Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
Como vivem cães e pets ‘diferentes’ e nada convencionais

Quinta, 5/9/2019 8:53.

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Conheça a história de alguns bichinhos de estimação e outros treinados para trabalhar pela população

Por Renata Rutes

Em Balneário Camboriú e região é muito comum as famílias terem cães, gatos e até passarinhos. Mas também há por aqui quem tem coelho, hamster, porquinho da índia e até arara. Outros pets ‘destaques’ são os cães do K9 (canil) da Guarda Municipal e da Polícia Militar. O Página 3 foi atrás de todos esses bichinhos diferentes e apresenta um pouco da história deles nessa reportagem especial. Confira e se encante!

O cuidado com qualquer animal é essencial, principalmente com os exóticos. O veterinário Leonardo Ribeiro de Lima é um dos poucos especialistas em pets não convencionais da região, atendendo em seu consultório em Navegantes ou a domicílio em todas as cidades próximas, incluindo Balneário Camboriú. O doutor Leo, como é conhecido, conta que teve vários animais ao longo da vida como cão, gato, tartaruga e coelho. Ele foi criado em Itajaí e salienta que sempre teve vontade de ajudar os animais, e isso acabou se tornando a sua profissão. Leo se formou em Medicina Veterinária pela FURB, em Blumenau, onde se interessou pela área de pets não convencionais.

“Me apaixonei, exatamente por ser muito diferente da clínica de cães e gatos. Quando comecei a trabalhar na área vi que eu tinha facilidade e compatibilidade. Já atuo há oito anos, fiz muitos cursos e também pós na área, mas sempre busco me atualizar mais”, diz.

O veterinário salienta que muitas pessoas têm pets exóticos na região, mas que nem todos sabem da necessidade de consultar com um especialista.

“As pessoas estão cuidando dos seus animais cada vez mais, considerando-os como membros da família”, analisa.

Leo atende hoje aves no geral (calopsita, papagaio, curió, trinca-ferro, piriquito australiano), tartarugas (tigres-d’água), jabuti, cobras, lagartos e roedores (hamster, porquinho da índia, coelho, ratos (twister e gerbil, por exemplo).

Alguns dos casos que o marcaram foi o atendimento da arara Elvis (que faz parte desta reportagem), além da coruja resgatada (foto) e atendida nessa semana, e até mesmo um sagui.

“Já atendi também uma tartaruga que quebrou o casco. Outro caso comum é de calopsitas, porque elas costumam andar soltas pela casa e às vezes se machucam e precisam colocar pino nas patinhas ou nas asas”, descreve.

Para quem quer ter um pet não convencional, Leo recomenda que a pessoa procure o contato de um veterinário especialista para saber como cuidar, já que esses animais são bem diferentes de cães e gatos.

“Eles necessitam de dedicação do dono, além de tempo e espaço adequado. O segundo ponto é sempre prestar atenção em como animal está. Com cachorro e gato você percebe mais, mas os animais silvestres tendem a esconder os sinais, porque se mostram na natureza eles podem ser predados, então qualquer sinal diferente vale ir ao veterinário”, completa.

Elvis, a arara

O empresário Álvaro Romaneli Cruz, 31 anos, é dono da arara-canindé Elvis (@elvis_caninde no Instagram), que tem um ano. Eles moram em Balneário Camboriú.

“Sempre gostei de pets exóticos e quando vi uma arara-canindé pela primeira vez fiquei encantado por sua beleza e cores. O primeiro passo foi muita pesquisa com os cuidados, espaço adequado e outras informações necessárias para ser ter um animal como ele. Toda documentação necessária é fornecida pelo criadouro autorizado e legalizado pelo IBAMA. Uma arara custa hoje de R$ 4 mil a R$ 5 mil, aproximadamente. Ele fica a maior parte do dia no viveiro que foi preparado especialmente para ele, com muitos galhos, plantas e tudo para que sinta o mais confortável possível. Ele adora sair do viveiro e passear nas pequenas árvores que tenho em minha casa, escutar músicas, brincar, receber carinho, passear na praia, ir ao petshop comprar seus brinquedos e desbravar coisas novas. Sua dieta é baseada em ração, verduras e muitas frutas. Por ser um animal muito curioso é muito importante que esteja sempre por perto, pois há muitos riscos. Pouco tempo atrás me distrai por alguns instantes, tempo suficiente para meu cachorro morder e fraturar quatro ossos. Por sorte temos o doutor Leo, que além de especialista em aves é um excelente profissional e amigo que nos acompanha desde a chegada do Elvis. Costumo dizer que o Elvis é um cachorro de penas faltando apenas latir (risos). Ele adora brincar comigo, às vezes pega um pouco pesado com o bico, mas nada exagerado. O Elvis faz muito sucesso na rua, sempre me param e pedem para tirar fotos. Quando vou ao pet sem ele me perguntam porque não levei ou ‘cadê o Elvis?’. Ele não socializa muito com outras pessoas, mas estou trabalhando e treinando para que se acostume. Antes de tudo, qualquer animal tem seu devido cuidado e com as araras não é diferente. Eles são seres sociais, que vivem até 90 anos. Assim, quando são deixados sozinhos, podem até mesmo adoecer. Portanto, não vale a pena adotar uma arara se não há tempo para interagir e brincar com ela cotidianamente. Isso só vai causar sofrimento ao animal. Não considero difícil e sim uma experiência totalmente diferente, e que vale muito a pena. A dica que deixo para quem quer comprar um animal silvestre é fazê-lo em criadores ou comerciantes autorizados pelo IBAMA, assim não contribuem com tráfico de animais”.

O hamster Mário

Mariana do Amaral, 25 anos, bióloga, mora em Itajaí e é dona do hamster Mário. Ela o achou na rua e o cria desde então.

“Como sou bióloga e amo animais, não consigo viver sem ter um pet e por morar em apartamento tenho uma certa limitação de espaço. Foi então que meu marido me presenteou com dois esquilos da Mongólia (Derick e Sloan). Quando eles estavam com uns seis meses, o Mário (hamster) surgiu em nossas vidas de uma maneira bem inusitada, pois achei ele na rua (risos). Penso que foi sorte minha e dele. Meu instinto foi logo trazer pra casa. Tentei inserir ele junto com os esquilos, mas eles não aceitaram, pois são muito territorialistas. Sendo assim passou a viver sozinho de maneira improvisada no início, até ser adquirida uma gaiola só pra ele. Nesse período que ele ficou na rua ele adquiriu conjuntivite, por sorte em nossa região temos o dr. Leonardo, que atendeu e medicou o nosso menino. O Mário é um caso à parte, ele tem sua gaiola, porém vive mais solto em meu quarto do que preso, ele tem alguns pontos onde faz seu ninho (atrás da minha cama e dentro do guarda-roupa). Ele que escolheu ficar assim, um belo dia ele conseguiu fugir e depois disso notamos que ele ficava toda noite esperando pra sair. Ele tem muita personalidade, se passamos da hora de soltar ele, ele fica emburrado (risos). Posso dizer que a rotina dele é dormir de dia e estocar ração à noite (risos). Ele é o típico personagem do desenho Hamtaro, o Soninho. Sua alimentação é baseada em ração especial para roedores e alguns grãos, como semente de girassol. Em relação ao acompanhamento veterinário, estou sempre bem atenta a qualquer alteração, recentemente notei que ele passou a perder os pêlos da parte traseira, chamei o dr. Leonardo e em dois dias já tínhamos o diagnóstico e estamos fazendo o tratamento dermatológico contra fungos e ácaros. Os hamsters tem uma peculiaridade, se treinados eles reconhecem o nome. Às vezes quando ele foge pelo quarto, ao chamar pelo seu nome ele vem, é uma fofura. Ele é muito sociável, aceita carinho, beijo, mas tem que ser rapidinho, pois logo quer fugir (risos). A reação é diversa entre as pessoas. Alguns gostam, outros nem tanto, pois fazem a associação com um rato, mas já estou acostumada e respeito. Quem gosta já quer logo pegar ele no colo, inclusive ele já foi viajar várias vezes conosco, com casais de amigos. Já ficou até em hotel. É bem tranquilo. Não é difícil criar um hamster, mas sempre é bom pesquisar antes de comprar ou adotar por impulso, pois necessita de cuidados básicos como manter sempre seu ambiente limpo porque sua urina tem um odor um pouco forte e eles são sensíveis. Manter sempre água limpa, comida eles tem mania de estocar então aconselho não deixar muita quantidade. E o principal: interaja com seu animalzinho, dessa forma ele ficará sociável. Estimule que ele use os brinquedos, como as rodinhas pra fazer exercício, e tome cuidado ao ter casal, pois procriam muito fácil”.

Snow e Benedito, os porquinhos-da-índia

A designer Bruna Brehmer, 25 anos, é dona dos porquinhos-da-Índia Benedito e Snow (@ospoiquinhos no Instagram), que tem pouco mais de um ano e vivem em Itajaí.

“A vontade de ter porquinhos começou como uma brincadeira minha e do meu noivo. Eu tinha acabado de ir morar sozinha, queria uma companhia para ficar comigo, mas o lugar era pequeno e ele vivia falando que eu deveria pegar. Conversei com uma amiga (a repórter responsável por essa matéria) que tinha para ver como funcionava, sempre achei muito lindinho e tinha muita vontade de ter. Depois nós fomos morar juntos e logo em seguida já decidimos pegar eles. Antes de me mudar eu tinha uma coelha, chamada Lola, mas como eles precisam de espaço para se exercitar, ela acabou não morando mais comigo. O investimento inicial para ter um porquinho é um pouco maior do que para ter gato ou cachorro (dependendo, claro). Na época nós fomos comprando as coisas aos poucos, passamos uns dois meses até ter tudo que precisava pra receber eles. Então um dia passamos na frente de uma petshop, estava chovendo muito e vimos um porquinho numa gaiolinha minúscula (até um pouco molhado), todo branquinho com os pelos arrepiados. Perguntamos pra vendedora e ele custava R$ 30, mas como ela queria muito vender, ofereceu por R$ 15 e assim compramos o Snow, o porquinho na promoção. Na semana seguinte fomos em um lugar que tem criação (onde eu havia comprado a minha coelha) e achamos o Benedito (em homenagem ao ator Benedict Cumberbatch). Eles não podem viver em gaiola e o cercado deles deve ser o maior possível. Recentemente nós aumentamos o cercado deles. Eles vivem hoje em um espaço de 2x0,8m. Fazemos forração com soft, para que eles não se sujem com o xixi. Os nossos porquinhos tem a rotina bem certinha e não nos deixam esquecer nenhuma refeição (gritam até doer os ouvidos assim que bate a hora de comer (risos)). A alimentação deles principal é o feno, que ajuda com o desgastes dos dentes (os dentes dos roedores crescem constantemente, então é importante que o feno esteja à vontade para acontecer esse desgaste e ter alguns objetos de madeira dentro do cercado também ajuda). Fora o feno, eles comem ração específica para porquinhos e uma diversidade de frutas, legumes e verduras (nós temos uma tabelinha que seguimos a risca, pois tem alguns alimentos que não podem ser dados muitas vezes na semana por ter muito cálcio, açúcar, etc). Os preferidos deles são pepinos japoneses e chicória. Uma coisa importante é que eles sempre precisam ser criados em duplas do mesmo sexo (importante ser do mesmo sexo porque eles procriam mais que coelhos (risos)), pois são bichinhos muito sociáveis e precisam de outro da mesma espécie para fazer companhia para eles. Também é preciso sempre prestar muita atenção na saúde deles, por serem presas, eles tendem a esconder muito quando estão doentes e muitas vezes quando se percebe que tem algo de errado, já é tarde demais, por isso em qualquer dúvida deve-se correr para o veterinário para evitar problemas maiores. Diferente do que muita gente acha, porquinhos têm muita personalidade, eles aprendem todos os sons da casa (por exemplo, sempre que eu abro a geladeira, eles escutam lá do cercado e começam a gritar porque sabem que eu estou pegando comida pra eles), eles ficam em pé quando querem colo e também resmungam quando querem ficar sozinhos. O Snow e o Benedito têm personalidades completamente diferentes e é muito incrível de ver isso. O Snow adora ficar no colo, ficar fora do cercado, dormir em cima da gente. Enquanto o Benedito já é bem mais na dele, gosta de ficar dentro da toca e só pode ser comprado com comida. Até os gostos deles são diferentes, um gosta de tomate o outro não, um gosta de pimentão e o outro não. Eles interagem muito, você só precisa ter paciência de conquistar a confiança deles. Não é difícil, mas requer (assim como qualquer outro animal) paciência e dedicação. Eles demoram um pouco para criar confiança, então pode ser frustrante para quem está acostumado com cachorros, mas conforme você vai interagindo e acostumando contigo, eles são ótimas companhias, especialmente para quem não consegue ficar o dia inteiro em casa. Se você quer ter um pig, primeiramente entenda que (como falei) eles precisam ser criados em duplas do mesmo sexo, mas não se preocupa, porque a diferença entre ter um ou dois não é tanta assim. E segundo: pesquise muito! Existem diversos grupos no Facebook que tem bastante conteúdo legal sobre alojamento e alimentação”.

O mini-coelho Popi, que passeia até na bolsa

A diretora de artes da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Lilian Martins, é dona do coelho Popi, que participa da matéria, mas além dele ela tem quatro cachorros e até galinhas. Todos vivem na casa dela e do marido, o artista Pita Camargo, em Gaspar.

“Quando pequena eu tive um coelho, mas um coelho doméstico, grandão. Já tive vários bichos, várias aves, cachorros, gatos, peixes, hamster... tudo. Todos gostavam de bichos em casa. Depois do cachorro que eu ganhei aos 12 e que morreu quando eu tinha 30 achei que não teria mais bichos. Correria do dia a dia, apegar demais, enfim. Mas acabei buscando um bicho sociável e ‘portátil’ (risos). Li sobre os mini-coelhos e achei bem interessante. Fui aprendendo e pesquisando. Até que um dia vi o Popi, que é bem pequenininho, e foi apaixonante. O Pita, hoje meu marido e na época meu namorado, comprou para mim. No princípio não sabíamos se era macho o fêmea, só há disformismo sexual com dois ou três meses. Ele era bem bebê. Não é como criar gato ou cachorro. É diferente, peculiar. É necessário pesquisar para ver se é o bicho certo para sua rotina. Tem que cuidar para não roer cabos, ensinar a usar o banheirinho, mas é sapeca e fofo. Popi foi acostumado desde cedo com colos e passeios. Anda comigo em bolsa de tecido por aí. Vai e volta de carro conosco para casa em Gaspar. Vai para a praia, viaja. Em nossa casa em Gaspar ele tem um duplex no meio da sala, cheio de brinquedos. Quando venho para Balneário, ele tem lugar na casa da vó (risos) e rouba tangerina dela. Aliás, minha mãe dá muitos petiscos pra ele (risos). Levo às vezes ele pro trabalho. Bicho no ambiente de trabalho possibilita interação, a equipe ama. Ele é um coelho muito bonzinho, sociável. Nem todos são assim. Há relatos de coelhos que não gostam de colo, o meu ama; que mordem... o Popi não. Eles são bem sensíveis, então não sei se é o melhor bicho para crianças pequenas. A ração que ele come é balanceada, mas ele é muito fofo pedindo petiscos, temos que cuidar para não dar demais. Ele ama comer rosas! Coisa mais linda, ele fica pulando de lado quando vê rosas. As reações das pessoas são muito engraçadas quando digo que tenho um coelho. Criança faz uma leitura rápida, mas os adultos se surpreendem, vem, perguntam. É uma relação única. Ele já é um senhorzinho, em janeiro faz sete anos, e dizem que eles vivem uns oito”.

O calopsita Ninito

Sônia Regina Becker é dona do calopsita Ninico, de dois anos. Ele é a segunda calopsita que a Sônia tem. Antes dele ela teve a Quiquiu, que viveu cinco anos.

“Sempre achei as calopsitas muito bonitas, pomposas, mas até então eu não havia tido interesse em ter uma como animalzinho de estimação. Até que, num domingo de manhã, meu marido saiu para caminhar e encontrou um amigo e perguntou se ele (meu marido) queria ter uma calopsita. Ele tinha uma que ficava muito sozinha e estava doando. Meu marido aceitou e trouxe ela pra casa. Quando entrou pela porta, com a gaiola, e me disse ‘tenho um presente pra ti’, era a Nina. Olhei pra ela e gostei demais. Mas pensei ‘e agora? Nunca cuidei de nenhuma ave, tenho que aprender’. Nina era o nome que ela recebeu anteriormente, mas a medida que o tempo foi passando ela emitia sons, piava, ‘quiu, quiu’, e acabei a chamando de Quiuquiu e assim ficou. Ela era muito dócil, inteligente por ser uma ave, carinhosa e interagia bastante comigo. Creio que essas aves acabam ‘adotando’ uma pessoa da casa, e eu fui a escolhida. A dedicação era toda para ela, pois não tínhamos nenhum outro animal em casa. Fui aprendendo com ela, queria saber como cuidar, quais alimentos ela podia comer ou não, tipos de gaiola adequados, brinquedos, etc. O tempo foi passando, e uma das coisas que achei importante era não deixá-la presa na gaiola, e para isso foi necessário cortar as asinhas, assim ela não voaria e não iria embora. Ela gostava de se esconder atrás da cortina, onde começou a botar ovinhos. Um dia, sem querer, pisei nela e ela ficou muito mal. Foi nessa ocasião onde conhecemos o dr. Leonardo. Ele cuidou dela e ela se recuperou. Ela ficou conosco quatro anos e meio, mas acabou morrendo exatamente porque botava muitos ovinhos e um deles ficou atravessado, deixando ela fraca. Quando ela ‘virou estrelinha’ eu e o Amauri, meu marido, ficamos muito tristes, lamentamos bastante a sua perda. Alguns dias depois resolvemos pegar outra calopsita, porque era muito ruim ficar sem um bichinho. Pegamos pensando que era uma fêmea, mas era um macho, o Ninico. Ele é bem diferente da Quiuquiu. É bravo, aceita carinho só quando quer. É roedor, imponente, dominador. Tem personalidade forte (risos). Ele fica solto pelo apartamento, adora tomar banho e me acha sempre que quer. Um dia ele se assustou com um barulho (a audição deles é muito apurada) e ele levantou voo. Moro na 3.100 e ele foi em direção à Terceira Avenida. Só conseguimos recuperá-lo no outro dia, porque um senhor o encontrou. Ainda não tínhamos cortado as asinhas dele, por isso que aconteceu esse episódio. A calopsita acorda cedo e dorme cedo. À noite o Ninico gosta de ficar em local sem barulho e com pouca luz. Sempre o deixo no quarto e durante o dia na sala, onde fica solto. Quando está frio colocamos uma lâmpada (com uma distância), para ele se aquecer. A limpeza diária da gaiola é importante, além de ser essencial trocar a ração e a água. A fruta, quando ofertada, deve ser fresca. Também é bacana oferecer uma bacia rasa, porque eles gostam de tomar banho. Ter um veterinário especialista é essencial para a vida dessas aves, como o dr. Leo. Deve-se ter cuidado com outros animais, para não comê-las, e também com os humanos, para não pisar nelas ou machucar. As calopsitas interagem conosco de acordo com o jeitinho delas, e tudo depende de como são tratadas e criadas. Elas reconhecem as pessoas, é bem interessante. As pessoas, quando descobrem que temos um calopsita, se interessam e sempre querem saber tudo sobre ele, porque ainda é bem diferente, mas é muito fácil e legal ter elas como animalzinho de estimação. Exige o que vale para todos os outros: muito cuidado, amor e atenção. O Ninico já assobia ‘Atirei o Pau no Gato’ e algumas outras músicas. É só ensinar que eles aprendem. Amo calopsitas, são bichos apaixonantes e encantadores”.


Cães em serviço: conheça os cães da PM e da Guarda Municipal


Canil da Guarda Municipal tem novidades: Bolt e Aika

O canil do 12 BPM.

K9 GM Black e Nutella (os principais), e os filhotes Bolt e Aika.

K9 GM Nutella treinando

Recebendo recompensa de treino.

K9 Chase na viatura

O K9 (canil) da Guarda Municipal apresentou recentemente ao público os novos filhotes e futuros cães farejadores: Aika e Bolt, irmãos da mesma ninhada e filhos do conhecido cão de faro da GM, o Black. O canil da Guarda tem quatro anos, e o Black foi o primeiro cão a integrar o grupo. Os filhotes dele estão sendo treinados para identificar munições, armas e drogas, mas eles nunca têm contato com os materiais diretamente, apenas com o odor.

O Página 3 esteve no canil da GM, que fica no Bairro Estaleiro, onde conversou com os guardas municipais Fabrício Carbonera e Anápio Júnior. Eles explicaram que atualmente o Black é o único cão farejador da GM, mas há no canil ainda a Nutella, uma labradora que é utilizada para socialização (visitas a escolas, asilos, eventos, etc), e o Apollo, um pastor holandês que é utilizado para patrulhamento e intervenção (quando é necessário dispersar público em grandes eventos como o Carnaval e o Réveillon, por exemplo).

“Os filhotes já demonstraram ter características diferentes. Eles devem estar 100% prontos para trabalharem dentro de um ano, mas a partir desse verão eles já vão trabalhar na rua. Os dois vão ser cães de faro e queremos que eles sejam mais sociáveis que o Black, pois ele é bravo e não gosta de interagir com estranhos, diferente da Nutella, que adora esse contato”, explica o GM Carbonera.

Os guardas salientam que os cães vão trabalhar principalmente na praia central, sendo uma ótima ajuda na hora de encontrar drogas na faixa de areia, por exemplo.

“Mas o Black também já ajudou a fazer buscas no presídio, procurando drogas nas celas. Hoje ele tem cinco anos e serve há quatro. Ele pode trabalhar por seis anos ou até oito anos de idade”, diz o guarda Anápio.

A rotina dos cães da guarda é agitada: eles treinam todos os dias (o que para eles é uma brincadeira, pois são sempre recompensados com brinquedos e comida) e diariamente fazem alguma visita a escolas ou fazem rondas pelas ruas da cidade. Porém, eles também tem o tempo para ‘serem cães’, quando são soltos para brincarem, correrem e até ‘pegarem graveto’.

“Sem dúvidas o canil nos ajuda muito. Os cães conseguem identificar coisas que dificilmente conseguiríamos, nos poupando tempo. Além de nos aproximarem a comunidade, que adora a Nutella e os novos filhotes. Inclusive fazemos encontros com ela, interagindo com o pessoal que chegam de navio e também nos feriados”, completa Carbonera.

K9 da PM: Yanke e seus companheiros

Yanke e Iliberto.

Osmair e Athena.

O 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Balneário Camboriú, que fica na rua México, no Bairro das Nações, possui hoje quatro cães, todos da raça pastor belga mallinois: há o Yanke, que é o ‘líder’ e mais velho entre eles (o chamado ‘cão completo’, que é para socialização, guarda e proteção, busca e captura, faro e guarda e proteção), a Athena (guarda e proteção, ataque e faro), e os irmãos Lupy e Chase, que estão sendo treinados e são da mesma ninhada. O K9 da PM já possui 13 anos de atividade, mas quando o ex-comandante, Evaldo Hoffmann, assumiu o comando o ‘reativou’. O Yanke já trabalhava nessa época, sendo o primeiro cão do ‘recomeço’ do K9 do 12º BPM. Quem o treinou desde filhote é o 3º Sargento Iliberto Carlos Lemos de Oliveira, que é também o responsável pelo canil da PM de Balneário. Junto dele atuam outros dois policiais, um deles é o Soldado Osmair Barcelos.

A trajetória de Yanke, que tem oito anos, é conhecida em Balneário. Iliberto convive com ele há nove anos, e relembra que o cão conseguiu encontrar uma carga grande cocaína, auxiliando a Polícia Rodoviária Federal ano passado, entre Balneário Camboriú e Itapema no ano passado. Ele também já participou de ações na rodoviária da cidade e até auxiliou em buscas por pessoas desaparecidas, apesar de não ser o seu foco principal.

“Ele é um cão especial, ele realmente é único. Não posso negar que a nossa ligação é diferente, tanto que quando ele se aposentar ele vai pra casa comigo”, conta o Sargento.

O Página 3 acompanhou uma parte do treinamento dos cães do K9 da PM, que consiste em procurar drogas, armas, cartuchos, pólvora ou munições em canos pvc dispostos em uma parede de madeira ou então em caixas. Yanke é o único deles que late quando encontra o que precisa, todos os outros sentam ou deitam.

“É tudo uma brincadeira e eles sempre ganham recompensa. Todos eles interagem eles e se dão bem, exatamente pensando que caso precisemos usar todos ou mais de um em uma ocorrência, eles não vão brigar”, diz.

Lupy treinando.

As fêmeas não são castradas, e quando estão no cio são separadas dos machos e não trabalham por esse período. Athena tem dois anos e meio e não é tão sociável quanto Yanke e os irmãos Lupy e Chase, que aceitam o contato de pessoas estranhas tranquilamente.

O cão treinado pela PM tem capacidade de trabalhar plenamente a partir de um ano e cinco meses, mas os irmãos de oito meses já estão participando de ações de treinamento, exatamente para socializarem e trabalharem melhor nas ruas quando estiverem oficialmente em serviço. O trabalho diário deles não pode ultrapassar quatro horas, e todos eles tem a ‘vida de cão’: tem liberdade para brincarem, correrem e interagirem entre eles todos os dias. “Mas eles sentem prazer em trabalhar. Quando vêem a viatura ligar já querem entrar. Eles são incríveis. Em um local que levaríamos uma hora para encontrar a droga ou arma, por exemplo, eles localizam em 20 minutos. Hoje temos vagas para oito cães no canil. Se aumentar o efetivo, pegamos mais cães. Eu acho que o ideal seria que a cada três viaturas que temos uma tivesse um cão. Ou seja, um cão a cada 10 homens”, diz. Hoje as principais ocorrências que os cães do K9 da PM atendem são tráfico de drogas, fuga de bandidos (para o mato, por exemplo), visitas em escolas e eventos (o Yanke adora crianças), dentre outras.



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Como vivem cães e pets ‘diferentes’ e nada convencionais

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Quinta, 5/9/2019 8:53.

Conheça a história de alguns bichinhos de estimação e outros treinados para trabalhar pela população

Por Renata Rutes

Em Balneário Camboriú e região é muito comum as famílias terem cães, gatos e até passarinhos. Mas também há por aqui quem tem coelho, hamster, porquinho da índia e até arara. Outros pets ‘destaques’ são os cães do K9 (canil) da Guarda Municipal e da Polícia Militar. O Página 3 foi atrás de todos esses bichinhos diferentes e apresenta um pouco da história deles nessa reportagem especial. Confira e se encante!

O cuidado com qualquer animal é essencial, principalmente com os exóticos. O veterinário Leonardo Ribeiro de Lima é um dos poucos especialistas em pets não convencionais da região, atendendo em seu consultório em Navegantes ou a domicílio em todas as cidades próximas, incluindo Balneário Camboriú. O doutor Leo, como é conhecido, conta que teve vários animais ao longo da vida como cão, gato, tartaruga e coelho. Ele foi criado em Itajaí e salienta que sempre teve vontade de ajudar os animais, e isso acabou se tornando a sua profissão. Leo se formou em Medicina Veterinária pela FURB, em Blumenau, onde se interessou pela área de pets não convencionais.

“Me apaixonei, exatamente por ser muito diferente da clínica de cães e gatos. Quando comecei a trabalhar na área vi que eu tinha facilidade e compatibilidade. Já atuo há oito anos, fiz muitos cursos e também pós na área, mas sempre busco me atualizar mais”, diz.

O veterinário salienta que muitas pessoas têm pets exóticos na região, mas que nem todos sabem da necessidade de consultar com um especialista.

“As pessoas estão cuidando dos seus animais cada vez mais, considerando-os como membros da família”, analisa.

Leo atende hoje aves no geral (calopsita, papagaio, curió, trinca-ferro, piriquito australiano), tartarugas (tigres-d’água), jabuti, cobras, lagartos e roedores (hamster, porquinho da índia, coelho, ratos (twister e gerbil, por exemplo).

Alguns dos casos que o marcaram foi o atendimento da arara Elvis (que faz parte desta reportagem), além da coruja resgatada (foto) e atendida nessa semana, e até mesmo um sagui.

“Já atendi também uma tartaruga que quebrou o casco. Outro caso comum é de calopsitas, porque elas costumam andar soltas pela casa e às vezes se machucam e precisam colocar pino nas patinhas ou nas asas”, descreve.

Para quem quer ter um pet não convencional, Leo recomenda que a pessoa procure o contato de um veterinário especialista para saber como cuidar, já que esses animais são bem diferentes de cães e gatos.

“Eles necessitam de dedicação do dono, além de tempo e espaço adequado. O segundo ponto é sempre prestar atenção em como animal está. Com cachorro e gato você percebe mais, mas os animais silvestres tendem a esconder os sinais, porque se mostram na natureza eles podem ser predados, então qualquer sinal diferente vale ir ao veterinário”, completa.

Elvis, a arara

O empresário Álvaro Romaneli Cruz, 31 anos, é dono da arara-canindé Elvis (@elvis_caninde no Instagram), que tem um ano. Eles moram em Balneário Camboriú.

“Sempre gostei de pets exóticos e quando vi uma arara-canindé pela primeira vez fiquei encantado por sua beleza e cores. O primeiro passo foi muita pesquisa com os cuidados, espaço adequado e outras informações necessárias para ser ter um animal como ele. Toda documentação necessária é fornecida pelo criadouro autorizado e legalizado pelo IBAMA. Uma arara custa hoje de R$ 4 mil a R$ 5 mil, aproximadamente. Ele fica a maior parte do dia no viveiro que foi preparado especialmente para ele, com muitos galhos, plantas e tudo para que sinta o mais confortável possível. Ele adora sair do viveiro e passear nas pequenas árvores que tenho em minha casa, escutar músicas, brincar, receber carinho, passear na praia, ir ao petshop comprar seus brinquedos e desbravar coisas novas. Sua dieta é baseada em ração, verduras e muitas frutas. Por ser um animal muito curioso é muito importante que esteja sempre por perto, pois há muitos riscos. Pouco tempo atrás me distrai por alguns instantes, tempo suficiente para meu cachorro morder e fraturar quatro ossos. Por sorte temos o doutor Leo, que além de especialista em aves é um excelente profissional e amigo que nos acompanha desde a chegada do Elvis. Costumo dizer que o Elvis é um cachorro de penas faltando apenas latir (risos). Ele adora brincar comigo, às vezes pega um pouco pesado com o bico, mas nada exagerado. O Elvis faz muito sucesso na rua, sempre me param e pedem para tirar fotos. Quando vou ao pet sem ele me perguntam porque não levei ou ‘cadê o Elvis?’. Ele não socializa muito com outras pessoas, mas estou trabalhando e treinando para que se acostume. Antes de tudo, qualquer animal tem seu devido cuidado e com as araras não é diferente. Eles são seres sociais, que vivem até 90 anos. Assim, quando são deixados sozinhos, podem até mesmo adoecer. Portanto, não vale a pena adotar uma arara se não há tempo para interagir e brincar com ela cotidianamente. Isso só vai causar sofrimento ao animal. Não considero difícil e sim uma experiência totalmente diferente, e que vale muito a pena. A dica que deixo para quem quer comprar um animal silvestre é fazê-lo em criadores ou comerciantes autorizados pelo IBAMA, assim não contribuem com tráfico de animais”.

O hamster Mário

Mariana do Amaral, 25 anos, bióloga, mora em Itajaí e é dona do hamster Mário. Ela o achou na rua e o cria desde então.

“Como sou bióloga e amo animais, não consigo viver sem ter um pet e por morar em apartamento tenho uma certa limitação de espaço. Foi então que meu marido me presenteou com dois esquilos da Mongólia (Derick e Sloan). Quando eles estavam com uns seis meses, o Mário (hamster) surgiu em nossas vidas de uma maneira bem inusitada, pois achei ele na rua (risos). Penso que foi sorte minha e dele. Meu instinto foi logo trazer pra casa. Tentei inserir ele junto com os esquilos, mas eles não aceitaram, pois são muito territorialistas. Sendo assim passou a viver sozinho de maneira improvisada no início, até ser adquirida uma gaiola só pra ele. Nesse período que ele ficou na rua ele adquiriu conjuntivite, por sorte em nossa região temos o dr. Leonardo, que atendeu e medicou o nosso menino. O Mário é um caso à parte, ele tem sua gaiola, porém vive mais solto em meu quarto do que preso, ele tem alguns pontos onde faz seu ninho (atrás da minha cama e dentro do guarda-roupa). Ele que escolheu ficar assim, um belo dia ele conseguiu fugir e depois disso notamos que ele ficava toda noite esperando pra sair. Ele tem muita personalidade, se passamos da hora de soltar ele, ele fica emburrado (risos). Posso dizer que a rotina dele é dormir de dia e estocar ração à noite (risos). Ele é o típico personagem do desenho Hamtaro, o Soninho. Sua alimentação é baseada em ração especial para roedores e alguns grãos, como semente de girassol. Em relação ao acompanhamento veterinário, estou sempre bem atenta a qualquer alteração, recentemente notei que ele passou a perder os pêlos da parte traseira, chamei o dr. Leonardo e em dois dias já tínhamos o diagnóstico e estamos fazendo o tratamento dermatológico contra fungos e ácaros. Os hamsters tem uma peculiaridade, se treinados eles reconhecem o nome. Às vezes quando ele foge pelo quarto, ao chamar pelo seu nome ele vem, é uma fofura. Ele é muito sociável, aceita carinho, beijo, mas tem que ser rapidinho, pois logo quer fugir (risos). A reação é diversa entre as pessoas. Alguns gostam, outros nem tanto, pois fazem a associação com um rato, mas já estou acostumada e respeito. Quem gosta já quer logo pegar ele no colo, inclusive ele já foi viajar várias vezes conosco, com casais de amigos. Já ficou até em hotel. É bem tranquilo. Não é difícil criar um hamster, mas sempre é bom pesquisar antes de comprar ou adotar por impulso, pois necessita de cuidados básicos como manter sempre seu ambiente limpo porque sua urina tem um odor um pouco forte e eles são sensíveis. Manter sempre água limpa, comida eles tem mania de estocar então aconselho não deixar muita quantidade. E o principal: interaja com seu animalzinho, dessa forma ele ficará sociável. Estimule que ele use os brinquedos, como as rodinhas pra fazer exercício, e tome cuidado ao ter casal, pois procriam muito fácil”.

Snow e Benedito, os porquinhos-da-índia

A designer Bruna Brehmer, 25 anos, é dona dos porquinhos-da-Índia Benedito e Snow (@ospoiquinhos no Instagram), que tem pouco mais de um ano e vivem em Itajaí.

“A vontade de ter porquinhos começou como uma brincadeira minha e do meu noivo. Eu tinha acabado de ir morar sozinha, queria uma companhia para ficar comigo, mas o lugar era pequeno e ele vivia falando que eu deveria pegar. Conversei com uma amiga (a repórter responsável por essa matéria) que tinha para ver como funcionava, sempre achei muito lindinho e tinha muita vontade de ter. Depois nós fomos morar juntos e logo em seguida já decidimos pegar eles. Antes de me mudar eu tinha uma coelha, chamada Lola, mas como eles precisam de espaço para se exercitar, ela acabou não morando mais comigo. O investimento inicial para ter um porquinho é um pouco maior do que para ter gato ou cachorro (dependendo, claro). Na época nós fomos comprando as coisas aos poucos, passamos uns dois meses até ter tudo que precisava pra receber eles. Então um dia passamos na frente de uma petshop, estava chovendo muito e vimos um porquinho numa gaiolinha minúscula (até um pouco molhado), todo branquinho com os pelos arrepiados. Perguntamos pra vendedora e ele custava R$ 30, mas como ela queria muito vender, ofereceu por R$ 15 e assim compramos o Snow, o porquinho na promoção. Na semana seguinte fomos em um lugar que tem criação (onde eu havia comprado a minha coelha) e achamos o Benedito (em homenagem ao ator Benedict Cumberbatch). Eles não podem viver em gaiola e o cercado deles deve ser o maior possível. Recentemente nós aumentamos o cercado deles. Eles vivem hoje em um espaço de 2x0,8m. Fazemos forração com soft, para que eles não se sujem com o xixi. Os nossos porquinhos tem a rotina bem certinha e não nos deixam esquecer nenhuma refeição (gritam até doer os ouvidos assim que bate a hora de comer (risos)). A alimentação deles principal é o feno, que ajuda com o desgastes dos dentes (os dentes dos roedores crescem constantemente, então é importante que o feno esteja à vontade para acontecer esse desgaste e ter alguns objetos de madeira dentro do cercado também ajuda). Fora o feno, eles comem ração específica para porquinhos e uma diversidade de frutas, legumes e verduras (nós temos uma tabelinha que seguimos a risca, pois tem alguns alimentos que não podem ser dados muitas vezes na semana por ter muito cálcio, açúcar, etc). Os preferidos deles são pepinos japoneses e chicória. Uma coisa importante é que eles sempre precisam ser criados em duplas do mesmo sexo (importante ser do mesmo sexo porque eles procriam mais que coelhos (risos)), pois são bichinhos muito sociáveis e precisam de outro da mesma espécie para fazer companhia para eles. Também é preciso sempre prestar muita atenção na saúde deles, por serem presas, eles tendem a esconder muito quando estão doentes e muitas vezes quando se percebe que tem algo de errado, já é tarde demais, por isso em qualquer dúvida deve-se correr para o veterinário para evitar problemas maiores. Diferente do que muita gente acha, porquinhos têm muita personalidade, eles aprendem todos os sons da casa (por exemplo, sempre que eu abro a geladeira, eles escutam lá do cercado e começam a gritar porque sabem que eu estou pegando comida pra eles), eles ficam em pé quando querem colo e também resmungam quando querem ficar sozinhos. O Snow e o Benedito têm personalidades completamente diferentes e é muito incrível de ver isso. O Snow adora ficar no colo, ficar fora do cercado, dormir em cima da gente. Enquanto o Benedito já é bem mais na dele, gosta de ficar dentro da toca e só pode ser comprado com comida. Até os gostos deles são diferentes, um gosta de tomate o outro não, um gosta de pimentão e o outro não. Eles interagem muito, você só precisa ter paciência de conquistar a confiança deles. Não é difícil, mas requer (assim como qualquer outro animal) paciência e dedicação. Eles demoram um pouco para criar confiança, então pode ser frustrante para quem está acostumado com cachorros, mas conforme você vai interagindo e acostumando contigo, eles são ótimas companhias, especialmente para quem não consegue ficar o dia inteiro em casa. Se você quer ter um pig, primeiramente entenda que (como falei) eles precisam ser criados em duplas do mesmo sexo, mas não se preocupa, porque a diferença entre ter um ou dois não é tanta assim. E segundo: pesquise muito! Existem diversos grupos no Facebook que tem bastante conteúdo legal sobre alojamento e alimentação”.

O mini-coelho Popi, que passeia até na bolsa

A diretora de artes da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Lilian Martins, é dona do coelho Popi, que participa da matéria, mas além dele ela tem quatro cachorros e até galinhas. Todos vivem na casa dela e do marido, o artista Pita Camargo, em Gaspar.

“Quando pequena eu tive um coelho, mas um coelho doméstico, grandão. Já tive vários bichos, várias aves, cachorros, gatos, peixes, hamster... tudo. Todos gostavam de bichos em casa. Depois do cachorro que eu ganhei aos 12 e que morreu quando eu tinha 30 achei que não teria mais bichos. Correria do dia a dia, apegar demais, enfim. Mas acabei buscando um bicho sociável e ‘portátil’ (risos). Li sobre os mini-coelhos e achei bem interessante. Fui aprendendo e pesquisando. Até que um dia vi o Popi, que é bem pequenininho, e foi apaixonante. O Pita, hoje meu marido e na época meu namorado, comprou para mim. No princípio não sabíamos se era macho o fêmea, só há disformismo sexual com dois ou três meses. Ele era bem bebê. Não é como criar gato ou cachorro. É diferente, peculiar. É necessário pesquisar para ver se é o bicho certo para sua rotina. Tem que cuidar para não roer cabos, ensinar a usar o banheirinho, mas é sapeca e fofo. Popi foi acostumado desde cedo com colos e passeios. Anda comigo em bolsa de tecido por aí. Vai e volta de carro conosco para casa em Gaspar. Vai para a praia, viaja. Em nossa casa em Gaspar ele tem um duplex no meio da sala, cheio de brinquedos. Quando venho para Balneário, ele tem lugar na casa da vó (risos) e rouba tangerina dela. Aliás, minha mãe dá muitos petiscos pra ele (risos). Levo às vezes ele pro trabalho. Bicho no ambiente de trabalho possibilita interação, a equipe ama. Ele é um coelho muito bonzinho, sociável. Nem todos são assim. Há relatos de coelhos que não gostam de colo, o meu ama; que mordem... o Popi não. Eles são bem sensíveis, então não sei se é o melhor bicho para crianças pequenas. A ração que ele come é balanceada, mas ele é muito fofo pedindo petiscos, temos que cuidar para não dar demais. Ele ama comer rosas! Coisa mais linda, ele fica pulando de lado quando vê rosas. As reações das pessoas são muito engraçadas quando digo que tenho um coelho. Criança faz uma leitura rápida, mas os adultos se surpreendem, vem, perguntam. É uma relação única. Ele já é um senhorzinho, em janeiro faz sete anos, e dizem que eles vivem uns oito”.

O calopsita Ninito

Sônia Regina Becker é dona do calopsita Ninico, de dois anos. Ele é a segunda calopsita que a Sônia tem. Antes dele ela teve a Quiquiu, que viveu cinco anos.

“Sempre achei as calopsitas muito bonitas, pomposas, mas até então eu não havia tido interesse em ter uma como animalzinho de estimação. Até que, num domingo de manhã, meu marido saiu para caminhar e encontrou um amigo e perguntou se ele (meu marido) queria ter uma calopsita. Ele tinha uma que ficava muito sozinha e estava doando. Meu marido aceitou e trouxe ela pra casa. Quando entrou pela porta, com a gaiola, e me disse ‘tenho um presente pra ti’, era a Nina. Olhei pra ela e gostei demais. Mas pensei ‘e agora? Nunca cuidei de nenhuma ave, tenho que aprender’. Nina era o nome que ela recebeu anteriormente, mas a medida que o tempo foi passando ela emitia sons, piava, ‘quiu, quiu’, e acabei a chamando de Quiuquiu e assim ficou. Ela era muito dócil, inteligente por ser uma ave, carinhosa e interagia bastante comigo. Creio que essas aves acabam ‘adotando’ uma pessoa da casa, e eu fui a escolhida. A dedicação era toda para ela, pois não tínhamos nenhum outro animal em casa. Fui aprendendo com ela, queria saber como cuidar, quais alimentos ela podia comer ou não, tipos de gaiola adequados, brinquedos, etc. O tempo foi passando, e uma das coisas que achei importante era não deixá-la presa na gaiola, e para isso foi necessário cortar as asinhas, assim ela não voaria e não iria embora. Ela gostava de se esconder atrás da cortina, onde começou a botar ovinhos. Um dia, sem querer, pisei nela e ela ficou muito mal. Foi nessa ocasião onde conhecemos o dr. Leonardo. Ele cuidou dela e ela se recuperou. Ela ficou conosco quatro anos e meio, mas acabou morrendo exatamente porque botava muitos ovinhos e um deles ficou atravessado, deixando ela fraca. Quando ela ‘virou estrelinha’ eu e o Amauri, meu marido, ficamos muito tristes, lamentamos bastante a sua perda. Alguns dias depois resolvemos pegar outra calopsita, porque era muito ruim ficar sem um bichinho. Pegamos pensando que era uma fêmea, mas era um macho, o Ninico. Ele é bem diferente da Quiuquiu. É bravo, aceita carinho só quando quer. É roedor, imponente, dominador. Tem personalidade forte (risos). Ele fica solto pelo apartamento, adora tomar banho e me acha sempre que quer. Um dia ele se assustou com um barulho (a audição deles é muito apurada) e ele levantou voo. Moro na 3.100 e ele foi em direção à Terceira Avenida. Só conseguimos recuperá-lo no outro dia, porque um senhor o encontrou. Ainda não tínhamos cortado as asinhas dele, por isso que aconteceu esse episódio. A calopsita acorda cedo e dorme cedo. À noite o Ninico gosta de ficar em local sem barulho e com pouca luz. Sempre o deixo no quarto e durante o dia na sala, onde fica solto. Quando está frio colocamos uma lâmpada (com uma distância), para ele se aquecer. A limpeza diária da gaiola é importante, além de ser essencial trocar a ração e a água. A fruta, quando ofertada, deve ser fresca. Também é bacana oferecer uma bacia rasa, porque eles gostam de tomar banho. Ter um veterinário especialista é essencial para a vida dessas aves, como o dr. Leo. Deve-se ter cuidado com outros animais, para não comê-las, e também com os humanos, para não pisar nelas ou machucar. As calopsitas interagem conosco de acordo com o jeitinho delas, e tudo depende de como são tratadas e criadas. Elas reconhecem as pessoas, é bem interessante. As pessoas, quando descobrem que temos um calopsita, se interessam e sempre querem saber tudo sobre ele, porque ainda é bem diferente, mas é muito fácil e legal ter elas como animalzinho de estimação. Exige o que vale para todos os outros: muito cuidado, amor e atenção. O Ninico já assobia ‘Atirei o Pau no Gato’ e algumas outras músicas. É só ensinar que eles aprendem. Amo calopsitas, são bichos apaixonantes e encantadores”.


Cães em serviço: conheça os cães da PM e da Guarda Municipal


Canil da Guarda Municipal tem novidades: Bolt e Aika

O canil do 12 BPM.

K9 GM Black e Nutella (os principais), e os filhotes Bolt e Aika.

K9 GM Nutella treinando

Recebendo recompensa de treino.

K9 Chase na viatura

O K9 (canil) da Guarda Municipal apresentou recentemente ao público os novos filhotes e futuros cães farejadores: Aika e Bolt, irmãos da mesma ninhada e filhos do conhecido cão de faro da GM, o Black. O canil da Guarda tem quatro anos, e o Black foi o primeiro cão a integrar o grupo. Os filhotes dele estão sendo treinados para identificar munições, armas e drogas, mas eles nunca têm contato com os materiais diretamente, apenas com o odor.

O Página 3 esteve no canil da GM, que fica no Bairro Estaleiro, onde conversou com os guardas municipais Fabrício Carbonera e Anápio Júnior. Eles explicaram que atualmente o Black é o único cão farejador da GM, mas há no canil ainda a Nutella, uma labradora que é utilizada para socialização (visitas a escolas, asilos, eventos, etc), e o Apollo, um pastor holandês que é utilizado para patrulhamento e intervenção (quando é necessário dispersar público em grandes eventos como o Carnaval e o Réveillon, por exemplo).

“Os filhotes já demonstraram ter características diferentes. Eles devem estar 100% prontos para trabalharem dentro de um ano, mas a partir desse verão eles já vão trabalhar na rua. Os dois vão ser cães de faro e queremos que eles sejam mais sociáveis que o Black, pois ele é bravo e não gosta de interagir com estranhos, diferente da Nutella, que adora esse contato”, explica o GM Carbonera.

Os guardas salientam que os cães vão trabalhar principalmente na praia central, sendo uma ótima ajuda na hora de encontrar drogas na faixa de areia, por exemplo.

“Mas o Black também já ajudou a fazer buscas no presídio, procurando drogas nas celas. Hoje ele tem cinco anos e serve há quatro. Ele pode trabalhar por seis anos ou até oito anos de idade”, diz o guarda Anápio.

A rotina dos cães da guarda é agitada: eles treinam todos os dias (o que para eles é uma brincadeira, pois são sempre recompensados com brinquedos e comida) e diariamente fazem alguma visita a escolas ou fazem rondas pelas ruas da cidade. Porém, eles também tem o tempo para ‘serem cães’, quando são soltos para brincarem, correrem e até ‘pegarem graveto’.

“Sem dúvidas o canil nos ajuda muito. Os cães conseguem identificar coisas que dificilmente conseguiríamos, nos poupando tempo. Além de nos aproximarem a comunidade, que adora a Nutella e os novos filhotes. Inclusive fazemos encontros com ela, interagindo com o pessoal que chegam de navio e também nos feriados”, completa Carbonera.

K9 da PM: Yanke e seus companheiros

Yanke e Iliberto.

Osmair e Athena.

O 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Balneário Camboriú, que fica na rua México, no Bairro das Nações, possui hoje quatro cães, todos da raça pastor belga mallinois: há o Yanke, que é o ‘líder’ e mais velho entre eles (o chamado ‘cão completo’, que é para socialização, guarda e proteção, busca e captura, faro e guarda e proteção), a Athena (guarda e proteção, ataque e faro), e os irmãos Lupy e Chase, que estão sendo treinados e são da mesma ninhada. O K9 da PM já possui 13 anos de atividade, mas quando o ex-comandante, Evaldo Hoffmann, assumiu o comando o ‘reativou’. O Yanke já trabalhava nessa época, sendo o primeiro cão do ‘recomeço’ do K9 do 12º BPM. Quem o treinou desde filhote é o 3º Sargento Iliberto Carlos Lemos de Oliveira, que é também o responsável pelo canil da PM de Balneário. Junto dele atuam outros dois policiais, um deles é o Soldado Osmair Barcelos.

A trajetória de Yanke, que tem oito anos, é conhecida em Balneário. Iliberto convive com ele há nove anos, e relembra que o cão conseguiu encontrar uma carga grande cocaína, auxiliando a Polícia Rodoviária Federal ano passado, entre Balneário Camboriú e Itapema no ano passado. Ele também já participou de ações na rodoviária da cidade e até auxiliou em buscas por pessoas desaparecidas, apesar de não ser o seu foco principal.

“Ele é um cão especial, ele realmente é único. Não posso negar que a nossa ligação é diferente, tanto que quando ele se aposentar ele vai pra casa comigo”, conta o Sargento.

O Página 3 acompanhou uma parte do treinamento dos cães do K9 da PM, que consiste em procurar drogas, armas, cartuchos, pólvora ou munições em canos pvc dispostos em uma parede de madeira ou então em caixas. Yanke é o único deles que late quando encontra o que precisa, todos os outros sentam ou deitam.

“É tudo uma brincadeira e eles sempre ganham recompensa. Todos eles interagem eles e se dão bem, exatamente pensando que caso precisemos usar todos ou mais de um em uma ocorrência, eles não vão brigar”, diz.

Lupy treinando.

As fêmeas não são castradas, e quando estão no cio são separadas dos machos e não trabalham por esse período. Athena tem dois anos e meio e não é tão sociável quanto Yanke e os irmãos Lupy e Chase, que aceitam o contato de pessoas estranhas tranquilamente.

O cão treinado pela PM tem capacidade de trabalhar plenamente a partir de um ano e cinco meses, mas os irmãos de oito meses já estão participando de ações de treinamento, exatamente para socializarem e trabalharem melhor nas ruas quando estiverem oficialmente em serviço. O trabalho diário deles não pode ultrapassar quatro horas, e todos eles tem a ‘vida de cão’: tem liberdade para brincarem, correrem e interagirem entre eles todos os dias. “Mas eles sentem prazer em trabalhar. Quando vêem a viatura ligar já querem entrar. Eles são incríveis. Em um local que levaríamos uma hora para encontrar a droga ou arma, por exemplo, eles localizam em 20 minutos. Hoje temos vagas para oito cães no canil. Se aumentar o efetivo, pegamos mais cães. Eu acho que o ideal seria que a cada três viaturas que temos uma tivesse um cão. Ou seja, um cão a cada 10 homens”, diz. Hoje as principais ocorrências que os cães do K9 da PM atendem são tráfico de drogas, fuga de bandidos (para o mato, por exemplo), visitas em escolas e eventos (o Yanke adora crianças), dentre outras.



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