendo aulas à distância, mas ainda não há confirmação sobre férias. A Secretaria de Educação de Balneário Camboriú está estudando a situação. O turismo também acaba sendo afetado não só por isto, mas principalmente pela pandemia do Covid-19, que causou inclusive o cancelamento da programação do aniversário de 56 anos de Balneário Camboriú, que é comemorado em 20 de julho.

Férias escolares x volta às aulas

A secretária de Educação de Balneário Camboriú, Rosângela Percegona Borba, conta que as aulas seguem acontecendo de forma online e os alunos que não tem acesso à internet estão retirando o conteúdo na escola toda segunda-feira. Entre os conteúdos repassados, há novas matérias, que são explicadas através de vídeo-aulas e no caso dos alunos que retiram o conteúdo através das apostilas o professor explica na escola. Rosângela salienta que está em discussão se haverá ou não um período de recesso, já que sabem que não só os alunos como também os pais e professores estão cansados e precisam parar um pouco.

“Em breve o prefeito determinará. Há dois cenários que estamos analisando, com base em dois calendários, em um vamos ter aulas aos sábados e em outro não. Também estamos em contato com o Governo Federal, e eles estão estudando um terceiro cenário: a possibilidade de trabalharmos com 600h letivas ao invés das 800h. Se houver essa possibilidade, vai mudar tudo. Esse ano não está sendo nem um pouco perto do que queríamos ter, sabemos que está deixando a desejar”, explica.

Até o momento, a volta às aulas presenciais está programada para acontecer em agosto, mas a Secretaria de Educação já trabalha com três datas: os dias 3, 17 ou 30, e isso acaba gerando dificuldade no planejamento. Rosângela cita que quando os alunos retornarem, irão fazer um diagnóstico para saber como eles estão, e quem tiver necessidade receberá reforço do conteúdo no contra-turno.

“Vemos que para uma retomada presencial é positivo dar uma parada, inclusive para voltarmos mais tranquilos. E não será como antes, será uma rotina totalmente diferente. Teremos recreios separados para não ter aglomeração, horários de chegada e saída por turma; o refeitório também precisará passar por adaptações, já que é um local que pode ser altamente transmissível. Estamos estudando até a possibilidade de servirmos, em algumas escolas, o lanche diretamente na sala de aula”, acrescenta.

Já se discute também que as aulas sejam mistas: online e presenciais. Por exemplo, uma turma de 40 alunos será dividida, metade tendo aula presencial em uma semana, e metade online, para na próxima semana inverter.

“Estamos estudando tudo, é muito precoce para sabermos exatamente como vai ser. Há limitações e estamos buscando resolver da melhor maneira”, completa.


Turismo vive momento incerto: programação do aniversário de Balneário foi cancelada

O turismo foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia do novo Coronavírus; julho, que era um mês movimentado em Balneário Camboriú e também marcado pelo aniversário da cidade, será totalmente diferente. O secretário de Turismo, Valdir Walendowsky, salienta que a programação de comemorações, que inclui tradicionalmente eventos como a Festa dos Amigos, Casamento Coletivo e corte do bolo de aniversário (que nesse ano teria 56 metros, sempre um metro pela idade que a cidade comemora) foi suspensa.

“Não podemos fazer eventos com aglomeração, por isso tivemos que suspender a programação de aniversário. Não podemos ir contra o decreto estadual, não há a mínima chance de fazermos festa agora, cuidar da questão da saúde é o nosso marco principal, não temos como fugir disso”, afirma.

Walendowsky pontua que o momento é incerto, porém lembra que no último final de semana houve certo movimento na cidade – influenciado principalmente pelo feriado de Corpus Christi, ocorrido na quinta-feira (11).

“Houve ocupação dos hotéis que estavam aberto, mas não aconteceu reserva antecipada. O pessoal que nos visitou decidiu vir de última hora e chegaram sem reserva, já que sabiam que os hotéis teriam disponibilidade para recebê-los”, diz.

O secretário analisa que os turistas estão ‘muito cautelosos’, e que por isso a retomada do movimento será gradual, já que ‘as pessoas precisam sentir segurança para viajar’.

“Por isso é essencial fazermos investimentos frequentes para garantir que Balneário Camboriú possui a chamada segurança da saúde, que é algo que as pessoas estão levando em consideração ao escolherem um destino para visitar”, opina.

O trade turístico junto com a Secretaria de Saúde e Vigilância Sanitária estão elaborando um selo de fiscalização, que será focado nos meios de hospedagem, restaurantes, bares e atrativos turísticos, servindo de ‘segurança visual’ para os turistas, mostrando que o local está apto para recebê-los.

“Em breve já deveremos ter uma resposta quanto a isso. Vamos divulgar que temos esse selo e será um diferencial para Balneário, demonstrará que temos cuidado com todos que nos visitam e que aqui moram”, completa.


Moda inverno: consumo mudou e público tende a prezar pelo conforto

A cada troca de estação, mudam-se as coleções de roupas nas lojas, desde grandes marcas como produtores menores e locais. A moda inverno é uma das preferidas de muitas pessoas, que a consideram a mais ‘elegante’ do ano. Porém, 2020 vem sendo um ano atípico e esse segmento também foi afetado pela pandemia do Coronavírus. O comércio manteve-se fechado por um tempo e mesmo com a reabertura o movimento não tem sido expressivo. O forte vem sendo as vendas online: segundos dados da ABComm, o Brasil registrou um aumento de cerca de 400% no número de lojas que abriram e-commerce durante a quarentena. Até março a média era de 10 mil aberturas/mês, e hoje esse número saltou para 50 mil. As vendas também aumentaram: o setor de calçados registrou uma melhora de 99,44% e o de roupas 18,38%.

A superintendente do Balneário Shopping, Elizângela Cardoso, salienta que estão constantemente consultando o Governo do Estado e seguindo o decreto para manterem-se nas regras e continuarem abertos. Ela aproveita para destacar que a maioria das lojas do empreendimento estão com as promoções já habituais desta época do ano, com descontos chegando a 60%.

“É uma grande oportunidade para o cliente aproveitar para entrar na estação com produtos novos com preços atrativos. É um período realmente oportuno”, diz.

A estilista Mirvana Andreis, que atua no segmento há 25 anos e é também diretora da Líbere Fashion School e da CDL Mulher, analisa que as marcas estão tendo que criar novas oportunidades para chegarem até o público e que aquelas que se adaptarem terão resultado positivo. Mirvana analisa que as pessoas não deixarão de consumir, mas que vão comprar peças mais versáteis. Ela salienta que o que tende a nortear o comportamento de consumo pelos próximos dois anos é o conforto.

“As pessoas estão vivenciando o que é uma vida sem salto alto, de moletom em casa, e não vamos mais abrir mão disso. Já estava vindo essa tendência e isso vai se acentuar, são as peças que você usa em casa e pode sair com elas. É a moda homewear, também chamada de comfy, e esse segmento não sentiu queda de demanda. Por exemplo, há marcas de pijamas que não estão dando conta de produzir peças”, explica.

Outro nicho que, segundo a estilista, não perdeu espaço foi o infantil, já que as crianças crescem e precisam de roupas novas. Porém, a profissional vê que as peças mais caras e elaboradas não estão tendo procura, já que o público não está tendo ‘necessidade’ de adquiri-las nesse momento.

“As marcas locais estão sendo mais valorizadas, vejo que o público tem ânsia de comprar de quem é da cidade, de seus contatos próximos. Pequenas marcas e produtores estão tendo seus negócios alavancados, e marcas que consideramos consolidadas podem sentir um impacto”, diz.

Sobre as vendas online, Mirvana vê que é ‘inevitável’ que as marcas e lojistas se adaptem a esse mercado, mas que é preciso criar uma tabela de medidas no Brasil, além do cliente ver que precisa se medir em casa, antes de comprar as roupas pela internet.

“Eu vejo que é muito mais confortável receber a roupa em casa, e isso pode auxiliar a pessoa a ter discernimento na hora de comprar. Não há desculpa para não vender, mas precisamos nos direcionar mais ao digital. Quem está seguindo esse caminho está vendendo”, analisa.

Quanto as tendências, como cores, tecidos e estampas que seriam referência neste inverno, Mirvana lembra que foram pensadas ainda em 2019, ou seja, um momento bem diferente do atual, e por isso ela não considera pertinente citar, já que o público acabou tendo outras necessidades.

“As pessoas mudaram por dentro, e querem roupas que reflitam isso. Vejo que o atual momento está sendo a maior ruptura da moda nos últimos 100 anos, tudo o que entendíamos como certo mudou. Queremos novidades. A tecnologia também é uma grande aliada, há marcas investindo em peças que protegem do vírus, tecidos que repelem bactérias. Muita coisa será criada perante a necessidade”, afirma.



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