Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
O que você vai ser quando envelhecer?

Município instiga o debate e a criação de políticas públicas para a Terceira Idade

Quinta, 15/2/2018 8:37.
Fotos Divulgação

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É pensando nessa fase da vida que a secretaria da Pessoa Idosa virou referência em acolhimento e atenção e suas atividades foram apresentadas no Fórum Social Mundial - População Idosa, realizado em janeiro, em Porto Alegre.

A pergunta é pertinente, mas ninguém faz. Desde pequenos somos provocados ou induzidos pela sociedade para saber o que ‘você vai ser quando crescer’.

“Nossos padrões culturais criam esta expectativa desde o nascimento, aí vem a adolescência, o casamento, filhos, netos e quando tudo isso aconteceu, você descobre que não se preparou para a velhice”, ilustrou a secretária da Pessoa Idosa, Christina Barichello, lembrando que esta é a maior fase da vida.

“Até os 12 anos é criança. Até os 18 adolescente. Dos 18 aos 60 anos é adulto e depois vira idoso. A pessoa vive cada vez mais tempo. A média em Santa Catarina é 7.8. Cientistas no Fórum Mundial falaram que a pessoa que vai fazer 150 anos já nasceu”, segue Christina.

Preparação

Sem conhecimento desta área, porque na condição de psicóloga trabalhou sempre com todas as idades antes dos 60, Christina começou a estudar o assunto, assim que o prefeito Fabrício Oliveira a convidou para comandar a secretaria.

Criou mecanismos que incentivam um novo projeto de vida. Segundo pesquisas já divulgadas da Avantis e da Univali 30% da população de Balneário é de maiores de 60. No Cartório Eleitoral, Balneário aparece com 20% da população votante nesta faixa etária.

Políticas públicas

Balneário é diferente, porque recebe idosos de vários lugares, até de outros países, por isso tem algumas características. “Aqui é a segunda moradia dele. Ele se aposentou, separou, enviuvou e vem morar na praia e com isso traz vários comprometimentos, a Síndrome do Ninho Vazio, a depressão, a tristeza e não tem uma política pública, nem estrutura para essa camada. Foi preciso criar e esse projeto se baseia em quatro eixos, que viraram referência no Fórum Mundial: 1) Auto-estima; 2-) Saúde física e mental; 3-) Educação; 4-) Esporte/Turismo/Lazer”, detalhou.

Ela diz que o idoso não quer mais só jogar bingo, andar de bengala, ele quer ser um agente de transformação.

“Nossa metodologia se baseia no envelhecimento ativo. De alguma forma ele está se exercitando ou fazendo atividades intelectuais nas 82 oficinas criadas em apenas um ano e que renderam mais de 12 mil atendimentos. Cadastrados com carteira do idoso são 3700.

“Mostramos que é possível viver bem nessa idade. Continuar aprendendo, fazendo cursos, laboratórios, mantendo-se ocupados, criando laços, estudando novos idiomas, ser bombeiro com 70 anos, tudo pode. O que não pode é se isolar, parar, se achar velho, porque cai em depressão”, sugeriu Christina.

O SEGREDO DE VIVER BEM A LONGEVIDADE

Por Ulisses Coelho

Em Porto Alegre (RS), na UFRGS, recentemente assisti uma conferência da psicóloga e professora canadense, Susan Pinker. Ela abordou tema relacionado a super longevidade e o segredo dos idosos centenários de Villagrande (Ilha de Sardenha), Itália.

Após relacionar fatores conhecidos que influem na vida longa como genética, atividade física e hábitos de vida, apresentou o fator que ela considera o mais importante: a integração social. Em Villagrande, com aproximadamente 3.600 habitantes existem seis vezes mais pessoas centenárias do que em toda a Itália com 60 milhões de habitantes.

Susan entrevistou pessoas centenárias e pesquisou seus hábitos observando que o fator comum era: a vida social, o contato e o cuidado diário que recebiam dos familiares, vizinhos e demais membros da comunidade. Os idosos sentiam-se incluídos nesta vida comunitária com a sensação de pertencimento. Assim: interagir, conversar, viver em família contribui para uma vida longa e feliz.

3º Espaço

Nas grandes cidades com o isolamento crescente, problemas de solidão e até depressão, o que poderia ser feito para aproximar as pessoas possibilitando encontros e reencontros, como acontece naquela cidade italiana?

Pois bem, Susan propõe que em nossas cidades tenhamos um 3º Espaço. O 1º é a casa ou apartamento, o 2º o trabalho. O 3º seria um local ao ar livre para convivermos e realizarmos esta integração social que determina efeitos poderosos e benéficos ao cérebro como a atenção, a inteligência social e a recompensa emocional sendo reativadas.

Em Balneário Camboriú, temos alguns locais como 3º Espaço: a praia e seu calçadão, o Parque Municipal Raimundo Malta e a Solarata de Eulina Silveira na praça de Cultura (nas manhãs de sábado) entre outros.

Encontro presencial

Na orientação e observação da professora canadense existem inúmeras vantagens no encontro presencial em lugar do que se realiza nas redes sociais como a internet.

As pesquisas realizadas por Susan, “indicam que o contato pela internet não gera os mesmos benefícios do encontro face a face, como a ativação de zonas cerebrais ligadas ao prazer e ao relaxamento. Não traz “sinais de honestidade”, nome dado a movimentos inconscientes feitos pelo corpo da pessoa com quem conversamos e que são captados pelo nosso cérebro. Entre eles, a sintonia do contato face a face, na observação de expressões, de gestos, do gesticular das mãos, da fluidez da fala...”

Vínculos fortes e fracos

As relações próximas (vínculos fortes) e os inúmeros vínculos no dia a dia com amigos, vizinhos, conhecidos ou mesmo desconhecidos (nos encontros casuais) ou, nos encontros semanais em cultos religiosos e musicais (como dos Cantores de Balneário Camboriú), são muito importantes para saúde e longevidade. Os vínculos fortes são aqueles que poderão ser acionados no momento de uma necessidade urgente como ter que ir para o hospital de madrugada, numa crise existencial ou numa dificuldade financeira. Os vínculos fracos também são muito importantes na integração social, pois, predizem, junto com os vínculos fortes quanto uma pessoa de meia idade vai viver.

Conclusão

Assim, precisamos estimular procedimentos de encontros face a face apoiando e participando ‘presencialmente’ dos 3º espaços que nos fazem bem conviver!

Ulisses Coelho é médico e fundador do programa ‘Encontros de Vida’ em Balneário Camboriú.



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Página 3
Fotos Divulgação

O que você vai ser quando envelhecer?

Município instiga o debate e a criação de políticas públicas para a Terceira Idade

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Quinta, 15/2/2018 8:37.

É pensando nessa fase da vida que a secretaria da Pessoa Idosa virou referência em acolhimento e atenção e suas atividades foram apresentadas no Fórum Social Mundial - População Idosa, realizado em janeiro, em Porto Alegre.

A pergunta é pertinente, mas ninguém faz. Desde pequenos somos provocados ou induzidos pela sociedade para saber o que ‘você vai ser quando crescer’.

“Nossos padrões culturais criam esta expectativa desde o nascimento, aí vem a adolescência, o casamento, filhos, netos e quando tudo isso aconteceu, você descobre que não se preparou para a velhice”, ilustrou a secretária da Pessoa Idosa, Christina Barichello, lembrando que esta é a maior fase da vida.

“Até os 12 anos é criança. Até os 18 adolescente. Dos 18 aos 60 anos é adulto e depois vira idoso. A pessoa vive cada vez mais tempo. A média em Santa Catarina é 7.8. Cientistas no Fórum Mundial falaram que a pessoa que vai fazer 150 anos já nasceu”, segue Christina.

Preparação

Sem conhecimento desta área, porque na condição de psicóloga trabalhou sempre com todas as idades antes dos 60, Christina começou a estudar o assunto, assim que o prefeito Fabrício Oliveira a convidou para comandar a secretaria.

Criou mecanismos que incentivam um novo projeto de vida. Segundo pesquisas já divulgadas da Avantis e da Univali 30% da população de Balneário é de maiores de 60. No Cartório Eleitoral, Balneário aparece com 20% da população votante nesta faixa etária.

Políticas públicas

Balneário é diferente, porque recebe idosos de vários lugares, até de outros países, por isso tem algumas características. “Aqui é a segunda moradia dele. Ele se aposentou, separou, enviuvou e vem morar na praia e com isso traz vários comprometimentos, a Síndrome do Ninho Vazio, a depressão, a tristeza e não tem uma política pública, nem estrutura para essa camada. Foi preciso criar e esse projeto se baseia em quatro eixos, que viraram referência no Fórum Mundial: 1) Auto-estima; 2-) Saúde física e mental; 3-) Educação; 4-) Esporte/Turismo/Lazer”, detalhou.

Ela diz que o idoso não quer mais só jogar bingo, andar de bengala, ele quer ser um agente de transformação.

“Nossa metodologia se baseia no envelhecimento ativo. De alguma forma ele está se exercitando ou fazendo atividades intelectuais nas 82 oficinas criadas em apenas um ano e que renderam mais de 12 mil atendimentos. Cadastrados com carteira do idoso são 3700.

“Mostramos que é possível viver bem nessa idade. Continuar aprendendo, fazendo cursos, laboratórios, mantendo-se ocupados, criando laços, estudando novos idiomas, ser bombeiro com 70 anos, tudo pode. O que não pode é se isolar, parar, se achar velho, porque cai em depressão”, sugeriu Christina.

O SEGREDO DE VIVER BEM A LONGEVIDADE

Por Ulisses Coelho

Em Porto Alegre (RS), na UFRGS, recentemente assisti uma conferência da psicóloga e professora canadense, Susan Pinker. Ela abordou tema relacionado a super longevidade e o segredo dos idosos centenários de Villagrande (Ilha de Sardenha), Itália.

Após relacionar fatores conhecidos que influem na vida longa como genética, atividade física e hábitos de vida, apresentou o fator que ela considera o mais importante: a integração social. Em Villagrande, com aproximadamente 3.600 habitantes existem seis vezes mais pessoas centenárias do que em toda a Itália com 60 milhões de habitantes.

Susan entrevistou pessoas centenárias e pesquisou seus hábitos observando que o fator comum era: a vida social, o contato e o cuidado diário que recebiam dos familiares, vizinhos e demais membros da comunidade. Os idosos sentiam-se incluídos nesta vida comunitária com a sensação de pertencimento. Assim: interagir, conversar, viver em família contribui para uma vida longa e feliz.

3º Espaço

Nas grandes cidades com o isolamento crescente, problemas de solidão e até depressão, o que poderia ser feito para aproximar as pessoas possibilitando encontros e reencontros, como acontece naquela cidade italiana?

Pois bem, Susan propõe que em nossas cidades tenhamos um 3º Espaço. O 1º é a casa ou apartamento, o 2º o trabalho. O 3º seria um local ao ar livre para convivermos e realizarmos esta integração social que determina efeitos poderosos e benéficos ao cérebro como a atenção, a inteligência social e a recompensa emocional sendo reativadas.

Em Balneário Camboriú, temos alguns locais como 3º Espaço: a praia e seu calçadão, o Parque Municipal Raimundo Malta e a Solarata de Eulina Silveira na praça de Cultura (nas manhãs de sábado) entre outros.

Encontro presencial

Na orientação e observação da professora canadense existem inúmeras vantagens no encontro presencial em lugar do que se realiza nas redes sociais como a internet.

As pesquisas realizadas por Susan, “indicam que o contato pela internet não gera os mesmos benefícios do encontro face a face, como a ativação de zonas cerebrais ligadas ao prazer e ao relaxamento. Não traz “sinais de honestidade”, nome dado a movimentos inconscientes feitos pelo corpo da pessoa com quem conversamos e que são captados pelo nosso cérebro. Entre eles, a sintonia do contato face a face, na observação de expressões, de gestos, do gesticular das mãos, da fluidez da fala...”

Vínculos fortes e fracos

As relações próximas (vínculos fortes) e os inúmeros vínculos no dia a dia com amigos, vizinhos, conhecidos ou mesmo desconhecidos (nos encontros casuais) ou, nos encontros semanais em cultos religiosos e musicais (como dos Cantores de Balneário Camboriú), são muito importantes para saúde e longevidade. Os vínculos fortes são aqueles que poderão ser acionados no momento de uma necessidade urgente como ter que ir para o hospital de madrugada, numa crise existencial ou numa dificuldade financeira. Os vínculos fracos também são muito importantes na integração social, pois, predizem, junto com os vínculos fortes quanto uma pessoa de meia idade vai viver.

Conclusão

Assim, precisamos estimular procedimentos de encontros face a face apoiando e participando ‘presencialmente’ dos 3º espaços que nos fazem bem conviver!

Ulisses Coelho é médico e fundador do programa ‘Encontros de Vida’ em Balneário Camboriú.



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