Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
Seminário abordou estratégicas online com jornalistas e aconselhou políticos

Quarta, 8/5/2019 15:33.
Fotos Divulgação / Renata Rutes

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Por Renata Rutes

O Seminário de Comunicação Pública aconteceu na terça-feira (7) em Balneário Camboriú, reunindo jornalistas e políticos no Hotel Geranium. Organizado pela jornalista Andréa Artigas, o evento trouxe para a cidade quatro comunicadores renomados, com destaque para Ricardo Stuckert, fotojornalista e fotógrafo do ex-presidente Lula.
O Página 3 esteve lá e conferiu tudo de perto.

Fred Perillo: jornalista, consultor político e estrategista digital

O jornalista Fred Perillo abriu o evento, enaltecendo o quanto os assessores e políticos precisam ficar atentos nas novas tecnologias, já que 2020 e as eleições estão ‘logo ali’. Dentre as tendências que Fred citou, um dos destaques foi o chatbots, que é o uso de robôs para conversa. No Messenger (chat do Facebook) isso já vem sendo bastante utilizado, e a expectativa é que para o WhatsApp isso chegue logo.

“Porém, você não pode ser invasivo, não deve mandar mensagem que não é solicitada ou encher a pessoa o tempo todo. O ideal é enviar informações importantes e duas vezes por semana mais ou menos”, comentou.

Porém, Fred lembrou que políticos não são produtos e que precisam se mostrar acessíveis, próximos do público e humanos.

“Like em foto e vídeo não é o principal, tanto que o Instagram está acabando com isso. É preciso focar na interação. Acabou o ‘palanque’, o político não pode ficar mais alto que o público, a relação deve ser vertical, falando de igual para igual”, defendeu.

Ele citou ainda a importância de cada político focar em uma comunidade, pois nem sempre é possível abranger todos os públicos com seus projetos e bandeiras.

“As redes sociais não são mídia de massa, como TV e rádio. É preciso segmentar, conversar direto com o seu público”, disse. O humor também foi outra ferramenta que o jornalista recomendou ser utilizada, lembrando de relações com a cultura pop (como a imagem de Lula no trono da série Game of Thrones) páginas como Dilma Bolada, Ciro Sincero, Haddad Tranquilão e Marina Zoeira – essa última é inclusive feita dentro do comitê de Marina, por pessoas de sua equipe.

Rodrigo Bastos: jornalista e coordenador de Informações e Estratégias da Secom de SP

Outro palestrante foi Rodrigo Bastos, que atualmente coordena o setor de Informações e Estratégias da Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo. Ele também foi o responsável pela campanha de João Doria para prefeito e governador. O jornalista destacou o quanto a publicidade é importante para a política. Ele é responsável por elaborar vídeos junto com publicitários, e exibiu conteúdos especiais, como o desenvolvido para investidores estrangeiros, apresentando os potenciais de São Paulo e com narração em inglês, além de vídeos feitos para as redes sociais, com ações que o governo vem fazendo.

“O governo tem a obrigação de divulgar o que faz, para não pecar pelo que não fez. Às vezes a omissão pode ser tão ruim quanto a ação”, disse.

Rodrigo foi questionado pelo público sobre o vídeo que apareceu uma semana antes da eleição, onde supostamente Doria estaria com mulheres em um motel. Ele negou a veracidade da gravação, assim como foi divulgado nas redes sociais de Doria, lembrando que laudos foram feitos e revelaram que não era o político nos vídeos. Até hoje o caso é discutido, porque há investigações que dizem que era Doria nas imagens.

“Eu acredito que não seja, acredito na palavra do meu assessorado e nos laudos, mas quem quer acreditar que era ele vai continuar acreditando, não importa o que eu diga”, afirmou.

Segundo ele, apesar de não ter sido revelado quem divulgou o vídeo, há indicações que tenha sido a chapa adversária.

Marina Lopes: jornalista e coordenadora de Comunicação da ex-deputada Manuela D’Avila

A jornalista Marina Lopes, que trabalha com a ex-deputada e candidata à vice-presidência Manuela D’Avila abordou o importante tema fake news, bastante discutido na última eleição presidencial. Ela abriu sua fala lembrando que não é algo novo, mas que a internet o ampliou.

“O erro da esquerda foi tratar como algo periférico. Só percebemos a força que tinha quando já estava um pouco tarde. Ela está totalmente ligada ao discurso de ódio, e mesmo sendo algumas vezes bastante absurda, as pessoas acreditam”, disse lembrando do caso das laranjas contaminadas com AIDS, que em uma semana foi compartilha 800 mil vezes no Facebook.

Marina citou uma pesquisa da Universidade de Curitiba, que confirmou que 60% dos internautas brasileiros não leem além da manchete das notícias online, sendo que 12 milhões compartilharam alguma fake new ligada a política (segundo pesquisa da USP).

Manuela D’Avila foi uma das mais afetadas pelas fake news, o TSE chegou a derrubar 80 links que a difamavam pela internet, como o uso da camiseta ‘Jesus é travesti’ (na verdade a estampa era ‘rebele-se’), e as tatuagens para Che Guevara. “A Manu foi atingida ainda quando era deputada. Quando ela estava grávida começaram a falar que ela havia ido para Miami comprar o enxoval da bebê, e ela nunca havia pisado lá. Ignoramos, não nos pronunciamos e achamos que não ia dar em nada, até que um blogueiro ampliou e disse que ela havia usado dinheiro público para essa viagem que nunca aconteceu”, relembrou. O homem foi processado, mas uma mulher que leu a notícia encontrou Manu em um show e agrediu a filha dela, que estava em um ‘sling’.

“A mentira surge de sentimentos reais, como machismo, racismo e homofobia. E infelizmente é mais fácil acreditar em fake news sobre mulheres, LGBTs e negros. As pessoas têm a tendência em acreditar naquilo que condiz com a opinião delas, mesmo sendo falso. A internet dificulta a responsabilização dos criminosos e o compartilhamento por WhatsApp (principal meio utilizado nas eleições de 2018) é impossível de ser controlado”, afirmou.

Ricardo Stuckert: fotojornalista e fotógrafo do ex-presidente Lula

A palestra mais esperada foi a com Ricardo, que é conhecido no meio da comunicação por suas imagens que retratam emoção e saem do estilo de fotos posadas.

Stuckert vem de uma família de fotógrafos, desde o seu bisavô, avô, pai e irmão. Inclusive, o pai dele foi fotógrafo do ex-presidente Figueiredo e seu irmão da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Isso por si só já é um marco. Eu fotografei o primeiro presidente sindicalista e operário, meu pai o último presidente militar e meu irmão a primeira presidente mulher”, disse no início de sua fala.

Ricardo iniciou a carreira aos 17 anos, acumulando 32 anos de profissão. Ele já atuou em diversos veículos de renome, como as revistas Veja e Isto É, e considera uma honra trabalhar com Lula até hoje. Ele cobriu cinco posses presidenciais.

“Eu sempre levo a minha câmera onde vou, pois não dá para perder momentos. Já quase perdi voos, já acompanhei o carro do Lula de moto, para ir fazendo as fotos quando não tinha espaço para mim. Eu dizia que não faria novamente porque era arriscado, mas sempre vou fazer, é a profissão”, comentou.

No início, Ricardo ganhava, segundo ele, três vezes menos do que recebia para trabalhar na Isto É, mas viu que valia a pena encarar o desafio de ser o fotógrafo oficial do ex-presidente. Stuckert foca em fotografia documental e factual, buscando sempre o diferencial, como as expressões do público, inclusive por vezes até desfocando Lula ou pegando apenas sua mão, além de priorizar imagens em preto e branco, para destacar mais.

“O Lula era um homem do povo, por isso também eu preferia fazer imagens dele interagindo com os brasileiros que iam vê-lo, com enfoque nos abraços e nas mãos nele”, explicou. Ricardo também abordou as fake news, e disse que já tentaram até dizer que as imagens por ele produzidas eram alteradas. Ele disse que ignora isso, porque não considera que vale a pena discutir.

O fotógrafo é hoje o responsável por cuidar do Instagram de Lula, e ajuda também no de Fernando Haddad. Ele relatou alguns acontecimentos, como a foto mais ‘curtida’ de Lula, que é a dele com jovens fazendo a famosa ‘sarrada’. A imagem acumula mais de 12 milhões de likes – somente no Facebook. Ele falou também sobre a foto publicada de Lula sem camisa na praia, a qual um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro curtiu e foi flagrado, acabando por virar notícia. "Ele curtiu acidentalmente e para nós foi ótimo (risos)", pontuou.

Hoje, Stuckert trabalha paralelamente em um projeto com índios. Ele viaja aos finais de semana para a Amazônia e outros Estados do Norte e Nordeste para fotografá-los. A ideia é reunir as imagens em um livro. Ele continua acompanhando Lula, e inclusive vai semanalmente para Curitiba fotografar a chamada ‘Vigília Lula Livre’.


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Página 3
Fotos Divulgação / Renata Rutes

Seminário abordou estratégicas online com jornalistas e aconselhou políticos

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Quarta, 8/5/2019 15:33.

Por Renata Rutes

O Seminário de Comunicação Pública aconteceu na terça-feira (7) em Balneário Camboriú, reunindo jornalistas e políticos no Hotel Geranium. Organizado pela jornalista Andréa Artigas, o evento trouxe para a cidade quatro comunicadores renomados, com destaque para Ricardo Stuckert, fotojornalista e fotógrafo do ex-presidente Lula.
O Página 3 esteve lá e conferiu tudo de perto.

Fred Perillo: jornalista, consultor político e estrategista digital

O jornalista Fred Perillo abriu o evento, enaltecendo o quanto os assessores e políticos precisam ficar atentos nas novas tecnologias, já que 2020 e as eleições estão ‘logo ali’. Dentre as tendências que Fred citou, um dos destaques foi o chatbots, que é o uso de robôs para conversa. No Messenger (chat do Facebook) isso já vem sendo bastante utilizado, e a expectativa é que para o WhatsApp isso chegue logo.

“Porém, você não pode ser invasivo, não deve mandar mensagem que não é solicitada ou encher a pessoa o tempo todo. O ideal é enviar informações importantes e duas vezes por semana mais ou menos”, comentou.

Porém, Fred lembrou que políticos não são produtos e que precisam se mostrar acessíveis, próximos do público e humanos.

“Like em foto e vídeo não é o principal, tanto que o Instagram está acabando com isso. É preciso focar na interação. Acabou o ‘palanque’, o político não pode ficar mais alto que o público, a relação deve ser vertical, falando de igual para igual”, defendeu.

Ele citou ainda a importância de cada político focar em uma comunidade, pois nem sempre é possível abranger todos os públicos com seus projetos e bandeiras.

“As redes sociais não são mídia de massa, como TV e rádio. É preciso segmentar, conversar direto com o seu público”, disse. O humor também foi outra ferramenta que o jornalista recomendou ser utilizada, lembrando de relações com a cultura pop (como a imagem de Lula no trono da série Game of Thrones) páginas como Dilma Bolada, Ciro Sincero, Haddad Tranquilão e Marina Zoeira – essa última é inclusive feita dentro do comitê de Marina, por pessoas de sua equipe.

Rodrigo Bastos: jornalista e coordenador de Informações e Estratégias da Secom de SP

Outro palestrante foi Rodrigo Bastos, que atualmente coordena o setor de Informações e Estratégias da Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo. Ele também foi o responsável pela campanha de João Doria para prefeito e governador. O jornalista destacou o quanto a publicidade é importante para a política. Ele é responsável por elaborar vídeos junto com publicitários, e exibiu conteúdos especiais, como o desenvolvido para investidores estrangeiros, apresentando os potenciais de São Paulo e com narração em inglês, além de vídeos feitos para as redes sociais, com ações que o governo vem fazendo.

“O governo tem a obrigação de divulgar o que faz, para não pecar pelo que não fez. Às vezes a omissão pode ser tão ruim quanto a ação”, disse.

Rodrigo foi questionado pelo público sobre o vídeo que apareceu uma semana antes da eleição, onde supostamente Doria estaria com mulheres em um motel. Ele negou a veracidade da gravação, assim como foi divulgado nas redes sociais de Doria, lembrando que laudos foram feitos e revelaram que não era o político nos vídeos. Até hoje o caso é discutido, porque há investigações que dizem que era Doria nas imagens.

“Eu acredito que não seja, acredito na palavra do meu assessorado e nos laudos, mas quem quer acreditar que era ele vai continuar acreditando, não importa o que eu diga”, afirmou.

Segundo ele, apesar de não ter sido revelado quem divulgou o vídeo, há indicações que tenha sido a chapa adversária.

Marina Lopes: jornalista e coordenadora de Comunicação da ex-deputada Manuela D’Avila

A jornalista Marina Lopes, que trabalha com a ex-deputada e candidata à vice-presidência Manuela D’Avila abordou o importante tema fake news, bastante discutido na última eleição presidencial. Ela abriu sua fala lembrando que não é algo novo, mas que a internet o ampliou.

“O erro da esquerda foi tratar como algo periférico. Só percebemos a força que tinha quando já estava um pouco tarde. Ela está totalmente ligada ao discurso de ódio, e mesmo sendo algumas vezes bastante absurda, as pessoas acreditam”, disse lembrando do caso das laranjas contaminadas com AIDS, que em uma semana foi compartilha 800 mil vezes no Facebook.

Marina citou uma pesquisa da Universidade de Curitiba, que confirmou que 60% dos internautas brasileiros não leem além da manchete das notícias online, sendo que 12 milhões compartilharam alguma fake new ligada a política (segundo pesquisa da USP).

Manuela D’Avila foi uma das mais afetadas pelas fake news, o TSE chegou a derrubar 80 links que a difamavam pela internet, como o uso da camiseta ‘Jesus é travesti’ (na verdade a estampa era ‘rebele-se’), e as tatuagens para Che Guevara. “A Manu foi atingida ainda quando era deputada. Quando ela estava grávida começaram a falar que ela havia ido para Miami comprar o enxoval da bebê, e ela nunca havia pisado lá. Ignoramos, não nos pronunciamos e achamos que não ia dar em nada, até que um blogueiro ampliou e disse que ela havia usado dinheiro público para essa viagem que nunca aconteceu”, relembrou. O homem foi processado, mas uma mulher que leu a notícia encontrou Manu em um show e agrediu a filha dela, que estava em um ‘sling’.

“A mentira surge de sentimentos reais, como machismo, racismo e homofobia. E infelizmente é mais fácil acreditar em fake news sobre mulheres, LGBTs e negros. As pessoas têm a tendência em acreditar naquilo que condiz com a opinião delas, mesmo sendo falso. A internet dificulta a responsabilização dos criminosos e o compartilhamento por WhatsApp (principal meio utilizado nas eleições de 2018) é impossível de ser controlado”, afirmou.

Ricardo Stuckert: fotojornalista e fotógrafo do ex-presidente Lula

A palestra mais esperada foi a com Ricardo, que é conhecido no meio da comunicação por suas imagens que retratam emoção e saem do estilo de fotos posadas.

Stuckert vem de uma família de fotógrafos, desde o seu bisavô, avô, pai e irmão. Inclusive, o pai dele foi fotógrafo do ex-presidente Figueiredo e seu irmão da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Isso por si só já é um marco. Eu fotografei o primeiro presidente sindicalista e operário, meu pai o último presidente militar e meu irmão a primeira presidente mulher”, disse no início de sua fala.

Ricardo iniciou a carreira aos 17 anos, acumulando 32 anos de profissão. Ele já atuou em diversos veículos de renome, como as revistas Veja e Isto É, e considera uma honra trabalhar com Lula até hoje. Ele cobriu cinco posses presidenciais.

“Eu sempre levo a minha câmera onde vou, pois não dá para perder momentos. Já quase perdi voos, já acompanhei o carro do Lula de moto, para ir fazendo as fotos quando não tinha espaço para mim. Eu dizia que não faria novamente porque era arriscado, mas sempre vou fazer, é a profissão”, comentou.

No início, Ricardo ganhava, segundo ele, três vezes menos do que recebia para trabalhar na Isto É, mas viu que valia a pena encarar o desafio de ser o fotógrafo oficial do ex-presidente. Stuckert foca em fotografia documental e factual, buscando sempre o diferencial, como as expressões do público, inclusive por vezes até desfocando Lula ou pegando apenas sua mão, além de priorizar imagens em preto e branco, para destacar mais.

“O Lula era um homem do povo, por isso também eu preferia fazer imagens dele interagindo com os brasileiros que iam vê-lo, com enfoque nos abraços e nas mãos nele”, explicou. Ricardo também abordou as fake news, e disse que já tentaram até dizer que as imagens por ele produzidas eram alteradas. Ele disse que ignora isso, porque não considera que vale a pena discutir.

O fotógrafo é hoje o responsável por cuidar do Instagram de Lula, e ajuda também no de Fernando Haddad. Ele relatou alguns acontecimentos, como a foto mais ‘curtida’ de Lula, que é a dele com jovens fazendo a famosa ‘sarrada’. A imagem acumula mais de 12 milhões de likes – somente no Facebook. Ele falou também sobre a foto publicada de Lula sem camisa na praia, a qual um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro curtiu e foi flagrado, acabando por virar notícia. "Ele curtiu acidentalmente e para nós foi ótimo (risos)", pontuou.

Hoje, Stuckert trabalha paralelamente em um projeto com índios. Ele viaja aos finais de semana para a Amazônia e outros Estados do Norte e Nordeste para fotografá-los. A ideia é reunir as imagens em um livro. Ele continua acompanhando Lula, e inclusive vai semanalmente para Curitiba fotografar a chamada ‘Vigília Lula Livre’.


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