Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
Casa Viva valoriza rotina econômica em reforma discreta

Projeto venceu o desafio Casa Sustentável

Sábado, 3/3/2018 9:23.

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MARA GAMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tire os sapatos antes de entrar. Menos sujeira vinda de fora resulta em menor consumo de produtos de limpeza e economia no bolso. Na hora do banho, fique de olho num reloginho. Para regar as plantas e lavar quintal, use água da chuva. Quando precisar mudar a organização interna, nada de quebra-quebra: basta rearranjar paredes internas.

Com um projeto que prevê intervenção mínima no imóvel e incentiva a adoção de rotinas econômicas de seus ocupantes, a Casa Viva venceu o Desafio Casa Sustentável e estará na mostra Casa Cor 2018 a partir de 22 de maio, em São Paulo.

Completam o menu de itens sustentáveis materiais reciclados como pastilhas feitas de PET nos revestimentos, painéis fotovoltaicos para captar energia, iluminação em LED e divisórias internas em madeira laminada substituindo a alvenaria, com menos resíduos e sobras, proporcionando uma obra seca.

CONCURSO

Formadas há dois anos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Gabriela Lotufo e Larissa Oliveira se conheceram na escola. A Casa Viva é seu primeiro projeto de casa. Além do grande prêmio, receberam menção honrosa pela preservação do patrimônio histórico e adaptabilidade da proposta. O resultado foi anunciado no último dia 22.

Foi a primeira edição do prêmio, que teve 20 projetos finalistas de oito estados do país: São Paulo, Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Os projetos foram concebidos para um espaço de 75 m¦, com sala, cozinha, quarto e banheiro. O imóvel já existe e é uma das edificações tombadas do Jockey Club de São Paulo.

CONSTRUÇÃO E EQUIPAMENTOS

"Na escolha dos materiais, priorizamos reciclados, recicláveis e reformáveis e o que pode ser encontrado com facilidade no mercado", conta Larissa Oliveira.

O piso já existente foi recuperado. Para as áreas molhadas, foram colocadas pastilhas feitas de PET reciclado sobre os ladrilhos. Para o isolamento termo-acústico da parte central da casa, também foi usada uma manta de lã de PET. Um piso vinílico, que é reciclável, foi aplicado em algumas áreas. Na área externa e no piso do banheiro foi usada a madeira plástica, conta Larissa.

Além dos itens de construção, Larissa destaca o uso de aparelhos econômicos como os que controlam a vasão de água e os "timers" no chuveiro, que facilitam o controle e incentivam economia de energia.

SEM PARAFERNÁLIA

"O projeto da Casa Viva mostra que qualquer pessoa pode tornar a casa sustentável sem colocar a construção abaixo", diz Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, consultoria em sustentabilidade que idealizou o prêmio.

"As arquitetas analisaram a ventilação do imóvel e decidiram que não era necessário instalar ar condicionado, o que foi um ponto importante de economia", exemplifica.

O foco no usuário é um dos diferenciais no projeto, segundo Ferreira. "Refletir sobre o modo como as pessoas interagem na construção é fundamental. Na minha opinião, a ideia da sapateira é um achado. Sem parafernália, consegue incentivar um bom hábito", diz.

Medidas reduzem os impactos ambientais da casa

Antes de comprar aparelhos que prometem economia, o primeiro passo para ter uma casa mais sustentável é analisar os itens que causam impactos ambientais, quantificá-los e tentar reduzir os tempos de uso ou quantidades. Geração de lixo, consumo de energia e consumo de água são os três grupos de atividades importantes.

Metade do consumo total de água doméstico, por exemplo, vem do chuveiro. "Se um item apenas é responsável por 50% do gasto, é claro que você deve começar por ele. Regulando o tempo de banho, o resultado vem na conta", diz o engenheiro Luiz Henrique Ferreira, da consultoria Inovatech. "Para obter esse controle, os timers podem ajudar", diz.

No consumo de energia, os vilões são chuveiros, geladeiras e aparelhos de ar condicionado. "Em habitações de mais baixa renda, são as geladeiras. Em geral, há mais pessoas em cada casa, ficando mais tempo, e por isso a geladeira será aberta mais vezes, aumentando o peso desse item na conta geral", afirma Ferreira.

"Nas casas de classe média alta, em primeiro lugar estão chuveiros elétricos e depois vêm os aparelhos de ar condicionado".

Ferreira aponta, porém, que está acontecendo uma mudança de padrão. "Há 10 anos, a maior parte das casas em São Paulo não possuía ar condicionado e as pessoas conseguiam viver sem eles, suportando a amplitude térmica das estações frias até as quentes. Hoje, a resiliência à mudança térmica está ficando menor e, por isso, o consumo de energia está aumentando", afirma.

A boa notícia, segundo Ferreira, é que atualmente os construtores são obrigados a executar obras com mais conforto térmico, acústico e de insolação.

"Os edifícios mais novos devem seguir a A NBR 15.575, que vale desde 2013 e que exige que a carga térmica neles seja menor, o que faz com que os investimentos em equipamentos possam ser menores", conta.

ROTEIRO

Abaixo, um roteiro simplificado para tornar a casa mais sustentável:

- Identifique quais são os principais impactos da sua casa: geração de lixo, consumo de energia e consumo de água são os mais comuns;

- Quantifique em volume ou dinheiro esses impactos;

- Pesquise e converse com amigos para saber se esses volumes e valores são médios, altos ou baixos;

- Antes de investir em novos equipamentos ou sistemas, corte excessos já detectados. Por exemplo: se você gasta R$ 500 por mês em energia elétrica, faça uma experiência de reduzir o tempo de banho em um determinado período de tempo.

- Se chegou a um consumo já testado e irredutível e ainda precisa economizar, chegou a hora de adotar máquinas ou sistemas diferentes. Painéis de energia solar, por exemplo, podem ser pagos em 2 anos e meio de uso. Para poupar água, cisternas que armazenam água de chuva são uma opção. De que tamanho? Faça uma estimativa. Quantos baldes usa para lavar a área externa e molhar as plantas? Quantas vezes você faz essa operação por semana? Com contas simples, poderá dimensionar os novos equipamentos.


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Casa Viva valoriza rotina econômica em reforma discreta

Projeto venceu o desafio Casa Sustentável

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Sábado, 3/3/2018 9:23.

MARA GAMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tire os sapatos antes de entrar. Menos sujeira vinda de fora resulta em menor consumo de produtos de limpeza e economia no bolso. Na hora do banho, fique de olho num reloginho. Para regar as plantas e lavar quintal, use água da chuva. Quando precisar mudar a organização interna, nada de quebra-quebra: basta rearranjar paredes internas.

Com um projeto que prevê intervenção mínima no imóvel e incentiva a adoção de rotinas econômicas de seus ocupantes, a Casa Viva venceu o Desafio Casa Sustentável e estará na mostra Casa Cor 2018 a partir de 22 de maio, em São Paulo.

Completam o menu de itens sustentáveis materiais reciclados como pastilhas feitas de PET nos revestimentos, painéis fotovoltaicos para captar energia, iluminação em LED e divisórias internas em madeira laminada substituindo a alvenaria, com menos resíduos e sobras, proporcionando uma obra seca.

CONCURSO

Formadas há dois anos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Gabriela Lotufo e Larissa Oliveira se conheceram na escola. A Casa Viva é seu primeiro projeto de casa. Além do grande prêmio, receberam menção honrosa pela preservação do patrimônio histórico e adaptabilidade da proposta. O resultado foi anunciado no último dia 22.

Foi a primeira edição do prêmio, que teve 20 projetos finalistas de oito estados do país: São Paulo, Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Os projetos foram concebidos para um espaço de 75 m¦, com sala, cozinha, quarto e banheiro. O imóvel já existe e é uma das edificações tombadas do Jockey Club de São Paulo.

CONSTRUÇÃO E EQUIPAMENTOS

"Na escolha dos materiais, priorizamos reciclados, recicláveis e reformáveis e o que pode ser encontrado com facilidade no mercado", conta Larissa Oliveira.

O piso já existente foi recuperado. Para as áreas molhadas, foram colocadas pastilhas feitas de PET reciclado sobre os ladrilhos. Para o isolamento termo-acústico da parte central da casa, também foi usada uma manta de lã de PET. Um piso vinílico, que é reciclável, foi aplicado em algumas áreas. Na área externa e no piso do banheiro foi usada a madeira plástica, conta Larissa.

Além dos itens de construção, Larissa destaca o uso de aparelhos econômicos como os que controlam a vasão de água e os "timers" no chuveiro, que facilitam o controle e incentivam economia de energia.

SEM PARAFERNÁLIA

"O projeto da Casa Viva mostra que qualquer pessoa pode tornar a casa sustentável sem colocar a construção abaixo", diz Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, consultoria em sustentabilidade que idealizou o prêmio.

"As arquitetas analisaram a ventilação do imóvel e decidiram que não era necessário instalar ar condicionado, o que foi um ponto importante de economia", exemplifica.

O foco no usuário é um dos diferenciais no projeto, segundo Ferreira. "Refletir sobre o modo como as pessoas interagem na construção é fundamental. Na minha opinião, a ideia da sapateira é um achado. Sem parafernália, consegue incentivar um bom hábito", diz.

Medidas reduzem os impactos ambientais da casa

Antes de comprar aparelhos que prometem economia, o primeiro passo para ter uma casa mais sustentável é analisar os itens que causam impactos ambientais, quantificá-los e tentar reduzir os tempos de uso ou quantidades. Geração de lixo, consumo de energia e consumo de água são os três grupos de atividades importantes.

Metade do consumo total de água doméstico, por exemplo, vem do chuveiro. "Se um item apenas é responsável por 50% do gasto, é claro que você deve começar por ele. Regulando o tempo de banho, o resultado vem na conta", diz o engenheiro Luiz Henrique Ferreira, da consultoria Inovatech. "Para obter esse controle, os timers podem ajudar", diz.

No consumo de energia, os vilões são chuveiros, geladeiras e aparelhos de ar condicionado. "Em habitações de mais baixa renda, são as geladeiras. Em geral, há mais pessoas em cada casa, ficando mais tempo, e por isso a geladeira será aberta mais vezes, aumentando o peso desse item na conta geral", afirma Ferreira.

"Nas casas de classe média alta, em primeiro lugar estão chuveiros elétricos e depois vêm os aparelhos de ar condicionado".

Ferreira aponta, porém, que está acontecendo uma mudança de padrão. "Há 10 anos, a maior parte das casas em São Paulo não possuía ar condicionado e as pessoas conseguiam viver sem eles, suportando a amplitude térmica das estações frias até as quentes. Hoje, a resiliência à mudança térmica está ficando menor e, por isso, o consumo de energia está aumentando", afirma.

A boa notícia, segundo Ferreira, é que atualmente os construtores são obrigados a executar obras com mais conforto térmico, acústico e de insolação.

"Os edifícios mais novos devem seguir a A NBR 15.575, que vale desde 2013 e que exige que a carga térmica neles seja menor, o que faz com que os investimentos em equipamentos possam ser menores", conta.

ROTEIRO

Abaixo, um roteiro simplificado para tornar a casa mais sustentável:

- Identifique quais são os principais impactos da sua casa: geração de lixo, consumo de energia e consumo de água são os mais comuns;

- Quantifique em volume ou dinheiro esses impactos;

- Pesquise e converse com amigos para saber se esses volumes e valores são médios, altos ou baixos;

- Antes de investir em novos equipamentos ou sistemas, corte excessos já detectados. Por exemplo: se você gasta R$ 500 por mês em energia elétrica, faça uma experiência de reduzir o tempo de banho em um determinado período de tempo.

- Se chegou a um consumo já testado e irredutível e ainda precisa economizar, chegou a hora de adotar máquinas ou sistemas diferentes. Painéis de energia solar, por exemplo, podem ser pagos em 2 anos e meio de uso. Para poupar água, cisternas que armazenam água de chuva são uma opção. De que tamanho? Faça uma estimativa. Quantos baldes usa para lavar a área externa e molhar as plantas? Quantas vezes você faz essa operação por semana? Com contas simples, poderá dimensionar os novos equipamentos.


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