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Brasil é ultrapassado por Paquistão em lista de mais populosos

Planeta terá mais 2 bilhões de pessoas até 2050, prevê ONU

Terça, 18/6/2019 7:30.
Nasa.

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FLÁVIA MANTOVANI E THIAGO ALMEIDA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quinto país mais populoso do mundo desde o fim da Segunda Guerra, o Brasil foi ultrapassado pelo Paquistão em 2017. O país agora ocupa a sexta posição no ranking, com 211 milhões de habitantes, mostra um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) lançado nesta segunda-feira (17).

Até 2100, o país deve ser ultrapassado por Nigéria, Etiópia, República Democrática do Congo, Tanzânia, Egito e Angola, ficando em 12º lugar.

O relatório, chamado World Population Prospects (prospecções da população mundial), é elaborado pela divisão de população da ONU e se baseia em censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas e traz análises sobre 235 países e áreas.

De acordo com o documento, o Brasil está crescendo a um ritmo mais lento do que a média global, e a população do país deve chegar ao seu máximo em 2045, com 229,6 milhões de pessoas –a previsão para a população mundial é que ela pare de crescer apenas no fim do século.

A partir de 2046, prevê-se uma redução no número de pessoas no Brasil, chegando a 180,7 milhões em 2100. Segundo a projeção, o país deve perder cerca de 50 milhões de habitantes nesse período.

O número de idosos, porém, deve continuar crescendo, atingindo seu pico apenas em 2075, de acordo com as previsões.

Os dados também mostram que a tendência ao envelhecimento da população mundial, comprovada pelo relatório da ONU, é ainda mais intensa no Brasil.

Em 2050, por exemplo, prevê-se que 29,4% da população no país tenha 60 anos ou mais –oito pontos percentuais acima da média para o planeta. No fim do século, pode chegar a 40,1% do total.

A faixa que cresce mais rapidamente é a dos que têm 80 anos ou mais. Se em 1950 eles eram apenas 0,3% dos brasileiros, atualmente são 2% e, em 2050, devem chegar a 6,7% da população.

No mundo, eles eram 0,6% em 1950, são 1,9% atualmente e chegarão a 4,4% em 30 anos. Ou seja, a distância da proporção desse grupo etário no Brasil em relação à média global vem aumentando e deve continuar nesse caminho.

Outra constatação do estudo é que o Brasil perdeu para o Chile o posto de país com menor taxa de fecundidade (média de filhos nascidos vivos por mulher).

Enquanto no período entre 2010 e 2015 esse índice era de 1,77 no Brasil e 1,85 no Chile, no período entre 2015 e 2020 o Chile baixou para 1,65 enquanto o Brasil tem 1,74.

"Ainda não há um estudo sobre as causas, mas o número baixou bastante no Chile", afirma Helena Castanheira, oficial de assuntos de população do Centro Latinoamericano de Demografia (Celad), da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).

A ONU projeta uma queda da fecundidade no Brasil até 2040 e, depois, um aumento progressivo.

"Nós nos baseamos na experiência dos países desenvolvidos, que mostra que a taxa de fecundidade vai descendo e depois se recupera. Os números dessa recuperação dependem da trajetória de cada país", diz.

Planeta terá mais 2 bilhões de pessoas até 2050, prevê ONU

O mundo deve ganhar 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, atingindo sua população máxima no fim do século e começando a se estabilizar apenas no século 22. É o que prevê um relatório da ONU lançado nesta segunda-feira (17), com projeções demográficas para o planeta até 2100.

De acordo com o documento, a população mundial, que é de 7,7 bilhões na atualidade, continua crescendo, ainda que no ritmo mais lento desde 1950: a taxa, que atualmente é de 1,1% ao ano, deve chegar a 0,4% perto do fim do século. A previsão é que a população mundial chegue a 9,7 bilhões em 2050 e a quase 11 bilhões em 2100.

O relatório, chamado World Population Prospects (prospecções da população mundial), é lançado a cada dois anos pela divisão de população da ONU e traz análises para 235 países e áreas, baseadas em informações de censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas.

São projeções, ou seja, tendências demográficas que estão sujeitas a alterações, pois dependem de mudanças tecnológicas, avanços médicos, condições políticas e costumes, que podem se alterar de forma imprevisível.

Para estimar a população no fim do século, a ONU trabalha com três cenários: no de projeção alta, o mundo teria 15,6 bilhões de habitantes em 2100; no mais conservador, ficaria em 7,32 bilhões e, no médio –o mais provável de ocorrer–, chegaria a 10,8 bilhões.

Na projeção média anterior, em 2017, previa-se uma população de 11,18 bilhões em 2100 (ou seja, cerca de 300 milhões a mais do que se acredita agora).

"Essa diferença se deve principalmente a revisões em taxas de fecundidade recentes e esperadas no futuro em vários países maiores, como Bangladesh, República Democrática do Congo, Índia e Estados Unidos", disse à reportagem Patrick Gerland, chefe da seção de estimativas e projeções de população da ONU.

"Mudanças nesses países têm sido um pouco mais rápidas do que se acreditava."

De acordo com o novo relatório, metade dos novos habitantes do mundo até 2050 virão de apenas nove países, a maioria pobres ou em desenvolvimento: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e EUA.

Entre as grandes regiões, a África Subsaariana deve dobrar sua população nos próximos 30 anos, enquanto, na outra ponta, a Europa e a América do Norte terão aumento de apenas 2% de sua população. O crescimento previsto nesse mesmo período para a América Latina e o Caribe é de 18%.

Por volta de 2027, a Índia deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo –alguns anos depois do que se imaginava anteriormente.

"A taxa de fecundidade na Índia caiu um pouco mais rapidamente do que se imaginava, e a fecundidade na China cresceu mais do que o esperado devido ao fim da política do filho único e a alguns incentivos para a população ter mais filhos", afirma o pesquisador e doutor em demografia José Eustáquio Alves, que analisou os dados.

"O ranking vai mudar muito. Estão saindo os países mais desenvolvidos e começam a entrar os mais pobres, como a República Democrática do Congo, que vai crescer absurdamente, a Etiópia, a Tanzânia", observa o pesquisador.

Ele chama a atenção também ao caso de Angola, que deve ter sua população multiplicada por 11 ao longo deste século –de 16,4 milhões para 188 milhões–, chegando ao 11º lugar no ranking, na frente do Brasil.

Segundo o relatório, tanto países em crescimento quanto os que têm baixa taxa de natalidade enfrentam seus desafios.

"Aqueles que experimentam rápido crescimento populacional, muitos deles na África Subsaariana, devem prover escola e cuidados de saúde para um número crescente de crianças, e garantir educação e oportunidades de emprego para um número cada vez maior de jovens", afirma a análise. "Países cujo crescimento populacional se reduziu ou parou devem se preparar para uma proporção crescente de pessoas mais velhas e, em alguns casos, para um decréscimo na população."

Em 2018, pela primeira vez o número de pessoas com mais de 65 anos ultrapassou o de crianças com menos de 5.

Se atualmente 1 em cada 11 pessoas no mundo tem mais de 65 anos, em 2050 deve chegar a 1 em cada 6 –no caso da Europa e da América do Norte, deve ser de 1 para cada 4.

A expectativa de vida média da humanidade, que era de 64,2 anos em 1990, subiu para 72,6 neste ano e acredita-se que chegará a 77,1 anos em 2050.

Porém, nos países menos desenvolvidos as pessoas vivem cerca de sete anos menos do que a média global, devido à alta mortalidade materna e infantil, violência e infecção por HIV, entre outros fatores.

A queda no número de pessoas em idade ativa e o aumento na proporção da população em idade dependente deve gerar desafios para "o mercado de trabalho e a performance econômica" de diversos países, assim como dificuldades para "construir e manter sistemas públicos de saúde, pensões e proteção social para os mais velhos", alerta o relatório.

Outro fator que contribui para o envelhecimento da população mundial é que as mulheres estão tendo menos filhos. O estudo comprova essa tendência, mostrando que taxa de fecundidade, que era de 3,2 filhos por mulher em 1990, baixou para 2,5 em 2019 e deve chegar a 2,2 em 2050.

A taxa necessária para repor naturalmente a população (desconsiderando fatores como a imigração) é de ao menos 2,1. Atualmente, quase metade das pessoas vive em países com índice abaixo disso.

A menor média de filhos por mulher está na América do Norte e na Europa (1,7). A previsão, porém, é que haja leve recuperação nessa taxa, chegando a 1,8 até 2100. A região onde as mulheres têm mais filhos é a África Subsaariana, onde a taxa de fecundidade hoje é de 4,5.


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Brasil é ultrapassado por Paquistão em lista de mais populosos

Planeta terá mais 2 bilhões de pessoas até 2050, prevê ONU

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Terça, 18/6/2019 7:30.

FLÁVIA MANTOVANI E THIAGO ALMEIDA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quinto país mais populoso do mundo desde o fim da Segunda Guerra, o Brasil foi ultrapassado pelo Paquistão em 2017. O país agora ocupa a sexta posição no ranking, com 211 milhões de habitantes, mostra um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) lançado nesta segunda-feira (17).

Até 2100, o país deve ser ultrapassado por Nigéria, Etiópia, República Democrática do Congo, Tanzânia, Egito e Angola, ficando em 12º lugar.

O relatório, chamado World Population Prospects (prospecções da população mundial), é elaborado pela divisão de população da ONU e se baseia em censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas e traz análises sobre 235 países e áreas.

De acordo com o documento, o Brasil está crescendo a um ritmo mais lento do que a média global, e a população do país deve chegar ao seu máximo em 2045, com 229,6 milhões de pessoas –a previsão para a população mundial é que ela pare de crescer apenas no fim do século.

A partir de 2046, prevê-se uma redução no número de pessoas no Brasil, chegando a 180,7 milhões em 2100. Segundo a projeção, o país deve perder cerca de 50 milhões de habitantes nesse período.

O número de idosos, porém, deve continuar crescendo, atingindo seu pico apenas em 2075, de acordo com as previsões.

Os dados também mostram que a tendência ao envelhecimento da população mundial, comprovada pelo relatório da ONU, é ainda mais intensa no Brasil.

Em 2050, por exemplo, prevê-se que 29,4% da população no país tenha 60 anos ou mais –oito pontos percentuais acima da média para o planeta. No fim do século, pode chegar a 40,1% do total.

A faixa que cresce mais rapidamente é a dos que têm 80 anos ou mais. Se em 1950 eles eram apenas 0,3% dos brasileiros, atualmente são 2% e, em 2050, devem chegar a 6,7% da população.

No mundo, eles eram 0,6% em 1950, são 1,9% atualmente e chegarão a 4,4% em 30 anos. Ou seja, a distância da proporção desse grupo etário no Brasil em relação à média global vem aumentando e deve continuar nesse caminho.

Outra constatação do estudo é que o Brasil perdeu para o Chile o posto de país com menor taxa de fecundidade (média de filhos nascidos vivos por mulher).

Enquanto no período entre 2010 e 2015 esse índice era de 1,77 no Brasil e 1,85 no Chile, no período entre 2015 e 2020 o Chile baixou para 1,65 enquanto o Brasil tem 1,74.

"Ainda não há um estudo sobre as causas, mas o número baixou bastante no Chile", afirma Helena Castanheira, oficial de assuntos de população do Centro Latinoamericano de Demografia (Celad), da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).

A ONU projeta uma queda da fecundidade no Brasil até 2040 e, depois, um aumento progressivo.

"Nós nos baseamos na experiência dos países desenvolvidos, que mostra que a taxa de fecundidade vai descendo e depois se recupera. Os números dessa recuperação dependem da trajetória de cada país", diz.

Planeta terá mais 2 bilhões de pessoas até 2050, prevê ONU

O mundo deve ganhar 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, atingindo sua população máxima no fim do século e começando a se estabilizar apenas no século 22. É o que prevê um relatório da ONU lançado nesta segunda-feira (17), com projeções demográficas para o planeta até 2100.

De acordo com o documento, a população mundial, que é de 7,7 bilhões na atualidade, continua crescendo, ainda que no ritmo mais lento desde 1950: a taxa, que atualmente é de 1,1% ao ano, deve chegar a 0,4% perto do fim do século. A previsão é que a população mundial chegue a 9,7 bilhões em 2050 e a quase 11 bilhões em 2100.

O relatório, chamado World Population Prospects (prospecções da população mundial), é lançado a cada dois anos pela divisão de população da ONU e traz análises para 235 países e áreas, baseadas em informações de censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas.

São projeções, ou seja, tendências demográficas que estão sujeitas a alterações, pois dependem de mudanças tecnológicas, avanços médicos, condições políticas e costumes, que podem se alterar de forma imprevisível.

Para estimar a população no fim do século, a ONU trabalha com três cenários: no de projeção alta, o mundo teria 15,6 bilhões de habitantes em 2100; no mais conservador, ficaria em 7,32 bilhões e, no médio –o mais provável de ocorrer–, chegaria a 10,8 bilhões.

Na projeção média anterior, em 2017, previa-se uma população de 11,18 bilhões em 2100 (ou seja, cerca de 300 milhões a mais do que se acredita agora).

"Essa diferença se deve principalmente a revisões em taxas de fecundidade recentes e esperadas no futuro em vários países maiores, como Bangladesh, República Democrática do Congo, Índia e Estados Unidos", disse à reportagem Patrick Gerland, chefe da seção de estimativas e projeções de população da ONU.

"Mudanças nesses países têm sido um pouco mais rápidas do que se acreditava."

De acordo com o novo relatório, metade dos novos habitantes do mundo até 2050 virão de apenas nove países, a maioria pobres ou em desenvolvimento: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e EUA.

Entre as grandes regiões, a África Subsaariana deve dobrar sua população nos próximos 30 anos, enquanto, na outra ponta, a Europa e a América do Norte terão aumento de apenas 2% de sua população. O crescimento previsto nesse mesmo período para a América Latina e o Caribe é de 18%.

Por volta de 2027, a Índia deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo –alguns anos depois do que se imaginava anteriormente.

"A taxa de fecundidade na Índia caiu um pouco mais rapidamente do que se imaginava, e a fecundidade na China cresceu mais do que o esperado devido ao fim da política do filho único e a alguns incentivos para a população ter mais filhos", afirma o pesquisador e doutor em demografia José Eustáquio Alves, que analisou os dados.

"O ranking vai mudar muito. Estão saindo os países mais desenvolvidos e começam a entrar os mais pobres, como a República Democrática do Congo, que vai crescer absurdamente, a Etiópia, a Tanzânia", observa o pesquisador.

Ele chama a atenção também ao caso de Angola, que deve ter sua população multiplicada por 11 ao longo deste século –de 16,4 milhões para 188 milhões–, chegando ao 11º lugar no ranking, na frente do Brasil.

Segundo o relatório, tanto países em crescimento quanto os que têm baixa taxa de natalidade enfrentam seus desafios.

"Aqueles que experimentam rápido crescimento populacional, muitos deles na África Subsaariana, devem prover escola e cuidados de saúde para um número crescente de crianças, e garantir educação e oportunidades de emprego para um número cada vez maior de jovens", afirma a análise. "Países cujo crescimento populacional se reduziu ou parou devem se preparar para uma proporção crescente de pessoas mais velhas e, em alguns casos, para um decréscimo na população."

Em 2018, pela primeira vez o número de pessoas com mais de 65 anos ultrapassou o de crianças com menos de 5.

Se atualmente 1 em cada 11 pessoas no mundo tem mais de 65 anos, em 2050 deve chegar a 1 em cada 6 –no caso da Europa e da América do Norte, deve ser de 1 para cada 4.

A expectativa de vida média da humanidade, que era de 64,2 anos em 1990, subiu para 72,6 neste ano e acredita-se que chegará a 77,1 anos em 2050.

Porém, nos países menos desenvolvidos as pessoas vivem cerca de sete anos menos do que a média global, devido à alta mortalidade materna e infantil, violência e infecção por HIV, entre outros fatores.

A queda no número de pessoas em idade ativa e o aumento na proporção da população em idade dependente deve gerar desafios para "o mercado de trabalho e a performance econômica" de diversos países, assim como dificuldades para "construir e manter sistemas públicos de saúde, pensões e proteção social para os mais velhos", alerta o relatório.

Outro fator que contribui para o envelhecimento da população mundial é que as mulheres estão tendo menos filhos. O estudo comprova essa tendência, mostrando que taxa de fecundidade, que era de 3,2 filhos por mulher em 1990, baixou para 2,5 em 2019 e deve chegar a 2,2 em 2050.

A taxa necessária para repor naturalmente a população (desconsiderando fatores como a imigração) é de ao menos 2,1. Atualmente, quase metade das pessoas vive em países com índice abaixo disso.

A menor média de filhos por mulher está na América do Norte e na Europa (1,7). A previsão, porém, é que haja leve recuperação nessa taxa, chegando a 1,8 até 2100. A região onde as mulheres têm mais filhos é a África Subsaariana, onde a taxa de fecundidade hoje é de 4,5.


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